A ODISSEIA DA DOR VII: SOPRO

Quando eu era mais novo não existia as facilidades que temos hoje para ouvir música, vídeos e shows. Normalmente para assistir a um clipe, tínhamos que acessar alguns canais especializados em música e depois procurar o CD da banda para comprar e ouvir.

Um dia desses, enquanto ouvia algumas músicas em um destes canais de música na TV, ouvi uma banda em particular que eu gostei muito, curioso para ouvir mais músicas me dirigi a loja de CD para comprar o material daquela banda. Chegando lá, fui tratado muito mal por não conhecer a tal banda. O vendedor se achava o conhecedor e me diminuiu, por eu não conhecer. Saí frustrado da loja, enquanto o vendedor perdeu um cliente.

Insistentemente e depois de ter superado tal situação, me dirigi a uma outra loja de CD procurar o material da tal banda que não saía da minha cabeça. Quando um outro vendedor me atendeu e eu disse que não conhecia a banda e que havia apenas ouvido uma música na TV, ele com um sorriso falou que não havia problema e me explicou tudo sobre a banda com uma humildade ímpar de quem sabe que ninguém nasceu conhecendo tudo. Duas abordagens, duas formas de enxergar uma situação, mas apenas uma das atitudes fez a diferença.

Quando eu leio sobre os amigos de Jó ou relembro todos os problemas no qual passei, eu lembro deste ocorrido. Pois o que aconteceu com Jó foi algo um pouco parecido.

Ele sofria injustamente, seus amigos foram até ale para ajudar, mas chegaram achando que eles sabiam de tudo, que tinham a solução para o seu problema, eles acreditavam que tinham a resposta e optaram em impor ao invés de dialogar e tentar compreender. Jó no versículo 7:7 diz que a vida é um sopro, a existência é curta e fraca, ele sabia da sua finitude e do quanto era limitado, coisa que as vezes esquecemos.

O meu maior problema enquanto passava por dias difíceis era lidar com as opiniões de amigos que mal entendiam o que eu estava passando. Eram frases orgulhosas, sem diálogo, sem compreensão e dita de cima para baixo.

Na vida existem duas verdades: “em algum grau estamos sempre influenciando ou sendo influenciados”. Seja em nossa família, filhos, sobrinhos ou amigos. Com isto é básico ter humildade, pois da forma com que influenciamos, ensinamos e ajudamos, nós também de alguma maneira estamos aprendendo. Seja com amigos, professores ou profissionais.

A vida é um sopro, o nosso tempo é curto, a vida é um instante, não sabemos de tudo, com isso a humildade se torna básica para que em nosso círculo de amigos façamos a diferença, e não a indiferença.

A consciência de que a vida é um sopro, nos aproxima de Deus, torna-nos humildes e em constante busca de dependência e de sua graça. A consciência da finitude nos faz pôr o pé no chão e concluir que não sabemos de tudo.

Em meio ao caos e a está complicada busca, percebi que ao ajudar um amigo, nem sempre a nossa opinião é a que vai ajudar, e sim, o quanto você ouve, apoia e caminha junto. Não temos respostas para tudo, mas podemos dar o apoio, o ouvido e a compreensão e isso não é possível sem humildade e sem entender o quanto somos limitados.

Neste meu período de caos, as pessoas que me ajudaram foram as que antes das respostas, me apoiaram e caminharam comigo, e as vezes em total silêncio, sem me dar respostas algumas. Por isso, antes de oferecer a sua opinião para uma pessoa que está passando por problemas, ofereça o seu ouvido e o seu apoio.

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