JORNADA CRISTÃ 8: O HOMEM ETERNO

Eu ainda continuo na missão de falar de toda a minha jornada pelo conhecimento, são muitos autores, sejam teólogos, filósofos ou apologetas, sendo que Chesterton foi um dos primeiros escritores que precisei gastar um bom tempo para entender, e mergulhar em seu universo. São muitos que me falam que leram Chesterton e não conseguiram entender coisa alguma. A verdade é que ler este autor nem sempre é fácil, é uma tarefa trabalhosa, no qual deve ser feito sem pressa e com muito cuidado, pois vale muito a pena.

Nem sempre estamos prontos para ler certos autores, fatores como, conhecimento do assunto, facilidade em ler certos tipos de linguagens e bagagem, conta muito na hora de ler certas obras. E apesar de ter a certeza de que livros como “O homem eterno”, devem ser lidos, eu sei que muitas vezes é preciso esperar passar algum tempo até que você esteja pronto o suficiente para ler.

Nesta minha jornada cristã, eu sou grato a Deus que pude ir galgando os degraus pouco a pouco. Tive professores que me ajudaram a ter contato primeiramente com os autores fundamentais antes de mergulhar em livros mais densos. Sendo que Chesterton eu encontrei assim por conta própria, meio sem querer.

Sobre Chesterton, eu diria para você começar lendo o livro: “O que há de errado com o mundo”, pois eu acredito que de todos os livros do autor, este, sem sombra de dúvidas, é o mais fácil de ler (ou menos difícil), mas, como eu disse e repito, tudo vai depender do quanto você está habituado a ler este estilo de literatura, caso contrário, comece pelos autores mais básicos.

Um dos propósitos do livro “O homem eterno” é fazer uma crítica ao modo como os pensadores da escola evolucionista tratam da história da humanidade. Sendo que já nos primeiros capítulos, o autor deixa claro o quão inconsistente é a teoria da evolução, que afirma que o homem evoluiu do macaco, que os homens da caverna batiam nas mulheres com porretes e viviam em uma sociedade totalmente troglodita, machista e bruta.

Chesterton aponta para o fato que temos poucas provas para esta teoria, sendo que a maioria destas afirmações evolucionistas tiram conclusões bem infundadas. É interessante quando o autor fala das pinturas nas cavernas, como um símbolo de que provavelmente o homem pré-histórico também fazia coisas inocentes e meigas, destoando da teoria que afirma que eles eram trogloditas sem qualquer atitude positiva, mas mesmo assim, o autor continua defendendo que é impossível conhecermos a história do homem pré-histórico. Sendo que ele aponta para o significado da palavra, para mostrar a contradição de muitos destes pensadores, já que pré-histórico se dá em um período antes da invenção da escrita, sendo assim, um período totalmente desconhecido, abrindo um pressuposto para qualquer teoria, virando assim simples especulações. Penso que uma frase das primeiras páginas, já resume bem a ideia deste primeiro capítulo:

“Em outras palavras, o homem das cavernas tal qual ele nos é comumente apresentado é apenas um mito, ou melhor, mera confusão, pois um mito tem no mínimo um esquema imaginativo de verdade” (CHESTERTON, 2010, pg. 31)

Atenção, é muito importante você assimilar o conteúdo do primeiro e do segundo capítulo, pois as ideias subsequentes são amarradas nestes fatos. Quando você entender bem a questão de mitos e ideias sem fundamento empírico da evolução, segundo o autor, os capítulos subsequentes farão muita lógica, pois serão uma espécie de progressão de pensamento.

O livro continua, e fala de civilizações e como estas já existiam, seja em forma de grupo organizado, ou até como grandes cidades. Ele deixa claro que desde o começo existiram povos primitivos e grupos ordenados, assim como hoje também existe. No fim, o homem segue um movimento parecido e apesar de ter evoluído no sentido tecnológico, no mais, seus movimentos são semelhantes e cíclicos.

Enfim, no livro, que é dividido em duas partes, o autor se concentra em discorrer sobre a história da humanidade, recontada a partir do homem, desconstruindo toda a teoria da evolução e depois a história de Cristo, mostrando como ele não foi um homem comum. Um livro bem extenso, mas que vale a pena ser lido, sem pressa alguma, prestando o máximo de atenção em todos os detalhes.

O autor é mais que brilhante, sendo uma das minhas maiores influências, principalmente porque foi com ele que eu consegui sair da caixinha, e olhar para as coisas de uma forma bem mais ampla.

