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AMBIGUIDADES

Dificilmente você vai me ver militando por uma causa, já vivi o suficiente para perceber que quando falamos de mundo, seres humanos e sistemas, sei bem que  a maioria deles e de suas causas são problemáticas e ambíguas.

Um homem pode ser bom, mas nunca o suficiente, por mais que ele seja honesto e solidário, por ser um humano, falho e pecador, sempre haverá o outro lado, uma maldade escondida, uma atitude fora do padrão.

O mesmo eu digo dos sistemas políticos, por mais que surja um modelo perfeito e revolucionário, sempre haverá o outro lado. Quem não olha o mundo desta maneira, está fadado a uma opinião simplista, quando não é uma opinião cega, destituída da reflexão e extrema. Eu tenho medo de certezas justo por conta das ambiguidades e por constatar que uma boa parte dos que têm certezas são extremos, alheios ao diálogo. Não adianta, é difícil ter certeza por ser impossível termos uma opinião destituída de falhas. Edgar Morin e Patrick Viveret, no livro “Como viver em tempos de crise” resumem:

“Para entender o que acontece e o que vai acontecer no mundo, é preciso ser sensível à ambiguidade” (MORIN, VIVERET, p. 9)

O mundo é realmente complexo para o definirmos de forma coerente e sem medo, as pessoas, inclusive eu, são um tanto quanto alienadas, para terem certezas realmente assertivas, olhando o todo, avaliando por todas as direções e nuances.

As vezes achamos que estamos olhando o todo, mas não percebemos que existe um outro lado. Tem dias que deixamos as emoções nos guiarem sem nos atentarmos. Há períodos no qual não percebemos nossas injustiças às vezes até feitas em nome da justiça. O ser humano é ambíguo, um misto de bondade e maldade. Edgar Morin e Patrick Viveret complementam mais um pouco o tema, falando agora do pensador Pascal:

“Pascal tinha o senso da ambiguidade para ele, o ser humano traz em si o melhor e o pior” (MORIN, VIVERET, p. 10)

Somos este misto de melhor e de pior, podemos ser bons, mas por conta do pecado, a nossa bondade vai ser sempre contaminada, meio que misturada com o pecado.

Com isso em mente eu tento avaliar o mundo, tenho sempre um pé atrás com homens que se dizem salvadores e não confio em sistemas infalíveis, pois não existem. Com isso em mente eu também tomo cuidado com os meus impulsos, pois sei que por mais que eu tenha boa intenção, eu posso estar indo no caminho da injustiça. As vezes podemos achar que estamos olhando o todo, avaliando uma questão por todos os ângulos, sem perceber nossas contradições, sem ver que no fim nem estamos vendo a questão direito. Esteja certo de uma coisa, você não pode ter uma plena certeza, é impossível fecharmos uma questão, você não pode se permitir ter pontos de vista fechados, inerrantes.

Depois de muito estudar e ler, depois de dedicar horas aos livros e pesquisas, aprendi o quanto sou limitado, descobri o quão perigoso é a certeza. Não é que não devemos confiar ou que precisamos ser céticos para o resto da vida, e sim, que devemos entender que podemos estar errado, nunca exclua está possibilidade.

Somos seres ambíguos, com o melhor e o pior em nós, com isso, tenha tento, aprenda a ter um pé atrás, pois nunca se sabe qual lado está gritando mais alto.

Se você não crê que pode estar errado, há uma possibilidade de você não estar atento as suas ambiguidades.

BIBLIOGRAFIA

MORIN, Edgar, VIVERET, Patrick, Como viver em tempos de crise? Editora Bertrand Brasil, Rio de janeiro, 2015.

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O VERDADEIRO MILAGRE

Entenda que o tempo é sempre de Deus e nunca vamos entender porque às vezes tudo parece demorar. Só ele sabe e faz conforme lhe apraz, o que cabe a nós é seguir e confiar.

Entenda também que na maioria das vezes Deus não força a vida, não modifica o natural, nem abre um caminho “especial”. Nem sempre é com milagres que ele vai nos amparar, quase sempre o “milagre” é por um caminho normal, sem fogos de artifício ou peripécias mágicas.

