MUNDO TAGARELA

Eu não posso negar um fato, eu gosto muito de uma boa conversa, quem me conhece sabe disso, embora, apesar de gostar, preciso confessar que não é todo o assunto que me inspira. Sou de poucas palavras quando o assunto é banal.

Conversar é basicamente trocar ideias com uma pessoa, é uma interação que precisa impreterivelmente, ter retorno. É um falar e ouvir de ambas as partes, caso contrário, não é uma conversa e sim um monólogo.

A minha crítica as conversas atuais é que poucos ouvem e muitos querem somente falar, em uma espécie de hedonismo crônico e egoísta, como se todos precisassem ouvi-lo, e ele não precisasse ouvir ninguém. Isso quando a pessoa não finge que está ouvindo, onde no final, está só esperando a hora de falar. Tornando o diálogo superficial e sem sentido. Ou quando o interlocutor é reativo, respondendo as suas opiniões sem reflexão alguma, julgando sem pensar, ou concluindo ao menor sinal de discordância. Como se todos tivessem que pensar igual, ou no mínimo, parecido com ele.

Eu confesso que tenho uma mania, quando estou conversando com alguém que parece não estar me ouvindo, eu paro o assunto na metade, só para ver a sua reação. Com isso, se a pessoa percebe que o assunto não acabou e verbaliza isso, eu continuo, caso contrário, dou o assunto por encerrado. A tristeza é constatar que muitos são assim. 

Tenho visto as pessoas cada vez mais tagarelas, com uma louca necessidade de falar de si e compartilhar quem são com todos. Talvez por conta de insegurança ou pela necessidade de exposição, fruto da popularidade das redes sociais, ou algo parecido, eu realmente não sei.

Quem gosta de conversar neste mundo tagarela, acaba se cansando, principalmente porque a torrente nem sempre cessa. E o pior, ninguém se interessa em lhe ouvir, como se o seu o seu assunto fosse irrelevante, e o dele fundamental. Anselm Grün pontua que:

“Só podemos calar se renunciarmos ao costume de julgar os outros e de nos compararmos a eles. Nada podemos fazer para impedir que os pensamentos de opinião e comparação pessoal se manifestem, porém devemos sempre e continuamente deixá-los de lado, reduzindo-os, assim, ao silêncio. O calar é, antes de tudo, a renúncia as avaliações e opiniões” (GRÜN, 2019, p. 10).

Se calar, é antes de tudo, nos abster de julgar, é ouvir sem nos comparar, entendendo que eu não sou ele, e que em alguns momentos, a minha opinião não tem sentido.

Você já passou por algum problema que era tão desafiador e complicado que você sentiu a necessidade de falar e desabafar com alguém? E você já desabafou com alguém que a todo o momento parecia fazer seu problema ser tão pequeno e o seu sofrimento muito infantil? Comparações são injustas, visto que não somos iguais e não temos as mesmas dificuldades, nem os mesmos medos.

Quem muito fala, pouco ouve, e com isso, segue acreditando que a sua visão de mundo é a base de tudo. Seus medos são os medos de todos, suas facilidades as facilidades de todos e a sua opinião o norte onde todos devem seguir. A questão é a falta de contextualização, de entender de onde uma pessoa fala, e em que condições ela passou por aquela situação.

Eu gosto muito de ser ouvido e obviamente, tento sempre ouvir. É o mínimo que eu posso fazer por gostar de falar. Ouvir é uma arte eu sei, e eu também sei que nem todos os assuntos nos interessam, mas quando gostamos de alguém, seja amigo, família ou cônjuge, aprender a ouvir é o maior ato de amor que podemos proporcionar a esta pessoa.

Quem ama ouve, conversa como igual, e dá espaço para o outro falar. O verdadeiro amigo se interessa pelo outro, e valoriza a sua liberdade de se expressar, mesmo que o assunto não faça parte dos assuntos de seu interesse.

