DIÁLOGO

Existe um abismo enorme entre o que falamos e o que uma pessoa entende. O desafio da comunicação é nos fazermos entendidos. Somando a isso o fato de que poucos hoje dialogam, muitos estão sempre prontos a falar, e nem sempre prontos a ouvir, o dialogo acaba sendo complicado.

No mundo cristão, com suas inúmeras teologias, igrejas e formas de pensar, isso se torna ainda mais desafiador. É incrivelmente interessante ver como muitos cristãos hoje são inflexíveis e nem conseguem ouvir um ponto de vista diferente ao seu, sem antes se manifestar de forma veementemente contrária. A questão, como diria a letra da banda Rodox, é que o inflexível quebra fácil.

Eu sempre digo e talvez morra dizendo, que ouvir uma ideia contrária a sua não é aceitar a ideia, é apenas ouvir. O desafio é sempre transitar pelas opiniões que não concordamos, sem nos ofendermos, e o pior, sem ofender quem pensa de forma diferente. Insultar quem pensa diferente não ajuda ao contrário, nos separa e nos separando, não teremos oportunidade de levar a palavra e sermos diferença.

Não podemos aceitar a falta de diálogo, muito menos concordar com quem impõe um ponto de vista e não deixa espaço para o outro opinar. Quando forçamos um pensamento, não só nos tornamos autoritários, mas aceitamos que o diálogo não deve existir. Sendo que a falta de diálogo é a marca registrada de todo o pensamento autoritário.

É preciso entender a pluralidade de pensamentos, religiões e credos, é importante entender que quando não me abro para ouvir o outro, mesmo que sendo um pensamento contrário, acabo por também fechar as portas para ser ouvido. Não podemos impor nossos pontos de vista e nossas crenças, e novamente, quando impomos, abrimos a porta para que façam o mesmo conosco. O mesmo se dá quando falamos de um país cristão, não podemos abrir mão da laicidade do nosso país, não podemos forçar alguém a crer no que cremos, assim como, também não queremos ser forçados a acreditar em algo no qual apenas o outro acredita. Eu sigo o princípio da empatia, quando me coloco no lugar do próximo me desespero ao ser forçado a fazer o que não quero fazer, por conta disso, não milito por um país cristão e sim, por uma nação laica, que dê a todos a liberdade de crer na religião que melhor lhe apraz.

O diálogo é o princípio de tudo, ouvir o outro e respeitar suas crenças é uma atitude básica de quem tem empatia suficiente para se colocar no lugar do outro e entender que cada um tem suas crenças.

Entendo alguém que não dialoga como um ser limitado, pronto para apenas falar, pois não tem conteúdo suficiente para se abrir para ouvir, refletir e discordar com respeito. A pessoa extrema é alguém mal resolvida, que no fundo não tem certeza, e tenta convencer o outro com a força.

O diálogo é composto por duas pessoas, o respeito e a empatia, deve estar presentes para que ninguém passe por cima de ninguém e a conversa vire uma guerra. Ou aprendemos a respeitar, ou abriremos a porta para a violência e a imposição que já manchou a história tempos atrás.

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VIVENDO E REFLETINDO

Imagine se você pudesse se observar por um dia. Ver como você trata os outros, principalmente os que estão te servindo, como trata e se relaciona com amigos e colegas de trabalho. Caso isso fosse possível, você ficaria feliz, triste ou envergonhado com o que veria?

Como eu sei que isso não é possível, ao menos que você contrate uma equipe de filmagem, vou mudar a pergunta. Quando você para e se autoavalia, lembra-se de como você age para com as pessoas, suas decisões, e sobre qual é a sua atitude em momentos de pressão, você fica orgulhoso com o que você se lembra ou envergonhado? Ou você nem gasta tempo em pensar em como você é não é visto pelas pessoas

Eu constantemente tento me autoavaliar, paro para pensar em como ajo, como tomo as minhas decisões ou como estou seguindo. Não que eu ligue para as pessoas, e sim porque tenho tentado me aperfeiçoar ao máximo.

Tenho tentado tomar o caminho da relevância, tenho buscado pensar em minhas atitudes entendendo como são e como podem melhorar. Tenho pavor em pensar que estou vivendo no automático, por impulso, sem reflexão. E também em estar vivendo de um modo nocivo, seja para mim, ou para os outros.

