Resultados para a categoria "CRÍTICA TEOLÓGICA"

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JESUS: UM MESTRE DA MORAL OU DEUS?

Recentemente eu assisti um vídeo no qual um monge budista explica quem seria Jesus. E segundo ele, Jesus foi um mestre da moral, um homem bom e sábio. Na verdade já ouvi isso de muita gente, a maioria deles querendo passar por intelectual ou sábio, o problema é que quem geralmente tem este tipo de conclusão, provavelmente nunca deve ter estudado a Bíblia.

 Em contrapartida um tempo atrás um amigo me perguntou por que as afirmações de Jesus às vezes soavam arrogantes?  Pois quando lemos a Bíblia é assim mesmo que soa muitas das vezes, e esta é uma das provas de que este já leu os ensinos de Jesus.

Considero um desafio e tanto ler passagens como “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim (João 14:6) ou “Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que morra, viverá (João 11:25) ou até Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a mim não é digno de mim (Mateus 10:37) e concluir que Cristo era uma pessoa humilde, principalmente se ele fosse apenas uma pessoa, um homem sábio. Com isso, ficamos em um impasse, quem é Jesus um homem sábio ou Deus? C. S. Lewis acrescenta um ponto importantíssimo:

“Cristo diz que ele é “humilde e manso”, e nós acreditamos nele; e não percebemos que, se ele fosse meramente um homem, a humildade e a mansidão são as últimas características que poderíamos atribuir a alguns dos seus ditos” (LEWIS, 2017, p. 86)

Convenhamos, uma pessoa humilde, um mestre da moral, não fala coisas no qual ele falou, com isso temos duas hipóteses sobre Jesus. Ou ele é o que afirmou ser (Deus), ou ele era um louco ou coisa parecida. Mas um mestre sábio, isso não tem como afirmar. John Stott acrescenta:

“Este é o paradoxo de Jesus. Suas afirmações soam como delírios de um lunático, mas ele não mostra nenhum sinal de ser um fanático, um neurótico, nem muito menos um psicótico. Ao contrário, ele se apresenta nas páginas dos evangelhos como o mais integrado e equilibrado dos seres humanos” (STOTT, 2004, p. 50)

Leia um pouco sobre Jesus, estude por você mesmo e veja como Ele não pode ter sido outra coisa. Cristo andou na contramão, ajudou a quem precisava, mas confrontou os arrogantes religiosos de sua época. Ele afirmou ser Deus, mas não demorou em servir. Ele morreu em uma cruz, mas mesmo pendurado pediu a Deus que os perdoassem (Lucas 23:34). Jesus foi o que ninguém foi e nem vai ser um dia, ele foi 100% Deus e homem, mas apenas um homem sábio é impossível. Gosto de como John Stott termina um dos capítulos do seu livro, a frase é linda e verdadeira:

“Por que sou cristão? Intelectualmente falando, é por causa do paradoxo de Jesus Cristo. É porque aquele que afirmou ser o senhor dos seus discípulos humilhou-se para ser o servo deles” (STOTT, 2004, p. 50)

Enfim, Jesus é Deus e nunca deu espaço para ser outra coisa, entretanto se você ainda o acha louco e difícil de compreender, bem vindo ao clube. Pois só alguém diferente, verdadeiramente ama e se doa a seres humanos que não cansam de coloca-lo de lado. Só um Deus de verdade conseguiria vir, falar e fazer o que Ele fez coisa que dificilmente um homem sábio faria no lugar dele.

 

 

BIBLIOGRAFIA

STOTT, John, Por que sou cristão, Edidora Ultimato, Viçosa,2004

LEWIS, C. S. Cristianimo puro e simples, Editora Thomas Nelson, Rio de Janeiro, 2017

 

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GUETO GOSPEL

No gueto gospel encontramos de tudo, música gospel, roupa gospel, casa gospel e por aí vai, o mercado é lucrativo, empresas de todos os tipos já descobriram o nicho e tem se preocupado em atingir tal público.

Sobre o gueto, nada contra, eu só acho que a desculpa de evangelizar já está ultrapassada e não funciona mais, pois no afã de “não se contaminar”, como eles mesmos dizem, acabam não se misturando e não fazendo diferença.

O sal serve para salgar e para isso, deve estar presente na comida, dando sabor, realçando os aspectos importantes do prato. O cristão é a mesma coisa, quando ele não se mistura umedece dentro do recipiente e estraga, isso quando não vira uma pedra, autocentrada e presa nas quatro paredes, sem servir para muita coisa. Sem falar do fato de que o gueto gospel tem uma linguagem tão diferente, que o mundo não consegue prestar atenção e até ri dela. Não podemos esquecer que são os cristãos que querem ser entendidos, somos nós que temos a missão de passar a mensagem a todos, com isso, a linguagem deve ser acessível e entendível.

A minha crítica ao movimento é que ele não faz diferença, acaba virando produto para cristão consumir, divertimento para crente ou desculpa para crente se reunir e farrear, novamente nada contra, acho que as vezes é até positivo, o erro é achar que as baladas gospels são meios evangelísticos, a minha crítica é esta.

