JORNADA CRISTÃ 9: FILOSOFIA CRÍTICA

Em uma altura da minha rotina acadêmica, quando eu já estava lendo e estudando muito, comecei a ter a necessidade de conhecer ainda mais autores. E como os meus passos na filosofia ainda eram curtos, empreendi uma busca para conhecer escritores novos. Com isso, mesclei a leitura de clássicos da filosofia antiga, com autores contemporâneos, com isso, inevitavelmente cheguei em Roger Scruton.

Os dois livros que eu gosto do autor é “O rosto de Deus”, que fala sobre o lugar que Deus ocupa no mundo, enfatizando como a crença em Deus é muitas vezes considerada como sinal de imaturidade. E o segundo é “As vantagens do pessimismo: e o perigo da falsa esperança”, onde o autor faz uma crítica a um falso otimismo, e muitas formas de pensar, que tem como base um sentimentalismo tóxico e falso.

É um livro para você discordar, sem peso na consciência, não somos obrigados a concordar com tudo, porém é de leitura obrigatória. As críticas que o autor faz são ácidas e certeiras, nos faz pensar e ver o mundo com outras lentes.

No livro o autor faz uma crítica a um tipo de otimista que ele denomina de otimistas inescrupulosos. Indivíduos que possuem uma visão de mundo limitada, sem senso crítico e base. Na maioria das vezes, estas pessoas seguem otimistas, colocando seus planos em prática, contudo, sem o mínimo de reflexão ou de pensar nas consequências dos seus fracassos e tendo em mente apenas o resultado. Scruton complementa, falando deste tipo de otimista pontuando que:

“Os otimistas inescrupulosos, cuja visão de mundo baseada em objetivos reconhece apenas os obstáculos, mas nunca as limitações, estão sozinhos no mundo. Sua alegria é apenas superficial, uma máscara que esconde uma inquietação profunda, com receio de que a base de sustentação de suas ilusões deixe de apoiá-los” (SCRUTON, 2015, p. 40).

É preciso ter pé no chão, pois ser otimista, não é ser alguém que não reflete, que não pensa nas possibilidades de fracasso e não se prepara para lidar com as suas limitações. Uma coisa é ser otimista, outra é ser impulsivo, que segue fazendo as coisas sem pensar e refletir. Em oposição aos otimistas inescrupulosos, ele fala dos otimistas escrupulosos, que são aqueles que são críticos, que sabem lidar com suas limitações, e buscam ajustar a sua vida a elas.

O livro faz muitas outras críticas, seja a crítica a alguns tipos de visões de sociedade, de modelo de ensino e de política, usando sempre palavras coesas, e conteúdos bem embasados.

Vale a pena ler, o autor é lúcido e coerente, e usa o pessimismo na dose certa, nos ensinando a ter um pouco de pé no chão, mostrando como uma dose de pessimismo em nossa vida é fundamental.

BIBLIOGRAFIA

SCRUTON, Roger, As vantagens do pessimismo: e o perigo da falsa esperança, É Realizações, São Paulo, 2015.

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