SOBRE ALGUMAS INJUSTIÇAS

Sou músico a mais ou menos vinte anos, neste meio tempo tive que ralar, ainda mais quando resolvi tocar um estilo musical que exigia bastante de um músico. Tive que gastar tempo, ensaiar, me dedicar muito para conseguir aprender e crescer. Neste meio tempo ainda tive que aprender a tocar guitarra a fim de compor as minhas próprias músicas, já que o baterista depende de outra pessoa para compor e eu não queria ser um destes. Foi depois de uma jornada musical longa, de muitas batalhas e horas gastas que entendi que alguns de nossos elogios são injustos.

A primeira injustiça é olhar para alguém que tem uma habilidade e dizer que ele tem um dom. Isso não é um elogio, principalmente quando este alguém estudou muito ou praticou bastante para possuir certa habilidade. Não que eu acredite que Deus não dá um dom para uma pessoa, e sim que mesmo Deus dando, a prática e o estudo são importante em quase todos os casos, para não dizer em todos.

É uma minoria quase nula de pessoas que começaram fazendo algo naturalmente, por uma facilidade natural, quase todos tiveram que estudar muito para chegar em certos níveis. Gênios existem, mas são poucos, poucos mesmos, a maioria teve que ralar para chegar conseguir certas habilidades.

O denominador que resume toda a questão é o quanto você gosta deste algo, quando gostamos corremos atrás, estudamos, nos aperfeiçoamos e ficamos bons. Penso que não existem gênios, a maioria é apenas alguém que se dedica muito ao que gosta.

A segunda injustiça é definir uma pessoa de sucesso como famosa. Nem todas as pessoas de sucesso são famosas, e ainda eu vou mais longe. Nem todas são ricas, famosas e estão em destaque. Existem inúmeros professores de sucesso que optaram em viver a vida no anonimato, ensinando e fazendo a diferença. Definir sucesso já é um desafio, pois depende de cada um, de onde a pessoa quer chegar. Sendo que o sucesso não é ser famoso, e muito menos conhecido, e sim, é ser alguém que conseguiu chegar onde queria chegar.

Tive banda por muitos anos, gravamos dois CDs e tocamos em inúmeras partes do Brasil. Ficamos conhecidos em uma cena fechada, dentro e fora do país, sendo que nós conseguimos fazer muito para um grupo que veio do anonimato e no qual não tinha condições financeiras alguma. Foi uma vitória gravar os CDs, tocar com bandas famosas, algumas nacionais e outras internacionais e viajar por muitos lugares deste nosso Brasil. Fomos uma banda de sucesso, mas não ficamos famosos.

O tempo tem me ensinado como é injusto algumas de nossas opiniões, como às vezes ofendemos sem querer, achando que estamos elogiando. No âmago de elogiar, ofendemos e diminuímos todo o esforço que aquela pessoa teve para chegar aonde chegou. Por isso, antes de elogiar alguém, conheça a sua história.

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A ODISSEIA DA DOR II: HAVIA UM HOMEM…

No primeiro texto vimos que o sofrimento existe por que o homem pecou, virou as costas para Deus e segue da forma que melhor lhe apraz. A dor é fruto do pecado e da maldade humana, o problema com este conceito é que tal explicação não serve para o caso de Jó.

Considero Jó um dos livros mais intrigantes da Bíblia, sua narrativa, todo o seu sofrimento, acaba sendo uma espécie de alento para nós que constantemente sofremos. Eu não conheço ser humano algum que sofreu tanto quanto Jó, mas conheço muitos, que ante o sofrimento, fazem perguntas e questionamentos a Deus tentando entender porque o caos às vezes os persegue. Sendo que eu fui um deles e foi o livro de Jó que me deu as primeiras respostas, como eu deixei claro no primeiro texto da série. Porém, primeiro vamos tentar entender um pouco este livro para que assim entendamos melhor a sua mensagem.

Jó é um dos livros mais antigos da Bíblia, com isso é considerado como o primeiro. O livro tem como tema o problema do sofrimento, sendo que um ponto fica claro no livro todo, o justo também sofre, mas não é só isso. Algumas outras coisas curiosas percebemos no livro. A primeira é que Deus não é chamado pelo nome pessoal que os Israelitas comumente chamam que é Javé e sim de Elohim (Carson, France, Motyer, Wenham, 2012, 696, 697, 698, 700). A segunda é que o texto foi escrito em hebraico muito mais antigo que o hebraico do Velho Testamento, validando assim o seu título de primeiro livro da Bíblia (RICHARDS, 2013, pg. 367).

