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CARIDADE TÓXICA

O tema caridade é bem complexo, e quando discutido,  quase nunca gera uma opinião unânime. Principalmente quando o tema descamba para a falta ou não de oportunidades. Em um país onde temos que ralar bastante para tentar conseguir alguma coisa,  nem todos aceitam a falta de oportunidades como desculpa para pedir dinheiro.

No polêmico livro do pastor Yago Martins,  ele discute justamente este  tema, aliás, ele vai mais a fundo  e resolve ir para as ruas para entender de perto o tema caridade e o que ela gera na sociedade. No final, após um ano como um mendigo disfarçado,  ele pontua justamente como a mendicância se tornou uma máfia, e como a caridade muitas vezes torna os necessitados dependentes de uma espécie de caridade tóxica.

É importante entender que ao contrário do que diz o ditado popular “Fazer o bem sem olhar a quem”, devemos sim olhar a quem estamos ajudando, para assim amparar aquele que realmente precisa. A caridade feita de qualquer forma pode gerar pessoas dependentes,  que acreditam que os outros devem ajudá-lo por conta de sua condição.

Outro ponto interessante que ele trabalha no livro é como a caridade serve para alguns religiosos se sentirem bem, como uma espécie de massagem no ego ou uma forma de se autoafirmar,  pelo menos de forma indireta. Mostrando como ele é uma pessoa boa, caridosa e prestativa. No final, acaba sendo uma troca, a pessoa ajuda e recebe em troca uma massagem no ego.

O auxílio deve ser sempre bem pontuado, oferecendo alimento, mas também proporcionando suporte espiritual, físico e mental. Dando-lhe oportunidade de sair das ruas e fazer com que caminhe com suas próprias pernas. E acima de tudo, separando quem não quer ajuda dos que realmente querem e têm vontade de olhar para frente e continuar.

Quando criamos pessoas dependentes, incentivamos mesmo sem querer, que alguns não se desenvolvam e fiquem apenas na dependência. É importante a pessoa assumir as rédeas e aprender a caminhar com suas próprias pernas. O autor do livro usou a citação de Lupton, que creio que resume bem o assunto:

“Quando o alívio à dificuldade não serve de transição para o desenvolvimento de forma oportuna, a compaixão torna-se tóxica” (MARTINS, 2019, p. 211)

Há mais ou menos 20 anos atrás trabalhei na rua, por conta disso, não me surpreendi com os relatos do livro do pastor Yago. Na rua todos sabiam quem oferecia janta e almoço de graça. Quais eram os albergues e onde conseguir pizza e salgadinho à noite. Era bem como o autor falou, tínhamos um cardápio, e bem variado, que quase sempre não falhava. Não era uma vida fácil, embora a falta de compromisso fizesse tudo valer a pena.

É claro que não podemos generalizar, muitos dos que estão na rua precisam de ajuda, contudo, existem os que fazem da mendicância uma forma de viver, por isso, é preciso mergulhar mais no assunto, entender mais o ambiente, para que possamos ajudar as pessoas que realmente não tem oportunidade e precisam de ajuda.

A caridade tóxica é feita de qualquer jeito, sem olhar para as pessoas e entender sua situação e as suas necessidades. Algumas vezes é preciso muito mais que dinheiro, é preciso ouvir, caminhar com a pessoa, mostrar a saída.

Ou nos comprometemos ou sairemos às ruas apenas para distribuir coisas, como se coisas realmente fizessem diferença na vida das pessoas.

BIBLIOGRAFIA

MARTINS, Yago, A máfia dos mendigos: Como a caridade aumenta a miséria, Editora Record, Rio de Janeiro, 2019

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INSATISFAÇÃO

A insatisfação não é de todo um mal, dependendo da forma como a usamos, ela pode ser um termômetro que aponta para a mudança. É normal nos acomodarmos, a estabilidade é boa, mas às vezes nos engessa. Ou o contrário, às vezes nos habituamos a uma vida instável, que só um sentimento de insatisfação nos tirará deste marasmo caótico.

