TATUAGENS

Na minha inocência, sempre achei que um dia não iria mais precisar responder perguntas sobre tatuagens, se é pecado ou não. Em um mundo tão conectado, onde temos tantas informações ao alcance de um click, achei que um dia isso iria acabar. Mas para o meu grande engano, volta e meia respondo e tenho que me defender de algumas acusações sobre este tema. Então, afim de por uma pedra sobre isso, pelo menos na internet, onde posso mandar o texto para qualquer um que me perguntar, resolvi postar esta explicação.

Começarei com uma breve explanação de como se deve ler e estudar a Bíblia. Muitos acham que a Bíblia foi escrita a partir de vários versículos e que você lendo estes versículos já estará entendendo e poderá aplicar esta palavra em sua vida, ledo engano. Com exceção de provérbios, a Bíblia é composta de vários assuntos e se você ler apenas os versículos destes muitos assuntos terá um enorme problema para entender o que a palavra quer passar

Quando você recebe um e-mail, você não lê apenas algumas frases isoladas e sim todo o conteúdo, para entender a mensagem que o remetente lhe enviou, a Bíblia não é diferente.

A divisão de capítulos e versículos nos dá à possibilidade de nos situarmos no texto para melhor compreendermos a palavra, mas não é um artifício para dividirmos um assunto e usá-lo separadamente do contexto.

Quando você for ler um versículo da Bíblia e fizer uma aplicação pessoal, antes, você deve identificar a perícope (assunto do texto) daquela passagem e ler ela inteira para saber o que aquele texto está querendo passar. Muitas vezes ao usar apenas um versículo e dar a sua interpretação, você acaba se equivocando, por não ler o conteúdo inteiro e não entender todo o contexto daquele capítulo.

Voltando a tatuagem, um dos textos mais usados por pessoas que querem condenar quem tem alguns rabiscos na pele é o texto de 1Coríntios 6:19 que diz:

“Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos?”

O mais curioso é que quando lemos a perícope inteira (assunto), que vai de 1Coríntios 6:12 ao 20, conseguimos perceber que o texto esta falando de imoralidade sexual, vícios e coisas que nos escravizam e não sobre tatuagens e afins, é sobre práticas pecaminosas e não sobre marcar o corpo. Outro versículo bastante usado esta em Levítico 19:28 que diz:

Pelos mortos não dareis golpes na vossa carne; nem fareis marca alguma sobre vós. Eu sou o Senhor”.

 Mais uma vez ressalto a importância de ler com cuidado o assunto inteiro do capítulo. E este por sinal é muito interessante, pois a palavra nos dá inúmeras proibições e entre elas estão: não danifique a ponta da barba, não corte o cabelo redondo, guarda teu sábado e por aí vai.

Este livro da Bíblia é um manual para os sacerdotes poderem desempenhar seu trabalho, principalmente a parte de sacrifícios e algumas festas solenes. Mas falando destas marcas, o texto adverte quanto a práticas de luto da religião Cananéia, que era muito comum naquela época, marcar o corpo para atrair a atenção dos Deuses ou coisa assim. Mas graças a Deus não guardamos mais a lei, afinal, somos salvos pela graça (Gálatas 2:15-21) e estas antigas práticas ficaram no passado.

Aprendi ao longo de minha caminhada cristã a não “demonizar” o que eu acho diferente. Não é porque eu acho estranho, que é pecado. Ser Cristão é ser pequenos Cristos, como eu sempre falo, é ter um padrão de vida e não um estilo de roupa.

Com isso, não quero que você termine de ler o texto e faça um monte de tatuagens. Lembre-se, tudo me é lícito, mas nem tudo me convém (1Coríntios 6:12), pode ser que para você não convenha fazer uma tatuagem.  Apenas quero que reflita, estude e não viva uma vida baseada em falácias, de pessoas que não sabem o que a Bíblia esta dizendo.

