A FORÇA DA DISCIPLINA

Descobri o poder da disciplina ainda criança, quando eu quis aprender a tocar bateria, mas ninguém quis me ensinar. Quem perderia tempo com uma criança? Ninguém quis perder, entretanto preferi ao invés de lamentar, persistir. Na vida ou você luta ou se entrega, vai do ponto de vista e do preço que cada um prefere pagar.

Na minha inocência de inexperiente, comecei a ver os bateristas tocarem e a imitar o movimento, e com muito empenho aprendi, assim, sem auxílio algum.  É claro que depois vem muita gente ensinar, querendo ganhar os louros por ser professor de um jovem baterista, como eu nunca liguei, me aproveitei da boa vontade, mesmo que pouca, pois na maioria das vezes precisei correr atrás.

A música me ensinou a ter disciplina, a praticar sem desistir. Ninguém segura um amante, e como eu era um apaixonado pela música, consegui aprender, mesmo que pouco motivado.

Tudo vai de você achar o que mais gosta e sem demora traçar um plano, toda a disciplina começa com dedicação e muito tempo de empenho. Ou você aprende a se dedicar e a praticar muito ou você desiste ante o menor obstáculo, o hábito surge assim, com persistência e força. Aristóteles define o hábito usando uma citação do poeta e filósofo Eveno:

“O hábito, meu amigo, é tão somente uma longa prática. Que por fim faz-se natureza” (2001, p. 155)

Persista, jogue de lado o prazer de mergulhar na preguiça e inutilidade e mergulhe na prática, que aos poucos aquilo passa a fazer parte de você. A preguiça, o descaso, a falta de vontade é inerente ao ser humano, nós já temos de forma natural, não precisamos cultivar. Agora o estudo, a leitura, a prática isso temos que cultivar, ir contra nossos impulsos para que fique introjetado em nossa vida e é a única forma de sair do lugar.

Precisei também aprender a lidar com críticas, pois ninguém quis me ensinar a tocar, mas todos quiseram colocar algum defeito na forma que eu estava tocando. Foi importante ser inteligente e reter da crítica o que era bom, afinal, como eu disse, na maioria das vezes eu estive aprendendo sozinho, não tive ajuda, por isso, precisei das críticas, até das falas maldosas e invejosas, para assim tirar alguma lição. Ou você usa a cabeça ou segue batendo em tudo quanto é canto. Quando não temos um professor, precisamos usar os críticos, e eu usava, perguntava e tentava ouvir, nem sempre conseguia, pois alguns eram pedantes demais, mas quando conseguia eu aprendia.

Por fim, o mais óbvio que eu fazia era separar um tempo. Se você não aprende a parar para se dedicar, você não desenvolve. Ou paramos, nos concentramos, estudamos, ou seguimos sem nos desenvolver.

É um passo de cada vez, passos curtos, realistas, não é o tempo que conta, mas a qualidade do tempo separado. Não adianta você separar horas, mas não se concentrar no assunto, pouco tempo bem aproveitado é muito, que no mais, você automaticamente vai aumentando.

Estas lições que aprendi com a música, levei também para a vida acadêmica, o principio é o mesmo, o caminho do estudo é igual e com percalços parecidos. Quem trabalha e estuda sabe bem disso. Depois de um dia de trabalho você não quer ir estudar, o corpo prefere descansar e se jogar no vazio da inutilidade, se não persistimos nos entregamos.

A disciplina é uma força que precisa ser cultivada, principalmente se você quer ser relevante. Uma pessoa disciplinada consegue chegar lá, sejam quais forem as tribulações, por isso, não perca tempo e aprenda a ser disciplinado.

BIBLIOGRAFIA

Aristóteles, Ética a Nicômaco, Editora Martin Claret, São Paulo, 2001.

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EQUILÍBRIO – JOHN STOTT

“Comprometimento sem reflexão é fanatismo em ação; reflexão sem comprometimento é a paralisia de toda ação” (STOTT, 2012, p. 21, 29)

Talvez um dos maiores desafios do ser humano é ter equilíbrio, uma boa parte de nós, ou até quem sabe a maioria, não consegue se engajar em algo com o pé no chão, nem perceber as contradições e os pontos fracos de sua forma de pensar, religião ou partido político. Somos mestres em entrar em uma empreitada de forma cega, sem reflexão e coerência.

Com isso vemos cristãos alienados, que ouvem seus pastores sem questionar suas contradições. Ou engajados políticos que acreditam que os seus partidos são a solução para o Brasil. E tem até aqueles que acreditam que o seu modo de pensar é o mais coerente, enquanto todos estão errados, são burros e ignorantes.

