CARIDADE TÓXICA

O tema caridade é bem complexo, e quando discutido,  quase nunca gera uma opinião unânime. Principalmente quando o tema descamba para a falta ou não de oportunidades. Em um país onde temos que ralar bastante para tentar conseguir alguma coisa,  nem todos aceitam a falta de oportunidades como desculpa para pedir dinheiro.

No polêmico livro do pastor Yago Martins,  ele discute justamente este  tema, aliás, ele vai mais a fundo  e resolve ir para as ruas para entender de perto o tema caridade e o que ela gera na sociedade. No final, após um ano como um mendigo disfarçado,  ele pontua justamente como a mendicância se tornou uma máfia, e como a caridade muitas vezes torna os necessitados dependentes de uma espécie de caridade tóxica.

É importante entender que ao contrário do que diz o ditado popular “Fazer o bem sem olhar a quem”, devemos sim olhar a quem estamos ajudando, para assim amparar aquele que realmente precisa. A caridade feita de qualquer forma pode gerar pessoas dependentes,  que acreditam que os outros devem ajudá-lo por conta de sua condição.

Outro ponto interessante que ele trabalha no livro é como a caridade serve para alguns religiosos se sentirem bem, como uma espécie de massagem no ego ou uma forma de se autoafirmar,  pelo menos de forma indireta. Mostrando como ele é uma pessoa boa, caridosa e prestativa. No final, acaba sendo uma troca, a pessoa ajuda e recebe em troca uma massagem no ego.

O auxílio deve ser sempre bem pontuado, oferecendo alimento, mas também proporcionando suporte espiritual, físico e mental. Dando-lhe oportunidade de sair das ruas e fazer com que caminhe com suas próprias pernas. E acima de tudo, separando quem não quer ajuda dos que realmente querem e têm vontade de olhar para frente e continuar.

Quando criamos pessoas dependentes, incentivamos mesmo sem querer, que alguns não se desenvolvam e fiquem apenas na dependência. É importante a pessoa assumir as rédeas e aprender a caminhar com suas próprias pernas. O autor do livro usou a citação de Lupton, que creio que resume bem o assunto:

“Quando o alívio à dificuldade não serve de transição para o desenvolvimento de forma oportuna, a compaixão torna-se tóxica” (MARTINS, 2019, p. 211)

Há mais ou menos 20 anos atrás trabalhei na rua, por conta disso, não me surpreendi com os relatos do livro do pastor Yago. Na rua todos sabiam quem oferecia janta e almoço de graça. Quais eram os albergues e onde conseguir pizza e salgadinho à noite. Era bem como o autor falou, tínhamos um cardápio, e bem variado, que quase sempre não falhava. Não era uma vida fácil, embora a falta de compromisso fizesse tudo valer a pena.

É claro que não podemos generalizar, muitos dos que estão na rua precisam de ajuda, contudo, existem os que fazem da mendicância uma forma de viver, por isso, é preciso mergulhar mais no assunto, entender mais o ambiente, para que possamos ajudar as pessoas que realmente não tem oportunidade e precisam de ajuda.

A caridade tóxica é feita de qualquer jeito, sem olhar para as pessoas e entender sua situação e as suas necessidades. Algumas vezes é preciso muito mais que dinheiro, é preciso ouvir, caminhar com a pessoa, mostrar a saída.

Ou nos comprometemos ou sairemos às ruas apenas para distribuir coisas, como se coisas realmente fizessem diferença na vida das pessoas.

BIBLIOGRAFIA

MARTINS, Yago, A máfia dos mendigos: Como a caridade aumenta a miséria, Editora Record, Rio de Janeiro, 2019

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FALTA DE CONHECIMENTO

Sócrates, um dos maiores filósofos de todos os tempos, sustentava a ideia de que o homem pecava por conta da falta de conhecimento:

“Sócrates sustenta que o que faz um homem pecar é a falta de conhecimento, se soubesse, não pecaria. A causa dominante do mal é, portanto, a ignorância. Assim, para alcançarmos o bem, precisamos possuir conhecimento, logo, o bem é conhecimento” (RUSSELL, 2017,p. 66)

Não creio que o que faz o homem pecar seja a falta de conhecimento, contudo, acho que Sócrates tem sim uma pontinha de verdade, afinal, erramos muito por não conhecermos, por sermos ignorantes, principalmente quando falamos da Bíblia.