Diante desta realidade, reclamar não é a saída, ao contrário, quem reclama não entende o poder da insatisfação e segue com atitudes ácidas, ações que pioram ainda mais a situação.

Comece olhando para a sua vida, pontuando o que você poderia mudar, evoluir ou fazer diferente. Olhe para as novas oportunidades, aprenda algo novo, ou se aperfeiçoe no que você já é bom para crescer ainda mais. Nunca é tarde para estudar, se aprofundar e aprender.

Passei por esta insatisfação há muito tempo atrás, não queria mais trabalhar na área no qual eu trabalhava, eu não sabia bem o que queria fazer, só tinha a certeza de que aquilo que eu fazia não me deixava mais feliz. Contudo, ao invés de reclamar, ou seguir tendo atitudes negativas, resolvi entender a minha situação e procurar uma saída e em meio a busca, redescobri muitas possibilidades, e hoje sou o que eu havia almejado há muito tempo, embora o plano estivesse adormecido, que é ser professor.

Foi à insatisfação que me fez recomeçar, estudar, buscar aperfeiçoamento e ir ao encontro das oportunidades. É ela que nos tira da zona de conforto, e nos faz seguir para novos ares. Foi ela que me fez ler mais, ter hábitos saudáveis, me aperfeiçoar na escrita.

Tudo começa com a insatisfação, este sentimento é ambíguo, pode te derrubar ou te movimentar, basta você direcionar a força para o sentido certo, ao invés de ficar estagnado reclamando, sem ir a lugar algum.

Caímos no comodismo de forma muito fácil, contudo quando bem usada, a insatisfação é um trampolim para novas oportunidades. É o ensejo de olhar para frente e ir em busca do novo.

Olhando para trás chego a me impressionar com os inúmeros pontos finais que eu dei, nunca achei que iria parar com alguns projetos, mas parei. Em contrapartida, concluo que se eu não tivesse encerrado, não sei se conseguiria me dedicar a algumas empreitadas no qual me dedico hoje. Tudo é questão de olhar para frente, de planejar e buscar crescimento, e alguns pontos finais nos ajudam com isso. É importante sair do lugar, fazer coisas novas ou buscar aperfeiçoamento sempre.

A insatisfação é uma bússola que nos move, nos mostra outras direções e aponta para o novo. Quem se inquieta se movimenta e progride. Quem se acostuma, engessa e não sai do lugar.

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ÍDOLOS

Enquanto esperava por eles em Atenas, Paulo ficou profundamente indignado ao ver que a cidade estava cheia de ídolos (Referência: Atos 17:16-34)

O texto fala basicamente sobre ídolos, a parte curiosa é que quando falamos em ídolos, logo pensamos em estátuas, altares e cultos pagãos. A questão é que quando usamos as ferramentas da teologia para nos aprofundar no texto, descobrimos que ídolo não é só isso, e sim, tudo o que colocamos no lugar de Deus, ídolo pode ser tudo o que você coloca confiança.

Paulo chegou em Atenas e viu que muita gente confiava em seus próprios pontos de vista. Eles eram inteligentes, tinham muito conhecimento e sabedoria, o que não é nada errado, o problema é que eles confiavam apenas em seus deuses e em suas próprias filosofias.

A história conta que em Atenas existiam deuses para tudo, o local não era só o centro intelectual, mas também um lugar com muitos templos e ídolos.

O que eles tinham esquecido é que a própria história deles já evidenciava como aqueles deuses eram falsos. Paulo era um homem com muito conhecimento e quando ele viu a estátua ao Deus desconhecido, ele lembrou justamente da história que Don Richardson descreve na abertura do livro “O fator Melquisedeque”.

O autor conta que uma praga surgiu em Atenas, com isso, segundo a crença da época, algum deus devia estar irado com eles. Por isso, a fim de apaziguar a ira deste deus, os atenienses começaram a fazer sacrifícios a todos os seus muitos deuses. Com isso, esperava-se agradar ao deus que enviou a praga, coisa que não aconteceu. A praga continuou atrapalhando, nenhum deus quis ajudar. Com isso, procurou-se quem pudesse resolver tal questão, mas este não existia naquela cidade. Com isso, eles precisaram ir atrás do filósofo e poeta Epimênides (RICHARDSON, 2008, p. 09).