Michael S. Horton resume bem a questão no livro O cristão e a cultura, e apesar da sua reflexão ser dirigida primordialmente aos cristãos americanos, creio que também se encaixa a todos os cristãos, sejam brasileiros, europeus ou cidadãos do mundo em geral:

“Chamados para fora da igreja e para dentro do mundo, os evangélicos foram novamente estimulados, especialmente pelos reavivamentos do último século e meio, a construir um império cristão dentro dos Estados Unidos. Finalmente, chegamos a ponto de possuir nossas próprias estações de rádio e televisão, cinemas, programas de entrevistas, cruzeiros, estrelas de rock, divertimentos e outros apetrechos do hedonismo moderno, sem ter que nos preocupar com deixar o gueto. Chamamos isso de evangelismo, e talvez até intencionássemos que fosse evangelismo, mas acabou criando apenas uma igreja que é do mundo mas não está no mundo, em vez de estar no mundo mas não ser do mundo” (HORTON, 2006, p. 129)

Não adianta disfarçar o discurso, nós estamos no mundo, e fomos chamados para sermos diferença. Ser cristão não é se ausentar do mundo, ao contrário, é sem dúvida estar presente e atuante, o que nos diferencia é que apesar de estarmos, não somos do mundo, pois seguimos imitando outro modelo de vida.

Marcos 16:15 diz para “irmos” por todo o mundo, mas muitos cristãos insistem em esperar nos bancos da igreja, ao invés de sair e fazer a diferença. O chamado é para irmos para fora e não esperarmos dentro das quatro paredes. Lâmpada que fica embaixo da cama não ilumina, não foi isso que Cristo nos ensinou em Mateus 5:15?

Enfim, que possamos sair de nossos guetos e sermos diferença, que aprendamos a realmente estar no mundo e salgá-lo com a palavra da verdade.

Quando aprendermos a andarmos pelas esferas públicas, a respeitarmos os pensamentos contrários e a pregarmos sem sermos legalistas e hipócritas, penso que o evangelho passará de meras narrativas, para ser vida e transformação.

 

BIBLIOGRAFIA

HORTON, Michael, S. O cristãos e a cultura, Editora Cultura Cristã, São Paulo, 2006

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CAOS CRISTÃO

Que a igreja não se entende isso nós já sabemos, é meio óbvio, basta vermos as discussões de internet, ninguém consegue entrar em um consenso quanto a coisas básicas, como batismo no Espírito Santo, como interpretar a Bíblia ou sobre qual é o jeito correto de orarmos, isso que a Bíblia já é bem clara quanto a estes assuntos, imagine se não fosse. Agora se partirmos para assuntos como predestinação ou a volta de Cristo, aí o caos cristão é instalado. Isso que eu nem entrei no tema denominações e seus vários costumes

Um tempo atrás assisti a um vídeo chamado “Os dois túmulos de Jesus” do canal “louco por viagem” que evidencia bem este nosso problema de convivência.

O autor do vídeo começa a mostrar o local que é um dos possíveis túmulos de Jesus. Neste lugar que é um centro turístico, se encontra a Igreja do Santo Sepulcro, administrado, na teoria, por cinco denominações: A Católica Romana, Grega Ortodoxa, Armênia, Ortodoxa Copta, Ortodoxa Etíope e a Ortodoxa Síria.  O curioso é que estas denominações não se entendem, não conseguem tomar decisões básicas a respeito da administração do local. O problema é tão grande que quando foi feito uma reforma uns duzentos anos atrás, esqueceram uma escada em um dos telhados e eles não conseguiram decidir quem iria tirar a escada, no fim, nestes anos todos ela ficou lá, visível, fazendo parte da fachada do local, como prova da ignorância e falta de diálogo entre os religiosos. Mas as amostras de falta de diálogo não pararam por aí, pois eles também não conseguem decidir quais das denominações vão abrir e fechar a porta do templo. Sendo que isso é feito por muçulmanos voluntários e pasmem, nos banheiros que os visitantes do local usam, não tem papel higiênico, pois eles não conseguem decidir quem irá comprar o papel.

Este cenário todo não me deixa tão impressionado, pois a falta de diálogo tem sido uma das marcas da igreja cristã há séculos. Igrejas se dividem toda a hora, cristãos se digladiam e armam verdadeiras guerras, enquanto irmãos se dividem cada vez mais. 

No momento a divisão tem sido política, cristãos tem brigado por seu lado, defendendo o seu ponto de vista com tanta dedicação que pessoas que pensam o contrário têm sido aviltadas como inimigos. Há um tempo a divisão tinha sido por conta de Calvino e Armínio e quando os ventos mudarem, não saberemos qual será o motivo da briga, mas sabemos que a igreja seguirá brigando e se dividindo, como tem feito estes anos todos.

Gálatas 5:16 ao 26 a Bíblia lista uma série de frutos da carne e depois frutos do Espírito. Entre os muitos frutos da carne estão as inimizades e as brigas (V20), e quando olhamos para a igreja a sua incapacidade de dialogar sem torcer a Bíblia para justificar seus erros, vemos que a igreja tem estado cada vez mais longe de Deus.