Falar até papagaio fala, como diz o ditado, o desafio é realmente ouvir, prestar atenção em quem fala. Sendo que o maior sinal de amizade é poder ouvir alguém do mesmo modo como gostaríamos de ser ouvido, que no resto é só tagarelice.

BIBLIOGRAFIA

GRÜN, O poder do silêncio, Editora Vozes Nobilis, Rio de Janeiro, 2019.

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NO FINAL TUDO FAZ SENTIDO

Eu nunca entendi porque quando eu me formei em teologia, tantas portas se fecharam. Como o curso não era voltado para a minha área de trabalho e eu não possuía pós-graduação para tentar uma vaga de professor, penei muito para conseguir me recolocar em minha área de trabalho.

A fim de não cair na estagnação, e também para ter alguma ocupação para fazer como teólogo, já que eu também não conseguia me encaixar em ministério algum dentro da igreja, montei o blog.

Nem sempre entendemos de primeira o motivo no qual passamos por tantas dificuldades, ou ter que enfrentar certas situações. Eu sabia muito bem que fazer teologia estava dentro da vontade de Deus, mas cheguei a pensar que era besteira, que tinha sido um grande erro, apesar de gostar muito de teologia.

Com o tempo, aprendemos a jogar com o que temos, com isso, segui me dedicando ao blog, que era o que eu tinha no momento. Concomitante a ele, comecei uma pós-graduação em filosofia, e segui estudando. Sempre acreditei que devemos estar preparados para as oportunidades. Não adianta nada você pedir uma oportunidade para Deus, se você não está à altura do que você almeja.

O tempo passou e o blog começou a ter um número considerável de acessos, com isso, mergulhei ainda mais nos textos e estudos, deixando o blog ainda mais diversificado.

Sempre gostei de escrever, mas depois do blog e do compromisso de postar regularmente os textos para o manter atualizado, acabei por escrever mais ainda. Hoje escrevo praticamente todos os dias, e adquiri uma facilidade enorme em discorrer sobre o tema que for. Por que estou contando isso? Não estou buscando elogios, só quero deixar claro que as vezes passamos por períodos, que só vai fazer sentido depois.

Hoje eu trabalho como professor universitário, sendo que a prática de escrever foi fundamental para a minha função. Olhando para trás, o blog e todas as lutas no qual passei, fazem muito sentido. Sem todo o processo que eu tive que trilhar, eu não estaria hoje onde estou, não tenha dúvidas. O que surgiu como um hobby de um teólogo que não se encaixava em lugar algum, além de ter dado certo, pois o blog vai muito bem, me preparou para a minha profissão.

Nem todas as lutas, nós entendemos na hora, existem coisas que só fazem sentido depois, por isso aprenda a avaliar o momento, se preparar para as oportunidades e seguir sem desistir, acreditando no chamado que Deus colocou em seu coração.

Entenda que para tudo há o seu tempo, e enquanto o dia não chegar, se prepare e faça o que você consegue fazer, que no resto é com Deus.

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CADA UM TEM O SEU RITMO

“Nunca desestimule alguém que esteja progredindo, mesmo que lentamente” (Platão) (PERCY, 2016, p. 42)

Por conta de inúmeros motivos, eu acabei me formando depois dos 30 anos. Concluir o Bacharelado em Teologia, foi uma das minhas grandes alegrias. E como todas as boas alegrias, gostamos de compartilhar com quem amamos. E no afã de repartir a minha alegria, mandei mensagem para um amigo, contando que eu havia concluído o meu bacharelado, o que ele prontamente respondeu: “Já não era tarde, com a sua idade já deveria ter se formado”. A resposta foi um balde de água fria.

A verdade é que cada um tem a sua velocidade, cada um tem um ritmo próprio, não estamos em uma corrida, para definirmos uma idade para estudar, praticar um instrumento ou fazer qualquer outra atividade. Cada ser humano é um ser ímpar e único, cada um tem suas prioridades, velocidades e anseios, respeitar a velocidade de cada um é respeitar a si por tabela.