Segundo este filósofo, deveria haver um Deus desconhecido e muito poderoso no qual eles ainda não haviam recorrido, por conta disso, Epimênides propôs deixar algumas ovelhas sem pastar para de manhã, após uma oração a este Deus desconhecido, soltá-las. As ovelhas, mesmo que famintas, que se deitassem no pasto ao invés de pastar, iriam ser oferecidas ao Deus desconhecido, sendo este um sinal que o Deus havia ouvido. E isso aconteceu, pois misteriosamente algumas ovelhas ao invés de pastar, deitaram e naqueles locais foram erguidos altares para sacrifício, sendo que no altar a inscrição agnosto theo (ao Deus desconhecido), havia sido gravado. O resultado foi que a praga cessou, a cidade foi liberta daquela peste, e o Deus desconhecido foi louvado por todos. A questão é que ele rapidamente foi esquecido (RICHARDSON, 2008, p. 10, 11).

Esta foi a história que Paulo lembrou quando viu aquele altar, e foi com base neste acontecimento que o apóstolo aproveitou para pregar que aquele Deus desconhecido era o Deus que ele estava anunciando. Só há um Deus, e Paulo sabia disso, só um único Deus teria o poder de fazer o que foi feito naquela cidade, um Deus que havia respondido, mas que eles haviam esquecido rapidamente.

O homem tem este dom de esquecer, de ser tocado por Deus, de conhecer o seu poder, mas depois ceder as pressões ou tentações que o mundo coloca em nosso caminho. Ou pior, adorar a ídolos conforme a sua própria imagem, ídolos que não são reais, que são rascunhos de nós e nosso ponto de vista falho.

Deus fala da mesma forma que falou com aqueles atenienses, com os inúmeros profetas e também como fala conosco, a questão é que nós temos a tendência de esquecer. A vida boa e as facilidades tem o poder de apagar algumas importantes mensagens.

Ídolo é tudo o que colocamos no lugar de Deus, pode ser a profissão, sua própria força, ou o dinheiro. Tudo o que substitui Deus é um ídolo, e é justamente ele que nos afasta da verdade.

Cuidado com os ídolos, cuidado para não se esquecer de Deus e substituir ele por uma imagem falsa e sem sentido, um rascunho do seu hedonismo mortífero. 

BIBLIOGRAFIA

RICHARDSON, Don, O fator Melquisedeque, O testemunho de Deus nas culturas através do mundo, Editora Vida Nova, São Paulo, 2008

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DIÁLOGO

Existe um abismo enorme entre o que falamos e o que uma pessoa entende. O desafio da comunicação é nos fazermos entendidos. Somando a isso o fato de que poucos hoje dialogam, muitos estão sempre prontos a falar, e nem sempre prontos a ouvir, o dialogo acaba sendo complicado.

No mundo cristão, com suas inúmeras teologias, igrejas e formas de pensar, isso se torna ainda mais desafiador. É incrivelmente interessante ver como muitos cristãos hoje são inflexíveis e nem conseguem ouvir um ponto de vista diferente ao seu, sem antes se manifestar de forma veementemente contrária. A questão, como diria a letra da banda Rodox, é que o inflexível quebra fácil.

Eu sempre digo e talvez morra dizendo, que ouvir uma ideia contrária a sua não é aceitar a ideia, é apenas ouvir. O desafio é sempre transitar pelas opiniões que não concordamos, sem nos ofendermos, e o pior, sem ofender quem pensa de forma diferente. Insultar quem pensa diferente não ajuda ao contrário, nos separa e nos separando, não teremos oportunidade de levar a palavra e sermos diferença.

Não podemos aceitar a falta de diálogo, muito menos concordar com quem impõe um ponto de vista e não deixa espaço para o outro opinar. Quando forçamos um pensamento, não só nos tornamos autoritários, mas aceitamos que o diálogo não deve existir. Sendo que a falta de diálogo é a marca registrada de todo o pensamento autoritário.

