JORNADA CRISTÃ 4: O PROBLEMA DO SOFRIMENTO

Durante a minha jornada cristã de conhecimento, isso há muito tempo atrás, o sofrimento era um dos temas que mais me intrigava. Eu não entendia como Deus permitia que o homem sofresse e por mais que no começo da caminhada eu me contentava com poucas respostas, ao longo do tempo, dos estudos e do quanto eu via o sofrimento, a pergunta começava a exigir respostas mais pontuais. Com isso, e como um bom estudioso faria, acabei com o livro “O problema do sofrimento” de C. S. Lewis, nas mãos, afinal, é a obra mais clássica sobre o assunto, foi inevitável ler.

Ele também foi o primeiro livro um pouco mais denso que eu peguei nas mãos, um livro que eu não entendi logo de primeira. E por mais que eu já havia lido literatura mais densa, eu ainda não tinha contato com conteúdos mais teológicos e nem mais acadêmicos, mas eu aceitei o desafio e insisti.

De todos os livros do C. S. Lewis, “O problema do sofrimento” é o mais complicado, o livro não é difícil de ler, pelo menos para quem tem contato com livros acadêmicos, mas para quem não tem, é um livro que considero ótimo para quem quer começar a ler materiais mais difíceis. Sendo que considero os livros “Os quatro amores” e “O grande abismo”, os mais fáceis de ler, ótimos para adentrar no universo mais teológico de Lewis e este o mais difícil.

Como o título revela, Lewis se concentra em falar sobre o problema do sofrimento, ele discorre justamente sobre como um Deus bom, permite o sofrimento.

O livro inicia falando primeiramente sobre a religião e principalmente sobre o conceito de numinoso, como Deus ou as divindades sempre fizeram parte da vida do homem. Depois ele fala sobre a moral, e como algum tipo de moral sempre fez parte da vida do homem, entre muitos outros pontos que ele discorre no começo do livro, para depois, no capítulo 02 em diante começar a falar de Deus e o sofrimento.

Para muitos, Deus e sofrimento não combinam, não são todos os que acreditam que Deus pode ser bom, e mesmo assim, permitir que nós seres humanos soframos. Sendo que uma de suas respostas é justamente que nós seres humanos somos livres, possuímos livre-arbítrio para escolher, sendo que por sermos livres em escolher, sofremos consequências. C. S Lewis complementa que:

“Tente excluir a possibilidade de sofrimento implicada pela ordem da natureza e pela existência do livre-arbítrio e você descobrirá que excluiu a própria vida” (LEWIS, 2006, p. 42).

O sofrimento faz parte da vida humana, por sermos livres, não estamos livres de sofrer, é mais ou menos por este caminho que Lewis discorre sobre o problema do sofrimento, e pontua como não é nada contraditório a existência do sofrimento com a existência de um Deus bom.

 Pelo menos para mim, o livro “não solucionou” por inteiro o problema do sofrimento, mas me deu as primeiras respostas e um bom direcionamento em meus estudos. O autor é profundo, e trabalha com uma coerência sem tamanho um assunto tão delicado, que é o sofrer humano.

Lewis abriu as portas para que muitos outros autores me ajudassem nesta busca, e se hoje tenho alguma conclusão sobre o assunto, é porque, sem dúvida alguma, dentro da minha bibliografia eu tenho a obra deste ótimo autor.

BIBLIOGRAFIA

LEWIS, C. S, O problema do sofrimento, Editora Vida, São Paulo, 2006.

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VALORES TROCADOS

Uma mensagem que uma catástrofe claramente nos traz é que não controlamos muitas coisas, somos, com toda a certeza, muito vulneráveis. E por mais que alguém acredite que a sua vida está totalmente sob controle, basta uma doença incurável, uma catástrofe natural ou um caos econômico para esta pessoa perceber seu grande engano. A sensação é falsa, é um sentimento totalmente enganoso de controle e segurança. O ser humano tem o péssimo costume de construir castelos de cartas e acreditar naquela fortaleza.