A igreja tem se dividido cada vez mais, está faltando empatia e sobrando arrogância. O amor tem esfriado cada vez mais, e a vontade de estar certo tem sido a prioridade ao invés de amar e olhar para o próximo.

Penso que os cristãos tem sido cada vez mais religiosos, os invés de cristãos. Decorando cada vez mais os costumes da igreja, ao invés de ler a praticar os ensinos de Jesus.

Enquanto seguimos a placa de uma igreja, certamente nos dividiremos, só haverá união novamente quando olharmos para a cruz, tendo em mente que somos todos fracos e pequenos.

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OS SEIS ERROS CAPITAIS DE TODO O PASTOR

Lidar com pessoas nunca é fácil, ter a sabedoria de entender cada uma, ou pelo menos tentar, saber ajudar cada um da maneira que precisa e ainda lidar com os compromissos habituais de uma igreja, não é tão fácil. Por isso que eu acredito que todo o pastor deve fazer uma faculdade ou seminário de teologia. Aprender, se preparar e buscar ferramentas junto a pastores e professores experientes, que estudam e estão envolvidos com a obra, é fundamental para o sucesso do ministério. O que se segue, a meu ver, são os sete piores erros que pastores e líderes cometem em seus ministérios. Erros capitais, pois acabam virando muitos outros problemas.

O primeiro erro é não ser acessível a todo o membro. É comum hoje em dia vermos pastores que não são acessíveis, vivem envoltos em uma aura impenetrável que os coloca em pedestais. Termina que estes acabam agindo como separados, diferentes e especiais. Um pastor é acima de tudo um servo, alguém que está pronto a ouvir e ajudar. Não combina com o evangelho pastores que se acham especiais e que se colocam acima de tudo. O próprio Cristo serviu, mesmo sendo Deus, se humilhou e se fez servo, pedindo que fizéssemos o mesmo (João 13:1-147), tudo o que é diferente desse ensino, está fora da Bíblia.

O segundo erro, no qual considero um dos mais graves, é não habilitar um substituto. Não somos eternos, e a obra não é nossa e sim de Deus. Deixar de levantar líderes preparados para continuar a obra caso algo aconteça, é um erro, e dos mais graves. Temos que aprender a enxergar futuros líderes, incentivar e ensinar estes para que sejam atuantes e possíveis substitutos, caso a obra precise.

O terceiro erro é ser um pastor legalista. O legalismo já dividiu muito a igreja, líderes que não compreendem as dificuldades do próximo, muitas das vezes (se não quase sempre), tem um grande problema em se autoavaliar. Afinal, todo mundo peca, todos têm a sua dificuldade, esquecer disso é destruir um caminho que mais dia ou menos dia ele vai ter que trilhar.

O quarto erro é não ouvir seus membros. Eu conheci muitos pastores que não ouviam seus membros, eles eram acessíveis, eles eram humildes, ensinavam, mas não ouviam, achavam que tudo tinha que ser de sua maneira e da sua forma de pensar. Ouvir é básico, ainda mais quando estamos em uma comunidade cristã, com muita gente, muitas experiências e dons. Ouvir é básico, pois as vezes ele pode estar tentando  resolver algo que alguém já resolveu e tem experiência no assunto, com isso ele vai seguir batendo a cabeça e algumas vezes ofendendo quem quer ajudar, mas não tem oportunidade

O quinto erro é não ler. Tenho medo de pastor que não estuda, não lê e busca crescer como pessoa. Eu sempre digo em sala de aula que líder que não lê e não busca o conhecimento, acaba por não ter o que oferecer a seu liderado. A obra depende do quanto buscamos a Deus e buscamos estudar e entender a sua palavra, quando isso não acontece acabamos por oferecer aos membros apenas sopinha, deixando de fornecer um alimento mais sólido, que o fará crescer e desenvolver como pessoa.

O sexto erro é ser um pastor centralizador. Ser um líder centralizador é ser alguém fadado ao estresse e ao desgaste, além de ser um pastor com uma igreja que provavelmente não vá crescer tanto assim. Geralmente um líder neste perfil é uma pessoa que acha que sabe de tudo, que considera apenas a sua forma de fazer a mais certa. Um líder assim vai se desgastar, vai acabar se destruindo e destruindo sua família. Trabalhar como um corpo é o princípio Bíblico para que a obra ande de forma saudável e coerente.

Eu poderia listar muito mais erros, mas resolvi expor o que eu considero os piores. Não quero com este texto criar intriga e divisão, quero apenas levar a igreja a reflexão, tendo em mente que alguns erros acabam por nos trazer mais problemas que outros.

Não sou pastor, sou teólogo, mas eu sei muito bem como um pastor bem preparado é a diferença na vida de muitos cristãos. Ser pastor é uma responsabilidade e tanto, por isso, estar preparado é importante para que a obra de Deus cresça voltada para o evangelho, dando frutos e preparando ainda mais pessoa para o desafio cristão.