Eu sempre falei para os meus amigos e alunos que mais importante que a velocidade é a constância, é persistir, planejar, e quando errar, aprender com o erro e continuar.

Conheço verdadeiros gênios que desistiram e se entregaram, acreditaram que tudo viria fácil (ou deveria vir), e por não vir, abandonaram tudo e seguiram frustrados, tendo um baita dom, porém sem uso. Em contrapartida, conheço verdadeiros guerreiros, gente que mesmo com muitos empecilhos, não desistiram. Se adaptaram a situação, buscaram aprimoramento, insistiram e chegaram lá. A constância é uma arma, é muito melhor termos foco e constância, do que sermos rápidos, mas sem foco.

Eu tento sempre dar apoio aos amigos, entendendo que cada um tem a sua velocidade. Procuro nunca me comparar, e muito menos comparar uma pessoa com a outra. Eu não posso admitir olhar para o outro a partir de mim. Cada um tem suas facilidades e dificuldades, por isso, eu prezo sempre mais a constância, os passos curtos e certeiros, do que a rapidez.

Cada um tem o seu ritmo, sendo que não existe idade para sonhar, empreender ou realizar algo. Quem quer faz, assim, um passo de cada vez, entendendo que a pressa é sempre inimiga, a afobação nos faz tropeçar e fazermos besteiras.

Siga no seu caminho, tenha foco e pouco a pouco realize seus planos, no tempo que você acredita ser necessário. O caminho é sempre mais importante, curtir a viagem e aprender com os acontecimentos é muito mais vantajoso do que apenas querer cruzar a linha de chegada.

BIBLIOGRAFIA

PERCY, Allan, Platão para sonhadores: 80 pílulas de filosofia cotidiana para transformar suas melhores ideias em realidade, Editora Sextante, Rio de Janeiro, 2016

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CONSTRUINDO O SABER

Conhecimento se constrói com o tempo, com muitas horas gastas com estudo, leitura e prática. Não é possível criar um repertório sem tempo e dedicação, aprender não é igual a fazer miojo e muito menos se faz apenas vendo tutoriais na internet. É preciso tempo, leitura, vídeos aulas, palestras, acertos e erros, que acabam funcionando como professores, e isso demanda tempo, como bem pontuei.

Tudo vai depender do que você respira, se a sua área de estudos é algo no qual você gosta para assim conseguir mergulhar de cabeça. Saber disso vai lhe ajudar a definir aonde você quer chegar.

A primeira etapa é criar fundamentos, que como pilares estruturará todo o seu edifício. A base é importante para manter a estrutura em pé. No meu caso, que sou professor e teólogo, a minha base é Cristo e a Bíblia, é delimitar no que eu creio e estar muito bem fundamentado na palavra. É preciso conhecer a teologia, as ferramentas teológicas e muitos autores relevantes que serão a base de todo o estudo. Para um estudioso de qualquer outra área, o processo não é muito diferente. É preciso entender o campo de estudo, os principais autores e conceitos daquele campo, para que assim você tenha base para seguir por seus próprios caminhos, sem errar a direção.

Por ter uma estrutura bem construída, eu não me abalo, conheço bem o meu campo de estudo e como um bom cristão, tenho a minha vida alicerçada na rocha que é Cristo e em todas as evidências que mostram veracidade do que eu creio. São os fundamentos que nos sustentam e nos mantém em pé.

 O segundo ponto são os critérios, que funcionam como uma espécie de parede, impedindo que qualquer coisa entre para dentro de nossa vida. Sem critérios aceitamos qualquer coisa, compramos qualquer ponto de vista, seguimos sem refletir e perceber as contradições. A leitura, o estudo e a pesquisa nos ajudam a aprender e a crescer, adquirindo assim critérios sólidos, para assim conseguir seguir sem vacilar.