Não se trata em tentar ser relevante apenas, e sim, em ser alguém com consciência, que vive de uma forma centrada. Sem comprar brigas inúteis, que não acrescenta nada em minha vida, mas ao mesmo tempo sendo relevante para com o próximo.

Para que o evangelho continue vivo e fazendo diferença, primeiro em nossa vida, depois na vida das outras pessoas, temos que entender em como estamos vivendo. Temos que avaliar nossas atitudes e buscar sempre mudanças.

Por isso aprenda a avaliar o seu dia, escreva um resumo do que fez, e pense se naquele dia você poderia ter agido diferente. Relembre suas ações, reflita sobre as suas decisões e tente perceber se tem vivido por impulso, ou de uma forma racional e coerente.

Viver no automático é perigoso, seguir sem refletir, sem pensar sobre nossas atitudes é nocivo para qualquer um, por isso aprenda a parar e pensar em como você tem sido para com as pessoas e aprenda a mudar.

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TAGARELICE

Estamos em dias onde o falar e o opinar é constante, afinal, antigamente apresentávamos nossa opinião em rodas de amigos ou nas mesas de café da manha. Hoje a opinião é dada a qualquer hora, de qualquer lugar e de qualquer maneira, sem medirmos nossas palavras. E isso não é tão ruim, é bom ter voz, o problema que eu vejo nas tagarelices de hoje é a superficialidade, são as conclusões sem raciocínio e sem conteúdo. Isso sem contar quando muitas vezes perdemos tempo ao ficar falando mal dos outros.  Provérbios 21:23 diz:

“Quem é cuidadoso no que fala evita muito sofrimento” (NVI)

Quem sabe guardar a língua se poupa de problemas, quem não perde tempo falando mal dos outros ou opinando em cima do que não conhece, guarda-se de problemas, o que me faz lembrar-se de um importante filósofo.

Sócrates tinha três filtros que o protegia dos problemas e burburinhos falsos, que poderíamos resumir como: “O filtro da verdade, bondade e utilidade”.

Ele dizia que quando você fosse contar algo a alguém (ou sobre alguém), você teria que se perguntar: o assunto é verdadeiro? Este é o primeiro filtro, um filtro que nos livra de muitos problemas, ainda mais nestas eras de fake news, onde a mentira é propagada como verdade absoluta.  Você pesquisou sobre o que está falando? Viu se as fontes são confiáveis? Tem certeza se o que você está divulgando é verdadeiro?

O segundo filtro é o da bondade. Sócrates continuava afirmando que ainda que não tivesse certeza, você deveria saber se o que você vai falar é bom. Não vale a pena divulgar coisas ruins com a desculpa de manter as pessoas informadas, ainda mais quando não temos certeza sobre o assunto. O que é ruim chega a nós em uma velocidade extraordinariamente rápida, não precisamos nos informar sobre o caos, pois vivemos no caos. E se é algo sobre alguém, pior ainda. Vale a pena se calar e compartilhar o que é bom, a história de superação, a bondade e a alegria. Em um mundo de caos, a prioridade deveria ser o bem e não os problemas. Não estou incentivando a fecharmos os olhos para os problemas, eles existem e devem ser vistos e discutidos, e sim, priorizarmos o que é bom que nos inspirará ao movimento de mudança e a fazermos diferença.

O terceiro filtro de Sócrates é o da utilidade. O que você vai contar é útil? Tem serventia? Ou é perda de tempo? Com o tempo vamos aprendendo a nos dedicar ao que vale a pena, a falar o que é útil, a compartilhar o que importa.

Em dias onde opinar é fácil, ter uma postura sábia e aprender a se calar é uma atitude importante. Controlar a língua é se livrar de desgraças. Saber a hora de falar ou falar apenas do que conhecemos, é uma passo importante para evitarmos o sofrimento.

Quando o comichão na língua começar, lembre-se deste versículo. Quando a tentação de discorrer sobre algo que você não conhece vier, aprenda a se calar e se livre dos problemas usando o filtro de Sócrates.

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A EGOCÊNTRICA BAIXA AUTOESTIMA

“A baixa autoestima é um jeito torto de ser egocêntrico” (ARANTES, 2019, 152)

Gosto de reflexões que me fazem parar, que me obrigam a pensar e repensar, sendo que a questão que a citação aborda foi uma delas. Eu nunca havia pensado no assunto por este viés.

