RESPOSTAS PRONTAS

O que mais me deixa indignado ultimamente é com a incrível capacidade que muitos têm em aceitar respostas prontas. E este fenômeno se dá tanto no âmbito cristão quanto no não cristão. Frases prontas, superficialidade, conceitos plásticos proferidos sem ao menos uma reflexão, são vistos aos milhões neste nosso mundão.

Eu não sei o que se passa na cabeça de muitos que insistem em ouvir seus pastores sem conferir na palavra, sem ler e se informar mais. Virando crentes que não aprendem, apenas repetem frases.

Na faculdade, quando falávamos no que acreditávamos, o professor de filosofia (tinha que ser) perguntava: Por que? Era automático, porém a resposta nem sempre também era, muitos não sabiam explicar o porquê acreditavam no que acreditavam e seguiam gaguejando.

O curioso é que Cristo, a quem imitamos, tinha um comportamento totalmente oposto ao que vemos muitas vezes na igreja. Suas reflexões, seus ensinos, sua forma de receber pessoas excluídas era totalmente fora dos moldes da religião hipócrita que existia naquela época e também hoje, suas respostas não eram prontas e pré-fabricadas, sua vida era simples e legítima, nada do que vemos por aí. Gosto de uma citação de Carlos Queiroz que resume bem o é ser cristão:

“O discípulo de Jesus não carrega sobre si a imagem de religioso, nem é, ao mesmo tempo, um publicano ou gentio. Seu estilo de vida deve romper com a superficialidade da religião e a futilidade do não religioso. Por isso é mal compreendido pelos religiosos e não aceito pelos não religiosos” (QUEIROZ, 2006, pg 35, 36)

 Ser um discípulo de Cristo não é ter respostas prontas, ou apenas decorar alguns versículos, é imitar seus ensinos, é servir, a lógica do reino é invertida, o maior serve o menor. Ser um imitador de Jesus não é apenas decorar alguns versículos ou ler a Bíblia em um ano, mas é buscas entender, estudar e aplicar a palavra como um todo.

Quem dá respostas prontas é horóscopo, o cristão estuda a palavra e se aprofunda no ensino.

Devemos aprender a ter um senso crítico e não engolir qualquer coisa sem refletir, mas para isso, temos que entender a palavra. Quem não conhece fica no escuro, engole qualquer coisa e segue imitando ensinos equivocados.

BIBLIOGRAFIA

QUEIROZ, Carlos, Ser é o Bastante, Felicidade à Luz do Sermão do Monte, Editora Encontro, Curitiba, Editora Ultimato, Minas Gerais, 2006

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O PROBLEMA DAS CERTEZAS

“O que nos causa problemas não é o que sabemos. É o que temos certeza que sabemos e que, ao final, não é verdade” (Mark Twain) (PETERSON, 2018, p. 12).

Quando eu era novo, eu gostava muito de fazer trilhas, e em uma das primeiras vezes que eu fui, fomos guiados por alguém que tinha certeza do caminho. Ele já havia feito a trilha muitas vezes, e não tinha dúvida alguma de como fazer para chegar ao final do percurso. A questão foi que nos perdemos. O local havia mudado muito desde a última vez que ele havia ido, com isso, ele não conseguiu identificar o caminho correto e tivemos um grande trabalho para achar a trilha novamente.

Normalmente pegamos alguns caminhos equivocados, justamente por termos certeza. São as certezas que nos movem, e em alguns casos, nos colocam em confusões. Principalmente porque quando temos certeza, ouvimos pouco as pessoas, sendo esta a receita do fracasso, “ouvir pouco e seguir nossos pontos de vista”.

A certeza nos ensurdece, faz com que não prestemos atenção em volta, nos sinais de aviso, nas orientações ou placas de perigo. É claro que é também pela certeza que fazemos muitas coisas boas, embora seja por ela, que nos metemos em grandes confusões.

A questão é que nem sempre estamos certos, nem sempre a nossa certeza é coerente, às vezes ela é fruto de pontos de vistas equivocados, sem comprovações ou estudos.

Aprendi a ouvir as pessoas, a vida nos ensina que não custa nada prestar atenção em dicas, sugestões, ou opiniões, mesmo em áreas que conhecemos.