Talvez o milagre maior seja suprir a nossa vida em meio à falta, nos alentar em meio a tempestade, enquanto naturalmente aguardamos o vendaval passar.

No fim o milagre maior seja aprendermos a seguir a sua vontade, crescermos com os tombos, mudarmos com as dificuldades, enquanto lá fora, de forma mais milagrosa ainda, o caos não nos trará mais medo.

Nem sempre conseguiremos identificar o que é um milagre, do que foi uma coincidência ou algo natural, mas quem conhece a Deus sabe que ele não nos deixa na mão.

Por fim, tudo vai depender da certeza, do quanto buscamos e do quanto se almeja a intimidade com o eterno. Pois quanto mais próximo, mais satisfeitos, quanto mais oramos, lemos e buscamos, por certo, teremos a certeza de que é ele que está a nos guiar, seja da forma que for. Usando meios milagrosos ou naturais, pois no fim tudo é dele e tudo dele vai continuar, nós somos apenas servos e como tais, sujeitos a sua vontade.

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A FORÇA DA DISCIPLINA

Descobri o poder da disciplina ainda criança, quando eu quis aprender a tocar bateria, mas ninguém quis me ensinar. Quem perderia tempo com uma criança? Ninguém quis perder, entretanto preferi ao invés de lamentar, persistir. Na vida ou você luta ou se entrega, vai do ponto de vista e do preço que cada um prefere pagar.

Na minha inocência de inexperiente, comecei a ver os bateristas tocarem e a imitar o movimento, e com muito empenho aprendi, assim, sem auxílio algum.  É claro que depois vem muita gente ensinar, querendo ganhar os louros por ser professor de um jovem baterista, como eu nunca liguei, me aproveitei da boa vontade, mesmo que pouca, pois na maioria das vezes precisei correr atrás.

A música me ensinou a ter disciplina, a praticar sem desistir. Ninguém segura um amante, e como eu era um apaixonado pela música, consegui aprender, mesmo que pouco motivado.

Tudo vai de você achar o que mais gosta e sem demora traçar um plano, toda a disciplina começa com dedicação e muito tempo de empenho. Ou você aprende a se dedicar e a praticar muito ou você desiste ante o menor obstáculo, o hábito surge assim, com persistência e força. Aristóteles define o hábito usando uma citação do poeta e filósofo Eveno:

“O hábito, meu amigo, é tão somente uma longa prática. Que por fim faz-se natureza” (2001, p. 155)

Persista, jogue de lado o prazer de mergulhar na preguiça e inutilidade e mergulhe na prática, que aos poucos aquilo passa a fazer parte de você. A preguiça, o descaso, a falta de vontade é inerente ao ser humano, nós já temos de forma natural, não precisamos cultivar. Agora o estudo, a leitura, a prática isso temos que cultivar, ir contra nossos impulsos para que fique introjetado em nossa vida e é a única forma de sair do lugar.

Precisei também aprender a lidar com críticas, pois ninguém quis me ensinar a tocar, mas todos quiseram colocar algum defeito na forma que eu estava tocando. Foi importante ser inteligente e reter da crítica o que era bom, afinal, como eu disse, na maioria das vezes eu estive aprendendo sozinho, não tive ajuda, por isso, precisei das críticas, até das falas maldosas e invejosas, para assim tirar alguma lição. Ou você usa a cabeça ou segue batendo em tudo quanto é canto. Quando não temos um professor, precisamos usar os críticos, e eu usava, perguntava e tentava ouvir, nem sempre conseguia, pois alguns eram pedantes demais, mas quando conseguia eu aprendia.

Por fim, o mais óbvio que eu fazia era separar um tempo. Se você não aprende a parar para se dedicar, você não desenvolve. Ou paramos, nos concentramos, estudamos, ou seguimos sem nos desenvolver.

É um passo de cada vez, passos curtos, realistas, não é o tempo que conta, mas a qualidade do tempo separado. Não adianta você separar horas, mas não se concentrar no assunto, pouco tempo bem aproveitado é muito, que no mais, você automaticamente vai aumentando.