Sofri por anos de baixa autoestima, conheço bem o assunto. Eu me achava incapaz, inferior, pequeno. Achava que ninguém gostava de mim, por isso, vivia em busca de aprovação. O que eu não percebia era que a minha baixa autoestima fazia com que o mundo girasse ao meu redor. Tudo eram os meus sentimentos, meus fracassos, minhas emoções, nunca pensei nisso como um egocentrismo. A autora, neste mesmo livro continua o pensamento sobre o assunto:

“Não somos tão especiais a ponto de todos pensarem que não somos bons o suficiente. O mundo não está girando em torno do nosso umbigo, ou apesar dele” (ARANTES, 2019, 152)

No fim, grosso modo, é assim, direta ou indiretamente, que uma pessoa com baixa autoestima acaba agindo. No afã de mostrar o seu valor, ela sempre prioriza a si mesmo, seus lamentos e sua dor. O mundo está sempre contra ela, como se ela fosse o centro de tudo.

Eu me libertei deste problema há muitos anos, aprendi a não me levar tão a sério, descobri como conviver com as minhas dificuldades e limitações, entendendo que no fim podemos crescer com elas.

Não somos perfeitos, mas somos capazes de mudar, de rever nossos conceitos e evoluir. É muito perigoso nos considerarmos os melhores, os perfeitos, o centro de tudo e igualmente perigoso é nos considerarmos os fracassados, perseguidos, aqueles que não servem para nada.

No fim somos o que somos, seres imperfeitos, em busca de constante evolução. Não podemos nos subestimar, assim como é errado nos superestimar. A baixa autoestima e a alta autoestima são igualmente perigosas, nos faz sermos o centro de tudo, como se tudo girasse em torno de nós e sabemos que ele não gira.

Viva a vida mais leve, conviva e aprenda a lidar com suas dificuldades, que o resto é aprendizado.

BIBLIOGRAFIA

ARANTES, Ana, Claudia, Quintana, A morte é um dia que vale a pena viver, Editora Sextante, Rio de Janeiro, 2019

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PRELÚDIO DO FIM

De tempos em tempos alguns religiosos preveem o fim do mundo. Como em quase todos os anos sempre tem alguém arriscando um palpite. E enquanto a notícia vira piada, por se provar falsa, o mundo segue sem acabar, pelo menos não em todas as partes.

Pois tem alguns fins que ninguém tem dado bola, afinal, muitos neste planeta azul, encaram condições não tão azuis, perto do fim. Aliás, para muitos o fim seria um belo descanso.

A começar pela perseguição religiosa em alguns países. Notícias de morte, tortura e caos são lidos por toda a internet. Ou a fome, que em pleno século 21, assola países e castigam muitos que vivem perto do fim. Enquanto muitas descobertas científicas são feitas, tudo em nome do viver bem, alguns tentam descobrir como matar a fome.

Ou enquanto alguns estudam uma forma de diminuir o desperdício de comida, outros estudam uma maneira de recomeçar depois de um terremoto, tsunami ou tornado.  Estas catástrofes dizimam vidas, casas e sonhos. Reduzindo pessoas a nada, a pó, em um fim que não se encerra, apenas castiga, humilha e acaba com o pouco que muitos tem.

Alguns dizem que estamos perto do fim, mas eu não posso ter certeza. Mas no fim do amor, da unidade, de sermos um e de sermos uma comunidade, certamente estamos, e eu não estou falando do mundo, e sim de nós cristãos.

Eu vim de um contexto cristão um tanto quanto alienado, onde se previa que o anticristo viria da igreja católica. Que não devíamos nos misturar com pessoas de outras religiões, que o mundo jaz o maligno, então deveríamos viver sem dar bola a este mundo.

O grande problema é que muitos não veem o quanto a igreja está se deteriorando, virando as costas para pessoas. Deixando de amar, cuidar, e ser luz ao próximo. Muitos cristãos não conseguem ter o mínimo de diálogo, e hipocritamente querem ser ouvidos. A igreja está cada vez mais dividida, a disputa de poder cada vez maior e os interesses da minoria sendo deixados de lado.