Eu gosto sempre de frisar que ter equilíbrio não é tarefa fácil, é um desafio dos grandes, não é para qualquer um. Acreditar em algo, ou seguir algo, sem perceber os equívocos deste algo é uma atitude das mais normais. Principalmente quando temos boas experiências, fazemos boas amizades, ou encontramos a solução para o nosso problema neste determinado lugar. O homem é mestre em transformar experiências pessoais em regras, sejam cristãos ou qualquer outro tipo de pessoa.

Ter equilíbrio é como andar em uma corda bamba, é preciso conseguir dar os passos sem cair para qualquer um dos lados. Será totalmente fatal se um equilibrista se atrapalhar e cair, não importa o lado, a queda por si só já será letal, na vida não é muito diferente.

Comprometimento sem reflexão gera fanatismo, entrar em uma causa sem refletir, ponderar e verificar todas as variantes é perigoso e mortal para a fé.  Lembre-se que o fanático é intolerante, ele não gosta de ouvir e muito menos de dialogar. Nós não podemos impor a nossa fé, muito menos fazer o outro engolir nosso ponto de vista a força, quem faz isso é fanático, é intolerante que acredita ser o dono da verdade. Entretanto, o oposto é também verdadeiro, já que estamos falando de equilíbrio.

Não adianta sabermos refletir, termos conhecimento e sabedoria, se não temos ação. Não adianta você ser um cara crítico, que sabe enxergar as contradições em todas as áreas, se você não faz nada, se não tem ação ou movimento.

Ser apático as coisas é estar do lado oposto de quem quer impor. O homem relevante, o cristão sábio, busca ter equilíbrio, tenta estar sempre no meio, se policiando, vendo suas contradições e agindo.

Lembre-se que não existe perfeição, com isso, você vai ter que aprender a conviver com algumas contradições a fim de que não penda para qualquer um dos lados. Quando falamos do ser humano, temos que ter em mente que a imperfeição é um dos pontos principais deste ser.

Certo dia encontrei um amigo que há muito tempo não via, ele era cristão, mas há anos que não ia mais à igreja. Ele me falou que não frequentava mais, pois tinha muita coisa errada na igreja. Eu concordei e completei falando que: “onde têm pessoas, têm equívocos, não dá para exigir perfeição de ninguém, pois somos todos imperfeitos”.

Aprenda a ter equilíbrio, entenda a importância de aprender a ser equilibrado e ponderado. Não dá para cair nos extremos, ainda mais se tratando de nós seres humanos.

Entenda o quanto somos limitados, o quando estamos propícios a erros e relaxe um pouco. Por mais que tenhamos a nossa fé, que temos as nossas certezas e verdades, podemos estar errados em muita coisa. Aprenda a dar espaço para a outra pessoa falar e crer entenda que não podemos forçar, temos que aceitar a liberdade que o outro tem de discordar e aprender a conviver com isso.

Não se esqueça também do outro lado, da estagnação, do fato de que saber refletir não é muito quando junto não vem a ação. Precisamos buscar um centro, encontrar um equilíbrio para não pender nem para um lado e nem para outro.

 “Viver é andar na corda bamba, por isso, equilibre-se”

BIBLIOGRAFIA

STOTT, John, Crer é também pensar, Editora ABU, São Paulo, 2012

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CABELOS E LEGALISMOS

Um filho doente nunca é uma boa notícia, ainda mais criança, em seus plenos poderes de sua fragilidade e simplicidade. Um pai nunca fica tranquilo diante dessa situação, coisa que aconteceu com uma amiga.

Sua filha estava muito doente e precisou ficar internada, e se já não bastava a própria doença, que sempre nos tira o controle fazendo com que sejamos reféns de terceiros, ela precisou utilizar um hospital público.

A parte boa de ter dinheiro é justamente ter um pouco de conforto, eu nunca liguei para o status que o dinheiro dá, acredito no dinheiro de forma utilitária, tentando sempre fazer com que ele cumpra a sua função, que é nos dar um pouco de sossego e tranquilidade. Sendo que no caso desta mãe, o dinheiro proporcionaria a ela acesso a um hospital particular, com quartos privativos e um pouco mais de tranquilidade, coisa que ela não teve, infelizmente.

Por fim, lhe restou apenas a falta, por Deus, pelo menos o hospital público lhe era possível, pelo menos a certeza que a doença iria ser tratada era certa, mesmo que sem o conforto de um hospital particular.