 

BIBLIOGRAFIA

GUSSO, Antônio Renato, O Pentateuco, Introdução Fundamental E Auxílios Para A Interpretação, Editora AD Santos, Curitiba, 2011

CHAMPLIM, RN. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo, Editora Hagnos, SÃO PAULO, 2014

CARSON. DA. Comentário bíblico vida nova. SÃO PAULO – SP, EDITORA VIDA NOVA, 2012

CHAMPLIM, RN. Enciclopédia bíblica de teologia e filosofia. 10° ED. SÃO PAULO – SP HAGNOS. 2011

WALTON, John, MATTHEWS, Victor, CHAVALAS, Mark, Comentário Bíblico Atos Antigo Testamento, Editora Atos, Minas Gerais, 2003

WIERSBE, Warren W, Comentário Bíblico Expositivo Warren W. Wiersbe, Geográfica Editora, São Paulo, 2007

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DESERTO

Quem nunca se sentiu abandonado e sozinho que atire a primeira pedra. Ou quem nunca achou que no instante em que orava parecia estar falando com as paredes, com o imaginário, seja o primeiro a atirar.

Momentos de deserto fazem parte de nossa existência, períodos onde tudo parece conspirar contra nós vêm junto com o tal viver. Mas isso não se limita a nós “meros mortais”, ao lermos a Bíblia veremos inúmeros servos de Deus na mesma situação.

Elias foi um deles, que após se esconder da rainha Jezabel, desejou a morte (1Reis 19:4)

E o que falar de Jó, que desejou morrer após perder tudo o que tinha (Jó 3:1-25). Este livro é uma das provas que homens de Deus também passam por problemas.

Mas a pergunta que temos que fazer quando passamos por estas situações é:

Deus se afastou de mim, ou eu que me afastei dele? Quem abandonou quem?

Costumamos nos sentir sozinhos, desamparados, mas muitas das vezes quem se afasta de Deus somos nós. Esquecemos de verdadeiramente confiar, verdadeiramente acreditar que ele não nos deixa de lado. Jesus disse em Mateus 28:20

“Eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém”

Brennnan Maning em um vídeo no YouTube chamado: você que crê ele te ama?, Da algumas declarações interessantes sobre confiar em Deus, ele acredita que quando chegarmos aos céus o todo-poderoso nos fará apenas uma pergunta:

“Você realmente acreditou que eu te amei?”

E é esta a questão, pois se realmente acreditamos que Ele nos ama, que morreu por nós e que cuida de nós, temos que levar esta certeza no coração, mesmo entre momentos obscuros e solitários ou em períodos de caos. Deus não nos abandona, Ele é o único fiel e esta verdade deve estar marcada em nosso peito.

Sem contar que o sentimento de abandono também serve para que aprendamos a confiar em Deus e creiamos em seu cuidado. Há tempos o homem tem se esquecido da escola do deserto, de como evoluímos diante das dificuldades. Somos filhos de uma geração que não pode sofrer, que se algo dá errado culpamos Deus.

O problema é que falamos que confiamos, mas na verdade não estamos confiando de verdade. Quando nutrimos expectativas, quando esperamos resultados, estamos tomando o controle sem deixar Deus fazer o que realmente quer.

Confiar significa: Se entregar aos cuidados de alguém, sem receio de sofrer ou perder algo. Ou seja, é largar o comando e deixar Deus controlar

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AS CINCO VIAS DE TOMÁS DE AQUINO

 Gosto muito de Tomás de Aquino, com uma obra com mais de sessenta títulos, ele foi coroado como um dos mais eruditos e influentes pensadores do saber teológico e moral. Em um período onde a igreja acreditava que o pensamento de Aristóteles era perigoso, foi com ele que Tomás fez parceria, mostrando uma forma diferente de se fazer teologia na época.

Entres sua grandiosa obra, provar que não viemos do acaso e que somos frutos de uma causa inteligente foi um dos seus grandes trabalhos, resumidos em cinco vias que provam a existência de Deus.