Com bons critérios e boas estruturas, podemos prosseguir lendo de tudo, pesquisando e conhecendo qualquer coisa, que nada nos abalará. Quem tem critérios avalia, pesquisa e se informa, mesmo não concordando com a opinião. Quem não tem, aceita de tudo e se abala muitas vezes por coisas que nem possuem fundamentos.

Em terceiro lugar está o foco, sem foco paramos no caminho, desistiremos nas primeiras dificuldades, abandonaremos a construção nas primeiras etapas do edifício. O foco são as escadas que nos levam cada vez mais para cima. Sem foco tudo rui, a construção paralisa, o edifício segue incompleto.

Construir um repertório não é fácil, se resume em sempre continuar e não desistir. É uma prática que demanda tempo, sendo que é só o tempo que faz tudo frutificar. Tudo o que aprendemos sem muito esforço, sem dedicação, esquecemos. Tutoriais são uteis para o momento, conhecimento, levamos para a vida, e não esquecemos quando dedicamos algum esforço.

E por fim, depois de tanto tempo, esforço e horas de estudo e leitura, colhemos alguns frutos, percebemos a nossa vida mudar, nossos sonhos se concretizar e tudo acontecer. Esse é o telhado que nos protege das intempéries e nos dá um sentimento de que não perdemos tempo.

O resultado faz com que tudo valha a pena, ele dá sentido a dor. Sem resultados, a dedicação parece ser sem sentido, nos mantendo por momentos sem abrigo, beirando a desanimação. Viver não é uma eterna busca por resultados, quem vive assim, vive de forma incorreta. Mas sim, é legal se dedicar e ver os primeiros frutos do esforço aparecer. Sendo que são eles que nos dão forças para passar pelas tempestades e desafios que a estrada sempre traz.

É claro que o telhado não é um ponto final, o conhecimento é infinito, enquanto vivemos, podemos aprender, por isso, temos que ter em mente que as vezes para crescermos, precisamos sair da zona de conforto para conseguir erguer ainda mais o edifício. Cuidado com a estagnação que os bons resultados nos trazem, é sempre possível continuar e seguir crescendo ainda mais, basta desfazermos o telhado da zona de conforto e seguir construindo ainda mais o saber.

Construir relevância é para poucos, e só é possível através de muito esforço e dedicação. Nada do que é realmente relevante vem sem dificuldades, o esforço é fundamental para alcançarmos a realização. Mas o edifício só se mantém se houver uma boa construção, todas as etapas são importantes para a vida relevante, caso contrário, se você por um acaso esquecer de alguma parte, pode comprometer a estrutura de todo o edifício, e assim, fazer tudo ruir.

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EM TEMPOS DE CAOS DISSEMINE A PAZ

É durante um período de caos que descobrimos como são as pessoas, a pandemia revela o pior do homem e o quanto o egoísmo está incrustado no ser humano, mesmo que ele diga que não.

Eu sou protestante, com isso, não me impressiono com a alienação e nem a depravação humana, como a própria Bíblia ensina e a teologia explica, com isso, eu cito Romanos 3:10 a 12 que diz:

Como está escrito: “Não há nenhum justo, nem um sequer; não há ninguém que entenda, ninguém que busque a Deus. Todos se desviaram, tornaram-se juntamente inúteis; não há ninguém que faça o bem, não há nem um sequer”.

Por isso não nos impressionamos, sabemos quem o ser humano é e do que ele é capaz. Sendo que é neste período difícil que percebemos o quanto a Bíblia tem razão e o quanto muitas teorias humanas se equivocam ao falar do ser humano.

O cidadão vai ao mercado e estoca comida como se não houvesse amanhã, e com isso, os mais pobres acabam passando necessidade. Quem tem condição segue guiado por seu egoísmo, sendo que a palavra vida em sociedade vai sendo esquecida ou perdendo o efeito.

Já os comerciantes aproveitam para subir os preços e ganhar dinheiro em um período de calamidade, mostrando que no final, não há amor, e sim, apenas e impreterivelmente a busca pelo dinheiro. É como o ditado popular diz: “É cada um por si…”, e assim, o homem vai revelando quem é.  