É preciso entender a pluralidade de pensamentos, religiões e credos, é importante entender que quando não me abro para ouvir o outro, mesmo que sendo um pensamento contrário, acabo por também fechar as portas para ser ouvido. Não podemos impor nossos pontos de vista e nossas crenças, e novamente, quando impomos, abrimos a porta para que façam o mesmo conosco. O mesmo se dá quando falamos de um país cristão, não podemos abrir mão da laicidade do nosso país, não podemos forçar alguém a crer no que cremos, assim como, também não queremos ser forçados a acreditar em algo no qual apenas o outro acredita. Eu sigo o princípio da empatia, quando me coloco no lugar do próximo me desespero ao ser forçado a fazer o que não quero fazer, por conta disso, não milito por um país cristão e sim, por uma nação laica, que dê a todos a liberdade de crer na religião que melhor lhe apraz.

O diálogo é o princípio de tudo, ouvir o outro e respeitar suas crenças é uma atitude básica de quem tem empatia suficiente para se colocar no lugar do outro e entender que cada um tem suas crenças.

Entendo alguém que não dialoga como um ser limitado, pronto para apenas falar, pois não tem conteúdo suficiente para se abrir para ouvir, refletir e discordar com respeito. A pessoa extrema é alguém mal resolvida, que no fundo não tem certeza, e tenta convencer o outro com a força.

O diálogo é composto por duas pessoas, o respeito e a empatia, deve estar presentes para que ninguém passe por cima de ninguém e a conversa vire uma guerra. Ou aprendemos a respeitar, ou abriremos a porta para a violência e a imposição que já manchou a história tempos atrás.

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VIVENDO E REFLETINDO

Imagine se você pudesse se observar por um dia. Ver como você trata os outros, principalmente os que estão te servindo, como trata e se relaciona com amigos e colegas de trabalho. Caso isso fosse possível, você ficaria feliz, triste ou envergonhado com o que veria?

Como eu sei que isso não é possível, ao menos que você contrate uma equipe de filmagem, vou mudar a pergunta. Quando você para e se autoavalia, lembra-se de como você age para com as pessoas, suas decisões, e sobre qual é a sua atitude em momentos de pressão, você fica orgulhoso com o que você se lembra ou envergonhado? Ou você nem gasta tempo em pensar em como você é não é visto pelas pessoas

Eu constantemente tento me autoavaliar, paro para pensar em como ajo, como tomo as minhas decisões ou como estou seguindo. Não que eu ligue para as pessoas, e sim porque tenho tentado me aperfeiçoar ao máximo.

Tenho tentado tomar o caminho da relevância, tenho buscado pensar em minhas atitudes entendendo como são e como podem melhorar. Tenho pavor em pensar que estou vivendo no automático, por impulso, sem reflexão. E também em estar vivendo de um modo nocivo, seja para mim, ou para os outros.

Não se trata em tentar ser relevante apenas, e sim, em ser alguém com consciência, que vive de uma forma centrada. Sem comprar brigas inúteis, que não acrescenta nada em minha vida, mas ao mesmo tempo sendo relevante para com o próximo.

Para que o evangelho continue vivo e fazendo diferença, primeiro em nossa vida, depois na vida das outras pessoas, temos que entender em como estamos vivendo. Temos que avaliar nossas atitudes e buscar sempre mudanças.

Por isso aprenda a avaliar o seu dia, escreva um resumo do que fez, e pense se naquele dia você poderia ter agido diferente. Relembre suas ações, reflita sobre as suas decisões e tente perceber se tem vivido por impulso, ou de uma forma racional e coerente.

Viver no automático é perigoso, seguir sem refletir, sem pensar sobre nossas atitudes é nocivo para qualquer um, por isso aprenda a parar e pensar em como você tem sido para com as pessoas e aprenda a mudar.

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PRELÚDIO DO FIM

De tempos em tempos alguns religiosos preveem o fim do mundo. Como em quase todos os anos sempre tem alguém arriscando um palpite. E enquanto a notícia vira piada, por se provar falsa, o mundo segue sem acabar, pelo menos não em todas as partes.