BIBLIOGRAFIA

CHESTERTON, G. K, O homem eterno, Editora Mundo Cristão, São Paulo, 2010.

3 visualizações

A IMPORTÂNCIA DA PRIORIDADE

Eu gosto muito de ler e estudar, não sou professor a toa, faço o que eu gosto e tenho prazer em me debruçar nos livros. Sendo que uma coisa que comumente ouço, por conta da minha rotina de estudos e leituras é: “Eu queria ter o tempo que você tem para ler”.

O que estes não entendem é que tempo é algo raro, ninguém tem, normalmente estamos ocupados por conta de inúmeros compromissos, trabalhos e prioridades. A grande questão é que quando gostamos de algo, fabricamos o tempo. A arte de se dedicar a algo, está infinitamente ligado ao quanto priorizamos aquela atividade. Nilton Bonder, no livro “Alma & política” resume o assunto pontuando que:

“O tempo não é algo que se encontra, mas que se faz” (BONDER, 2018, p. 88).

A vida em nossos dias é muito corrida, por isso que priorizar é o caminho para quem deseja desenvolver algo.

Comece contabilizando o tempo que você passa nas redes sociais e televisão, que você vai ver como você tem muito tempo. Gastamos muito do nosso tempo à toa e deixamos de lado o que é realmente essencial.

Depois estipule um horário para ler e estudar, e cumpra o cronograma sem falhar. Prepare um local silencioso, adequado para o seu tipo de atividade e corte qualquer tipo de distração. Sejam as redes sociais, ou qualquer outra coisa que tire a sua atenção.

Por fim, aprenda a adiar a recompensa. O ser humano funciona basicamente através de um sistema de recompensas, por conta disso que é muito mais fácil ele chegar em casa e se dedicar a coisas que possuem um prazer imediato, por ser fácil e com uma recompensa quase que instantânea, do que seguir executando atividades que proporcionarão uma recompensa algum tempo depois.

O problema é que nos estudos, a recompensa nem sempre vem no momento. É preciso muito empenho para ler e estudar um livro, para depois ficarmos felizes e nos sentirmos recompensados com o conteúdo aprendido ou com um artigo pronto. Ou mesmo acontece ao fazermos uma graduação, que apenas depois de alguns anos, conseguiremos o tão sonhado diploma e colheremos alguns frutos da nossa dedicação.

Quando se trata de atividades importantes, desde fazer exercícios, estudar ou se dedicar a ocupações que demandam tempo e disciplina, é preciso aprender a postergar a recompensa, para assim alcançar o que é importante, mas que demanda mais tempo e esforço.

Não é preciso abandonar as redes sociais, muito menos a TV ou as séries, e sim, separar um tempo para estas importantes atividades e dar a devida prioridade para aquelas tarefas.

Muitas vezes aquela atividade que deixamos de fazer não é por não termos tempo, e sim, por não darmos a devida atenção. Nem sempre priorizamos o essencial, às vezes funcionamos no automático, sem percebermos quanta coisa importante estamos deixando para depois.

Fabricar tempo é basicamente dar prioridade para o que é relevante, tendo o comedimento e a organização como ponto de partida, este é um dos segredos da disciplina.

BIBLIOGRAFIA

BONDER, Nilton, Alma & política: Um regime para seu partidarismo, Editora Rocco, Rio de janeiro, 2018.

10 visualizações

SETEMBRO AMARELO: A GUERRA SILENCIOSA

Há alguns anos atrás, um amigo pulou do sétimo andar de um prédio comercial. Ele sofria de depressão e acabou perdendo a batalha para a doença. É inevitável me lembrar deste caso neste importante mês de luta contra o suicídio, pois eu o conheci já em um período difícil de sua vida, sendo que ele se aproximou de nós justamente por se sentir sozinho nesta batalha.

O sentimento é algo muito pessoal, não dá para traduzir o que alguém está sentido. Muito menos mensurar ou compreender uma dor, decepção ou mesmo a depressão que alguém está enfrentando.

É justamente por conta disso, que não é raro encontrarmos aqueles que julgam as pessoas que passam por estas situações, atribuindo sua situação a frescura, falta do que fazer e por aí vai. Duplicando ainda mais o problema genuíno de alguém

A depressão não é bonita, mas talvez seja um dos problemas mais complexos, justamente por ser difícil de compreender. Ninguém sente o que o próximo sente e se falamos que imaginamos, nunca é por completo, por ser uma situação única, impossível de se mensurar, a dor do outro é sempre inacessível.

