A DIFÍCIL ARTE DE OLHAR O PRÓXIMO

Aprendi a olhar os outros, como quem olha para si, para os seus defeitos, dificuldades e qualidades. Eu não sou perfeito, ao contrário, o que mais me sobra são os defeitos e é bem por este motivo que eu tento ver os outros como vejo a mim. Um misto de maldade e bondade, qualidades e falhas.

É interessante quando algumas vezes olharmos para trás e vemos quem éramos e o que somos hoje.  Quando eu me lembro de algumas das minhas histórias, erros e equívocos e como eu lidava com estes acontecimentos, eu rio, rio muito, isso quando não me envergonho. Por isso acho difícil não olhar para os outros e ver um pouquinho de si, principalmente em casos de inconsequências e teimosias, eu fui assim, é impossível não me sentir empático.

As vezes acredito que o cara chato, insistente e tagarela pode ser apenas um carente, ou uma pobre alma tentando ser entendida em meio as suas dificuldades, tal qual eu fui.

E o workaholic talvez seja apenas um cara vazio, que busca em seu trabalho a fuga de uma vida sem sentido. Ou pior, que acredita que o sentido da sua vida é trabalhar. Quem sabe, aquele cara teimoso, que não dá espaço algum de diálogo é apenas alguém que apanhou muito e não soube lidar com as dificuldades.

Entender o próximo e suas maneiras é dar uma chance para si por tabela, tendo em mente que nem sempre somos os descolados que imaginamos ser, nem sempre seremos os mais motivados e estabilizados, e nem sempre perceberemos se estamos trilhando o caminho certo.

O tempo passa não se esqueça disso, hoje você pode ser jovem, mas amanhã não mais será. Hoje você pode estar bem, mas amanhã pode estar lidando com algo inesperado. É a lei da vida, sendo que as vezes depois da meia noite, quase sempre a carruagem vira abóbora e o nosso encanto se vai. O tempo é assim, um conto de fadas mal contado, sendo que é ante o cansaço da vida que vem a solidão e a percepção de que o tempo segue e quase tudo muda.

A arte de olhar o próximo é complicada, pois não existe receita, é na tentativa e erro, mais erro do que boas tentativas, sendo que no afã de acertar muitas vezes erramos. Olhar o próximo como único é quase impossível, pois vemos os outros a partir de nós e nossas experiências, e aí é que está o problema.

Ninguém sabe o quanto o sapato aperta, só calçando para ter certeza. Tem dias que o outro vai devagar por conta do caminho, que para nós é um tanto quanto fácil e tem momentos que somos criticados por algo tão comum no ponto de vista da pessoa, que somos ridicularizados por sermos fracos. O problema dos outros é sempre fácil de resolver, o problema nosso que é o desafio.

Por isso digo que ao olhar o próximo, tente entender a partir dele, de suas quedas e dificuldades, trate a dor dos outros como você queria que a sua fosse tratada, afinal, cada um luta a sua luta, e por isso, cada um sabe o quando a estrada é difícil.

Não menospreze nenhuma caminhada, cada um tem seu ritmo, tem suas pedras e a sua estrada.

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TEMPO PERDIDO

“Entenda que o tempo é tudo o que você tem, por isso não desperdice”

Quando novos, costumávamos viver sem nos preocuparmos com o tempo, como se fôssemos eternos, como se o tempo não tivesse fim. Mas quando chegamos a uma certa idade, começamos a perceber que o tempo não é o nosso amigo, aliás, ao contrário, o tempo é o nosso maior problema, pois não temos de sobra para gastá-lo.

O curioso é que somente quando não temos mais tanto tempo é que percebemos quanto tempo perdemos. Quando já estamos mais velhos é que notamos que poderíamos ter agido de forma mais assertiva. É com uma certa idade que percebemos quanto tempo desperdiçamos.