É sempre possível ouvir um modo novo de fazer as mesmas coisas, aprender outros caminhos que levam na mesma direção, ou até mesmo, descobrir que estamos errados.

Creio que uma das características da pessoa inteligente é a sua capacidade de aprender com tudo e com todos. Sendo que para que isso aconteça, é preciso ter humildade suficiente para ouvir o próximo, para prestar atenção nos detalhes da vida.

Eu sou músico, e em todas as vezes que fui gravar um CD da minha banda, o Hawthorn, eu sempre procurei gravar com um produtor. É claro que eu sabia o que estava fazendo, é claro também que eu conhecia muito bem o estilo musical que eu tocava, mas é sempre importante ouvir outras opiniões. As vezes mergulhamos tanto em uma coisa, que não percebemos mais os detalhes e o quanto determinada coisa pode ser melhorada.

Não é certeza que ouvir uma pessoa vá te ajudar, mas não custa. Aprenda a ouvir, refletir sobre o que é dito, para depois tomar uma decisão. As vezes não percebemos nossas contradições, e ao ouvirmos alguém, podemos perceber algo que estava em nossa frente, mas não víamos, nem sempre nossas contradições são óbvias para nós.

Cuidado com as suas certezas, elas podem estar equivocadas, aprenda a ouvir e meditar no que é dito. E principalmente, aprenda a se conhecer, se reciclar, e rever o que você conhece a cada dia, sempre que for possível. Na pior das hipóteses, você vai aprender mais, ou reafirmar o que você já sabe.

BIBLIOGRAFIA

PETERSON, Jordan. B, 12 regras para a vida: Um antídoto para o caos, Alta Books Editora, Rio de Janeiro, 2018.

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O LIMITE DOS DESAFIOS

“O prazer surge na fronteira entre o tédio e a ansiedade, quando os desafios estão equilibrados com a capacidade da pessoa de agir” (Mihaly Csikszentmihaly) (CAINS, 2012, p. 115).

Desafios são ótimos, pois nos tiram da zona de conforto, nos movimentando e fazendo com que possamos crescer e aprender ainda mais. Faz com que olhemos para o lado, onde antes, no aconchego da nossa estagnação, nunca nos prestaríamos a olhar, e isso nos dá a oportunidade de conhecermos coisas novas e assim aprendermos ainda mais.

Sempre gostei de desafios, já faz algum tempo que vejo os problemas desta forma, o impasse é quando os problemas são grandes demais, quando os desafios são insustentáveis e difíceis de encarar.

Tudo o que é demais faz mal, tudo o que nos leva ao limite, com certeza nos trará consequências desastrosas, por isso, é fundamental entendermos o quanto podemos suportar, e assim, ir em busca de ajuda, apoio e ferramentas para lidar com os problemas. Nunca permita que você chegue no limite, tente sempre agir antes que este limite apareça. E acima de tudo, não siga sozinho, crendo que você vai conseguir resolver por si mesmo um problema, pois esta não é uma saída razoável.

O ideal, pelo menos quando é possível, é aceitarmos apenas desafios possíveis, é aprender a resolver um problema de cada vez, para assim, não seguirmos rumo ao colapso.

É claro que as vezes não podemos escolher, mas caso você possa, entenda estes princípios, e se for preciso, desista antes de quebrar. Muitas vezes desistir não é perder, ao contrário, é saber os seus limites, e priorizar a sua saúde e sanidade, ao invés de seguir de forma inconsequente e ter que lidar com problemas ainda maiores.

É claro que em um desafio, é preciso primeiro entender quem somos, o quanto resistimos, e o quanto sabemos lidar com as diversas situações adversas. A busca de autoconhecimento é imprescindível para estes casos. E depois, é preciso entender se não estamos desistindo na hora errada, ou se não estamos deixando o problema ainda maior. As vezes nos acovardamos por medo no novo, do diferente ou do que não conhecemos.  Contudo não existe fórmula, é na tentativa e erro, buscando sempre amigos verdadeiros, que nestas horas, nos ajudam e nos aconselham.

Precisamos aprender a sermos resilientes, só vencemos o temporal sendo equilibrados e flexíveis. A questão é que até o elástico tem o seu limite, por isso, tome cuidado e entenda quem você é primeiro antes de querer testar até onde você aguenta ir.

