A FORÇA DA DISCIPLINA

Descobri o poder da disciplina ainda criança, quando eu quis aprender a tocar bateria, mas ninguém quis me ensinar. Quem perderia tempo com uma criança? Ninguém quis perder, entretanto preferi ao invés de lamentar, persistir. Na vida ou você luta ou se entrega, vai do ponto de vista e do preço que cada um prefere pagar.

Na minha inocência de inexperiente, comecei a ver os bateristas tocarem e a imitar o movimento, e com muito empenho aprendi, assim, sem auxílio algum.  É claro que depois vem muita gente ensinar, querendo ganhar os louros por ser professor de um jovem baterista, como eu nunca liguei, me aproveitei da boa vontade, mesmo que pouca, pois na maioria das vezes precisei correr atrás.

A música me ensinou a ter disciplina, a praticar sem desistir. Ninguém segura um amante, e como eu era um apaixonado pela música, consegui aprender, mesmo que pouco motivado.

Tudo vai de você achar o que mais gosta e sem demora traçar um plano, toda a disciplina começa com dedicação e muito tempo de empenho. Ou você aprende a se dedicar e a praticar muito ou você desiste ante o menor obstáculo, o hábito surge assim, com persistência e força. Aristóteles define o hábito usando uma citação do poeta e filósofo Eveno:

“O hábito, meu amigo, é tão somente uma longa prática. Que por fim faz-se natureza” (2001, p. 155)

Persista, jogue de lado o prazer de mergulhar na preguiça e inutilidade e mergulhe na prática, que aos poucos aquilo passa a fazer parte de você. A preguiça, o descaso, a falta de vontade é inerente ao ser humano, nós já temos de forma natural, não precisamos cultivar. Agora o estudo, a leitura, a prática isso temos que cultivar, ir contra nossos impulsos para que fique introjetado em nossa vida e é a única forma de sair do lugar.

Precisei também aprender a lidar com críticas, pois ninguém quis me ensinar a tocar, mas todos quiseram colocar algum defeito na forma que eu estava tocando. Foi importante ser inteligente e reter da crítica o que era bom, afinal, como eu disse, na maioria das vezes eu estive aprendendo sozinho, não tive ajuda, por isso, precisei das críticas, até das falas maldosas e invejosas, para assim tirar alguma lição. Ou você usa a cabeça ou segue batendo em tudo quanto é canto. Quando não temos um professor, precisamos usar os críticos, e eu usava, perguntava e tentava ouvir, nem sempre conseguia, pois alguns eram pedantes demais, mas quando conseguia eu aprendia.

Por fim, o mais óbvio que eu fazia era separar um tempo. Se você não aprende a parar para se dedicar, você não desenvolve. Ou paramos, nos concentramos, estudamos, ou seguimos sem nos desenvolver.

É um passo de cada vez, passos curtos, realistas, não é o tempo que conta, mas a qualidade do tempo separado. Não adianta você separar horas, mas não se concentrar no assunto, pouco tempo bem aproveitado é muito, que no mais, você automaticamente vai aumentando.

Estas lições que aprendi com a música, levei também para a vida acadêmica, o principio é o mesmo, o caminho do estudo é igual e com percalços parecidos. Quem trabalha e estuda sabe bem disso. Depois de um dia de trabalho você não quer ir estudar, o corpo prefere descansar e se jogar no vazio da inutilidade, se não persistimos nos entregamos.

A disciplina é uma força que precisa ser cultivada, principalmente se você quer ser relevante. Uma pessoa disciplinada consegue chegar lá, sejam quais forem as tribulações, por isso, não perca tempo e aprenda a ser disciplinado.

BIBLIOGRAFIA

Aristóteles, Ética a Nicômaco, Editora Martin Claret, São Paulo, 2001.

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