Entenda que o que temos é apenas o tempo, um finito tempo, e para tudo o que fazemos, precisamos entender que o que gastamos é somente ele. Por isso não trabalhe tanto assim, aprenda a ter outras atividades. Ou não pense que a vida é só ficar no sofá. Trabalhar e estudar deve também fazer parte da vida de quem quer crescer e se desenvolver, contudo se desligar, aproveitar o dia com quem amamos ou procurar de vez em quando o ócio criativo é um bom caminho para quem não quer seguir neurótico.

Tempo é a única coisa que temos, por isso, não desperdice agindo como se você fosse eterno. Contudo tenha equilíbrio, a vida não é só estudar, descansar e também não é só trabalhar.

O tempo é a nossa verdadeira moeda corrente, com isso, pense bem como tem trilhado seu caminho, procure o equilíbrio e viva como se não fosse eterno, para que assim, cada instante tenha muito mais valor.

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REFLEXÕES SOBRE UM PRÓDIGO IV: O IRMÃO MAIS VELHO

“Mas ele se indignou, e não queria entrar…” (Referência: Lucas 15:11-32)

Antes de estudar esta passagem do filho pródigo, eu nunca havia me atentando para uma coisa: “e o irmão onde estava enquanto tudo acontecia?”

O irmão mais velho, na cultura judaica, era o sucessor do pai, o que seria o patriarca da família quando este morresse como vimos no primeiro texto. É por esse motivo que o irmão mais velho ganhava uma parte maior da herança, além é claro, de ser uma forma de manter na família as suas posses.

Aquele irmão mais velho sabia o que o seu pai estava passando, mas se calou, a atitude dele deveria ter sido diferente, ainda mais que ele seria o sucessor de tudo, a atitude lógica deste sucessor deveria ter sido o de proteger a honra de seu Pai, coisa que ele não fez.

Provavelmente aquela família vivia em um local onde existia uma pequena comunidade, era uma cidade tipo cidade de interior, onde todo mundo devia se conhecer e saber da vida de todo mundo. E o texto fala também que aquele pai tinha muitos empregados (V19), e o filho mais novo, como vimos, estava envergonhando aquele pai, perante todas estas pessoas e o primogênito não estava nem aí, não interveio e nem tomou atitude alguma, deixou o seu pai se virar perante aquela rebelião, nem ligou para o seu irmão mais novo.

 Se o pecado do filho mais novo foi virar as costas para a cultura, a família e para o seu pai, o pecado do mais velho era o da omissão, o de não ligar para seu pai e de não protegê-lo. Na verdade, se pensarmos bem, os dois irmãos não amavam o seu pai, nenhum dos dois respeitava o seu pai a ponto de querer o bem dele, no fim os dois eram egoístas e só pensavam em si (MACARTHUR, 2009,Pg. 77)

A parte curiosa do texto é o versículo 29, quando o filho mais velho diz que ele trabalhava como um escravo. Era assim que aquele filho via o seu Pai, um tirano, um senhor de escravos.

A parábola do filho pródigo é uma grande metáfora que fala da graça. O pródigo são os pecadores que se arrependem, o Pai é Deus, o Deus de amor que recebe seus filhos arrependidos e os perdoa e o filho mais velho são os Fariseus hipócritas:

“Essa é, portanto, a lição culminante e central da parábola: Jesus está indicando o contraste violento entre a alegria de Deus na redenção dos pecadores e a hostilidade inflexível dos fariseus em relação a esses mesmos pecadores” (MACARTHUR, 2009, Pg. 16)

A graça de Deus é um escândalo, não era só os fariseus que não entendiam, muitos hoje também não entendem. Deus é como aquele pai, que não demora em receber um pecador arrependido, a parábola enfatiza justamente isso, como Deus recebe os seus.

Para o irmão mais velho, assim como para os fariseus, receber um irmão arrependido sem antes punir, era uma loucura. O curioso era que aquele irmão nem percebeu que ele observou seu pai sofrer com o pródigo desobediente e nem fez algo a fim de ajudar.