Continuamente vemos pessoas seguindo falsos ensinos, falsos pastores, por não conhecerem a palavra. É constante cometermos erros, ou conclusões equivocadas, por não termos conhecimento do assunto. Provérbios 10:14 diz justo isso:

“Os sábios acumulam conhecimento, mas a boca do insensato é um convite à ruína”.

Os sábios se informam, buscam conhecer, tentam falar do que eles conhecem, mas o insensato fala somente do que não sabe e o pior, muitas vezes fala como se soubesse, gosto de uma citação que resume bem estes:

Ensine a tua língua a dizer: “não sei!”, caso contrário serás pego dizendo tolices (BONDER, 2010, p. 174)

Tudo começa com a frase não sei, quem acha que sabe de tudo, não sabe. A falta de humildade e de conhecimento faz o indivíduo se considerar alguém fechado, que não precisa mais do saber. Porém o sábio sabe quem é, ele entende que o conhecimento é infinito, e inesgotável, ele sabe que não sabemos e nem vamos saber de tudo, pois o conhecimento é inesgotável.

Eu tenho medo dos que muito falam, tenho receio dos que emitem opinião sem base e coerência aos seus pontos de vista. Quem realmente sabe opina sobre o que conhece, sobre o que tem certeza, agora a pessoa que não sabe, prefere os enganos que uma mente orgulhosa produz.

Falar é fácil, até papagaio fala, agora emitir uma opinião coerente, baseado em bibliografias e estudos, que é o desafio. Por isso se informe e fale do que você realmente sabe. Existem vários caminhos para o aprendizado, basta pormos em prática e nos aprofundar. Quem não se informa vive no escuro, segue opiniões falsas, peca por conta da falta de conhecimento. Agora já quem se informa está sempre aprendendo, revendo seus conceitos, buscando a verdade.

BIBLIOGRAFIA

RUSSEL, Bertrand, História do Pensamento Ocidental, Editora Nova Fronteira, 21. ed, Rio de Janeiro, 2017

BONDER, Nilton, A cabala da inveja, Editora Rocco, Rio de Janeiro, 2010

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A ESPIRITUAL ARTE DE ESTUDAR

“Se eu tivesse apenas três anos para servir a Deus, gastaria dois deles estudando” (Donald Barnhouse) (STOTT, 2012, 68)

É triste ver cristãos que não levam a sério o estudo. Criou-se em algumas igrejas uma crença que o estudo não é importante. Eu já ouvi cristãos afirmarem que existem os pastores que pregam com a teologia e outros com o Espírito Santo, uma frase que não tem como ser mais equivocada.

O estudo sempre fez parte da vida dos cristãos sérios, dos que são usados por Deus. Se você ler a história dos grandes homens de Deus vai notar que o estudo sempre andou lado a lado com a oração.

Creio que o grande problema é desligar a vida espiritual do estudo, é crer que a pessoa que Deus usa, não precisa estudar. Ler e manejar bem a palavra da verdade é nossa obrigação como a Bíblia nos avisa (2Timóteo 2:15). E saber dar a razão da nossa fé é também igualmente importante (1 Pedro 3:15). Tais passagens evidenciam a importância do estudo, de conhecer a Bíblia, de saber manejar e conhecer bem a Bíblia. Sendo que a teologia existe justamente para conseguirmos entender ainda mais a palavra de Deus.

Quem não se debruça nos livros, nem gasta tempo estudando, não é só preguiçoso, mas também mostra que não tem comprometimento com a Bíblia. Deus usa quem está preparado, que sabe do que fala e busca entender o que o texto bíblico realmente quer dizer. Você não sabe o quão espiritual é estudar e se preparar, você não sabe o quão legal é se dedicar a entender o texto, e saber aplicar a palavra de forma correta.

O problema de alguns é simplificar algo que não se simplifica, é achar que sem ler, vamos conhecer o que o texto bíblico diz, espiritualizando justamente o que não dá para espiritualizar.

O estudo é tão importante quanto a oração e tão espiritual quanto dobrar os joelhos e orar. Estudar a Bíblia é conhecer o que Deus está falando, é saber quais são as suas vontades, é ter base para viver uma vida que agrada Deus.

 BIBLIOGRAFIA

STOTT, John, Crer é também pensar, ABU Editora, São Paulo, 2012

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INSATISFAÇÃO

A insatisfação não é de todo um mal, dependendo da forma como a usamos, ela pode ser um termômetro que aponta para a mudança. É normal nos acomodarmos, a estabilidade é boa, mas às vezes nos engessa. Ou o contrário, às vezes nos habituamos a uma vida instável, que só um sentimento de insatisfação nos tirará deste marasmo caótico.