Passei a entender um pouco a depressão, quando passei por alguns episódios. Senti o peso de me sentir sozinho em um momento onde a solidão era tudo o que eu mais queria me livrar. Porém, ao invés de me abrir ou de procurar amigos para me apoiar e desabafar, a solidão me pareceu o melhor confidente, já que o problema no qual eu passei, há muitos anos atrás, não era tão compreendido, pelo menos não naquela época.

Eu agradeço a Deus por iniciativas como o Setembro Amarelo, afinal, o melhor remédio contra a depressão e o suicídio é a informação. Alguns diminuem a iniciativa afirmando que não adianta falar sobre o assunto só uma vez por ano. A questão é que adianta sim. Ter um mês especialmente separado para falar sobre a causa é ótimo, refletirá em conscientização que vai durar o ano todo. E quem não apoia e continua acreditando que depressão é frescura, infelizmente não vai mudar. Ou só mudará quando alguém de sua família passar por algo parecido. Zack Eswine em seu livro “A depressão de Spurgeon”, complementa:

“De acordo com Charles, ditados desgastados e soluções rápidas não funcionam. A maior parte dos sofredores não pode simplesmente “ser dispensada somente com uma palavra ou uma dose de remédio, mas requer um tempo prolongado em que compartilharão suas lamúrias e no qual receberão conforto” (ESWINE, 2015, p.84).

É preciso tentar compreender, aprender que nem tudo o que imaginamos é o correto. Precisamos aprender a nos informar e largar a opinião do senso comum. Pois uma coisa que muitos não entendem é que a depressão pode ser causada por disfunções hormonais, traumas, conflitos conjugais, ansiedade e por inúmeros outros fatores. Nem sempre o depressivo quer estar naquela situação, as vezes a causa foge ao seu controle.

Eu aprendi a lidar com a minha melancolia e uso estes momentos para produzir, escrever e criar. Mas nem sempre alguém consegue encontrar a saída. As vezes o suicídio é a única saída que alguém vê para a sua dor. Se você não se colocar como apoio, e mostrar que há outra saída, certamente, tal pessoa não enxergará outra opção.

Por isso que antes de julgar, entenda que uma opinião, para ser relevante, precisa de informações fidedignas. Se informe antes de olhar para um depressivo e emitir alguma crítica.

A depressão é uma guerra silenciosa que nem todos entendem, é estar sozinho, vendo o mundo cinza. É por conta disso que é fundamental entender que podemos ser o apoio, a outra opção que um depressivo não consegue ver ou mesmo uma carga, que aumentará ainda mais o seu problema. Faça a sua escolha.

BIBLIOGRAFIA

ESWINE, Zack, A depressão de Spurgeon: esperança realista em meio à angústia, Editora Fiel, São José dos Campos, 2016.

11 visualizações

O CAMINHO DO MEIO

Tento ficar neutro nesta discussão política, não que eu não tenha opinião, é claro que tenho, e sim, porque no fim, temo a motivação deste palavreado todo.

Transitar pelo caminho do meio é primeiramente ter certeza que podemos estar equivocados. E quando eu vejo tais discussões, percebo que a grande maioria parece não abrir espaço para esta possibilidade. Por isso, diante de tal fato, me resta o silêncio. Não posso me prestar a discutir, quando o interlocutor não pensa que existe, mesmo que a mínima possibilidade, de estar errado. Quem tem a plena certeza em estar certo, não dialoga, não conversa e mesmo sem querer, impõe.

Percorrer o caminho equilibrado é também entender que as respostas não são simples. Soluções são em alguns casos complexas e dependem de inúmeras variantes. O ditado popular que diz “que a generalização é burra”, significa que quem generaliza não leva em consideração as inúmeras variantes e simplifica, achando que todas as questões são semelhantes.

O caminho do meio não é o caminho do isentão, como alguns falam, e sim, a estrada de quem sabe que pode estar equivocado, de quem não exclui a possibilidade de estar vendo uma miragem, uma impressão falsa de uma situação.

Temo a certeza de muitos, foi a certeza, durante a inquisição, que condenou muitos inocentes. Foi a certeza que provocou guerras e divisões. Mas calma lá, eu tenho os meus pecados, pois estou certo de que posso estar errado.

Em uma aula, há um tempo atrás, um aluno afirmava que cristãos protestantes não dialogavam, todos eles, segundo este aluno, gostavam de impor seus pontos de vista. Eu concordei com o aluno em partes, falei sim que, muitos protestantes tinham esta mania, mas não acreditava que todos eram assim. Ele discordou de forma veemente, afirmando que eu, um protestante que estava tentando dialogar, estava errado. No fim, o aluno não percebeu que estava agindo igual ao seu alvo de crítica, e seguiu produzindo contradições.

