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A ODISSEIA DA DOR IV: A CRUZ DE CRISTO

O homem tem a mania feia de reclamar, é comum reclamarmos ao sinal dos menores problemas, e, apesar de Jó ter reclamado um pouquinho mais adiante no texto, o que ele fez antes foi justamente ficar quieto. O capítulo 2 acaba justamente em silencio de Jó (2:13)

Confesso que este silêncio me intriga, pois é difícil mantermos quietos em meio ao caos, não é? É muito raro vermos pessoas sofrerem quietas, normalmente botamos a boca no trombone, gritamos para o mundo e até algumas vezes oramos indignado a Deus, perguntando o porquê dele permitir tais problemas. Isso sem contar com os inúmeros exemplos na bíblia que você lê em Salmos, Lamentações ou até mesmo nas cartas de Paulo, quando ele ora e insiste para que Deus que o cure. Mas Jó ficou quieto, intrigante.

Talvez estivesse pensando e tentando lembrar se fez algo de errado ou tentando achar um motivo para aquele sofrimento todo, não sabemos, só sabemos que ele se silenciou por sete dias. Lembre-se que Jó não sabia da conversa entre Deus e o diabo, ele sofria sem saber o motivo.  Ele era justo e sabia disso, com isso, reclamar por seus direitos era o mais óbvio a se fazer, mas ele preferiu o silêncio. As vezes o silêncio é a única atitude certa, ele nos impede de falarmos besteiras e tomarmos atitudes erradas, infelizmente, o seu silêncio foi por poucos dias, embora isso não tire o seu mérito. A dor é inexplicável, estar entre o caos não é tão fácil assim e nem sempre teremos respostas para os nossos problemas, mas é possível passar por este período com os pés no chão. Contudo não posso cometer o erro de falar da dor, sem antes falar de Cristo, seria um erro dos mais graves se eu deixar o assunto passar.

A Cruz é uma prova que o justo sofre, é a ação de um Deus que se doa, mesmo sendo o único e verdadeiro justo que morreu em nosso lugar. Eu não consigo imaginar, quantificar e muito menos explicar um Deus que despe-se de toda a sua glória, para vir ao mundo como um limitado ser humano, e se doa por amor. A própria atitude é sem explicação, com isso eu me lembro de mais alguns questionamentos.

Eu tenho muitos amigos ateus, sendo que um deles, de uma forma bem enfática e um tanto raivosa, um dia em uma discussão, falou que um Deus não pode morrer, é inconcebível falar de um Deus que se doa e que sofre por amor a homens. Eu concordei com ele, reiterei que sim, este ato altruísta é inexplicável, conquanto, Deus também não se explica, seria igualmente contraditório nós, seres humanos, explicamos Deus. Com certeza, falei para ele, que o dia que conseguirmos explicar Deus, estaremos totalmente equivocados. Se o sofrimento já é um tanto quanto difícil de se explicar, quem dirá Deus. Mas, uma coisa temos certeza, quando falamos do Deus da cruz, este inexplicável Deus que sofreu, falamos de alguém que “entende a nossa dor”

Em um mundo de dor, em uma sociedade injusta onde muitos sofrem, onde a impiedade e o preconceito reinam, saber que Cristo passou por tudo isso, sofreu, se doou, foi injustiçado, é um alívio. Pois uma coisa podemos ter certeza nesta hora, Deus entende a nosso sofrer. John Stott, no livro Por que sou cristão complementa:

O único Deus em quem eu creio é aquele que Nietzsche, filósofo alemão do século 19, ridicularizou, chamando-o de Deus sobre a cruz. No mundo real da dor, como adorar a um Deus que fosse imune a ela? (STOTT, 2004, Pg. 67)

 Em um mundo de dor, seguir a um Deus que entende o timbre da dor, nos seus níveis mais extremos, é um alívio, foi o que me consolou, foi o que me fez chorar e clamar, por saber que ele me entende.

Em meio a minha crise de fé, procurando respostas, tentando achar explicação para todo o cinza, nem sempre eu conseguia orar. Tinha dias que eu levantava da cama e ficava apenas em silêncio, quieto, tentando achar sentido ante todo o caos. Era bem nestas horas que a imagem da cruz vinha em minha mente, as cenas de sofrimento e escárnio me faziam lembrar de que Deus me compreendia, com isso, eu me sentia consolado, por saber que ele entendia a minha aflição.

O propósito desta série de textos é muito mais que explicar, é compartilhar a minha odisseia, é mostrar os caminhos percorridos e mostrar que nem sempre racionalizamos tudo, mas que é possível encontrar alento em meio ao caos.