Diante desta realidade, reclamar não é a saída, ao contrário, quem reclama não entende o poder da insatisfação e segue com atitudes ácidas, ações que pioram ainda mais a situação.

Comece olhando para a sua vida, pontuando o que você poderia mudar, evoluir ou fazer diferente. Olhe para as novas oportunidades, aprenda algo novo, ou se aperfeiçoe no que você já é bom para crescer ainda mais. Nunca é tarde para estudar, se aprofundar e aprender.

Passei por esta insatisfação há muito tempo atrás, não queria mais trabalhar na área no qual eu trabalhava, eu não sabia bem o que queria fazer, só tinha a certeza de que aquilo que eu fazia não me deixava mais feliz. Contudo, ao invés de reclamar, ou seguir tendo atitudes negativas, resolvi entender a minha situação e procurar uma saída e em meio a busca, redescobri muitas possibilidades, e hoje sou o que eu havia almejado há muito tempo, embora o plano estivesse adormecido, que é ser professor.

Foi à insatisfação que me fez recomeçar, estudar, buscar aperfeiçoamento e ir ao encontro das oportunidades. É ela que nos tira da zona de conforto, e nos faz seguir para novos ares. Foi ela que me fez ler mais, ter hábitos saudáveis, me aperfeiçoar na escrita.

Tudo começa com a insatisfação, este sentimento é ambíguo, pode te derrubar ou te movimentar, basta você direcionar a força para o sentido certo, ao invés de ficar estagnado reclamando, sem ir a lugar algum.

Caímos no comodismo de forma muito fácil, contudo quando bem usada, a insatisfação é um trampolim para novas oportunidades. É o ensejo de olhar para frente e ir em busca do novo.

Olhando para trás chego a me impressionar com os inúmeros pontos finais que eu dei, nunca achei que iria parar com alguns projetos, mas parei. Em contrapartida, concluo que se eu não tivesse encerrado, não sei se conseguiria me dedicar a algumas empreitadas no qual me dedico hoje. Tudo é questão de olhar para frente, de planejar e buscar crescimento, e alguns pontos finais nos ajudam com isso. É importante sair do lugar, fazer coisas novas ou buscar aperfeiçoamento sempre.

A insatisfação é uma bússola que nos move, nos mostra outras direções e aponta para o novo. Quem se inquieta se movimenta e progride. Quem se acostuma, engessa e não sai do lugar.

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ÍDOLOS

Enquanto esperava por eles em Atenas, Paulo ficou profundamente indignado ao ver que a cidade estava cheia de ídolos (Referência: Atos 17:16-34)

O texto fala basicamente sobre ídolos, a parte curiosa é que quando falamos em ídolos, logo pensamos em estátuas, altares e cultos pagãos. A questão é que quando usamos as ferramentas da teologia para nos aprofundar no texto, descobrimos que ídolo não é só isso, e sim, tudo o que colocamos no lugar de Deus, ídolo pode ser tudo o que você coloca confiança.

Paulo chegou em Atenas e viu que muita gente confiava em seus próprios pontos de vista. Eles eram inteligentes, tinham muito conhecimento e sabedoria, o que não é nada errado, o problema é que eles confiavam apenas em seus deuses e em suas próprias filosofias.

A história conta que em Atenas existiam deuses para tudo, o local não era só o centro intelectual, mas também um lugar com muitos templos e ídolos.

O que eles tinham esquecido é que a própria história deles já evidenciava como aqueles deuses eram falsos. Paulo era um homem com muito conhecimento e quando ele viu a estátua ao Deus desconhecido, ele lembrou justamente da história que Don Richardson descreve na abertura do livro “O fator Melquisedeque”.

O autor conta que uma praga surgiu em Atenas, com isso, segundo a crença da época, algum deus devia estar irado com eles. Por isso, a fim de apaziguar a ira deste deus, os atenienses começaram a fazer sacrifícios a todos os seus muitos deuses. Com isso, esperava-se agradar ao deus que enviou a praga, coisa que não aconteceu. A praga continuou atrapalhando, nenhum deus quis ajudar. Com isso, procurou-se quem pudesse resolver tal questão, mas este não existia naquela cidade. Com isso, eles precisaram ir atrás do filósofo e poeta Epimênides (RICHARDSON, 2008, p. 09).