Esta mãe era cristã, de uma igreja que tinha alguns usos e costumes, um dos principais era não cortar o cabelo. Por conta disso, esta mulher tinha um cabelo que ficava abaixo da cintura, diante do fato, uma ideia lhe surgiu, vender o cabelo.

O dinheiro oferecido foi grande, um valor que lhe ajudaria a cuidar de sua filha, e ainda ter algum conforto, além de suprir gastos eventuais de remédios e coisas básicas. A solução lhe pareceu óbvia e sem titubear, ela cortou o cabelo. Até aqui a história é uma história um tanto quanto normal, com um ótimo fundo de superação e final feliz, se não fosse pelo pastor de sua igreja.

O pastor não gostou do seu corte de cabelo, acabou por condenar-lhe e de quebra expulsou aquela mãe da igreja, afirmando que a sua atitude foi pecaminosa e mundana.

Infelizmente a história é verídica, não bastou a doença, a mãe teve que lidar com esta situação, coisa que fez bem, pois ela não culpou Deus e seguiu com sua fé em outra igreja. O problema é que os casos são muitos e nem todos têm a garra que esta mãe teve, com isso, acabam por transferir para Deus a culpa, ou seguem a margem da mesma religião que deveria ajudá-la.

O legalismo não produz frutos, o resultado principal é sempre podre a mal formado. Não existe resultado coerente e construtivo em quem vive o evangelho de forma pedante e sem amor.

O legalismo é fruto de mentes hipócritas, de quem vive uma vida de orgulho e soberba. Sabe-se muito de quem não demora em julgar. A conclusão para quem não ama o próximo e demora em ajudá-lo é que “esta pessoa não conhece o evangelho”.

Cristo pregou a mensagem da graça, sendo a graça não só a prova de que por nós mesmos não pode haver salvação, mas também a prova que somos todos iguais. O homem é pecador, todos os homens precisam de Deus.

O evangelho legalista vem de mentes superiores, de pastores que olham de cima e se sentem os escolhidos, os mais santos, os especiais. Miroslav Volf complementa:

“Para os cristãos, a fé produz efeitos devastadores quando se deteriora e se torna uma mera cultura pessoal ou um recurso cultural de pessoas cuja vida se guia por qualquer outra coisa exceto essa fé” (VOLF, 2018, p. 40)

No fim, o que concluímos é que alguns vivem o “evangelho” dos usos e costumes, se prendem a ensinos que são passados sem qualquer base Bíblica, fazendo com que o legalismo, oriundo de uma vida baseada em obras, seja o que realmente dita o modo de ser cristão.

O evangelho genuíno traz amor, compreensão e paciência pelo erro alheio. Um convertido genuíno entende que cada um tem os seus erros, cabe a nós sermos apoios, e não acusação. Não se trata de compactuar com o erro, e sim ajudar a pessoa chegar na superação de suas dificuldades.

Não somos salvos por obras, roupas ou o que quer que seja, e sim, pela graça. Sendo que não existe um estilo de se vestir, mas uma forma de ser, tendo o evangelho como centro das nossas vidas. O que passa disso geralmente é legalismo, por isso, tome cuidado.

BIBLIOGRAFIA

VOLF, Miroslav, Uma fé pública, Como o cristão pode contribuir para o bem comum, Editora Mundo Cristão, São Paulo, 2018

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MISSÃO URBANA IV: VIDA EM SOCIEDADE

Engana-se quem acha que a cidade é uma invenção nova, ao contrário, é muito antiga, sendo que já naquela época existiam cidades relativamente grandes. Alguns pesquisadores afirmarão que a Babilônia há 2500 a. C, teve cerca de 80 mil pessoas, e a Ur na Mesopotâmia 50 mil pessoas, sendo que um pouco depois surgiu Mênfis e Tebas no Egito, e muitas outras cidades, fazendo parte do que é chamado de civilizações hidráulicas, que eram cidades dependentes dos rios. Nínive, aquela cidade no qual Deus mandou Jonas pregar, é um bom exemplo destas civilizações hidráulicas. A tal cidade era localizada as margens do Rio Tigre na antiga Assíria. A parte interessante é que em Jonas 3:3 o texto bíblico diz que a cidade era tão grande que uma pessoa levava três dias para atravessar.

Com o tempo, surgiu cidades ainda maiores como Atenas com 250 mil pessoas e Roma que chegou a ter mais de 1 milhão de habitantes, permanecendo por séculos como a única cidade a chegar neste tamanho. O interessante é que muitas destas cidades são citadas na Bíblia, conquanto a Bíblia situa a primeira cidade surgida muitos anos antes, vinda do próprio Caim, como vimos.

