Resultados para a categoria "REFLEXÕES EXPOSITIVAS"

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REFLEXÕES SOBRE UM PRÓDIGO IV: O IRMÃO MAIS VELHO

“Mas ele se indignou, e não queria entrar…” (Referência: Lucas 15:11-32)

Antes de estudar esta passagem do filho pródigo, eu nunca havia me atentando para uma coisa: “e o irmão onde estava enquanto tudo acontecia?”

O irmão mais velho, na cultura judaica, era o sucessor do pai, o que seria o patriarca da família quando este morresse como vimos no primeiro texto. É por esse motivo que o irmão mais velho ganhava uma parte maior da herança, além é claro, de ser uma forma de manter na família as suas posses.

Aquele irmão mais velho sabia o que o seu pai estava passando, mas se calou, a atitude dele deveria ter sido diferente, ainda mais que ele seria o sucessor de tudo, a atitude lógica deste sucessor deveria ter sido o de proteger a honra de seu Pai, coisa que ele não fez.

Provavelmente aquela família vivia em um local onde existia uma pequena comunidade, era uma cidade tipo cidade de interior, onde todo mundo devia se conhecer e saber da vida de todo mundo. E o texto fala também que aquele pai tinha muitos empregados (V19), e o filho mais novo, como vimos, estava envergonhando aquele pai, perante todas estas pessoas e o primogênito não estava nem aí, não interveio e nem tomou atitude alguma, deixou o seu pai se virar perante aquela rebelião, nem ligou para o seu irmão mais novo.

 Se o pecado do filho mais novo foi virar as costas para a cultura, a família e para o seu pai, o pecado do mais velho era o da omissão, o de não ligar para seu pai e de não protegê-lo. Na verdade, se pensarmos bem, os dois irmãos não amavam o seu pai, nenhum dos dois respeitava o seu pai a ponto de querer o bem dele, no fim os dois eram egoístas e só pensavam em si (MACARTHUR, 2009,Pg. 77)

A parte curiosa do texto é o versículo 29, quando o filho mais velho diz que ele trabalhava como um escravo. Era assim que aquele filho via o seu Pai, um tirano, um senhor de escravos.

A parábola do filho pródigo é uma grande metáfora que fala da graça. O pródigo são os pecadores que se arrependem, o Pai é Deus, o Deus de amor que recebe seus filhos arrependidos e os perdoa e o filho mais velho são os Fariseus hipócritas:

“Essa é, portanto, a lição culminante e central da parábola: Jesus está indicando o contraste violento entre a alegria de Deus na redenção dos pecadores e a hostilidade inflexível dos fariseus em relação a esses mesmos pecadores” (MACARTHUR, 2009, Pg. 16)

A graça de Deus é um escândalo, não era só os fariseus que não entendiam, muitos hoje também não entendem. Deus é como aquele pai, que não demora em receber um pecador arrependido, a parábola enfatiza justamente isso, como Deus recebe os seus.

Para o irmão mais velho, assim como para os fariseus, receber um irmão arrependido sem antes punir, era uma loucura. O curioso era que aquele irmão nem percebeu que ele observou seu pai sofrer com o pródigo desobediente e nem fez algo a fim de ajudar.

A realidade é esta, o homem não enxergava a trave em seu olho, mas queria tirar a trave do próximo. Era isso que o irmão, os fariseus e muitas vezes nós, fazemos.

No fim a parábola não fala só de um pródigo e nem só de um irmão mais velho indignado com seu pai, mas de todos nós. A mensagem é uma explicação do amor de Deus e de sua incompreensível graça.

Devemos perdoar, porque todos nós erramos, devemos amar, pois só Deus realmente ama, fazemos o bem porque ele fez primeiro, sendo que ser cristão é principalmente ter a consciência de quem realmente somos.

BIBLIOGRAFIA

MACARTHUR, John, A parábola do filho pródigo, Uma análise completa da história mais importante que Jesus contou, Editora Thomas Nelson, Rio de Janeiro, 2016

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REFLEXÕES SOBRE UM PRÓDIGO III: UM PAI DE AMOR

“Levantar-me-ei, e irei ter com meu pai…” (Referência: Lucas 15:11-32)

Nunca é fácil voltar, ainda mais quando você sai de casa com muitos planos e estes acabam dando errado.  Ninguém gosta de entrar em uma empreitada e se ferrar, mas este filho tinha uma vantagem, ele tinha um lugar para voltar, pois a realidade é que nem todos têm.

Por mais que possamos nos indignar com as atitudes deste filho, que como vimos nos textos anteriores foi tão insolente e mal educado com seu pai, eu fico feliz com uma coisa neste texto, este filho se arrependeu. Viu o quão errado estava e decidiu voltar. Ele estava tão destituído de sua arrogância, que estava disposto voltar para casa como um trabalhador e não mais como um filho, tamanho arrependimento que estava sentindo (Lucas15: 19)

A parte profunda da passagem é o versículo 20, que diz que quando ele estava longe o Pai havia o avistado. Não tem amor maior do que o deste pai. Eu fico pensando o quão preocupado aquele pai estava, o quanto devia ter se desgastado pensando em seu filho, tentando saber se ele estava bem ou não. Quantas noites de sono este pai deve ter perdido em nome de um filho desobediente, por isso este não demorou em recebê-lo.

A esta altura, quem ouvia Jesus contar esta parábola já estava impressionado. Não só porque o filho mais novo havia feito aquele pedido ofensivo, nem porque aquele filho queria ir embora para uma terra distante e virar as costas para a sua família, mas porque aquele pai também tinha cometido um erro grande de ser muito bondoso para com ele, repartindo a herança e fazendo a vontade daquele filho insolente. Sendo que depois, aquele pai recebeu o filho mais novo com honras. Matou um novilho gordo, que geralmente era guardado para ocasiões especiais e o recebeu como um filho, colocando um calçado e dando um anel, que era sinal de status, coisa que um pai naquela época nunca faria se um filho tivesse feito o que o pródigo fez.

