Resultados para a categoria "REFLEXÕES EXPOSITIVAS"

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GUARDE AS SÃS PALAVRAS

Conserva o modelo das sãs palavras que de mim tens ouvido, na fé e no amor que há em Cristo Jesus  (2 Timóteo 1:13)

Eu gosto dos filmes do Mad Max e do seu teor pós-apocalíptico. O filme é bem filosófico, me faz pensar principalmente no ser humano e seus modelos de governo, no final tudo acaba, impérios ruem, o que era estável se colapsa, nada é eterno. Tudo o que vem do homem um dia rui, esta é uma certeza que a própria história confirma.

O interessante é que no contexto do filme, quem tem gasolina e água, comanda aquela sociedade, tal qual hoje, no final, a sociedade é movida por interesses. Ninguém milita de graça. Eu defendo a natureza quando me convém, e fecho os olhos para as demais catástrofes, quando os meus interesses políticos são prejudicados. Eu defendo as pessoas até o momento em que ganho algo, quando não mais ganho, eu me calo, sigo a vida com os olhos fechados. A sociedade é meio assim, descartável e interesseira, estamos vendo isso ultimamente e creio que continuaremos a ver até os últimos dias.

No mundo de Paulo, assim como no nosso, já que a Bíblia é incrivelmente atemporal, a coisa não é muito diferente, o homem é movido por interesses, sendo que muitos deles são falsos e hipócritas. Sobre a hipocrisia eu normalmente a classifico em duas para melhor entendê-la.

A primeira hipocrisia humana vem da emoção, da falta de reflexão, é uma atitude não intencional, movido por pura falta de reflexão e muito impulso. Em meio ao impulso e ao desejo de ser ou de fazer algo, vendemos uma imagem que não é nossa, representamos algo que não somos e que não conseguimos sustentar. É quando na emoção falamos, respondemos ou vendemos uma imagem construída.

 A segunda hipocrisia é a hipocrisia intencional, de quem quer manipular, ganhar, estar à frente, seja da forma que for, para ganhar a qualquer custo. Este é o hipócrita verdadeiro, que finge ser outro para ganhar algo em troca. A questão é que em ambos os casos, devemos estar preparados.

No texto em questão, Paulo começa falando para guardarmos as sãs palavras (V13). Pois em um mundo de interesses, se não tivermos a bússola bem calibrada, nós nos perdemos. É fácil sermos contaminados, é fácil nos perdermos mesmo que por uma causa justa. As nossas certezas podem nos enganar, e isso eu aprendi da pior forma possível.

Vivi o meu sonho de músico, militei por uma causa no qual eu era engajado, isso me ajudou em muitos aspectos. Foi bom saber como eu podia com meus próprios esforços, fazer algo, montar uma banda, gravar um CD, seguir meus sonhos. A questão é que muitas vezes o que nos ajuda, também pode nos manter ancorados, sem sair do lugar. Em uma altura do projeto, eu estava me sentido aprisionado, longe da vontade de Deus. As vezes as coisas começam de uma maneira justa e sincera, mas no meio do caminho, acabamos tomando outras estradas e nos desviando do propósito principal.

É a sã palavra que nos mantém no eixo, que nos guia e nos protege das ideologias que sem querer nos cega. No contexto de Paulo, ele estava falando do gnosticismo, que dava os seus primeiros passos. Mas em nosso contexto pode ser qualquer coisa que tire o foco de Deus, até, pasmem, a igreja, ou a banda, como foi o meu caso.

Conheço cristãos que passam os seus finais de semana inteiros na igreja, costumam deixar os filhos de lado, não separam um tempo para a família, e vivem sua vida para o templo, como se ir na igreja fosse tudo. Deus deve ser sempre o primordial em nossa vida, e por mais que devemos ir à igreja, estar em comunhão, ler e estudar a palavra é primordial para a nossa vida. Para guardarmos a sã palavra temos que primeiro estudar e entender a palavra, caso contrário não haverá o que guardar.

É importante destacar o termo “sãs palavras”. Pois no contexto onde vivemos, nem todas as palavras são sãs. Vemos tantas distorções, elucubrações e interpretações bizarras, que saber definir o que é coerente do que não é se torna fundamental para a nossa fé.

Em um mundo onde ser influenciado é quase que uma rotina de vida, guardar a sã palavra acaba virando o básico para que não nos desviemos do caminho. E quando eu falo em desviar, não falo somente em deixar de ir a igreja, e sim em seguir o ensinamento errado, pois como eu disse, tem gente que frequenta a igreja, mas não frequenta as páginas da Bíblia, com isso, acabam seguindo ensinos que não estão na palavra e os deixam longe da vontade de Deus.