É importante lembrar que desde que o mundo é mundo, o homem vive em sociedade. Chesterton no livro O homem eterno defende o ponto de vista que desde que o mundo é mundo o homem vive em grupos, pelo menos algum tipo de sociedade, sendo que grandes impérios como o egípcio e o babilônico são prova disso, já que eram muito antigos:

“A aurora da história revela uma humanidade já civilizada. Talvez revele uma civilização já velha. E, entre outras coisas mais importantes, revela a insensatez da maioria das generalizações acerca do período prévio e desconhecido quando a humanidade era realmente jovem” (CHESTERTON, 2010, pg. 59)

Falando em grupos e sociedade, eu lembro que alguns teólogos defenderão a ideia de que ter a imagem e semelhança de Deus é justamente ter a necessidade de viver em comunidade, assim como Deus é uma comunidade, um em três.

Durante a idade média, as pessoas viviam em feudos, era impossível viver fora deles por conta de toda a violência que existia no lado externo. A parte ruim é que era uma sociedade bem restrita, uma vez pertencendo a um feudo, você não mudava mais. Sendo que basicamente um feudo era dividido em clero, nobreza e campesinato.

O clero estava no topo de tudo, sendo que estes tinham grande influência junto aos reis e proprietários de terra, além de deterem o poder da leitura e da escrita, que era um privilégio que poucos tinham. Logo depois vinha a nobreza que possuíam as terras e controlavam os feudos. E depois vinham os camponeses que viviam uma vida bem dura, em um regime de total servidão.

Além destes a sociedade medieval também tinha os escravos, que não eram tantos e em sua maioria faziam os trabalhos domésticos, e os vilões, que eram basicamente camponeses livres que serviam aos senhores por um tempo e depois iam embora para outros lugares, sendo que eles tinham uma vida totalmente livre. Lembrem-se que vilão não é só aquele personagem mal de um filme ou novela, mas também, segundo o dicionário:

“Aquele que não é nobre; desprovido de nobreza; plebeu” (Dicio)

Lembrando que na época onde a igreja tinha muita influência, ir contra a exploração e desigualdade era uma afronta a vontade de Deus, no fim vemos como a igreja colaborava com este regime de exploração.

A transição deste tipo de sociedade feudal para a capitalista veio através da Idade Moderna, que segundo a história é um período entre os séculos XV e XVIII.

Eram os europeus que se denominavam de modernos, e o período marcou como uma espécie de ruptura com a Idade Média. É claro que o feudalismo não acabou de uma hora para outra, foi um processo bem demorado, mas a Idade Moderna marcou o inicio deste processo.

A principal marca deste período foi no âmbito econômico, científico, social e religioso, que deu um certo rumo para o que chamamos de capitalismo e os principais acontecimentos foram: As grandes navegações, o renascimento, as reformas seja a Reforma Protestante (1517), A Reforma Calvinista (1541) ou a Reforma Anglicana (1534), o absolutismo, O iluminismo e a Revolução Francesa, que foi impulsionado pela burguesia, tendo como participantes principais, os pobres, camponeses as grandes massas que viviam na miséria.

É aqui que o pensamento muda, que a igreja é confrontada, que as teorias surgem e o homem começa a acreditar que consegue solucionar tudo por si só. A ciência era a grande esperança, a razão a única bússola, e o homem o senhor de si.

Este é o pano de fundo para um período muito importante que é a Revolução Industrial. É fundamental entendermos para entender a revolução e toda a mudança que a cidade teve. A Missão Urbana depende que entendamos este momento, para quando olharmos a cidade percebamos como funciona a dinâmica e o que temos que fazer para sermos diferença.

BIBLIOGRAFIA

CHESTERTON, G. K, O homem eterno, Editora Mundo Cristão, São Paulo, 2010

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OS TRÊS PILATES DA BOA DISCUSSÃO

Já ouvi de professores que debates são importantes, faz com que revisitemos a nossa opinião, que troquemos experiências e aprendamos mais. Mas o ponto principal do debate, segundo estes professores, é que é através do debate que conseguimos verificar se a nossa argumentação é boa ou se estamos errados.