O momento é de calma e mais do que nunca, de olhar para o próximo. Nós que somos cristãos, precisamos dar o exemplo, não divulgar notícias falsas, e cuidar com o extremismo que acaba prejudicando os outros. A pandemia traz confusão, já Cristo nos traz paz e confiança. 2 Tessalonicenses 3:16 diz:

“O próprio Senhor da paz lhes dê a paz em todo o tempo e de todas as formas. O Senhor seja com todos vocês”.

Paulo não vivia dias calmos, ele sempre transitou entre a incerteza e a insegurança. Teve que lidar com momentos de faltas, prisões e necessidades, sendo que era justamente nestes momentos que ele não esquecia nunca de que Deus estava com ele, e onde ele estava, a sua oração era sempre por paz.

Em tempos de caos, devemos ter paz, devemos mais que nunca confiar em Deus e sem dúvidas, prestar toda a atenção no próximo. É um ato de amor sermos conscientes, consumir de forma regrada, e não nos desesperarmos com notícias que semeiam o caos.

É nesta hora que temos que mostrar as pessoas em quem confiamos, e com nossas atitudes, pregar vida e não morte ou o desespero. Cristo não nos prometeu uma vida tranquila, ao contrário, ele nos avisou que teríamos aflições, contudo ele venceu o mundo (João 16:33). E é este Deus que venceu que está conosco, que não nos abandona, que está sempre com a gente.

Ser cristãos é sofrer, mas também saber quem é que nos dá força, é ter certeza que quem venceu o mundo não nos abandonará. Creio que a marca de todo o cristão não é uma vida sem problemas, mas ter paz, apesar deles.

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AS VANTAGENS EM ESTAR PERDIDO

“Quando a gente está perdido, encontra lugares que, se a gente soubesse onde estavam, jamais teria encontrado” (ARANTES, 2019, pg. 107)

Tal frase a autora tirou do filme “Piratas do Caribe”, uma frase que pode até soar estanha de começo, mas quando você para e tira um minuto para refletir, percebe como ela é verdadeira. 

Em dias de certeza você segue em frente, rumo ao alvo, faz planos e se dedica para realiza-los, em dias de dúvida, em momentos onde você nem imagina qual é a saída para a sua situação, é inevitável ir em busca de outras de soluções, e no caminho encontrar coisas novas, que em outra situação, você não teria encontrado.

Quando eu era mais novo eu sempre fazia a trilha do Caminho do Itupava, que é um caminho histórico que liga Curitiba, a Morretes, no Estado do Paraná. Sempre gostei de natureza, considero a trilha a melhor forma de relaxar e descansar a cabeça, apesar de ficar com o corpo cansado.

Em um dos dias, fui com um amigo que acabou se perdendo e no afã de encontrar a trilha novamente, encontrou um verdadeiro paraíso escondido em meio a densa floresta.

No local tinha rio, cachoeira, uma pedra grande que servia como mesa em uma clareira aberta em meio a selva. Era o melhor lugar para acampar e ficar seguro, enquanto desfrutava de toda a beleza da natureza.

A certeza nos mantém em frente, ela é ótima, pois nos faz chegar ao alvo, a conclusão dos nossos planos. O caos e os problemas nos faz ir em busca do novo, do diferente, de outros pontos de vista, e com isso crescemos e passamos a ver coisas novas.

Por estar perdido eu fui em busca de outras graduações, cursei uma nova pós-graduação e conheci alguns mundos que eu não teria conhecido se eu estivesse bem.

É importante as vezes sair do comum, ir em busca de coisas novas, não precisamos esperar pelos problemas para fazer isso e nem abandonar a nossa profissão ou deixar de fazer aquele hobby que tanto gostamos, basta cultivarmos um hábito. É fundamental as vezes tentarmos coisas novas para crescermos e percebermos que existem outras opções, outros pontos de vista e até outras formas e fazermos a mesma coisa.

