A ODISSEIA DA DOR VI: FINITUDE

Pode ser que em todos estes textos que eu escrevi sobe o problema do mal eu tenha sido simplista, quem sabe quando eu tento falar sobre Deus e sobre a dor, eu esteja sendo sem coração ou prático demais, quem sabe…

Contudo, quando escrevo sobre o problema do mal, ou sobre a injustiça no mundo tento deixar claro um fator apenas: “O ser humano é um ser finito e dependente demais para conseguir visualizar a verdade de forma completa”, o ser humano não é nada sem Deus.

Estes dias eu tive uma prova disso, quando apenas uma dor de dente foi suficiente para me deixar desesperado de dor. Às vezes o desespero não é o dente é a falta de emprego, uma doença sem cura ou a perda de um parente querido. Tudo isso mostra o quão somos pequenos

Eu costumo usar Romanos 1:18 para enfatizar como a natureza evidencia a existência deste Deus maravilhoso, mas não precisamos ir tão longe, basta olharmos para nós mesmos. O quanto somos pequenos, egoístas, o quanto criticamos Deus, por não resolver o mal, mas não tardamos em acumularmos riquezas, a viver a vida para o lucro como se não fossemos responsáveis por tudo o que acontece no mundo. Culpar a Deus é fácil, assumir a responsabilidade já é outros quinhentos.

O homem é uma contradição ambulante, a humanidade que critica é mesma que vira as costas para o necessitado, ou passa por cima de quem tenta ganhar o seu pão. Julgamos o mundo com nossa visão, olhamos para Deus com nossos olhos finitos e mesmo assim concluímos conhecer e entender quem Ele é e o quanto Ele é “injusto” por não sanar a nossa “dor”.

Acredito que antes de refletirmos o porquê Deus não faz determinadas coisas, temos que nos perguntar por que nós não fazemos, por que jogamos nas costas de um Deus problemas que nós mesmos criamos.

A grande contradição do homem é viver em sociedade, uma sociedade injusta e cobrar a Deus o porquê Ele não faz alguma coisa. Amigo, Deus é Deus, ou você escolhe viver como ele nos aconselha viver, ou você segue os padrões estabelecidos pelos homens, que geralmente são injustos.

Alguns acreditam ter respostas para tudo e por isso se acham inteligentes, alguns detém em suas mãos o conhecimento, acreditam que a tecnologia e a ciência vão desvendar todos os mistérios da humanidade. Somos livres para pensar e formular nossas conclusões, mas não consigo acreditar que a ciência vá achar respostas para tudo. Aliás, com o advento da inteligência artificial, a ciência tem gerado mais perguntas que respostas, a principal delas é: Quando tivermos máquinas e robôs autônomos em que o homem vai trabalhar? Entre tantas outras perguntas…

Não acredito que um ser humano, que sucumbe ante uma dor de barriga, que mal consegue jogar o seu próprio lixo na lixeira, ou desmata como se não houvesse amanhã, conseguirá um dia conhecer todos os mistérios que os duzentos milhões de galáxias escondem, quem dirá conhecer Deus.

Não estou afirmando que por isso, por sermos finitos e limitados, devamos parar de buscar a verdade, conhecer ainda mais a vida e construir novas tecnologias. E sim, que devemos ter a humildade de reconhecer que não somos nada, que somos muito pouca coisa e com isso entender que nem todas as nossas dúvidas serão sanadas.  E acima de tudo, reconhecer que temos arranjado mais problemas que solução.

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