BIBLIOGRAFIA

STOTT, John, Por Que Sou Cristão, Editora Ultimato, Minas Gerais, 2004

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5 ANOS DO BLOG

Parece que foi ontem que eu comecei a escrever e quando vi, lá se foram 5 anos, quase 500 textos e mais de 70 mil visualizações. O que começou como algo sutil, sem muitas perspectivas, hoje virou um projeto que superou as expectativas, pelo menos as minhas, afinal, são mais de 100 acessos diários, tendo dias que chegam a mais de 200, coisa que eu já considero grande. Nunca esperei que o blog chegasse a tantos acessos, preferi me concentrar em escrever e estudar, ao invés de criar grandes expectativas.

Agradeço a todos que me têm dado retorno, feito sugestões e interagido, e a todos que já colaboraram, muito obrigado. Que venham mais 5 anos!

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GUERRA DE GERAÇÕES

Toda geração mais nova acaba em algum momento por olhar a mais velha com ar de desdém. É impossível comparações não surgirem, adjetivos aparecerem a fim de subestimar a “geração ultrapassada”. Eu mesmo já fiz muito isso, até aprender que o tempo passa para todos.

A parte cômica desta situação é que o oposto também é verdadeiro. Não é muito incomum olharmos para a geração mais nova e também os subestimarmos. Acharmos que eles são mais alienados e inferiores. E a nossa geração a melhor a mais educada, inteligente e honesta.

Acredito que todas as épocas tiveram seus equívocos, cada uma em uma área, as vezes até em áreas diferentes, mas tiveram, entretanto, todas elas também tiveram suas qualidades únicas, como em todas as gerações.

Se antigamente a sexualidade não era tão explícita tal qual hoje, em contra partida a mulher era tratada sem direito algum, vista apenas como a empregada da casa. Se antigamente as pessoas não eram viciadas em redes sociais, como muitos são hoje, sabemos que a falta de informação era grande e teorias das mais absurdas rondavam o saber humano.

O estímulo com o tempo muda, mas sempre existiu, hoje é a internet, ontem foi a TV, amanhã já não sabemos, o que podemos ter certeza é que o homem sempre foi um ser fácil em se alienar, por isso temos que sempre tomar cuidado, toda a geração teve suas vergonhas, alienações e depravações, a diferença é que hoje pode até ser mais explícito e mais divulgado, diferente do passado, mas sempre existiu.

Talvez a sua geração tenha sido mais trabalhadora, não tenha usado tantas drogas, quem sabe fosse mais responsáveis e até mais fieis, a pergunta que eu faço é “Será que não foi apenas por falta de oportunidade?”. Será que se não tivéssemos uma educação mais rígida, como tivemos, não seríamos iguais quando novos? Eu mesmo não sei, mas desconfio que sim.

Não é fácil lidar com as diversas gerações, eu mesmo acho muito complicado, ainda mais que sou de uma geração intermediária, não sou nem novo e nem velho, mas eu acho difícil olhar para os adolescentes e não enxergar um pouco de mim.

Eu era teimoso, achava que sabia de tudo, não ouvia ninguém e não percebia que as minhas decisões eram burras e simplistas. Em contra partida, olho para a geração mais velha e não consigo enxergar qualquer empatia com os mais novos.

Creio que se a geração antiga tivesse os mesmos estímulos que as de hoje, cairiam nos mesmos erros, no fim o homem é o mesmo e só enxergará seu caminho equivocado quando o tempo passar por ele um pouquinho.

Todos nós somos alienados, fadados ao erro e a ouvir mais quem não tem razão, mas nós que somos mais velhos, temos a obrigação de pelo menos tentar fazer diferença para aqueles que estão começando.

Não idealize o seu passado, não omita os seus fracassos, seja transparente e comece confessando seus erros, que assim você vai perceber que no fim somos todos parecidos.

É claro que o exemplo tem que partir dos mais velhos, temos a obrigação de sermos responsáveis, com isso, está em nossas mãos sermos a diferença ou não.

Talvez quando aprendermos a falar a linguagem dos mais novos e a confessarmos nossos equívocos sendo assim mais transparentes, teremos uma conversa mais assertiva com aqueles que são mais novos e assim esta guerra de comparações cessará, pelo menos até a outra geração vir, não sabemos.

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DEUS E AS PEQUENAS COISAS

Foi em dias de dificuldade e dor que aprendi algumas importantes lições para a minha caminhada com Deus, aprendizados que tenho guardado como tesouro para o meu caminho. 

A primeira delas é que é nas pequenas coisas que vemos Deus agir. Não adianta, é comum vermos Deus como um mágico, um super-herói ou coisa parecida, pronto a nos ajudar.