BIBLIOGRAFIA

CAIN, Susan, O poder dos quietos: Como os tímidos e introvertidos podem mudar um mundo que não para de falar, Editora Agir, Rio de Janeiro, 2012.

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CRISTIANISMO LÍQUIDO

Zigmunt Bauman, famoso sociólogo, escritor e professor lançou uma série de livros analisando o comportamento da geração atual e o impacto que ele causa na sociedade.

Em seu livro mais famoso chamado “Amor Líquido” o autor analisa as relações pessoais e mostra quais são as diferenças vistas em cada geração. Baumann chega em uma conclusão muito interessante: “Os relacionamentos de hoje não são sólidos”:

Falar de relacionamentos é também falar de cristianismo, a comunhão e os relacionamentos, bem como o amor, que nos leva a nos relacionar, são o cerne do evangelho. Para isso é importante sabermos qual tipo de amor é o nosso. Por isso que a pergunta que eu faço é justamente esta. Qual é a sua concepção de amor? É um sentimento ou uma ação,  é um se doar diário, ou um eterno esperar por retribuição? São estas linhas de visões que diferem o amor líquido, do amor sólido. O conceito de amor líquido tem este nome porque muitos dos relacionamentos de hoje não são sólidos, são impossíveis de pegar, tal qual a água.

A igreja também não esta muito longe deste fenômeno, o evangelho, que deveria estar sendo palpável, sal e luz, está cada vez mais parecido com um brilho tímido e apagado, ou um temperinho que não mais salga, ao invés de um posicionamento que realmente faça diferença.

Eu tenho visto uma igreja que quer ser servida, tenho conhecido cristãos que não se importam mais em estudar e conhecer a Bíblia, e a oração é feita apenas antes das refeições.

Segundo estes cristãos é pecado beber, ter amigos não cristãos, ou usar uma roupa diferente. Mas se fechar em suas quatro paredes, ouvir cegamente o pastor sem ao menos conferir na Bíblia e desprezar algumas pessoas por não serem cristãs, não é errado.

Eu tinha um colega de trabalho cristão que vivia me falando besteiras, e entre algumas delas ele falou: Não sei por que você estuda tanto a Bíblia, acredito que se o nosso pastor tem o cargo de pastor, é porque ele sabe das coisas, eu não preciso duvidar.

Por conta de tamanha ignorância, eu nem soube responder, optei por ficar calado. Afinal, se alguém não se interessa em aprender a Bíblia por sua própria vontade, não sei porque o cara perde tempo ouvindo alguém.

A Bíblia é enfática quando diz que devemos examinar as escrituras (João 5:39). Cristo foi duro com os Saduceus quando falou que eles erravam por não conhecerem as escrituras (Marcos 12:24), isso sem contar que ela é nossa lâmpada e a nossa luz para a caminhada (Salmos 119:105) entre tantas coisas

O seu cristianismo é sólido ou líquido? Sua busca por Deus tem como base a palavra de Deus, ou a do pastor? Você só ora na igreja, ou tem (ou pelo menos tenta) uma vida de oração em casa?

É isso que vai diferenciar a vida dos cristãos líquidos dos que não são. Estudar a Bíblia, e buscar a Deus são ferramentas necessárias para ser um cristão sólido. Para quando o caos chegar, você não evapore com os conceitos do mundo.

O cristianismo sólido edifica, o cristianismo líquido seca, evapora e nunca é visto nas pessoas. O cristianismo sólido faz a diferença, o líquido ocupa espaço e não traz significado algum ao próximo. Resta saber quais das duas categorias você quer estar

BIBLIOGRAFIA

BAUMAN, Zygmunt, Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos, Editora Zahar, Rio de Janeiro, 2004.

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A METAMORFOSE DE KAFKA

Imagine se um dia você acordasse e percebesse que estaria virando um inseto. Com braços a mais, antenas e voz estranha. Este é o enredo do livro “A metamorfose” de Kafka, um livro muito mais que surpreendente, não só pela história, mas por todas as lições que o livro propõe.

O livro já começa com a transformação, como se o autor, economizando suspense, já fosse gastando novidades sobre a história. Contudo, isso não é o principal do texto, a parte central é a história da família e o quanto ela é dependente daquele filho.  