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IRA DIVINA

Muitos não conseguem conceber como um Deus de amor pode ser irar. Há quem diga que o Deus do Velho Testamento não é o mesmo que o Deus do Novo. Como se a Bíblia narrasse a história de dois Deuses distintos e totalmente opostos. Penso que a resposta para esta questão é dupla, Deus se ira porque é santo e porque nos ama.

Primeiro, entenda que Deus é santo, e por ser santo, odeia o pecado:

“Talvez nos surpreenda perceber que a Bíblia fala com muita frequência da ira de Deus. Porém, se Deus ama tudo o que é certo e bom, e tudo o que se conforma ao seu caráter moral, então não deve admirar que ele odeie tudo o que se opõe ao seu caráter moral. A ira de Deus diante do pecado está  portanto intimamente associada à santidade e à justiça de Deus” (GRUDEM, 2010, p.151)

Deus é santo, e sua ira é profundamente ligada a sua santidade e justiça, um Deus santo não coaduna com o pecado.

Segundo, Deus se ira porque nos ama. Ninguém fica feliz quando vê um filho ou um amigo se afundar, seja em drogas ou bebida.  Pior ainda, ninguém fica alegre quando este alcoólatra ou drogado afirma que seus vícios não o prejudicam, ainda mais quando você vê sua saúde e dinheiro indo para o ralo. Normalmente nos enfurecemos, e com certeza tentaremos, mesmo que furiosos, fazer quem nós estimamos enxergar seu erro. Com Deus não é diferente:

“O mal enfurece a Deus, porque destrói os seus filhos” (LUCADO, 2007, p. 29)

O mal e o pecado enfurece a Deus porque ele é santo,  e porque o mal e o pecado destrói a sua criação.

“Deus não fica zangado por não havermos feito como ele quis. Ele se ira porque a desobediência sempre resulta em autodestruição” (LUCADO, 2007, p. 30)

  Não fica difícil constatar o caos que o homem faz, basta olhar para o mundo e ver em que pé ele está. É claro que a ira de Deus não é igual a nossa, Ele é santo e perfeito, porém não existe contradição alguma em este Deus santo e perfeito se irar, nada mais comum quando amamos alguém, ainda mais quando este alguém não se cansa de se autodestruir.

Falando em autodestruição eu me lembro de um acontecimento que vivenciei há muitos anos. Conheci um garoto muito desobediente, vivia aprontando e arrumando das suas. Uma vez ele, que era menor de idade, pegou o carro de sua mãe escondido e bateu o carro em alta velocidade. A batida foi tão forte que a perna dele quase se prendeu as ferragens, por sorte não aconteceu nada. Aquela mãe ficou furiosa, afinal, ela o amava e não queria perdê-lo daquela maneira.

João 3:16 diz que Deus amou o mundo tanto, que deu o seu Filho para morrer em nosso lugar, para que não fôssemos consumidos por conta de nosso pecado, basta crermos n’Ele e o seguirmos. Caso contrário já estamos condenados, o que não é tão difícil assim, pois o homem é um ser autodestrutivo, mestre em seguir pelo caminho errado

Deus abomina o pecado por isso se ira, mas também nos ama. Por isso que Ele deseja que nós o sigamos, pois só pode haver vida n’Ele, fora d’Ele só encontramos caos e destruição. É claro que o pecado o enfurece, afinal Ele é santo, porém ao invés de nos destruir, consumir a raça humana com a sua ira, Ele preferiu nos dar uma chance e se doar para nos salvar.

 

BIBLIOGRAFIA

LUCADO, Max, Nas garras da graça, Editora CPAD, Rio de Janeiro, 2007

GRUDEM, Wayne, Teologia Sistemática, Editora Vida Nova, São Paulo, 2010

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CAOS PENTECOSTAL

Passei a minha infância em uma igreja pentecostal, eu vi muita coisa estranha acontecendo, ouvi ensinos dos mais bizarros e afirmações que a Bíblia não faz. Por isso, ao escrever este texto eu falo um pouco de mim, do que eu passei e das coisas que tive que aprender a superar. Não quero denegrir a imagem do pentecostal, conheço inúmeras igrejas e homens sérios, que realmente ensinam o que a palavra diz, o objetivo do texto é expor alguns exageros de alguns pastores que fazem afirmações sem base Bíblica alguma.

Confissão positiva: Isso foi uma das coisas que eu mais ouvi dentro da igreja pentecostal: “A nossa palavra tem poder”. Por isso, para se alcançar algo temos que declarar coisas boas. Se tudo fosse tão fácil assim o mundo já estaria mudado, não acha? Declarar que já estamos curados, que conseguiremos um carro novo, e que desfrutaremos do melhor desta terra não é algo que a Bíblia afirma, não desta forma, lembre-se:

“A alegação de que algum novo ensinamento vem de Deus é absolutamente essencial para o sucesso da agenda de qualquer herege” (MACARTHUR, 2015, p. 56)

Nem sempre pedimos o que é certo, por isso que muitas vezes não recebemos o que pedimos como bem afirma Tiago 4:3. Não se esqueça de que não é a nossa palavra que tem poder e sim o nome de Jesus, nós não temos poder algum. Isso sem contar que o nosso pedido é sempre condicionado a vontade de Deus (1 João 5:14-15). Outra coisa, ser cristão não é “ter”, nem ser rico e sim seguir a Deus tendo a plena consciência de que sem Ele não somos nada. Crer em Deus, colocar aos seus pés nossos problemas e sonhos é uma atitude certa, sem esquecer que tudo vai depender da vontade d’Ele. Ele não é um gênio da lâmpada que nos dá tudo o que pedimos, Ele é um pai que cuida de nós e nos dá o que é melhor, e nem sempre o que nós queremos é o melhor.