Estas lições que aprendi com a música, levei também para a vida acadêmica, o principio é o mesmo, o caminho do estudo é igual e com percalços parecidos. Quem trabalha e estuda sabe bem disso. Depois de um dia de trabalho você não quer ir estudar, o corpo prefere descansar e se jogar no vazio da inutilidade, se não persistimos nos entregamos.

A disciplina é uma força que precisa ser cultivada, principalmente se você quer ser relevante. Uma pessoa disciplinada consegue chegar lá, sejam quais forem as tribulações, por isso, não perca tempo e aprenda a ser disciplinado.

BIBLIOGRAFIA

Aristóteles, Ética a Nicômaco, Editora Martin Claret, São Paulo, 2001.

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OS TRÊS PILATES DA BOA DISCUSSÃO

Já ouvi de professores que debates são importantes, faz com que revisitemos a nossa opinião, que troquemos experiências e aprendamos mais. Mas o ponto principal do debate, segundo estes professores, é que é através do debate que conseguimos verificar se a nossa argumentação é boa ou se estamos errados.

Existem inúmeros problemas com esta forma de pensar, o principal deles é que nem sempre quem fala bem, tem bons argumentos, por isso podemos estar debatendo com pessoas que só sabem falar bem e tem como principal objetivo ganhar o debate. Este tipo de pessoa não acrescenta, não nos faz refletir em cima de nossa opinião, com isso, fico em dúvida se vale a pena entrar em uma empreitada destas ou não. Quem sabe se conhecermos a pessoa sim, caso contrário, é impossível termos certeza se tal momento é bom ou ruim, mas este ainda não é o principal motivo no qual ou não gosto muito de debates, meu motivo está em cima da falta do que eu chamo de “os três pilares do bom debate”. Geralmente eu só entro em discussão quando tenho certeza que estes pilares existem.

O primeiro pilar é a argumentação embasada. Está é a parte importante da conversa é a base do meu ponto de vista. Um bom acadêmico ou profissional forma sua opinião baseado em fatos, estudos, bibliografias, análises amplas, ele verifica os fatos de todos os ângulos e opiniões sólidas. Ele estuda, aprende e reflete sobre tudo, sendo que o resultado vai ser a boa opinião. Dependendo do assunto em uma conversa ou debate eu cito até alguns livros para embasar o meu pensamento. Gosto de ensinar e incentivar as pessoas a ler, com isso eu não consigo deixar de citar bons autores.

Se eu não entendo do assunto eu me calo, posso até dar as minhas percepções, mas não insisto em discutir e opto por ouvir. Se eu não sei, eu não sei, é perca de tempo falar do que não sabemos e se a pessoa sabe, o inteligente é ouvir e aprender, sendo que na dúvida, pesquiso depois.

O segundo pilar é o ouvinte. E esta é a parte que me faz entrar ou não em debates, sendo que este pilar tem várias variantes. Se você está conversando com alguém que não te ouve, você só estará jogando conversa fora, e se ele tiver a intenção de apenas ganhar o debate pior ainda, você vai só perder tempo, pois o ouvinte vai fazer de tudo para estar certo, até apelar no debate, sendo que estas são as primeiras variantes.

A segunda variante do ouvinte é o fato dele não dominar o assunto, aí você vai ter um problemão, pois vai ter que explicar de forma detalhada o assunto para ele te entender, isso se entender. A terceira variante é se ele acha que entende do assunto, aí o caos está armado, pois você vai estar falando com alguém que tem como base apenas o que ele acha e não no que ele se informou, com isso, ele poderá pegar o seu ponto de vista embasado e distorcer, o que é um problema.  

Veja bem, ensinar é uma troca, sendo que quem aprende deve estar aberto a aprender, refletir e chegar a um denominador comum, em um debate, dificilmente existe este espírito. Geralmente quando eu emito a minha opinião eu espero para ver a reação da pessoa, dependendo de como ela recebe a opinião, eu não perco mais tempo.

Eu gosto de ouvir, acho lindo pessoas que sabem do que estão falando, tento sempre respeitar a opinião alheia, mesmo que diferente da minha e convivo com o diferente numa boa. Nem todos com que eu debato ou troco opiniões, concordam comigo ou eu com ele, mas na maioria das vezes nós não apelamos e sabemos como lidar com a opinião oposta, este é o segredo, estes são os que valem a pena debater e conversar, pois existe base a respeito em suas argumentações.

