Resultados para a categoria "REFLEXÕES"

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CADA UM TEM O SEU RITMO

“Nunca desestimule alguém que esteja progredindo, mesmo que lentamente” (Platão) (PERCY, 2016, p. 42)

Por conta de inúmeros motivos, eu acabei me formando depois dos 30 anos. Concluir o Bacharelado em Teologia, foi uma das minhas grandes alegrias. E como todas as boas alegrias, gostamos de compartilhar com quem amamos. E no afã de repartir a minha alegria, mandei mensagem para um amigo, contando que eu havia concluído o meu bacharelado, o que ele prontamente respondeu: “Já não era tarde, com a sua idade já deveria ter se formado”. A resposta foi um balde de água fria.

A verdade é que cada um tem a sua velocidade, cada um tem um ritmo próprio, não estamos em uma corrida, para definirmos uma idade para estudar, praticar um instrumento ou fazer qualquer outra atividade. Cada ser humano é um ser ímpar e único, cada um tem suas prioridades, velocidades e anseios, respeitar a velocidade de cada um é respeitar a si por tabela.

Eu sempre falei para os meus amigos e alunos que mais importante que a velocidade é a constância, é persistir, planejar, e quando errar, aprender com o erro e continuar.

Conheço verdadeiros gênios que desistiram e se entregaram, acreditaram que tudo viria fácil (ou deveria vir), e por não vir, abandonaram tudo e seguiram frustrados, tendo um baita dom, porém sem uso. Em contrapartida, conheço verdadeiros guerreiros, gente que mesmo com muitos empecilhos, não desistiram. Se adaptaram a situação, buscaram aprimoramento, insistiram e chegaram lá. A constância é uma arma, é muito melhor termos foco e constância, do que sermos rápidos, mas sem foco.

Eu tento sempre dar apoio aos amigos, entendendo que cada um tem a sua velocidade. Procuro nunca me comparar, e muito menos comparar uma pessoa com a outra. Eu não posso admitir olhar para o outro a partir de mim. Cada um tem suas facilidades e dificuldades, por isso, eu prezo sempre mais a constância, os passos curtos e certeiros, do que a rapidez.

Cada um tem o seu ritmo, sendo que não existe idade para sonhar, empreender ou realizar algo. Quem quer faz, assim, um passo de cada vez, entendendo que a pressa é sempre inimiga, a afobação nos faz tropeçar e fazermos besteiras.

Siga no seu caminho, tenha foco e pouco a pouco realize seus planos, no tempo que você acredita ser necessário. O caminho é sempre mais importante, curtir a viagem e aprender com os acontecimentos é muito mais vantajoso do que apenas querer cruzar a linha de chegada.

BIBLIOGRAFIA

PERCY, Allan, Platão para sonhadores: 80 pílulas de filosofia cotidiana para transformar suas melhores ideias em realidade, Editora Sextante, Rio de Janeiro, 2016

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CONSTRUINDO O SABER

Conhecimento se constrói com o tempo, com muitas horas gastas com estudo, leitura e prática. Não é possível criar um repertório sem tempo e dedicação, aprender não é igual a fazer miojo e muito menos se faz apenas vendo tutoriais na internet. É preciso tempo, leitura, vídeos aulas, palestras, acertos e erros, que acabam funcionando como professores, e isso demanda tempo, como bem pontuei.

Tudo vai depender do que você respira, se a sua área de estudos é algo no qual você gosta para assim conseguir mergulhar de cabeça. Saber disso vai lhe ajudar a definir aonde você quer chegar.

A primeira etapa é criar fundamentos, que como pilares estruturará todo o seu edifício. A base é importante para manter a estrutura em pé. No meu caso, que sou professor e teólogo, a minha base é Cristo e a Bíblia, é delimitar no que eu creio e estar muito bem fundamentado na palavra. É preciso conhecer a teologia, as ferramentas teológicas e muitos autores relevantes que serão a base de todo o estudo. Para um estudioso de qualquer outra área, o processo não é muito diferente. É preciso entender o campo de estudo, os principais autores e conceitos daquele campo, para que assim você tenha base para seguir por seus próprios caminhos, sem errar a direção.

Por ter uma estrutura bem construída, eu não me abalo, conheço bem o meu campo de estudo e como um bom cristão, tenho a minha vida alicerçada na rocha que é Cristo e em todas as evidências que mostram veracidade do que eu creio. São os fundamentos que nos sustentam e nos mantém em pé.