Histeria coletiva: Alguns cultos pentecostais são verdadeiras badernas, falações, gente caindo e rodopiando, práticas que não encontramos na Bíblia. Ao contrário, a Bíblia fala que o culto deve ser ordeiro, leia com calma 1 Coríntios 14:26-40, está tudo lá bem explicado. Isso sem contar que o falar em línguas não dever ser com todos ao mesmo tempo e deve haver intérprete caso contrário, todos devem ficar calados, entre tantos outros conselhos que o texto dá (1 Coríntios 14:26-27):

“Como o Novo Testamento deixa claro, ser um cristão “cheio do Espírito” não tem nada a ver com proferir coisas sem sentido, cair no tapete em um transe hipnótico, ou ter qualquer outro encontro místico de suposto poder estático. Pelo contrário, tem tudo a ver com submeter nossos corações e nossas mentes à palavra de Cristo, andar no Espírito e não na carne e, diariamente, crescer em amor e afeição pelo senhor Jesus e no serviço de todo o seu corpo, a igreja” (MACARTHUR, 2015, p. 235)

O centro do culto é Deus, não nossas vontades, desejos e sentimentos. É Deus que deve ser adorado e não o homem. Quando fazemos um culto voltado a nós e nossas vontades, com certeza veremos todo o tipo de bizarrices acontecendo, atitude que demonstra que o culto não está sendo feito com a intenção certa.

Segunda unção: Em muitas igrejas o batismo no Espírito Santo é algo que acontece depois da conversão, e tem como evidência o falar em línguas. Outro ensino complicado, primeiro porque o falar em línguas é um dom e nem todos têm, por ser um dom. Sobre o pentecostes, descrito lá em Atos 2, aquilo não foi uma segunda unção, o dom de línguas foi uma manifestação milagrosa que tinha como propósito a pregação da palavra, pois todos ouviam a mensagem em sua própria língua conforme o texto de Atos 2, ele é bem claro, leia ele inteiro. O pentecostes foi um milagre da pregação, e não uma unção especial.  Dividir a igreja em crentes batizados com o Espírito Santo e crentes não batizados é um erro. Quando aceitamos a Cristo somos batizados, nossa vida é transformada, temos nova vida. O falar em línguas é apenas um dom e um dos menores, e não uma evidência de sermos batizados com o Espírito Santo, como muitas igrejas erroneamente ensinam. A mudança de vida sim é uma evidência, conforme Gálatas 5:22 otimamente nos diz.

Tudo é o demônio: Esta é uma prática comum entre pentecostais, por a culpa dos nossos problemas no demônio. Se eu vou mal financeiramente é culpa do demônio devorador, e não da minha má administração. Se eu estou mal de saúde é culpa do demônio, e não da minha negligência em me cuidar. Se meu casamento está mal, é culpa do capeta e não minha da falta de diálogo com meu conjugue. É fácil culpar o capeta em tudo, é fácil terceirizar a culpa, pois assim nos isentamos de olhar para os nossos erros e mudar. Não estou afirmando que o mal não tenha culpa alguma, algumas vezes ele até tem sim, mas na maioria das vezes estamos com problemas por conta de nossa própria cabeça dura.

Somos o povo da Bíblia, por isso que se não está na Bíblia, não devemos aceitar. Por a prova todo o ensino é básico para que construamos uma fé fundamentada em Cristo e não em falácias.

“Desde o principio, a batalha entre o bem e o mal tem sido uma batalha pela verdade. A serpente, no jardim do Éden, começou a sua tentação questionando a veracidade de instrução anterior de Deus” (MACARTHUR, 2015, p. 244)

Não mudou muito desde o episódio descrito no Gênesis, continuamos com a missão de estudar e entender a palavra, para que assim não caiamos em enganos do inimigo. O problema é que muitas vezes não vemos como instrumentos do diabo estes pastores que ensinam coisas que não estão na Bíblia, e é esta uma das afirmações que o próprio Lutero faz:

“Seja o que for que não tiver sua origem na escrituras é certamente do próprio diabo” (MACARTHUR, 2015, p. 244)

Por isso estude, questione e leia, não só a Bíblia, mas livros e artigos de autores relevantes que estudam a Bíblia já algum tempo.  E atenção, se a comunidade cristã no qual você é membro não permite questionar e estudar desconfie.  Uma igreja séria dialoga, permite questionamentos e o estudo, se este não é o seu caso repense a sua permanência nesta comunidade.