BIBLIOGRAFIA

Bíblia Sagrada – Nova Tradução na Linguagem de Hoje; Ed. Soc. Bíblica do Brasil, São Paulo, 2005

Bíblia Sagrada – Bíblia de Jerusalém; Paulus, São Paulo, 2013

CHAMPLIM, Rn. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo, Editora Hagnos, SÃO PAULO, 2014

CARSON. DA. FRANCE , RT, MOTYER, J. A, WENHAM, G. J, Comentário Bíblico Vida Nova, Editora Vida Nova, São Paulo, 2012

RICHARDS, Lawrence, Comentário Bíblico do Professor, Um Guia Didático Completo Para Ajudar no Ensino das Escrituras Sagradas do Gênesis ao Apocalipse, Editora Vida Acadêmica, São Paulo, 2013

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REINO DE DEUS

Certa vez, tendo sido interrogado pelos fariseus sobre quando viria o Reino de Deus, Jesus respondeu: “O Reino de Deus não vem de modo visível, nem se dirá: ‘Aqui está ele’, ou ‘Lá está’; porque o Reino de Deus está entre vocês” (Lucas 17:20,21)

Em nossos dias temos muitas teorias de como será a vinda de Cristo, onde será o céu, se a terra vai ser restaurada ou não, enfim, são muitas especulações, sendo que na época de Jesus não era diferente. Muitos naquele tempo acreditavam que o Messias viria para libertar o povo judeu das garras do reino de Roma:

“A pergunta dos fariseus alicerçava-se sobre um conceito bem formal do reino divino, que para eles na verdade deve ser equiparado ao “reino messiânico”. Eles imaginavam a vinda do reino de Deus, ou seja, do “reino messiânico”, como um acontecimento histórico súbito, exteriormente grandioso, que poderia ser verificado com precisão como espectador” (RIENECKER, 2005, p. 357)

Seria uma restauração, um novo começo e era justo esta a pergunta que os fariseus faziam para Cristo, só que e o que Jesus lhes respondia era justamente o contrário, este reino não era um reino político:

“Jesus queria dizer que o Reino de Deus já estava presente na pessoa de seu Rei. O Reino já estava ali”.

“Os fariseus não conseguiam ver isso. Tudo o que viam era um carpinteiro da Galiléia, um fanático empoeirado que atacava a posição deles, bem como a eles próprios” (RICHARDS, 2013, p. 798)

Cristo inaugurou um outro reino, que não é terreno, não é calcado nas coisas finitas deste mundo e sim, um reino espiritual, encarnado na pessoa de Jesus e dos seus seguidores.

Eu respeito os irmão que acreditam no reino milenar de Cristo aqui na terra e em todas as interpretações a respeito do milênio. Mas a meu ver a Bíblia é clara, o nosso reino é espiritual, não é terreno. Jesus veio para mudar nosso coração, transformar a nossa vida e não nos dar coisas e regalias aqui neste mundo:

“O ser humano em sua cegueira natural anseia por condições melhores, não, porém pela melhora do coração. Visa uma nova realidade, não, porém um novo pensamento” (RIENECKER, 2005, p. 358)

Cristo veio transformar vidas, dar o exemplo de como é ser cristão, ele não veio para reinar de forma política no mundo e sim em corações. É claro que um dia Ele virá, mas enquanto não vem, o reino d’Ele é em nosso coração e nós seus seguidores fazemos parte deste reino.

BIBLIOGRAFIA

Bíblia Sagrada – Bíblia de Jerusalém; Paulus, São Paulo, 2013

RICHARDS, Lawrence, Comentário Bíblico do Professor, Um Guia Didático Completo Para Ajudar no Ensino das Escrituras Sagradas do Gênesis ao Apocalipse, Editora Vida Acadêmica, São Paulo, 2013

FRITZ, Rienecker, Evangelho de Lucas, Comentário Esperança, Editora Esperança, Curitiba, 2005

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E O VÉU RASGOU

Depois de ter bradado novamente em alta voz, Jesus entregou o espírito.
Naquele momento, o véu do santuário rasgou-se em duas partes, de alto a baixo. A terra tremeu, e as rochas se partiram. (Referência: Mateus 27:50-54)

Quando eu era novo frequentava uma igreja que carecia muito de ensino da palavra. Eu cresci não entendendo um monte de coisas que fui entender só muito tempo depois, e o véu se rasgando foi uma destas coisas. O que é uma pena, pois é uma passagem importante e realmente fundamental para a fé cristã.

Nesta passagem Cristo havia acabado de morrer, cataclismos naturais e eventos misteriosos sucediam a sua morte, mas o véu se rasgando é muito mais que apenas um acontecimento aleatório, sem significado.

Este véu era o que escondia o santo dos santos, onde somente o sacerdote podia entrar no dia da expiação como explica Levítico 16:1-30. Após a morte de Cristo o lugar ficou a vista. Estava sendo inaugurado um novo tempo, sem sacerdotes ungidos fazendo ponte entre nós e Deus, pois Cristo já morreu por nós de uma vez por todas e sem lugares santos, pois agora podemos buscar a Deus em qualquer lugar.   

“O que se queria expressar nessa hora tão estranha por meio deste evento extraordinário, jamais acontecido na face da terra? A velha aliança estava desfeita. A sombra teve de ceder à realidade. Os paradigmas foram cumpridos. As profecias foram realizadas. Os sacrifícios foram extintos por meio do único sacrifício que prevalece eternamente” (RIENCKER, 2012, p. 443)

Do período do sacrifício de Cristo em diante, o que vale é a sua graça, não mais sacrifícios, nem sacerdotes como mediadores, nem lugares especiais. O acesso a Deus, deste período em diante se dá somente através de Cristo.

Eu fico preocupado quando vejo cristãos ressuscitando práticas da lei que a próprio Bíblia aboliu, costurando novamente o véu que o próprio Deus rasgou. Pois não seguimos mais a lei, muito menos temos um sacerdote ungido por Deus como mediador. O acesso a Deus é através de Cristo, o véu se rasgou inaugurando uma nova era.