Fundamentado no argumento tomista, ele não foi o criador destas teorias, apenas ficou conhecido por resumi-la em cinco vias. É importante salientar que Tomás de Aquino pensa em causas que agem de uma forma simultânea, tal qual a engrenagem de uma máquina e não sucessivamente.

1 – A primeira via, se sustenta no fato de que no universo existe movimento. Baseado em Aristóteles, Tomás de Aquino considera que todo o movimento tem uma causa que esta fora do próprio ser em movimento, pois não se pode admitir que esta coisa pode ser o objeto movido e ser o princípio motor ao mesmo tempo. Tudo o que está em movimento é movido por outra coisa. Porém, o próprio motor é movido por outro motor, com isso admitimos: que existe uma série infinita de motores, ou a série é finita e Deus é o causador do movimento, Ele é o primeiro motor.

2 – A segunda via, defende a ideia de uma causa geral. Ou seja, todas as coisas ou são causadas ou são efeitos. Sendo, portanto, impossível conceber a ideia de que algo causa a si mesmo. Se assim fosse, ela seria causa e efeito ao mesmo tempo, sendo posterior e anterior o que seria algo inconcebível, um absurdo. E se toda a causa é causada por algo, podemos admitir a existência da primeira causa não causada, Deus, ou aceitar que isso não tem fim e não explicar a causalidade.

3 – A terceira, fala do conceito de necessidade e possibilidade. Todos os seres vivos estão em constantes transformações, alguns nascendo, outros morrendo. Mas o fato de se existir ou não, não é ter uma existência necessária e sim temporária, já que o que é necessário não precisa de causa para se existir e do nada ninguém vem. Então estes seres precisam de um ser supremo (Deus) ou algo que o façam existir.

4 – A quarta fala nos graus de perfeição. Existem graus na bondade, na verdade, na nobreza e em vários desta ordem a partir de um máximo, que nos faz pressupor que existe uma verdade absoluta, um bem maior: Deus

5 – A quinta tem o seu fundamento na ordem das coisas. Já que existe ordem no mundo, mesmo quando desprovidas de consciência disso, a harmonia com que alcançam o seu fim é a prova de que não se movem por acaso. Existe uma ordem que um ser supremo dá a todas as coisas: Deus

Apesar das tentativas de refutar encontradas na internet, as cinco vias tem muita lógica e coesão, ao contrário da teoria que somos fruto do acaso ou de uma bagunça cósmica. O argumento pode ter as suas falhas, ou pontos difíceis de conceber, mas não é ilógico, muito menos indigno de se considerar coerente.

Fonte de consulta: AQUINO, Tomás, Seleção de Textos, Editora Nova Cultural, São Paulo, 2004

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OFENSOR E OFENDIDO

Alguém disse certa vez:

“Guardar ressentimento é como tomar veneno e esperar que a outra pessoa morra”

Poucos conhecem o poder destrutivo de guardar mágoa, mas muitos durante a sua vida, já devem ter sido ofendidos. E ser ofendido, magoado ou humilhado, não é bom.

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OS DEZ LIVROS QUE TODO O CRISTÃO DEVERIA LER

Um tempo atrás uma amiga pediu dicas de livros cristãos para ler e resolvi fazer uma lista, mas enquanto eu escrevia, comecei a lembrar do quanto algumas obras foram e ainda são importantes na minha caminhada cristã. Por conta disso, resolvi publicar esta relação com os livros que considero os mais essenciais de serem lidos. Esta é a minha lista e escolher entre tantos bons autores foi um desafio, ainda mais sendo apenas dez, mas espero que alguns deles ajudem e façam diferença em sua caminhada com Deus

1 – Confissões, Santo Agostinho

É claro que começarei com um livro clássico, quem me conhece sabe o quanto eu gosto, ainda mais se tratando de Agostinho, que neste livro, além de contar como foi a sua conversão, aborda muitos temas relevantes sobre a fé cristã como: Deus, pecado e por aí vai, considero leitura obrigatória