 O segundo ponto são os critérios, que funcionam como uma espécie de parede, impedindo que qualquer coisa entre para dentro de nossa vida. Sem critérios aceitamos qualquer coisa, compramos qualquer ponto de vista, seguimos sem refletir e perceber as contradições. A leitura, o estudo e a pesquisa nos ajudam a aprender e a crescer, adquirindo assim critérios sólidos, para assim conseguir seguir sem vacilar.

Com bons critérios e boas estruturas, podemos prosseguir lendo de tudo, pesquisando e conhecendo qualquer coisa, que nada nos abalará. Quem tem critérios avalia, pesquisa e se informa, mesmo não concordando com a opinião. Quem não tem, aceita de tudo e se abala muitas vezes por coisas que nem possuem fundamentos.

Em terceiro lugar está o foco, sem foco paramos no caminho, desistiremos nas primeiras dificuldades, abandonaremos a construção nas primeiras etapas do edifício. O foco são as escadas que nos levam cada vez mais para cima. Sem foco tudo rui, a construção paralisa, o edifício segue incompleto.

Construir um repertório não é fácil, se resume em sempre continuar e não desistir. É uma prática que demanda tempo, sendo que é só o tempo que faz tudo frutificar. Tudo o que aprendemos sem muito esforço, sem dedicação, esquecemos. Tutoriais são uteis para o momento, conhecimento, levamos para a vida, e não esquecemos quando dedicamos algum esforço.

E por fim, depois de tanto tempo, esforço e horas de estudo e leitura, colhemos alguns frutos, percebemos a nossa vida mudar, nossos sonhos se concretizar e tudo acontecer. Esse é o telhado que nos protege das intempéries e nos dá um sentimento de que não perdemos tempo.

O resultado faz com que tudo valha a pena, ele dá sentido a dor. Sem resultados, a dedicação parece ser sem sentido, nos mantendo por momentos sem abrigo, beirando a desanimação. Viver não é uma eterna busca por resultados, quem vive assim, vive de forma incorreta. Mas sim, é legal se dedicar e ver os primeiros frutos do esforço aparecer. Sendo que são eles que nos dão forças para passar pelas tempestades e desafios que a estrada sempre traz.

É claro que o telhado não é um ponto final, o conhecimento é infinito, enquanto vivemos, podemos aprender, por isso, temos que ter em mente que as vezes para crescermos, precisamos sair da zona de conforto para conseguir erguer ainda mais o edifício. Cuidado com a estagnação que os bons resultados nos trazem, é sempre possível continuar e seguir crescendo ainda mais, basta desfazermos o telhado da zona de conforto e seguir construindo ainda mais o saber.

Construir relevância é para poucos, e só é possível através de muito esforço e dedicação. Nada do que é realmente relevante vem sem dificuldades, o esforço é fundamental para alcançarmos a realização. Mas o edifício só se mantém se houver uma boa construção, todas as etapas são importantes para a vida relevante, caso contrário, se você por um acaso esquecer de alguma parte, pode comprometer a estrutura de todo o edifício, e assim, fazer tudo ruir.

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EM TEMPOS DE CAOS DISSEMINE A PAZ

É durante um período de caos que descobrimos como são as pessoas, a pandemia revela o pior do homem e o quanto o egoísmo está incrustado no ser humano, mesmo que ele diga que não.

Eu sou protestante, com isso, não me impressiono com a alienação e nem a depravação humana, como a própria Bíblia ensina e a teologia explica, com isso, eu cito Romanos 3:10 a 12 que diz:

Como está escrito: “Não há nenhum justo, nem um sequer; não há ninguém que entenda, ninguém que busque a Deus. Todos se desviaram, tornaram-se juntamente inúteis; não há ninguém que faça o bem, não há nem um sequer”.

Por isso não nos impressionamos, sabemos quem o ser humano é e do que ele é capaz. Sendo que é neste período difícil que percebemos o quanto a Bíblia tem razão e o quanto muitas teorias humanas se equivocam ao falar do ser humano.

O cidadão vai ao mercado e estoca comida como se não houvesse amanhã, e com isso, os mais pobres acabam passando necessidade. Quem tem condição segue guiado por seu egoísmo, sendo que a palavra vida em sociedade vai sendo esquecida ou perdendo o efeito.

Já os comerciantes aproveitam para subir os preços e ganhar dinheiro em um período de calamidade, mostrando que no final, não há amor, e sim, apenas e impreterivelmente a busca pelo dinheiro. É como o ditado popular diz: “É cada um por si…”, e assim, o homem vai revelando quem é.  