A realidade é esta, o homem não enxergava a trave em seu olho, mas queria tirar a trave do próximo. Era isso que o irmão, os fariseus e muitas vezes nós, fazemos.

No fim a parábola não fala só de um pródigo e nem só de um irmão mais velho indignado com seu pai, mas de todos nós. A mensagem é uma explicação do amor de Deus e de sua incompreensível graça.

Devemos perdoar, porque todos nós erramos, devemos amar, pois só Deus realmente ama, fazemos o bem porque ele fez primeiro, sendo que ser cristão é principalmente ter a consciência de quem realmente somos.

BIBLIOGRAFIA

MACARTHUR, John, A parábola do filho pródigo, Uma análise completa da história mais importante que Jesus contou, Editora Thomas Nelson, Rio de Janeiro, 2016

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INSPIRAÇÃO

Sempre gostei de escrever, mas por anos, fui um daqueles que apenas escrevia quando estava inspirado. Com isso, existiam épocas no qual eu ficava sem escrever, não tinha jeito.

Por conta do blog e do fato de querer manter uma regularidade nas postagens, tive que buscar saídas para solucionar a falta de textos para quando eu não estivesse inspirado. Sendo que uma das saídas mais óbvias foi ter uma reserva para estas ocasiões, com isso, precisei começar a escrever como louco, buscando assim construir tal reserva e foi em meio a esta empreitada louca que eu descobri algumas lições importantes.

A primeira grande lição foi começar. Parece algo bobo, mas não é, aprender a começar é uma das lições que mais temos que cultivar e a que menos praticamos. Sempre estamos esperando a hora certa, o momento propício, a hora em que o vento vai soprar uma motivação adequada. A grande questão, para quem vive nestes dias hiperconectados, é que temos estímulos demais e a toda hora, com isso, começar se torna uma missão quase impossível, por isso aprenda a começar. Tenha foco e entenda aonde você quer chegar. Saber aonde se quer chegar já é um meio caminho andado para termos motivação e não cedermos aos estímulos externos.

A segunda grande lição foi entender que muitas vezes a inspiração vem depois que começamos. Quase sempre depois que eu comecei a escrever ou compor, a inspiração veio e eu consegui materializar a ideia. Algumas vezes após começar, acabamos por ter outras ideias, com isso, a produção ser tornava profícua, dando ótimos resultados.

Entenda que escrever é uma pratica, um hábito que você cultiva tendo uma regularidade em sua vida. Quanto mais você escreve mais fica fácil e mais ideias vêm a mente. Sem insistência, estudo e prática, não evoluímos e nem melhoramos. E isso serve para tudo, seja escrita, leitura ou praticar um instrumento, tudo começa com a regularidade da prática, do quanto tempo você dedica a fazer aquela determinada coisa.

Por isso comece com textos pequenos, escreva sem se preocupar com a concordância verbal ou com as palavras. Esboce a tua ideia e deixe para corrigir depois. Com o tempo tudo vai acontecer no automático, “a prática leva à perfeição”, como diz o conhecido ditado popular, é praticando que chegamos em algum lugar.

Não deixe que a inspiração mande no seu projeto, entenda que muitas vezes a inspiração só vai vir quando você começar a fazer. Planeje o seu dia, aprenda a começar e comece aos poucos, que de repente a inspiração aparecerá como um convidado inesperado. É evidente que algumas vezes a inspiração não vem, mas vale a penas manter uma regularidade a fim de cultivar o hábito.

Na dúvida comece, aprenda a ter a persistência, que com o tempo tudo se tornará automático.

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A FORÇA DA GRATIDÃO

Gratidão, uma palavra muito importante e talvez pouco valorizada. Descobri a força da gratidão nos piores dias da minha vida, em momentos onde tudo estava ruindo, aprendi a agradecer e me impressionei com o resultado.