O filho inseto é o que sustenta os seus pais e a irmã. O texto enfatiza bem como o trabalho dele mantém tudo, enquanto a família segue dependente por conta de várias desculpas. A parte surpreendente é ver ele passar de provedor, para um inseto asqueroso sem ao menos saber como tudo aconteceu.

O surreal da transformação de Gregor, que é o metamorfoseado, é a sua preocupação com o trabalho, mesmo estando em um estado lastimável. Mostrando que as vezes temos prioridades totalmente invertidas.

No decorrer da história, conforme o filho seguia piorando cada vez mais, vemos concomitantemente uma família ressuscitando, deixando de lado as desculpas e arregaçando as mangas. O pai arranja um trabalho, os outros começam a correr atrás e a se unirem no propósito de sobreviver, enquanto o filho sucumbia a maldição dia após dia.

É normal o homem se acomodar, se prender a desculpas e seguir dependente, seja de alguém, ou de um emprego que não proporciona qualquer perspectiva. A questão é que quando os problemas chegam, nos obrigam a nos mexer, a correr atrás e buscar novas soluções.

A Metamorfose é a história de duas transformações, a primeira, de um filho com uma espécie de maldição e a segunda, de uma família que diante do caos, precisou se virar.

O livro é uma metáfora do caos, do quanto os problemas nos ajudam, nos tiram do comodismo fazendo com que tenhamos que nos movimentar em busca de soluções. Mas também é uma metáfora sobre o sofrimento, como ele surge sem sabermos e nos deixa paralisados, sem ação.

Nem sempre o caos é ruim, em algumas vezes é somente nos períodos difíceis que vemos como estamos fazendo as escolhas erradas. Contudo, o caos também nos pega de surpresa e muda toda a nossa vida.

O livro mostra justamente a ambiguidade do sofrimento, o quanto ele é ambivalente e imprevisível. Penso que é difícil explicar o livro, assim como é difícil explicar o sofrimento, pois ele vai ser sempre ambíguo e dependente da ação e de um posicionamento do sofredor.

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ANTI-INTELECTUALISMO NA IGREJA

É muito comum o anti-intelectualismo em algumas igrejas cristãs, é totalmente normal ouvirmos que “a letra mata, mas o espírito vivifica”, citado de forma totalmente descontextualizada e com uma interpretação totalmente equivocada de 2 Coríntios 3:3, como se o texto nos avisasse que não precisamos estudar a Bíblia, ou que o conhecimento intelectual mata.

Crer nunca foi desligado do pensar, orar e buscar em Deus a iluminação e a sabedoria não nos isenta de estudar e buscar conhecer a palavra, ou algumas ferramentas de interpretação bíblica.

Entenda que Deus nos fez seres racionais, indivíduos pensantes, ao contrario dos animais, que vivem por instinto:

“Deus fez o homem à própria imagem, e uma das mais nobres características da semelhança divina é a capacidade do homem de pensar” (STOTT, 2012, p. 29)

Fomos criados para pensar, com isso, é totalmente contraditório achar que ser cristão é ser algo oposto ao modo como Deus nos criou.

Paulo usou o seu conhecimento de cultura grega para pregar no aerópago. Jesus usou do seu conhecimento bíblico para rebater as tentações no deserto e a Bíblia toda é recheada de orientações que falam de aprender, conhecer e estudar.

No fim, o que eu acho é que muitos cristãos têm preguiça, e para justificar a sua falta de comprometimento com o estudo, eles acabam por demonizar o estudo e enfatizar apenas a oração.

Jonh Sttot, enfatiza o modo racional de como o evangelho chegou até nós, mostrando a contradição que é achar que o pensar também não faz parte da vida cristã:

“Deus se revelou por meio de palavras direcionadas a mentes. A revelação é uma revelação racional para criaturas racionais (STOTT, 2012, p. 35)

Ser cristão é com certeza orar, buscar a Deus e ter intimidade com ele, mas também é gastar um tempo entendendo a sua palavra e também o mundo ao nosso redor, para que como Paulo, no Aerópago, possamos transmitir a palavra com sabedoria.