O momento é de calma e mais do que nunca, de olhar para o próximo. Nós que somos cristãos, precisamos dar o exemplo, não divulgar notícias falsas, e cuidar com o extremismo que acaba prejudicando os outros. A pandemia traz confusão, já Cristo nos traz paz e confiança. 2 Tessalonicenses 3:16 diz:

“O próprio Senhor da paz lhes dê a paz em todo o tempo e de todas as formas. O Senhor seja com todos vocês”.

Paulo não vivia dias calmos, ele sempre transitou entre a incerteza e a insegurança. Teve que lidar com momentos de faltas, prisões e necessidades, sendo que era justamente nestes momentos que ele não esquecia nunca de que Deus estava com ele, e onde ele estava, a sua oração era sempre por paz.

Em tempos de caos, devemos ter paz, devemos mais que nunca confiar em Deus e sem dúvidas, prestar toda a atenção no próximo. É um ato de amor sermos conscientes, consumir de forma regrada, e não nos desesperarmos com notícias que semeiam o caos.

É nesta hora que temos que mostrar as pessoas em quem confiamos, e com nossas atitudes, pregar vida e não morte ou o desespero. Cristo não nos prometeu uma vida tranquila, ao contrário, ele nos avisou que teríamos aflições, contudo ele venceu o mundo (João 16:33). E é este Deus que venceu que está conosco, que não nos abandona, que está sempre com a gente.

Ser cristãos é sofrer, mas também saber quem é que nos dá força, é ter certeza que quem venceu o mundo não nos abandonará. Creio que a marca de todo o cristão não é uma vida sem problemas, mas ter paz, apesar deles.

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FALSO JULGAMENTO

Passo sempre em frente a um museu que fica no meio de uma praça. Um local no qual sempre vejo alguns animados mendigos, não sei de onde vem tanto ânimo, mas confesso que a alegria me inspira, talvez seja a saída deles para não morrer de frio em nossas geladas noites de inverno

O curioso em um destes dias foi ver o segurança do museu olhando para os mendigos, eu quase parei para observar com mais cuidado. Ele olhava com cara de desdém, como se não  tratasse de seres humanos, mas algum tipo repulsivo de ser. É curioso ver como constantemente nos colocamos como diferentes de tudo e todos, seja por causa da profissão, status ou credo, como se isso nos tornasse outra coisa que não seres humanos.

Ao olhar para a Bíblia vemos meio que do mesmo, de um lado os religiosos da época, tratando os gentios como seres inferiores. Eles eram os que cumpriam a lei à risca e se consideravam especiais. E do outro lado Cristo, que não perdia oportunidade de estar com os excluídos do seu tempo. A Bíblia mostra muitas vezes ele sendo julgado por estes religiosos, sendo colocado de lado por ter misericórdia de quem precisava de ajuda.

É fácil nos considerarmos especiais, principalmente quando temos dinheiro, diploma ou um bom cargo. Nós somos rápidos em nos dividir, mesmo que de forma inconsciente. A grande questão está em conseguir entender o próximo.

Vivi um bom tempo trabalhando na rua e por isso conheci de tudo, desde pessoas especiais, com inúmeros dons, mas que estavam entregues a drogas, bebida ou coisas do tipo. Até artistas de rua, que viviam de sua arte, mesmo que com limitado dinheiro, acreditando que aquela era a forma certa de viver.

Foi durante este tempo que pude entender que é injusto julgar alguém só com um olhar. As pessoas são mais do que aparências, existe muito mais do que a nossa visão capta. Com o tempo, seguimos percebendo como é perigoso o nosso falso julgamento, principalmente quando julgamos sem saber. O mundo padroniza, ele cria um modelo justamente para vender, isso quando não se apropria dos padrões existentes, e por mais que tenhamos o nosso padrão, não podemos aceitar que nós sejamos o ponto de partida de tudo, pois não somos iguais.

Somos mais do que aparentamos ser, por isso que não podemos concluir só com um olhar. É preciso caminhar, entender e continuar lado a lado, até que entendamos o próximo.

Os Fariseus da época de Jesus acreditavam que eram “melhores” que os gentios, sendo que hoje as atitudes não são muito diferentes. O homem costuma se colocar como melhor, e prefere muitas vezes olhar de cima do que estar ao lado.

É fundamental, se queremos ser cristãos relevantes, olhar para o próximo com respeito, entendendo que cada um tem suas dificuldades, a questão é que algumas são mais visíveis. É prioridade máxima, saber olhar para o próximo não com olhar de condenação, mas de graça, tal qual como Cristo olhou, para que assim possamos oferecer o evangelho ao invés de desprezo.