Você vai se abalar quando descobrir o poder que o homem tem de quantificar os problemas e minimizar as coisas boas, de aumentar o tamanho das dificuldades e diminuir as vitórias. É comum ante o caos, fecharmos os olhos para as coisas boas de nossa vida e focarmos nos problemas, eu passei por isso.

Era um período muito complicado, eu estava sem saída e não via previsão de solução, eu andava triste e desolado, quando resolvi parar e agradecer pelas coisas boas da minha vida. Na verdade foi uma espécie de exercício, um desafio que propus para me lembrar dos bons momentos e também para me esquecer dos ruins.

Foi impressionante me relembrar dos momentos bons e ante as lembranças foi inevitável perceber que entre os momentos ruins, muita coisa boa estava acontecendo. Descobri com este exercício que a minha ênfase era sempre negativa. O caos que eu enfrentava estava como que quantificado e todos os momentos bons minimizados, esquecido em instantes ante o menor sinal de problemas.

Deste momento em diante decidi agradecer, me acostumei a antes de orar a me lembrar de no mínimo um motivo a ser grato, deste dia em diante eu pude ver o quão estava cego, o quanto valorizava os problemas e não era grato a Deus pelas coisas boas.

A gratidão alivia a alma, nos traz alegria, faz-nos vermos o que está em nossa frente e muitas vezes não enxergamos por estamos atentos no caos. Ela nos traz a memórias que nem sempre nossos dias são de escuridão, que sempre há o que ser grato, que sempre haverá o que olhar e se alegrar, nem tudo é sempre cinza. Eu tenho uma frase que me guia em dias tristes:

“A gratidão é um porto seguro que abastece o coração para a caminhada”

Através da gratidão olhei para trás, enxerguei de onde vim e onde tinha chegado. Foi a gratidão que me mostrou os degraus alcançados, os caminhos percorridos e as batalhas vencidas. Foi por tentar ser um pouco mais grato que enxerguei Deus comigo e que vi que nunca estive sozinho.

Pare e pense, olhe para a sua vida e relembre os motivos no qual pode agradecer. Veja como nunca esteve só, que sempre conseguiu saída, que o caos nunca perpetuou. Às vezes as coisas não acontecem no nosso jeito, mas acontecem, basta parar para enxergar que a saída sempre vem, de um maneira ou outra vem.

Não deixe que os problemas te ceguem, aprenda a agradecer e ver Deus cuidando de você. Cultive um coração agradecido e deixe a paz de Cristo te inundar, entenda que o caos pode vir, contudo nunca estamos sós.

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ESTRANHO OU DIFERENTE? – WARREN W. WIERSBE

“Quando você é diferente, atrai as pessoas; quando é estranho, repele-as; quando é uma imitação barata, convida o escárnio a entrar em sua vida” (WIERSBE, 2011, 119)

A citação me faz lembrar de um colega de trabalho, ele era cristão, mas também era a piada pronta dentro da empresa. Todo mundo o achava um ET. Seu modo de falar era muito curioso, sua maneira de se portar, ridícula.

Não se misturava, não conversava de outra coisa que não fosse sobre igreja ou a Bíblia, e usava o conhecido evangeliquês para se comunicar. Ninguém o entendia, e ainda por cima, tiravam sarro dele. Entenda que é importante saber a diferença entre ser diferente, de fazer a diferença onde você está e entre ser estranho, incompreensível, bizarro.  

Primeiro, é bom você ter em mente que ser cristão não é um tipo de linguagem, de roupa ou trejeitos. Ser cristão é um encontro, é um dia onde você foi achado e tocado pelo Espírito Santo. Ser cristão é imitar a Cristo, ter uma vida consciente, é saber quem você é e do quanto você precisa de Deus.

Segundo, para ser diferença no meio das pessoas e para que o evangelho entre, se propague em meio aos seus amigos, família e colegas, você tem que usar de uma linguagem no qual todos entendam. Você deve viver o evangelho, ser um crente genuíno, que mostra quem você foi e quem você é agora, com todas as falhas e dificuldades que todos nós seres humanos temos.