O versículo 20 diz que aquele pai correu em direção ao filho, sendo que naquela época nobres não corriam, só garotinhos que corriam, mas aquele pai correu, pois seu amor era muito grande. Outra coisa, para um bom judeu ou para os fariseus, a atitude esperada daquele pai era um castigo muito severo para aquele filho, mas aquele pai não fez isso. Este pai tinha atitudes muito diferentes, ele não seguia os padrões do mundo e nem as leis conhecidas, ele amava demais para condenar aquele filho:

“As ações do pai demonstravam que ele era realmente amoroso, não um tirano, e estava disposto a passar pelas humilhações públicas em vez de desonrar seu filho (MACARTHUR, 2009,Pg. 70)”

E é aqui que não consigo deixar de fazer um link com Deus, que deu o seu próprio filho por amor a nós. E Jesus, que foi um exemplo de filho, se doando, morrendo e cuidando de nós seres humanos insolentes e pecadores.

Deus é este pai que se doa, ama e quer ver seus filhos bem, Deus é o nosso pai, que decidiu dar o seu filho para morrer em nosso lugar, basta nos arrependermos e olharmos para ele.

A parábola do filho pródigo traça paralelos importantíssimos, mostra um filho desobediente, como nós, que não demora em preferir ficar longe de Deus para viver a sua vida da forma que bem quiser. E mostra também que longe de Deus, não somos nada e é quando entendemos esta verdade, percebendo quão podres somos longe de Deus, que voltamos para os seus cuidados.

O filho se arrependeu e voltou, descobriu a duras penas como é ruim viver longe do pai e o Pai, recebeu aquele filho, festejou e se alegrou por um filho que estava perdido e tinha sido achado. Contudo a história não termina aqui, ela acaba nos mostrando que nem todos estavam felizes com a volta do pródigo, e é isso que veremos no próximo texto.

BIBLIOGRAFIA

MACARTHUR, John, A parábola do filho pródigo, Uma análise completa da história mais importante que Jesus contou, Editora Thomas Nelson, Rio de Janeiro, 2016

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REFLEXÕES SOBRE UM PRÓDIGO II: UMA TERRA LONGÍNQUA

“E, poucos dias depois, o filho mais novo, ajuntando tudo, partiu para uma terra longínqua…” (Referência: Lucas 15:11-32)

No texto passado falamos de um filho que teve a audácia de pedir para o seu pai, que estava vivo, a sua parte da herança, tentei deixar claro o quão foi ofensivo sua atitude. Não podemos esquecer que muitos estavam ouvindo Cristo contar a parábola e com certeza, nesta altura da narrativa, aqueles ouvintes já estavam indignados. Muitas outras coisas que o filho fez eram ofensivas para os ouvintes de Jesus, optei por me concentrar nos fatos mais importantes, por não termos espaço suficiente no texto.

O texto Bíblico diz que aquele filho foi embora da casa do seu pai (Lucas 15:12). Veja bem, uma família, para um judeu, é algo muito importante, sendo que a sua terra não deveria sair da linhagem familiar, pois para eles era um bem valioso. Inclusive, existia uma lei chamada Jubileu, que está em Levítico 25:23-24, que previa, no ano do jubileu, que a terra que tivesse sido vendida, fosse devolvida. A lógica desta lei era que o legado da família deveria continuar sempre na família. Este também era um dos motivos que o filho mais velho recebia o dobro da porção da herança quando o pai morria, e o mais novo apenas um terço.

Por existir uma lei chamada: Lei de progenitura, que garantia o direito ao mais velho de receber uma porção dobrada, enquanto o mais novo ficava com um terço de tudo. O filho mais velho recebia mais e poderia manter uma base financeira que continuaria deixando a família forte, além de virar o chefe da família, sendo ele um apoio e uma base de estabilidade para todos os irmãos. A Bíblia relata poucas exceções onde o mais novo ganhava este direito, no geral o filho mais velho era quem recebia (MACARTHUR, 2009,Pg. 62, 63).

Mas aquele filho mais novo não ligava para isso tudo, queria mais era sair, ir embora e cuidar de sua vida em um lugar distante, longe de sua cultura e de sua família. Vale lembrar que eu estou relatando os costumes do povo daquela época, não estou afirmando que você não deve se planejar e ir estudar ou morar em outro país, nem estou afirmando que isso é certo ou errado. A intenção do texto é você entender a parábola e perceber como a narrativa tinha muitos fatores que eram ofensivos para o povo daquela época.

Imagine que você fosse um garoto do interior, que estivesse chegando em uma cidade com o bolso cheio de dinheiro ou fosse um turista que tivesse ido passar um tempo em uma cidade desconhecida. Nós sabemos como na cidade existem muitos espertalhões, gente interesseira e sabemos também que aquele filho queria seguir a sua vida vivendo da forma que bem quisesse. O cenário da continuação da narrativa é basicamente esse e por conta destes fatos o filho não se deu muito bem.

Quando temos dinheiro arranjamos muitos amigos, somos cercados de gente e dos mais diversos interesseiros. Adicione a esse fato uma pessoa que tem seguido apenas os seus impulsos e não tem tido em momento algum pensamentos racionais e reflexivos. A soma destes dois fatores é na maioria das vezes fatal, como foi para o filho pródigo.