Pois tem alguns fins que ninguém tem dado bola, afinal, muitos neste planeta azul, encaram condições não tão azuis, perto do fim. Aliás, para muitos o fim seria um belo descanso.

A começar pela perseguição religiosa em alguns países. Notícias de morte, tortura e caos são lidos por toda a internet. Ou a fome, que em pleno século 21, assola países e castigam muitos que vivem perto do fim. Enquanto muitas descobertas científicas são feitas, tudo em nome do viver bem, alguns tentam descobrir como matar a fome.

Ou enquanto alguns estudam uma forma de diminuir o desperdício de comida, outros estudam uma maneira de recomeçar depois de um terremoto, tsunami ou tornado.  Estas catástrofes dizimam vidas, casas e sonhos. Reduzindo pessoas a nada, a pó, em um fim que não se encerra, apenas castiga, humilha e acaba com o pouco que muitos tem.

Alguns dizem que estamos perto do fim, mas eu não posso ter certeza. Mas no fim do amor, da unidade, de sermos um e de sermos uma comunidade, certamente estamos, e eu não estou falando do mundo, e sim de nós cristãos.

Eu vim de um contexto cristão um tanto quanto alienado, onde se previa que o anticristo viria da igreja católica. Que não devíamos nos misturar com pessoas de outras religiões, que o mundo jaz o maligno, então deveríamos viver sem dar bola a este mundo.

O grande problema é que muitos não veem o quanto a igreja está se deteriorando, virando as costas para pessoas. Deixando de amar, cuidar, e ser luz ao próximo. Muitos cristãos não conseguem ter o mínimo de diálogo, e hipocritamente querem ser ouvidos. A igreja está cada vez mais dividida, a disputa de poder cada vez maior e os interesses da minoria sendo deixados de lado.

Seguir uma denominação não é ser Cristão, seguir a Cristo sim.  Acima de qualquer coisa somos cristãos e apesar de eu congregar em uma igreja, a placa que eu tenho que sustentar é Cristo. Mateus 24:12-13 diz:

“Devido ao aumento da maldade, o amor de muitos esfriará

mas aquele que perseverar até o fim será salvo”

A pergunta que eu te faço é: Seu amor por Deus esfriou ou não? E se você ama a Deus, porque não ama o próximo? Está na Bíblia, leia 1João 4:7-8.

Quando pensamos em fim, temos a mania de não nos colocar no pacote. Sempre os outros são os problemas, sempre os outros estão errados, mas nós não. A igreja tem seguido cada vez mais em um caminho hedonista e muitas vezes não estamos vendo isso. Pastores têm se levantado e falando abobrinhas e nós aplaudimos, comprando como se fossem verdades.

Temos que ter em mente que somos nós a igreja de Cristo, e é só através de nossa mudança de atitude que a coisa pode mudar.

Em nossa volta o mundo tem precisado de ajuda e nós, temos nos colocado a disposição? Ou temos rido da cara de todos, como se não fôssemos responsáveis por pregar a salvação? Não cobre atitude cristã de quem não é cristão, cobre de você uma boa atitude.

Não se esqueça que quando vemos alguém perdido, somos nós os responsáveis. Quando enxergamos uma pessoa precisando de ajuda, somos nós que temos que oferece a mão, ou pelo menos tentar, e não rir e ficar de braços cruzados. Afinal, o fim começa na apatia, na falta de amor em nossa falta de atitude, seja o fim do mundo ou o fim de nosso relacionamento sincero com Deus. Este é um prelúdio do fim…

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CALE-SE ENQUANTO É TEMPO

É inevitável responder alguém, principalmente quando este começa a falar besteira. Pior ainda é quando o assunto é de nossa área de estudo. Nem sempre conseguimos ficar quietos, é automático responder e tentar mostrar para a pessoa seus equívocos, o problema é que muitas vezes  (ou quase sempre),  a pessoa não aceita que está errada e diante disso o que se segue são muitas vezes as mesmas sequências desastrosas de uma tentativa de conversação.