É possível transmitir Deus no modo de agir, mostrando honestidade, ética e profissionalismo, basta ter sinceridade em nossos atos. Quem segue a Deus, faz tudo para honra-lo, faz tudo como para o senhor (Colossenses 3:23), uma vida assim já transmite o evangelho. Entretanto, sabemos que falar também é importante e é possível falar e aconselhar com linguagens acessíveis e de uma forma no qual todos entendam.

Ser cristão é ser genuíno, ser diferença está muito ligado ao fato de não parecermos uma cópia, um rascunho mal feito do que não vivemos. Quando quisermos parecer algo que não somos, certamente, e com toda a certeza, seremos vistos como uma imitação barata, uma cópia pirata, motivo de escárnio e zombaria.

Se fingir de santo não faz de você um santo, agora ouvir, ser sincero e não se achar superior, com certeza te faz. Somos separados, mas não somos perfeitos. Fomos tocados pelo evangelho, mas não somos melhores do que os outros por isso.

Ter a consciência de que Deus nos perdoa, que ele é misericordioso e não demora em nos ajudar, é um principio que deve estar encarnado em nossa vida, para quando você for evangelizar, suas palavras sejam mais de amor, do que de raiva e acusação.

Lembre-se, você deve amar como Deus nos amou (1 João 4:7-8), o evangelho é isso, é agir como Deus age conosco, o resto é ensino pirata e o caminho para o escárnio.

BIBLIOGRAFIA

WIERSBE, Warren, W. Jesus presente, Experimente a atualidade e o poder das declarações do Filho de Deus em sua vida, Editora Thomas Nelson Brasil, Rio de Janeiro, 2011

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PSEUDOS INTELECTUAIS

Quando eu assistia televisão, gostava de um personagem da Praça é Nossa que se chamava João Plenário. O personagem era um político corrupto, que gostava de enganar os outros em nome de ganhar dinheiro, um retrato claro e preciso da política brasileira. O curioso do personagem é que ele falava de uma forma que ninguém entendia, com trejeitos de um homem inteligente, mas que no fundo não falava nada.

Isso é comum no meio acadêmico, muitos ficam impressionados com professores ou escritores que falam coisas incompreensíveis, como se um sábio fosse alguém que falasse coisas difíceis, o próprio significado da palavra já nos mostra que não. Um erudito, segundo o dicionário é:

“Aquele que tem um excesso de cultura e de conhecimento, geralmente conseguidos através da leitura” (Dicio)

Um erudito não é alguém que fala palavras difíceis, e sim uma pessoa que estuda e tem muito conhecimento e acima de tudo, sabe comunicá-lo.

Eu desconfio de quem fala difícil, quem não tem a capacidade de se adequar a plateia que o assiste. Um sábio transita pelos vários estilos de público e sabe se comunicar de forma adequada. Roger Scruton fala muito destes pseudo intelectuais, que falam difícil a fim de passar uma imagem de sábio, mas que no fundo, não falam nada.

“Sua própria incompreensibilidade era uma garantia de sua relevância. Somente alguém que tivesse “compreendido todas as pretensões” poderia escrever assim” (SCRUTON, 2015, 165)

Em seu livro, Scruton cita como exemplo o escritor Louis Althusser e um livro de sua autoria que todos entendiam apenas o título, o exemplo que o autor dá, através de uma citação é hilária, pois realmente o autor não falava nada com nada. É claro que eu não estou falando de autores, principalmente os clássicos, que possuem linguagem rebuscada e de difícil compreensão. Mas de escritores que são tidos como intelectuais, mas que no fundo não são nada. Na internet existe um site chamado gerador de lero lero, que possuí frases sem coerência, vazias e sem sentido, que imitam conteúdos intelectuais, o site serve como um ótimo exemplo do que eu quero dizer.