Entenda que Deus tem seus meios, e quando nos ajuda, é da sua forma e não da nossa. Não espere Deus seguir suas receitas, suas dicas ou atender a seus pedidos como um servo, Deus é Deus, e quando nos ajuda usa os seus próprios caminhos, não entendemos porque, mas sabemos que são caminhos bem melhores que os nossos, por isso se entregue aos seus pés e confie.

Tenho conseguido ver Deus nas pequenas coisas, agindo na maioria das vezes de forma sutil e natural. Seja através de uma boa oportunidade, por meio de um amigo, médico ou coisas tais. Não é que Deus não tenha poder algum, e sim, a meu ver, que ele evita shows pirotécnicos e acaba tomando um caminho natural. Faça uma avaliação de tudo o que já aconteceu na sua vida, reveja todas as suas conquistas e note como Deus tem estado presente em todo o momento o problema é que as vezes não vemos.

A segunda lição é que Deus nos ajuda mais nos dando forças e oportunidades do que agindo em nosso lugar.

Temos mania de tratar Deus como um garçom pronto para nos servir. Se Deus é pai, como bem acreditamos, ele faz de uma forma no qual possamos aprender. Perceba que Deus não é aquele pai que mima e segue fazendo a nossa vontade, ele é mais como um pai que cuida e nos ensina. Deus não faz nada do que é para fazermos, ele não nos isenta de nossa responsabilidade, mas nos dá sabedoria e meios para enfrentarmos as situações e conseguir vencer as dificuldades.

É nas pequenas coisas que vemos Deus, principalmente quando vencemos o hedonismo e passamos a confiar nele de forma realmente plena. É quando olhamos em volta de forma sincera e sem exigências, como dependentes dele que somos, que enxergamos o seu cuidado. Ser cristão não é ser servido, mas servir, se dedicar, é confiar em Deus, independente do caos que nos cerca, é por isso que quando confiamos, aprendemos a ver nas pequenas coisas Deus cuidando de nós a cada segundo.

Confie em Deus e aprenda a ver a sua mão cuidando de você, perceba que a sua força de lutar e procurar uma saída vem dele, sinta Deus caminhando com você e perceba que a saída nunca vem de nós. Deus está sempre presente, sempre cuidando e nos amparando, o problema é que as vezes queremos mais e da nossa maneira, com isso, não enxergamos o seu cuidado em toda a nossa caminhada.

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A ODISSEIA DA DOR III: CORPO

Há muito tempo atrás no trabalho uma amiga me perguntou sobre o sofrimento e como eu já estava em busca de respostas, comecei a explicar o problema do sofrimento, falei que o homem sofre por que é livre e sempre escolhe se distanciar de Deus, tal como abordei no primeiro texto. Ela ouviu pacientemente, aceitou a minha explicação, mas terminou me fazendo uma pergunta que me paralisou: Então por que a minha sobrinha nasceu com câncer? Por que Deus permite que pessoas nasçam doentes? Se o homem sofre porque usa mal o livre-arbítrio o que dizer das pessoas que sofrem catástrofes naturais, tsunamis e terremotos?

As perguntas me obrigaram a colocar meus pés no chão para não tratar o assunto de forma leviana. Ainda mais que a dor, para cada um, tem um tom, uma nota, e uma dificuldade. Nem todos encaram os problemas da mesma forma, com isso, nossas respostas, apoios e auxílios, dever ser dados com compreensão e respeito.

Outra profunda pergunta me vem a tona quando eu falo sobre o sofrimento, a questão veio de um outro amigo que também viu alguém no qual amava sofrer muito por causa de sua saúde. O que ele me perguntou foi: será que Deus não tem outra forma de ensinar que não seja através do sofrimento, tais questões são sempre difíceis de responder.

O sofrimento nos ensina, isso eu não tenho dúvidas, eu também sei que muitas vezes é a dor que Deus usa para nos mostrar algo, mas eu ainda acho que não devemos nos guiar por esta exceção. Nem sempre racionalizara a dor do próximo é sábio, principalmente porque não sentimos o que ele está sentindo, falar dos outros estando em uma situação totalmente oposta é sempre perigoso, e deve ser feito sempre com muito cuidado.

O problema é que estamos sempre tentando ajustar Deus, suas ações ou “falta” de ações a nós e ao nosso ponto de vista. Queremos que ele seja como nós, e aja de acordo com o que acreditamos. Deus é Deus, com isso, já temos que ter em mente que por ele ser Deus, não criado, eterno e poderoso, nós, seres humanos criados, o entenderemos pouco. Um Deus que é definível, certamente é finito, com isso ele não é Deus.