 

BIBLIOGRAFIA

MACARTHUR, John, Fogo Estranho, Um olhar questionador sobre a operação de Espírito Santo no mundo de hoje, Editora Thomas Nelson, Rio de Janeiro,2015

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OS SUICIDAS VÃO PARA O CÉU?

Segundo o ministério da saúde, estima-se que anualmente 800 mil pessoas morrem por suicídio no mundo, e a cada indivíduo que se suicida outros 20 já tentaram. É o mal do século, responsável por 1,4% de todas as mortes no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Mas o problema não acaba por aqui, pois desde novo eu ouço notícias de pastores ou cristãos se matando, fazendo com que eu me pergunte onde está a família ou a igreja nesta hora? Uma vida interrompida é sempre lamentável, ainda mais quando esta pessoa está em nosso convívio, pois nos deixa a sensação que poderíamos ter feito algo, mas não fizemos.

Um tempo atrás me perguntaram se o suicida ia ou não para o céu, a resposta que eu comumente dou a esta pergunta é  “depende”, pois em se tratando de questões sobre uma vida interrompida, a resposta nunca é tão simples assim. Tenho medo de cristãos que insistem em simplificar a questão respondendo a esta pergunta com a resposta pronta: “A Bíblia diz que os suicidas não herdarão o reino dos céus”.

  Lamento informar-lhes amigos, mas este versículo não existe, é uma passagem bíblica inventada, falada como se ela existisse. Aliás, a Bíblia não tem passagem alguma que fala sobre suicídio e para onde estes suicidas vão. E um dos textos, que alguns teólogos e pastores usam é Êxodo 20:13: “não matarás”, passagem que faz parte dos 10 mandamentos. Segundo estes teólogos o suicídio é uma forma de homicídio, além de que a vida é um dom de Deus, por isso temos que zelar por este dom. E sobre o texto com certeza eu acredito nele, porém não creio que todo o suicida vá para o inferno, direi por que.

Nem sempre o problema do suicida é espiritual, nem sempre é físico ligado a alterações químicas do cérebro ou psíquicas ligadas a transtornos mentais e psicológicos, nem sempre é por conta de problemas econômicos e nem sempre é sentimentalismo, praticado por pessoas que querem atenção, porém todos os casos existem. Contudo, eu acredito que se o suicida fazia tratamento para uma depressão profunda, que é uma doença, eu não acredito que este doente vá para o inferno. Pois assim como um paciente de uma doença terminal morre. Alguém que tem um problema de saúde como este, está sujeito aos sintomas de sua doença, que seria “a falta de vontade de viver”.

Muitos veem o suicídio como a fuga covarde da vida, porém não entendem que muitas vezes o suicídio para um suicida é justamente a resposta para seus problemas. Para eles, nem sempre é fuga, mas a solução.

O suicídio é algo sério, as estatísticas estão aí para comprovar isso, tratar esta doença de forma leviana não é a saída. Temos que entender que compreensão, companheirismo e acompanhamento médico é importante para que este mal seja evitado. A maioria dos psicólogos afirmam que um suicida dá sinais antes de se matar, cabe a nós decifrarmos os sinais e oferecer ajuda

Não trate o problema de forma simplista, não jogue peso nas costas de familiares falando bobagens que não estão na Bíblia. Pois cada caso é um caso, e em se tratando de salvação, é Deus quem cuida. Nossa missão é ajudar o próximo, principalmente quando este próximo acabou de perder alguém.

Logo a baixo eu deixo o link de um pdf do Ministério da Saúde, com informações de como prevenir e agir em um caso de suicídio. A informação é sempre o melhor remédio, por isso leia e se informe.

 

BIBLIOGRAFIA

http://portalarquivos.saude.gov.br/images/pdf/2017/setembro/21/2017-025-Perfil-epidemiologico-das-tentativas-e-obitos-por-suicidio-no-Brasil-e-a-rede-de-aten–ao-a-sa–de.pdf

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DIVISÕES

Meus irmãos, fui informado por alguns da casa de Cloe de que há divisões entre vocês. (Referência 1 Coríntios 1:10-16)

Quando vemos as infinitas brigas e divisões entre calvinistas, arminianistas ou afins, achamos ser isso algo novo, um problema que veio com a reforma. O que alguns não sabem é que estas divisões já têm pelo menos uns dois mil anos. O homem é mestre em se dividir, em seguir cada um o seu guru sem respeitar uns aos outros.

A igreja de Corinto estava se dividindo, já não se entendiam mais. Cada um seguia o seu mestre, esquecendo que o nosso verdadeiro mestre é Jesus:

“Acaso Cristo está dividido? Foi Paulo crucificado em favor de vocês? Foram vocês batizados em nome de Paulo?” (1Coríntios 1:13)

É evidente que temos que abrir os olhos quanto ao falso ensino, não podemos concordar com ensinamentos que não estão na Bíblia. Porém, nós também não podemos esquecer que nós não seguimos a homens, mas a Deus. Não foi Calvino nem Armínio que morreu por nós na cruz, foi Cristo.