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SÍNDROME DE ADÃO

Acho totalmente contraditório pessoas que se consideram superiores e autossuficientes. Aliás, acho inclusive ser uma atitude totalmente burra, afinal, desde que nascemos, somos dependentes.

A criança, por exemplo, é um dos seres vivos que mais fica com seus pais. Enquanto filhotes alcançam a independência em poucos anos, uma criança demora uns 20 anos, sendo que alguns, só serão completamente independentes depois dos 25 ou 30, isso quando são.

Não somos autossuficientes, o homem sem o dono do mercado, o funcionário que faz sua empresa andar ou os clientes que consomem e seu produto, não são nada. Mas nós não tardamos em tentar ser, ou mostrar que somos independentes, superiores e autossuficientes, desde o Éden fazemos isso. Preferimos dar ouvidos a serpente, que acreditar em Deus. Preferimos comer o fruto proibido e tentar seu igual ao criador ao invés de depender Dele (Gênesis 3):

“Eva mordeu a isca! A tentação de ser como Deus anuviou sua visão, e a simples mordida em um fruto teve sérias implicações no Reino de Deus” (LUCADO, 2005, p.152).

O problema do homem é tentar ser igual a Deus, é pensar que é eterno e infinito. Volta e meia esquecemos quem somos e mergulhamos em uma vida de mentira e autoengano. E eu não estou falando que não devemos tentar fazer o nosso melhor, nos prepararmos, nos dedicarmos para sermos bons no que fazemos. E sim que alguns fazem tudo para serem superiores em uma espécie de culto a exaltação pessoal:

“Mas há um abismo de diferença entre fazer o melhor para glorificar a Deus e fazer tudo para exaltação pessoal. A luta pela excelência é uma prova de maturidade. A busca pelo poder é infantilidade” (LUCADO, 2005, p.152).

O poder nos distancia de Deus, é uma busca vã e sem sentido, pois esta busca é um tanto quanto cega e irreal. A estrada de quem busca poder é a soberba, o caminho de quem se dedica ao poder é finito. Gosto de como Max Lucado exemplifica a busca por poder:

“Por favor, preste atenção ao que vou dizer. O poder absoluto é inatingível. O mastro que conduz ao topo é escorregadio, e os degraus da escada são feitos de papelão” (LUCADO, 2005, p.153, 154).

Quase no fim do ano de 2017 o furacão Irma devastou inúmeros países por onde passou. A Ilha de Barbuda teve 90% de suas casas destruídas, em outros países, inundações e destruições eram vistos aos montes e o homem não pode fazer nada. O poderoso país americano, que sofreu um bocado com o furacão, também teve que se calar diante de tal furor.

Quando eu vejo estas tristes calamidades, sem demora eu lembro de minha condição, e do quanto preciso de Deus. Confiar n’Ele é básico, entender que a busca por poder é uma busca infantil e pequena, que só nos leva a perdição é importante para não cairmos em velhos buracos. Gosto de como o livro: “O impostor que vive em mim” de Brennan Manning termina, nos traz uma boa luz a esta reflexão:

“Que todas as suas expectativa sejam frustradas, que todos os seus planos sejam atrapalhados, que todos os seus desejos sejam reduzidos a nada, que você possa experimentar a impotência e a pobreza de uma criança, e então cantar e dançar no amor de Deus que é Pai, Filho e Espírito” (MANNING, 2007, p. 13)

Este é um dos segredos para não cair na mesma armadilha que Adão e Eva caíram, esta é uma das formulas para nos mantermos com os pés no chão, não nos entregarmos a venenos tão antigos e seguir olhando para Cristo e sua graça.

Quando aproveitarmos o caos para termos dependência d’Ele. Ou olharmos os problemas e catástrofes e nos lembrarmos do quão fracos somos e o quanto precisamos de Deus, dificilmente nos consideraremos poderosos e assim seguiremos o caminho certo da dependência de Deus

Não adianta amigo buscar poder, pois o poder passa, o nosso tempo é finito, por isso não o desperdice. Tenha como prioridade o que te traz vida, o que é eterno o que a traça não corrói, isso sim vale a pena.

BIBLIOGRAFIA

LUCADO, Max, O aplauso do céu, Editora United Press, São Paulo,2005.

MANNING, Brennan, O Impostor que vive em mim, Editora Mundo Cristão, São Paulo, 2007.