Muitas vezes é perdido, acreditando que estamos sem saída, que encontramos novos lugares, novos começos que antes nem imaginaríamos encontrar.

BIBLIOGRAFIA

ARANTES, Ana. Claudia Quintana, A morte é um dia que vale a pena viver: E um excelente motivo para se buscar um novo olhar para a vida, Editora Sextante, Rio de Janeiro, 2019

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FALSO JULGAMENTO

Passo sempre em frente a um museu que fica no meio de uma praça. Um local no qual sempre vejo alguns animados mendigos, não sei de onde vem tanto ânimo, mas confesso que a alegria me inspira, talvez seja a saída deles para não morrer de frio em nossas geladas noites de inverno

O curioso em um destes dias foi ver o segurança do museu olhando para os mendigos, eu quase parei para observar com mais cuidado. Ele olhava com cara de desdém, como se não  tratasse de seres humanos, mas algum tipo repulsivo de ser. É curioso ver como constantemente nos colocamos como diferentes de tudo e todos, seja por causa da profissão, status ou credo, como se isso nos tornasse outra coisa que não seres humanos.

Ao olhar para a Bíblia vemos meio que do mesmo, de um lado os religiosos da época, tratando os gentios como seres inferiores. Eles eram os que cumpriam a lei à risca e se consideravam especiais. E do outro lado Cristo, que não perdia oportunidade de estar com os excluídos do seu tempo. A Bíblia mostra muitas vezes ele sendo julgado por estes religiosos, sendo colocado de lado por ter misericórdia de quem precisava de ajuda.

É fácil nos considerarmos especiais, principalmente quando temos dinheiro, diploma ou um bom cargo. Nós somos rápidos em nos dividir, mesmo que de forma inconsciente. A grande questão está em conseguir entender o próximo.

Vivi um bom tempo trabalhando na rua e por isso conheci de tudo, desde pessoas especiais, com inúmeros dons, mas que estavam entregues a drogas, bebida ou coisas do tipo. Até artistas de rua, que viviam de sua arte, mesmo que com limitado dinheiro, acreditando que aquela era a forma certa de viver.

Foi durante este tempo que pude entender que é injusto julgar alguém só com um olhar. As pessoas são mais do que aparências, existe muito mais do que a nossa visão capta. Com o tempo, seguimos percebendo como é perigoso o nosso falso julgamento, principalmente quando julgamos sem saber. O mundo padroniza, ele cria um modelo justamente para vender, isso quando não se apropria dos padrões existentes, e por mais que tenhamos o nosso padrão, não podemos aceitar que nós sejamos o ponto de partida de tudo, pois não somos iguais.

Somos mais do que aparentamos ser, por isso que não podemos concluir só com um olhar. É preciso caminhar, entender e continuar lado a lado, até que entendamos o próximo.

Os Fariseus da época de Jesus acreditavam que eram “melhores” que os gentios, sendo que hoje as atitudes não são muito diferentes. O homem costuma se colocar como melhor, e prefere muitas vezes olhar de cima do que estar ao lado.

É fundamental, se queremos ser cristãos relevantes, olhar para o próximo com respeito, entendendo que cada um tem suas dificuldades, a questão é que algumas são mais visíveis. É prioridade máxima, saber olhar para o próximo não com olhar de condenação, mas de graça, tal qual como Cristo olhou, para que assim possamos oferecer o evangelho ao invés de desprezo.

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RIA DOS PROBLEMAS

No livro “O caçador de pipas”, de Khaled Housseini, o protagonista da história chamado Amir, após voltar a sua terra natal, acaba tendo a infelicidade de encontrar em velho inimigo. O protagonista, por conta de vários motivos, começa a apanhar deste rival com um soco inglês, em uma das cenas mais marcantes do livro.