A Bíblia diz que ele acabou vivendo dissolutamente, desperdiçando tudo o que ele tinha (Lucas 15:12). São poucos os adolescentes ou jovens que pensam no futuro, geralmente quando pensam é porque já passaram por poucas e boas ou porque ouvem a instrução dos seus familiares. Este rapaz, munido com o dinheiro do papai, optou por torrar a grana, sem pensar como viveria quando esta acabasse, sendo que após isso o texto diz que uma fome tremenda veio à cidade (Lucas15:14)

Sem dinheiro, sem comida e com certeza sem amigos, o seu fim foi cuidar de porcos, que para um judeu era coisa imunda, praticamente uma ofensa se “um amigo” lhe desse um emprego destes (Lucas15: 15). Resumindo, por conta de sua irresponsabilidade, aquele rapaz acabou trabalhando em coisas que a sua própria cultura reprovava. Sendo este trabalho, a meu ver, uma continuação lógica do que ele já fazia que era viver uma vida de promiscuidade, exageros e desperdícios.

O filho estava no fundo do poço quando se lembrou do seu pai e recordou como todos os trabalhadores tinham o que comer, ele também deveria ter lembrado-se de sua própria vida, de como vivia e de como o seu pai cuidava dele. Neste momento ele se arrependeu, confessou que tinha pecado contra seu pai e contra Deus e resolveu voltar (Lucas 15: 17,18)

Muitos, talvez por não refletirem, aprendem só sentindo na pele, quem vive na emoção, só aprende com a emoção, apanhando, sentindo no corpo a dor que é viver sem os cuidados do pai.

O filho pródigo é também um pouco de nós, assim como Adão e o povo judeu em todo o Velho Testamento, pois eles tinham tudo, mas optaram por virar as costas para o Pai e viver como bem entendiam.

Nós quando vivemos longe de Deus, certamente caminhamos para o caos, o homem sem Deus caminha para a destruição, não tenha dúvidas. A saída para o filho pródigo era voltar e é esta a saída para todos nós também, o homem sem Deus não é nada, é como o filho pródigo que tomado por uma cegueira, seguiu para a destruição. Mas a história não acaba aqui, no próximo texto, vamos ver o reencontro de um filho desobediente com um pai paciente e amoroso.

BIBLIOGRAFIA

MACARTHUR, John, A parábola do filho pródigo, Uma análise completa da história mais importante que Jesus contou, Editora Thomas Nelson, Rio de Janeiro, 2016

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REFLEXÕES SOBRE UM PRÓDIGO I: O FILHO

“Um certo homem tinha dois filhos…” (Referência: Lucas 15:11-32)

Quando falamos do filho pródigo, falamos de uma passagem Bíblica conhecida, talvez uma das mais pregadas, lidas e interpretadas, mas muitas vezes incompreendida. Cristo contou esta parábola para que aprendêssemos uma lição importante, porém muitas vezes não entendemos a profundidade de seu ensino porque não conhecemos os costumes e ritos judaicos e é isso que vamos ver para que entendamos a parábola um pouquinho melhor.

Temos como pano de fundo desta parábola Jesus rodeado de publicanos e pecadores, que ouviam e aprendiam com suas parábolas. E os fariseus e escribas julgando o fato de Jesus estar no meio daquela ralé. Na verdade, Judeus não se misturavam, pois tinham medo de se contaminar com pessoas pecadoras, eles tinha até um provérbio rabínico que dizia:

“Não se associe o homem com o ímpio, nem mesmo para trazê-lo para a lei (CARSON, 2012, Pg. 1512)”

Lembrando que quando os judeus falavam ímpio, eles queriam se referir a não judeus. Mas Cristo não ligava para isso, afinal, quem contaminava as pessoas com seu amor e cuidado era ele.

Nós temos no capítulo quinze três parábolas que falam sobre misericórdia, sobre buscar ou encontrar algo que se havia perdido, a parábola do filho pródigo é a terceira e a mais detalhada e a meu ver, a parábola com o mais profundo dos ensinamentos. A parábola do filho pródigo me impressiona de várias maneiras, mas confesso que comecei a entender melhor a passagem depois que comecei a ter uma certa idade.

Com o tempo você a prende a observar, você começa a notar as atitudes dos que estão a sua volta e até ver como eles agem para com seus pais e parentes. Principalmente quando estes são filhos, é normal um filho desdenhar de seu pai quando estes têm certa idade. É comum vermos adolescentes não respeitarem os cabelos brancos e agirem como se soubessem de tudo, normalmente estes quebram a cara, pois se nem nós, que já temos certa idade, sabemos de tudo, que dirão eles, que começaram a caminhar faz poucos dias.

Quando eu leio a passagem do filho pródigo não consigo deixar de fazer um link com os muitos adolescentes arrogantes que eu já vi por aí ou até comigo quando fui adolescente, é comum vermos estes agirem como senhores de si. Mas eu vou mais além, pois conheço alguns adultos arrogantes, que agem como adolescentes, achando que sabem de tudo e só pensam em seus umbigos. A arrogância é um mal que faz com que não tenhamos a capacidade ouvir o próximo, aprender com os nossos erros ou para refletir sobre nossas atitudes, eu ainda acho que o filho pródigo era um adolescente, entretanto isso não tem muita importância.

O texto diz que este filho teve a desfaçatez de pedir a seu pai a sua parte da herança.  Sendo este um pedido muito ofensivo, afinal não era comum um filho pedir a herança ao seu pai vivo, é como se ele dissesse: olha pai, já que você não morre, dê a minha parte da herança para eu fazer o que quiser.

Eu descreveria o filho pródigo ou este estilo de pessoa arrogante como pessoas cegas pela vontade de ser feliz a qualquer custo. Pessoas que acreditam que apenas a sua fórmula, seu modo de agir ou a sua receita é a melhor. Por isso estes não medem esforços para terem sucesso em seus empreendimentos.

O filho pródigo da parábola não demorou para exigir sua parte da herança, mesmo com o seu pai vivo, pois ele tinha um plano e o seu pai tinha o dinheiro. É fácil sonhar com o fruto do esforço alheio, é fácil magoar os outros para ter condição de fazer as coisas do nosso jeito, o difícil é batalhar, trabalhar e correr atrás.