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JORNADA CRISTÃ: GRAÇA

Toda a caminhada tem o seu ponto de partida, a vida cristã não é diferente. Estudar, escrever, se aprofundar e conhecer faz parte da vida de um cristão centrado, a questão é que nem sempre foi assim.

Vim de uma tradição que ensinava que estudar não era tão importante, que o conhecimento era coisa do mundo. O verdadeiro cristão precisava apenas ler a Bíblia, e deixar que o Espírito Santo ensinasse. Com isso, inúmeras barbaridades eram vistas e consideradas como ação de Deus.

O tempo passou e a minha fé em Deus seguiu calcado em crenças e ensinos que soavam não só contraditórios a luz da própria Bíblia, mas também beirava a pura superstição. Muitos dos ensinos eram mesclados com falácias, crenças supersticiosas e careciam de uma base bíblica coerente.

Deus, no meu ponto de vista, era inalcançável, severo e cruel, e apesar de conhecer a palavra graça, eu mal entendia para o que servia, quanto mais citar onde estava na Bíblia.

Tudo mudou quando eu comecei a frequentar uma igreja no qual o ensino era uma de suas prioridades, sendo que aprender sobre a Bíblia e sobre teologia, e ser incentivado a ler a todo o tempo, foi uma das minhas maiores oportunidades. Dei os meus primeiros passos na teologia nesta igreja, sendo que muitos livros moldaram e me ajudaram na caminhada.

Por isso, nesta série de textos, vou abordar sobre os inúmeros autores que me acompanharam e me deram um norte em um período onde tudo era escuro e nebuloso. A intenção é abordar sobre toda a minha caminhada, terminando a série de textos nos livros mais densos e teológicos. Vale lembrar que os livros podem ser divididos em literatura teológica, que tem ensinos mais densos e literatura devocional, que apensar de ter teologia, é um pouco mais simples e diluído, próprio para leigos e iniciantes. Nesta minha jornada passarei por todos os estilos de livros, seguirei o caminho natural que eu trilhei, e pontuarei de forma clara o que considero importante em cada livro e autor.

Brennan Manning é um escritor no qual eu tenho uma grande consideração, foi ele que me ajudou em meus primeiros passos, foi com seus livros que entendi, de forma clara, o que era graça.

Basicamente a minha visão de Deus, antes de conhecer o autor, era de um Pai cruel, severo e totalmente sem paciência. Um Deus que estava sempre vigiando e pronto para punir, por isso, não podíamos sair da linha, caso contrário, a mão de Deus pesaria sobre nós. Foi no livro “A assinatura de Jesus” e depois no “Evangelho maltrapilho”, que dei os meus primeiros passos, e encontrei um oásis em momentos onde tudo era muito obscuro e pesado.

O autor fala da graça de uma forma muito alentadora, e o mais impressionante era que ele não se colocava como superior, o que era uma novidade para mim. No meio pentecostal do qual vim, o pastor era tido como superior, um servo de Deus intocável, ele nunca estava em nosso patamar, com isso, categorias eram bem visíveis na igreja. Mas quando este escritor discorria, ele se colocava como falho tal qual todos os homens, sendo que foi a sua sinceridade que me ajudou a entender quem sou e como buscar a Deus de forma verdadeira.

A parte mais impactante foi quando ele revelou em alguns de seus livros, o seu problema com alcoolismo. No livro “Deus o ama do jeito que você é” ele conta com detalhes toda a sua luta, e todos os equívocos que ele cometeu por conta do seu vício, mesmo sendo cristão, escritor e palestrante. Ele nunca escondeu nada, a sinceridade sempre foi a sua marca, coisa que me ajudou e me fez entender muita coisa.

Todos nós temos dificuldades, isso é normal, ser cristão é ser um lutador, é cair e se levantar, é falhar e continuar. No livro “O impostor que vive em mim” Brennan pontua algo fundamental sobre isso:

“Apesar de Deus não tolerar ou sancionar o mal, ele não retém seu amor por haver maldade em nós” (MANNING, 2007, p. 20).

Todos nós somos falhos, não somos super-heróis, somos seres humanos buscando alento em Deus, sendo que cada um tem os seus pontos fracos. No livro “A sabedoria da ternura o Brennan Manning pontua:

A violência com a qual alguns cristãos expõem suas convicções me faz pensar que eles estão tentando convencer a si mesmos. O espectro de sua incredulidade oculta com habilidade me assusta à medida que eles se tornam mais militantes e barulhentos. Quando esse mesmo medo passa a controlar as igrejas, elas se desintegram, tornando-se propagadoras de rituais formais ou agentes intolerantes de repressão. Sem um conhecimento íntimo e sincero de Jesus, os pregadores que lideram essas igrejas se assemelham a agentes de viagem distribuindo panfletos de lugares que nunca visitaram (MANNING, 2007, pg. 180)

O ambiente legalista no qual eu vivia, me ensinava que ser cristão é ser perfeito, que falhas não eram bem vindas, que o cristão não errava, o problema era que o erro era mascarado e a vida perfeita era pura hipocrisia de quem vivia apenas de aparência.