Eu sou um cara desconfiado, desconfio das boas ações postadas na internet, desconfio de quem milita por causas, sejam elas quais forem, e principalmente, de quem crê que está certo o tempo todo, ou de quem não se abre para a possibilidade de estar errado.

Prefiro dialogar com quem não tem certeza e que não se cansa de buscar as melhores perguntas, do que com pessoas que têm opinião formada, e excluem a possibilidade de estar errados, prefiro aqueles que pensam e fazem, ao invés de gastar tempo com quem acha que sabe de alguma coisa.

O caminho do meio é antes de tudo a opção por dialogar, é não impor, é fazer perguntas e duvidar, com um pouco de respeito é claro, mas sem abrir mão da ironia, a vida é muito complexa para sermos austeros.

Gosto de quem ri, principalmente daqueles que riem de si, seus problemas e suas falhas. Sou amigo de quem não dá desculpa, de quem assume a culpa, mesmo sem ter certeza quem é o culpado.

A mente nos prega peças, ela por pura preguiça, sempre opta pelo mais fácil, pelo óbvio, pelo que é simples, e faz parecer tudo complexo, tudo para agradar o nosso ego e fazer-nos crer sermos divinos, seres acima da média.

Já tive muitas certezas quando era novo, até mergulhar nos estudos e perceber que o saber nos mostra apenas o tamanho da nossa ignorância. Não é que não conhecemos a verdade, e sim que, muitos creem saber de tudo, só porque sabem aquele pouco.

A sabedoria é entender quem somos, e o quanto precisamos aprender. Quem sabe disso aprendeu e descobriu o saber.

8 visualizações

AOS QUE CHORAM

Não é raro vermos episódios de falta de amor através dos cristãos. Seus posicionamentos em nome das mais diversas causas, faz com que tenham atitudes contraditórias. Nem todos conseguem olhar uma situação por todos os ângulos, por isso, é normal observarmos algumas de suas discrepâncias, como por exemplo, no protesto em frente ao hospital, onde uma criança de 10 anos, que engravidou por ter sido estuprada por anos, iria abortar, amparada pela justiça.

Alguns casos não são simples. Apesar de ser contra o aborto, eu sei bem que certos acontecimentos são complicados, impossíveis de se resolver com meia dúzia de palavras. Por possuírem inúmeras variantes. Seja a saúde da criança que engravidou. Seu emocional, por passar por tal barbárie, entre tantos fatores, eu sei bem que alguns problemas não são simples, e a grande verdade é que, o problema dos outros é sempre mais fácil de resolver.

A falta de amor é comum, principalmente no meio cristão, pois muitos seguem seus conceitos, crendo estarem certos. Nada muito diferente do que acontecia no tempo de Jesus. Quando os fariseus, que acreditavam estarem certos, e serem santos, irrepreensíveis e escolhidos, seguiam alheios as necessidades do povo.

Seguimos a Jesus, um Deus que chorou (João 11:35) e se compadeceu da viúva que havia perdido o seu filho (Lucas 7:13). Imitamos a Cristo, um Deus que teve misericórdia até daqueles que o pregaram em uma cruz (Lucas 213:24), entre tantos episódios que mostram o tamanho do amor de Jesus. John Stott complementa:

Jesus chorou pelos pecados de outros, pela devastação decorrente do juízo que haveria de vir e por uma cidade apinhada de pessoas que não iriam recebê-lo. Quantas vezes choramos pelo mal no mundo e pelo juízo iminente contra aqueles que recusam a graça de Deus? (STOTT, 2018, p. 19, 20). 

Eu sei que não somos Deuses e que Cristo era Deus. Contudo, eu também sei que somos convidados a imitá-lo. Com isso, não posso fugir da responsabilidade de pregar e muito menos de sentir, por aqueles que recusam a graça.

É fácil desejar que alguém vá para o inferno, ou ficar feliz ao imaginar alguém que não aceitou o evangelho, queimando eternamente no lago de fogo. Principalmente quando a pregação não é feita com amor e misericórdia. O normal de quem não tem Deus é justamente desejar o mal. O desafio é olhar para a cruz, e se sentir responsável por aqueles se seguem um caminho oposto. Amar é a marca da verdadeira conversão, não se esqueça disso (1 João 4:7-21).