O terceiro pilar é a intenção. Se o motivo do debate é apenas medir ego, estar certo ou ganhar, o debate já está perdido. Sendo que uma boa parte das discussões tem como base este motivo, por isso, ao menor sinal de ego, eu fujo, não perco o meu tempo mesmo. Não gosto de medir ego, gosto de pensar, trocar informações, entender o porquê a pessoa pensa da maneira que pensa e refletir. Ganhar uma discussão é sempre pouco.

Eu já me calei ante assuntos em que eu entendia tudo porque o argumentador não gostava de ouvir. Mas eu também já tive boas conversas, onde o respeito pela pessoa só aumentou.

O oposto é também muito verdadeiro, se a nossa intenção for só ganhar, mostrar que sabemos, é melhor nos calarmos. É um tempo perdido querer nos mostrar só para rebaixar alguém ou mostrar que somos superiores. Cada um tem suas limitações, ninguém sabe de tudo, com isso o respeito é importante a fim de sermos relevantes.

Um dia eu estava falando de um assunto da minha área de estudo com um amigo. A minha opinião era totalmente contrária a dele, mas ao final da minha argumentação ele falou, cara  eu discordo de você, mas também não vou conseguir te responder. Eu já li muito, mas não consigo argumentar, na mesma hora eu me calei e respeitei aquela opinião sincera. Ele prometeu pensar no assunto, e estudar mais ainda para um dia conversar comigo, e eu assenti calado respeitando a limitação que todos nós temos.

Respeito, é esta a base de toda a conversa, quando ele não existe, esqueça de debater. Lembre-se que é uma atitude totalmente infantil querer impor ideias, mesmo que estas sejam ótimas, revolucionárias. O caminho é sempre expor, aprender a dialogar e conviver com a opinião contrária. Por isso, antes de entrar em um debate verifique se existem os três pilares da boa discussão, para que assim você não se incomode e perca o seu tempo com quem quer apenas impor suas ideias a qualquer custo.

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A DIFÍCIL ARTE DE OLHAR O PRÓXIMO

Aprendi a olhar os outros, como quem olha para si, para os seus defeitos, dificuldades e qualidades. Eu não sou perfeito, ao contrário, o que mais me sobra são os defeitos e é bem por este motivo que eu tento ver os outros como vejo a mim. Um misto de maldade e bondade, qualidades e falhas.

É interessante quando algumas vezes olharmos para trás e vemos quem éramos e o que somos hoje.  Quando eu me lembro de algumas das minhas histórias, erros e equívocos e como eu lidava com estes acontecimentos, eu rio, rio muito, isso quando não me envergonho. Por isso acho difícil não olhar para os outros e ver um pouquinho de si, principalmente em casos de inconsequências e teimosias, eu fui assim, é impossível não me sentir empático.

As vezes acredito que o cara chato, insistente e tagarela pode ser apenas um carente, ou uma pobre alma tentando ser entendida em meio as suas dificuldades, tal qual eu fui.

E o workaholic talvez seja apenas um cara vazio, que busca em seu trabalho a fuga de uma vida sem sentido. Ou pior, que acredita que o sentido da sua vida é trabalhar. Quem sabe, aquele cara teimoso, que não dá espaço algum de diálogo é apenas alguém que apanhou muito e não soube lidar com as dificuldades.

Entender o próximo e suas maneiras é dar uma chance para si por tabela, tendo em mente que nem sempre somos os descolados que imaginamos ser, nem sempre seremos os mais motivados e estabilizados, e nem sempre perceberemos se estamos trilhando o caminho certo.

O tempo passa não se esqueça disso, hoje você pode ser jovem, mas amanhã não mais será. Hoje você pode estar bem, mas amanhã pode estar lidando com algo inesperado. É a lei da vida, sendo que as vezes depois da meia noite, quase sempre a carruagem vira abóbora e o nosso encanto se vai. O tempo é assim, um conto de fadas mal contado, sendo que é ante o cansaço da vida que vem a solidão e a percepção de que o tempo segue e quase tudo muda.