Existem inúmeros problemas com esta forma de pensar, o principal deles é que nem sempre quem fala bem, tem bons argumentos, por isso podemos estar debatendo com pessoas que só sabem falar bem e tem como principal objetivo ganhar o debate. Este tipo de pessoa não acrescenta, não nos faz refletir em cima de nossa opinião, com isso, fico em dúvida se vale a pena entrar em uma empreitada destas ou não. Quem sabe se conhecermos a pessoa sim, caso contrário, é impossível termos certeza se tal momento é bom ou ruim, mas este ainda não é o principal motivo no qual ou não gosto muito de debates, meu motivo está em cima da falta do que eu chamo de “os três pilares do bom debate”. Geralmente eu só entro em discussão quando tenho certeza que estes pilares existem.

O primeiro pilar é a argumentação embasada. Está é a parte importante da conversa é a base do meu ponto de vista. Um bom acadêmico ou profissional forma sua opinião baseado em fatos, estudos, bibliografias, análises amplas, ele verifica os fatos de todos os ângulos e opiniões sólidas. Ele estuda, aprende e reflete sobre tudo, sendo que o resultado vai ser a boa opinião. Dependendo do assunto em uma conversa ou debate eu cito até alguns livros para embasar o meu pensamento. Gosto de ensinar e incentivar as pessoas a ler, com isso eu não consigo deixar de citar bons autores.

Se eu não entendo do assunto eu me calo, posso até dar as minhas percepções, mas não insisto em discutir e opto por ouvir. Se eu não sei, eu não sei, é perca de tempo falar do que não sabemos e se a pessoa sabe, o inteligente é ouvir e aprender, sendo que na dúvida, pesquiso depois.

O segundo pilar é o ouvinte. E esta é a parte que me faz entrar ou não em debates, sendo que este pilar tem várias variantes. Se você está conversando com alguém que não te ouve, você só estará jogando conversa fora, e se ele tiver a intenção de apenas ganhar o debate pior ainda, você vai só perder tempo, pois o ouvinte vai fazer de tudo para estar certo, até apelar no debate, sendo que estas são as primeiras variantes.

A segunda variante do ouvinte é o fato dele não dominar o assunto, aí você vai ter um problemão, pois vai ter que explicar de forma detalhada o assunto para ele te entender, isso se entender. A terceira variante é se ele acha que entende do assunto, aí o caos está armado, pois você vai estar falando com alguém que tem como base apenas o que ele acha e não no que ele se informou, com isso, ele poderá pegar o seu ponto de vista embasado e distorcer, o que é um problema.  

Veja bem, ensinar é uma troca, sendo que quem aprende deve estar aberto a aprender, refletir e chegar a um denominador comum, em um debate, dificilmente existe este espírito. Geralmente quando eu emito a minha opinião eu espero para ver a reação da pessoa, dependendo de como ela recebe a opinião, eu não perco mais tempo.

Eu gosto de ouvir, acho lindo pessoas que sabem do que estão falando, tento sempre respeitar a opinião alheia, mesmo que diferente da minha e convivo com o diferente numa boa. Nem todos com que eu debato ou troco opiniões, concordam comigo ou eu com ele, mas na maioria das vezes nós não apelamos e sabemos como lidar com a opinião oposta, este é o segredo, estes são os que valem a pena debater e conversar, pois existe base a respeito em suas argumentações.

O terceiro pilar é a intenção. Se o motivo do debate é apenas medir ego, estar certo ou ganhar, o debate já está perdido. Sendo que uma boa parte das discussões tem como base este motivo, por isso, ao menor sinal de ego, eu fujo, não perco o meu tempo mesmo. Não gosto de medir ego, gosto de pensar, trocar informações, entender o porquê a pessoa pensa da maneira que pensa e refletir. Ganhar uma discussão é sempre pouco.

Eu já me calei ante assuntos em que eu entendia tudo porque o argumentador não gostava de ouvir. Mas eu também já tive boas conversas, onde o respeito pela pessoa só aumentou.

O oposto é também muito verdadeiro, se a nossa intenção for só ganhar, mostrar que sabemos, é melhor nos calarmos. É um tempo perdido querer nos mostrar só para rebaixar alguém ou mostrar que somos superiores. Cada um tem suas limitações, ninguém sabe de tudo, com isso o respeito é importante a fim de sermos relevantes.

Um dia eu estava falando de um assunto da minha área de estudo com um amigo. A minha opinião era totalmente contrária a dele, mas ao final da minha argumentação ele falou, cara  eu discordo de você, mas também não vou conseguir te responder. Eu já li muito, mas não consigo argumentar, na mesma hora eu me calei e respeitei aquela opinião sincera. Ele prometeu pensar no assunto, e estudar mais ainda para um dia conversar comigo, e eu assenti calado respeitando a limitação que todos nós temos.