Uma questão que temos que entender quando falamos do sofrimento e de Deus é que Deus não é a vida. A vida é uma coisa, a sociedade da forma como é, injusta, falha, brutal e mesquinha, assim o é por que é composta por seres humanos pecadores. Philip Yancey completa:

“Aprendi a ver além da realidade física deste mundo. Vejo claramente a realidade espiritual. Nossa tendência é pensarmos: “A vida deve ser justa porque Deus é justo”. Mas Deus não é a vida” (YANCEY, 2004, p. 191)

Não temos certeza do porque muitos nascem doentes, eu nem me atrevo a responder o porquê muitos sofrem com catástrofes. Mas eu sei que Deus criou a vida, o homem pecou e decidiu seguir de costas para ele, conquanto quando eu vejo o sofrimento hoje, eu não consigo perguntar, onde está Deus? E sim, onde está a igreja? Por que nós não estamos fazendo algo?

Enquanto eu escrevo este texto, um amigo está na África atuando como missionário. Ele inclusive é formado, possui mestrado e tinha um ótimo emprego quando abriu mão de tudo para atender ao chamado de Deus. Enquanto eu escrevo este texto eu me lembro de outro amigo que já arriscou a sua vida para ir a países islâmicos pregar o evangelho, coisa que ele também não precisava fazer por ter muito mais opções de trabalho. Enquanto eu escrevo este texto eu me lembro de um amigo médico, que de tempos em tempos se alista como voluntário para trabalhar em países assolados por catástrofes.

Nós somos o corpo e Cristo é o cabeça, nós somos seus servos aqui na terra, com isso, entender o nosso papel ante a dor é importante. Enquanto o caos existir, nós temos que estar a postos, apontando para a cruz, levando o evangelho a todos os feridos.

A Bíblia fala de um novo céu e de uma nova terra, fala de um lugar onde não haverá mais dor. Mostra que a sociedade que Deus constrói é perfeita, sem dor e doença. Quando eu leio sobre doenças eu lembro justamente disso, e agradeço a Deus por ter esta esperança e me recordo que é a minha missão levar está esperança as outras pessoas, que é minha a missão ser diferença.

Não sabemos explicar o porquê da dor, mas sabemos quem é a solução. Deus é a vida, ele veio para nos dar vida, e nos chamou para sermos luz e sal. Se não fizermos diferença, os sofredores continuarão buscando resposta e nós continuaremos em silêncio, como se a responsabilidade não fosse nossa.

O interessante é que quando olhamos para a história de Jó, não conseguimos encontrar explicação alguma. Por que um homem justo tem que sofrer? Por que Deus usou justo Jó para mostrar a Satanás que ele estava errado? Porque algumas boas pessoas sofrem com catástrofes e problemas inexplicáveis? Nós não sabemos, e acredito que nunca encontraremos explicação, mas eu sei o quanto nós podemos ser diferença quando estes dias chegarem.

Em meio ao meu problema, enquanto enfrentava momentos realmente difíceis, tentando racionalizar, entender e explicar, eu recebo uma mensagem. Um texto que parecia simples, mas que me tocou, a frase se resumia em algo parecido com “estamos sentindo falta de você aqui na igreja”. Por conta dos problemas eu estava desanimado, nem estava indo mais na igreja. O cinza havia invadido o meu peito e eu optava em ficar os finais de semana em casa, fechado em minha dor. Entretanto, poucas palavras me ajudaram a não me sentir sozinho, por conta de atitudes aos olhos de alguns eu me senti amado, e tive forças para me levantar e agir.

O mundo sofre com injustiças, catástrofes e doenças, mas nós estamos aqui para ser diferença. Deus é Deus, ele criou tudo, mas não tem qualquer responsabilidade pelo caos, o que sabemos é que ele prometeu nos ajudar, e levantou um povo que é porta-voz da sua mensagem. Um povo que é responsável por levar vida no caos, cultivar jardins nos desertos, levar esperança onde ela não mais existe.

BIBLIOGRAFIA

YANCEY, Philip, Decepcionado com Deus, Três perguntas que ninguém ousa fazer, Editora Mundo Cristão, São Paulo, 2004

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FALSA IMAGEM

Eu gosto muito de frases, aforismos e provérbios que sintetizam alguns ensinos. Nem sempre uma boa lição vem através de um livro, em uma edição especial, escrito pelo melhor filósofo do mundo. Creio que comumente o simples nos ensina mais do que as palavras complicadas. No entanto, muitos usam estes mesmos artifícios, para pintar uma imagem de quem não é, construindo fachadas falsas ou as usam para apenas rebaixar o próximo e mostrar a sua superioridade.