Não existe igreja santa, sacerdote ungido, cristão especial, depois do sacrifício de Cristo, não há mais mediador, a velha aliança foi desfeita, um novo período se inaugurou. Por isso não costure o véu novamente, não queira instituir leis que o próprio Novo Testamento aboliu. Entenda que a graça é o centro de tudo, e a lei apenas prova que sem Deus e a sua graça estamos condenados.

BIBLIOGRAFIA

RIENCKER, Fritz, Evangelho de Mateus, Comentário Esperança, Editora Esperança, Curitiba, 2012

CHAMPLIM, Rn. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo, Editora Hagnos, SÃO PAULO, 2014

Bíblia Sagrada, Bíblia NTLH, Sociedade Bíblica do Brasil, São Paulo, 1998

Bíblia Sagrada, Bíblia de Jerusalém; Paulus, São Paulo, 2013

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REFLEXÕES SOBRE UM PRÓDIGO IV: O IRMÃO MAIS VELHO

“Mas ele se indignou, e não queria entrar…” (Referência: Lucas 15:11-32)

Antes de estudar esta passagem do filho pródigo, eu nunca havia me atentando para uma coisa: “e o irmão onde estava enquanto tudo acontecia?”

O irmão mais velho, na cultura judaica, era o sucessor do pai, o que seria o patriarca da família quando este morresse como vimos no primeiro texto. É por esse motivo que o irmão mais velho ganhava uma parte maior da herança, além é claro, de ser uma forma de manter na família as suas posses.

Aquele irmão mais velho sabia o que o seu pai estava passando, mas se calou, a atitude dele deveria ter sido diferente, ainda mais que ele seria o sucessor de tudo, a atitude lógica deste sucessor deveria ter sido o de proteger a honra de seu Pai, coisa que ele não fez.

Provavelmente aquela família vivia em um local onde existia uma pequena comunidade, era uma cidade tipo cidade de interior, onde todo mundo devia se conhecer e saber da vida de todo mundo. E o texto fala também que aquele pai tinha muitos empregados (V19), e o filho mais novo, como vimos, estava envergonhando aquele pai, perante todas estas pessoas e o primogênito não estava nem aí, não interveio e nem tomou atitude alguma, deixou o seu pai se virar perante aquela rebelião, nem ligou para o seu irmão mais novo.

 Se o pecado do filho mais novo foi virar as costas para a cultura, a família e para o seu pai, o pecado do mais velho era o da omissão, o de não ligar para seu pai e de não protegê-lo. Na verdade, se pensarmos bem, os dois irmãos não amavam o seu pai, nenhum dos dois respeitava o seu pai a ponto de querer o bem dele, no fim os dois eram egoístas e só pensavam em si (MACARTHUR, 2009,Pg. 77)

A parte curiosa do texto é o versículo 29, quando o filho mais velho diz que ele trabalhava como um escravo. Era assim que aquele filho via o seu Pai, um tirano, um senhor de escravos.

A parábola do filho pródigo é uma grande metáfora que fala da graça. O pródigo são os pecadores que se arrependem, o Pai é Deus, o Deus de amor que recebe seus filhos arrependidos e os perdoa e o filho mais velho são os Fariseus hipócritas:

“Essa é, portanto, a lição culminante e central da parábola: Jesus está indicando o contraste violento entre a alegria de Deus na redenção dos pecadores e a hostilidade inflexível dos fariseus em relação a esses mesmos pecadores” (MACARTHUR, 2009, Pg. 16)

A graça de Deus é um escândalo, não era só os fariseus que não entendiam, muitos hoje também não entendem. Deus é como aquele pai, que não demora em receber um pecador arrependido, a parábola enfatiza justamente isso, como Deus recebe os seus.

Para o irmão mais velho, assim como para os fariseus, receber um irmão arrependido sem antes punir, era uma loucura. O curioso era que aquele irmão nem percebeu que ele observou seu pai sofrer com o pródigo desobediente e nem fez algo a fim de ajudar.

A realidade é esta, o homem não enxergava a trave em seu olho, mas queria tirar a trave do próximo. Era isso que o irmão, os fariseus e muitas vezes nós, fazemos.

No fim a parábola não fala só de um pródigo e nem só de um irmão mais velho indignado com seu pai, mas de todos nós. A mensagem é uma explicação do amor de Deus e de sua incompreensível graça.

Devemos perdoar, porque todos nós erramos, devemos amar, pois só Deus realmente ama, fazemos o bem porque ele fez primeiro, sendo que ser cristão é principalmente ter a consciência de quem realmente somos.

BIBLIOGRAFIA

MACARTHUR, John, A parábola do filho pródigo, Uma análise completa da história mais importante que Jesus contou, Editora Thomas Nelson, Rio de Janeiro, 2016

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REFLEXÕES SOBRE UM PRÓDIGO III: UM PAI DE AMOR

“Levantar-me-ei, e irei ter com meu pai…” (Referência: Lucas 15:11-32)

Nunca é fácil voltar, ainda mais quando você sai de casa com muitos planos e estes acabam dando errado.  Ninguém gosta de entrar em uma empreitada e se ferrar, mas este filho tinha uma vantagem, ele tinha um lugar para voltar, pois a realidade é que nem todos têm.