Seguir uma denominação não é ser Cristão, seguir a Cristo sim.  Acima de qualquer coisa somos cristãos e apesar de eu congregar em uma igreja, a placa que eu tenho que sustentar é Cristo. Mateus 24:12-13 diz:

“Devido ao aumento da maldade, o amor de muitos esfriará

mas aquele que perseverar até o fim será salvo”

A pergunta que eu te faço é: Seu amor por Deus esfriou ou não? E se você ama a Deus, porque não ama o próximo? Está na Bíblia, leia 1João 4:7-8.

Quando pensamos em fim, temos a mania de não nos colocar no pacote. Sempre os outros são os problemas, sempre os outros estão errados, mas nós não. A igreja tem seguido cada vez mais em um caminho hedonista e muitas vezes não estamos vendo isso. Pastores têm se levantado e falando abobrinhas e nós aplaudimos, comprando como se fossem verdades.

Temos que ter em mente que somos nós a igreja de Cristo, e é só através de nossa mudança de atitude que a coisa pode mudar.

Em nossa volta o mundo tem precisado de ajuda e nós, temos nos colocado a disposição? Ou temos rido da cara de todos, como se não fôssemos responsáveis por pregar a salvação? Não cobre atitude cristã de quem não é cristão, cobre de você uma boa atitude.

Não se esqueça que quando vemos alguém perdido, somos nós os responsáveis. Quando enxergamos uma pessoa precisando de ajuda, somos nós que temos que oferece a mão, ou pelo menos tentar, e não rir e ficar de braços cruzados. Afinal, o fim começa na apatia, na falta de amor em nossa falta de atitude, seja o fim do mundo ou o fim de nosso relacionamento sincero com Deus. Este é um prelúdio do fim…

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CALE-SE ENQUANTO É TEMPO

É inevitável responder alguém, principalmente quando este começa a falar besteira. Pior ainda é quando o assunto é de nossa área de estudo. Nem sempre conseguimos ficar quietos, é automático responder e tentar mostrar para a pessoa seus equívocos, o problema é que muitas vezes  (ou quase sempre),  a pessoa não aceita que está errada e diante disso o que se segue são muitas vezes as mesmas sequências desastrosas de uma tentativa de conversação.

Não gosto de perder tempo com quem não gosta de dialogar, a boa conversa vem sempre com muita humildade, troca de experiências e aprendizados, sendo que em um bom diálogo o que podemos concluir é que podemos estar errados ou reforçarmos nossos bons  pontos de vista. Isso é diálogo, o que passa disso é só gente orgulhosa tentando estar certa a qualquer custo.

O pior é que nem sempre você percebe que o seu interlocutor é o tipo que gosta de estar certo, contudo, após suas primeiras palavras, é inevitável perceber e ao mesmo tempo, se ver preso em uma teia de discussões sem fim.

O caminho é quase sempre o mesmo,  por isso, anote o percurso para que você não perca tempo seguindo por esta viela mal iluminada.

Quase sempre você responde uma questão  de forma inocente e amistosa, com o propósito de apontar para seu amigo seu equívoco ou apenas para se sentir útil respondendo uma questão no qual você entende. Após a resposta,  este tipo de pessoa responde com uma observação absurda ou fraca. Diante da situação, se você continua o diálogo você vai se ver em uma discussão sem fim com alguém que não procura a verdade e sim  estar certo a qualquer custo. Se você fica quieto, você têm que lidar com o fato de que você pode sair da conversa como alguém que perdeu a discussão e se você for um pouco orgulhoso, isso será um problema. Com isso, está em suas mãos engolir o ego e deixar para lá, ou soltar o orgulho e responder o camarada, caindo em um abismo sem fim de discussão e troca de farpas (isso nas melhores das hipóteses)

O problema é que quem quer estar sempre certo na maioria das vezes apela, exagera ou distorce as questões a fim de ganhar a conversa, com isso, o desafio de responder e refutar o camarada se torna grande.

Lembre-se de uma coisa, nem sempre quem ganha a discussão tem um bom argumento, às vezes o orador apenas fala bem. Por isso aprenda a analisar os argumentos de um debate e não se deixe envolver pelo modo eloquente de quem quer estar certo. Arthur Schopenhauer no livro “38 Estratégias Para Vencer Qualquer Debate”, fala justamente destes na introdução do seu livro:

“É chocante ver com que frequência ter razão e ficar com a razão não são equivalentes; que o vencedor de uma discussão não é o que está do lado da verdade e da razão, mas sim o que é mais espirituoso e sabe lutar de maneira mais ágil” (SCHOPENHEUER, p. 8)

Conheço muitos que vivem discutindo, assisto pessoas que gostam muito de debates e troca de ideias, seja as mais acaloradas ou não. O problema é que eu não tenho mais tempo para perder com quem não quer dialogar.