Aprendemos muitas coisas com esta parte da parábola, sendo que entre todas as lições, talvez a principal seja “como a arrogância tem a capacidade de fazer com que passemos por cima dos outros, sem perceber o estrago que estamos fazendo”. Talvez não tenhamos um pai vivo para pedir a herança, mas temos parentes ou amigos com uma idade muito mais avançada do que a nossa, com costumes tão opostos e estranhos onde não temos a paciência de respeitar e dialogar. Não precisamos aceitar tudo de todos, mas podemos aprender a conversar de forma mais amorosa e paciente, respeitando e sendo grato pelo fato de que até aquele momento estas pessoas têm nos dado a mão.

A resposta mais coerente deste pai diante do pedido que o filho pródigo fez, segundo o costume da época, seria um tapa na cara em público, lembrando que naquela época um filho desobediente era apedrejado, conforme Deuteronômio 21:18-21. Seu pedido era incoerente, ofensivo e irracional, mas aquele pai resolveu atender ao pedido do filho, quem sabe o pai quisesse ensinar algo ao filho, por isso decidiu tomar um caminho diferente, não sabemos, só temos a certeza que aquele pai cedeu ao pedido do filho desobediente no qual muito amava (MACARTHUR, 2009,Pg. 64).

Com certeza aprendemos muito mais quando quebramos a cara, esteja certo de que eu aprendi muito quando caí no mundo e vi que ele não era como eu imaginava. Eu me lembro das muitas das lições que ouvi quando morava com meus pais, o problema foi que no momento em que eu lembrei, já era tarde demais.

Não se esqueça de que o mundo ensina, mas cobra caro, e aquele pai sabia disso. Já que aquele filho queria seguir o seu caminho, o pai, que era muito sábio, resolveu não o impedir. Ele sabia que tendo sucesso ou não nos seus planos, existia a possibilidade daquele filho aprender muito e acabar descobrindo o valor de ter um pai que cuida e zela por ele.

O filho pródigo é uma parábola que fala muito de nós e das nossas arrogâncias, fala do quanto muitas vezes nos sentimos superiores a tudo e a todos, e acabamos por seguir nosso caminho alheio a conselhos e ajudas. Mas a parábola não acaba aqui, no texto seguinte iremos ver este filho vivendo como bem queria na cidade grande.

BIBLIOGRAFIA

MACARTHUR, John, A parábola do filho pródigo, Uma análise completa da história mais importante que Jesus contou, Editora Thomas Nelson, Rio de Janeiro, 2016

CARSON. DA. FRANCE , RT, MOTYER, J. A, WENHAM, G. J, Comentário Bíblico Vida Nova, Editora Vida Nova, São Paulo, 2012

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O BOM SAMARITANO

Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé dele e, vendo-o, moveu-se de íntima compaixão… (Referência Lucas 10:25 a 37)

 

Cristo contava muitas parábolas quando queria ensinar, tal recurso é didático e uma ótima ferramenta de ensino.  Uma boa história nos ajuda a contextualizar a questão e entender o conteúdo de uma forma muito mais ampla. Creio ser este um dos motivos para Jesus usar tal ferramenta

Esta passagem conhecida como a parábola do bom samaritano é uma das mais conhecidas e talvez até uma das mais incompreendidas. O texto tem como tema principal “graça e obras”. Sendo que e parábola foi contada por causa de duas perguntas: “O que farei para herdar a vida eterna?” (Lucas 10:25) questão que tinha como propósito testar Cristo seguido da pergunta “quem é o meu próximo?” (Lucas 10:29), que seria a sua justificativa por ter feito a pergunta.

Na pergunta “o que farei para herdar a vida eterna?” Fica claro que desde os primórdios o homem continua com a mania de achar que a salvação está ao alcance de suas mãos, que através das suas obras ele poderá comprar a sua entrada no céu. A verdade é que tudo vem pela graça, as obras não são um caminho para a salvação e sim é o resultado de quem foi realmente tocado por Deus, no que chamamos de frutos do espírito (Gálatas 5:22).

A parábola diz que um homem que descia de Jerusalém a Jericó foi assaltado e espancado, deixado quase morto à beira do caminho. Só que para a infelicidade daquele homem, um sacerdote que se aproximava não quis ajudar, ele passou de largo, sendo que depois um levita fez a mesma coisa. Estes homens que trabalhavam no templo não queriam perder tempo com alguém caído na beira da estrada, deviam ter coisa melhor para fazer na igreja ou gente mais importante para atender em suas comunidades. Quem sabe até que eles pensavam que aquele homem estava sofrendo porque tinha pecado, que Deus o estava castigando, como era comum um judeu da época pensar ou apenas não queriam se meter na vida dos outros. Só que o texto diz que um samaritano apareceu em cena e ele não agiu como aqueles dois homens, ele fez diferente, cuidou do moribundo até a sua recuperação.

Veja bem, um samaritano era alguém odiado pelos judeus, o exemplo que Cristo dá não poderia ser mais ácido. Judeus e samaritanos não podiam se ver sem brigar, eles discordavam quanto ao local de cultos, além de serem vistos como semigentios, já que samaritanos se casavam com não judeus, coisa que um judeu não concordava.

Na verdade a parábola que Cristo contou denunciava a hipocrisia daqueles homens, que viravam as costas para quem estavam passando necessidade. Eles sabiam de cor a lei, mas não a praticavam. O mais curioso foi que Jesus não respondeu a pergunta “o que devo fazer para herdar a vida eterna?”, quem respondeu foi o próprio mestre da lei induzido pela pergunta de Cristo (V27)

A verdade é que é fácil nos perdermos em nossa religiosidade, é comum cultivarmos uma vida cristã sincera e cairmos depois no ativismo e no autocentrismo. Gosto de como Stott pontua o que é ser cristão:

Por que eu sou cristãos? Intelectualmente falando, é por causa do paradoxo de Jesus Cristo. É porque aquele que afirmou ser o Senhor dos seus discípulos humilhou-se para ser servo deles (STOTT, 2004, p. 50)

Ser cristão é ser servo, é olhar para o próximo, é fazer o bem sem olhar quem é o beneficiado. E é esta lição que Cristo estava tentando ensinar aquele mestre da lei. A parábola denunciava um legalismo, mostrava que o mestre da lei falava de algo que não vivia, ou seja, ele era um hipócrita.