2 – Assinatura de Jesus, Brennan Manning

Neste livro, Brennan Manning se preocupa em falar sobre a cruz e a graça. Em meio a tantas teologias que vemos por ai, entender os pontos principais da fé e o caminho da graça é fundamental e ninguém consegue fazer isso com tanta maestria quanto ele

3 – O Evangelho Maltrapilho, Brennan Manning

Considero este é um dos mais importantes livros, que também fala sobre graça e sobre como continuar firme na batalha contra o pecado e as dificuldades da vida. O legal do livro é que o autor não se coloca como intocável, sem erros e dificuldades, ao contrário, ele rasga o coração e mostra como todos precisam da graça, inclusive ele. Livro recomendado para pessoas que não se consideram super homens ou super santos, que não pecam

4 – Oração, O Segredo de Abrir o Coração, O. Hallesby

Em minha caminhada cristã, tentei ler muitos livros sobre oração e todos ficavam devendo em alguma área. Neste livro, o autor sintetiza a teoria com a prática de uma maneira perfeita, discorrendo sobre a oração de uma forma bíblica e coesa, sem viagens e formulas mirabolantes

5 – O Problema do Sofrimento, C. S Lewis

Este foi um dos primeiro livros que li de apologética (defesa da fé), e ainda depois de muitos anos considero essencial e um dos mais concisos na hora de explicar o problema do sofrimento e como Deus permite o mal no mundo.

6 – Celebração da Disciplina, Richard Foster

Conheci este livro através de meu professor, pois fui obrigado a ler na faculdade e agradeço a Deus por isso.

O livro fala sobre as disciplinas espirituais: Oração, meditação, estudo da palavra, jejum e por ai vai. E o autor nos mostra a importância de se praticar estas disciplinas para uma vida cristã saudável e como cultivá-las

7 – Não Tenho Fé Suficiente para Ser ateu, Norman Geisler & Frank Turek

Conheci o livro por seu título curioso, comprei, por ter achado o material com um preço barato em uma livraria e não me arrependi.

O livro de apologética, escrito por dois conceituados teólogos, traz algumas refutações para acusações que muitos ateus fazem contra o cristianismo. Escrito em uma linguagem fácil de ser lida, o livro acaba sendo ferramenta indispensável para todo o cristão

8 – História das Controvérsias na Teologia Cristã, Roger Olson

Em uma época onde a teologia está tão misturada com tantas outras coisas, conhecer e entender os principais fundamentos da fé cristã é essencial.

Neste livro, o autor em um tom conciliador expõe os principais pontos como:

Fontes e normas da fé cristã, revelação divina, escritura cristã, etc. E trabalha estes assuntos de uma forma clara e lúcida, um livro indispensável.

9 – Bonhoefer Pastor, Mártir, Profeta Espião, Eric Metaxas

Sou um grande fã de biografias, já li algumas e esta por sinal considero uma das mais importantes, entre todas as que li. Afinal, além de falar da vida de um dos mais relevantes pensadores que durante a segunda guerra mundial referencial contra o nazismo na Alemanha. Você consegue conhecer um pouco mais de história do nazismo, pois o livro, enquanto fala dele descreve também um pouco do que o nazismo fez durante a segunda guerra

10 – O Fator Melquisedeque, Don Richardson

Neste livro, o autor se concentra no fato de como, em muitas culturas, existem brechas em suas histórias para o evangelho entrar. O autor mostra relatos semelhantes à narrativa de Cristo, nos fazendo pensar o quão profundo e espetacular é o poder de Deus e como de alguma maneira, Ele se revela a todos os povos.

Eu poderia ter incluído muito mais livros, mas acredito serem estes os mais fundamentais no momento e quem sabe um dia, eu tire um tempo para pensar em livros que não sejam cristãos.

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PASTORAS

 Há uns dias, li uma charge de um amigo, afirmando que não conseguia achar base Bíblica para que uma mulher fosse pastora. Devido a isso, resolvi escrever este texto, por ter uma grande admiração por inúmeras pastoras que eu conheço e que batalham neste ministério, que por sinal é um dos mais difíceis, além é claro de considerar esta afirmação um tanto quanto complicada.