Crer e pensar é tão importante quanto ter fé. Só ensina quem sabe, só auxilia o próximo quem tem vida com Deus e conhecimento. Caso contrário, seguiremos ensinando coisas que a Bíblia não ensina, como temos visto.

BIBLIOGRAFIA

STOTT, Jonh, Crer é também pensar, ABU Editora, São Paulo, 2012.

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A IMPORTÂNCIA DO SILÊNCIO EM UM MUNDO BARULHENTO

Em um mundo barulhento, quem busca o silêncio vira um ator de peça de humor, um sonhador distante da realidade, com ideias bem fora do padrão usual, alguém que não é antenado neste nosso mundo conectado.

Ninguém mais fica em silêncio, só gente estranha é que busca a tal da solitude. O nosso século é frenético demais para isso e segue em um desesperado barulho, uma ensandecida busca por atenção em um mundo que se encontra em um eterno vazio. O desafio é calar o infinito falar que abafa a paz do coração.

Na tradição monástica o silêncio é uma ferramenta poderosa. A falta de capacidade em ficar em silêncio é muito ligado a falta de capacidade de ouvir as pessoas ou o seu entorno. Quem não se cala não ouve, quem não sabe ficar em silêncio, não presta muita atenção ao redor e acaba seguindo alheio a muita coisa por conta dos excessos de estímulos e barulhos.

Estar em silêncio é se encontrar em quietude,  atento a tudo,  estar em silêncio é seguir ouvindo, é prestar atenção aos ruídos internos e a tudo o que nos atrapalha, e principalmente, é estar atento a voz de Deus que em todo o momento nos ensina, basta abrirmos nosso olhos e acalmarmos nossa mente. Anselm Grün no livro “O poder do silêncio”, pontua de forma realmente genial o poder do silêncio:

Quando estou totalmente concentrado em ouvir, passo a ouvir, por fim, em todos esses sons, o silêncio. O zunir do vento ou o barulho do riacho não perturbam o silêncio, na verdade, tornam-no acessível” (GRÜN, 2019, p. 15).

Nada como a tranquilidade do campo para nos ensinar a ouvir, para nos fazer ficar em silêncio, percebendo a vida. Mas como nem sempre podemos estar no campo, busco acordar bem cedo todos os dias em prol do cultivo de um pouco de silêncio. É libertador sentar no sofá e se calar, pensando e meditando nos acontecimentos do dia anterior, na Bíblia, ou mesmo para apenas ficar em silêncio, na solitude, é um momento bem inspirador.

Em meus piores dias aprendi a ficar em silêncio, troquei as muitas vozes e barulhos que o sofrimento traz, pela solitude e pela calma. É reconfortante aprender a parar e ao mesmo tempo nos colocar como servos que somos, confiando que em meio ao caos, Deus está conosco.

A vida de hoje produz muito barulho, são muitas opções que nos mantém com a nossa mente ligada. O problema é que quanto mais nos distraímos, mais deixamos as inúmeras vozes e ruídos nos guiar e tirar a nossa paz.

O silêncio é libertador, nos coloca no lugar, e nos mostra o quão perigoso é viver uma vida de estímulos constantes e barulhos permanentes.

Aprenda a ficar um pouco em silêncio, acorde mais cedo e tire alguns minutos para silenciar a mente e acalmar o coração antes de falar com Deus.

Quando aprendemos a nos calar, passamos a ouvir mais e a perceber detalhes do mundo a nossa volta, nuances que ficavam abafadas pelos inúmeros barulhos que a tecnologia nos proporciona nos dias de hoje.

BIBLIOGRAFIA

GRÜN, Anselm, O poder do silêncio, Editora Vozes, Petrópolis, 2019.

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A DIFÍCIL ARTE DE ESPERAR

“Esperar é um estado mental. Significa basicamente desejar o futuro e não querer o presente. Você não quer o que conseguiu e deseja aquilo que não conseguiu” (TOLLE, 2017, pg. 63)

Há um tempo atrás eu comecei a fazer um processo seletivo para trabalhar em uma empresa, e fiquei feliz por ter passado em todas as etapas do processo. O trabalho era o que eu almejava e estava estudando muito para aquela área e a empresa era sem dúvida a melhor.