Eu sinto muito por esta criança ter passado pelo episódio que passou. Ser estuprada, esconder o acontecimento dos pais, por medo, não é uma situação simples. E depois ter que enfrentar opiniões que não ajudam. Como a do padre que disse que “a menina estava gostando do estupro, se não gostasse, ela teria denunciado”. Novamente, alguns assuntos são complicados, não temos informações, não sabemos quem é a criança e o quanto de medo ela tinha do estuprador.

Precisamos aprender a chorar, e olhar para os outros com amor, empatia e clamar a Deus por misericórdia. Não podemos simplificar problemas, que por si só, já são gigantes.

A você que fica feliz com aqueles que recusam a mensagem de Jesus, lembrando que eles vão para o inferno, eu só digo uma coisa. Cristo bateu de frente com a religião legalista de sua época, mas chorou por aqueles que a religião ignorou.

Se você não chora por todo o mal no mundo, ou pelo menos se sente infeliz, por um acontecimento como o desta menina de 10 anos. Eu o convido a rever seus conceitos. Pois o meu Deus chorou e teve misericórdia até daqueles que o crucificaram. Se você não tem misericórdia, arrisca estar seguindo o deus errado.

BIBLIOGRAFIA

STOTT, John, Lendo o Sermão do Monte com John Stott, Editora Ultimato, Minas Gerais, 2018.

18 visualizações

MEMÓRIAS DE UM ESCRITOR

A minha história como escritor é marcada por alguns obstáculos, o interessante foi que eu consegui vencer estes empecilhos com a ajuda de um filme, em uma época onde não tínhamos as facilidades da internet como temos hoje.

Há muito tempo atrás eu tive o sonho de começar a escrever, na época, eu já gostava muito de ler, e com isso, queria produzir os meus próprios textos e histórias. A questão era que eu estava muito tempo sem estudar, e sentia uma grande dificuldade em formular textos no qual eu me sentia realmente satisfeito. Aos poucos fui desanimando, e comecei a crer que não era capaz, mas não desisti, eu sempre fui persistente (ou teimoso, não sei ao certo).

Escrever é um hábito e também uma técnica, é possível estudar, conhecer métodos e ferramentas para que assim você consiga escrever cada vez mais e melhor. Basta não se entregar, pesquisar e persistir. O meu erro na época, foi não entender que nada nasce pronto. A própria concepção da vida nos mostra isso. Nascemos, seguimos amadurecendo, aprendendo e adquirindo prática, sendo que o aprendizado é constante, vamos aprender até o fim de nossa vida.

Foi no filme “Encontrando Forrester” que eu tive as minhas primeiras dicas de escrita, o filme me motivou a usar aquelas técnicas e a perceber que não era apenas coisa de filme, as dicas realmente funcionavam.

O filme conta a história de um escritor famoso, que depois de um episódio trágico em sua vida, acabou sumindo e vivendo de forma reclusa. Sendo encontrado, muito tempo depois, por um menino pobre no qual ele acaba ajudando. O escritor dá muitas dicas e foram estas dicas as minhas primeiras lições.

Faz muito tempo que eu não assisto mais o filme, ele é de vinte anos atrás, mas a principal dica, que me ajudou muito, eu lembro até hoje, e ela se resume em: “apenas escreva”. Não se preocupe com a concordância verbal, com palavras repetidas e nem com a pontuação, se concentre em tirar a ideia da cabeça e colocá-la no papel.

Quando eu comecei, na minha inexperiência de principiante, eu queria deixar o texto pronto, queria algo perfeito, logo nas primeira palavras, mas este não é o melhor caminho para se produzir um texto, no primeiro momento você precisa apenas escrever, e depois guardar o material para trabalhar mais tarde.

É interessante ler o que você escreveu alguns dias depois, você lê com outros olhos, e consegue perceber os equívocos e o que você precisa mudar no texto. E é nesta hora que você vai lapidar, trabalhar as palavras e ajustar o texto. Assim, sem pressa, pensando no conteúdo e em como você pode melhorar o material, guardando o texto novamente depois das mudanças.

Costumo repetir está operação até ficar satisfeito com o conteúdo, é claro que um texto sempre pode ser ajustado, ainda mais se você é um pouco exigente, mas é importante perceber quando o material está pronto para ser usado. Não adianta ficar trabalhando no texto o resto da sua vida e não usar nunca o material.

Hoje eu tenho anos de prática e escrevo muito, mas ainda sigo estes passos. Começo colocando a ideia no papel, e depois de um tempo vou trabalhando o material. É claro que hoje os meus textos ficam prontos mais rápido, devido a prática diária da escrita, mas quando eu comecei, precisei ter muita persistência. Lembre-se que quanto mais você escreve ou pratica algo, mais você vai adquirindo habilidade e a facilidade em executar aquele trabalho.