Por mais que possamos nos indignar com as atitudes deste filho, que como vimos nos textos anteriores foi tão insolente e mal educado com seu pai, eu fico feliz com uma coisa neste texto, este filho se arrependeu. Viu o quão errado estava e decidiu voltar. Ele estava tão destituído de sua arrogância, que estava disposto voltar para casa como um trabalhador e não mais como um filho, tamanho arrependimento que estava sentindo (Lucas15: 19)

A parte profunda da passagem é o versículo 20, que diz que quando ele estava longe o Pai havia o avistado. Não tem amor maior do que o deste pai. Eu fico pensando o quão preocupado aquele pai estava, o quanto devia ter se desgastado pensando em seu filho, tentando saber se ele estava bem ou não. Quantas noites de sono este pai deve ter perdido em nome de um filho desobediente, por isso este não demorou em recebê-lo.

A esta altura, quem ouvia Jesus contar esta parábola já estava impressionado. Não só porque o filho mais novo havia feito aquele pedido ofensivo, nem porque aquele filho queria ir embora para uma terra distante e virar as costas para a sua família, mas porque aquele pai também tinha cometido um erro grande de ser muito bondoso para com ele, repartindo a herança e fazendo a vontade daquele filho insolente. Sendo que depois, aquele pai recebeu o filho mais novo com honras. Matou um novilho gordo, que geralmente era guardado para ocasiões especiais e o recebeu como um filho, colocando um calçado e dando um anel, que era sinal de status, coisa que um pai naquela época nunca faria se um filho tivesse feito o que o pródigo fez.

O versículo 20 diz que aquele pai correu em direção ao filho, sendo que naquela época nobres não corriam, só garotinhos que corriam, mas aquele pai correu, pois seu amor era muito grande. Outra coisa, para um bom judeu ou para os fariseus, a atitude esperada daquele pai era um castigo muito severo para aquele filho, mas aquele pai não fez isso. Este pai tinha atitudes muito diferentes, ele não seguia os padrões do mundo e nem as leis conhecidas, ele amava demais para condenar aquele filho:

“As ações do pai demonstravam que ele era realmente amoroso, não um tirano, e estava disposto a passar pelas humilhações públicas em vez de desonrar seu filho (MACARTHUR, 2009,Pg. 70)”

E é aqui que não consigo deixar de fazer um link com Deus, que deu o seu próprio filho por amor a nós. E Jesus, que foi um exemplo de filho, se doando, morrendo e cuidando de nós seres humanos insolentes e pecadores.

Deus é este pai que se doa, ama e quer ver seus filhos bem, Deus é o nosso pai, que decidiu dar o seu filho para morrer em nosso lugar, basta nos arrependermos e olharmos para ele.

A parábola do filho pródigo traça paralelos importantíssimos, mostra um filho desobediente, como nós, que não demora em preferir ficar longe de Deus para viver a sua vida da forma que bem quiser. E mostra também que longe de Deus, não somos nada e é quando entendemos esta verdade, percebendo quão podres somos longe de Deus, que voltamos para os seus cuidados.

O filho se arrependeu e voltou, descobriu a duras penas como é ruim viver longe do pai e o Pai, recebeu aquele filho, festejou e se alegrou por um filho que estava perdido e tinha sido achado. Contudo a história não termina aqui, ela acaba nos mostrando que nem todos estavam felizes com a volta do pródigo, e é isso que veremos no próximo texto.

BIBLIOGRAFIA

MACARTHUR, John, A parábola do filho pródigo, Uma análise completa da história mais importante que Jesus contou, Editora Thomas Nelson, Rio de Janeiro, 2016

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REFLEXÕES SOBRE UM PRÓDIGO II: UMA TERRA LONGÍNQUA

“E, poucos dias depois, o filho mais novo, ajuntando tudo, partiu para uma terra longínqua…” (Referência: Lucas 15:11-32)

No texto passado falamos de um filho que teve a audácia de pedir para o seu pai, que estava vivo, a sua parte da herança, tentei deixar claro o quão foi ofensivo sua atitude. Não podemos esquecer que muitos estavam ouvindo Cristo contar a parábola e com certeza, nesta altura da narrativa, aqueles ouvintes já estavam indignados. Muitas outras coisas que o filho fez eram ofensivas para os ouvintes de Jesus, optei por me concentrar nos fatos mais importantes, por não termos espaço suficiente no texto.

O texto Bíblico diz que aquele filho foi embora da casa do seu pai (Lucas 15:12). Veja bem, uma família, para um judeu, é algo muito importante, sendo que a sua terra não deveria sair da linhagem familiar, pois para eles era um bem valioso. Inclusive, existia uma lei chamada Jubileu, que está em Levítico 25:23-24, que previa, no ano do jubileu, que a terra que tivesse sido vendida, fosse devolvida. A lógica desta lei era que o legado da família deveria continuar sempre na família. Este também era um dos motivos que o filho mais velho recebia o dobro da porção da herança quando o pai morria, e o mais novo apenas um terço.

Por existir uma lei chamada: Lei de progenitura, que garantia o direito ao mais velho de receber uma porção dobrada, enquanto o mais novo ficava com um terço de tudo. O filho mais velho recebia mais e poderia manter uma base financeira que continuaria deixando a família forte, além de virar o chefe da família, sendo ele um apoio e uma base de estabilidade para todos os irmãos. A Bíblia relata poucas exceções onde o mais novo ganhava este direito, no geral o filho mais velho era quem recebia (MACARTHUR, 2009,Pg. 62, 63).

Mas aquele filho mais novo não ligava para isso tudo, queria mais era sair, ir embora e cuidar de sua vida em um lugar distante, longe de sua cultura e de sua família. Vale lembrar que eu estou relatando os costumes do povo daquela época, não estou afirmando que você não deve se planejar e ir estudar ou morar em outro país, nem estou afirmando que isso é certo ou errado. A intenção do texto é você entender a parábola e perceber como a narrativa tinha muitos fatores que eram ofensivos para o povo daquela época.