No fim, para a minha alegria, eu passei no processo seletivo, mas tive que esperar muito até começar. A espera acabou por me fazer deixar de viver o hoje, e idealizar o futuro, algo que eu nem sabia se viria um dia.

Sonhar é bom, mas é importante vivermos o hoje, nos contentarmos com o que temos, caso contrário, seguiremos sem ver o tempo passar, idealizando, guardando e trabalhando por um futuro, que pode não vir.

O oposto é também muito verdadeiro, quem vive de lembranças, ou que segue uma vida saudosista, revivendo um tempo, que segundo a sua forma de pensar, eram os melhores, também não vive o hoje, e deixa de construir e usufruir do que o presente lhe reserva.

Esperar não é fácil, ainda mais quando esperamos por aquilo que queremos muito, o problema em esperar, é viver no futuro, enquanto o presente está passando, e não volta mais.

Viva o hoje, desfrute do que o hoje lhe oferece e por mais que você faça planos (e eu espero que faça), não viva no futuro, sonhando com o que vai vir, pois o tempo passa e não volta mais.

Tudo é questão de contentamento, de aproveitar o que temos da forma que conseguimos. Quem não usufrui do hoje, o que Deus tem lhe dado neste exato momento, nunca vai viver no agora. Certamente este tipo de pessoa vai sempre seguir de olho no futuro, mesmo que o sonho se concretize.

No final, fui obrigado a aprender a viver o hoje, a vida é curta para não usufruirmos e nos contentarmos com o que temos. Segui fazendo meus planos, mas aprendi a ter o pé no chão, vivendo um dia de cada vez, como deve ser.

Depois de alguns meses fui chamado, na hora certa, e tudo deu certo, sendo que hoje sou professor em um lugar que almejava muito estar. O futuro é incerto, ele pertence a Deus, mas o hoje está aí, não podemos deixar escapar pelas mãos. Por isso planeje, empreenda e siga em busca dos seus sonhos, mas não se esqueça de viver o agora e desfrutar do que você já tem.

BIBLIOGRAFIA

TOLLE, Eckhart, O poder do agora: Um guia para a iluminação espiritual, Editora Sextante, Rio de Janeiro, 2017.

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JORNADA CRISTÃ 6: EVANGELHO

Todos os livros que eu tenho abordado, tem como principal característica, ser de autores que eu ainda acompanho, leio e que de alguma forma, tem passando no teste do tempo.

Nesta minha jornada, conheci ótimos livros que me ajudaram muito, mas que depois de um tempo, ao reler, não fizeram mais sentido na minha vida, sendo que isso é muito normal, não estranhe se acontecer com você.

Conforme vamos estudando, nos aprofundando e tendo cada vez mais conhecimento, alguns livros passam a não ser mais importantes. Um pouco por não fazer mais sentido na sua vida aquele conteúdo, ou talvez, por aquele estilo de leitura não agradar mais você, normal. Outros autores eu abandonei por não concordar mais com alguns dos seus ensinos ou pelo estilo de texto, abordagem teológica e coisas do tipo.

Acompanho John Macarthur já faz alguns bons anos, este pastor e teólogo calvinista, é um homem de fé e extremamente centrado na palavra. E apesar de não concordar 100% com o que ele escreve, normal, somos seres racionais, e por isso, pensamos, refletimos e discordamos, indico qualquer livro seu, por saber o quão centrado é a sua teologia.

São muitas obras, todas tendo como marca principal um conteúdo centrado e muito profundado. O livro “A parábola do filho pródigo”, por exemplo, me mostrou como existe muito mais do que imaginamos na parábola, e conhecer os costumes da época é fundamental para que entendamos ainda mais a mensagem desta importante parábola. O livro “Como estudar a Bíblia”, me deu algumas ótimas ferramentas, de quem estuda a palavra há muitos anos. Enfim, cada livro tem uma peculiaridade, vale a pena ler e mergulhar nos livros de um escritor que tem a Bíblia como centro de seus escritos. 

A obra “O evangelho segundo Jesus” foi um dos primeiros livros que eu tive contato, juntamente com o livro “Fogo Estranho”, sendo que o livro se concentra em falar sobre o evangelho e como a igreja atual tem se afastado de muitos assuntos importantes sobre a fé cristã, misturando a mensagem com ensinos que não são Bíblicos.