O livro de Jó foi escrito muito tempo antes de Moisés, sendo que ele não faz menção a lei, a Abraão ou a patriarca algum, mas o livro com certeza foi escrito por um  israelita apesar de Jó mesmo não ser um:

“Jó não é um israelita, ele é um integrante dos “povos do leste”, ou seja, que ficam a leste do Jordão (Uz é Edom, a sudeste de Israel) (Carson, France, Motyer, Wenham, 2012, 696, 697, 698, 700)

Poderíamos dizer então que Jó é a primeira prova de que Deus se revela a diversas culturas ao redor do mundo, que Deus não está preso em uma caixinha. Entretanto não temos apenas Jó na narrativa, temos mais alguns indivíduos que provam que Deus se revela ao homem e eles são: Elifaz, Bildade e Zofar (Jó 2:11), os três amigos de Jó, que são de países desconhecidos. O problema é que é difícil de identificar com certeza seus países de origem, temos também o jovem Eliú que aparece quase no fim do livro, contudo o texto não dá muitas informações suas, mas sabemos que são estrangeiros que conheciam a Deus.

“Esses cinco homens tementes a Deus viviam na terra de Uz. Ninguém sabe como vieram a conhecer Deus em Uz, sem ajuda de Abraão. De fato, ninguém sabe sequer onde ficava Uz!” (RICHARDSON, 1995, p. 87)

Sabemos também que o livro se fundamenta nas perguntas: Qual é a motivação que leva o homem a servir a Deus? Jó vai continuar seguindo a Deus mesmo depois de todas as catástrofes? E como agir quando Deus se cala ante nossos problemas? (ZUCK, 2014, p. 292). Eu acrescentaria por minha própria conta mais uma pergunta: O justo sofre? O livro parece nos mostrar que sim

O texto começa falando “Havia um homem…” (Bíblia ACF), não era qualquer homem, muito menos foi uma pessoa aleatória, era um homem justo, honesto e temente a Deus, era alguém que Deus escolheu para mostrar a Satanás como ele estava errado, como este encontro se deu a Bíblia não explica, só sabemos que aconteceu da forma descrita no texto. Temos algumas boas teorias para explicar tal encontro, mas me manterei preso aos fatos e a mensagem em si, não abordarei tais teorias.

No encontro Satanás faz uma acusação, e qual seria tal acusação? Satanás acreditava que Jó só era fiel porque Deus o enchia de Bens e depois, quando Jó continuou fiel e Satanás começou a perder a razão ele mudou para saúde, mas Jó continuou fiel, mesmo sem saúde e já sem dinheiro, parece que o acusador estava errado.

A parte no qual eu admiro muito em Jó é que mesmo com este poder todo ele continuava sendo íntegro, reto e temente a Deus (V1), coisa que eu já acho um grande feito, já que muitas vezes por pouca coisa esquecemos de Deus. Este homem era tão exemplar que o próprio Deus confirma a índole deste servo em várias partes do texto Bíblico. Só não podemos nos esquecer de uma coisa muito importante sobre o capítulo 1 e 2 que é fundamental para entendermos o texto todo. Ele é uma espécie de introdução ao livro, não podemos ler o livro tendo como base o desafio que Deus fez para o Diabo, nosso ponto de vista ao ler o texto deve ser o de um sofredor que não sabe o porquê estava sofrendo. Temos que sempre nos lembrar de que ele não sabia da conversa de Deus, com isso, certamente ele não entendia aquele caos todo. E por ser justo e íntegro, certamente ele devia estar muito confuso.

É fácil servir a Deus quando tudo está bem, quando temos dinheiro no banco, um bom emprego e saúde. O desafio é servir quando o caos vira rotina em nossa vida. A acusação do diabo é justamente esta, “Jó era fiel a Deus porque Deus o cercava de bens, dinheiro e saúde”, mas ele provou que o acusador estava errado. Com isso, a pergunta que eu deixo é, e nós, também provaremos que Satanás está errado? Continuaremos fiéis a Deus mesmo diante das tribulações? Jó continuou fiel e mesmo perdendo os filhos e seus bens, proferiu uma das mais maravilhosas frases que eu já li:

Nu saí do ventre de minha mãe e nu tornarei para lá; o Senhor o deu, e o Senhor o tomou: bendito seja o nome do Senhor (Jó 1:21)

É claro que eu me envergonhei, eu estava em uma busca por respostas e não tinha passado um décimo do que Jó passou, ao ler tal frase me senti pequeno e de alguma maneira hipócrita por achar que Deus me devia explicação. Não tem como não se envergonhar e ao mesmo tempo não admirar Jó quando vemos qual foi a sua atitude ante o caos. A sua fé nos inspira, a sua confiança me faz olhar para Deus e o buscar ainda mais.

Jó é uma grande exceção, é um homem de posses que não deixou que suas posses definissem a sua vida. Jó nos ensina a ser fiel, mesmo na falta, a glorificar a Deus, mesmo ante o caos e a doença.

Quem Deus é para você quando tudo na sua vida está dando errado? Está é uma das perguntas que o texto de Jó fez com que eu pensasse, refletisse e meditasse por muitos dias.

Lembre-se que o modo como enxergamos Deus define a nossa caminhada e como vamos reagir ante as intempéries.