“O hipócrita não é alguém que falha em alcançar os alvos espirituais que deseja, porque todos nós falhamos de um modo ou de outro. O hipócrita é a pessoa que nem sequer tenta alcançar quaisquer objetivos, mas faz com que pensem que tentou. Sua confissão e a sua prática não condizem” (SWINDOLL, 2004, p. 214)

O hipócrita é um ator, alguém que diz que vive uma vida que nem de perto ele segue.

A parábola denuncia uma hipocrisia vinda dos mestres da lei e fariseus, mas também denuncia a nossa vida contraditória quando falamos de uma coisa que não vivemos.

O bom samaritano, que era mal visto por todos os religiosos, nem quis saber quem era o moribundo, ajudou a pessoa sem ao menos conhecê-la, ele era bom e nem pensou agir de modo diferente, este é o exemplo que Cristo deixou para seguirmos.

A parábola nos deixa uma pergunta implícita, quem é você e como você age quando alguém precisa de ajuda? A resposta acabará mostrando quem você é tal qual mostrou aqueles fariseus!

 

 

BIBLIOGRAFIA

Bíblia Sagrada – Bíblia de Jerusalém; Paulus, São Paulo, 2013

CHAMPLIM, Rn. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo, Editora Hagnos, SÃO PAULO, 2014

RIENECKER, Fritz, Evangelho de Lucas Comentário Esperança, Editora Esperança, Curitiba, 2005

STOTT, John, Por Que Sou Cristão, Editora Ultimato, Minas Gerais, 2004

SWINDOLL, Charles, Jó, Editora Mundo Cristão, São Paulo, 2004

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JUSTOS E PECADORES

“Eu não vim chamar justos, mas pecadores ao arrependimento” (Referência: Lucas 5:27-32)

Cristo foi muito perseguido, a Bíblia não nos deixa dúvidas, pois a religião não compreendia suas atitudes, a graça com que Jesus tratou os necessitados enquanto esteve aqui na terra, não entrou na cabeça dos religiosos hipócritas da época.

Neste capítulo Jesus cura um paralítico e logo após, acaba se encontrando com Levi, um cobrador de impostos. Veja bem, normalmente os cobradores de impostos eram judeus que trabalhavam para Roma. Estes homens acabavam sendo vistos como traidores, por trabalhar para Roma, além de serem em sua maioria desonestos, cobrando impostos injustos de seus irmãos para que assim pudessem enriquecer ilicitamente.

O texto diz que Cristo andava com estas pessoas de má fama, na ocasião onde ele proferiu tal passagem ele estava em uma festa, onde os convidados eram justamente estes cobradores de impostos no qual a religião da época não se misturava. Aliás, Jesus só andava com os que a sociedade da época considerava escória, justo por acreditar que quem mais precisava de Deus eram eles. Contudo, tal frase proferida por Jesus pode ser vista como contraditória. Pois ele falou que não tinha vindo chamar os justos, justamente para os mestres da lei e fariseus (Lucas 5: 30). O que dá a entender que eles eram justos, certo? Errado!

Veja bem, os fariseus e mestres da lei se viam como puros, santos e justos, e viam os cobradores de impostos ou todos os outros de má fama, como impuros. A mensagem que ele passa com a frase é que ele não veio para quem se considera santo e sim para quem sabe que é pecador e está arrependido pelos seus pecados. A realidade é que somos todos pecadores, no fim, ninguém merece ser salvo, todos merecem a morte, contudo, Cristo veio para quem têm está mentalidade e sabe quem realmente é:

““Eu não vim chamar justos, mas pecadores ao arrependimento”. Era uma repreensão e um repúdio severo à atitude arrogante dos fariseus; Cristo não estavam sugerindo que eles estivessem se saindo muito bem sozinhos” (MACARTHUR, 2016, p.53)

Ser cristão é ter a consciência de ser pecador, é saber que sem Jesus não somos nada, está é a prova do arrependimento e da genuína conversão. Cristo não veio para quem se achava santo, mas para quem sabe que é pecador e do quanto precisa de sua graça. O que o texto quer passar é justamente isso.

Somos todos pecadores, não há um justo sequer, sem Jesus não somos nada e era isso que os sábios da época não entendiam. Eles acreditavam em uma religião baseada em méritos, no esforço próprio, mas Cristo veio nos mostrar a graça e do quanto precisamos dela.

No fim ninguém é justo, era isso que os fariseus da época não entendiam, eles se achavam o máximo, e consideravam os outros como escória. Jesus não veio para quem não se acha pecador, muito menos para arrogantes que se acham santos.

Só quem realmente entende a sua condição é que recebe Cristo em sua casa, é apenas quem está doente que busca cura, os que se acham sãos, continuam seu caminho, afundando em sua própria podridão.

 

BIBLIOGRAFIA

MACARTHUR, John, A parábola do filho pródigo, Uma análise completa da história mais importante que Jesus contou, Editora Thomas Nelson, Rio de Janeiro, 2016

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PECADOS

 Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós. (Referência: 1 João 1:8-10)

Não somos santos, não tenha dúvida disto. Por mais que encontremos em nossa caminhada gente boa e bem intencionada, somos contaminados pelo pecado, depravados como otimamente pontuam os calvinistas, pecadores até a raiz. E isso não é impossível de concluir, é só olhar em volta e ver como o potencial do homem em fazer maldades é muito maior do que para fazer coisas boas. Guerras, roubos, egoísmos, soberba, a lista é grande e um bom observador vê isso rapidamente.