Aprenda que ter razão não é o caminho da relevância, entenda que é melhor gastar tempo com quem quer aprender e trocar ideias, do que com quem só quer ganhar o debate.

Por isso que ao menor sinal de orgulho o meu conselho é “cale-se enquanto é tempo”, caso contrário, você se verá em um grande espiral de discussões que não te levará a lugar algum.

BIBLIOGRAFIA

SCHOPENHAUER, Arthur, 38 Estratégias Para Vencer Qualquer Debate, Aarte de ter razão, Faro Editorial, São Paulo, 2014.

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BATALHAS SECRETAS

“Por trás do cadáver no reservatório,

Por trás do ressentimento em uma relação,

Por trás da senhora que dança e do homem que bebe de forma insana,

Por trás do olhar de fadiga, da crise de enxaqueca e do suspiro,

Há sempre outra história, há mais do que nos chega aos olhos”

(W. H. Auden) (YANCEY, 2004, p. 29)

Há muito tempo fomos convidados para uma comemoração. O casal queria reunir os amigos para celebrar um momento muito especial em suas vidas, a grande questão era que eles não tinham condições de pagar por uma festa, por conta disso, propuseram uma festa nos moldes “festa por adesão”, mais conhecido como “cada um paga o seu”.

Foi legal ir e participar daquele momento especial e ainda poder rever os amigos. O restaurante era ótimo além de não ser tão caro, e o momento muito especial, por isso, nenhum amigo deixou de ir. O problema era que nem todos podiam pagar a conta, pois em meio a festa, um convidado tomava apenas um refrigerante. Era destoante, totalmente contraditório, mas ninguém via, todos estavam preocupados em comemorar.

O poema de W. H. Auden toca muito o meu coração, ele revela uma mensagem muito importante que eu resumiria como: “cada um tem as suas batalhas, nós não conhecemos a luta do próximo”.

Nem sempre o que vemos é o todo, quase sempre o que enxergamos é apenas uma ponta do que realmente está acontecendo. Existem histórias por trás das pessoas, batalhas que só quem está passando sabe como funciona.

Em meio a comemoração, ou entre nossas realizações e conquistas, existem muitos que enfrentam batalhas que muitas vezes nós não vemos. E quando descobrimos, muitas vezes não entendemos. São muitas variáveis para que consigamos entender o outro de forma plena. Tem o nosso ponto de vista, nossas crenças, tem as coisas que consideramos desafiadoras que muitas vezes usamos como medida para entender o próximo e nossas vivências que influenciam o modo como ouvimos e interpretamos o outro. Por isso que o respeito é importante na hora de ouvir alguém e compreender suas dificuldades.

Este meu amigo estava passando por dificuldades financeiras e estava com vergonha de falar. E como ele queria estar entre amigos, pediu só uma bebida, dando uma desculpa qualquer para não comer, a maioria aceitou a desculpa, o “problema” foi que alguns desconfiaram e resolveram investigar mais. É claro que nós intervimos e de forma sutil ajudamos. Ninguém tinha sobrando, mas foi fácil nos unir para acudir o amigo.

Em meio as suas comemorações aprenda a olhar em volta, às vezes por conta da alegria e do momento de comemoração, não vemos o outro. Aprenda que cada um tem suas dificuldades, entenda que sempre há uma história por trás de uma pessoa, e esta história deve ser ouvida e compreendida sem nossos pontos de vista. Cada um sabe onde dói o calo, cada um tem seus medos e dificuldades, diminuir a dificuldade alheia por achar uma dificuldade pequena é seguir sem empatia, acreditando que tudo gira em volta de você.

Nem sempre a luta que você vê é a que está sendo travada. Quase sempre existe muito mais história do que o que apenas vemos ou ouvimos. Pois uma luta é única, cada batalha tem um teor e um nível de dificuldade que só quem está enfrentando sabe como é.  

BIBLIOGRAFIA

YANCEY, Philip, Rumores de outro mundo, A realidade sobrenatural da fé, Editora Vida, São Paulo, 2004.

