DESENHANDO OS PRÓPRIOS CAMINHOS

     Praticamente todos os anos ouvimos casos de pessoas que se perdem em trilhas. Muitos desses casos são em serras. Em busca de lazer e contato com a natureza, pessoas se aventuram em matas e trilhas desconhecidas e algumas vezes se perdem. Trata-se de uma situação difícil, pois como é algo inesperado, elas não levam suprimentos tais como água e comida para passar um tempo além do previsto. Quando ocorrem casos como esse, geralmente o corpo de bombeiros é acionado e com preparo e conhecendo bem a região, seus integrantes acabam conseguindo resgatar aqueles que se perderam. Da mesma forma muitas vezes nos perdemos na vida. Nos aventuramos nos caminhos da vida, e algumas vezes não sabemos mais onde estamos e pior; não sabemos o que fazer. Mas por que isso acontece?

     Em boa parte das vezes a escolha de um caminho errado deve-se a auto-suficiência. Trata-se de uma característica do homem, que facilmente o coloca em situações difíceis. A auto-suficiência é uma característica necessária para que tenhamos atitudes e não morramos de inanição, mas se não soubermos dosá-la podemos nos colocar em risco. Não existe ninguém que seja totalmente auto-suficiente, pois em pelo menos algumas ocasiões dependemos de algo ou de alguém. Mas há outros motivos pelos quais pegamos os caminhos errados da vida. Por aceitar opiniões erradas, por não fazer uma clara leitura de uma situação entre outros. Mas acredito que a principal seja o sentimento de independência que temos. Sempre queremos fazer tudo da nossa forma, ter razão naquilo que fazemos e da forma que fazemos.

     O homem tem essa propensão a agir conforme sua própria vontade. Alguns mais enquanto que outros menos, mas todos os homens tem essa essência. Mas quando o assunto é cristianismo, tudo muda. Ou pelo menos, deveria mudar. Continuamos com nossa natureza de independência, mas quando aceitamos o desafio de viver uma vida segundo os ensinamentos de Cristo, nossa atitude deve mudar. Nossa vontade fica em segundo plano, pois viver o cristianismo é deixar que Deus guie nossa vida. É ele que indicará os caminhos a seguir. Mas, parece que a todo momento queremos seguir os nossos próprios passos. A Bíblia está repleta de exemplos onde pessoas fizeram sua própria vontade deixando Deus em segundo plano.

     Um dos melhores exemplo é a história do povo de Israel no Antigo Testamento. Trata-se de um ciclo quase interminável onde o povo se afastava de Deus, pecava, colhia as conseqüências do pecado, sofrendo muito, arrependiam-se e finalmente voltavam-se para Deus. Depois de um tempo, afastavam-se novamente de Deus e tudo começava de novo. O livro do profeta Ageu contém um desses exemplos. A palavra que Deus deu a Ageu foi em 520 a.C. Para quem conhece um pouco da Bíblia, sabe que isso foi logo após o cativeiro do povo hebreu na Babilônia. Parte dos que foram levados cativos para a Babilônia, voltaram para Jerusalém. Foram 70 anos fora da cidade e ela estava em ruínas. O templo, que era de suma importância para o povo, estava destruído. Uma das ordens de Deus foi sua reconstrução. Com a volta do povo, a primeira providência foi construir o muro que protegia a cidade. Logo a reconstrução do templo começou, e depois de aproximadamente 7 meses o alicerce  estava pronto. Mas foi aí que o povo começou a andar em seu próprio caminho e deixou Deus de lado. A reconstrução do templo foi deixada de lado e cada um foi cuidar da sua vida. O primeiro capítulo de Ageu trata disso e vemos Deus chamando a atenção do povo. No versículo 2, ele fala ao povo que a construção do templo foi deixada de lado. Na seqüência mostra a atitude desse povo que, ao invés de construir o templo, investiu seus esforços na construção de belas casas. Os judeus deixaram a vontade de Deus de lado e foram viver a vida conforme sua própria vontade. Como sempre, o castigo veio.

     No restante desse capítulo, vemos que a situação não era boa. Os judeus já colhiam os frutos de andar em seus caminhos. Chovia muito pouco e a produção de alimentos era escassa. O dinheiro não rendia nada, e Deus é claro em afirmar que tudo isso eram conseqüências por lhe terem  deixado de lado. Temos que lembrar que no momento da profecia de Ageu já haviam se passado 16 anos desde o início da construção do tempo. Ou seja, o povo começou de forma entusiasmada, trabalharam por um tempo e deixaram a obra (vontade de Deus) de lado por 16 anos.