BIBLIOGRAFIA

Bíblia Sagrada – Nova Tradução na Linguagem de Hoje; Ed. Soc. Bíblica do Brasil, São Paulo, 2005

Bíblia Sagrada – Bíblia de Jerusalém; Paulus, São Paulo, 2013

ZUCK, Roy B, Teologia do Antigo Testamento, Editora CPAD

RICHARDS, Lawrence, Comentário Bíblico do Professor, Um Guia Didático Completo Para Ajudar no Ensino das Escrituras Sagradas do Gênesis ao Apocalipse, Editora Vida Acadêmica, São Paulo, 2013

CARSON. DA. FRANCE , RT, MOTYER, J. A, WENHAM, G. J, Comentário Bíblico Vida Nova, Editora Vida Nova, São Paulo, 2012

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AS VANTAGENS DA MUDANÇA

Recentemente eu mudei de endereço e pude perceber na pele várias lições importantes que uma mudança nos traz

A primeira é que nunca é confortável mudar,  sair da zona de conforto de um bairro conhecido e enfrentar novas rotinas e costumes, nunca é fácil. Assim é também na vida. Abandonar nossa rotina, ir em direção a algo novo ou novos desafios  não é fácil, mas é fundamental para que cresçamos.

Eu mesmo tinha um sonho de cursar teologia, porém, junto com este sonho vinha alguns desafios como: acordar cedo para trabalhar e dormir tarde por causa da faculdade, porém toda a dificuldade valeu a pena. Só crescemos com esforço, ninguém aprende sem suar a camisa e sem abandonar seus maus hábitos.

Outra lição é que mudar é cansativo, demanda tempo para embalar tudo,  planejamento e gestão para que toda a sua mudança caiba em um caminhão e mesmo assim, algumas coisas dão errado. Assim é também na vida, não mudamos de uma hora para outra. Para alcançarmos um objetivo precisamos de tempo e sabedoria para lidar com percalços, mas vale a pena.

Há quem acredita na frase: “Não troque o certo pelo duvidoso”, e eu concordo com ela, em partes, mudanças nem sempre são boas, porém, só conhece o novo quem muda, quem se abre para conhecer novos lugares e novas formas de se fazer o mesmo. Pois afinal, às vezes é fundamental mudar, sair do comodismo, conhecer ares novos e experiências novas. Eu li uma frase estes dias que eu achei interessante, pena que eu não sei ao certo de quem é: “Troque o certo pelo duvidoso sempre que sentir sua vida tediosa”

Às vezes é bom arriscar, mudanças nem sempre são ruins, só conhecemos coisas novas quando optamos pelo caminho diferente e pelo novo.  E mesmo que algumas mudanças deem errado, sempre podemos tirar algumas lições, nem que a lição seja não fazer daquela forma.

Lembre-se, não crescemos com a estagnação, não evoluímos se não aprendemos a ver o novo ou quando não abandonamos o comodismo.

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CAMINHOS ACIDENTADOS

Em um antigo trabalho eu costumava pegar um caminho bem acidentado, hora a estrada era asfaltada hora não, hora o chão era de pedras hora era só barro. O meu desafio diário era chegar limpo ao local de trabalho, afinal, não tinha como trabalhar com a roupa cheia de lama.

Nos primeiros dias foi uma epopeia, precisei gastar algum tempo tentando limpar os sapatos e às vezes até trocar de roupa, por conta da lama que o terreno acidentado deixava em minha indumentária.

Às vezes por necessidade temos que trilhar estes caminhos, em tempos difíceis somos forçados a aceitar trabalhos em locais com ambientes ácidos, patrões grosseiros ou em locais onde as estradas são bem esburacadas. Nem sempre uma boa oportunidade começa em uma rua bem asfaltada ou em um caminho limpo e bem sinalizado.

 O curioso é que de tanto percorrer o caminho difícil aprendi onde eu devia pisar. Descobri alguns caminhos alternativos e algumas calçadas um pouco mais transitáveis. Chegou um tempo em que eu nem levava mais roupa sobressalente, pois em meio a lama, aprendi onde firmar os pés, descobri onde tinha estradas limpas e coesas e onde eu podia passar com tranquilidade e sem percalços.

Nem sempre estaremos no melhor caminho, existem tempos onde teremos que enfrentar percalços, caminhos por onde nunca havíamos transitado e patrões ou pessoas no qual nunca imaginaríamos que teríamos que lidar, nestas situações, saber onde pisar já é um grande avanço em nossa caminhada.

Nem sempre acertaremos, nem sempre estaremos em boas estradas, saber transitar nestes diferentes trajetos é um dos segredos para seguir aprendendo e crescendo conforme avançamos.

Hoje a estrada que eu percorro é mais tranquila, não por ser um caminho menos acidentado, mas por ter aprendido como andar nos diversos tipos de solo.

Lembre-se que, ou você encara seus problemas como desafios e cresce com eles, ou continua vendo como problemas e carrega o peso que um problema tem. Creio que tudo vai depender do quanto você está preparado para aprender, o quanto as dificuldades farão você conseguir pisar no lugares certos e prosseguir. Nem tudo é flores, contudo também nem tudo é caos, basta ajustarmos a nossa forma de ver e aprender a evoluir.

