O PROBLEMA DAS CERTEZAS

“O que nos causa problemas não é o que sabemos. É o que temos certeza que sabemos e que, ao final, não é verdade” (Mark Twain) (PETERSON, 2018, p. 12).

Quando eu era novo, eu gostava muito de fazer trilhas, e em uma das primeiras vezes que eu fui, fomos guiados por alguém que tinha certeza do caminho. Ele já havia feito a trilha muitas vezes, e não tinha dúvida alguma de como fazer para chegar ao final do percurso. A questão foi que nos perdemos. O local havia mudado muito desde a última vez que ele havia ido, com isso, ele não conseguiu identificar o caminho correto e tivemos um grande trabalho para achar a trilha novamente.

Normalmente pegamos alguns caminhos equivocados, justamente por termos certeza. São as certezas que nos movem, e em alguns casos, nos colocam em confusões. Principalmente porque quando temos certeza, ouvimos pouco as pessoas, sendo esta a receita do fracasso, “ouvir pouco e seguir nossos pontos de vista”.

A certeza nos ensurdece, faz com que não prestemos atenção em volta, nos sinais de aviso, nas orientações ou placas de perigo. É claro que é também pela certeza que fazemos muitas coisas boas, embora seja por ela, que nos metemos em grandes confusões.

A questão é que nem sempre estamos certos, nem sempre a nossa certeza é coerente, às vezes ela é fruto de pontos de vistas equivocados, sem comprovações ou estudos.

Aprendi a ouvir as pessoas, a vida nos ensina que não custa nada prestar atenção em dicas, sugestões, ou opiniões, mesmo em áreas que conhecemos.

É sempre possível ouvir um modo novo de fazer as mesmas coisas, aprender outros caminhos que levam na mesma direção, ou até mesmo, descobrir que estamos errados.

Creio que uma das características da pessoa inteligente é a sua capacidade de aprender com tudo e com todos. Sendo que para que isso aconteça, é preciso ter humildade suficiente para ouvir o próximo, para prestar atenção nos detalhes da vida.

Eu sou músico, e em todas as vezes que fui gravar um CD da minha banda, o Hawthorn, eu sempre procurei gravar com um produtor. É claro que eu sabia o que estava fazendo, é claro também que eu conhecia muito bem o estilo musical que eu tocava, mas é sempre importante ouvir outras opiniões. As vezes mergulhamos tanto em uma coisa, que não percebemos mais os detalhes e o quanto determinada coisa pode ser melhorada.

Não é certeza que ouvir uma pessoa vá te ajudar, mas não custa. Aprenda a ouvir, refletir sobre o que é dito, para depois tomar uma decisão. As vezes não percebemos nossas contradições, e ao ouvirmos alguém, podemos perceber algo que estava em nossa frente, mas não víamos, nem sempre nossas contradições são óbvias para nós.

Cuidado com as suas certezas, elas podem estar equivocadas, aprenda a ouvir e meditar no que é dito. E principalmente, aprenda a se conhecer, se reciclar, e rever o que você conhece a cada dia, sempre que for possível. Na pior das hipóteses, você vai aprender mais, ou reafirmar o que você já sabe.

BIBLIOGRAFIA

PETERSON, Jordan. B, 12 regras para a vida: Um antídoto para o caos, Alta Books Editora, Rio de Janeiro, 2018.

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