O ISENTÃO

Eu me considero um crítico, pelo menos em curta escala, tento não engolir teorias sem refletir, pensar e pesquisar, coisa que eu tenho feito muito nesse nosso período político polarizado.

Hoje em dia você tem que estar em um lado, a ideia primordial é que existe uma guerra, o bem e o mal estão brigando, com isso, ou você está de um lado, ou de outro. É esquerda contra direita, religioso contra ateu, burguês contra capitalista.

Normalmente, quando se trata de conceitos humanos, eu sempre estou com um pé atrás. Não creio em uma ideia perfeita, principalmente quando vindo de pessoas. Por isso, em meio a discussões políticas, muitas vezes tenho receio de tomar um dos lados. Afinal, eu tenho críticas para ambas as formas de pensar, não acredito em um modelo de governo infalível, é por conta disso que costumeiramente faço críticas aos dois lados. Na linguagem popular, eu algumas vezes sou chamado de isentão, o cara que não tem um lado, o cara que critica ambas as formas de pensamento, como se não tivesse outras formas de pensar se não esquerda e direita.

Nos estudos de lógica, este tipo de pensamento tem o nome de Falso Dilema, é uma forma de pensar que acredita que só existem duas formas de agir. Não existem outros conceitos ou outros caminhos, se você não está de um lado, com certeza está do outro. Esta forma de pensar é simplista e é alheia a reflexão, afinal, o mundo é muito mais que apenas duas ideias, duas teorias, dois modos de pensar.

Existe um problema quando falamos de política, temos sido governados de forma incompetente e não temos feito progresso algum há alguns anos. A corrupção tem sido endêmica, e, por mais que investigações tenham sido feitas, a justiça acaba sempre por não ser aplicada, e corruptos impunes seguem como se nada tivesse acontecido.

Outro problema são as regalias, o governo é montado em mamatas, com auxílio paletó e gastos dos mais supérfluos, como se o dinheiro do contribuinte fosse capim. E isso também não tem mudado.

Há anos que eu vejo o humor denunciar a corrupção e os gastos exagerados, mas a população continua apática, fundamentando seu discurso na frase “ele rouba, mas faz”.

Costumeiramente sou chamado de isentão por tecer críticas aos dois lados, e por não tomar partido das formas de pensar da moda. A questão é que eu tenho o meu partido, mas a minha pauta política é muito mais que esquerda ou direita, economia liberal ou o que quer que seja. Eu busco por mudanças, por um país sem corrupção e sem regalias.

É preciso posicionamento, é importante termos olhos críticos e não deixar de fazer críticas e até elogios pelos erros e acertos do presidente que for. Há tempos atrás eu ouvi em todos os lados a frase “eu não tenho político de estimação”, uma frase boa, mas que é hipócrita, pois na maioria das vezes ela só é falada, e depois esquecida.

Ou aprendemos a nos posicionar como cidadãos, cobrando os políticos, nos informando e acompanhando o que eles têm feito, ou seguimos a correnteza, como um animal morto, sem ação alguma.

Um povo dividido é uma nação enfraquecida, sendo que, enquanto seguimos com o nosso lado, os políticos se unem e continuam a usar o governo como forma de apenas ganhar dinheiro.

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