Com os livros do Brennan Manning aprendi sobre a graça de forma sincera e clara, entendi o que era ser cristão e consegui seguir vivendo uma vida muito mais leve e menos hipócrita.

Este foi o meu primeiro passo, vieram muitos outros, mas este foi fundamental para a minha caminhada. O amor de Deus transforma, a graça nos molda, nos nivela e faz com que a vida cristã não seja uma caminhada hipócrita.

BIBLIOGRAFIA

MANNING, Brennan, A sabedoria da ternura: o que acontece quando compreendemos e aceitamos o amor poderoso de Deus que transforma nossas vidas, Editora Palavra, Brasília, 2007

MANNING Brennan, O impostor que vive em mim, Editora Mundo Cristão, São Paulo, 2007

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A ODISSEIA DA DOR VI: FINITUDE

Pode ser que em todos estes textos que eu escrevi sobe o problema do mal eu tenha sido simplista, quem sabe quando eu tento falar sobre Deus e sobre a dor, eu esteja sendo sem coração ou prático demais, quem sabe…

Contudo, quando escrevo sobre o problema do mal, ou sobre a injustiça no mundo tento deixar claro um fator apenas: “O ser humano é um ser finito e dependente demais para conseguir visualizar a verdade de forma completa”, o ser humano não é nada sem Deus.

Estes dias eu tive uma prova disso, quando apenas uma dor de dente foi suficiente para me deixar desesperado de dor. Às vezes o desespero não é o dente é a falta de emprego, uma doença sem cura ou a perda de um parente querido. Tudo isso mostra o quão somos pequenos

Eu costumo usar Romanos 1:18 para enfatizar como a natureza evidencia a existência deste Deus maravilhoso, mas não precisamos ir tão longe, basta olharmos para nós mesmos. O quanto somos pequenos, egoístas, o quanto criticamos Deus, por não resolver o mal, mas não tardamos em acumularmos riquezas, a viver a vida para o lucro como se não fossemos responsáveis por tudo o que acontece no mundo. Culpar a Deus é fácil, assumir a responsabilidade já é outros quinhentos.

O homem é uma contradição ambulante, a humanidade que critica é mesma que vira as costas para o necessitado, ou passa por cima de quem tenta ganhar o seu pão. Julgamos o mundo com nossa visão, olhamos para Deus com nossos olhos finitos e mesmo assim concluímos conhecer e entender quem Ele é e o quanto Ele é “injusto” por não sanar a nossa “dor”.

Acredito que antes de refletirmos o porquê Deus não faz determinadas coisas, temos que nos perguntar por que nós não fazemos, por que jogamos nas costas de um Deus problemas que nós mesmos criamos.

A grande contradição do homem é viver em sociedade, uma sociedade injusta e cobrar a Deus o porquê Ele não faz alguma coisa. Amigo, Deus é Deus, ou você escolhe viver como ele nos aconselha viver, ou você segue os padrões estabelecidos pelos homens, que geralmente são injustos.

Alguns acreditam ter respostas para tudo e por isso se acham inteligentes, alguns detém em suas mãos o conhecimento, acreditam que a tecnologia e a ciência vão desvendar todos os mistérios da humanidade. Somos livres para pensar e formular nossas conclusões, mas não consigo acreditar que a ciência vá achar respostas para tudo. Aliás, com o advento da inteligência artificial, a ciência tem gerado mais perguntas que respostas, a principal delas é: Quando tivermos máquinas e robôs autônomos em que o homem vai trabalhar? Entre tantas outras perguntas…

Não acredito que um ser humano, que sucumbe ante uma dor de barriga, que mal consegue jogar o seu próprio lixo na lixeira, ou desmata como se não houvesse amanhã, conseguirá um dia conhecer todos os mistérios que os duzentos milhões de galáxias escondem, quem dirá conhecer Deus.