Respeito, é esta a base de toda a conversa, quando ele não existe, esqueça de debater. Lembre-se que é uma atitude totalmente infantil querer impor ideias, mesmo que estas sejam ótimas, revolucionárias. O caminho é sempre expor, aprender a dialogar e conviver com a opinião contrária. Por isso, antes de entrar em um debate verifique se existem os três pilares da boa discussão, para que assim você não se incomode e perca o seu tempo com quem quer apenas impor suas ideias a qualquer custo.

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VALORIZE-SE

“Se você não é valorizado, valorize-se”

 Eu sou uma pessoa que está sempre incentivando o próximo a ler e a estudar. Eu sempre acreditei que buscar o hábito da leitura e do estudo é importante para sermos mais conscientes e termos um pensamento mais acurado, além é claro, para termos mais oportunidades, com isso, eu me lembro de um acontecimento.

Em uma antiga empresa no qual trabalhei, incentivei um colega de trabalho a estudar, falei para ele de diversas oportunidades que existia para estudar e buscar conhecimento. No entanto ao invés de se animar o cidadão responde que prefere não estudar, pois na empresa ele não era valorizado, não adiantava ele estudar. Já ouvi isso de muitos e a minha tréplica foi justamente “Por isso mesmo que você deve estudar”.

Alguns esperam ser valorizados em seus locais de trabalho e simplesmente desistem quando isso não acontece.  O que eles não enxergam é que quando não somos valorizados, precisamos buscar ferramentas para que a nossa situação mude, seja na própria empresa ou em outra.

Muitos querem ser valorizados, mas não se preparam para isso. Querem mudar de vida, sem fazer coisa alguma. Querem crescer, mas se mantém fazendo as mesmas coisas.

Se neste momento você está reclamando que ninguém te valoriza, se valorize, busque ferramentas para crescer e mudar de vida. Gosto de uma frase, que já vi sendo atribuída a muita gente, por conta disso não sei ao certo de quem é:

“Insanidade é fazer a mesma coisa e esperar resultados diferentes”

Por isso olhe para frente, busque outros caminhos, sonhe planeje e tente sair do mesmo, pois se você não tomar o primeiro passo, ninguém vai tomar por você.

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TEIMOSIA OU DETERMINAÇÃO – ANA CLAUDIA QUINTANA ARANTES

“Teimosia ou determinação dizem respeito à mesma energia, mas são identificadas somente no fim da história. Se deu errado, era teimosia. Se deus certo, era determinação” (ARANTES, 2019,  44)

Quem me conhece sabe que eu não desisto fácil de algo, sou bem consciente de que o que vale a pena não vem fácil, é preciso lutar, se aperfeiçoar, e persistir. A própria história nos mostra isso, foram inúmeros cientistas, pensadores ou escritores que precisaram insistir e ouvir muitos “nãos”, antes de conseguir sucesso em seus objetivos. Aparte interessante é que são muitos os que insistiram, mas que deram errado, o que faz com que o assunto “teimosia ou determinação” fique interessante.

Eu sempre me preocupei ao entrar em alguma empreitada, em não estar sendo teimoso, em não confundir teimosia com determinação, nunca gostei de quebrar a cara ou ver tudo dar errado. O curioso é que não existe formula e a dúvida acaba colaborando para que insistamos no erro ou até persistamos, conseguindo chegar ao sucesso no objetivo.

 Há muito tempo atrás, quando eu estava entrando na música, eu tinha o sonho de ter uma banda. O problema era que eu era um músico iniciante que queria tocar um estilo musical que exigia que eu já tivesse certa técnica. Uma boa parte dos meus amigos falaram que eu não iria conseguir, mas consegui. Posteriormente passei por uma situação parecida quando montei uma banda e também a maioria dos amigos me falaram que não iria dar certo, mas deu, gravei dois CDs e toquei por muitos lugares no Brasil, não fiquei famoso mundialmente, mas na cena do estilo musical, fomos conhecidos.

Hoje sou músico e uso a mesma força de correr atrás, estudar e me dedicar, também em minha vida acadêmica. A banda serviu para que eu aprendesse a me dedicar e entendesse que certas coisas demandam tempo e estudo, mas poderia ter dado tudo errado, não acha?

O problema é que não fazer por medo de perder é perder duas vezes, pois com certeza em alguns casos, você vai ter que conviver com o sentimento de que você poderia ter tentado e até conseguido.