A conversão a Cristo envolve mudança de vida e compromisso, não tem como seguir a Jesus e continuar o mesmo. Este é um dos principais pontos da obra. John Macarthur complementa:

“A verdadeira salvação não é somente justificação. Ela não pode estar separada da regeneração, da santificação e da glorificação final” (MACARTHUR, 2015, p. 28).

Quem segue a Jesus tem a sua vida transformada, ele nasce para uma nova vida. Quem segue a Cristo, tem frutos de uma vida transformada e caminhos que todo o cristão deve percorrer.

A obra trata de todos os pontos centrais do cristianismo, respondendo de forma Bíblica o que é ser cristão. Não tem como fugir do fato que a salvação envolve muitos posicionamentos e nos traz mudança de vida.

John Macarthur é um dos escritores que eu mais leio, considero seus livros como ótimas ferramentas, materiais que além de serem devocionais, são também teológicos, trazendo a mistura perfeita entre estudo e prática.

BIBLIOGRAFIA

MACARTHUR, John, O evangelho segundo Jesus, Fiel Editora, São Paulo, 2015.

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CUIDADO COM OS ORGULHOSOS

Cada um tem o seu ponto fraco, o seu calcanhar de Aquiles, aquilo no qual temos certa dificuldade em dominar, normal, somos seres humanos. Contudo, o que também é muito normal é encontrarmos alguns que não entendem isso, e seguem acreditando que sabem de tudo.

Aprendi a entender e a aceitar meus pontos fracos, percebi como é libertador confessar que não sabemos de tudo, que o conhecimento é infinito, que sempre podemos aprender. O problema é quando nem todos entendem este tipo de atitude, este tipo de pessoa pode nos causar um grande problema.

Existe uma enorme diferença entre confessarmos que não sabemos de tudo, que não dominamos determinada área, e afirmar que de fato não sabemos nada. Sendo que um orgulhoso desavisado, pode interpretar suas palavras como: “Eu não sei de nada” e com isso, tentar te diminuir.

Cada um tem o seu ponto forte e o seu ponto fraco, confessar isso é ser inteligente e realmente sábio, faz com que possamos seguir mais leves e sempre aprendendo. A questão é quem nem todos entendem esta premissa.

Há muito tempo atrás passei por algo parecido, fui procurado, por ser teólogo, por uma pessoa que precisava desesperadamente de uma resposta. A questão era bem complicada, sendo que sutilmente, a pergunta tinha ares de validação. No fim, ela não queria respostas, mas permissão para fazer algo e depois colocar a culpa em alguém, isso é normal em muitos ambientes, não só em locais cristãos. Por ter percebido a armadilha, com todo o amor e temor, falei que o assunto no qual ela queria respostas era complicado, e a solução não era tão fácil de se determinar, o que era uma grande verdade. Porém, diante da minha resposta ouvi de forma bem grosseira a frase: “Eu pensei que você fosse teólogo, que soubesse das coisas”.

Nem todos entendem que é apenas uma pessoa que estuda e sabe um pouco de algo, que confessa suas limitações. Quem acha que sabe, não entende que o conhecimento é infinito e impossível de se assimilar. Com isso, aprendi a não ser humilde com uma pessoa arrogante. Eu li há muito tempo uma frase, que lamentavelmente não sei o autor, que resume justamente isso:

“Não seja orgulhoso com uma pessoa humilde e nem humilde com uma pessoa orgulhosa”.

Não é que devemos ser orgulhosos com pessoas orgulhosas, fuja do ditado pseudointelectual que diz que “A minha educação depende da sua”. Se você depende de outro para ser educado, na verdade, você não é. Mas sim, podemos ser firmes com pessoas arrogantes, ter um posicionamento mais assertivo, para que ele não passe por cima de nós.

 Nem todos entendem os seus pontos de vista, por isso, cuide com os orgulhosos, pois no final, quem perde são eles. Não se esqueça que só aprende algo novo apenas aquele que se abre para isso, quem sabe muito bem que o saber é inesgotável.

É libertador confessar nossos pontos fracos, a questão é não confessar para quem não entende nossas atitudes, pois no final, você pode ganhar uma grande dor de cabeça sendo diminuído por gente ignorante.  

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