Ou a teologia que seguimos, seja calvinista, arminianista ou sei lá qual mais, nos aproxima de Deus, nos faz orar mais, ser mais humildes, ler mais a Bíblia ou largamos tudo. Austin Fischer tem uma conclusão interessante sobre isso em seu livro:

“O problema com a teologia é que são humanos que a estão fazendo. Criaturas finitas, frágeis e caídas estão tentando entender o Criador. Tal ação, está propensa a resultar em erros e hilaridade” (FISCHER, 2015, p.19)

Eu tenho visto muitos irmãos se dividem por causa de teologia e placas de igreja. Eu já vi alguns cristãos batendo no peito rindo dos que não seguem a sua forma de pensar, já ouvi pastores chamarem arminianos de burros. A igreja não tem crescido com alguns destes ensinos e quem perde com a divisão é a igreja.

Nós somos um só corpo (1 Coríntios 12:14), sendo Cristo o cabeça,  a teologia que temos deve nos fazer crescer e não nos dividirmos. Temos um só Deus, uma só palavra que nos guia que é a Bíblia, será que é tão difícil resolver algumas questões teológicas com um bom debate, sem guerra? Caso contrário morreremos ao nos dividir, pois se somos um só corpo como a Bíblia diz, um membro separado do corpo morre.

 

BIBLIOGRAFIA

FISCHER, Austin, Jovem Incansável Não Mais Reformado, Editora Sal Cultural, Maceió, 2015

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A MISSÃO DE PAULO

Ele caiu por terra e ouviu uma voz que lhe dizia: “Saulo, Saulo, por que você me persegue?” (Referencia: Atos 9:1-6)

Há tempos que eu ouço muitos pastores calvinistas afirmarem que Paulo não teve escolha quando recebeu a missão do próprio Cristo de levar à mensagem as nações pagãs (V15). Penso ser esta uma conclusão deveras equivocada, veremos por que.

Primeiro porque Paulo já servia a Deus, ele era perseguidor dos seguidores de Jesus, que eram vistos pelos judeus como hereges (Atos 8:3). Ele esteve inclusive no martírio de Estevão (Atos 7:58-60). Além de ter sido fariseu (Atos 23:6) e aluno de Gamaliel um dos maiores sábios da época (Atos 22:3). Enfim, Paulo não era pouca coisa mas já servia a Deus, ou achava que servia, quando perseguia a igreja com o aval do Sumo Sacerdote (Atos 9:1), onde depois de ter uma experiência com o Cristo ressurreto, se converteu a Jesus e começou a pregar a sua palavra

“Muitos crimes hediondos têm sido praticados em nome de Deus. Com Paulo, não foi diferente. Ele foi um perseguidor implacável (Gl 1.13). Ele usou sua influência e força para esmagar os discípulos de Cristo. Perseguiu Cristo (At 26.9), a religião de Cristo (At 22.4) e os seguidores de Cristo (At 26.11)” (LOPES, 2015, p. 17)

Lembremos que Cristo foi o Messias que o Velho Testamento profetizou que viria, mas que pela dureza de coração os judeus acabaram rejeitando.

Segundo, Paulo teve uma experiência com Deus e é impossível virar as costas para esta afirmativa quando lemos o texto. Veja bem, ele se levantou e cumpriu com o que Cristo havia dito(V8). Se ele tivesse coração duro e virasse as costas para aquele milagre, tal qual os fariseus fizeram na época de Jesus, ele poderia ter desobedecido. E não só isso, ele orou a Deus tendo após sua oração duas visões de Deus lhe mostrando o que aconteceria (V11-12).

Só uma pessoa convertida, com o seu coração aberto a cumprir a vontade de Deus ora. Ninguém que é coagido ora, ninguém que é obrigado a fazer a vontade de Deus busca a Ele uma resposta, mas Paulo buscou e recebeu a resposta.

Não confundamos Deus ter escolhido alguém, com coação. Afinal, Ele conhece o coração do homem, seus desejos e anseios, sabendo muito bem quem escolher por saber quem responde melhor a sua missão.

Terceiro, é um erro usarmos eventos isolados para fundamentarmos nossas teorias. A Bíblia nos mostra exemplos tanto de pessoas que Deus parece não dar escolha para cumprir o seu chamado, quanto pessoas que Ele parece dar escolha, tal qual Judas, que foi escolhido por Cristo, mas ele decidiu traí-lo e fazer o que melhor lhe aprazia. E é diante disso que temos que ter cuidado ao afirmar que Deus não respeita nossas escolhas na hora de nos dar uma missão.

Paulo teve escolha, escolheu ressignificar a sua missão e de um defensor do judaísmo, o ensino que ele acreditava ser correto, escolheu continuar, porém agora servindo a Cristo o Messias prometido que veio aos seus. Ele não mudou de missão, apenas ressignificou a sua e reconheceu que Jesus era o Cristo esperado por tanto tempo. O nosso salvador e senhor para todo o sempre, amém!