Não gosto de perder tempo com quem não gosta de dialogar, a boa conversa vem sempre com muita humildade, troca de experiências e aprendizados, sendo que em um bom diálogo o que podemos concluir é que podemos estar errados ou reforçarmos nossos bons  pontos de vista. Isso é diálogo, o que passa disso é só gente orgulhosa tentando estar certa a qualquer custo.

O pior é que nem sempre você percebe que o seu interlocutor é o tipo que gosta de estar certo, contudo, após suas primeiras palavras, é inevitável perceber e ao mesmo tempo, se ver preso em uma teia de discussões sem fim.

O caminho é quase sempre o mesmo,  por isso, anote o percurso para que você não perca tempo seguindo por esta viela mal iluminada.

Quase sempre você responde uma questão  de forma inocente e amistosa, com o propósito de apontar para seu amigo seu equívoco ou apenas para se sentir útil respondendo uma questão no qual você entende. Após a resposta,  este tipo de pessoa responde com uma observação absurda ou fraca. Diante da situação, se você continua o diálogo você vai se ver em uma discussão sem fim com alguém que não procura a verdade e sim  estar certo a qualquer custo. Se você fica quieto, você têm que lidar com o fato de que você pode sair da conversa como alguém que perdeu a discussão e se você for um pouco orgulhoso, isso será um problema. Com isso, está em suas mãos engolir o ego e deixar para lá, ou soltar o orgulho e responder o camarada, caindo em um abismo sem fim de discussão e troca de farpas (isso nas melhores das hipóteses)

O problema é que quem quer estar sempre certo na maioria das vezes apela, exagera ou distorce as questões a fim de ganhar a conversa, com isso, o desafio de responder e refutar o camarada se torna grande.

Lembre-se de uma coisa, nem sempre quem ganha a discussão tem um bom argumento, às vezes o orador apenas fala bem. Por isso aprenda a analisar os argumentos de um debate e não se deixe envolver pelo modo eloquente de quem quer estar certo. Arthur Schopenhauer no livro “38 Estratégias Para Vencer Qualquer Debate”, fala justamente destes na introdução do seu livro:

“É chocante ver com que frequência ter razão e ficar com a razão não são equivalentes; que o vencedor de uma discussão não é o que está do lado da verdade e da razão, mas sim o que é mais espirituoso e sabe lutar de maneira mais ágil” (SCHOPENHEUER, p. 8)

Conheço muitos que vivem discutindo, assisto pessoas que gostam muito de debates e troca de ideias, seja as mais acaloradas ou não. O problema é que eu não tenho mais tempo para perder com quem não quer dialogar.

Aprenda que ter razão não é o caminho da relevância, entenda que é melhor gastar tempo com quem quer aprender e trocar ideias, do que com quem só quer ganhar o debate.

Por isso que ao menor sinal de orgulho o meu conselho é “cale-se enquanto é tempo”, caso contrário, você se verá em um grande espiral de discussões que não te levará a lugar algum.

BIBLIOGRAFIA

SCHOPENHAUER, Arthur, 38 Estratégias Para Vencer Qualquer Debate, Aarte de ter razão, Faro Editorial, São Paulo, 2014.

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A ODISSEIA DA DOR IV: A CRUZ DE CRISTO

O homem tem a mania feia de reclamar, é comum reclamarmos ao sinal dos menores problemas, e, apesar de Jó ter reclamado um pouquinho mais adiante no texto, o que ele fez antes foi justamente ficar quieto. O capítulo 2 acaba justamente em silencio de Jó (2:13)

Confesso que este silêncio me intriga, pois é difícil mantermos quietos em meio ao caos, não é? É muito raro vermos pessoas sofrerem quietas, normalmente botamos a boca no trombone, gritamos para o mundo e até algumas vezes oramos indignado a Deus, perguntando o porquê dele permitir tais problemas. Isso sem contar com os inúmeros exemplos na bíblia que você lê em Salmos, Lamentações ou até mesmo nas cartas de Paulo, quando ele ora e insiste para que Deus que o cure. Mas Jó ficou quieto, intrigante.