É comum ver as pessoas se protegerem por trás de marcas de carro, roupas de grife ou em ambientes onde só a elite frequenta, buscando nisso uma certa segurança. A própria concepção de status é falsa, é um conceito que se descontrói ante ao menor sinal de falência e só serve para separar as pessoas que se consideram superiores, dos supostos inferiores, como se dinheiro fosse sinal de inteligência e superioridade. No final é tudo poder pré-fabricado, que cai por terra ante ao menor vento.

A doença e a catástrofe mostram como somos frágeis, e o quanto nossos valores são irreais, firmados em areia movediça. Por isso é importante alinharmos bem nossas crenças, e entendermos que é muito melhor depositar a confiança no que é Eterno, no que é realmente duradouro, ao invés de confiarmos em coisas frágeis e sem significado concreto. Provérbios 3:5-7 diz:

“Confie no Senhor de todo o seu coração e não se apoie em seu próprio entendimento; reconheça o Senhor em todos os seus caminhos, e ele endireitará as suas veredas. Não seja sábio aos seus próprios olhos; tema ao Senhor e evite o mal”.

É em Deus que devemos depositar a nossa confiança, é no Deus eterno que a nossa vida deve estar alicerçada, e não em nossa falsa sabedoria. Não tem como alicerçarmos nossa vida em nosso entendimento, pois constantemente nos enganamos, concluímos conceitos e pontos de vista de maneira equivocada e desastrosa.

O problema não é ter ou não ter, pois isso não faz muita diferença e sim, em quem nós confiamos, em quem nossa vida está alicerçada, em nós e nossa própria sabedoria ou em Deus.

É interessante que o versículo 7 diz para “não sermos sábios aos nossos próprios olhos”, penso que aqui está a raiz de tudo. A questão aqui não é apenas ser orgulhoso de sua sabedoria e sim, que precisamos tomar cuidado com a nossa autossuficiência, uma atitude que pode nos levar a não entregar nossa vida, nossas coisas e escolhas a Deus (CARSON, FRANCE, MOTYER, WENHAM, 2012, p. 891).

O caos sempre grita, ele é um alarme que mostra como nossas crenças são frágeis e como não somos autossuficientes. Sem Deus não somos nada, se não entregarmos nossa vida, escolhas e caminhos a Deus, com certeza e sem dúvida alguma pereceremos. O caos aponta para nossos erros e escolhas e nos obriga a olhar para Deus e confiar toda a nossa vida em suas mãos.

Entender que podemos estar enganados e que no fim, a palavra de Deus é que deve ser o nosso Norte, é básico para não esquecermos em quem devemos depositar a nossa confiança.

BIBLIOGRAFIA

CARSON, D.A, FRANCE, R. T, MOTYER, J. A, WENHAM, G. J, Comentário Bíblico Vida Nova, Editora Vida Nova, São Paulo, 2012.

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A SÍNDROME DO VITIMISMO

Quando o vitimismo dá as caras, os argumentos quase sempre são distorcidos, o alvo na maioria das vezes são as pessoas, sendo um desafio grande conseguir falar de ideias ao invés de perder tempo falando de pessoas.

Aprendi que bons argumentos falam de ideias, descobri que nem sempre quem discorda quer atacar. E por conta desta realidade, é importante saber dialogar com as diversas formas de pensar, entendendo que todos são livres para fazer suas escolhas e ter suas opiniões, esta é a grande beleza do nosso mundo.

Aprendi também que quem não gosta de ouvir, não vai parar para nos escutar, por vezes apenas finge, é certo que não presta muita atenção, por isso, é muito importante saber com quem você está conversando, e o quanto de diálogo vale a pena ter com esta pessoa.

As vezes se calar não é ser covarde, como muitos pensam, e sim dar voz a inteligência, pois não adianta perder tempo com quem não quer dialogar, com quem pouco nos ouve, sendo que ainda corremos o risco de nos incomodar com quem não respeita a nossa opinião.

O vitimismo é sutil, por isso, tome cuidado. Você começa se fazendo de vítima, e quando vê que dá certo, você segue por um caminho sem volta, mendigando afeto, colhendo migalhas que afagam a alma, mas que não nos levam a lugar algum.

Muitos se fazem de coitados, dando ênfase em seus fracassos, em troca apenas de um afago, de uma massagem no ego, de uma frase me motivação. Para estes é muito mais fácil ser carregado, do que levantar e lutar.