Segundo este filósofo, deveria haver um Deus desconhecido e muito poderoso no qual eles ainda não haviam recorrido, por conta disso, Epimênides propôs deixar algumas ovelhas sem pastar para de manhã, após uma oração a este Deus desconhecido, soltá-las. As ovelhas, mesmo que famintas, que se deitassem no pasto ao invés de pastar, iriam ser oferecidas ao Deus desconhecido, sendo este um sinal que o Deus havia ouvido. E isso aconteceu, pois misteriosamente algumas ovelhas ao invés de pastar, deitaram e naqueles locais foram erguidos altares para sacrifício, sendo que no altar a inscrição agnosto theo (ao Deus desconhecido), havia sido gravado. O resultado foi que a praga cessou, a cidade foi liberta daquela peste, e o Deus desconhecido foi louvado por todos. A questão é que ele rapidamente foi esquecido (RICHARDSON, 2008, p. 10, 11).

Esta foi a história que Paulo lembrou quando viu aquele altar, e foi com base neste acontecimento que o apóstolo aproveitou para pregar que aquele Deus desconhecido era o Deus que ele estava anunciando. Só há um Deus, e Paulo sabia disso, só um único Deus teria o poder de fazer o que foi feito naquela cidade, um Deus que havia respondido, mas que eles haviam esquecido rapidamente.

O homem tem este dom de esquecer, de ser tocado por Deus, de conhecer o seu poder, mas depois ceder as pressões ou tentações que o mundo coloca em nosso caminho. Ou pior, adorar a ídolos conforme a sua própria imagem, ídolos que não são reais, que são rascunhos de nós e nosso ponto de vista falho.

Deus fala da mesma forma que falou com aqueles atenienses, com os inúmeros profetas e também como fala conosco, a questão é que nós temos a tendência de esquecer. A vida boa e as facilidades tem o poder de apagar algumas importantes mensagens.

Ídolo é tudo o que colocamos no lugar de Deus, pode ser a profissão, sua própria força, ou o dinheiro. Tudo o que substitui Deus é um ídolo, e é justamente ele que nos afasta da verdade.

Cuidado com os ídolos, cuidado para não se esquecer de Deus e substituir ele por uma imagem falsa e sem sentido, um rascunho do seu hedonismo mortífero. 

BIBLIOGRAFIA

RICHARDSON, Don, O fator Melquisedeque, O testemunho de Deus nas culturas através do mundo, Editora Vida Nova, São Paulo, 2008

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ORTODOXIA

Muitos torcem o nariz quando ouvem a palavra ortodoxia. E geralmente atribuem este conceito a pessoas chatas, legalistas e que não tardam em acusar os outros, porém, isso é um erro. Ortodoxia significa fé correta, ou exatidão Doutrinária (OLSON, 2004, Pg. 54) e geralmente serve para indicar qual igreja realmente segue os ensinos de Cristo ou não, pois a igreja que segue um ensino ortodoxo, com certeza, segue um ensino firmado na palavra.

Neste cenário de pluralismos religiosos, definir qual igreja realmente é cristã é um desafio. Você encontra todos os tipos de igrejas, com inúmeras interpretações Bíblicas, unções de tudo quanto é tipo, pastores extorquindo dinheiro e tudo quanto é barbárie vindo de pessoas que seguem a máxima: “cada um tem a sua maneira de interpretar a Bíblia”, o que já é uma conclusão complicada. Porém é aí que entra a ortodoxia, definindo quem realmente segue a Bíblia ou quem segue os ensinos de quem mal lê as escrituras.

É claro que muitas igrejas cristãs tem seus próprios manuais de ensino.  Algumas inclusive se dedicam a discipular e ensinar a palavra aos novos convertidos. Deixando assim muito mais remoto as possibilidades destes discípulos falarem heresias. Os luteranos possuem a confissão de Ausburgo, escrito por Lutero e seu assistente Melâncton. Os calvinistas o catecismo de Heidelberg. Os presbiterianos da Grã-Bretanha, o Catecismo Maior e Menor de Westminster (OLSON, 2004, Pg. 53). Sem contar com o Credo Apostólico e o Credo Niceno, escrito há muitos séculos, a fim de identificar os pontos importantes da fé cristã, para não deixar que o cristianismo vire falácias e teorias mirabolantes. Mas sabemos que infelizmente muitas igrejas não investem em ensino, gerando assim cristãos fracos e movidos por conceitos que de maneira alguma se encontram na Bíblia.