Quero começar conceituando o que significa ser pastor:

No hebraico raah e no grego poimén, o conceito literal é quem cuida de ovelhas. A primeira vez que aparece é em Gênesis 4:2, onde descreve a ocupação de Abel. Com base no conceito original, que pastor era o que alimentava, protegia e cuidava do rebanho, surgiu o conceito de Deus ser o pastor de Israel, conforme Gênesis 48:15, presente também no salmo 23, onde Davi chama o senhor de pastor.

Este conceito também descreve muitos líderes no antigo testamento como pastor (Números 27:17, 1Reis 22:17). Jesus Cristo também se descreveu como o bom pastor, que da a vida pelas ovelhas (João 10:11).

A pergunta que fica é: Porque durante o ministério de Cristo, parece que só os homens eram pastores ou apóstolos? Só homens eram inteligentes o bastante para serem pastores? As mulheres não eram capazes de exercer o ministério?

A resposta é um tanto quanto óbvia. No período de Jesus a sociedade era machista, a mulher não tinha muito valor e por  este motivo, Jesus teve que usar a melhor estratégia possível para propagar o evangelho, que era usar homens. Afinal, em uma sinagoga judaica, era considerado como uma grande desgraça uma mulher participar da adoração a Deus, falando ou orando. No judaísmo era proibido a mulher estudar a lei de Moisés, sem contar que a grande maioria delas eram analfabetas. E o lugar delas no judaísmo era tão inferior, que alguns rabinos consideravam a mulher como um ser que não tinha alma.

Mas isso não significava, que Jesus considerava o papel destas mulheres como inferior. Primeiro porque Cristo foi sustentado por algumas mulheres (Lucas 8:1-3), segundo, o modo que ele as tratava mostrava o quanto ele as considerava pessoas dignas, isso sem contar que elas foram as primeiras a confirmar que Cristo tinha ressuscitado (Marcos 16:1-6, João 20:11-18)

Mas apesar de todo este preconceito cultural, em 1Coríntios 16:19, Paulo saúda Priscila e Áquila e a ordem dos nomes leva alguns estudiosos afirmarem que quem tinha a posição de destaque no ministério era Priscila, já que não só neste texto mas também em Atos 18:18 e Romanos 16:3 o seu nome aparece por primeiro. Mas independente de quem era mais ativo ou não, encontramos este casal como responsáveis (ou Pastores) de uma congregação como o próprio texto afirma. Eles aparecem também como Discipuladores (Atos 18:26) e aparecem também acompanhando Paulo em uma viagem (Atos 18:18). Mas apesar destes exemplos e da bíblia citar outras mulheres que trabalhavam na obra como a Febe (Romanos 16:1) Evódia e Síntique que eram ajudantes no ministério de Paulo, a Bíblia não menciona pastoras. A Bíblia cita grandes homens e algumas poucas mulheres que aparecem aqui e acolá no novo e no velho testamento, por conta da cultura da época, como mencionei no começo do texto, mas ela não titula pastoras

Porém, reconheço que o assunto é polêmico e que muitos teólogos e pastores não concordarão em ver mulheres ordenadas no ministério, e um dos textos que eles vão usar é 1Timóteo 2:11-12 e 1Coríntios 14:34-35, que manda as mulheres ficarem caladas, aprendendo em silêncio e por ai vai. Como explicar estes textos? Alguns vão afirmar que o texto fala de mulheres que tagarelavam sem parar no culto, outros discordarão disso e colocarão inúmeras justificativas para validar a sua forma de pensar, é por isso que prefiro terminar pelo viés de Gálatas 3:28:

“ Não há judeu nem grego, escravo nem livre, homem nem mulher; pois todos são um em Cristo Jesus”.

Somos todos um, com somente uma mensagem, apenas um propósito e exercendo somente uma função:

 Anunciar o evangelho da graça e ser luz aqui na terra (Atos 2:17).