Imagine que você fosse um garoto do interior, que estivesse chegando em uma cidade com o bolso cheio de dinheiro ou fosse um turista que tivesse ido passar um tempo em uma cidade desconhecida. Nós sabemos como na cidade existem muitos espertalhões, gente interesseira e sabemos também que aquele filho queria seguir a sua vida vivendo da forma que bem quisesse. O cenário da continuação da narrativa é basicamente esse e por conta destes fatos o filho não se deu muito bem.

Quando temos dinheiro arranjamos muitos amigos, somos cercados de gente e dos mais diversos interesseiros. Adicione a esse fato uma pessoa que tem seguido apenas os seus impulsos e não tem tido em momento algum pensamentos racionais e reflexivos. A soma destes dois fatores é na maioria das vezes fatal, como foi para o filho pródigo.

A Bíblia diz que ele acabou vivendo dissolutamente, desperdiçando tudo o que ele tinha (Lucas 15:12). São poucos os adolescentes ou jovens que pensam no futuro, geralmente quando pensam é porque já passaram por poucas e boas ou porque ouvem a instrução dos seus familiares. Este rapaz, munido com o dinheiro do papai, optou por torrar a grana, sem pensar como viveria quando esta acabasse, sendo que após isso o texto diz que uma fome tremenda veio à cidade (Lucas15:14)

Sem dinheiro, sem comida e com certeza sem amigos, o seu fim foi cuidar de porcos, que para um judeu era coisa imunda, praticamente uma ofensa se “um amigo” lhe desse um emprego destes (Lucas15: 15). Resumindo, por conta de sua irresponsabilidade, aquele rapaz acabou trabalhando em coisas que a sua própria cultura reprovava. Sendo este trabalho, a meu ver, uma continuação lógica do que ele já fazia que era viver uma vida de promiscuidade, exageros e desperdícios.

O filho estava no fundo do poço quando se lembrou do seu pai e recordou como todos os trabalhadores tinham o que comer, ele também deveria ter lembrado-se de sua própria vida, de como vivia e de como o seu pai cuidava dele. Neste momento ele se arrependeu, confessou que tinha pecado contra seu pai e contra Deus e resolveu voltar (Lucas 15: 17,18)

Muitos, talvez por não refletirem, aprendem só sentindo na pele, quem vive na emoção, só aprende com a emoção, apanhando, sentindo no corpo a dor que é viver sem os cuidados do pai.

O filho pródigo é também um pouco de nós, assim como Adão e o povo judeu em todo o Velho Testamento, pois eles tinham tudo, mas optaram por virar as costas para o Pai e viver como bem entendiam.

Nós quando vivemos longe de Deus, certamente caminhamos para o caos, o homem sem Deus caminha para a destruição, não tenha dúvidas. A saída para o filho pródigo era voltar e é esta a saída para todos nós também, o homem sem Deus não é nada, é como o filho pródigo que tomado por uma cegueira, seguiu para a destruição. Mas a história não acaba aqui, no próximo texto, vamos ver o reencontro de um filho desobediente com um pai paciente e amoroso.

BIBLIOGRAFIA

MACARTHUR, John, A parábola do filho pródigo, Uma análise completa da história mais importante que Jesus contou, Editora Thomas Nelson, Rio de Janeiro, 2016

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REFLEXÕES SOBRE UM PRÓDIGO I: O FILHO

“Um certo homem tinha dois filhos…” (Referência: Lucas 15:11-32)

Quando falamos do filho pródigo, falamos de uma passagem Bíblica conhecida, talvez uma das mais pregadas, lidas e interpretadas, mas muitas vezes incompreendida. Cristo contou esta parábola para que aprendêssemos uma lição importante, porém muitas vezes não entendemos a profundidade de seu ensino porque não conhecemos os costumes e ritos judaicos e é isso que vamos ver para que entendamos a parábola um pouquinho melhor.

Temos como pano de fundo desta parábola Jesus rodeado de publicanos e pecadores, que ouviam e aprendiam com suas parábolas. E os fariseus e escribas julgando o fato de Jesus estar no meio daquela ralé. Na verdade, Judeus não se misturavam, pois tinham medo de se contaminar com pessoas pecadoras, eles tinha até um provérbio rabínico que dizia:

“Não se associe o homem com o ímpio, nem mesmo para trazê-lo para a lei (CARSON, 2012, Pg. 1512)”

Lembrando que quando os judeus falavam ímpio, eles queriam se referir a não judeus. Mas Cristo não ligava para isso, afinal, quem contaminava as pessoas com seu amor e cuidado era ele.

Nós temos no capítulo quinze três parábolas que falam sobre misericórdia, sobre buscar ou encontrar algo que se havia perdido, a parábola do filho pródigo é a terceira e a mais detalhada e a meu ver, a parábola com o mais profundo dos ensinamentos. A parábola do filho pródigo me impressiona de várias maneiras, mas confesso que comecei a entender melhor a passagem depois que comecei a ter uma certa idade.

Com o tempo você a prende a observar, você começa a notar as atitudes dos que estão a sua volta e até ver como eles agem para com seus pais e parentes. Principalmente quando estes são filhos, é normal um filho desdenhar de seu pai quando estes têm certa idade. É comum vermos adolescentes não respeitarem os cabelos brancos e agirem como se soubessem de tudo, normalmente estes quebram a cara, pois se nem nós, que já temos certa idade, sabemos de tudo, que dirão eles, que começaram a caminhar faz poucos dias.