A grande verdade é que estas ferramentas mencionadas nem sempre são conhecidas pelo público cristão, sendo vista mais em igrejas históricas, que em igrejas novas. É por isso que ensinos estranhos e moveres não Bíblicos são visto aos montes nas igrejas. É também por isso que eu sempre digo, enfatizo e repito sempre, leia, se informe e busque ferramentas para entender e estudar a Bíblia. Pois ao contrário do que muitos dizem, sem estudo e intimidade com a palavra, não há o que fazer para se aprender com a Bíblia.

Entender a história da igreja, suas ferramentas e o que a tradição histórica da igreja ensina, é a certeza de uma fé um pouco mais madura, e é este o meu desafio a você, leia pesquise e entenda estas ferramentas todas disponíveis a igreja. Sem esquecer a principal máxima, você não precisa concordar com tudo. Mas ler estes materiais e entender, nunca é demais. Ser criterioso é importante e saber que nem tudo se aplica a nós também é fundamental.

Outra dica fundamental é “estar em uma igreja que incentiva o ensino”, afinal, pastores que não ensinam suas ovelhas, certamente as manipula, então fuja destes mercenários e procure algum bom lugar para frequentar.

A terceira dica tirei de uma reflexão do Ed René Kivitz: “Se você descobriu algo novo na Bíblia, certamente é heresia”. Veja bem, quando falamos de tradição e dos Pais da Igreja, falamos de um grupo de sábios que aprenderam os ensinos de Cristo com apóstolos ou discípulos de apóstolos. Eles tiveram mais intimidade, e tiveram muito mais perto da historia do que nós. Se eles, que estavam mais perto, não descobriram algo novo, nós certamente não descobriremos.

Mateus 22:29 diz: errais por não conhecer as escrituras. E esta é uma grande verdade para nossos dias. Portanto, ler e ser relevante, são atitudes que devem ser cultivadas. Não aceite ser manipulado, não fique calado ante aos moveres que não estão na Bíblia, isso é o que um cristão que conhece a doutrina faz.

Tudo o que se afasta da ortodoxia deve ser rejeitado, e tudo o que é coerente com o que a Bíblia ensina, deve ser guardado e seguido.

BIBLIOGRAFIA

OLSON, Roger, História das controvérsias na teologia cristã: 2000 anos de unidade e diversidade, Editora Vida, São Paulo, 2004

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JORNADA

“Quem consegue se importar com a jornada quando o caminho leva para casa? (James M. Gray) (WIERSBE, 2011, 113)

Não é fácil a caminhada, viver em um mundo caótico, contraditório e pecador, é um desafio, e dependendo do momento no qual estamos vivendo, um desafio dos grandes.

Hoje você pode estar bem, amanhã tendo que lidar um problema de saúde grave. Hoje você pode estar empregado, amanhã passando dificuldades em um período de crise, o que é bem pior. Não é fácil lidar com as agruras da vida, com o contraditório que uma sociedade falível produz, e principalmente com o ser humano e as suas limitações.

A jornada nunca é tranquila, mas pode se tornar mais leve, quando nos lembramos de que no fim, tudo isso será passado, fará parte de um período bem distante que não voltará mais.

Em dias de dor, a saída é sempre olhar para o céu e se lembrar de que no fim tudo compensará. A vida cristã começa aqui, as dificuldades nos moldam e nos fazem crescer. O caos nos ensina, mas também nos machuca e nos derruba. Por isso que a esperança de novos dias deve estar sempre viva em nosso coração. A certeza de que um dia o caos terá fim deve ser nossa bandeira, um ideal no qual podemos nos apegar a fim de nos tranquilizar.

Ainda não estamos em casa, ainda não terminamos a jornada, por isso temos que ter fé e persistência, pois com certeza no fim tudo compensará. Quando temos esperança, tudo fica mais leve, quando olhamos para Cristo e nos lembramos da sua promessa, acabamos por seguir mais esperançosos, gratos por saber que a paz um dia reinará em nossa vida.