O texto diz que nós nos enganamos quando dissemos que não temos pecados (V8), somos mentirosos, pois desde o Éden, quando Adão desobedeceu a Deus, carregamos esta maldição em nós. Curiosamente, os gnósticos daquela época negavam que o homem tinha pecado. Eles afirmavam que a alma era pura, e o corpo que era pecaminoso por ser parte da matéria. (CHAMPLIN, 2014, p.295). Mas existe uma verdade apenas, nós somos pecadores e ninguém pode afirmar que não tem pecado, quem afirma tais coisas se engana grandemente, o Comentário Bíblico Vida Nova completa de forma certeira:

“Ter pecado” significa mais do que “cometer pecado”; é uma referência ao princípio interior do qual os atos pecaminosos são manifestações exteriores (CARSON, FRANCE, MOTYER, WENHAM, 2012, p. 2098)

Enfim, somos seres pecadores, precisamos da graça divina a todo o tempo, contudo o texto continua e diz que se confessamos os nossos pecados, ele nos perdoa a nos purifica de todo o pecado (V9). Confessarmos, no grego é “omologeo” ou seja, significa: admitir a veracidade da acusação (CHAMPLIN, 2014, p.296). Se confessarmos Ele nos perdoa, basta confessar, que obviamente deve vir acompanhado de arrependimento, para que a atitude não seja hipócrita e vazia. Sobre pecados, Lawrence Richards faz uma pontuação também muito importante:

“Qual é a realidade do pecado para o cristão? O simples fato é que, embora Jesus tenha lidado completamente com o pecado em sua morte, a natureza pecaminosa dentro de nós não é erradicada. Os efeitos do pecado, entranhados em nosso ser interior, continuam nos incomodado. Prosseguimos experimentando orgulho, desejo, raiva, ódio e medo. A capacidade para pecar permanece em nós e vai ser um peso sempre presente até que encontremos a completa libertação na ressurreição” (RICHARDS, 2013, p. 1226)

Somos pecadores, não adianta negar, somos movidos por este mal que está enraizado em nossa vida, e se afirmarmos o contrário, fazemos de Deus um mentiroso (V10). Mas Cristo nos purifica de todo o pecado. Basta confessarmos e o buscarmos.

Esta passagem é um dos nossos grandes nortes, ela revela quem somos, e nos mostra o que devemos fazer sempre que pecamos, que é recorrer a Jesus sempre e a todo o momento

 

BIBLIOGRAFIA

CHAMPLIM, Rn. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo, Editora Hagnos, SÃO PAULO, 2014

RICHARDS, Lawrence, Comentário Bíblico do Professor, Um Guia Didático Completo Para Ajudar no Ensino das Escrituras Sagradas do Gênesis ao Apocalipse, Editora Vida Acadêmica, São Paulo, 2013

 

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DEUS É LUZ

Esta é a mensagem que dele ouvimos e transmitimos a vocês: Deus é luz; nele não há treva alguma (Referência 1 João 1:5-7)

 

Conheço muitos cristãos que não acreditam que conversão é mudança de vida.  Segundo estes, ser salvo, não é ter a vida transformada, por isso seguem tendo a mesma velha vida, contudo, o que a Bíblia afirma é justo o contrário e este texto é uma das passagens que dão ênfase no fato de que quando seguimos a Deus, nossa vida muda.

O texto começa falando que Deus é luz (V5) e sobre esta declaração o dicionário Vincent faz uma pontuação importante:

“Declaração da natureza absoluta de Deus. Não uma luz nem a luz, com referência a seres criados, como a luz dos homens, a luz do mundo, mas simples e absolutamente Deus é luz, em sua própria natureza” (VINCENT, 2013, 258)

Deus é, ele não parece com luz ou tem algo de luz, não. Sua essência é a verdadeira luz que ilumina nosso coração e a nossa vida. O versículo prossegue, pontuando algo muito importante para quem acha que conversão não é mudança de vida:

“Se afirmarmos que temos comunhão com ele, mas andamos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade” (V6)

É simples, quando temos comunhão com o Deus da luz, é impossível andarmos nas trevas. Quando achamos que ser cristão não é mudar de vida, não é ter uma nova vida, estamos nos enganando. Gosto do que Phillip Keller fala em seu livro complementando a questão:

“Muitos de nós parecem possuir grande volume de informação acerca do que o mestre espera de nós. Mas são poucos os que têm vontade, determinação e intenção de agir de acordo com essa informação ou seguir as instruções” (KELLER, 1984, p. 68)

A mudança de vida é o sinal de genuína conversão, a busca diária por mudança e obediência a Deus é o fruto de sermos tocados e transformados. Só saber sobre Deus e a Bíblia não basta, só ter a informação sem a práxis, não adianta muito.

Se dissermos que estamos unidos com Deus, o Deus de luz, não podemos estar nas trevas, o texto é claro. Quem serve o Deus de luz, não anda na escuridão. É claro que iremos pecar, faremos coisas erradas, é por isso que pedimos perdão por nossos pecados dia a dia, mas a mudança deve ser visível. Por fim, o texto termina com uma afirmação importante:

“Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado” (V7)

A comunhão é um fator decisivo para quem anda na luz, afinal, amar é estar em comunhão, ser cristão é estar em comunhão, isso a Bíblia deixa bem claro, são muitas passagens e provas que falam da importância da comunhão. Vincent completa:

“A comunhão com Deus revela-se e prova-se pela comunhão com os cristãos” (VINCENT, 2013, 258)

Não existe cristão sozinho, servir a Deus e andar na luz tem como resultado a comunhão. Quem é tocado pelo espírito tem a sua vida transformada, e esta transformação resulta em uma vida de comunhão, apoio e coesão.