Quando eu leio a passagem do filho pródigo não consigo deixar de fazer um link com os muitos adolescentes arrogantes que eu já vi por aí ou até comigo quando fui adolescente, é comum vermos estes agirem como senhores de si. Mas eu vou mais além, pois conheço alguns adultos arrogantes, que agem como adolescentes, achando que sabem de tudo e só pensam em seus umbigos. A arrogância é um mal que faz com que não tenhamos a capacidade ouvir o próximo, aprender com os nossos erros ou para refletir sobre nossas atitudes, eu ainda acho que o filho pródigo era um adolescente, entretanto isso não tem muita importância.

O texto diz que este filho teve a desfaçatez de pedir a seu pai a sua parte da herança.  Sendo este um pedido muito ofensivo, afinal não era comum um filho pedir a herança ao seu pai vivo, é como se ele dissesse: olha pai, já que você não morre, dê a minha parte da herança para eu fazer o que quiser.

Eu descreveria o filho pródigo ou este estilo de pessoa arrogante como pessoas cegas pela vontade de ser feliz a qualquer custo. Pessoas que acreditam que apenas a sua fórmula, seu modo de agir ou a sua receita é a melhor. Por isso estes não medem esforços para terem sucesso em seus empreendimentos.

O filho pródigo da parábola não demorou para exigir sua parte da herança, mesmo com o seu pai vivo, pois ele tinha um plano e o seu pai tinha o dinheiro. É fácil sonhar com o fruto do esforço alheio, é fácil magoar os outros para ter condição de fazer as coisas do nosso jeito, o difícil é batalhar, trabalhar e correr atrás.

Aprendemos muitas coisas com esta parte da parábola, sendo que entre todas as lições, talvez a principal seja “como a arrogância tem a capacidade de fazer com que passemos por cima dos outros, sem perceber o estrago que estamos fazendo”. Talvez não tenhamos um pai vivo para pedir a herança, mas temos parentes ou amigos com uma idade muito mais avançada do que a nossa, com costumes tão opostos e estranhos onde não temos a paciência de respeitar e dialogar. Não precisamos aceitar tudo de todos, mas podemos aprender a conversar de forma mais amorosa e paciente, respeitando e sendo grato pelo fato de que até aquele momento estas pessoas têm nos dado a mão.

A resposta mais coerente deste pai diante do pedido que o filho pródigo fez, segundo o costume da época, seria um tapa na cara em público, lembrando que naquela época um filho desobediente era apedrejado, conforme Deuteronômio 21:18-21. Seu pedido era incoerente, ofensivo e irracional, mas aquele pai resolveu atender ao pedido do filho, quem sabe o pai quisesse ensinar algo ao filho, por isso decidiu tomar um caminho diferente, não sabemos, só temos a certeza que aquele pai cedeu ao pedido do filho desobediente no qual muito amava (MACARTHUR, 2009,Pg. 64).

Com certeza aprendemos muito mais quando quebramos a cara, esteja certo de que eu aprendi muito quando caí no mundo e vi que ele não era como eu imaginava. Eu me lembro das muitas das lições que ouvi quando morava com meus pais, o problema foi que no momento em que eu lembrei, já era tarde demais.

Não se esqueça de que o mundo ensina, mas cobra caro, e aquele pai sabia disso. Já que aquele filho queria seguir o seu caminho, o pai, que era muito sábio, resolveu não o impedir. Ele sabia que tendo sucesso ou não nos seus planos, existia a possibilidade daquele filho aprender muito e acabar descobrindo o valor de ter um pai que cuida e zela por ele.

O filho pródigo é uma parábola que fala muito de nós e das nossas arrogâncias, fala do quanto muitas vezes nos sentimos superiores a tudo e a todos, e acabamos por seguir nosso caminho alheio a conselhos e ajudas. Mas a parábola não acaba aqui, no texto seguinte iremos ver este filho vivendo como bem queria na cidade grande.

BIBLIOGRAFIA

MACARTHUR, John, A parábola do filho pródigo, Uma análise completa da história mais importante que Jesus contou, Editora Thomas Nelson, Rio de Janeiro, 2016

CARSON. DA. FRANCE , RT, MOTYER, J. A, WENHAM, G. J, Comentário Bíblico Vida Nova, Editora Vida Nova, São Paulo, 2012

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O BOM SAMARITANO

Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé dele e, vendo-o, moveu-se de íntima compaixão… (Referência Lucas 10:25 a 37)

 

Cristo contava muitas parábolas quando queria ensinar, tal recurso é didático e uma ótima ferramenta de ensino.  Uma boa história nos ajuda a contextualizar a questão e entender o conteúdo de uma forma muito mais ampla. Creio ser este um dos motivos para Jesus usar tal ferramenta

Esta passagem conhecida como a parábola do bom samaritano é uma das mais conhecidas e talvez até uma das mais incompreendidas. O texto tem como tema principal “graça e obras”. Sendo que e parábola foi contada por causa de duas perguntas: “O que farei para herdar a vida eterna?” (Lucas 10:25) questão que tinha como propósito testar Cristo seguido da pergunta “quem é o meu próximo?” (Lucas 10:29), que seria a sua justificativa por ter feito a pergunta.