Certo dia, enquanto conversava com um colega e contava algumas coisas que me tiravam do sério (são muitas, acredite). Sem ao menos titubear, ouço uma destas frases, proferida por um tipo de pessoa que gosta de deixar claro sua superioridade ante a fraqueza do próximo, a frase é a seguinte: “Se alguém te tira a paz, a paz não era sua”. O curioso foi que a frase veio acompanhada por uma observação muito enfática: “Ninguém tira a minha paz”. Uma declaração que se provou falsa, pois no afã de entendê-lo, acabei por tirar a sua paciência, ele ficou visivelmente alterado. A enorme ironia é que esta pessoa não tem muita paciência, qualquer coisa tira ele do sério, com isso, a frase era mais uma muleta, que uma máxima pessoal.

A vida é uma grande escola, para quem tem o pensamento ampliado, algumas frases, acontecimentos e experiências viram grandes lições, sendo que só é possível aprender, quando o aprendizado vem acompanhado da humildade e da capacidade de entender quem somos e quais são nossos pontos fracos. Caso contrário, ela só servirá para fabricar uma falsa imagem de nós mesmos, servirá de muleta e não como ensino.

Cuidado com quem você acha que é, tenha tento e se preocupe com o orgulho que faz com que nos consideremos mais do que realmente somos. Constantemente nos enganamos, achamos que somos feras e não enxergamos o quão pequeno e equivocado é o nosso modo de ser.

 Priorize sim uma vida de busca constante de crescimento, é legal buscarmos ferramentas para crescer e nos tornarmos melhores, isso é inteligente e necessário, mas não é fácil, pois estamos sempre fadados a autossabotagem, a achar que somos mais que os outros e com isso não crescer ou deixar de aprender. O oposto também é verdadeiro, conheço gente genial, realmente inteligentes e capaz, mas que se consideram sem talento algum, zeros a esquerda. Por isso que se torna fundamental entender quem você é, o que você precisa melhorar e o que você já domina.

Comecei falando de frases e aforismos e o quanto estes recursos podem nos ajudar e também nos autossabotar. Sendo que eu tentei deixar claro que uma frase, por si só, não ajuda, ela apenas nos dá um norte. Toda a teoria deve vir acompanhada da ação, da prática, para que realmente possamos nos desenvolver.

Uma frase sem ação, só serve para nos idealizar, para descrever o que queremos ser ou jogar em nossa cara o que não somos, o que é muito pior.

Mudanças vão muito além de meras frases é preciso também ter atitude, esforço para consertar nossos erros e para nos desenvolver.

Comece pontuando suas qualidades, entenda o que você tem de melhor e busque a partir disso evoluir ainda mais. Depois pontue bem suas dificuldades, seus problemas e falhas pessoais, confesse-os todos sem dó alguma e busque ferramentas para caminhar para a mudança. Pare de usar desculpas para seus erros, assuma-os, confesse seus pontos fracos e mude.

É interessante enfatizar a palavra “ferramentas”, no plural, pois nem sempre o que serve para uma pessoa, serve para outra. Seja inteligente e busque o que mais se encaixa ao seu perfil, este é o segredo.

Todos nós temos falhas graves, entenda isso de uma vez por todas, todos nós somos limitados e muitas, mas muitas vezes percebemos as coisas de forma equivocada, esta é uma verdade que você tem que assumir para se livrar da falsa imagem.

Não seja mais do que você é, não seja mente fechada achando que sabe de tudo ou é melhor do que todos. Sempre tem alguém melhor, mais forte e mais capaz do que nós, basta termos humildade, que vamos enxergar, pois a falta de humildade nos cega, não tenha dúvidas.

Seja humilde, não pense mais do que você é e nem se ache especial, só assim conseguimos aprender, e seguir como eternos alunos na caminhada da vida tendo como principal consequência o crescimento pessoal.  

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SOBRE ALGUMAS INJUSTIÇAS

Sou músico a mais ou menos vinte anos, neste meio tempo tive que ralar, ainda mais quando resolvi tocar um estilo musical que exigia bastante de um músico. Tive que gastar tempo, ensaiar, me dedicar muito para conseguir aprender e crescer. Neste meio tempo ainda tive que aprender a tocar guitarra a fim de compor as minhas próprias músicas, já que o baterista depende de outra pessoa para compor e eu não queria ser um destes. Foi depois de uma jornada musical longa, de muitas batalhas e horas gastas que entendi que alguns de nossos elogios são injustos.

A primeira injustiça é olhar para alguém que tem uma habilidade e dizer que ele tem um dom. Isso não é um elogio, principalmente quando este alguém estudou muito ou praticou bastante para possuir certa habilidade. Não que eu acredite que Deus não dá um dom para uma pessoa, e sim que mesmo Deus dando, a prática e o estudo são importante em quase todos os casos, para não dizer em todos.