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A ODISSEIA DA DOR IV: A CRUZ DE CRISTO

O homem tem a mania feia de reclamar, é comum reclamarmos ao sinal dos menores problemas, e, apesar de Jó ter reclamado um pouquinho mais adiante no texto, o que ele fez antes foi justamente ficar quieto. O capítulo 2 acaba justamente em silencio de Jó (2:13)

Confesso que este silêncio me intriga, pois é difícil mantermos quietos em meio ao caos, não é? É muito raro vermos pessoas sofrerem quietas, normalmente botamos a boca no trombone, gritamos para o mundo e até algumas vezes oramos indignado a Deus, perguntando o porquê dele permitir tais problemas. Isso sem contar com os inúmeros exemplos na bíblia que você lê em Salmos, Lamentações ou até mesmo nas cartas de Paulo, quando ele ora e insiste para que Deus que o cure. Mas Jó ficou quieto, intrigante.

Talvez estivesse pensando e tentando lembrar se fez algo de errado ou tentando achar um motivo para aquele sofrimento todo, não sabemos, só sabemos que ele se silenciou por sete dias. Lembre-se que Jó não sabia da conversa entre Deus e o diabo, ele sofria sem saber o motivo.  Ele era justo e sabia disso, com isso, reclamar por seus direitos era o mais óbvio a se fazer, mas ele preferiu o silêncio. As vezes o silêncio é a única atitude certa, ele nos impede de falarmos besteiras e tomarmos atitudes erradas, infelizmente, o seu silêncio foi por poucos dias, embora isso não tire o seu mérito. A dor é inexplicável, estar entre o caos não é tão fácil assim e nem sempre teremos respostas para os nossos problemas, mas é possível passar por este período com os pés no chão. Contudo não posso cometer o erro de falar da dor, sem antes falar de Cristo, seria um erro dos mais graves se eu deixar o assunto passar.

A Cruz é uma prova que o justo sofre, é a ação de um Deus que se doa, mesmo sendo o único e verdadeiro justo que morreu em nosso lugar. Eu não consigo imaginar, quantificar e muito menos explicar um Deus que despe-se de toda a sua glória, para vir ao mundo como um limitado ser humano, e se doa por amor. A própria atitude é sem explicação, com isso eu me lembro de mais alguns questionamentos.

Eu tenho muitos amigos ateus, sendo que um deles, de uma forma bem enfática e um tanto raivosa, um dia em uma discussão, falou que um Deus não pode morrer, é inconcebível falar de um Deus que se doa e que sofre por amor a homens. Eu concordei com ele, reiterei que sim, este ato altruísta é inexplicável, conquanto, Deus também não se explica, seria igualmente contraditório nós, seres humanos, explicamos Deus. Com certeza, falei para ele, que o dia que conseguirmos explicar Deus, estaremos totalmente equivocados. Se o sofrimento já é um tanto quanto difícil de se explicar, quem dirá Deus. Mas, uma coisa temos certeza, quando falamos do Deus da cruz, este inexplicável Deus que sofreu, falamos de alguém que “entende a nossa dor”

Em um mundo de dor, em uma sociedade injusta onde muitos sofrem, onde a impiedade e o preconceito reinam, saber que Cristo passou por tudo isso, sofreu, se doou, foi injustiçado, é um alívio. Pois uma coisa podemos ter certeza nesta hora, Deus entende a nosso sofrer. John Stott, no livro Por que sou cristão complementa:

O único Deus em quem eu creio é aquele que Nietzsche, filósofo alemão do século 19, ridicularizou, chamando-o de Deus sobre a cruz. No mundo real da dor, como adorar a um Deus que fosse imune a ela? (STOTT, 2004, Pg. 67)

 Em um mundo de dor, seguir a um Deus que entende o timbre da dor, nos seus níveis mais extremos, é um alívio, foi o que me consolou, foi o que me fez chorar e clamar, por saber que ele me entende.

Em meio a minha crise de fé, procurando respostas, tentando achar explicação para todo o cinza, nem sempre eu conseguia orar. Tinha dias que eu levantava da cama e ficava apenas em silêncio, quieto, tentando achar sentido ante todo o caos. Era bem nestas horas que a imagem da cruz vinha em minha mente, as cenas de sofrimento e escárnio me faziam lembrar de que Deus me compreendia, com isso, eu me sentia consolado, por saber que ele entendia a minha aflição.