Penso que na ignorância muitos têm como referência pessoas que não possuem o mínimo de conteúdo, que passam uma falsa imagem de intelectual, mas que no fundo nem eles sabem o que estão falando. É por isso que eu falo muito da importância da leitura, do estudo e do conhecimento, para que não caiamos na armadilha de quem só tem lero lero como fundamento.

Não basta falar difícil, tem que saber comunicar. Não importa muito você conhecer todas as palavras complexas, se você não tem conteúdo e não sabe passar o conteúdo da maneira adequada, ou pior, se não sabe identificar quem está falando bobagens dos que têm fundamentos.  

BIBLIOGRAFIA

SCRUTON, Roger, As vantagens do pessimismo e o perigo da falsa esperança, Editora É Realizações, São Paulo, 2015

https://www.dicio.com.br/erudito/
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SOBRE A POLÍTICA E OUTRAS DROGAS

Sou grato pela boa influência que tive dos meus pais. Aprendi, ainda muito novo, sobre a importância da leitura e do estudo, descobri que limite é tudo, e que drogas não são boas, apesar de que hoje eu ainda sou usuário de café (Não aprendi esta lição direito)

É inevitável ao falarmos de droga, em também termos que falar de política. Talvez não por ser propriamente dito uma droga, mas por estar sendo ultimamente uma grande droga polarizadora, com pouca reflexão e incoerente em vários momentos.

Desde a Grécia, o político é aquele que consegue falar bem é o que sabe vender seu peixe e articular com as pessoas certas a fim de conseguir ficar em destaque. Nos dias de hoje não tem sido diferente!

A minha raiva é ver que nada mudou, são os mesmos escândalos, as mesmas roubalheiras, as mesmas picuinhas e as mesmas contradições. Sendo que com o tempo isso cansa. Talvez o tempo tenha feito com que eu fosse cético, quem sabe um dia a política mude, o problema é que tudo indica que não. Talvez o meu ceticismo seja muito forte ou as evidências muito numerosas, não sei ainda.

O que vemos é que os políticos ao se elegerem passam a sofrer da mesma amnésia que todos os outros candidatos sofreram. Não cumprem o que prometem, seguem com as mesmas mordomias no qual criticavam e se sentem orgulhosos por terem feitos algo, como se não fosse a sua obrigação.

Quando somos contratados por uma empresa, não nos vangloriamos por termos feito o serviço bem, por não termos faltado e dado o melhor de nós, afinal isso é o mínimo ou deveria ser, para alguém que foi contratado. Mas para os políticos é um ato de glória ter feito algum bem a população.

O efeito da droga na vida de um usuário é devastador, faz com que o cidadão dependa daquilo e faça com que a sua vida seja dirigida por aquele vício. Com isso, o usuário faz de tudo pela droga, não medindo esforço algum para tê-la em seu poder.

A política é a mesma coisa, as vezes tenho a impressão de que o político em primeira instância, entra na política com boas intenções, mas é corrompido pela necessidade de poder. Uma vez político, o cara acaba por fazer de tudo para estar lá, não medindo esforços a fim de perpetuar seu domínio.

Não sou contra a política, penso ser o melhor caminho para termos uma sociedade mais justa, mas cansa ver sempre os mesmos erros se repetindo dia após dia, período de eleição após período de eleição sem mudança alguma.

Sou contra drogas, elas alienam, faz com que os usuários vivam realidades diferentes das de todos os cidadãos, penso que a política é igual. Ela aliena e faz com que o usuário se vicie no poder ocultando assim o real propósito do seu cargo.

No fim, tento guardar uma pequena esperança, mas no geral, não creio que o Brasil vá mudar, é muita reprise e pouco episódio novo. Enquanto o discurso realmente não mudar, seguiremos vivendo o mesmo, sem qualquer perspectiva de mudança.