É preciso entender que todo mundo sofre, cada um tem suas dificuldades e problemas, seja rico, pobre ou o que for. A diferença é que as lutas não são iguais. Um rico passa por dificuldades bem diferentes do que os pobres, contudo os dois sofrem, cada um tem a sua dor.

O problema do vitimismo é se considerar o maior sofredor, a única vítima, como se ninguém mais sofresse ou como se o seu sofrimento fosse o pior. O segundo problema é acreditar que ele dever ser ajudado, ouvido e cuidado, apenas, e pelo simples fato de estar sendo vítima.

Não estou afirmando que não devemos dar ouvidos a quem sofre, ou que, todo mundo que sofre, não merece ser ajudado. É claro que temos que ajudar quem passa por dificuldade e não tem qualquer voz, ou condição de se levantar, não são destes que eu estou falando e sim de quem usa do vitimismo como meio.

O vitimismo nos mantém no lugar, a vítima acaba ouvindo apenas o que lhe convém, seguindo alheio as críticas que move esta pessoa para a mudança.

Não é fácil seguir, porém o caminho do vitimismo será sempre mais complicado, tendo um falso ar de conforto, mas que, contudo, não leva a lugar algum.

 É preciso largar as bagagens inúteis e entender que a vida é batalhar, sofrer e lutar. Nem tudo, ou quase nada, vem fácil, é sempre pelo empenho que vamos trilhar.

O vitimista nunca é culpado, vive sempre um infortúnio, é um completo sabotador de sua história. Por isso, dispa-se do vitimismo (caso ainda tenha algum na bagagem) e assuma o controle, entenda que afagos no ego não ajudam, só nos ancora. Siga rumo a batalha, entendendo que uma boa parte das coisas está em suas mãos, basta entender que enquanto não assumimos a responsabilidade não vamos sair do lugar.

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O PREÇO DA PAZ

“A maior riqueza é ficar satisfeito com pouco” (Platão) (PERCY, 2016, p. 68)

Aprendi ao longo da vida que não precisamos de tudo o que a sociedade nos oferece. A vida não é só ter, ou conquistar coisas. Há muito mais debaixo do céu, que apenas bugigangas acumulando na garagem.

Optei, a fim de viver mais tranquilo, em viver abaixo do meu orçamento, sem muitos gastos ou exageros. A tranquilidade não tem preço, viver uma vida simples, mas com muita paz é uma das maiores riquezas que encontrei em minha caminhada. Existem destinos melhores do que apenas seguir só em busca de riqueza ou pagando boletos. Quem vive para o dinheiro, vive sem paz.

Não estou pregando uma vida de miséria, e sim de limites, de entender aonde queremos chegar e principalmente, do que realmente precisamos. Pois, muitos por terem prioridade apenas em ter, acabam se afogando em contas, prestações e juros altos, e assim, perdendo a sua paz.

Conheci muitas pessoas que ganhavam o mesmo salário que eu, mas que viviam um padrão muito mais alto. Estas pessoas viviam sem paz, pois se matavam trabalhando, a fim de manter todo o seu padrão.

Viva conforme o seu salário, entenda que não precisamos de tudo, é possível viver bem, mas com limites. Aprenda a refletir, pense se você precisa do que você pretende comprar, e reflita sobre o ônus, que este gasto pode te trazer.

Tudo o que é bom é de graça. Seja a natureza, os amigos ou os momentos felizes. Aprenda que ter as coisas é legal, mas coloque na sua cabeça que você não precisa de tudo.

Não venda a sua paz, ela não tem preço. Descubra o poder do equilíbrio e siga em busca de uma vida mais tranquila.

BIBLIOGRAFIA

PERCY, Allan, Platão para sonhadores, 80 pílulas de filosofia cotidiana para transformar suas melhores ideias em realidade, Editora Sextante, Rio de Janeiro, 2016

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O SEGREDO DA ORAÇÃO

Por que precisamos orar tanto para termos nossas orações respondidas? Será que Deus não conhece nossas necessidades? Ou melhor, por que orar? Deus já não sabe de tudo?