É uma minoria quase nula de pessoas que começaram fazendo algo naturalmente, por uma facilidade natural, quase todos tiveram que estudar muito para chegar em certos níveis. Gênios existem, mas são poucos, poucos mesmos, a maioria teve que ralar para chegar conseguir certas habilidades.

O denominador que resume toda a questão é o quanto você gosta deste algo, quando gostamos corremos atrás, estudamos, nos aperfeiçoamos e ficamos bons. Penso que não existem gênios, a maioria é apenas alguém que se dedica muito ao que gosta.

A segunda injustiça é definir uma pessoa de sucesso como famosa. Nem todas as pessoas de sucesso são famosas, e ainda eu vou mais longe. Nem todas são ricas, famosas e estão em destaque. Existem inúmeros professores de sucesso que optaram em viver a vida no anonimato, ensinando e fazendo a diferença. Definir sucesso já é um desafio, pois depende de cada um, de onde a pessoa quer chegar. Sendo que o sucesso não é ser famoso, e muito menos conhecido, e sim, é ser alguém que conseguiu chegar onde queria chegar.

Tive banda por muitos anos, gravamos dois CDs e tocamos em inúmeras partes do Brasil. Ficamos conhecidos em uma cena fechada, dentro e fora do país, sendo que nós conseguimos fazer muito para um grupo que veio do anonimato e no qual não tinha condições financeiras alguma. Foi uma vitória gravar os CDs, tocar com bandas famosas, algumas nacionais e outras internacionais e viajar por muitos lugares deste nosso Brasil. Fomos uma banda de sucesso, mas não ficamos famosos.

O tempo tem me ensinado como é injusto algumas de nossas opiniões, como às vezes ofendemos sem querer, achando que estamos elogiando. No âmago de elogiar, ofendemos e diminuímos todo o esforço que aquela pessoa teve para chegar aonde chegou. Por isso, antes de elogiar alguém, conheça a sua história.

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A ODISSEIA DA DOR II: HAVIA UM HOMEM…

No primeiro texto vimos que o sofrimento existe por que o homem pecou, virou as costas para Deus e segue da forma que melhor lhe apraz. A dor é fruto do pecado e da maldade humana, o problema com este conceito é que tal explicação não serve para o caso de Jó.

Considero Jó um dos livros mais intrigantes da Bíblia, sua narrativa, todo o seu sofrimento, acaba sendo uma espécie de alento para nós que constantemente sofremos. Eu não conheço ser humano algum que sofreu tanto quanto Jó, mas conheço muitos, que ante o sofrimento, fazem perguntas e questionamentos a Deus tentando entender porque o caos às vezes os persegue. Sendo que eu fui um deles e foi o livro de Jó que me deu as primeiras respostas, como eu deixei claro no primeiro texto da série. Porém, primeiro vamos tentar entender um pouco este livro para que assim entendamos melhor a sua mensagem.

Jó é um dos livros mais antigos da Bíblia, com isso é considerado como o primeiro. O livro tem como tema o problema do sofrimento, sendo que um ponto fica claro no livro todo, o justo também sofre, mas não é só isso. Algumas outras coisas curiosas percebemos no livro. A primeira é que Deus não é chamado pelo nome pessoal que os Israelitas comumente chamam que é Javé e sim de Elohim (Carson, France, Motyer, Wenham, 2012, 696, 697, 698, 700). A segunda é que o texto foi escrito em hebraico muito mais antigo que o hebraico do Velho Testamento, validando assim o seu título de primeiro livro da Bíblia (RICHARDS, 2013, pg. 367).

O livro de Jó foi escrito muito tempo antes de Moisés, sendo que ele não faz menção a lei, a Abraão ou a patriarca algum, mas o livro com certeza foi escrito por um  israelita apesar de Jó mesmo não ser um:

“Jó não é um israelita, ele é um integrante dos “povos do leste”, ou seja, que ficam a leste do Jordão (Uz é Edom, a sudeste de Israel) (Carson, France, Motyer, Wenham, 2012, 696, 697, 698, 700)

Poderíamos dizer então que Jó é a primeira prova de que Deus se revela a diversas culturas ao redor do mundo, que Deus não está preso em uma caixinha. Entretanto não temos apenas Jó na narrativa, temos mais alguns indivíduos que provam que Deus se revela ao homem e eles são: Elifaz, Bildade e Zofar (Jó 2:11), os três amigos de Jó, que são de países desconhecidos. O problema é que é difícil de identificar com certeza seus países de origem, temos também o jovem Eliú que aparece quase no fim do livro, contudo o texto não dá muitas informações suas, mas sabemos que são estrangeiros que conheciam a Deus.