Na pergunta “o que farei para herdar a vida eterna?” Fica claro que desde os primórdios o homem continua com a mania de achar que a salvação está ao alcance de suas mãos, que através das suas obras ele poderá comprar a sua entrada no céu. A verdade é que tudo vem pela graça, as obras não são um caminho para a salvação e sim é o resultado de quem foi realmente tocado por Deus, no que chamamos de frutos do espírito (Gálatas 5:22).

A parábola diz que um homem que descia de Jerusalém a Jericó foi assaltado e espancado, deixado quase morto à beira do caminho. Só que para a infelicidade daquele homem, um sacerdote que se aproximava não quis ajudar, ele passou de largo, sendo que depois um levita fez a mesma coisa. Estes homens que trabalhavam no templo não queriam perder tempo com alguém caído na beira da estrada, deviam ter coisa melhor para fazer na igreja ou gente mais importante para atender em suas comunidades. Quem sabe até que eles pensavam que aquele homem estava sofrendo porque tinha pecado, que Deus o estava castigando, como era comum um judeu da época pensar ou apenas não queriam se meter na vida dos outros. Só que o texto diz que um samaritano apareceu em cena e ele não agiu como aqueles dois homens, ele fez diferente, cuidou do moribundo até a sua recuperação.

Veja bem, um samaritano era alguém odiado pelos judeus, o exemplo que Cristo dá não poderia ser mais ácido. Judeus e samaritanos não podiam se ver sem brigar, eles discordavam quanto ao local de cultos, além de serem vistos como semigentios, já que samaritanos se casavam com não judeus, coisa que um judeu não concordava.

Na verdade a parábola que Cristo contou denunciava a hipocrisia daqueles homens, que viravam as costas para quem estavam passando necessidade. Eles sabiam de cor a lei, mas não a praticavam. O mais curioso foi que Jesus não respondeu a pergunta “o que devo fazer para herdar a vida eterna?”, quem respondeu foi o próprio mestre da lei induzido pela pergunta de Cristo (V27)

A verdade é que é fácil nos perdermos em nossa religiosidade, é comum cultivarmos uma vida cristã sincera e cairmos depois no ativismo e no autocentrismo. Gosto de como Stott pontua o que é ser cristão:

Por que eu sou cristãos? Intelectualmente falando, é por causa do paradoxo de Jesus Cristo. É porque aquele que afirmou ser o Senhor dos seus discípulos humilhou-se para ser servo deles (STOTT, 2004, p. 50)

Ser cristão é ser servo, é olhar para o próximo, é fazer o bem sem olhar quem é o beneficiado. E é esta lição que Cristo estava tentando ensinar aquele mestre da lei. A parábola denunciava um legalismo, mostrava que o mestre da lei falava de algo que não vivia, ou seja, ele era um hipócrita.

“O hipócrita não é alguém que falha em alcançar os alvos espirituais que deseja, porque todos nós falhamos de um modo ou de outro. O hipócrita é a pessoa que nem sequer tenta alcançar quaisquer objetivos, mas faz com que pensem que tentou. Sua confissão e a sua prática não condizem” (SWINDOLL, 2004, p. 214)

O hipócrita é um ator, alguém que diz que vive uma vida que nem de perto ele segue.

A parábola denuncia uma hipocrisia vinda dos mestres da lei e fariseus, mas também denuncia a nossa vida contraditória quando falamos de uma coisa que não vivemos.

O bom samaritano, que era mal visto por todos os religiosos, nem quis saber quem era o moribundo, ajudou a pessoa sem ao menos conhecê-la, ele era bom e nem pensou agir de modo diferente, este é o exemplo que Cristo deixou para seguirmos.

A parábola nos deixa uma pergunta implícita, quem é você e como você age quando alguém precisa de ajuda? A resposta acabará mostrando quem você é tal qual mostrou aqueles fariseus!

 

 

BIBLIOGRAFIA

Bíblia Sagrada – Bíblia de Jerusalém; Paulus, São Paulo, 2013

CHAMPLIM, Rn. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo, Editora Hagnos, SÃO PAULO, 2014

RIENECKER, Fritz, Evangelho de Lucas Comentário Esperança, Editora Esperança, Curitiba, 2005

STOTT, John, Por Que Sou Cristão, Editora Ultimato, Minas Gerais, 2004

SWINDOLL, Charles, Jó, Editora Mundo Cristão, São Paulo, 2004

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JUSTOS E PECADORES

“Eu não vim chamar justos, mas pecadores ao arrependimento” (Referência: Lucas 5:27-32)

Cristo foi muito perseguido, a Bíblia não nos deixa dúvidas, pois a religião não compreendia suas atitudes, a graça com que Jesus tratou os necessitados enquanto esteve aqui na terra, não entrou na cabeça dos religiosos hipócritas da época.

Neste capítulo Jesus cura um paralítico e logo após, acaba se encontrando com Levi, um cobrador de impostos. Veja bem, normalmente os cobradores de impostos eram judeus que trabalhavam para Roma. Estes homens acabavam sendo vistos como traidores, por trabalhar para Roma, além de serem em sua maioria desonestos, cobrando impostos injustos de seus irmãos para que assim pudessem enriquecer ilicitamente.

O texto diz que Cristo andava com estas pessoas de má fama, na ocasião onde ele proferiu tal passagem ele estava em uma festa, onde os convidados eram justamente estes cobradores de impostos no qual a religião da época não se misturava. Aliás, Jesus só andava com os que a sociedade da época considerava escória, justo por acreditar que quem mais precisava de Deus eram eles. Contudo, tal frase proferida por Jesus pode ser vista como contraditória. Pois ele falou que não tinha vindo chamar os justos, justamente para os mestres da lei e fariseus (Lucas 5: 30). O que dá a entender que eles eram justos, certo? Errado!