     Um fato desse e tão diferente da tua e da minha realidade pode parecer não ter muito em comum com nossa vida. Pode parecer ser apenas uma historinha bíblica mas na realidade tem tudo a ver, pois é comum repetirmos essa atitude do povo judeu. Nos declaramos cristãos autênticos, vestimos camisetas com dizeres bíblicos, participamos ativamente na vida da igreja local, mas a questão é: quem manda na nossa vida? Será que é Deus ou a nossa vontade? É muito difícil sabermos o que Deus quer dos outros e por isso mesmo não podemos julgar. Mas tenho certeza que se a vontade de Deus estivesse sendo vivida por pelo menos a metade dos mais de 40 milhões de evangélicos que o último senso brasileiro apontou, a realidade da nossa sociedade seria outra. Olhando para o que muitas igrejas fazem, aquilo que pregam fica difícil imaginar que seja um mover de Deus. Mas a questão que quero abordar é se as tuas e as minhas atitudes e decisões são aquelas que Deus nos mostra. Pode parecer um assunto pouco interessante e muito pregado, mas acredito que seja muito pregado justamente por ser uma área extremamente crítica e onde geralmente falhamos.

     No texto citado a questão era a construção do templo. Era a época da antiga aliança e o templo era a casa de Deus. Era lá que Deus habitava e o povo simplesmente relaxou com a casa de Deus. Na realidade da nova aliança, Deus não habita mais em um prédio chamado templo, mas esse templo é a vida de cada um de nós. Será que estamos construindo nosso templo, nossa vida, para aquilo que Deus quer, para aquilo que ele nos criou ou simplesmente estamos passando pela terra levando uma vida certinha, buscando fazer o bem para as pessoas, sendo bonzinho sem prejudicar ninguém? E dentro disso, ter um emprego bom que nos dê condições de sustentar dignamente a família. É só isso que Deus quer de nós? Esse é o cristianismo que vivemos? Infelizmente a minoria sabe aquilo que é o mais básico de tudo, que é a vontade de Deus para sua vida. Você sabe o que Deus quer de você? Como queremos andar nos caminhos dele se, muitas vezes, nem sabemos sua vontade?

     Em minha opinião viver o cristianismo autêntico é viver para cumprir aquilo que Deus planejou para cada um de nós quando ele nos formou. Ele nos criou para algo muito maior do que ser uma pessoa boa e ter uma vida legal aqui na terra e depois no céu. Nosso templo só estará reconstruído quando estivermos vivendo aquilo que Deus sonhou para nossa vida. Vivemos em função da busca da felicidade. Um bom emprego, uma família e muitas outras coisas podem fazer parte disso, mas o que quero enfatizar é que precisamos, de forma urgente, voltar nossa atenção para aquilo que Deus quer de nós. Na maioria das vezes em que seguimos nossos planos, acabamos frustrados. O problema é que nem nos damos conta que as coisas não saíram conforme o que esperávamos pelo fato de estarmos fora da vontade de Deus. No versículo 5 do primeiro capítulo de Ageu, Deus fala ao povo: “Vejam aonde os seus caminhos os levaram….”. Nossos caminhos, nossas vontades são enganosos assim como nosso coração.  A felicidade tão sonhada por todos os homens está na vontade de Deus para cada um. Muito mais que um chavão igrejeiro, isso é a mais simples das verdades, pois a vontade de Deus para mim e para você é a melhor coisa que pode nos acontecer; ela é perfeita e fomos criados para viver o que ele planejou para nós.

     Diz um ditado popular que errar é humano mas persistir no erro é burrice. Não precisamos necessariamente errar para aprendermos. Podemos aprender observando os outros. A Bíblia está cheia de exemplos daquilo que deu e do que não deu certo. Acredito que tomar a Bíblia como exemplo e como princípio para nossa vida é um passo simples e ao mesmo tempo gigante para que consigamos saber a vontade de Deus para nossa vida e também para que façamos dessa vontade divina a essência do nosso viver. Não se perca pelas trilhas da vida. Deixe Deus ser teu guia e aproveite tua caminhada.