Talvez estivesse pensando e tentando lembrar se fez algo de errado ou tentando achar um motivo para aquele sofrimento todo, não sabemos, só sabemos que ele se silenciou por sete dias. Lembre-se que Jó não sabia da conversa entre Deus e o diabo, ele sofria sem saber o motivo.  Ele era justo e sabia disso, com isso, reclamar por seus direitos era o mais óbvio a se fazer, mas ele preferiu o silêncio. As vezes o silêncio é a única atitude certa, ele nos impede de falarmos besteiras e tomarmos atitudes erradas, infelizmente, o seu silêncio foi por poucos dias, embora isso não tire o seu mérito. A dor é inexplicável, estar entre o caos não é tão fácil assim e nem sempre teremos respostas para os nossos problemas, mas é possível passar por este período com os pés no chão. Contudo não posso cometer o erro de falar da dor, sem antes falar de Cristo, seria um erro dos mais graves se eu deixar o assunto passar.

A Cruz é uma prova que o justo sofre, é a ação de um Deus que se doa, mesmo sendo o único e verdadeiro justo que morreu em nosso lugar. Eu não consigo imaginar, quantificar e muito menos explicar um Deus que despe-se de toda a sua glória, para vir ao mundo como um limitado ser humano, e se doa por amor. A própria atitude é sem explicação, com isso eu me lembro de mais alguns questionamentos.

Eu tenho muitos amigos ateus, sendo que um deles, de uma forma bem enfática e um tanto raivosa, um dia em uma discussão, falou que um Deus não pode morrer, é inconcebível falar de um Deus que se doa e que sofre por amor a homens. Eu concordei com ele, reiterei que sim, este ato altruísta é inexplicável, conquanto, Deus também não se explica, seria igualmente contraditório nós, seres humanos, explicamos Deus. Com certeza, falei para ele, que o dia que conseguirmos explicar Deus, estaremos totalmente equivocados. Se o sofrimento já é um tanto quanto difícil de se explicar, quem dirá Deus. Mas, uma coisa temos certeza, quando falamos do Deus da cruz, este inexplicável Deus que sofreu, falamos de alguém que “entende a nossa dor”

Em um mundo de dor, em uma sociedade injusta onde muitos sofrem, onde a impiedade e o preconceito reinam, saber que Cristo passou por tudo isso, sofreu, se doou, foi injustiçado, é um alívio. Pois uma coisa podemos ter certeza nesta hora, Deus entende a nosso sofrer. John Stott, no livro Por que sou cristão complementa:

O único Deus em quem eu creio é aquele que Nietzsche, filósofo alemão do século 19, ridicularizou, chamando-o de Deus sobre a cruz. No mundo real da dor, como adorar a um Deus que fosse imune a ela? (STOTT, 2004, Pg. 67)

 Em um mundo de dor, seguir a um Deus que entende o timbre da dor, nos seus níveis mais extremos, é um alívio, foi o que me consolou, foi o que me fez chorar e clamar, por saber que ele me entende.

Em meio a minha crise de fé, procurando respostas, tentando achar explicação para todo o cinza, nem sempre eu conseguia orar. Tinha dias que eu levantava da cama e ficava apenas em silêncio, quieto, tentando achar sentido ante todo o caos. Era bem nestas horas que a imagem da cruz vinha em minha mente, as cenas de sofrimento e escárnio me faziam lembrar de que Deus me compreendia, com isso, eu me sentia consolado, por saber que ele entendia a minha aflição.

O propósito desta série de textos é muito mais que explicar, é compartilhar a minha odisseia, é mostrar os caminhos percorridos e mostrar que nem sempre racionalizamos tudo, mas que é possível encontrar alento em meio ao caos.