A leitura também é importante, é fundamental termos conteúdo, vocabulário e conhecimento, para que os nossos textos tenham mais coesão e consistência, além é claro, de conhecer outras formas de escrita. Só é possível aprender a escrever escrevendo, é praticando que chegamos lá, sempre com muita paciência e perseverança.

Eu nunca imaginei que um filme poderia ajudar um adolescente que sonhava em produzir conteúdo, hoje, mesmo depois de muito estudo e aperfeiçoamento, eu lembro deste filme com muito carinho, pois foi um marco em minha vida, foi o divisor de águas em minha carreira como escritor.

8 visualizações

JORNADA CRISTÃ 7: EM DEFESA DA FÉ

Resolvi mergulhar na apologética (defesa da fé), em um momento onde o círculo de amigos no qual eu comecei a frequentar, exigiu isso. Não era só o problema do sofrimento que me causava dúvidas, alguns dos questionamentos destes amigos, me obrigou a fundamentar um pouco mais a minha vida, conhecendo melhor o que eu acreditava.

Será que a Bíblia não era forjada? Será que a fé não era fruto de pessoas manipuláveis? Será que Jesus havia realmente existido? Enfim, conforme eu amadurecia na fé, as perguntas das pessoas que estavam em minha volta, também amadureciam. Eu precisava de respostas, com isso, foi inevitável eu terminar lendo o livro “Apologética contemporânea” de William Lane Craig, um autor que dispensa apresentações.

William Lane Craig é doutor em filosofia e em teologia, um autor profícuo que escreve principalmente sobre apologética e cosmovisão cristã. O livro “Filosofia e cosmovisão crista” escrito em parceria com J. P. Moreland é um material realmente monumental, seus livros são ideais para serem lidos com calma, pensando, refletindo e entendendo sem pressa alguma.

Apologética contemporânea não é um livro fácil, ele é bem denso, daqueles que você se perde completamente, caso não leia prestando atenção em todos os detalhes. Por isso, aceite o desafio e leia sem pressa.

No livro o autor se concentra em falar temas realmente importantes sobre a fé cristã, tal como: Como eu sei que o cristianismo é verdadeiro, sendo este o capítulo que abre o livro. O livro também fala sobre Deus, sobre os milagres, a ressurreição de Cristo e muitos outros assuntos. Sendo que o interessante da obra, é que na introdução, o autor se concentra em falar da apologética, e pontuar o porquê ela é importante. Destaco um excerto do texto que resume bem qual é o papel da apologética para todos os cristãos, segundo o próprio autor:


“A apologética é, portanto, vital na fomentação de um ambiente cultural em que o evangelho pode ser ouvido como uma opção viável para as pessoas pensantes. Na maioria dos casos, não serão argumentos ou evidências que levarão as pessoas à fé em Cristo – essa é a meia-verdade vista pelos detratores da apologética –, não obstante, será a apologética que, ao tornar o evangelho uma opção crível para as pessoas, lhes dará, por assim dizer, o aval intelectual para crer (CRAIG, 2013, p. 19).

O ponto central da apologética nunca foi a discussão gratuita sobre a fé, e sim, entender primeiramente questões importantes sobre a fé, entender de forma racional alguns pontos que soam contraditórios, mostrando que algumas teorias divulgadas com o objetivo de invalidar a fé, são fracas.

Nós somos seres racionais, Deus nos fez assim, e termos fé, não nos impede de raciocinar, estudar, e entender algumas questões mais a fundo. Sendo que a apologética faz justamente isso.

Por primeiro, oferece provas e ferramentas a nós, nos ensina a pensar e encontrar as contradições de ensinos que são vendidos como verdades absolutas. Por segundo, mostra as pessoas que a nossa fé tem fundamento, que no evangelho existem intelectuais que servem o reino pensando e estudando.

Este autor me incentivou, com seus livros, a estudar ainda mais, me mostrou como é fundamental ter um repertório, ter conhecimento e base para exercer o meu papel como cristão.

Seus livros não são fáceis de ler, mas são ótimos desafios para crescer e aprender ainda mais. Vale a pena tirar um tempo para mergulhar em uma literatura um pouco mais densa, você só vai ganhar com isso.