E independente de você ter um cargo de pastor ou não, nós somos sacerdotes (1Pedro 2:9), fomos chamados para anunciar a palavra e ser luz. E este sacerdócio é mais que uma obrigação, é um privilégio concedido por Deus. E apesar de termos um pastor em nossa igreja no qual respeitamos como servo e líder. Isso não nos impede de pastorearmos e cuidarmos uns dos outros, independente se somos mulher ou homem ou se temos ou não o rótulo de pastor. Ser pastor é muito mais do que ter um título, ser pastor é muito mais que ter um cargo de destaque, é ser um cuidador de vidas, um auxiliador e isso todos nós devemos ser.

E se pastoreássemos uns aos outros, cuidássemos, ensinássemos e nos preocupássemos como deveríamos quem sabe a igreja não estaria tão hedonista como ela está

 

BIBLIOGRAFIA

 Bíblia Sagrada – Nova Tradução na Linguagem de Hoje; Ed. Soc. Bíblica do Brasil, São Paulo 2005

BRUCE, FF, Comentário Bíblico NVI, Editora Vida nova, São Paulo, 2008

CARSON. DA. Comentário Bíblico Vida Nova. SÃO PAULO – SP, EDITORA VIDA NOVA, 2012

CHAMPLIN, R.N; Novo Testamento interpretado versículo à versículo; 5 edição; São Paulo; Editora Hagnos; 2001.

CHAMPLIM, RN. Enciclopédia bíblica de teologia e filosofia. 10° ED. SÃO PAULO – SP HAGNOS. 2011

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THOMAS MERTON O APÓSTOLO DA COMPAIXÃO – J. C. ISMAEL

No silêncio aprendemos a fazer distinções. Os que fogem do silencio também fogem das distinções. Não querem ver muito claro, preferem a confusão… A vida não deve ser olhada como uma torrente ininterrupta de palavras, apenas silenciadas pela morte… Como é patético ver que justamente aqueles que falam sem parar são os que nada têm a dizer. A razão da sua loquacidade é uma só: a morte.

Esta é a inimiga que parece afrontá-los a cada instante na profunda escuridão e silencio do seu ser. Gritam contra a morte. Confundem a sua vida com ruído. Atordoam os ouvidos dos seus ouvintes com palavras sem sentido, impotentes que são para descobrir as raízes do seu coração num silêncio que não é morte, mas vida.

Fonte: ISMAEL, J. C, Thomas Merton, O Apóstolo da Compaixão, Editora Taq, São Paulo, 1984

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NÃO VOS CONFORMEIS

E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus. (Romanos 12:2)

 Há muito tempo que ouço cristãos usarem este versículo para anunciarem uma vida de santidade, sem pecados. Então, afim de não serem iguais ao mundo, rotulam inúmeros pecados para que assim consigam não agir como o mundo age, não ter a forma do mundo e sair por aí bebendo, fumando, traindo e por aí vai.

Os monges fazem isso, se afastam do convívio das pessoas para ter momentos de reclusão em um lugar onde ele pode meditar e se dedicar a Deus sem se misturar com o mundo e suas práticas.

Mas a coisa fica mais complicada, pois o texto não fala com o que devemos não nos conformar, quais são as práticas “mundanas” que temos que tomar cuidado.  Então, afim de não cairmos no erro, batemos de frente com tudo o que é diferente, seja uma música que não estamos acostumados a ouvir, roupas que nunca tivemos vontade de usar ou comportamentos que nunca vimos na vida. Colocamos tudo isso em um pacote e falamos que é tudo do diabo e seguimos nossa vida ofendendo e magoando pessoas que muitas das vezes nem tem a oportunidade de serem ouvidas ou compreendidas.