Estas são algumas das dúvidas que eu tive quando era novo e são questionamentos que volta e meia algumas pessoas me fazem. Nem todos entendem porque devemos orar para um Deus que é onisciente. E é nos dias de caos e insegurança, que devemos entender bem e de forma consciente, a importância da oração.

Para que eu possa responder estas questões eu preciso lembrar a todos de alguns pontos importantes. O primeiro ponto é que até Cristo, o próprio Deus, orou. Mesmo tendo todo o poder, ele não eixava de orar sempre e muito (Marcos 1:35).

Em segundo lugar, precisamos entender que as nossas orações são sempre respondidas no tempo de Deus, ele sabe a melhor hora de te responder, sendo que o tempo de Deus é sempre o melhor.

O terceiro ponto, que é interligado a este, é que tudo vai depender da vontade de Deus (1 João 5:14), pois constantemente pedimos coisas que não é da vontade Dele. Ele sabe o que é melhor para nós, sendo que se servimos a Deus, se realmente somos seus servos, temos que nos sujeitar a sua vontade.

Faça um exercício, pense nas coisas que você pediu a Deus e que ele não respondeu. Veja se entre estas coisas não tem pedidos que hoje, olhando com mais cuidado, você conclui que não era legal. Eu dou graças a Deus pelas inúmeras orações não respondidas, pois nem sempre, na hora que estamos pedindo, percebemos o erro de estar buscando aquela determinada coisa.

Por último, concluindo os apontamentos antes de responder, quero enfatizar que ser cristão não é ser rico, nem ter como ênfase pedir ou ter as coisas. É justamente seguir a um Deus que nos salvou, e estar pronto para fazer a sua vontade. Cristo não nos prometeu uma vida boa, ao contrário, Jesus nos avisou que teríamos aflições (João 16:33). Cristo veio para nos dar vida, e vida eterna (João 3:16) e não coisas que se desfazem com o tempo.

Depois destes apontamentos, a resposta se torna muito simples. No final, a oração muda muito mais quem ora, do que o próprio ambiente ou a própria situação caótica. A oração nos dá conforto e esperança para que possamos seguir confiando que no final tudo vai dar certo, mesmo que pareça que não.

A oração, que Cristo também fazia muito, nos dá intimidade com o nosso criador, e é no momento de busca que a nossa vida vai sendo transformada, que conseguimos força para seguir, e que a nossa vida muda. A oração nos fortifica, sendo que as respostas de oração são apenas consequências de uma vida transformada a cada dia, enquanto buscamos a Deus.

O segredo da oração é a própria busca, é o derramar do coração e buscar a cada dia ter intimidade com o criador. Não devemos orar apenas para ter coisas, e sim para busca-lo, e também para termos forças para enfrentar as situações adversas, que no mais é consequência.

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JORNADA CRISTÃ 3: AS LINGUAGENS DO AMOR

No texto passado, eu falei do grupo de discipulado chamado Renovo, no qual eu participei quando era de outra igreja. Eu mencionei que neste grupo eu pude conhecer muitos ótimos autores, sendo que neste texto quero mencionar mais um que conheci neste período, chamado “Gary Chapman” e sua obra “As 5 linguagens do amor”, um livro que hoje é um pouco conhecido, mas que na época não era tanto, o conteúdo mudou a minha visão sobre relacionamentos.

É um desafio nos relacionar, seja como marido ou esposa, como amigo ou com familiares, nem sempre acertamos, sendo que o livro surge justamente com a proposta de fazer você entender a dinâmica dos relacionamentos.  

O autor trabalha com o fato que cada pessoa tem uma linguagem de amor. No livro, Gary discorre sobre 5 linguagens que seriam: Palavras de afirmação, tempo de qualidade, presentes, atos de serviço e toque físico. E pontua a importância de falarmos a linguagem de afirmação do próximo, e também incentivar o próximo a falar a nossa linguagem para que assim tenhamos relacionamentos saudáveis.

Por inúmeros motivos, cada um tem uma linguagem de amor, sendo que quando falamos em casamento, quase sempre o casal tem linguagens de amor bem opostas, o que acaba gerando desentendimentos e brigas.