“Esses cinco homens tementes a Deus viviam na terra de Uz. Ninguém sabe como vieram a conhecer Deus em Uz, sem ajuda de Abraão. De fato, ninguém sabe sequer onde ficava Uz!” (RICHARDSON, 1995, p. 87)

Sabemos também que o livro se fundamenta nas perguntas: Qual é a motivação que leva o homem a servir a Deus? Jó vai continuar seguindo a Deus mesmo depois de todas as catástrofes? E como agir quando Deus se cala ante nossos problemas? (ZUCK, 2014, p. 292). Eu acrescentaria por minha própria conta mais uma pergunta: O justo sofre? O livro parece nos mostrar que sim

O texto começa falando “Havia um homem…” (Bíblia ACF), não era qualquer homem, muito menos foi uma pessoa aleatória, era um homem justo, honesto e temente a Deus, era alguém que Deus escolheu para mostrar a Satanás como ele estava errado, como este encontro se deu a Bíblia não explica, só sabemos que aconteceu da forma descrita no texto. Temos algumas boas teorias para explicar tal encontro, mas me manterei preso aos fatos e a mensagem em si, não abordarei tais teorias.

No encontro Satanás faz uma acusação, e qual seria tal acusação? Satanás acreditava que Jó só era fiel porque Deus o enchia de Bens e depois, quando Jó continuou fiel e Satanás começou a perder a razão ele mudou para saúde, mas Jó continuou fiel, mesmo sem saúde e já sem dinheiro, parece que o acusador estava errado.

A parte no qual eu admiro muito em Jó é que mesmo com este poder todo ele continuava sendo íntegro, reto e temente a Deus (V1), coisa que eu já acho um grande feito, já que muitas vezes por pouca coisa esquecemos de Deus. Este homem era tão exemplar que o próprio Deus confirma a índole deste servo em várias partes do texto Bíblico. Só não podemos nos esquecer de uma coisa muito importante sobre o capítulo 1 e 2 que é fundamental para entendermos o texto todo. Ele é uma espécie de introdução ao livro, não podemos ler o livro tendo como base o desafio que Deus fez para o Diabo, nosso ponto de vista ao ler o texto deve ser o de um sofredor que não sabe o porquê estava sofrendo. Temos que sempre nos lembrar de que ele não sabia da conversa de Deus, com isso, certamente ele não entendia aquele caos todo. E por ser justo e íntegro, certamente ele devia estar muito confuso.

É fácil servir a Deus quando tudo está bem, quando temos dinheiro no banco, um bom emprego e saúde. O desafio é servir quando o caos vira rotina em nossa vida. A acusação do diabo é justamente esta, “Jó era fiel a Deus porque Deus o cercava de bens, dinheiro e saúde”, mas ele provou que o acusador estava errado. Com isso, a pergunta que eu deixo é, e nós, também provaremos que Satanás está errado? Continuaremos fiéis a Deus mesmo diante das tribulações? Jó continuou fiel e mesmo perdendo os filhos e seus bens, proferiu uma das mais maravilhosas frases que eu já li:

Nu saí do ventre de minha mãe e nu tornarei para lá; o Senhor o deu, e o Senhor o tomou: bendito seja o nome do Senhor (Jó 1:21)

É claro que eu me envergonhei, eu estava em uma busca por respostas e não tinha passado um décimo do que Jó passou, ao ler tal frase me senti pequeno e de alguma maneira hipócrita por achar que Deus me devia explicação. Não tem como não se envergonhar e ao mesmo tempo não admirar Jó quando vemos qual foi a sua atitude ante o caos. A sua fé nos inspira, a sua confiança me faz olhar para Deus e o buscar ainda mais.

Jó é uma grande exceção, é um homem de posses que não deixou que suas posses definissem a sua vida. Jó nos ensina a ser fiel, mesmo na falta, a glorificar a Deus, mesmo ante o caos e a doença.

Quem Deus é para você quando tudo na sua vida está dando errado? Está é uma das perguntas que o texto de Jó fez com que eu pensasse, refletisse e meditasse por muitos dias.

Lembre-se que o modo como enxergamos Deus define a nossa caminhada e como vamos reagir ante as intempéries.