BIBLIOGRAFIA

WIERSBE, Warren, W. Jesus presente, Experimente a atualidade e o poder das declarações do Filho de Deus em sua vida, Editora Thomas Nelson Brasil, Rio de Janeiro, 2011

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VÃ FILOSOFIA

“Tenham cuidado para que ninguém os escravize a filosofias vãs e enganosas, que se fundamentam nas tradições humanas e nos princípios elementares deste mundo, e não em Cristo” (Colossenses 2:8)

Há algum tempo assisti um professor de filosofia ensinar que os cristãos não eram a favor da filosofia, que a própria Bíblia era contra e ele justificou a sua afirmação usando este texto bíblico. Segundo ele, Paulo considerava a filosofia algo vão, ruim, uma perda de tempo, diante destas premissas, ele resumiu os autores bíblicos a pessoas ignorantes e fechados a todo o conhecimento. Na época eu não consegui entender como um professor conseguia reunir tanto equívoco em uma aula só.

Vou começar falando de Paulo, um homem que nasceu em Tarso, coisa que já nos diz muito. Já que a cidade era uma das principais da época e um grande centro. Sobre o seu conhecimento, é importante ressaltar que ele não frequentou uma escola comum como todo o judeu, pois como podemos perceber em suas cartas, a influência do pensamento grego era grande, ele conhecia muito bem a cultura e a história, lembrando que quando ele foi pregar no Aerópago em Atenas, ele usou de uma história bem conhecida pelos gregos (Atos 17:15-35), mostrando ter muito conhecimento e cultura. Além de ter citado em suas cartas, três poetas e filósofos gregos, sendo eles: Arato (Atos 17:28), Menandro (1Coríntios 15:33), Epimênides (Tito 1:12). Só por estas provas, já poderíamos desconfiar que Paulo não era avesso ao conhecimento e a filosofia. Contudo, se tal pessoa conhecesse a história da igreja já teria certeza que a filosofia e o conhecimento sempre fizeram parte do repertório de um bom cristão.

Os primeiros apologetas defenderam a fé tendo em sua bagagem a filosofia e o conhecimento. Agostinho foi muito influenciado pelo Platonismo. Tomás de Aquino usou o aristotelismo como base para o seu pensamento, isso só para citar dois, pois existem muito mais. Enfim, a filosofia sempre esteve presente e sempre estará presente no pensamento cristão. Com isso, diante desta explanação bem básica, podemos perceber que a vã filosofia, no qual Colossenses trata, não é bem o que o professor falou.

O ser humano é um ser que questiona, pergunta, reflete e indaga. Isso faz parte de nós, é intrínseco a cada um, Deus nos fez assim. No final, somos um pouco filósofos, sempre em busca de respostas e explicações, pelo menos muitos de nós.

No texto em questão, Paulo condena as vãs filosofia, provavelmente o autor da carta condena neste momento o Gnosticismo, que misturava a filosofia com as artes mágicas, que na época já dava os primeiros passos (CHAMPLIN, 2014, p. 152).  O tema central aqui não é o conhecimento, mas o vão conhecimento. O texto nos avisa e diz para tomarmos cuidado com o conhecimento inútil, que nos separa de Deus. E mesmo que Paulo estivesse falando diretamente “contra” a filosofia, no texto em questão o autor critica a “vã filosofia”, e não a toda filosofia. Só aquela ruim, que nos separa de Deus, ou aquele conceito que não tem base e coerência. O texto não se dirige a toda a filosofia e conhecimento, mas ao discurso sem sentido, vazio. Eu gosto como Eugene H. Peterson traduz este texto:

“Cuidado com os que tentam deslumbrar vocês com belos discursos e linguagem pseudointelectual. Eles querem envolver vocês em discussões intermináveis, que não servem para nada” (PERTERSON, 2012, p. 1683)

Resumindo, cuidado com o pseudointelectual, com a pessoa que acha que sabe, mas que no final não percebe o seu discurso vazio, sem conteúdo algum, sem sentido.  Muitos só sabem falar, discursam bem, tentam explicar tudo, mas no final, é só boa oratória, pois o seu conteúdo é vazio e não chega a lugar algum. Eu sempre falo e vou sempre repetir, tem gente que só sabe falar, mas não diz nada com nada.

Eu estudo filosofia e teologia há muito tempo, aprendi ao longo da minha vida como é importante estudar e conhecer, como cristão, isso me dá uma fé mais sólida e embasada. Como cidadão, proporciona a minha vida uma caminhada mais centrada e consciente, mas eu sei que no final, somos limitados.

Não tem como o homem achar que ele sabe de tudo. Não tem como afirmarmos que um dia a ciência explicará tudo, isso é loucura. A cada avanço científico, temos mais problemas, a cada descoberta, mais o homem descobre que não sabe de nada.