O livro aponta para a importância de falarmos a linguagem de amor do cônjuge, e ele mostra que, por mais que busquemos amar o nosso cônjuge com a nossa linguagem, nem sempre ela vai entender aquele gesto como uma expressão de amor. E falando sobre casamento, Gary Chapman pontua algo fundamental, vale a pena acrescentar neste texto:

“Cada um de nós chega ao casamento com personalidades e históricos diferentes. Trazemos bagagem emocional para o relacionamento conjugal. Chegamos com expectativas diferentes, formas diferentes de encarar as coisas, e opiniões distintas sobre o que é importante na vida. Num casamento saudável, essa variedade de perspectivas deve ser tratada” (CHAPMAN, 2013, p. 176).

Amar é mais que uma paixão, é uma atitude, uma ação, sendo que em um casamento, entender e aprender a lidar com o próximo é fundamental. A questão não é concordar com tudo, mas aceitar as diferenças e aprender a resolver e a fazer concessões.

Hoje, seja em casa ou em qualquer outro ambiente, procuro sempre entender a linguagem da pessoa. Não somos iguais, temos que perder a mania de achar que o ser humano foi feito em uma linha de montagem, com características e maneiras parecidas. Somos únicos, com gostos e necessidades totalmente opostos. Saber disso, vai fazer de você um líder melhor, um pastor ou cônjuge mais assertivo.

Aprenda a falar a linguagem do próximo, entenda como é fundamental perceber como cada um é antes de ser um amigo, cônjuge ou um líder. Isso vai fazer a diferença em seus relacionamentos, não tenha dúvidas.

O livro mudou a minha vida, e virou uma das minhas bibliografias básicas sobre o assunto. Mas a caminhada continua, são muitos livros e autores, sendo que no próximo texto, abordarei um dos primeiros livros mais densos de teologia que eu conheci.

BIBLIOGRAFIA

CHAPMAN, Gary, As 5 linguagens do amor:  Como expressar um compromisso de amor a seu cônjuge, Editora Mundo Cristão, São Paulo, 2013.

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GIGANTES CRISTÃOS

Não é incomum vermos acadêmicos menosprezarem cristãos. Muitos desses supostos sábios defendem a ideia de que todos os cristãos são alienados. Afinal, eles são incultos, não possuem estudos, e não sabem conversar, segundo estes. Coisa que alguns rabinos judeus, nos tempos dos apóstolos, também afirmavam dirigindo sua fala aos discípulos de Cristo (Atos 4:13). É como Eclesiastes diz: “Não há nada novo debaixo do céu” (Eclesiastes 1:9). No livro “Por que não sou cristão”, de Bertrand Russell, ele resume a sua opinião sobre os cristãos pontuando que:

“Minha visão pessoal a respeito da religião é a mesma de Lucrécio. Vejo-a como uma doença derivada do medo e como fonte de tristeza incalculável para a raça humana” (RUSSELL, 2016, p. 46).

A religião, segundo Russell, só serve para impor medo, ela surgiu do medo do desconhecido, da derrota e da morte, entre tantos outros medos, e por mais que ele confesse neste livro que a religião fez algumas colaborações, a sua visão, no final de tudo é bem negativa (RUSSELL, 2016, p. 44, 46).

Quando eu olho para a história, não tem como não ficar impressionado com tamanho engano destes pensadores, ao longo dos séculos surgiram inúmeros gigantes que provaram que a fé não é coisa de incultos e muito menos fruto de medos e receios infundados. Sendo que se estes gigantes se converteram a fé cristã, quem são estes críticos para afirmar que religião é coisa para ignorantes?

Agostinho foi um destes gigantes, nascido em Tagaste na Numídia no ano de 354, onde hoje é a Argélia, este sábio provou que a fé também é munida do pensar e do saber. Era versado em retórica e artes liberais além de conhecer muito bem filosofia. Foi um escritor profícuo e escreveu inúmeros livros sobre o pecado, o mal, e muitos outros temas, que acabaram por servir de base ao pensamento cristão (FERREIRA, 2007, p. 17, 36, 37).

Seu principal livro, Confissões, é um verdadeiro tesouro, pois além de falar de sua vida até aquele momento no qual escrevia o livro, ele ao meu ver, consegue de forma magistral, falar sobre Deus.