BIBLIOGRAFIA

Bíblia Sagrada – Nova Tradução na Linguagem de Hoje; Ed. Soc. Bíblica do Brasil, São Paulo, 2005

Bíblia Sagrada – Bíblia de Jerusalém; Paulus, São Paulo, 2013

ZUCK, Roy B, Teologia do Antigo Testamento, Editora CPAD

RICHARDS, Lawrence, Comentário Bíblico do Professor, Um Guia Didático Completo Para Ajudar no Ensino das Escrituras Sagradas do Gênesis ao Apocalipse, Editora Vida Acadêmica, São Paulo, 2013

CARSON. DA. FRANCE , RT, MOTYER, J. A, WENHAM, G. J, Comentário Bíblico Vida Nova, Editora Vida Nova, São Paulo, 2012

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AS VANTAGENS DA MUDANÇA

Recentemente eu mudei de endereço e pude perceber na pele várias lições importantes que uma mudança nos traz

A primeira é que nunca é confortável mudar,  sair da zona de conforto de um bairro conhecido e enfrentar novas rotinas e costumes, nunca é fácil. Assim é também na vida. Abandonar nossa rotina, ir em direção a algo novo ou novos desafios  não é fácil, mas é fundamental para que cresçamos.

Eu mesmo tinha um sonho de cursar teologia, porém, junto com este sonho vinha alguns desafios como: acordar cedo para trabalhar e dormir tarde por causa da faculdade, porém toda a dificuldade valeu a pena. Só crescemos com esforço, ninguém aprende sem suar a camisa e sem abandonar seus maus hábitos.

Outra lição é que mudar é cansativo, demanda tempo para embalar tudo,  planejamento e gestão para que toda a sua mudança caiba em um caminhão e mesmo assim, algumas coisas dão errado. Assim é também na vida, não mudamos de uma hora para outra. Para alcançarmos um objetivo precisamos de tempo e sabedoria para lidar com percalços, mas vale a pena.

Há quem acredita na frase: “Não troque o certo pelo duvidoso”, e eu concordo com ela, em partes, mudanças nem sempre são boas, porém, só conhece o novo quem muda, quem se abre para conhecer novos lugares e novas formas de se fazer o mesmo. Pois afinal, às vezes é fundamental mudar, sair do comodismo, conhecer ares novos e experiências novas. Eu li uma frase estes dias que eu achei interessante, pena que eu não sei ao certo de quem é: “Troque o certo pelo duvidoso sempre que sentir sua vida tediosa”

Às vezes é bom arriscar, mudanças nem sempre são ruins, só conhecemos coisas novas quando optamos pelo caminho diferente e pelo novo.  E mesmo que algumas mudanças deem errado, sempre podemos tirar algumas lições, nem que a lição seja não fazer daquela forma.

Lembre-se, não crescemos com a estagnação, não evoluímos se não aprendemos a ver o novo ou quando não abandonamos o comodismo.

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CAMINHOS ACIDENTADOS

Em um antigo trabalho eu costumava pegar um caminho bem acidentado, hora a estrada era asfaltada hora não, hora o chão era de pedras hora era só barro. O meu desafio diário era chegar limpo ao local de trabalho, afinal, não tinha como trabalhar com a roupa cheia de lama.

Nos primeiros dias foi uma epopeia, precisei gastar algum tempo tentando limpar os sapatos e às vezes até trocar de roupa, por conta da lama que o terreno acidentado deixava em minha indumentária.

Às vezes por necessidade temos que trilhar estes caminhos, em tempos difíceis somos forçados a aceitar trabalhos em locais com ambientes ácidos, patrões grosseiros ou em locais onde as estradas são bem esburacadas. Nem sempre uma boa oportunidade começa em uma rua bem asfaltada ou em um caminho limpo e bem sinalizado.

 O curioso é que de tanto percorrer o caminho difícil aprendi onde eu devia pisar. Descobri alguns caminhos alternativos e algumas calçadas um pouco mais transitáveis. Chegou um tempo em que eu nem levava mais roupa sobressalente, pois em meio a lama, aprendi onde firmar os pés, descobri onde tinha estradas limpas e coesas e onde eu podia passar com tranquilidade e sem percalços.

Nem sempre estaremos no melhor caminho, existem tempos onde teremos que enfrentar percalços, caminhos por onde nunca havíamos transitado e patrões ou pessoas no qual nunca imaginaríamos que teríamos que lidar, nestas situações, saber onde pisar já é um grande avanço em nossa caminhada.

Nem sempre acertaremos, nem sempre estaremos em boas estradas, saber transitar nestes diferentes trajetos é um dos segredos para seguir aprendendo e crescendo conforme avançamos.

Hoje a estrada que eu percorro é mais tranquila, não por ser um caminho menos acidentado, mas por ter aprendido como andar nos diversos tipos de solo.

Lembre-se que, ou você encara seus problemas como desafios e cresce com eles, ou continua vendo como problemas e carrega o peso que um problema tem. Creio que tudo vai depender do quanto você está preparado para aprender, o quanto as dificuldades farão você conseguir pisar no lugares certos e prosseguir. Nem tudo é flores, contudo também nem tudo é caos, basta ajustarmos a nossa forma de ver e aprender a evoluir.

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