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HUMILDADE

“O orgulho é um veneno tão possante que envenena não só as virtudes, mas também os outros vícios” G. K. Chesterton (WIERSBE, 2011, p. 155)

Não gosto de gente que te olha de cima, que se coloca em um pedestal, como se ele fosse superior e os outros lacaios. Normalmente me mantenho longe destes, não é o tipo de pessoa no qual eu gasto minhas horas. A parte que eu acho complicada, contraditória e irreal, é quando eu encontro cristãos assim.

Eu não entendo cristãos orgulhosos, não consigo conceber como uma pessoa que serve a um Deus que se fez servo (Filipenses 2:7), possa ser orgulhoso. Eu sei que as vezes caímos na armadilha do orgulho, que o dinheiro e fama pode nos corromper e nos colocar em pedestais, conquanto, ao olharmos para a palavra, gastarmos tempo lendo e estudando, teríamos um bom choque de realidade, que faria com que voltássemos a humildade que o evangelho exige, pelo menos deveria ser assim. Conheço gente que tem problema com orgulho, e toma muito cuidado com isso, penso que este é o princípio que todo o cristão deveria ter que é a consciência de suas falhas, para que assim ele possa não cair em suas próprias dificuldades.

Eu antes tinha muita raiva de orgulhosos, não gostava do ar de superioridade e nem de ser tratado com desprezo. Conforme a vida foi passando eu passei a ter pena, direi por quê.

Primeiro porque o orgulhoso é cego, não percebe a sua própria condição. Por olhar os outros de cima, muitas vezes tropeça, por tratar alguns com frieza e superioridade, acaba por ser sozinho, ou cercado por iguais, que prezam mais por aparência do que por intimidade, vivência e amizade.

Entenda que somos totalmente dependentes um dos outros, quando nascemos precisamos dos pais para nos ajudar, prover alimentos, nos ensinar. Quando crescemos isso não muda, sem as pessoas, sem o padeiro, sem o funcionário ou os diversos profissionais, não temos as coisas, não desenvolvemos e nem conseguimos o básico. Somos totalmente dependentes um dos outros, o orgulhoso não entende isso.

Segundo porque sem humildade não aprendemos. A humildade é o princípio de tudo, entender que não sabemos tudo é o ponto de partida para seguirmos aprendendo. Só cresce quem entende as suas limitações, eu só posso evoluir, aprender e me desenvolver, quando sei meus pontos fracos, para daí em diante seguir buscando aprimoramento. Coisa que um orgulhoso ou uma pessoa que se considera o máximo, superior a tudo e todos, não consegue fazer.

A humildade é o cerne do evangelho, Jesus foi humilde e ensinou uma liderança servidora, que funciona de “baixo para cima”. Paulo e os apóstolos, idem. O cerne da mensagem é entender o quão pecador somos e do quanto precisamos de Deus, sendo que com o orgulho isso não é possível. Warren W. Wiersbe neste mesmo livro no qual tirei a citação de Chesterton complementa:

“Humildade é o solo do qual todas as outras virtudes cristãs podem crescer. As pessoas orgulhosas amam a si mesmas, não aos outros, e se prestam alguma atenção nos outros é apenas para os usar a fim de se promover” (WIERSBE, 2011, p. 155)

Não tenha dúvida que o orgulho é o melhor caminho para a ruína, pois além de não sermos melhores uns que outros, sozinhos não somos nada.

Quem é orgulhoso, quem se considera superior e acima dos outros, certamente não entendeu o evangelho, se ama mais do que ama os outros. Estar em comunhão com os irmãos depende do quanto somos humildes para aceitar que cada um tem suas dificuldades e assim conseguir amar e aceitar o próximo com mais humildade.

O orgulhoso não aceita muito este conceito e segue desdenhando, pensando mais do que ele é e alheio a todos. O grande problema é que brasa fora do fogo se apaga. Juntos somos sempre mais fortes e podemos como irmãos nos ajudar, nos suportar, nos apoiar. Sem contar que a solidão de cima dos pedestais deve ser grande, por isso, opto sempre por ser humilde, é uma vida menos solitária.

BIBLIOGRAFIA

WIERSBE, Warren, W. Jesus presente, Experimente a atualidade e o poder das declarações do Filho de Deus em sua vida, Editora Thomas Nelson Brasil, Rio de Janeiro, 2011

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SÍNDROME DE ÍCARUS

Gosto muito da história de Ícarus, que era filho de Dédalo, um dos homens mais criativos de Atenas. Foram eles, segundo a mitologia grega, que construíram o labirinto do Minotauro. E um dia, acabaram sendo presos dentro do labirinto a pedido do rei Minos. Sendo que para sair resolvem construir asas com cera de abelhas e penas de gaivotas. O problema é que para que as asas não se desfizessem eles deviam voar um pouco abaixo do sol, para que as penas não derretessem, e um pouco acima do mar, para que as penas não molhassem. Mas Ícaro, por ter se impressionado com o sol, desobedeceu às ordens de seu pai, voou em direção do sol e acabou caindo.