Não estou afirmando que por isso, por sermos finitos e limitados, devamos parar de buscar a verdade, conhecer ainda mais a vida e construir novas tecnologias. E sim, que devemos ter a humildade de reconhecer que não somos nada, que somos muito pouca coisa e com isso entender que nem todas as nossas dúvidas serão sanadas.  E acima de tudo, reconhecer que temos arranjado mais problemas que solução.

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DIÁLOGO COM UM PUNK

Um dia destes, enquanto passava pelo largo da ordem em Curitiba, que é uma praça onde um monte de gente fica bebendo e conversando. Fui abordado por um punk que vendia seus zines de protesto contra os burgueses exploradores que, segundo ele, deveriam todos morrer, este texto resume o que eu respondi a ele.

Sou contra a injustiça social, não fico feliz quando vejo pessoas morando na rua, revirando lixo para comer ou morando em favelas, sei bem como isso é difícil, já morei na rua quando novo e isso não é legal. Também sou contra quando ricaços olham para pobres como se fossem seres inferiores, como lixo, desdenhando-os e deixando de fazer o mínimo para ajudar, já que eles têm condições. Porém, não acho que o caminho da justiça social esteja em acabar com a riqueza de quem tem dinheiro

Ninguém sabe o quanto o cara rico penou para ter o seu dinheiro, ninguém tem ideia do quanto estudaram, gastaram seus finais de semana e investiram dinheiro para ter retorno. E quem sou eu para apontar o dedo na cara das pessoas sem ao menos conhecer sua história. Aliás, quem sou eu…

Acredito que antes de julgarmos quem tem dinheiro, temos que olhar para os políticos que têm enriquecido ilicitamente, se apropriando do que não é deles. Antes que crescer o olho para a riqueza alheia, devemos cobrar dos governantes trabalho, saúde e educação, como eles assim prometem todos os anos de eleição

Realmente, poucos tem muito e muitos tem pouco e protestar buscando uma vida melhor é fundamental, só não acho que justiça social é fazer todos ricos, e sim, fazer com que todos tenham uma vida digna.

Vive em um mundo de sonhos quem acha que todos conseguirão ter um carro importado ou uma casa de 300 metros quadrados. Quem acredita que todos conseguirão ganhar 20 mil por mês, vive uma vida de fantasia e não pensa que ninguém precisa de tanto assim. Temos que aprender que na vida tudo tem um limite, e viver bem é ter o importante ao nosso dispor que no mais, damos um jeito.

Justiça social é brigar por uma vida justa, por saúde e por um local para morar. Justiça social é ter na mão uma oportunidade de estudo, ou alguma forma de se qualificar, para se recolocar de forma digna no mercado de trabalho.

Eu não vivo a vida olhando para as pessoas ao lado, contabilizando o que ele tem e o que eu não tenho, muito menos almejo ter tanta coisa assim para viver, não acho que precisamos de muito. Quem briga por justiça de olho nas coisas dos outros no fundo tem inveja, e usa uma desculpa política para extravasar

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A ODISSEIA DA DOR V: DIAS DIFÍCEIS

Quando tudo está difícil você ora e pede uma saída para Deus, não é assim que nós aprendemos? Busque a Deus com fé que ele vai te ouvir. O grande problema é quando não somos atendidos, quando oramos e nada acontece, quando clamamos, choramos aos pés de Deus e o caos permanece e as vezes até piora ainda mais.

Com isso, alguns vão alegar falta de fé, ou que Deus não te atendeu por você ter duvidado e tem até quem fala que os problemas vêm para nos fortalecer, já ouviu isso? Quem é inteligente aprende com os seus problemas, quem não é fica reclamando. A grande questão é quando uma pessoa está com câncer, paralítica ou inválida, certas lições são difíceis de aprender…

Há quem diga que alguns estão apenas colhendo aquilo que plantaram, ou que Deus está castigando quem foi infiel. Como se nós também não fossemos infiéis, pecadores e falhos. O interessante é que muitos dos que dão estes tipos de conselhos se colocam de fora, como se fossem perfeitos, sem falhas.

Penso que alguns destes pontos de vista têm as suas verdades, é claro que podemos aprender com nossos erros, é evidente que o sofrimento nos faz mais fortes e algumas vezes nos faz enxergar coisas que em dias normais não veríamos. E é claro que eu sei que Deus ouve nossas orações e nos responde, da sua maneira, é evidente, mas responde. A minha grande crítica é que nem todos os conselhos ajudam quem está passando por necessidades e muito menos dá uma saída para o caos.

Entenda que todos sofrem, o sofrimento tem como ponto de origem o pecado do homem. O homem desobedeceu, se distanciou de Deus, e por conta disso sofre. Entenda também que Cristo veio aqui na terra para nos dar salvação, e não uma vida de flores e alegrias. Ele nos avisou que sofreríamos e mandou termos bom ânimo.