Amir já estava desfigurado, com as costelas quebradas e sem uma boa parte dos dentes, quando começou a rir. Talvez por causa de todas as dificuldades que o livro narra, que foram muitas. Quem sabe por causa dos seus segredos, ou por estar apanhando, quase morto, o motivo era duvidoso, mas o riso soava como desabafo depois de inúmeras páginas marcadas pelo sofrimento e pelas adversidades.

Esta passagem do livro ficou em minha mente em dias no qual a tempestade que eu estava enfrentando era muito grande. Eu passava por um verdadeiro tornado, quando mergulhei no livro para relaxar um pouco. Sendo que em meio a todo o caos, uma das coisas que me salvou, além de confiar na graça de Deus, foi aprender a rir dos problemas.

Algumas vezes a vida é dura, nem sempre é fácil passar por certas dificuldades, por isso que o bom humor é fundamental para tornar os problemas mais leves.

Viver é resolver problemas, é tomar boas decisões e aprender a aceitar os resultados das nossas escolhas. Contudo, viver é também ter que resolver situações que não são frutos de nossas escolhas, como doenças, períodos difíceis da economia etc. Nem tudo está em nosso controle, embora saber agir e encarar a situação, está em nossas mãos.

Aprenda a rir dos problemas, descubra como é bom as vezes levar a vida no bom humor, para não ficar preso em um espiral negativo. O bom humor cura tudo, nos deixa mais leves e abertos a enxergar a saída.

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SÍNDROME DE ADÃO

Acho totalmente contraditório pessoas que se consideram superiores e autossuficientes. Aliás, acho inclusive ser uma atitude totalmente burra, afinal, desde que nascemos, somos dependentes.

A criança, por exemplo, é um dos seres vivos que mais fica com seus pais. Enquanto filhotes alcançam a independência em poucos anos, uma criança demora uns 20 anos, sendo que alguns, só serão completamente independentes depois dos 25 ou 30, isso quando são.

Não somos autossuficientes, o homem sem o dono do mercado, o funcionário que faz sua empresa andar ou os clientes que consomem e seu produto, não são nada. Mas nós não tardamos em tentar ser, ou mostrar que somos independentes, superiores e autossuficientes, desde o Éden fazemos isso. Preferimos dar ouvidos a serpente, que acreditar em Deus. Preferimos comer o fruto proibido e tentar seu igual ao criador ao invés de depender Dele (Gênesis 3):

“Eva mordeu a isca! A tentação de ser como Deus anuviou sua visão, e a simples mordida em um fruto teve sérias implicações no Reino de Deus” (LUCADO, 2005, p.152).

O problema do homem é tentar ser igual a Deus, é pensar que é eterno e infinito. Volta e meia esquecemos quem somos e mergulhamos em uma vida de mentira e autoengano. E eu não estou falando que não devemos tentar fazer o nosso melhor, nos prepararmos, nos dedicarmos para sermos bons no que fazemos. E sim que alguns fazem tudo para serem superiores em uma espécie de culto a exaltação pessoal:

“Mas há um abismo de diferença entre fazer o melhor para glorificar a Deus e fazer tudo para exaltação pessoal. A luta pela excelência é uma prova de maturidade. A busca pelo poder é infantilidade” (LUCADO, 2005, p.152).

O poder nos distancia de Deus, é uma busca vã e sem sentido, pois esta busca é um tanto quanto cega e irreal. A estrada de quem busca poder é a soberba, o caminho de quem se dedica ao poder é finito. Gosto de como Max Lucado exemplifica a busca por poder:

“Por favor, preste atenção ao que vou dizer. O poder absoluto é inatingível. O mastro que conduz ao topo é escorregadio, e os degraus da escada são feitos de papelão” (LUCADO, 2005, p.153, 154).

Quase no fim do ano de 2017 o furacão Irma devastou inúmeros países por onde passou. A Ilha de Barbuda teve 90% de suas casas destruídas, em outros países, inundações e destruições eram vistos aos montes e o homem não pode fazer nada. O poderoso país americano, que sofreu um bocado com o furacão, também teve que se calar diante de tal furor.