Considero esta história muito verdadeira, afinal, quem nunca deu um passo maior que as pernas, ou se perdeu, tentando conseguir o seu lugar ao sol? Planos, projetos e frustrações parecem caminhar juntos não é? E antes de acertar, muitas vezes erramos bastante.

Penso que um dos grandes motivos é o imediatismo. Queremos o retorno o mais rápido possível das coisas, queremos um diploma, sem estudar, uma boa profissão sem se preparar, queremos solução imediata para os nossos problemas, mas este tipo de solução não existe. Tudo leva tempo, quem já fez uma faculdade sabe disto. É mais fácil “aproveitar a vida” fazer o que gostamos do que passar dias fazendo um trabalho acadêmico ou lendo um monte de livros, mas no fim compensa. O que vai definir o sucesso de nossa empreitada é a nossa maturidade e entender o significado desta palavra já são alguns bons caminhos andados.

A vida é uma escolha e toda a escolha tem perdas e ganhos. Se você escolher estudar, provavelmente vai deixar de sair e gastar dinheiro com outras coisas, ou de ir para casa descansar depois de um dia inteiro de trabalho, isso se você trabalha e estuda. Você sempre vai perder em qualquer tipo de escolha, pois não é possível termos tudo, o que vai definir nosso sucesso são as escolhas que realmente valem a pena.

Eu tive um amigo que era chefe em uma empresa multinacional, ele ganhava muito dinheiro e gastava quase todo ele viajando, conhecendo o país. Nunca quis estudar, comprar uma casa ou guardar um dinheiro para o futuro. Foi a escolha dele agir assim, opção bem imediatista, diga-se de passagem. O problema foi que depois de muitos anos a empresa fechou e ele nunca mais conseguiu o mesmo padrão de trabalho que ele tinha antigamente, pois todos os empregadores que o entrevistavam não entendiam como ele, ganhando o salário que ganhava, não havia feito uma faculdade. Este amigo tinha muita experiência em carteira, porém nenhum estudo. Acabou tendo que se contentar em trabalhar em um cargo mais baixo, com salário mais baixo ainda, por não ter se preparado. A vida é feita de escolhas, escolher bem define toda a nossa vida. O problema é que o bom caminho é quase sempre mais trabalhoso.

A síndrome de Ícarus nos faz querer sempre o imediato, a pegar caminhos mais rápidos para o sucesso, a usar fórmulas mirabolantes para se chegar lá, mas isso não existe. A boa empreitada é trabalhosa, leva tempo, não vem tão fácil assim.

Ter equilíbrio e pensar no caminho certo é o segredo de bons resultados, entender que muitas vezes o certo leva tempo, já é um passo dado para uma empreitada que dá resultados. O amigo que eu citei poderia ter feito tudo, viajado, estudado e se preparado, bastava se planejar um pouco, e equilibrar sua vontade de viajar.

Lembre-se que em todas as nossas escolhas vamos sempre perder e ganhar vence na vida quem aprende a perder menos, ou opta por coisas que traz mais resultados.

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A ODISSEIA DA DOR I: PROVOCAÇÕES

Fazer uma faculdade foi um dos meus grandes sonhos, sempre quis aprender mais teologia, ampliar meu conhecimento e aprender mais ferramentas para interpretar a Bíblia. O que eu nunca achei que aconteceria era que eu teria inúmeras dúvidas e incertezas em pleno final de curso.

Foi quase na conclusão do meu bacharelado em teologia que eu tive uma crise de fé das mais graves, não tenho medo de confessar. Eu passava por um complicado problema de saúde, estava também lidando com uma depressão muito profunda e ainda por cima me encontrava desempregado, sentindo tudo ruir a minha volta.

Você não sabe o quanto eu clamei a Deus, o quanto pedi ajuda, me sentindo entre uma oração e outra, abandonado, desprezado e sem esperança. É como se Deus tivesse me deixado à deriva, me abandonado à própria sorte ou talvez como se ele nem existisse e fosse o fruto da minha imaginação. Acredite, eu pensei muito nesta possibilidade.

Já se sentiu desamparado? Já se perguntou onde estava Deus enquanto o caos estava acontecendo? Já se sentiu sozinho entre as lutas? Tem dias que é quase impossível não pensar que Deus nos abandonou, eu mesmo já pensei algumas vezes, mas também aprendi muito com o meu momento de crise, o caos fez com que eu buscasse mais a Deus, procurasse respostas e aprendesse, sendo que neste texto em questão eu traço um pouco do caminho que percorri e as respostas que fui achando ao longo de todo o meu vazio.

Vale lembrar que o sofrimento é importante, ele deve ser uma espécie de trampolim que nos leva a Deus, a buscá-lo mais, a orar mais e a estudar mais a sua palavra. Tiago 1:2-3 diz:

“Meus irmãos, considerem motivo de grande alegria o fato de passarem por diversas provações, pois vocês sabem que a prova da sua fé produz perseverança”

 A provação produz em nós perseverança, faz com que busquemos mais a Deus e entendamos mais a sua palavra. Não podemos esquecer que Cristo já nos avisou que teríamos aflições (João 16:33).