Outro gigante foi Tomás de Aquino, nascido em Aquino em 1225, ele foi o grande responsável por unir a filosofia aristotélica com o cristianismo. Com uma mente brilhante, ele costumava ditar mais de um assunto de uma vez, para mais de um secretário ao mesmo tempo. Sendo que entre todos os temas, ele abordou de forma magistral o conceito de fé e razão, sendo conhecido por suas “cinco vias” que prova a existência de Deus (MCDERMOTT, 2013, p. 68, 69, 70).

Chesterton é o último grande gigante que eu quero abordar, primeiro porque ele foi um gênio, seus livros e seu pensamento refinado, mostrou que a sua reflexão estava acima da média. Segundo por não ser tão conhecido, embora tenha deixado em seus livros, um grande legado cristão.

O período em que Chesterton viveu não foi um dos mais calmos, em um momento de ateísmo extremo e racionalismo fora do comum, é imprescindível a presença de um gigante para fazer a diferença, sendo ele um dos principais. Gosto do autor, principalmente por ser um ardoroso crítico tanto do capitalismo quanto do comunismo, creio que o caminho do centro é o mais difícil, mas também o mais lógico (CHESTERTON, 2014, p. 11).

O autor foi um escritor profícuo, escreveu sobre ficção, teologia e apologética, e mostrou ser um gênio através dos livros que escrevia. Escreveu muitos livros e mostrou ser acima da média.

Eu poderia citar inúmeros outros pensadores, desde cientistas, teólogos e filósofos, entre tantos e incontáveis homens geniais que fizeram história, mas a proposta do texto me limita a apenas alguns, mais precisamente os que eu mais gosto.

O senso comum tenta pintar o cristianismo com cores cinzas, pontuando conclusões que carecem de muita leitura e investigação. Como se todos fossem estúpidos e não soubessem o que estão falando.

Se estes pensadores que foram encontrados por Deus, e em meio as suas reflexões concluíram que a fé cristã é mais do que racional e inteligente, quem são estas pessoas para afirmarem que fé não é coisa de gente inteligente?

O cristianismo não é algo incoerente, muito menos conversa para pessoas incultas. A fé cristã é algo inteligente, basta mergulhar nos muitos autores para constatar isso.

Religião é coisa de gente, e não tem a ver com intelecto ou coisa parecida. Quem critica a fé no fim é um pouco simplista e não conhece a história dos muitos pensadores que fizeram diferença na sociedade.

BIBLIOGRAFIA

FERREIRA, Franklin, Agostinho de A a Z, Editora Vida, São Paulo, 2007.

MCDERMOTT,Gerald R, Grandes Teólogos, Uma Síntese do Pensamento Teológico em 21 Séculos de Igreja, Editora Vida Nova, São Paulo, 2013.

RUSSELL, Bertrand, Por que não sou cristão: Um livro que coloca ao leitor questões que nunca mais poderão ser ignoradas, Editora L&PM Pocket, Porto Alegra, 2016.

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DIA DAS MÃES

Nem sempre as datas comemorativas são justas, algumas delas, servem para reforçar uma falta, sendo que o dia das mães pode ser uma delas, pelo menos para alguns.

Eu tenho mãe, mas fui criado com os avós e pesar de ter tido contato com a minha mãe, neste dia, não é dela que eu me lembro. Gerar é um dom, é uma benção que só as mulheres possuem, embora, só gerar, não signifique tudo. Ser mãe é muito mais que isso, é se doar, cuidar de alguém, e instruir uma pessoinha para que ela possa seguir o melhor caminho possível.

Família é aquele grupo complicado, formado por pessoas com problemas, que de algum modo, tentam da sua forma ser feliz, e fazer com que os seus familiares também sejam.

Filhos são o ápice da felicidade de um casal. Embora também seja uma responsabilidade eterna que infelizmente nem todos os pais assumem. Não é possível ser um pai ou uma mãe, apenas pensando em si, em seus sonhos e objetivos, um verdadeiro pai e mãe, pensa em tudo, não esquece que com ele existe mais um ser dependente do seu carinho e cuidado.

Conheço homens que são verdadeiros pais e mães, exemplos de cuidado e carinho com seus filhos, assim como eu conheço mães, que são pais e mães, são seres humanos dedicados e responsáveis em sua missão de cuidar e orientar alguém.