A arte de olhar o próximo é complicada, pois não existe receita, é na tentativa e erro, mais erro do que boas tentativas, sendo que no afã de acertar muitas vezes erramos. Olhar o próximo como único é quase impossível, pois vemos os outros a partir de nós e nossas experiências, e aí é que está o problema.

Ninguém sabe o quanto o sapato aperta, só calçando para ter certeza. Tem dias que o outro vai devagar por conta do caminho, que para nós é um tanto quanto fácil e tem momentos que somos criticados por algo tão comum no ponto de vista da pessoa, que somos ridicularizados por sermos fracos. O problema dos outros é sempre fácil de resolver, o problema nosso que é o desafio.

Por isso digo que ao olhar o próximo, tente entender a partir dele, de suas quedas e dificuldades, trate a dor dos outros como você queria que a sua fosse tratada, afinal, cada um luta a sua luta, e por isso, cada um sabe o quando a estrada é difícil.

Não menospreze nenhuma caminhada, cada um tem seu ritmo, tem suas pedras e a sua estrada.

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INSPIRAÇÃO

Sempre gostei de escrever, mas por anos, fui um daqueles que apenas escrevia quando estava inspirado. Com isso, existiam épocas no qual eu ficava sem escrever, não tinha jeito.

Por conta do blog e do fato de querer manter uma regularidade nas postagens, tive que buscar saídas para solucionar a falta de textos para quando eu não estivesse inspirado. Sendo que uma das saídas mais óbvias foi ter uma reserva para estas ocasiões, com isso, precisei começar a escrever como louco, buscando assim construir tal reserva e foi em meio a esta empreitada louca que eu descobri algumas lições importantes.

A primeira grande lição foi começar. Parece algo bobo, mas não é, aprender a começar é uma das lições que mais temos que cultivar e a que menos praticamos. Sempre estamos esperando a hora certa, o momento propício, a hora em que o vento vai soprar uma motivação adequada. A grande questão, para quem vive nestes dias hiperconectados, é que temos estímulos demais e a toda hora, com isso, começar se torna uma missão quase impossível, por isso aprenda a começar. Tenha foco e entenda aonde você quer chegar. Saber aonde se quer chegar já é um meio caminho andado para termos motivação e não cedermos aos estímulos externos.

A segunda grande lição foi entender que muitas vezes a inspiração vem depois que começamos. Quase sempre depois que eu comecei a escrever ou compor, a inspiração veio e eu consegui materializar a ideia. Algumas vezes após começar, acabamos por ter outras ideias, com isso, a produção ser tornava profícua, dando ótimos resultados.

Entenda que escrever é uma pratica, um hábito que você cultiva tendo uma regularidade em sua vida. Quanto mais você escreve mais fica fácil e mais ideias vêm a mente. Sem insistência, estudo e prática, não evoluímos e nem melhoramos. E isso serve para tudo, seja escrita, leitura ou praticar um instrumento, tudo começa com a regularidade da prática, do quanto tempo você dedica a fazer aquela determinada coisa.

Por isso comece com textos pequenos, escreva sem se preocupar com a concordância verbal ou com as palavras. Esboce a tua ideia e deixe para corrigir depois. Com o tempo tudo vai acontecer no automático, “a prática leva à perfeição”, como diz o conhecido ditado popular, é praticando que chegamos em algum lugar.

Não deixe que a inspiração mande no seu projeto, entenda que muitas vezes a inspiração só vai vir quando você começar a fazer. Planeje o seu dia, aprenda a começar e comece aos poucos, que de repente a inspiração aparecerá como um convidado inesperado. É evidente que algumas vezes a inspiração não vem, mas vale a penas manter uma regularidade a fim de cultivar o hábito.

Na dúvida comece, aprenda a ter a persistência, que com o tempo tudo se tornará automático.

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A FORÇA DA GRATIDÃO

Gratidão, uma palavra muito importante e talvez pouco valorizada. Descobri a força da gratidão nos piores dias da minha vida, em momentos onde tudo estava ruindo, aprendi a agradecer e me impressionei com o resultado.