Veja bem, os fariseus e mestres da lei se viam como puros, santos e justos, e viam os cobradores de impostos ou todos os outros de má fama, como impuros. A mensagem que ele passa com a frase é que ele não veio para quem se considera santo e sim para quem sabe que é pecador e está arrependido pelos seus pecados. A realidade é que somos todos pecadores, no fim, ninguém merece ser salvo, todos merecem a morte, contudo, Cristo veio para quem têm está mentalidade e sabe quem realmente é:

““Eu não vim chamar justos, mas pecadores ao arrependimento”. Era uma repreensão e um repúdio severo à atitude arrogante dos fariseus; Cristo não estavam sugerindo que eles estivessem se saindo muito bem sozinhos” (MACARTHUR, 2016, p.53)

Ser cristão é ter a consciência de ser pecador, é saber que sem Jesus não somos nada, está é a prova do arrependimento e da genuína conversão. Cristo não veio para quem se achava santo, mas para quem sabe que é pecador e do quanto precisa de sua graça. O que o texto quer passar é justamente isso.

Somos todos pecadores, não há um justo sequer, sem Jesus não somos nada e era isso que os sábios da época não entendiam. Eles acreditavam em uma religião baseada em méritos, no esforço próprio, mas Cristo veio nos mostrar a graça e do quanto precisamos dela.

No fim ninguém é justo, era isso que os fariseus da época não entendiam, eles se achavam o máximo, e consideravam os outros como escória. Jesus não veio para quem não se acha pecador, muito menos para arrogantes que se acham santos.

Só quem realmente entende a sua condição é que recebe Cristo em sua casa, é apenas quem está doente que busca cura, os que se acham sãos, continuam seu caminho, afundando em sua própria podridão.

 

BIBLIOGRAFIA

MACARTHUR, John, A parábola do filho pródigo, Uma análise completa da história mais importante que Jesus contou, Editora Thomas Nelson, Rio de Janeiro, 2016

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PECADOS

 Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós. (Referência: 1 João 1:8-10)

Não somos santos, não tenha dúvida disto. Por mais que encontremos em nossa caminhada gente boa e bem intencionada, somos contaminados pelo pecado, depravados como otimamente pontuam os calvinistas, pecadores até a raiz. E isso não é impossível de concluir, é só olhar em volta e ver como o potencial do homem em fazer maldades é muito maior do que para fazer coisas boas. Guerras, roubos, egoísmos, soberba, a lista é grande e um bom observador vê isso rapidamente.

O texto diz que nós nos enganamos quando dissemos que não temos pecados (V8), somos mentirosos, pois desde o Éden, quando Adão desobedeceu a Deus, carregamos esta maldição em nós. Curiosamente, os gnósticos daquela época negavam que o homem tinha pecado. Eles afirmavam que a alma era pura, e o corpo que era pecaminoso por ser parte da matéria. (CHAMPLIN, 2014, p.295). Mas existe uma verdade apenas, nós somos pecadores e ninguém pode afirmar que não tem pecado, quem afirma tais coisas se engana grandemente, o Comentário Bíblico Vida Nova completa de forma certeira:

“Ter pecado” significa mais do que “cometer pecado”; é uma referência ao princípio interior do qual os atos pecaminosos são manifestações exteriores (CARSON, FRANCE, MOTYER, WENHAM, 2012, p. 2098)

Enfim, somos seres pecadores, precisamos da graça divina a todo o tempo, contudo o texto continua e diz que se confessamos os nossos pecados, ele nos perdoa a nos purifica de todo o pecado (V9). Confessarmos, no grego é “omologeo” ou seja, significa: admitir a veracidade da acusação (CHAMPLIN, 2014, p.296). Se confessarmos Ele nos perdoa, basta confessar, que obviamente deve vir acompanhado de arrependimento, para que a atitude não seja hipócrita e vazia. Sobre pecados, Lawrence Richards faz uma pontuação também muito importante:

“Qual é a realidade do pecado para o cristão? O simples fato é que, embora Jesus tenha lidado completamente com o pecado em sua morte, a natureza pecaminosa dentro de nós não é erradicada. Os efeitos do pecado, entranhados em nosso ser interior, continuam nos incomodado. Prosseguimos experimentando orgulho, desejo, raiva, ódio e medo. A capacidade para pecar permanece em nós e vai ser um peso sempre presente até que encontremos a completa libertação na ressurreição” (RICHARDS, 2013, p. 1226)

Somos pecadores, não adianta negar, somos movidos por este mal que está enraizado em nossa vida, e se afirmarmos o contrário, fazemos de Deus um mentiroso (V10). Mas Cristo nos purifica de todo o pecado. Basta confessarmos e o buscarmos.

Esta passagem é um dos nossos grandes nortes, ela revela quem somos, e nos mostra o que devemos fazer sempre que pecamos, que é recorrer a Jesus sempre e a todo o momento

 

BIBLIOGRAFIA

CHAMPLIM, Rn. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo, Editora Hagnos, SÃO PAULO, 2014

RICHARDS, Lawrence, Comentário Bíblico do Professor, Um Guia Didático Completo Para Ajudar no Ensino das Escrituras Sagradas do Gênesis ao Apocalipse, Editora Vida Acadêmica, São Paulo, 2013

 

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