Quem serve o Deus de luz, também anda na luz, sua vida é transformada e a comunhão com os irmãos é certa. Estes são resultados de andarmos com Deus, estas são as provas de quem realmente anda na luz e é um ótimo parâmetro para analisarmos a nossa vida e vermos que tipo de cristãos estamos sendo

 

 

BIBLIOGRAFIA

VINCENT, Marvin. R, Estudo do Vocabulário Grego do Novo Testamento, Editora CPAD, Rio de Janeiro, 2013

KELLER, Phillip, Nada me Faltará, O salmo 23 à luz das experiências de um pastor de ovelhas, Editora Betânia, Belo Horizonte, 1984

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O LAVA-PÉS

Quando terminou de lavar-lhes os pés, Jesus tornou a vestir sua capa e voltou ao seu lugar. Então lhes perguntou: “Vocês entendem o que lhes fiz? (Referência João 13: 1-20)

 

Quando falamos de liderança pastoral os exemplos de bons líderes ou de líderes servidores não são tantos. Abusos, exageros e hipocrisias são vistas aos montes. Neste texto de João 13:1-20, vemos uma das bases da liderança cristã, por isso é importante lermos e entendermos como Cristo mandou que agíssemos para com o próximo a fim de não nos equivocarmos. Entretanto, antes de prosseguir com a reflexão, peço que leia o texto inteiro (João 13:1-20).

A primeira lição está na atitude de Jesus (V4,5), que diga-se de passagem, é uma das mais fora do padrão. Muitos creem que um líder deve mandar, e ponto final, quanto mais um Deus. Mas nesta atitude, Cristo toma o lugar de um servo e lava os pés dos seus discípulos.

“Jesus explicou que suas ações serviam de exemplo – era uma lição prática de humildade. Se o Mestre e Senhor deles lhes lavava os pés, eles não deveriam hesitar em servir uns aos outros” (RICHARDS, 2013,p. 855)

Esta é uma das lógicas do reino, o mundo manda, mas no reino devemos servir, ninguém é melhor do que ninguém e se Cristo, o Deus encarnado, serviu, devemos servir também, é este um dos exemplos que Jesus nos deu:

 “Pois bem, se eu, sendo Senhor e Mestre de vocês, lavei-lhes os pés, vocês também devem lavar os pés uns dos outros” (V14)

A parte curiosa do texto é que Cristo lavou os pés até de Judas, aquele que iria traí-lo, mesmo sabendo da traição (V2). A lógica do reino é outra, o maior, serve o menor, o que quer ser grande serve a todos. E por servir, não digo fazer todas as suas vontades, servir não é isso, é dar o que a pessoa precisa, é oferecer a mão e ajudá-lo.

Quando vejo líderes mandando como se fossem superiores, ou agindo como se fossem ungidos intocáveis e a igreja, seus servos, eu percebo o quanto estes não entenderam os ensinos de Jesus:

“Nenhum ideal pode ser maior que a vida humana, criada à imagem de Deus. Ela precisa ser respeitada e dignificada. A igreja que passa por cima de pessoas para implantar um reino não pode estar sob a liderança daquele que, temporariamente, abriu mão de um reinado para resgatar pessoas”. (CÉSAR, 2009, pg. 72)

Eu incansavelmente bato na mesma tecla, o poder corrompe, liderar sem os pés no chão, sem bons parceiros ou acompanhamento é uma porta aberta para cairmos nesta armadilha maligna:

“Quando o líder se sente em posição hierarquicamente mais alta, mais privilegiada, sente-se mais tentado a controlar os que estão sob sua tutela” (CÉSAR, 2009, pg. 75)

O lava-pés deixa-nos muitas lições, a principal delas é que se Cristo, sendo Deus, serviu, nós, sendo seus servos, temos a obrigação de também servir.

Mas existe uma segunda lição que o lava-pés nos dá e é sobre purificação. Não podemos esquecer que naquela época era comum, quando alguém chegava à casa de um amigo, que um servo ou escravo lavasse os pés de quem chegava, afinal, as ruas eram muito poeirentas e todos usavam sandálias, por conta disso os pés ficavam imundos.

Na vida cristã é igual, nós cristãos já estamos limpos, nós seguimos a Deus e Ele já nos deu salvação, porém, por conta das caminhadas da vida, constantemente  sujamos os pés pelas estradas empoeiradas da nossa existência. Estamos constantemente pecando, por isso é preciso pedir constantemente perdão a Deus.

“Quem já se banhou precisa apenas lavar os pés; todo o seu corpo está limpo. Vocês estão limpos, mas nem todos” (V10)

 O lava pés é uma excelente analogia para exemplificar a importância de pedirmos perdão diariamente a Deus, coisa que Pedro, a princípio não entendeu. Quase todos estavam limpos, mas o perdão diário era importante para a caminhada cristã. Quando a passagem fala que nem todos estavam limpos, se referia a Judas, que já havia maquinado um plano para trair Jesus.

O poder corrompe, não tenha dúvidas, e ser um pastor ou líder não pode ser encarado como privilégio e sim como responsabilidade. Deus lhe conferiu esta missão, com isso, você não pode olhar para os seus liderados com olhos altivos, mas com a humildade de quem recebeu uma missão de Deus.

Seguir a Cristo é servir ao próximo, está é uma lição bem visível em toda a Bíblia. Na igreja de Cristo não existe espaço para altivez e pedantismo. Estamos todos no mesmo barco, nós somos todos pecadores, lavar os pés do próximo é uma lição básica para a vida cristã e para entendermos a graça e o amor de Cristo.

 

BIBLIOGRAFIA

RICHARDS, Lawrence, Comentário Bíblico do Professor, Um Guia Didático Completo Para Ajudar no Ensino das Escrituras Sagradas do Gênesis ao Apocalipse, Editora Vida Acadêmica, São Paulo, 2013

CÉSAR, Marília de Camargo, Feridos em nome de Deus, Editora Mundo Cristão, São Paulo, 2009

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O DEUS QUE CHORA

Jesus chorou… (Referência: João 11:1-44)

 

O capítulo começa introduzido um acontecimento que fez parte da vida de uma família muito fora do padrão. A família em questão era a de Lázaro, irmão de Marta e Maria. Uma família de irmão solteiros que moravam juntos, algo fora do padrão para a época e até para os nossos dias. Normalmente depois de uma certa idade casamos e constituímos família, coisa que o texto dá a entender que eles não fizeram.