A vã filosofia nos separa de Deus, nos dá a sensação que sem ele podemos tudo, sendo que com isso, caminhamos para a morte. Estude, pesquise e leia, busque o conhecimento, só não deixe ele te separar de Deus.

BIBLIOGRAFIA

Bíblia Sagrada – Nova Tradução na Linguagem de Hoje; Ed. Soc. Bíblica do Brasil, São Paulo, 2005

Bíblia Sagrada – Bíblia de Jerusalém; Paulus, São Paulo, 2013

CARSON. DA. FRANCE , RT, MOTYER, J. A, WENHAM, G. J, Comentário Bíblico Vida Nova, Editora Vida Nova, São Paulo, 2012

CHAMPLIM, RN. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo, Editora Hagnos, São Paulo, 2014

PETERSON, Eugene H, A Mensagem, Bíblia em linguagem contemporânea, Editora Vida, São Paulo, 2012

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GUARDE AS SÃS PALAVRAS

Conserva o modelo das sãs palavras que de mim tens ouvido, na fé e no amor que há em Cristo Jesus  (2 Timóteo 1:13)

Eu gosto dos filmes do Mad Max e do seu teor pós-apocalíptico. O filme é bem filosófico, me faz pensar principalmente no ser humano e seus modelos de governo, no final tudo acaba, impérios ruem, o que era estável se colapsa, nada é eterno. Tudo o que vem do homem um dia rui, esta é uma certeza que a própria história confirma.

O interessante é que no contexto do filme, quem tem gasolina e água, comanda aquela sociedade, tal qual hoje, no final, a sociedade é movida por interesses. Ninguém milita de graça. Eu defendo a natureza quando me convém, e fecho os olhos para as demais catástrofes, quando os meus interesses políticos são prejudicados. Eu defendo as pessoas até o momento em que ganho algo, quando não mais ganho, eu me calo, sigo a vida com os olhos fechados. A sociedade é meio assim, descartável e interesseira, estamos vendo isso ultimamente e creio que continuaremos a ver até os últimos dias.

No mundo de Paulo, assim como no nosso, já que a Bíblia é incrivelmente atemporal, a coisa não é muito diferente, o homem é movido por interesses, sendo que muitos deles são falsos e hipócritas. Sobre a hipocrisia eu normalmente a classifico em duas para melhor entendê-la.

A primeira hipocrisia humana vem da emoção, da falta de reflexão, é uma atitude não intencional, movido por pura falta de reflexão e muito impulso. Em meio ao impulso e ao desejo de ser ou de fazer algo, vendemos uma imagem que não é nossa, representamos algo que não somos e que não conseguimos sustentar. É quando na emoção falamos, respondemos ou vendemos uma imagem construída.

 A segunda hipocrisia é a hipocrisia intencional, de quem quer manipular, ganhar, estar à frente, seja da forma que for, para ganhar a qualquer custo. Este é o hipócrita verdadeiro, que finge ser outro para ganhar algo em troca. A questão é que em ambos os casos, devemos estar preparados.

No texto em questão, Paulo começa falando para guardarmos as sãs palavras (V13). Pois em um mundo de interesses, se não tivermos a bússola bem calibrada, nós nos perdemos. É fácil sermos contaminados, é fácil nos perdermos mesmo que por uma causa justa. As nossas certezas podem nos enganar, e isso eu aprendi da pior forma possível.

Vivi o meu sonho de músico, militei por uma causa no qual eu era engajado, isso me ajudou em muitos aspectos. Foi bom saber como eu podia com meus próprios esforços, fazer algo, montar uma banda, gravar um CD, seguir meus sonhos. A questão é que muitas vezes o que nos ajuda, também pode nos manter ancorados, sem sair do lugar. Em uma altura do projeto, eu estava me sentido aprisionado, longe da vontade de Deus. As vezes as coisas começam de uma maneira justa e sincera, mas no meio do caminho, acabamos tomando outras estradas e nos desviando do propósito principal.

É a sã palavra que nos mantém no eixo, que nos guia e nos protege das ideologias que sem querer nos cega. No contexto de Paulo, ele estava falando do gnosticismo, que dava os seus primeiros passos. Mas em nosso contexto pode ser qualquer coisa que tire o foco de Deus, até, pasmem, a igreja, ou a banda, como foi o meu caso.