Você vai se abalar quando descobrir o poder que o homem tem de quantificar os problemas e minimizar as coisas boas, de aumentar o tamanho das dificuldades e diminuir as vitórias. É comum ante o caos, fecharmos os olhos para as coisas boas de nossa vida e focarmos nos problemas, eu passei por isso.

Era um período muito complicado, eu estava sem saída e não via previsão de solução, eu andava triste e desolado, quando resolvi parar e agradecer pelas coisas boas da minha vida. Na verdade foi uma espécie de exercício, um desafio que propus para me lembrar dos bons momentos e também para me esquecer dos ruins.

Foi impressionante me relembrar dos momentos bons e ante as lembranças foi inevitável perceber que entre os momentos ruins, muita coisa boa estava acontecendo. Descobri com este exercício que a minha ênfase era sempre negativa. O caos que eu enfrentava estava como que quantificado e todos os momentos bons minimizados, esquecido em instantes ante o menor sinal de problemas.

Deste momento em diante decidi agradecer, me acostumei a antes de orar a me lembrar de no mínimo um motivo a ser grato, deste dia em diante eu pude ver o quão estava cego, o quanto valorizava os problemas e não era grato a Deus pelas coisas boas.

A gratidão alivia a alma, nos traz alegria, faz-nos vermos o que está em nossa frente e muitas vezes não enxergamos por estamos atentos no caos. Ela nos traz a memórias que nem sempre nossos dias são de escuridão, que sempre há o que ser grato, que sempre haverá o que olhar e se alegrar, nem tudo é sempre cinza. Eu tenho uma frase que me guia em dias tristes:

“A gratidão é um porto seguro que abastece o coração para a caminhada”

Através da gratidão olhei para trás, enxerguei de onde vim e onde tinha chegado. Foi a gratidão que me mostrou os degraus alcançados, os caminhos percorridos e as batalhas vencidas. Foi por tentar ser um pouco mais grato que enxerguei Deus comigo e que vi que nunca estive sozinho.

Pare e pense, olhe para a sua vida e relembre os motivos no qual pode agradecer. Veja como nunca esteve só, que sempre conseguiu saída, que o caos nunca perpetuou. Às vezes as coisas não acontecem no nosso jeito, mas acontecem, basta parar para enxergar que a saída sempre vem, de um maneira ou outra vem.

Não deixe que os problemas te ceguem, aprenda a agradecer e ver Deus cuidando de você. Cultive um coração agradecido e deixe a paz de Cristo te inundar, entenda que o caos pode vir, contudo nunca estamos sós.

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PSEUDOS INTELECTUAIS

Quando eu assistia televisão, gostava de um personagem da Praça é Nossa que se chamava João Plenário. O personagem era um político corrupto, que gostava de enganar os outros em nome de ganhar dinheiro, um retrato claro e preciso da política brasileira. O curioso do personagem é que ele falava de uma forma que ninguém entendia, com trejeitos de um homem inteligente, mas que no fundo não falava nada.

Isso é comum no meio acadêmico, muitos ficam impressionados com professores ou escritores que falam coisas incompreensíveis, como se um sábio fosse alguém que falasse coisas difíceis, o próprio significado da palavra já nos mostra que não. Um erudito, segundo o dicionário é:

“Aquele que tem um excesso de cultura e de conhecimento, geralmente conseguidos através da leitura” (Dicio)

Um erudito não é alguém que fala palavras difíceis, e sim uma pessoa que estuda e tem muito conhecimento e acima de tudo, sabe comunicá-lo.

Eu desconfio de quem fala difícil, quem não tem a capacidade de se adequar a plateia que o assiste. Um sábio transita pelos vários estilos de público e sabe se comunicar de forma adequada. Roger Scruton fala muito destes pseudo intelectuais, que falam difícil a fim de passar uma imagem de sábio, mas que no fundo, não falam nada.