BIBLIOGRAFIA

STOTT, John, Por Que Sou Cristão, Editora Ultimato, Minas Gerais, 2004

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5 ANOS DO BLOG

Parece que foi ontem que eu comecei a escrever e quando vi, lá se foram 5 anos, quase 500 textos e mais de 70 mil visualizações. O que começou como algo sutil, sem muitas perspectivas, hoje virou um projeto que superou as expectativas, pelo menos as minhas, afinal, são mais de 100 acessos diários, tendo dias que chegam a mais de 200, coisa que eu já considero grande. Nunca esperei que o blog chegasse a tantos acessos, preferi me concentrar em escrever e estudar, ao invés de criar grandes expectativas.

Agradeço a todos que me têm dado retorno, feito sugestões e interagido, e a todos que já colaboraram, muito obrigado. Que venham mais 5 anos!

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GUERRA DE GERAÇÕES

Toda geração mais nova acaba em algum momento por olhar a mais velha com ar de desdém. É impossível comparações não surgirem, adjetivos aparecerem a fim de subestimar a “geração ultrapassada”. Eu mesmo já fiz muito isso, até aprender que o tempo passa para todos.

A parte cômica desta situação é que o oposto também é verdadeiro. Não é muito incomum olharmos para a geração mais nova e também os subestimarmos. Acharmos que eles são mais alienados e inferiores. E a nossa geração a melhor a mais educada, inteligente e honesta.

Acredito que todas as épocas tiveram seus equívocos, cada uma em uma área, as vezes até em áreas diferentes, mas tiveram, entretanto, todas elas também tiveram suas qualidades únicas, como em todas as gerações.

Se antigamente a sexualidade não era tão explícita tal qual hoje, em contra partida a mulher era tratada sem direito algum, vista apenas como a empregada da casa. Se antigamente as pessoas não eram viciadas em redes sociais, como muitos são hoje, sabemos que a falta de informação era grande e teorias das mais absurdas rondavam o saber humano.

O estímulo com o tempo muda, mas sempre existiu, hoje é a internet, ontem foi a TV, amanhã já não sabemos, o que podemos ter certeza é que o homem sempre foi um ser fácil em se alienar, por isso temos que sempre tomar cuidado, toda a geração teve suas vergonhas, alienações e depravações, a diferença é que hoje pode até ser mais explícito e mais divulgado, diferente do passado, mas sempre existiu.

Talvez a sua geração tenha sido mais trabalhadora, não tenha usado tantas drogas, quem sabe fosse mais responsáveis e até mais fieis, a pergunta que eu faço é “Será que não foi apenas por falta de oportunidade?”. Será que se não tivéssemos uma educação mais rígida, como tivemos, não seríamos iguais quando novos? Eu mesmo não sei, mas desconfio que sim.

Não é fácil lidar com as diversas gerações, eu mesmo acho muito complicado, ainda mais que sou de uma geração intermediária, não sou nem novo e nem velho, mas eu acho difícil olhar para os adolescentes e não enxergar um pouco de mim.

Eu era teimoso, achava que sabia de tudo, não ouvia ninguém e não percebia que as minhas decisões eram burras e simplistas. Em contra partida, olho para a geração mais velha e não consigo enxergar qualquer empatia com os mais novos.

Creio que se a geração antiga tivesse os mesmos estímulos que as de hoje, cairiam nos mesmos erros, no fim o homem é o mesmo e só enxergará seu caminho equivocado quando o tempo passar por ele um pouquinho.

Todos nós somos alienados, fadados ao erro e a ouvir mais quem não tem razão, mas nós que somos mais velhos, temos a obrigação de pelo menos tentar fazer diferença para aqueles que estão começando.

Não idealize o seu passado, não omita os seus fracassos, seja transparente e comece confessando seus erros, que assim você vai perceber que no fim somos todos parecidos.

É claro que o exemplo tem que partir dos mais velhos, temos a obrigação de sermos responsáveis, com isso, está em nossas mãos sermos a diferença ou não.

Talvez quando aprendermos a falar a linguagem dos mais novos e a confessarmos nossos equívocos sendo assim mais transparentes, teremos uma conversa mais assertiva com aqueles que são mais novos e assim esta guerra de comparações cessará, pelo menos até a outra geração vir, não sabemos.

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