Este versículo: Não vos conformeis, é muito amplo e complicado de se por em prática. Mas o que mais esquecemos é que muitas das vezes o que realmente nos faz mal e que contamina nossa vida entra em nosso cotidiano sem ao menos nos darmos conta. O que nos derruba, muitas das vezes tem cara de algo “santo”, costumamos chamar o diabo de derrotado, mas esquecemos que por mais derrotado que ele seja ele não é burro. O Raul já nos avisou sobre isso em uma de suas músicas, se referindo ao diabo:

“Eu nasci a dez mil anos atrás, e não tem nada neste mundo que eu não saiba demais”.

Acredito que este texto não está falando somente das práticas pecaminosas óbvias que conhecemos. Penso que o texto esta nos advertindo quanto a padrões do mundo, conceitos e formas de pensar que invade nossa vida e contamina a nossa existência sem ao menos percebermos. A palavra “conformeis” significa: tomar uma outra forma, conforme uma modelagem, ter a sua vida mudada por algo exterior. Pois o conceito do mundo é passageiro, a moda do mundo muda, a maneira do mundo pensar se transforma, mas quem é seguidor de Cristo tem um padrão, tem uma forma ética de agir e pensar. Acredito que o texto nos exorta a não ter este padrão do mundo na hora de Perdoar, ajudar o próximo, ser justos, buscar as coisas de Deus, buscar a justiça própria.

O mundo fala: Cuide de sua vida. Cristo fala: Ajude o próximo

O mundo fala: Revide quem te fez mal, não se rebaixe, não perdoe.

Cristo fala: perdoe o seu inimigo.

O mundo vive com o seu coração no dinheiro.

Cristo nos manda valorizar o que é incorruptível, o que não está neste mundo.

Este é o padrão do mundo, esta é a forma de pensar que mina e corrompe a nossa vida e os valores que a Bíblia nos ensina. Os objetivos deste século são firmados no prazer próprio, os valores de Cristo são baseados na comunhão e na ajuda mútua

Isso é ser um corpo, isso é ser Cristão, isso é não se conformar.

 

BIBLIOGRAFIA

CARSON, D.A.- Comentário Bíblico Vida Nova, 2 ed., São Paulo SP, Editora Vida Nova,2012

CHAMPLIM, RN. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo, Editora Hagnos, SÃO PAULO, 2014

Bíblia Sagrada – Bíblia de Jerusalém, Editora Paulus, São Paulo, 2008

Bíblia Sagrada – Nova Tradução na Linguagem de Hoje; Ed. Soc. Bíblica do Brasil ; São Paulo; 2000

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PROSLOGION – SANTO ANSELMO

Confesso, Senhor, e te dou graças porque criastes em mim esta tua “imagem” para que, de ti lembrada, pense em ti e te ame. Mas está tão corrompida pela ação dos vícios, tão ofuscada pelo fumo dos pecados, que não pode fazer aquilo para que foi feita se tu a não renovas e reformas. Não me atrevo, Senhor, a penetrar na tua altura (profundidade), porque não lhe comparo, de modo nenhum, a minha inteligência. Mas desejo reconhecer um pouco a tua Verdade, que o meu coração crê e ama. Na verdade, não procuro antes compreender para crer, mas creio para compreender. Pois também creio nisto: “se não acreditar, não compreenderei

Fonte: Livro Proslogion, Santo Anselmo

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OSTENTAÇÃO

Se eu pudesse dar um nome a nossa geração, nomearia como:

“Geração Ostentação”

É Visível a grande necessidade que muitos tem em ostentar, mostrar que tem bens, ou que é superior aos outros

A começar pelos carros, ninguém mais compra um carro pela sua funcionalidade e sim pelo status que proporciona, o mesmo vale para casas, roupas e equipamentos eletrônicos, como iphones e coisas do tipo.

Uma pesquisa em um site de economia diz que o brasileiro é o que mais compra carros de luxo. Em contrapartida um outro site de economia divulga que o brasileiro vive endividado, ele trabalha para pagar contas e juros de cartão. E não é de se admirar, já que é comum passarmos por casas caindo aos pedaços, com carros novos na garagem, isso é normal no Brasil. No afã de mostrar que tem dinheiro, deixam para trás necessidades básicas a fim de manter um padrão que não corresponde ao seu ganho mensal.

