DÚVIDAS NA CAMINHADA

Considero Tomé como um dos homens mais injustiçados da história. Ainda mais que o seu nome hoje em dia é quase um sinônimo de dúvida. Ele é conhecido por não ter acreditado que Cristo havia ressuscitado e é aí que está a injustiça e a contradição. Pois quando Maria Madalena foi contar aos discípulos que Jesus estava vivo eles também não acreditaram (Marcos 16:11). Tanto que Cristo até repreende os onze apóstolos por não terem crido na notícia de sua ressurreição (Marcos 16:14). Não foi só Tomé que duvidou, todos os outros apóstolos também duvidaram.

A Bíblia nos mostra inúmeras ocasiões no qual os apóstolos duvidaram.  Durante a tempestade, mesmo com o Cristo a bordo do barco, tiveram medo da tormenta e duvidaram que iriam chegar ao fim da travessia (Marcos 4:35-41). Tiveram dúvida de como iriam alimentar uma multidão faminta, no episódio da multiplicação dos pães e peixes (Mateus 6:1-15) e por aí vai, são muitos episódios de dúvidas que encontramos nos evangelhos, de pessoas que andavam com Jesus, viam seus milagres, mas muitas vezes titubearam. Duvidas são constantes, o sentimento de que estamos orando para as paredes, para algo que não existe, é comum. O medo, a dor, as dificuldades nos cegam constantemente e duvidar não é pecado.

Quando eu vejo estes exemplos na Bíblia eu olho para a minha vida, não consigo deixar de fazer um link com minhas dúvidas e dificuldades. Quem nunca duvidou? Quem nunca se sentiu sozinho, abandonado em meio ao caos?

A parte curiosa do texto é que Cristo não condena Tomé por duvidar, ao contrário, ele sana as suas dúvidas. E termina tendo o privilégio de tocar em suas feridas, conferir de forma minuciosa que Cristo havia ressuscitado (João 20:26-29). Talvez a dúvida de Tomé tenha sido maior, quem sabe ele foi só mais veemente, mais sincero, não sabemos ao certo, o que sabemos é que muitas vezes duvidamos, não só Tomé. Diante do caos é comum a dúvida, mesmo vindo de pessoas que andam com Jesus.

Ao meu ver a dúvida evidencia o quando somos pequenos e limitados, o quanto deixamos de confiar em Deus. É fácil acreditar em Deus quando tudo está bem, o desafio é crer quando tudo está mal.

O problema amigo nunca foi a dúvida, aliás, já aviso de antemão que ela sempre vai existir. A questão é o que você faz com ela, o que a dúvida leva você a fazer. Pois se ela não te empurrar para a palavra, a oração ou a buscar mais a Deus, aí a coisa complica. Eu tive muitas dúvidas em minha caminhada, porém tenho uma certeza que me dirige: Eu sou muito limitado, pequeno demais para entender.

A dúvida não deve nos paralisar, na dúvida temos que buscar a Deus, clamar e ler a sua palavra. No caos e na incerteza, olhar para a cruz é o segredo caso contrário cairemos, sucumbiremos ante as nossas limitações e fragilidades.

A conversa com Tomé termina de forma perfeita, e entra em minha mente como uma bofetada, me ensinando uma lição que no caos as vezes eu teimo em esquecer:

Felizes são os que não viram, mas assim mesmo creram! (João 20:29)

Na dúvida creia e não desista, no caos acredite e olhe para a cruz, este é o segredo para que não sucumbamos por conta da nossa fragilidade.

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.

Você pode usar estas tags e atributos HTML:

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.