GUERRA DE GERAÇÕES

Toda geração mais nova acaba em algum momento por olhar a mais velha com ar de desdém. É impossível comparações não surgirem, adjetivos aparecerem a fim de subestimar a “geração ultrapassada”. Eu mesmo já fiz muito isso, até aprender que o tempo passa para todos.

A parte cômica desta situação é que o oposto também é verdadeiro. Não é muito incomum olharmos para a geração mais nova e também os subestimarmos. Acharmos que eles são mais alienados e inferiores. E a nossa geração a melhor a mais educada, inteligente e honesta.

Acredito que todas as épocas tiveram seus equívocos, cada uma em uma área, as vezes até em áreas diferentes, mas tiveram, entretanto, todas elas também tiveram suas qualidades únicas, como em todas as gerações.

Se antigamente a sexualidade não era tão explícita tal qual hoje, em contra partida a mulher era tratada sem direito algum, vista apenas como a empregada da casa. Se antigamente as pessoas não eram viciadas em redes sociais, como muitos são hoje, sabemos que a falta de informação era grande e teorias das mais absurdas rondavam o saber humano.

O estímulo com o tempo muda, mas sempre existiu, hoje é a internet, ontem foi a TV, amanhã já não sabemos, o que podemos ter certeza é que o homem sempre foi um ser fácil em se alienar, por isso temos que sempre tomar cuidado, toda a geração teve suas vergonhas, alienações e depravações, a diferença é que hoje pode até ser mais explícito e mais divulgado, diferente do passado, mas sempre existiu.

Talvez a sua geração tenha sido mais trabalhadora, não tenha usado tantas drogas, quem sabe fosse mais responsáveis e até mais fieis, a pergunta que eu faço é “Será que não foi apenas por falta de oportunidade?”. Será que se não tivéssemos uma educação mais rígida, como tivemos, não seríamos iguais quando novos? Eu mesmo não sei, mas desconfio que sim.

Não é fácil lidar com as diversas gerações, eu mesmo acho muito complicado, ainda mais que sou de uma geração intermediária, não sou nem novo e nem velho, mas eu acho difícil olhar para os adolescentes e não enxergar um pouco de mim.

Eu era teimoso, achava que sabia de tudo, não ouvia ninguém e não percebia que as minhas decisões eram burras e simplistas. Em contra partida, olho para a geração mais velha e não consigo enxergar qualquer empatia com os mais novos.

Creio que se a geração antiga tivesse os mesmos estímulos que as de hoje, cairiam nos mesmos erros, no fim o homem é o mesmo e só enxergará seu caminho equivocado quando o tempo passar por ele um pouquinho.

Todos nós somos alienados, fadados ao erro e a ouvir mais quem não tem razão, mas nós que somos mais velhos, temos a obrigação de pelo menos tentar fazer diferença para aqueles que estão começando.

Não idealize o seu passado, não omita os seus fracassos, seja transparente e comece confessando seus erros, que assim você vai perceber que no fim somos todos parecidos.

É claro que o exemplo tem que partir dos mais velhos, temos a obrigação de sermos responsáveis, com isso, está em nossas mãos sermos a diferença ou não.

Talvez quando aprendermos a falar a linguagem dos mais novos e a confessarmos nossos equívocos sendo assim mais transparentes, teremos uma conversa mais assertiva com aqueles que são mais novos e assim esta guerra de comparações cessará, pelo menos até a outra geração vir, não sabemos.

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