Nem sempre é sol, não são todos os dias que podemos viver uma vida tranquila e cheia de paz, pois vivemos em um mundo onde impera o pecado, uma sociedade que tem como base a mão de homens falhos. Por isso, sofrer é inevitável.

Para mim o sofrimento nos traz dois grandes ensinamentos. O primeiro grande ensinamento é: “Onde a mão do homem tocar, sempre haverá dor, mal, injustiças, doenças e egoísmos”, seja isso em larga escala, como vemos em alguns países de regime totalitário, ou em pequena escala, nas injustiças que observamos no dia a dia, nas doenças endêmicas ou nos desastres naturais. Enquanto o homem reinar, o mal reina, não tenha dúvidas. O segundo grande ensinamento é: “O homem não pode sobreviver sem Deus”. E acredito que esta é a grande lição que o sofrimento traz, sendo este também o motivo no qual sofremos

Sem Deus não somos nada, sem ele o homem é só destruição e dor. É isso que eu enxergo quando vejo os homens sofrerem, é isso que ao meu ver evidencia a dor. A dor existe por conta da falta de Deus. E a dor só se extinguirá quando Cristo voltar e acabar com este mundo podre e doente.

Sobre os dias difíceis, eu já não posso te dar uma fórmula, pode ser por tantos motivos que é impossível termos certeza do motivo no qual as vezes passamos pelo caos. Mas uma coisa eu sei, o caos nos aproxima de Deus. É ele que nos tira de comodismo e faz com que nos joguemos aos seus pés. A vida fácil normalmente nos deixa relaxados, os problemas fazem com que delimitemos mais as nossas prioridades e olhemos mais para a cruz.

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SOBRE CASAR PARA SER FELIZ

Vivia sozinho desde muito novo e agora com um pouco mais de 40 anos, me encontro casado. Muitos me perguntam, por saber que há décadas eu vivia sozinho, se eu estive com algum tipo de medo ou receio em casar, a minha resposta sem ser hipócrita em momento algum sempre é “não”.

Entrei bem consciente no casamento, refleti e tenho sempre tentado ouvir pessoas, ler e buscar ajuda. Penso que um dos segredos é o diálogo, além de considerar o próximo entendendo que cada um tem o seu defeito e a sua qualidade.

Eu sei que casar não é fácil, muitos tentam me avisar e dizem o quão é difícil conviver e dividir a vida, apesar de ser bom. Mas tem uma categoria de pessoas, que até ficam felizes pela minha decisão, mas que proferem uma frase que eu nunca consigo entender: “Uma hora temos que casar para podermos ser felizes”. Confesso que esta é uma das frases mais complicadas que eu tenho ouvido ultimamente

Não estou casado para ser feliz, eu sou feliz, bem resolvido e contente com o que sou. Eu casei porque achei alguém que compensa dividir a vida, uma parceira na caminhada e não para que ela tenha a obrigação de me fazer algo, ao contrário, jogar as expectativas de nossa felicidade em outro é um dos maiores erros dos casais, como bem pontua T. D. Jakes:

“Todos queremos sem dúvida experimentar o amor; mas é preciso fazer primeiro esta pergunta: amamos os outros, ou amamos a ideia de amar? Muitas são as mulheres – e também os homens –, que se voltaram para os braços de alguém procurando a segurança que deve vir afinal do próprio íntimo. Quão amargos se tornam quando buscam ao seu redor aquilo que devem encontrar dentro de si mesmo” (JAKES, 1999, p. 21)

Jogar em outro a responsabilidade de nos fazer felizes é um erro. Se não temos tudo resolvido em nosso íntimo não acharemos fora dele. Sem esquecer-nos da pergunta principal: Quem é o centro de nossa vida, nós ou Deus?

Não sou o mais experiente no quesito casamento e sei que tenho que aprender muita coisa, só quis enfatizar com que posicionamento entrei no casamento. Eu não quero ser feliz, pois já sou, até demais. O que eu quero é fazer alguém feliz, casamento é parceria, cumplicidade, quando um casamento começa com o pensamento egoísta de “eu quero” teremos muito mais problemas que o normal, exigiremos demais de nosso cônjuge e transformaremos nosso casamento em um caos.

BIBLIOGRAFIA

JAKES, T. D. A Dama, Seu Amado E Seu Senhor, Editora Mundo Cristão, São Paulo, 1999

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