BIBLIOGRAFIA

CRAIG, Willian, Lane, Apologética contemporânea: A veracidade da fé cristã, Editora Vida Nova, São Paulo, 2013

16 visualizações

O AVANÇO DO RETROCESSO

A tecnologia surgiu com um ótimo discurso, a sua fala era que um dia, teríamos muito mais tempo, por conta das facilidades tecnológicas, e viveríamos muito mais, por conta da longevidade que a ciência nos proporcionaria. Este sempre foi o mote do avanço científico. O grande impasse é que nunca estivemos tão doentes, com doenças psíquicas das mais diversas, fruto do nosso frenético modo de vida. Tão desinformados, afinal, o excesso de informação nos obriga termos critérios e ferramentas para verificar a veracidade das notícias, coisa que nem todos (se não a maioria) possuem. E tão sem tempo, pois com as facilidades, decidimos ocupar o tempo com mais trabalho, ou mergulhando em um mundo de fantasia e alienação, que são as redes sociais.

Byung-Chul Han, no livro “Sociedade do cansaço”, começa a sua obra pontuando que:

“Cada época possui suas enfermidades fundamentais” (HAN, 2020, P. 7).

Sendo que foi graças aos avanços, costumes e formas de encararmos certas situações, é que mudamos. Estes avanços nos trazem benefícios, mas também nos proporciona alguns ônus, situações precisamos aprender a lidar, para não nos consumirmos.

Hoje temos tudo na palma da mão, literalmente, embora tudo em excesso.  Muita notícia, muito trabalho e um monte de escolhas que fazemos que só nos trazem enfado e cansaço.

Poucos sabem hoje parar, desacelerar para refletir, poucos aprenderam a se desligar, a observar o céu ou a natureza, muito menos a prática contemplativa, que por alguns é vista como coisa do passado, de pessoas ultrapassadas. A questão é que estas eram as rotinas das grandes mentes e dos grandes filósofos, práticas que temos esquecido. O mesmo autor, acrescenta afirmando que:

“Por falta de repouso, nossa civilização caminha para uma nova barbárie. Em nenhuma outra época os ativos, isto é, os inquietos, valeram tanto” (HAN, 2020, P. 37).

Durante a quarentena que a pandemia obrigou o Brasil a fazer, eu me impressionei com o desespero de muitos amigos que não aguentavam mais ficar em casa, por não ter o que fazer. Ocupar a cabeça é uma das nossas ideologias, fazer ou estar em constante estímulo, o modo de viver de muitos.

A solitude, a reflexão, ou a própria prática de ficarmos um pouco em silêncio, desligados de tudo, são práticas inconcebíveis por muitos. Coisa de pessoas loucas que não têm o que fazer. O próprio hábito de verificar o celular e as redes sociais a todo o instante, já tem gerado, cada vez mais mentes inquietas, que não param um segundo sequer.

O avanço do retrocesso tem sido grande, a cada nova tecnologia, novas doenças surgem, por conta de pessoas que não se desligam, não conseguem observar seus próprios passos, nem prestar atenção no caminho, por estarem dirigindo e falando no celular ao mesmo tempo.

O mundo não para, mas a pandemia nos faz parar, e nos dá a chance de observarmos as nossas rotinas, para mudarmos para um estilo de vida um pouco mais saudável.

A questão é que para que isso aconteça, as pessoas precisam prestar menos atenção no mundo virtual, e olhar mais para o mundo real, um hábito que é difícil de acontecer, pois se desconectar está fora de moda.

BIBLIOGRAFIA

HAN, Byung-Chul, Sociedade do cansaço, Editora Vozes, Petrópolis, 2020

11 visualizações

CONDENANDO O DIFERENTE

“Um dos aspectos da barbárie europeia foi chamar de bárbaro o outro o diferente, em vez de celebrar essa diferença e de ver nela uma ocasião de enriquecimento do conhecimento e da relação entre humanos” (MORIN, 2005, p. 51).

No contexto cristão no qual eu cresci, era comum vermos o diferente ser demonizado. O pior era que em muitos casos, se o pastor fosse um pouco mais sábio e procurasse ouvir e entender o mínimo que fosse, a sua dúvida já seria sanada, e ele veria o seu erro de julgamento, coisa que raramente acontecia.

Nesta época eu vi a música ser condenada, pelo menos alguns estilos musicais, enquanto outros, que curiosamente estava dentro do gosto pessoal do pastor, seguia sento santo, e com o aval do líder. Isso sem contar com as críticas quanto as roupas, estilos de cabelos e tantas outras coisas que o pastor não gostava, ou não entendia, e acabava condenando.