Outro ponto importante que temos que ter em mente antes de embarcarmos em nossa reflexão é que todo o caos existe por causa do pecado, da desobediência do homem, do fato de que o homem se separa cada vez mais de Deus e por isso, acaba sempre no caos, ou sujeito a todo o caos do mundo. Está é uma verdade que precisamos entender e aceitar. Mas o sofrimento suscita mais algumas perguntas, deixam no ar algumas questões, começarei falando das primeiras respostas que eu achei, para terminar falando do ponto final que eu coloquei na questão Deus e o sofrimento.

Na época o sofrimento me levou até o livro de Jó, foi nele que eu achei alento para a minha vida. É claro que eu não passei nem um terço do que ele passou, mas o livro nos mostra que o justo sofre sim, mesmo sem dever nada. O livro também evidencia que nunca entenderemos os desígnios de Deus, nunca saberemos realmente a sua vontade, mas apesar de tudo, ele sempre estará conosco, sendo que no fim, o mal sempre acaba, é claro que acaba.

Contudo foi em Gênesis 37, lendo a história de José, que eu tive um certo alívio, a história dele me inspira a confiar em Deus, mesmo passando por dificuldades, a parte boa é que o texto nos mostra que apesar de todo os problemas, Deus sempre transforma o mal em bem. Com isso, tive algum alívio, mas continuei com algumas perguntas martelando a minha cabeça, entretanto estas duas passagens bíblicas foram fundamentais em minha busca por explicação, falarei delas depois em textos que virão mais adiante.

O sentimento de abandono é a primeira sensação que temos quando tudo está a ruir. Não entendemos porque tudo está dando errado, com isso, fazemos perguntas das mais variadas a Deus e tentamos até algumas barganhas, mas geralmente sem sucesso, pois afinal Deus não precisa provar o seu poder, lembre-se de que o diabo pediu provas a Cristo, quando o tentou no deserto (Mateus 4:1-11), mas Cristo não provou, pois quem é não precisa provar.

A pergunta que eu mais me fiz nestes dias é por que Deus parece se calar quando passamos por períodos de sofrimento? Por que parece que estamos sozinhos, abandonados ante o caos?

O Sofrimento e as inúmeras perguntas me levaram ao livro de C. S. Lewis chamado o problema do sofrimento, neste livro tive as primeiras e poucas palavras de consolo e algumas poucas respostas. Lewis é ótimo em lidar com o sofrimento, o panorama e a sua visão do porquê sofremos me ajudou muito na época, embora não tenha respondido a todos os meus questionamentos, por isso que eu não consegui encerrar a minha busca. Logo no segundo capítulo Lewis resume bem o problema do sofrimento, ele sintetiza tudo o que eu ouvi de diversos sofredores e um pouco do que eu mesmo estava passando:

“Se Deus fosse bom, Ele desejaria tornar Suas criaturas perfeitamente felizes, e se fosse todo-poderoso, seria capaz de fazer o que quisesse. Mas as criaturas não são felizes. Portanto, a Deus falta a bondade ou o poder – ou ambas as coisas” (LEWIS, 2006, pg. 33)

Acredite, eu já ouvi muito isso de amigos, doentes e sofredores em geral, e confesso que sempre me calei ante estes questionamentos, principalmente porque eu não tinha resposta nem para os meus problemas, quem dirá para o dos outros. A resposta para a questão não é tão complicada, se torna ainda mais fácil hoje, onde eu enxergo o sofrimento de uma forma bem mais tranquila, apesar de que eu continuo não achando fácil.

Deus é bom, mas não força, não obriga o homem a olhar para ele. Por termos liberdade de escolha, o tal livre-arbítrio, acabamos por escolher sempre o mal, já que somos contaminados pelo pecado, e seguimos sofrendo. Por Deus amar, ele não força, com isso, sofremos porque não olhamos para Deus, por seguirmos egoístas e mesquinhos. O sofrimento aponta para Deus e mostra quem somos sem ele, é só através do sofrimento que conseguimos sair da nossa vida alienada e ver além de nós. Eu gosto de uma citação de Lewis do livro “O grande abismo” que eu uso muito, ele resume bem o problema do sofrimento e sintetiza as primeiras respostas da minha busca por explicação:

Só existe um único ser bom, e esse é Deus. Tudo o mais é bom quando olha para Ele e mau quando se afasta d’Ele. (LEWIS, 2006, pg. 70)

O homem sofre porque é primeiramente livre e depois por ser pecador, porque escolhe sempre se afastar de Deus e não percebe que não é nada sem ele, o quanto ele é mau e decaído sem Deus, o sofrimento é fruto destes homens maus.