“Sua própria incompreensibilidade era uma garantia de sua relevância. Somente alguém que tivesse “compreendido todas as pretensões” poderia escrever assim” (SCRUTON, 2015, 165)

Em seu livro, Scruton cita como exemplo o escritor Louis Althusser e um livro de sua autoria que todos entendiam apenas o título, o exemplo que o autor dá, através de uma citação é hilária, pois realmente o autor não falava nada com nada. É claro que eu não estou falando de autores, principalmente os clássicos, que possuem linguagem rebuscada e de difícil compreensão. Mas de escritores que são tidos como intelectuais, mas que no fundo não são nada. Na internet existe um site chamado gerador de lero lero, que possuí frases sem coerência, vazias e sem sentido, que imitam conteúdos intelectuais, o site serve como um ótimo exemplo do que eu quero dizer.

Penso que na ignorância muitos têm como referência pessoas que não possuem o mínimo de conteúdo, que passam uma falsa imagem de intelectual, mas que no fundo nem eles sabem o que estão falando. É por isso que eu falo muito da importância da leitura, do estudo e do conhecimento, para que não caiamos na armadilha de quem só tem lero lero como fundamento.

Não basta falar difícil, tem que saber comunicar. Não importa muito você conhecer todas as palavras complexas, se você não tem conteúdo e não sabe passar o conteúdo da maneira adequada, ou pior, se não sabe identificar quem está falando bobagens dos que têm fundamentos.  

BIBLIOGRAFIA

SCRUTON, Roger, As vantagens do pessimismo e o perigo da falsa esperança, Editora É Realizações, São Paulo, 2015

https://www.dicio.com.br/erudito/
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SOBRE A POLÍTICA E OUTRAS DROGAS

Sou grato pela boa influência que tive dos meus pais. Aprendi, ainda muito novo, sobre a importância da leitura e do estudo, descobri que limite é tudo, e que drogas não são boas, apesar de que hoje eu ainda sou usuário de café (Não aprendi esta lição direito)

É inevitável ao falarmos de droga, em também termos que falar de política. Talvez não por ser propriamente dito uma droga, mas por estar sendo ultimamente uma grande droga polarizadora, com pouca reflexão e incoerente em vários momentos.

Desde a Grécia, o político é aquele que consegue falar bem é o que sabe vender seu peixe e articular com as pessoas certas a fim de conseguir ficar em destaque. Nos dias de hoje não tem sido diferente!

A minha raiva é ver que nada mudou, são os mesmos escândalos, as mesmas roubalheiras, as mesmas picuinhas e as mesmas contradições. Sendo que com o tempo isso cansa. Talvez o tempo tenha feito com que eu fosse cético, quem sabe um dia a política mude, o problema é que tudo indica que não. Talvez o meu ceticismo seja muito forte ou as evidências muito numerosas, não sei ainda.

O que vemos é que os políticos ao se elegerem passam a sofrer da mesma amnésia que todos os outros candidatos sofreram. Não cumprem o que prometem, seguem com as mesmas mordomias no qual criticavam e se sentem orgulhosos por terem feitos algo, como se não fosse a sua obrigação.

Quando somos contratados por uma empresa, não nos vangloriamos por termos feito o serviço bem, por não termos faltado e dado o melhor de nós, afinal isso é o mínimo ou deveria ser, para alguém que foi contratado. Mas para os políticos é um ato de glória ter feito algum bem a população.

O efeito da droga na vida de um usuário é devastador, faz com que o cidadão dependa daquilo e faça com que a sua vida seja dirigida por aquele vício. Com isso, o usuário faz de tudo pela droga, não medindo esforço algum para tê-la em seu poder.

A política é a mesma coisa, as vezes tenho a impressão de que o político em primeira instância, entra na política com boas intenções, mas é corrompido pela necessidade de poder. Uma vez político, o cara acaba por fazer de tudo para estar lá, não medindo esforços a fim de perpetuar seu domínio.

Não sou contra a política, penso ser o melhor caminho para termos uma sociedade mais justa, mas cansa ver sempre os mesmos erros se repetindo dia após dia, período de eleição após período de eleição sem mudança alguma.

Sou contra drogas, elas alienam, faz com que os usuários vivam realidades diferentes das de todos os cidadãos, penso que a política é igual. Ela aliena e faz com que o usuário se vicie no poder ocultando assim o real propósito do seu cargo.