O texto diz que Lázaro estava doente (V1), sendo estes irmãos amigos de Cristo, nada mais óbvio que mandar chamá-lo, mas este, ao invés de ir, resolveu demorar-se, pois tinha um propósito com aquele acontecimento, Cristo queria ressuscitar Lázaro (V4). Sendo assim por ter-se demorado, Lázaro morreu (V13)

É importante ressaltar que segundo a Bíblia Jesus estava sempre na casa destes irmãos (Lucas 10:38-42, Mateus 26:6-13, Marcos 14:3-9, João 11:1-12, 12), a família em questão é uma das mais citadas no Novo Testamento, sendo que ela aparece nos quatro evangelhos, dando-nos a entender que eles estavam sempre com Jesus e que o conheciam muito bem.

Porém o texto diz que quando Cristo chegou à casa deles, já fazia quatro dias que Lázaro havia sido sepultado. E quando Jesus diz que iria ressuscitá-lo, estes irmãos não acreditaram (V23). Eles conheciam Jesus, sabiam que era o Messias que deveria vir ao mundo. Já deviam ter o visto fazer milagres, ou pelo menos ouvido falar, mas diante da adversidade, haviam se esquecido de todas estas informações.

O curioso é que nós somos um pouquinho perecidos com estas irmãs, pois diante da adversidade, mesmo que nós sejamos amigos de Jesus, ou saibamos quem Ele é, focamos a nossa atenção muito mais nos problemas do que n’Ele. É muito mais fácil olhar para as adversidades e tentarmos controlar tudo de nossa maneira, terminando por nos desesperarmos quando perdemos o controle. É normal nos sentirmos sozinhos e abandonados, sem perceber que ele sempre está conosco, é comum, diante do caos, esquecermo-nos de quem somos amigos. Com eles foi assim e conosco também é. Precisamos tomar cuidado para que os problemas não nos afastem de Deus ou nos façam esquecer que Ele sempre está conosco.

Contudo, a meu ver, o ponto alto do texto é justamente o que serve de referência para esta reflexão: Jesus chorou (V35). O texto em questão é o menor versículo da Bíblia e o mais curioso. Pois ao vermos Cristo próximo a ressuscitar Lázaro não achamos o seu choro uma atitude lógica. E é por conta desta “contradição” que teorias e mais teorias são construídas para explicar o motivo de Jesus chorar

Uma delas diz que Cristo chorou porque estava fazendo um teatro para causar um efeito, uma certa empatia com os visitantes, porém tal afirmação não combina com o Jesus que lemos nos evangelhos. Outros afirmarão que ele chorou de alegria, contudo devido o cenário de luto no qual ele se encontrava, não é muito lógico afirmar isso. Tem quem afirme quem o seu choro foi de indignação por conta da incredulidade, o que pode até ter o seu fundo de verdade. Porém a última argumentação diz que Jesus chorou como qualquer ser humano choraria, e é esta interpretação que eu acho mais coerente, afinal, não podemos esquecer que Ele era 100% homem e 100% Deus, com isso a atitude de empatia ao ver seu amigo morto e seus familiares sofrendo foi algo totalmente natural (CHAMPLIN, 2014, p. 613)

E a nossa reflexão em cima desta passagem se torna ainda mais profunda quando analisamos a palavra em grego, que segundo o dicionário significa:

“Chorar de forma audível” (VINCENT, 2013, p. 168)

Não foi apenas um choro silencioso, uma tristeza qualquer que a dor do luto traz, foi um choro audível, uma tristeza sincera onde todos podiam ver e constatar. O que me faz lembrar de uma passagem do livro “Porque sou cristão” de John Stott:

O único Deus em quem eu creio é aquele que Nietzsche, filósofo alemão do século 19, ridicularizou, chamando-o de Deus sobre a cruz. No mundo real da dor, como adorar a um Deus que fosse imune a ela? (STOTT, 2004, Pg. 67)

Servimos a um Deus que sente o que nós sentimos, pois Ele também foi homem. Adoramos a um Deus que entende quando estamos sofrendo preconceito, passando por dores e agonias que uma doença traz ou passando por perseguições e injustiças. Deus nos entende e cuida de nós, Ele não é aquele Deus caricaturado por muitos, sentado em um trono alheio a tudo e a todos. Ele é um Deus que sente, sofre, e não nos abandona.

Quando eu leio este versículo 35 eu fico bem aliviado, não me sinto sozinho em minha dor. Apesar de não entender a profundidade deste Deus, tenho certeza de que Ele nos entende.

Jesus chorou e ainda chora, ele caminha conosco e cuida de nós, sabendo muito bem qual é o timbre de nossa dor. Pois Ele sofreu, morreu e ressuscitou em uma cruz para nos salvar.

Pode ter certeza que mais ninguém entende o timbre da sua dor, pois ela é única, cada um sente de uma maneira. Mas Deus entende e oferece a sua mão, chora com você e te ajuda. Confie neste Deus que chora que te entende e anda com você, Ele não te deixa só, apesar de muitas vezes não o entendermos, e focarmos nossos olhos mais nos problemas do que na solução.

 

BIBLIOGRAFIA

CHAMPLIN, Rn. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo, Editora Hagnos, SÃO PAULO, 2014

VINCENT, Marvin R. Vincent, Estudo do Vocábulo Grego do Novo Testamento, Editora CPAD, Rio de Janeiro, 2013

STOTT, John, Por Que Sou Cristão, Editora Ultimato, Minas Gerais, 2004

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