Mas viver uma vida de ostentação tem o seu ônus, comprometer quase todo o salário em nome de manter um padrão de vida mentiroso tem as suas grandes armadilhas.

A primeira delas é a preocupação e o fato de que muitas vezes o cidadão vai ter que trabalhar dobrado para pagar aquele bem. Conheço pessoas que comprometem o salário todo para pagar um carro. E para sobrar grana para as demais necessidades, eles fazem horas extras, vendem diversos produtos, vivem preocupados com dinheiro, fazendo de tudo para conseguir mais verdinhas, em vez de tentar adequar o valor do carro, com o seu ganho mensal.

A segunda grande armadilha que a falta de planejamento financeiro trás é que, qualquer oscilação no orçamento: doença, acidente, desemprego etc, transforma a vida deste gastador em um caos, o castelo de cartas desaba, sua vida perde a paz, se é que tinha alguma

Eu sempre digo que temos que aprender a nos adaptar as várias circunstâncias e oscilações da vida, é por isso que controlar os gastos é fundamental para que isso aconteça. Afinal uma hora você pode estar bem, outra não, o dinheiro é assim, algo inseguro e sem certezas, e vive bem que se adapta melhor. Paulo já falou em Filipenses 4:12

“Sei o que é passar necessidade e sei o que é ter fartura. Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito, ou passando necessidade”

Desde novo, aprendi a viver uma vida moderada e simples, sem exageros, tomando cuidado para não dar um passo maior que a perna. Nunca admiti perder o meu sono por falta de dinheiro ou preocupações financeiras é por isso que cuido muito desta área da minha vida. Richard Foster no livro: Celebração da Disciplina, trás dez dicas de como cultivar uma vida de simplicidade. Sempre lembrando que ser simples, não é ser pobre ou andar como um mendigo, e sim, cultivar uma vida moderada e centrada, abordarei os dez tópicos de uma forma sintetizada

1 – Compre coisas pela utilidade que tem e não pelo status que confere.

2 – Rejeite qualquer coisa que crie em você alguma dependência, aprenda a distinguir entre uma necessidade psicológica real, como um ambiente agradável, e um vício.

3 – Desenvolva o hábito de dar coisas. Se descobrir que está apegando a algum bem, pense na possibilidade de doá-lo e qualquer que precise dele

4 – Recuse a propaganda feita pelos guardiões da moderna quinquilharia eletrônica

5 – Aprenda a desfrutar das coisas sem possuí-las

6 – Desenvolva um apreço profundo pela criação (natureza)

7 – Examine com ceticismo saudável todas as propostas “compre agora, pague depois”

8 – Obedeça as instruções de Jesus sobre falar direta e honestamente: “ Seja o seu sim, sim, e o seu não, Não o que passar disso vem do maligno” (Mateus 5:37).

9 – Rejeite qualquer coisa que seja instrumento de opressão, não explore outras pessoas, não deixe que sua avidez por riqueza, empobreça outros, seja justo quando pagar uma pessoa.

10 – Afaste-se de qualquer coisa, que o distraia de sua busca pelo Reino de Deus.

Vivemos em um mundo, onde o ter é mais importante. Poucos valorizam o que tem e poucos se satisfazem com o que possui. A ordem do dia é sempre ter a tecnologia mais nova, o modelo mais novo, e com isso vamos caindo em armadilhas que sugam a nossa paz. Acredito que o segredo esta na moderação, e é isso que devemos buscar e é isso que estas dez questões tentam trazer.

Algumas destas propostas podem parecer difíceis, mas nos ajudam a manter uma vida equilibrada. Afinal, quando o seu interior esta bem, acaba ocasionando uma mudança no resto de nossas áreas pessoais. Quando você não é dominado por algo, você fica livre para buscar o que realmente importa, Millôr Fernandes já nos alertou:

“O importante é ter sem que o ter te tenha”

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