Eu diria nestes complicados casos, que antes de você embarcar em algo, sendo ele uma empreitada que você sabe que vai dar resultado ou não, pare e tente entender o que vai perder, analise bem o que você está disposto a sacrificar se não conseguir. Você se frustra menos ao entrar em algo com o pé no chão. Eu também diria para você não nutrir tanta expectativa, às vezes você pode até conseguir, mas não da forma que você tinha imaginado, com isso você chega lá, embora um tanto quanto distante de onde planejou.

Quando eu resolvi me empenhar em estudar música eu sabia que o máximo que eu iria perder era tempo e a tristeza de não ter conseguido. Não investi um dinheiro alto, não arrisquei trabalho, nem fiz escolhas que fizesse com que eu ficasse em maus lençóis, era só tempo e tempo perdido com aprendizado é sempre tempo ganho, mesmo que o aprendizado fosse saber que eu não levava jeito para tal coisa, por isso resolvi encarar o projeto. Já embarquei em coisas que eu iria perder muito mais que tempo e resolvi arriscar consciente, tudo vai depender de como você encara a situação. Warren Buffett tem uma frase que eu acho que ajuda muito e resume bem o caso:

“Nunca teste a profundidade do rio com os dois pés”

Tenha sempre o pé no chão e cuidado ao apostar tudo. Sempre entre consciente do quanto você pode perder para não se frustrar e aceite o resultado.

BIBLIOGRAFIA

ARANTES, Ana Claudia Quintana, A morte é um dia que vale a pena viver, E um excelente motivo para se buscar um novo olhar para a vida, Editora Sextante, Rio de Janeiro, 2019

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REFLEXO

Algumas mulheres afirmam que conseguem fazer mais de uma atividade ao mesmo tempo e se gabam disso.  Realmente, concordo com o fato das mulheres serem excepcionais ao ponto de conseguirem fazer mais de uma atividade ao mesmo tempo, mas tal efeito, como é descrito normalmente pelas mulheres não é possível. A ciência vai explicar que o que as mulheres têm, em sua maioria, é a capacidade de mudar de foco muito rápido, com isso, conseguem fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo.

Foco é uma prática muito importante, sem foco não fazemos muita coisa e seguimos perdidos, sem objetivos. Conquanto o oposto é também verdadeiro, não podemos viver a vida olhando só para nós, nossas coisas, nossos sonhos, nosso caminho. Se imitamos a Cristo, também precisamos olhar para o próximo, suas necessidades, faltas e urgências e não só para nós.

Trabalhei muito tempo em um lugar que tinha um vidro bem grande e espelhado que dava para uma calçada um pouco movimentada. Era curioso sentar e observar as pessoas passarem e gastar tempo vendo seu reflexo no vidro. Alguns faziam caras e bocas, outros, verificavam o visual ou a maquiagem, e tinha até os engraçadinhos que faziam caretas no vidro, era realmente hilário. O que eles não percebiam era que eu estava atrás do vidro observando e algumas vezes dando muitas risadas.

A vida não é muito diferente disso, se focarmos muito em nós, deixamos de ver o outro logo atrás do vidro, não percebemos que estamos passando vergonha. Se focarmos apenas em nossos objetivos  deixamos passar batido aqueles que precisam de atenção, um cuidado ou uma palavra amiga, e aos poucos, a missão que Cristo nos deu vai por água abaixo.

O fato curioso sobre este vidro é que se você deixar de prestar atenção na sua imagem e focar bem no vidro, você enxerga quem está atrás do vidro (neste caso seria eu), a ironia é que quase ninguém fazia isso.

Viva seus sonhos, observe você, faça planos, mas a vida cristã deve ser vivida também tendo o próximo em mente. Não vivemos sozinhos e se imitamos Jesus, devemos, assim como ele fez, também olhar para quem está em nossa volta.

Quem fica olhando muito para si e só pensa em seus planos, está longe de ser um imitador de Cristo. Por isso aprenda a deixar de focar apenas na sua imagem e tente ver quem está em sua frente.

Quando você deixa de focalizar apenas em si e em suas necessidades, você vai aprender a ser mais humano, a ter mais empatia e vai estar mais perto de ser um imitador de Cristo.

Lembre-se, nós estamos sempre sendo observados, percebemos isso quando deixamos de ver apenas o nosso reflexo e passamos a ver quem está do outro lado precisando de ajuda.

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A DIFÍCIL ARTE DE OLHAR O PRÓXIMO

Aprendi a olhar os outros, como quem olha para si, para os seus defeitos, dificuldades e qualidades. Eu não sou perfeito, ao contrário, o que mais me sobra são os defeitos e é bem por este motivo que eu tento ver os outros como vejo a mim. Um misto de maldade e bondade, qualidades e falhas.