O propósito desta série de textos é muito mais que explicar, é compartilhar a minha odisseia, é mostrar os caminhos percorridos e mostrar que nem sempre racionalizamos tudo, mas que é possível encontrar alento em meio ao caos.

BIBLIOGRAFIA

STOTT, John, Por Que Sou Cristão, Editora Ultimato, Minas Gerais, 2004

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5 ANOS DO BLOG

Parece que foi ontem que eu comecei a escrever e quando vi, lá se foram 5 anos, quase 500 textos e mais de 70 mil visualizações. O que começou como algo sutil, sem muitas perspectivas, hoje virou um projeto que superou as expectativas, pelo menos as minhas, afinal, são mais de 100 acessos diários, tendo dias que chegam a mais de 200, coisa que eu já considero grande. Nunca esperei que o blog chegasse a tantos acessos, preferi me concentrar em escrever e estudar, ao invés de criar grandes expectativas.

Agradeço a todos que me têm dado retorno, feito sugestões e interagido, e a todos que já colaboraram, muito obrigado. Que venham mais 5 anos!

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REINO DE DEUS

Certa vez, tendo sido interrogado pelos fariseus sobre quando viria o Reino de Deus, Jesus respondeu: “O Reino de Deus não vem de modo visível, nem se dirá: ‘Aqui está ele’, ou ‘Lá está’; porque o Reino de Deus está entre vocês” (Lucas 17:20,21)

Em nossos dias temos muitas teorias de como será a vinda de Cristo, onde será o céu, se a terra vai ser restaurada ou não, enfim, são muitas especulações, sendo que na época de Jesus não era diferente. Muitos naquele tempo acreditavam que o Messias viria para libertar o povo judeu das garras do reino de Roma:

“A pergunta dos fariseus alicerçava-se sobre um conceito bem formal do reino divino, que para eles na verdade deve ser equiparado ao “reino messiânico”. Eles imaginavam a vinda do reino de Deus, ou seja, do “reino messiânico”, como um acontecimento histórico súbito, exteriormente grandioso, que poderia ser verificado com precisão como espectador” (RIENECKER, 2005, p. 357)

Seria uma restauração, um novo começo e era justo esta a pergunta que os fariseus faziam para Cristo, só que e o que Jesus lhes respondia era justamente o contrário, este reino não era um reino político:

“Jesus queria dizer que o Reino de Deus já estava presente na pessoa de seu Rei. O Reino já estava ali”.

“Os fariseus não conseguiam ver isso. Tudo o que viam era um carpinteiro da Galiléia, um fanático empoeirado que atacava a posição deles, bem como a eles próprios” (RICHARDS, 2013, p. 798)

Cristo inaugurou um outro reino, que não é terreno, não é calcado nas coisas finitas deste mundo e sim, um reino espiritual, encarnado na pessoa de Jesus e dos seus seguidores.

Eu respeito os irmão que acreditam no reino milenar de Cristo aqui na terra e em todas as interpretações a respeito do milênio. Mas a meu ver a Bíblia é clara, o nosso reino é espiritual, não é terreno. Jesus veio para mudar nosso coração, transformar a nossa vida e não nos dar coisas e regalias aqui neste mundo:

“O ser humano em sua cegueira natural anseia por condições melhores, não, porém pela melhora do coração. Visa uma nova realidade, não, porém um novo pensamento” (RIENECKER, 2005, p. 358)

Cristo veio transformar vidas, dar o exemplo de como é ser cristão, ele não veio para reinar de forma política no mundo e sim em corações. É claro que um dia Ele virá, mas enquanto não vem, o reino d’Ele é em nosso coração e nós seus seguidores fazemos parte deste reino.

BIBLIOGRAFIA

Bíblia Sagrada – Bíblia de Jerusalém; Paulus, São Paulo, 2013

RICHARDS, Lawrence, Comentário Bíblico do Professor, Um Guia Didático Completo Para Ajudar no Ensino das Escrituras Sagradas do Gênesis ao Apocalipse, Editora Vida Acadêmica, São Paulo, 2013

FRITZ, Rienecker, Evangelho de Lucas, Comentário Esperança, Editora Esperança, Curitiba, 2005

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