Amanhã é o dia das mães e seria injusto homenagearmos apenas as progenitoras. Existem muito mais mães que precisam ser reconhecidas e homenageadas. Sejam eles pais, avós, tias ou pais adotivos, que não geraram, mas que têm feito um verdadeiro papel de mãe, sendo diferença na vida de seus filhos.

Para alguns o dia das mães pode ser um dia que marca um abandono, um dia onde a falta se torna latente ao trazer em sua memória lembranças ruins. Se você for um destes eu lhe faço um desafio. Tire o dia para lembrar de quem cuidou de você, seja esta pessoa quem for.

Pai e mãe são os que cuidam, por isso, lembre-se deste cuidador e aprenda a homenagear quem não te gerou, mas que cuidou de você como se fosse um filho.

Caso você tenha tido uma família normal, não se esqueça de quem se dedicou ou se dedica a cuidar de você.

Feliz dia das mães!

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ANTECIPANDO PROBLEMAS

Talvez a questão mais complicada em uma pandemia, ou qualquer outro tipo de epidemia sem controle, é o fato que ninguém tem informações realmente pontuais e coerentes sobre o problema. E já que o assunto não é dominado, já que não se tem cura ou prevenção, este tipo de situação causa pânico.

Arrisco dizer que tudo o que não controlamos nos causa pânico, criando em nosso coração a insegurança, e com a insegurança, acabamos por dar ouvidos a todo o tipo de teorias ou informações equivocadas. Foi o que eu vi quando fui fazer a compra do mês, inúmeros cidadãos apavorados com a pandemia, comprando como se a comida fosse acabar, verbalizando teorias e notícias que seguiam na contramão da lógica. Em dias incertos, qualquer teoria conspiratória vira assunto, e aos poucos o medo é implantado.

Uma pandemia meche muito com a economia, implantar uma quarentena, decisão evidentemente necessária para evitar a propagação da doença, causa danos, desemprego e ainda mais problemas. Sem contar, é claro, que quando o país passa por uma crise financeira, este tipo de problema colabora para que a crise aumente ainda mais.

Em um mundo ansioso, antecipar problema é um veneno, e o pior, faz com que gastemos forças para lidar com uma situação no qual não controlamos. Gastar energia com o que não tem solução, é seguir sem dúvida alguma, no caminho da doença e do desgaste emocional. Quem antecipa problemas, antecipa também a falta de saúde e o cansaço, e isso é só o começo para ainda mais doenças e muitos outros tipos de problemas aparecerem.

Epicteto, um filósofo que havia nascido escravo, onde por conta de todo o seu talento intelectual, acabou ganhando liberdade e virando um grande mestre (LEBELL, 2018, p. 11, 12), tinha uma frase, que acredito que serve bem para os nossos dias:

“Saiba distinguir entre o que você pode controlar e o que não pode” (LEBELL, 2018, p. 21).

Lembre-se que Epicteto havia nascido escravo, e tinha tudo para viver de forma miserável, a vida dele não era fácil, e ele não podia mudar isso, mas ele podia se dedicar como pessoa, e depois como aluno, para tentar melhorar de vida.

A vida é muito incerta, a grande verdade é que controlamos muito pouca coisa. Se você parar para pensar, a maioria das coisas você não controla, a sensação de controle sempre foi utópica e irrealista. Com isso, você não pode se dar ao luxo de se preocupar com o que não tem solução.

Teorias, incertezas e especulações devem ser deixadas de lado, para evitar o desgaste. Não sabemos se depois deste caos teremos emprego, se teremos saúde ou o que quer que seja, tudo pode acontecer, ou nada pode acontecer. A questão é que você deve viver o hoje e evitar antecipar problemas, para que assim, você evite mais problemas. A Bíblia tem um texto que combina bem com a frase deste filósofo estoico, a frase é de Jesus e foi dirigida aos seus discípulos, enfatizando a importância de não nos preocuparmos com dinheiro e bens materiais:

“Portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã trará as suas próprias preocupações. Basta a cada dia o seu próprio mal (Mateus 6:34)”.

