A SÍNDROME DO VITIMISMO

Quando o vitimismo dá as caras, os argumentos quase sempre são distorcidos, o alvo na maioria das vezes são as pessoas, sendo um desafio grande conseguir falar de ideias ao invés de perder tempo falando de pessoas.

Aprendi que bons argumentos falam de ideias, descobri que nem sempre quem discorda quer atacar. E por conta desta realidade, é importante saber dialogar com as diversas formas de pensar, entendendo que todos são livres para fazer suas escolhas e ter suas opiniões, esta é a grande beleza do nosso mundo.

Aprendi também que quem não gosta de ouvir, não vai parar para nos escutar, por vezes apenas finge, é certo que não presta muita atenção, por isso, é muito importante saber com quem você está conversando, e o quanto de diálogo vale a pena ter com esta pessoa.

As vezes se calar não é ser covarde, como muitos pensam, e sim dar voz a inteligência, pois não adianta perder tempo com quem não quer dialogar, com quem pouco nos ouve, sendo que ainda corremos o risco de nos incomodar com quem não respeita a nossa opinião.

O vitimismo é sutil, por isso, tome cuidado. Você começa se fazendo de vítima, e quando vê que dá certo, você segue por um caminho sem volta, mendigando afeto, colhendo migalhas que afagam a alma, mas que não nos levam a lugar algum.

Muitos se fazem de coitados, dando ênfase em seus fracassos, em troca apenas de um afago, de uma massagem no ego, de uma frase me motivação. Para estes é muito mais fácil ser carregado, do que levantar e lutar.

É preciso entender que todo mundo sofre, cada um tem suas dificuldades e problemas, seja rico, pobre ou o que for. A diferença é que as lutas não são iguais. Um rico passa por dificuldades bem diferentes do que os pobres, contudo os dois sofrem, cada um tem a sua dor.

O problema do vitimismo é se considerar o maior sofredor, a única vítima, como se ninguém mais sofresse ou como se o seu sofrimento fosse o pior. O segundo problema é acreditar que ele dever ser ajudado, ouvido e cuidado, apenas, e pelo simples fato de estar sendo vítima.

Não estou afirmando que não devemos dar ouvidos a quem sofre, ou que, todo mundo que sofre, não merece ser ajudado. É claro que temos que ajudar quem passa por dificuldade e não tem qualquer voz, ou condição de se levantar, não são destes que eu estou falando e sim de quem usa do vitimismo como meio.

O vitimismo nos mantém no lugar, a vítima acaba ouvindo apenas o que lhe convém, seguindo alheio as críticas que move esta pessoa para a mudança.

Não é fácil seguir, porém o caminho do vitimismo será sempre mais complicado, tendo um falso ar de conforto, mas que, contudo, não leva a lugar algum.

 É preciso largar as bagagens inúteis e entender que a vida é batalhar, sofrer e lutar. Nem tudo, ou quase nada, vem fácil, é sempre pelo empenho que vamos trilhar.

O vitimista nunca é culpado, vive sempre um infortúnio, é um completo sabotador de sua história. Por isso, dispa-se do vitimismo (caso ainda tenha algum na bagagem) e assuma o controle, entenda que afagos no ego não ajudam, só nos ancora. Siga rumo a batalha, entendendo que uma boa parte das coisas está em suas mãos, basta entender que enquanto não assumimos a responsabilidade não vamos sair do lugar.

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