 

BIBLIOGRAFIA

LOPES, Hernandes Dias, Paulo O Maior Líder do Cristianismo, Editora Hagnos, São Paulo, 2015

CHAMPLIM, RN. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo, Editora Hagnos, SÃO PAULO, 2014

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OS HUMILHADOS SERÃO EXALTADOS

 “Eu lhes digo que este homem, e não o outro, foi para casa justificado diante de Deus. Pois quem se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado”  (Lucas 18:14)

É comum vermos a Bíblia sendo mal interpretada, eu já dei inúmeras amostras do quanto alguns fazem interpretações equivocadas e esta por sinal é uma delas, passei a minha infância toda ouvindo. Segundo pastores, quem é “humilhado” pelas pessoas, um dia Deus o “exaltará” diante dos homens. É um mantra repetido em algumas igrejas, dando a entender que um dia sua humilhação será revidada por Deus e você sairá por cima. O problema é que o texto não diz isso!

O texto em questão é uma parábola contada por Jesus, para entendermos temos que ler Lucas 18 do versículo 9 ao 14. E logo no versículo 9 temos o motivo do porquê Cristo contou a parábola:

“A alguns que confiavam em sua própria justiça e desprezavam os outros, Jesus contou esta parábola” (V9)

O texto não fala de pessoas que foram humilhadas, no qual depois Deus os exaltou. A parábola narra a história de dois homens, um o fariseu, que se achava santo, digno, o bonzão e um publicano, que tinha a consciência de quem era e do quanto precisava do perdão de Deus. O publicano se humilhou, ele não foi humilhado aí que está o erro de muitos intérpretes Bíblicos, ele se humilhou diante de Deus, enquanto o outro foi arrogante. Eu gosto da versão de Eugene H. Peterson para este versículo 14, ele é um pouco mais claro:

Jesus comentou: “Quem voltou para a casa justificado diante de Deus foi o cobrador de impostos, não o outro. Se você andar por aí de nariz empinado, vai acabar da cara no chão, mas, se com humildade enxergar quem você é, acabará se tornando uma pessoa melhor”

O texto fala sobre oração, uma humilde de um homem que se considerava o único pecador, mais que todos os outros e outra autossuficiente de um fariseu que se achava o único santo, mais que todos os outros.

Os publicanos eram cobradores de impostos que o império romano escolhia entre o próprio povo judeu. Geralmente eram mal vistos pelas pessoas, tidos como traidores, além de algumas vezes praticarem cobranças abusivas, como Lucas 19:8 nos informa. Já os fariseus nós conhecemos bem, eram os religiosos da época, que em sua maioria (pelo menos uma parte) eram legalistas e é sobre isso que o texto fala, de quem realmente foi perdoado.

“O veredito de Jesus foi que ele foi para casa justificado, isto é, aceito por Deus, mas o fariseu não. A ênfase gerada pelo contraste este […] e não aquele está correta. A parábola é, assim, mais uma manifestação de preocupação para com os “excluídos”. Deus está sempre pronto para receber os injustos quando estes apelam a ele, mas fecha seus ouvidos àqueles cujo orgulho por suas práticas religiosas e boas obras fazem com que se sintam autossuficientes” (CARSON, 2012, p. 1518)

Cuidado com o orgulho, com a comparação, não somos melhores um dos outros, todos nós somos pecadores e necessitamos da graça de Deus. Eu gosto de como Lawrence Richards resume esta passagem:

“O fariseu (v. 11,12) orou de verdade. E ele veio a presença de Deus. Mas só enxergava a si mesmo. Sua visão estava obscurecida pelas aparências, com as coisas que fazia e deixava de fazer. Convencido e autojustificado, não conseguia ver a Deus de forma clara – nem o próprio coração.

Também estava no Templo um cobrador de impostos envergonhado demais para levantar os olhos ao céu. Humilhando-se diante de Deus, esse homem encontrou o perdão” (RICHARDS, 2013, p. 799)

O texto não fala sobre ser exaltado diante dos homens e sim, sobre o perdão de Deus, quem realmente foi perdoado. Se humilhe diante de Deus, é sobre isso que o texto fala e não se dirige a quem foi humilhado por outra pessoa

Aliás, sinto lhe informar, nem sempre quando formos humilhados pelo mundo seremos exaltados. Leia as histórias dos apóstolos, dos mártires que morreram pregando a palavra. Isso sem contar que Cristo nos mandou amar os inimigos, diante disso, ser exaltado aqui no mundo é a última coisa que vai acontecer conosco

Só há um digno de ser exaltado, Cristo, o resto tem que se humilhar diante d’Ele e confiar em sua bondade

 

BIBLIOGRAFIA

RIENECKER, Fritz, Comentário Esperança De Lucas, Editora Esperança, Curitiba, 2005

CARSON. DA. FRANCE , RT, MOTYER, J. A, WENHAM, G. J, Comentário Bíblico Vida Nova, Editora Vida Nova, São Paulo, 2012

RICHARDS, Lawrence, Comentário Bíblico do Professor, Um Guia Didático Completo Para Ajudar no Ensino das Escrituras Sagradas do Gênesis ao Apocalipse, Editora Vida Acadêmica, São Paulo, 2013

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