Quando eu vejo estas tristes calamidades, sem demora eu lembro de minha condição, e do quanto preciso de Deus. Confiar n’Ele é básico, entender que a busca por poder é uma busca infantil e pequena, que só nos leva a perdição é importante para não cairmos em velhos buracos. Gosto de como o livro: “O impostor que vive em mim” de Brennan Manning termina, nos traz uma boa luz a esta reflexão:

“Que todas as suas expectativa sejam frustradas, que todos os seus planos sejam atrapalhados, que todos os seus desejos sejam reduzidos a nada, que você possa experimentar a impotência e a pobreza de uma criança, e então cantar e dançar no amor de Deus que é Pai, Filho e Espírito” (MANNING, 2007, p. 13)

Este é um dos segredos para não cair na mesma armadilha que Adão e Eva caíram, esta é uma das formulas para nos mantermos com os pés no chão, não nos entregarmos a venenos tão antigos e seguir olhando para Cristo e sua graça.

Quando aproveitarmos o caos para termos dependência d’Ele. Ou olharmos os problemas e catástrofes e nos lembrarmos do quão fracos somos e o quanto precisamos de Deus, dificilmente nos consideraremos poderosos e assim seguiremos o caminho certo da dependência de Deus

Não adianta amigo buscar poder, pois o poder passa, o nosso tempo é finito, por isso não o desperdice. Tenha como prioridade o que te traz vida, o que é eterno o que a traça não corrói, isso sim vale a pena.

BIBLIOGRAFIA

LUCADO, Max, O aplauso do céu, Editora United Press, São Paulo,2005.

MANNING, Brennan, O Impostor que vive em mim, Editora Mundo Cristão, São Paulo, 2007.

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A FUNDAMENTAL ARTE DE SE COMUNICAR

“As palavras não são como são ditas, são como são ouvidas” (STEUERNAGEL, BARBOSA, 2017, pg. 105)

Nesta minha curta vida, já vi muitos problemas surgirem por falta de comunicação ou por má interpretação do que é ouvido. Atrevo-me a dizer que em relacionamentos, seja entre amigos ou casais, este é um dos maiores problemas.

As palavras são muito mais como são ouvidas, como as interpretamos, do que como é falada, por isso que quem fala, deve se comunicar de uma forma no qual todos entendam.

Já vi muita gente sofrer por conta de mal interpretação. Já presenciei muitas amizades acabarem, relacionamentos terem um fim ou famílias se dividirem por conta disso. Sendo que não existe fórmula, no final a interpretação vale muito mais do que a palavra.

O segredo é ser claro ao falar, nesta hora a regra “fale pouco, mas fale bem”, vale muito. Não adianta tagarelar e no fim não ser claro. Seja objetivo, comunique de um modo claro e coeso, que você terá muito sucesso.

Eu também tento me certificar se estou sendo entendido, pergunto sempre em minhas aulas, palestras ou pregações, quando é possível, se todos estão entendendo, é muito importante estar abertos a feedbacks. É responsabilidade de quem se comunica, se fazer entendido, entendendo que para cada pessoa ou público, temos que adaptar a nossa forma de falar.

Para quem ouve é importante cuidarmos com as nossas interpretações, se não estamos concluindo de forma errônea, ou idealizando demais a fala. Limite-se ao que foi falado e na dúvida pergunte, é muito melhor perguntar, do que concluir coisas que não foram ditas.

Falar e ouvir é igualmente importante, saber se comunicar, mas também saber ouvir é fundamental para não cairmos em equívocos ou atritos por mera má interpretação.

Cuidar com a nossa comunicação é nos poupar de muitos problemas, ser responsável pelo que falamos e ouvimos é fundamental para a boa comunicação.

BIBLIOGRAFIA

STEUERNAGEL, Valdir, BARBOSA, Ricardo, Nova liderança: Paradigmas de liderança em tempo de crise, Editora Esperança, Curitiba, 2017

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