O sofrimento aponta para Deus e mostra o que o homem é sem ele. Mas ele também nos tira da nossa zona de conforto, faz com que olhemos o próximo e aprendamos a nos dedicar mais a ajudar. Muitas coisas boas surgiram de quem sofreu ou viu alguém no qual amava muito, sofrer. É normal nos fecharmos em nós mesmos, o sofrimento faz com que olhamos para fora, que tenhamos outros olhos e outras atitudes.

Estas são as primeiras respostas, mas existem muitas perguntas, variáveis e casos que iremos ver no próximo capítulo, a minha busca não havia acabado, algumas respostas não são suficientes para quem sofre, por isso que este texto é só o primeiro.

BIBLIOGRAFIA

LEWIS, C. S, O Grande Abismo, Editora Vida, São Paulo, 2006

LEWIS, C. S, O Problema do Sofrimento, Editora Vida, São Paulo, 2006

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ATALHOS – PHILIP YANCEY

“Ansiamos por atalhos. Mas os atalhos geralmente nos afastam do crescimento, não nos aproximam dele” (YANCEY, 2004, 220)

As pessoas não se cansam de procurar fórmulas mágicas para solucionar seus problemas, atalhos secretos que os ajudem arrumar suas más escolhas. Muitos ainda insistem em acreditar em soluções milagrosas, como se a vida cristã fosse feita apenas de milagres. Talvez seja por isso que religiões exploradoras tem surgido cada vez mais, usando o sistema de mérito a fim de ajudar o homem a conquistar suas “bênçãos”. No fim, se existe igreja assim é por conta da própria demanda.

O plano de ação destes estelionatários é perfeito, é tudo muito bem calculado, construído mesclando a verdade, mas de forma bem descontextualizada. Tudo começa com a afirmação “Deus é poderoso”, coisa muito verdadeira, mesclado com a verdade que “Deus não falha”, com isso a armadilha está pronta, enquanto bolsos se esvaziam almas gananciosas seguem fazendo barganha com Deus.

Deus é poderoso, e é evidente que ele nunca falha, no entanto nem sempre o que pedimos vem como imaginamos. A própria Bíblia diz que o que pedimos deve estar de acordo com a vontade dele (1 João 5:14), e a Bíblia também fala que as vezes pedimos e não recebemos por estarmos com a motivação errada (Tiago 4:3). Isso sem contar que Deus, quando nos atende, faz conforme a sua vontade, ele nos ajuda, mas de sua maneira, e não da nossa. Sendo que pode ser de uma forma natural ou milagrosa. Isso sempre vai depender de Deus e seu misterioso caminho. Entenda que a própria concepção da palavra milagre é:

Acontecimento extraordinário, incomum ou formidável que não pode ser explicado pelas leis naturais (Dicio)

Sendo ele uma exceção, algo fora do comum, e sabemos bem que em nossa vida, nem sempre Deus age de forma milagrosa. Na maioria das vezes o caminho é natural, através de pessoas, oportunidades ou médicos.

Com isso não quero afirmar que não acredito em milagres, pois eu acredito, creio com todas as minhas forças que Deus pode fazer de tudo, e da forma que bem entender, mas eu já vivi o evangelho o bastante para afirmar que Deus age assim poucas vezes.

Nem sempre o agir de Deus vem de forma milagrosa, mas sempre vem, eu acredito nisso. No fim o milagre é tudo, desde as coisas comuns, a vida, os amigos, os apoios que recebemos na caminhada, oportunidades e empregos, até os próprios milagres em si. Não acredito em atalhos, eu creio que muitas vezes Deus age de uma forma natural para nos ensinar, por isso que ele não pega atalhos.

Acredito que no fim a verdadeira prosperidade é saber administrar o nosso dinheiro, é ganhar pouco, mas fazer muito. Pois não adianta sermos prósperos e sermos maus administradores, gastando mais do que ganhamos. Conheço gente com bons salários que vivem na miséria, sempre em falta, e sei que uma boa parte destes esperam um milagre de Deus ou um atalho todo especial.

Penso que o milagre maior é aprender do que não precisamos, está é a verdadeira riqueza, além de ter em mente que não precisamos de milagres diários para crer em Deus.

É possível ganhar pouco e viver bem, aproveitando o hoje, fugindo de atalhos que não ensinam. Ser grato com o que temos é um milagre, viver o hoje, satisfeito com o que somos é o princípio do aprendizado, entendendo que aos poucos podemos chegar lá, e se não chegarmos, não nos frustraremos, pois estaremos vivendo satisfeitos com o que a Deus nos deu.

Quem sabe gastar de forma moderada é próspero, não se incomoda, não vive como que louco correndo atrás de dinheiro, sem paz. Aprenda que você não precisa de tudo, seja moderado e tenha autocontrole, este é um bom principio para viver bem, o resto é atalhos que não levam a lugar algum.

BIBLIOGRAFIA

YANCEY, Philip, Decepcionado com Deus, Três perguntas que ninguém ousa fazer, Editora Mundo Cristão, São Paulo, 2004

www.dicio.com.br/milagre/

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AMBIGUIDADES

Dificilmente você vai me ver militando por uma causa, já vivi o suficiente para perceber que quando falamos de mundo, seres humanos e sistemas, sei bem que  a maioria deles e de suas causas são problemáticas e ambíguas.