Conheço cristãos que passam os seus finais de semana inteiros na igreja, costumam deixar os filhos de lado, não separam um tempo para a família, e vivem sua vida para o templo, como se ir na igreja fosse tudo. Deus deve ser sempre o primordial em nossa vida, e por mais que devemos ir à igreja, estar em comunhão, ler e estudar a palavra é primordial para a nossa vida. Para guardarmos a sã palavra temos que primeiro estudar e entender a palavra, caso contrário não haverá o que guardar.

É importante destacar o termo “sãs palavras”. Pois no contexto onde vivemos, nem todas as palavras são sãs. Vemos tantas distorções, elucubrações e interpretações bizarras, que saber definir o que é coerente do que não é se torna fundamental para a nossa fé.

Em um mundo onde ser influenciado é quase que uma rotina de vida, guardar a sã palavra acaba virando o básico para que não nos desviemos do caminho. E quando eu falo em desviar, não falo somente em deixar de ir a igreja, e sim em seguir o ensinamento errado, pois como eu disse, tem gente que frequenta a igreja, mas não frequenta as páginas da Bíblia, com isso, acabam seguindo ensinos que não estão na palavra e os deixam longe da vontade de Deus.

BIBLIOGRAFIA

Bíblia Sagrada – Nova Tradução na Linguagem de Hoje; Ed. Soc. Bíblica do Brasil, São Paulo, 2005

Bíblia Sagrada – Bíblia de Jerusalém; Paulus, São Paulo, 2013

CHAMPLIM, Rn. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo, Editora Hagnos, SÃO PAULO, 2014

CARSON. DA. FRANCE , RT, MOTYER, J. A, WENHAM, G. J, Comentário Bíblico Vida Nova, Editora Vida Nova, São Paulo, 2012

RICHARDS, Lawrence, Comentário Bíblico do Professor, Um Guia Didático Completo Para Ajudar no Ensino das Escrituras Sagradas do Gênesis ao Apocalipse, Editora Vida Acadêmica, São Paulo, 2013

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O MISTÉRIO DA VIDA

“A mais bela sensação que podemos experimentar é o mistério. É a fonte de toda ciência e arte verdadeiras. Aquele a quem essa sensação é estranha, que já não consegue deter-se perplexo e tomado pelo espanto, é semelhante ao morto: seus olhos estão fechados” Albert Einstein (YANCEY, 2004, p. 15)

Eu tenho em casa uma gatinha que me faz bastante companhia, constantemente, quando estou em casa, fico a observá-la. Acho curioso o fato de serem tão exploradoras, como gastam seu tempo tentando entender onde moram. Gosto dos dias em que ela sobe na janela e fica olhando o movimento, atenta a tudo o que passa, a todos os detalhes.

No mundo às vezes somos um pouco estes gatos, nós vivemos nossos dias tentando conhecer, sem ter ideia da imensidão que é o mundo e o universo. Nós espiamos pela janela, anotamos os dados, criamos teorias científicas, fazemos cálculos e determinamos como possivelmente tudo surgiu, mas não percebemos que o que vemos é apenas a ponta de um iceberg gigantesco.

A vida me impressiona, seja no espaço com seus bilhões de galáxias ou até um átomo e seu intrincado minúsculo mundo. É tudo muito complexo e evidencia que um dia houve uma mente brilhante, um arquiteto criativo que trouxe a existência tudo o que vemos, deixando uma assinatura através do tamanho e da complexa criação.

Eu me espanto com quem diz que a ciência um dia vai explicar tudo, eu admiro o tamanho da fé das pessoas que colocam a ciência como a esperança final.

O mundo é muito vasto para conseguirmos explicar, a vida foi criada por um Deus muito intrínseco, para acharmos que um dia nós, seres humanos pequenos, explicaremos tudo.

No fim somos formigas em um pequeno jardim, não vemos o tamanho da nossa ignorância, achamos que já conhecemos tudo, mas não fazemos ideia do que há além dos muros do nosso quintal.

Eu não consigo parar e olhar para a natureza sem me espantar, a vida é um mistério, e a cada avanço científico ou tecnológico, percebemos isso. Viver é se espantar, sendo quem não se espanta, já morreu, já engessou a mente com o sistema, já não percebe como tudo é maravilhoso e perfeito.

BIBLIOGRAFIA

YANCEY, Philip, Rumores de outro mundo, A realidade sobrenatural da fé, Editora Vida, São Paulo, 2004

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