É interessante quando algumas vezes olharmos para trás e vemos quem éramos e o que somos hoje.  Quando eu me lembro de algumas das minhas histórias, erros e equívocos e como eu lidava com estes acontecimentos, eu rio, rio muito, isso quando não me envergonho. Por isso acho difícil não olhar para os outros e ver um pouquinho de si, principalmente em casos de inconsequências e teimosias, eu fui assim, é impossível não me sentir empático.

As vezes acredito que o cara chato, insistente e tagarela pode ser apenas um carente, ou uma pobre alma tentando ser entendida em meio as suas dificuldades, tal qual eu fui.

E o workaholic talvez seja apenas um cara vazio, que busca em seu trabalho a fuga de uma vida sem sentido. Ou pior, que acredita que o sentido da sua vida é trabalhar. Quem sabe, aquele cara teimoso, que não dá espaço algum de diálogo é apenas alguém que apanhou muito e não soube lidar com as dificuldades.

Entender o próximo e suas maneiras é dar uma chance para si por tabela, tendo em mente que nem sempre somos os descolados que imaginamos ser, nem sempre seremos os mais motivados e estabilizados, e nem sempre perceberemos se estamos trilhando o caminho certo.

O tempo passa não se esqueça disso, hoje você pode ser jovem, mas amanhã não mais será. Hoje você pode estar bem, mas amanhã pode estar lidando com algo inesperado. É a lei da vida, sendo que as vezes depois da meia noite, quase sempre a carruagem vira abóbora e o nosso encanto se vai. O tempo é assim, um conto de fadas mal contado, sendo que é ante o cansaço da vida que vem a solidão e a percepção de que o tempo segue e quase tudo muda.

A arte de olhar o próximo é complicada, pois não existe receita, é na tentativa e erro, mais erro do que boas tentativas, sendo que no afã de acertar muitas vezes erramos. Olhar o próximo como único é quase impossível, pois vemos os outros a partir de nós e nossas experiências, e aí é que está o problema.

Ninguém sabe o quanto o sapato aperta, só calçando para ter certeza. Tem dias que o outro vai devagar por conta do caminho, que para nós é um tanto quanto fácil e tem momentos que somos criticados por algo tão comum no ponto de vista da pessoa, que somos ridicularizados por sermos fracos. O problema dos outros é sempre fácil de resolver, o problema nosso que é o desafio.

Por isso digo que ao olhar o próximo, tente entender a partir dele, de suas quedas e dificuldades, trate a dor dos outros como você queria que a sua fosse tratada, afinal, cada um luta a sua luta, e por isso, cada um sabe o quando a estrada é difícil.

Não menospreze nenhuma caminhada, cada um tem seu ritmo, tem suas pedras e a sua estrada.

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TEMPO PERDIDO

“Entenda que o tempo é tudo o que você tem, por isso não desperdice”

Quando novos, costumávamos viver sem nos preocuparmos com o tempo, como se fôssemos eternos, como se o tempo não tivesse fim. Mas quando chegamos a uma certa idade, começamos a perceber que o tempo não é o nosso amigo, aliás, ao contrário, o tempo é o nosso maior problema, pois não temos de sobra para gastá-lo.

O curioso é que somente quando não temos mais tanto tempo é que percebemos quanto tempo perdemos. Quando já estamos mais velhos é que notamos que poderíamos ter agido de forma mais assertiva. É com uma certa idade que percebemos quanto tempo desperdiçamos.

Entenda que o que temos é apenas o tempo, um finito tempo, e para tudo o que fazemos, precisamos entender que o que gastamos é somente ele. Por isso não trabalhe tanto assim, aprenda a ter outras atividades. Ou não pense que a vida é só ficar no sofá. Trabalhar e estudar deve também fazer parte da vida de quem quer crescer e se desenvolver, contudo se desligar, aproveitar o dia com quem amamos ou procurar de vez em quando o ócio criativo é um bom caminho para quem não quer seguir neurótico.

Tempo é a única coisa que temos, por isso, não desperdice agindo como se você fosse eterno. Contudo tenha equilíbrio, a vida não é só estudar, descansar e também não é só trabalhar.

O tempo é a nossa verdadeira moeda corrente, com isso, pense bem como tem trilhado seu caminho, procure o equilíbrio e viva como se não fosse eterno, para que assim, cada instante tenha muito mais valor.

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