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REFLEXÕES SOBRE UM PRÓDIGO III: UM PAI DE AMOR

“Levantar-me-ei, e irei ter com meu pai…” (Referência: Lucas 15:11-32)

Nunca é fácil voltar, ainda mais quando você sai de casa com muitos planos e estes acabam dando errado.  Ninguém gosta de entrar em uma empreitada e se ferrar, mas este filho tinha uma vantagem, ele tinha um lugar para voltar, pois a realidade é que nem todos têm.

Por mais que possamos nos indignar com as atitudes deste filho, que como vimos nos textos anteriores foi tão insolente e mal educado com seu pai, eu fico feliz com uma coisa neste texto, este filho se arrependeu. Viu o quão errado estava e decidiu voltar. Ele estava tão destituído de sua arrogância, que estava disposto voltar para casa como um trabalhador e não mais como um filho, tamanho arrependimento que estava sentindo (Lucas15: 19)

A parte profunda da passagem é o versículo 20, que diz que quando ele estava longe o Pai havia o avistado. Não tem amor maior do que o deste pai. Eu fico pensando o quão preocupado aquele pai estava, o quanto devia ter se desgastado pensando em seu filho, tentando saber se ele estava bem ou não. Quantas noites de sono este pai deve ter perdido em nome de um filho desobediente, por isso este não demorou em recebê-lo.

A esta altura, quem ouvia Jesus contar esta parábola já estava impressionado. Não só porque o filho mais novo havia feito aquele pedido ofensivo, nem porque aquele filho queria ir embora para uma terra distante e virar as costas para a sua família, mas porque aquele pai também tinha cometido um erro grande de ser muito bondoso para com ele, repartindo a herança e fazendo a vontade daquele filho insolente. Sendo que depois, aquele pai recebeu o filho mais novo com honras. Matou um novilho gordo, que geralmente era guardado para ocasiões especiais e o recebeu como um filho, colocando um calçado e dando um anel, que era sinal de status, coisa que um pai naquela época nunca faria se um filho tivesse feito o que o pródigo fez.

O versículo 20 diz que aquele pai correu em direção ao filho, sendo que naquela época nobres não corriam, só garotinhos que corriam, mas aquele pai correu, pois seu amor era muito grande. Outra coisa, para um bom judeu ou para os fariseus, a atitude esperada daquele pai era um castigo muito severo para aquele filho, mas aquele pai não fez isso. Este pai tinha atitudes muito diferentes, ele não seguia os padrões do mundo e nem as leis conhecidas, ele amava demais para condenar aquele filho:

“As ações do pai demonstravam que ele era realmente amoroso, não um tirano, e estava disposto a passar pelas humilhações públicas em vez de desonrar seu filho (MACARTHUR, 2009,Pg. 70)”

E é aqui que não consigo deixar de fazer um link com Deus, que deu o seu próprio filho por amor a nós. E Jesus, que foi um exemplo de filho, se doando, morrendo e cuidando de nós seres humanos insolentes e pecadores.

Deus é este pai que se doa, ama e quer ver seus filhos bem, Deus é o nosso pai, que decidiu dar o seu filho para morrer em nosso lugar, basta nos arrependermos e olharmos para ele.

A parábola do filho pródigo traça paralelos importantíssimos, mostra um filho desobediente, como nós, que não demora em preferir ficar longe de Deus para viver a sua vida da forma que bem quiser. E mostra também que longe de Deus, não somos nada e é quando entendemos esta verdade, percebendo quão podres somos longe de Deus, que voltamos para os seus cuidados.

O filho se arrependeu e voltou, descobriu a duras penas como é ruim viver longe do pai e o Pai, recebeu aquele filho, festejou e se alegrou por um filho que estava perdido e tinha sido achado. Contudo a história não termina aqui, ela acaba nos mostrando que nem todos estavam felizes com a volta do pródigo, e é isso que veremos no próximo texto.

BIBLIOGRAFIA

MACARTHUR, John, A parábola do filho pródigo, Uma análise completa da história mais importante que Jesus contou, Editora Thomas Nelson, Rio de Janeiro, 2016

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CHEGANDO LÁ!