O texto não manda que vivamos de forma displicente, sem nos precavermos, quando isso é possível, o que o texto quer ensinar é que não podemos antecipar os problemas. Viva um dia de cada vez. Se preocupe apenas com o que tem solução e com o dia de hoje, e o que não tem, deixe de lado, entregue nas mãos de Deus. É Deus que cuida de nós, bens posses, segurança, não nos trazem paz, mas Deus traz. Só há um senhor, que é Deus, nada mais pode tomar o seu lugar.

Por isso nestes dias incertos se lembre que emprego, bens e posses, são coisas passageiras, não nos trazem a verdadeira segurança. Um dia estamos bem, no outro, estamos enfrentando uma pandemia e todo o caos que este tipo de calamidade traz.

E também diante de dias incertos, aprenda a não antecipar problemas, e o principal, saiba distinguir as situações no qual você pode fazer alguma coisa, das que você não pode fazer. Foque no que está em seu controle, e tente esquecer das situações no qual você nada pode fazer.

Viva um dia de cada vez, tendo sempre em sua vida, o Deus que de tudo tem controle. Confie que ele está com você e faça a sua parte, largue o controle e faça apenas o que você pode e deve fazer, que o resto não é com você e sim com Deus.

Ou você aprende a descansar no senhor ou vai seguir, sem dúvida alguma, muito fadigado.

BIBLIOGRAFIA

LEBELL, Sharon, Epicteto A arte de Viver: uma nova interpretação de Sharon Lebbel, Rio de Janeiro, 2018

CARSON, D. A, FRANCE, R. T, MOTYER, J. A, WENHAM, G. J, Comentário Bíblico Vida Nova, Editora Vida Nova, São Paulo, 2012.

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FRACASSO E SUCESSO

“O Sucesso e o fracasso andam na mesma via”

É muito bom quando planejamos, nos dedicamos a um projeto e vemos aquilo nos dar bons frutos. Não tem preço a sensação de dever cumprido, de vermos algo dar certo, de colhermos os frutos de nosso empenho. Isso faz com que concluamos que as horas gastas naquela empreitada valeram a pena.

O problema do sucesso é que ele anda de mãos dadas com o fracasso, é fácil nos acomodar com algo que deu certo, com a tão sonhada promoção, com o sonho de ver nossa empresa indo para frente, ou com os bons salários que uma pessoa pode alcançar. O problema é que muitas vezes o sucesso nos aprisiona, faz com que o melhor de nós fique preso em algo bom, mas que nos acomoda, faz com que não mais cresçamos e nos desenvolvamos.

É muito bom uma promoção, mas saber a hora de sair e seguir em frente é fundamental. Conheço ótimos músicos, mas que estagnaram em sua velha fórmula de sucesso. Já trabalhei com ótimos profissionais, que são limitados por instituições que não olham para frente. Com isso, eles seguem com um bom salário, mas sem nenhum crescimento, isso no âmbito profissional e pessoal.

Nem sempre a estabilidade vale a pena, tudo vai depender da empresa que você trabalha. As vezes a fim de aprendermos ainda mais, é melhor largarmos a estabilidade para nos desenvolvermos ou procurarmos um lugar onde o estudo e o desenvolvimento faça parte do cotidiano da empresa.

Nem tudo é um bom salário, nem sempre a conta bancária justifica uma vida estagnada e sem desafios. Eu cresci muito com os desafios que precisei aceitar. Aprendi muito nos diversos lugares que eu trabalhei, e isso levamos para a vida.

Eu tenho a sorte de trabalhar em um lugar que incentiva o estudo e o crescimento pessoal, se não é o seu caso, planeje e aprenda a olhar para a frente.

Não tem preço cultivar uma vida em constante crescimento, aprendizado e desafios. A rotina é boa em partes, a falta de estudos, desafios e empenho é prejudicial, pois nos engessa, nos paralisa, fazendo com que não mais cresçamos.

Por isso que chegar lá, alcançar os objetivos ou obter a tão sonhada estabilidade é uma via de mão dupla, pode te paralisar fazendo com que você fique para trás, ou as vezes faz com que você se desenvolva e busque novos desafios.

Aprenda a se desafiar, a cultivar uma vida de aprendizado e crescimento, para que você não seja engolido pela tendência humana do comodismo.

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