Um homem pode ser bom, mas nunca o suficiente, por mais que ele seja honesto e solidário, por ser um humano, falho e pecador, sempre haverá o outro lado, uma maldade escondida, uma atitude fora do padrão.

O mesmo eu digo dos sistemas políticos, por mais que surja um modelo perfeito e revolucionário, sempre haverá o outro lado. Quem não olha o mundo desta maneira, está fadado a uma opinião simplista, quando não é uma opinião cega, destituída da reflexão e extrema. Eu tenho medo de certezas justo por conta das ambiguidades e por constatar que uma boa parte dos que têm certezas são extremos, alheios ao diálogo. Não adianta, é difícil ter certeza por ser impossível termos uma opinião destituída de falhas. Edgar Morin e Patrick Viveret, no livro “Como viver em tempos de crise” resumem:

“Para entender o que acontece e o que vai acontecer no mundo, é preciso ser sensível à ambiguidade” (MORIN, VIVERET, p. 9)

O mundo é realmente complexo para o definirmos de forma coerente e sem medo, as pessoas, inclusive eu, são um tanto quanto alienadas, para terem certezas realmente assertivas, olhando o todo, avaliando por todas as direções e nuances.

As vezes achamos que estamos olhando o todo, mas não percebemos que existe um outro lado. Tem dias que deixamos as emoções nos guiarem sem nos atentarmos. Há períodos no qual não percebemos nossas injustiças às vezes até feitas em nome da justiça. O ser humano é ambíguo, um misto de bondade e maldade. Edgar Morin e Patrick Viveret complementam mais um pouco o tema, falando agora do pensador Pascal:

“Pascal tinha o senso da ambiguidade para ele, o ser humano traz em si o melhor e o pior” (MORIN, VIVERET, p. 10)

Somos este misto de melhor e de pior, podemos ser bons, mas por conta do pecado, a nossa bondade vai ser sempre contaminada, meio que misturada com o pecado.

Com isso em mente eu tento avaliar o mundo, tenho sempre um pé atrás com homens que se dizem salvadores e não confio em sistemas infalíveis, pois não existem. Com isso em mente eu também tomo cuidado com os meus impulsos, pois sei que por mais que eu tenha boa intenção, eu posso estar indo no caminho da injustiça. As vezes podemos achar que estamos olhando o todo, avaliando uma questão por todos os ângulos, sem perceber nossas contradições, sem ver que no fim nem estamos vendo a questão direito. Esteja certo de uma coisa, você não pode ter uma plena certeza, é impossível fecharmos uma questão, você não pode se permitir ter pontos de vista fechados, inerrantes.

Depois de muito estudar e ler, depois de dedicar horas aos livros e pesquisas, aprendi o quanto sou limitado, descobri o quão perigoso é a certeza. Não é que não devemos confiar ou que precisamos ser céticos para o resto da vida, e sim, que devemos entender que podemos estar errado, nunca exclua está possibilidade.

Somos seres ambíguos, com o melhor e o pior em nós, com isso, tenha tento, aprenda a ter um pé atrás, pois nunca se sabe qual lado está gritando mais alto.

Se você não crê que pode estar errado, há uma possibilidade de você não estar atento as suas ambiguidades.

BIBLIOGRAFIA

MORIN, Edgar, VIVERET, Patrick, Como viver em tempos de crise? Editora Bertrand Brasil, Rio de janeiro, 2015.

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O VERDADEIRO MILAGRE

Entenda que o tempo é sempre de Deus e nunca vamos entender porque às vezes tudo parece demorar. Só ele sabe e faz conforme lhe apraz, o que cabe a nós é seguir e confiar.

Entenda também que na maioria das vezes Deus não força a vida, não modifica o natural, nem abre um caminho “especial”. Nem sempre é com milagres que ele vai nos amparar, quase sempre o “milagre” é por um caminho normal, sem fogos de artifício ou peripécias mágicas.

Talvez o milagre maior seja suprir a nossa vida em meio à falta, nos alentar em meio a tempestade, enquanto naturalmente aguardamos o vendaval passar.

No fim o milagre maior seja aprendermos a seguir a sua vontade, crescermos com os tombos, mudarmos com as dificuldades, enquanto lá fora, de forma mais milagrosa ainda, o caos não nos trará mais medo.

Nem sempre conseguiremos identificar o que é um milagre, do que foi uma coincidência ou algo natural, mas quem conhece a Deus sabe que ele não nos deixa na mão.

Por fim, tudo vai depender da certeza, do quanto buscamos e do quanto se almeja a intimidade com o eterno. Pois quanto mais próximo, mais satisfeitos, quanto mais oramos, lemos e buscamos, por certo, teremos a certeza de que é ele que está a nos guiar, seja da forma que for. Usando meios milagrosos ou naturais, pois no fim tudo é dele e tudo dele vai continuar, nós somos apenas servos e como tais, sujeitos a sua vontade.

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