No fim, tento guardar uma pequena esperança, mas no geral, não creio que o Brasil vá mudar, é muita reprise e pouco episódio novo. Enquanto o discurso realmente não mudar, seguiremos vivendo o mesmo, sem qualquer perspectiva de mudança.

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CHEGANDO LÁ!

“Seja você quem for, seja qual for a posição social que você tenha na vida, a mais alta ou a mais baixa, tenha sempre como meta muita força, muita determinação e sempre faça tudo com muito amor e com muita fé em Deus, que um dia você chega lá. De alguma maneira você chega lá” (Ayrton Senna)

Ouvi está frase em uma de suas entrevistas, eu era muito fã do Ayrton Senna, por sua causa eu nunca perdia uma corrida, lamentei muito a sua morte. O único problema na frase, que inclusive é muito verdadeira, é, onde seria este lá? Qual é o padrão de sucesso para que eu possa concluir se eu cheguei ou não lá? É nesta parte que muitos se perdem.

Alguns acreditam que chegar lá é ter muita grana, outros, que é preciso além de grana, sucesso. Há quem diga que chegar lá é fazer uma boa faculdade, arranjar um ótimo emprego ou até passar em concurso público. E é diante destas opiniões que vemos que o padrão de sucesso é muito genérico.

Chegar lá tem haver com quem você foi e quem você é hoje. É observar o quanto evoluiu, cresceu e aprendeu. É entender o quanto percorreu e aonde quer chegar com os seus planos. Cada um tem o seu “lá”, é por isso que quando ouvimos todas as opiniões, não podemos dizer que elas estão erradas e muito menos que estão certas.

Para Ayrton Senna, “chegar lá” era ser um campeão mundial de Fórmula 1, para outros é conseguir empreender, fazer uma faculdade, conhecer um outro país. É quase impossível chegar a um consenso, pois a questão é ampla e vai depender dos nossos sonhos e aspirações.

O meu “chegar lá” há uns anos atrás era fazer uma faculdade, e eu fiquei feliz quando consegui. Mas eu continuei, queria aprender ainda mais, fazer uma pós-graduação e me aprofundar nos meus conhecimentos, e eu também consegui. É claro que eu não parei, defini mais metas, e com isso sei que ainda tem muito chão, tenho ainda muito degrau para galgar, mas quando eu olho para trás me considero um cara de sucesso, pois alcancei meus objetivos e os tenho alcançado dia a dia. O chegar lá tem muito haver conosco, com o que queremos para a nossa vida, para aí batalharmos e seguirmos o ótimo conselho que Ayrton Senna

Quem sabe de onde saiu e aonde quer chegar certamente chegou lá. Quem aprendeu a definir metas coerentes, sonhos realistas e faz tudo para conseguir sucesso em seus objetivos, entendeu por completo o que é chegar neste desconhecido lugar.

Por isso aprenda a não se comparar com o próximo, se concentre em olhar para si e definir bem como você pode caminhar para a realização dos seus objetivos.

Seja realista, coloque uma boa dose de coragem e garra, aprenda a por os pés no chão, mas também a sonhar. Planeje seus passos e entenda que de pouco em pouco conseguimos avançar. É um passo de cada vez é de degrau a degrau que se obtém sucesso e não se comparando com quem já está bem mais à frente de você.

Você pode não chegar aonde o camarada com mais oportunidade chegou, mas é possível chegar lá, é só ter pé no chão. Você pode não ficar rico, mas pode conseguir um bom salário e viver bem. Você pode não ficar famoso, mas pode ser reconhecido como um ótimo profissional. Não precisamos comprar as ideias glamorosas que o mundo vende, é possível vivermos bem sem uma mansão e uma Ferrari na garagem.

Cada um tem as suas lutas, por isso não diminua quem chegou lá, ninguém sabe o que ele fez para ter sucesso em sua empreitada. Ao mesmo tempo entenda que você não precisa de muito para viver bem, aprenda delimitar um limite, sonhe com metas possíveis, e aprenda a se comparar com o que você foi, e com o que você é hoje. Este é o caminho para se chegar lá, o resto é atalhos sem sentido.

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