“Seja você quem for, seja qual for a posição social que você tenha na vida, a mais alta ou a mais baixa, tenha sempre como meta muita força, muita determinação e sempre faça tudo com muito amor e com muita fé em Deus, que um dia você chega lá. De alguma maneira você chega lá” (Ayrton Senna)

Ouvi está frase em uma de suas entrevistas, eu era muito fã do Ayrton Senna, por sua causa eu nunca perdia uma corrida, lamentei muito a sua morte. O único problema na frase, que inclusive é muito verdadeira, é, onde seria este lá? Qual é o padrão de sucesso para que eu possa concluir se eu cheguei ou não lá? É nesta parte que muitos se perdem.

Alguns acreditam que chegar lá é ter muita grana, outros, que é preciso além de grana, sucesso. Há quem diga que chegar lá é fazer uma boa faculdade, arranjar um ótimo emprego ou até passar em concurso público. E é diante destas opiniões que vemos que o padrão de sucesso é muito genérico.

Chegar lá tem haver com quem você foi e quem você é hoje. É observar o quanto evoluiu, cresceu e aprendeu. É entender o quanto percorreu e aonde quer chegar com os seus planos. Cada um tem o seu “lá”, é por isso que quando ouvimos todas as opiniões, não podemos dizer que elas estão erradas e muito menos que estão certas.

Para Ayrton Senna, “chegar lá” era ser um campeão mundial de Fórmula 1, para outros é conseguir empreender, fazer uma faculdade, conhecer um outro país. É quase impossível chegar a um consenso, pois a questão é ampla e vai depender dos nossos sonhos e aspirações.

O meu “chegar lá” há uns anos atrás era fazer uma faculdade, e eu fiquei feliz quando consegui. Mas eu continuei, queria aprender ainda mais, fazer uma pós-graduação e me aprofundar nos meus conhecimentos, e eu também consegui. É claro que eu não parei, defini mais metas, e com isso sei que ainda tem muito chão, tenho ainda muito degrau para galgar, mas quando eu olho para trás me considero um cara de sucesso, pois alcancei meus objetivos e os tenho alcançado dia a dia. O chegar lá tem muito haver conosco, com o que queremos para a nossa vida, para aí batalharmos e seguirmos o ótimo conselho que Ayrton Senna

Quem sabe de onde saiu e aonde quer chegar certamente chegou lá. Quem aprendeu a definir metas coerentes, sonhos realistas e faz tudo para conseguir sucesso em seus objetivos, entendeu por completo o que é chegar neste desconhecido lugar.

Por isso aprenda a não se comparar com o próximo, se concentre em olhar para si e definir bem como você pode caminhar para a realização dos seus objetivos.

Seja realista, coloque uma boa dose de coragem e garra, aprenda a por os pés no chão, mas também a sonhar. Planeje seus passos e entenda que de pouco em pouco conseguimos avançar. É um passo de cada vez é de degrau a degrau que se obtém sucesso e não se comparando com quem já está bem mais à frente de você.

Você pode não chegar aonde o camarada com mais oportunidade chegou, mas é possível chegar lá, é só ter pé no chão. Você pode não ficar rico, mas pode conseguir um bom salário e viver bem. Você pode não ficar famoso, mas pode ser reconhecido como um ótimo profissional. Não precisamos comprar as ideias glamorosas que o mundo vende, é possível vivermos bem sem uma mansão e uma Ferrari na garagem.

Cada um tem as suas lutas, por isso não diminua quem chegou lá, ninguém sabe o que ele fez para ter sucesso em sua empreitada. Ao mesmo tempo entenda que você não precisa de muito para viver bem, aprenda delimitar um limite, sonhe com metas possíveis, e aprenda a se comparar com o que você foi, e com o que você é hoje. Este é o caminho para se chegar lá, o resto é atalhos sem sentido.

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