Na Europa, durante a inquisição, o diferente, as coisas que o “santo clero” não entendia, eram condenadas, o preço era a própria vida. Tais atitudes não só revelavam a barbárie, mas também a falta de inteligência e reflexão das pessoas que acabavam condenando qualquer coisa que não entendiam, revelando que o nosso mundo nunca muda.

As vezes o diferente é apenas diferente, é algo que não entendemos. Não dá para condenar práticas e culturas no qual não temos qualquer tipo de informação.

A missão de sermos cristãos relevantes, envolve não sermos precipitado e seguirmos sendo inteligentes o bastante para dialogar, pesquisar e procurar entender antes de falar.

O precipitado não reflete, ele fala sem saber e segue já condenando, ser dar espaço para a conversa ou a pesquisa, ou pior, segue tendo como base informações equivocadas e sem sentido, bem distante da verdade.

No livro que eu tirei a citação, foi triste constatar como algumas pessoas sofreram por serem diferentes. Alguns dos povos narrados pelo autor, como os judeus, por exemplo, eram vistos com conceitos totalmente errados, pontos de vista construídos através de escritores, personagens caricatos ou notícias equivocadas. Sendo que eles, e muitos outros, sofreram muito por conta disso. O curioso é que o diferente é sempre o outro, nunca é a pessoa que olha.

É preciso ver além do nosso ponto, é preciso olhar, por traz do que achamos, encontrando as verdadeiras explicações, deixando nossas opções ou pontos de vista de lado.

Não podemos condenar o diferente, precisamos separar o que é errado, do que não é compreendido, as vezes determinadas coisas são só desconhecidas, apenas isso…

BIBLIOGRAFIA

MORIN, Edgar, Cultura e barbárie europeias, Bertrand Brasil, Rio de Janeiro, 2005.

10 visualizações

A VOLTA DE CRISTO

“O retorno é totalmente imprevisível. Haverá guerras e rumores de guerras e todo o tipo de catástrofes, como sempre houve” (LEWIS, 2018, p. 129)

Alguns cristãos insistem em tentar prever o dia no qual Cristo vai voltar. Com isso é normal ver eles pegarem fatos e distorcerem, tentando assim encaixar em suas previsões. O problema é que isso não dá para fazer, sem antes cometer inúmeros equívocos. Durante catástrofes ou pandemias é normal ver alguém tentar prever a volta, ou pelo menos seguir semeando o caos e a confusão, como se com isso fosse fazer a diferença como cristãos.

O mundo é um caos e a história nos mostra que ele sempre foi assim. Não tem como olhar para os fatos e prever a volta, pois os fatos evidenciam justamente que não dá para prever.

Se olharmos para a história com cuidado sempre houveram pandemias, pestes, guerras e catástrofes naturais. O mundo nunca foi de paz, onde tem ser humano, sempre vai haver caos, a diferença apenas é que hoje sabemos dos fatos em tempo real.

Concordo com Lewis quando ele afirma, de acordo com a citação, que no fim o retorno é imprevisível. Pois são tantos sinais, que os sinais acabam apontando para o nada. Não tem como saber, não tem como prever ou adivinhar a data e o horário da volta de Cristo.

A igreja tem proclamado esta volta há anos, não é de hoje que ela prega o retorno, porém, sem sinal algum de volta. Creio que a ênfase do cristão não deveria ser a volta, e sim, a vida, como vivemos como cristãos aqui na terra.

Precisamos estar sim preparados para a volta, contudo, mais do que isso, precisamos viver como se Cristo fosse voltar daqui a pouco, pois no fim, podemos morrer, com isso, se não estivermos preparados, pereceremos de igual modo.

Pregue a vida, dissemine a palavra, seja luz e sal no mundo, é assim que vamos ser diferença. Pouco importa pregar a volta, se não pregamos o Cristo, ou o mínimo a mensagem que ele nos deixou.

Creio que faz pouco efeito quando pregamos o retorno de Cristo, mas não ensinamos a palavra, não pontuamos com a Bíblia, o que é ser cristão.

Penso que no final, este tipo de pregação apenas revela como as pessoas preferem propagar histórias, por não conhecer a Bíblia, ao invés de propagar a mensagem da cruz, que requer conhecimento e intimidade com a palavra.

A volta é imprevisível, não tem como sabermos, sendo que amanhã podemos morrer, como o ciclo natural da vida nos mostra, com isso, o melhor caminho é estar preparado, que nos mais, é só aguardarmos a vontade soberana de Deus.

BIBLIOGRAFIA

LEWIS, C. S, A última noite do mundo, Editora Thomas Nelson Brasil, Rio de Janeiro, 2018.

13 visualizações