DEUS INCOGNOSCÍVEL

Considero Deus o ser mais enigmático que já existiu. A própria Bíblia não consegue defini-lo de uma maneira adequada, nenhum autor consegue esgotá-lo, e quando tentam, muitas vezes acabam por nos colocar ainda mais dúvida, isso me incomodava quando eu era um pouco mais novo.

Era uma contradição, ao meu ver, não entender e nem saber de verdade, quem Deus é. No final, não largamos a mania de querer definir. O problema é que, quem define controla, e Deus não pode ser controlado.

Deus é inexplicável, é um ser onde o finito nunca vai conseguir invadir. Embora que por conta dos seus inspirados escritos (a Bíblia), ou por toda a maravilhosa criação, que revela todo o seu poderio (Romanos 12:20), tentamos entender e sem querer, as vezes acabamos por criar ídolos, feitos conforme a nossa imagem, algo que não é real, é apenas a nossa interpretação.

A coisa mais perigosa, ao tentarmos entender quem é Deus, é justamente criarmos estes ídolos, que nada mais são do que conclusões sobre Deus, pontos de vistas que não definem quem ele é, mas que acaba virando o nosso Norte quando olhamos para ele. É uma lente, manchada com uma opinião totalmente superficial.

O ídolo é algo palpável, tem forma e com apenas um simples olhar, podemos analisar, definir e controlar, embora Deus seja algo impossível de definirmos e controlarmos. Por isso que ao ouvirmos o próximo falar “eu creio em Deus”, é importante antes perguntar qual é o Deus dela. Pois corre o risco do seu deus ser um ídolo, fabricado conforme sua própria conclusão e compreensão.

Deus não pode ser compreendido, e embora tenhamos conclusões sobre ele, e isso não é errado, temos que entender que quando falamos de Deus, nossas conclusões vão ser sempre limitadas. Alan Watts, no livro “A sabedoria da insegurança, propõe que:

“Para descobrir a realidade fundamental da vida – o absoluto, o eterno, Deus – é preciso parar de tentar tocá-la na forma de ídolos. Esses ídolos não são apenas imagens grosseiras, como a imagem mental de Deus como um senhor de idade em um trono dourado. São nossas crenças, nossas estimadas preconcepções da verdade, que criam obstáculos a abrir a mente e o coração sem reservas para a realidade” (WATTS, 2017, p. 39).

No final, conforme a lei do esforço invertido, que é uma teoria que o autor propõe para compreender o que não pode ser compreendido, desistir de entender e pontuar Deus, nos leva ao total entendimento dele, por percebermos que com certeza, é impossível seres criados, entenderem um ser infinito. Não dá para conhecer alguém de verdade quando temos algumas ideias preconcebidas nos motivando. Só conseguimos entender Deus, ou alguém de forma verdadeira, quando jogarmos fora nossos ídolos e temos em mente que no final, qualquer conclusão nossa será sempre pequena perto do que Deus realmente é.

Nunca vamos entender Deus, mas podemos crer que ele existe e busca-lo de todo o nosso coração, no mais, é só a nossa falível opinião. Tenha em mente que “qualquer conclusão que você tenha sobre Deus, mesmo que embasada pela Bíblia, ou seja fruto de muito estudo e dedicação, vai ser sempre limitada e muito simplista”.

Deus não é o que eu entendo dele, e sim o que ele é, entender que Deus não pode ser compreendido é o princípio para realmente conseguirmos entendê-lo.

No final, o que é realmente possível aprender sobre Deus é que ele não cabe em nossa caixa, que não o entender é o caminho para pelo menos perceber o seu inesgotável poder.

BIBLIOGRAFIA

WATTS, Alan, A sabedoria da insegurança: Como sobreviver na era da ansiedade, Editora Alaúde, Rio de Janeiro, 2017.

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