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MAMOM

Gosto muito de ler e quem me conhece sabe que eu leio muito e qualquer tema. De livros teológicos a livros de história, e a pouco tempo terminei um livro do Bernard Cornwell chamado: Crônicas Saxônicas. Que conta a história de um guerreiro saxão chamado Uhtred, que quando novo, havia sido raptado e criado em meio aos vikings. Onde depois de grande, percorre a Europa em busca de tesouros e riquezas e durante a sua busca, ele fica hora do lado do povo saxão, hora ao lado do povo viking que invadia a Europa. Este guerreiro era dividido e fazia qualquer coisa pelo vil metal, até trair a sua pátria.

Em Mateus 6:24 a Bíblia diz:

Ninguém pode servir a dois senhores; pois odiará um e amará o outro, ou será leal a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom

Quando a Bíblia diz Mamom, ela se refere a riqueza. Falando em riqueza, um tempo atrás, li uma postagem de uma pastora que dizia:

“Prefiro pregar o evangelho da prosperidade, que o da pobreza”

É uma frase complicada e por este motivo, concluo que muitos não entendem o quão prejudicial é a teologia da prosperidade e o quanto ela está fora da Bíblia. Isso sem contar que Cristo priorizou a pregação da palavra aos pobres e excluídos (Tiago 2:5) e ainda deixou claro como é difícil encontrar um rico no reino dos céus, na famosa passagem do jovem rico (Lucas 18:24)

Por conta disso, farei uma breve análise de alguns de seus pontos a luz da palavra, ressaltando que não creio que devemos viver na pobreza e na miséria, e muito menos devemos deixar de ir atrás de nossos sonhos. O que eu quero com este texto é mostrar como a forma de prosperidade pregada por esta teologia é totalmente antibíblica, e como o dinheiro corrompe e modifica nossos valores e prioridades

1 – A Bíblia não nos ensina determinar a Deus

Tenho grande dificuldade com a frase: Determine irmão. Porque determinar segundo o dicionário é: Decretar, promulgar alguma coisa.

Eles usam João 14:13 e distorcem o texto, pois o texto não ensina a determinar, e sim pedir, suplicar, rogar.

 E tudo quanto pedirdes em meu nome eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho.

Dar ordens a Deus não é nem de perto uma atitude cristã, a verdadeira atitude é rogar, e esperar que a vontade dele seja feita. Tiago 4:3 diz que devemos pedir, mas não coisas que sirvam para nossos próprios prazeres. A Bíblia não dá lugar a uma vida egoísta e avarenta, ao contrário, seguir a Cristo é uma vida de amor e serviço ao próximo. Sem contar que servir a Deus é fazer a sua vontade é entregar nossa vida, sonhos e expectativas e deixar que Ele faça o que bem entende. Isso é ser cristão e determinar não combina com os ensinos Bíblicos, a palavra nos chama a servir e não sermos servidos, a doar e não a ostentar.

2 – A Bíblia não nos incentiva a prosperar

O palavra não da ênfase na prosperidade, e se neste momento, você lembrou de todos os homens prósperos da Bíblia, não esqueça de uma coisa, não existiam só homens prósperos na Bíblia. A palavra fala de muitos outros servos que não viviam para riquezas e que recusaram dinheiro ao longo de suas jornadas

Ex: Daniel, Elias, Eliseu, João Batista, os Apóstolos, etc…

Temos que ter cuidado com as narrativas e histórias Bíblicas, pois alguns textos do Velho Testamento não são normas ou padrões a serem seguidos, e sim experiências de pessoas que serviram a Deus. A ênfase da palavra é dedicar a sua vida a Deus, Salmos 37:5 diz:

“Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nele, e ele o fará”

Ou seja, entrega o teu caminho ao senhor e deixe o resto com Deus. A ênfase do Salmo é entregar a sua vida ao senhor, e deixar que Ele guie e dirija a sua vida, e não a parte que ele fará algo, como muitos pregadores enfatizam

3 – A Bíblia não ensina que quem tem Deus não sofre

É interessante a afirmação de muitos adeptos desta teologia, que quem tem Cristo não sofre, uma lida rápida na palavra, conferiremos o quão equivocado é esta afirmação. Afinal, João Batista foi decapitado (Mateus 14:1-11), Tiago morto a fio de espada (Atos 12:2) Paulo, escreveu muitas de suas cartas preso e João escreveu o apocalipse também preso (Apocalipse 1:9). A fé cristã foi marcada por muitos sofrimentos e enquanto hoje, a nossa grande dificuldade é manter a fé, por conta de inúmeras tentações, naquela época, ser cristão era morrer em arenas, torturado e esquartejado. Cristo avisou que passaríamos por dificuldades e não estaríamos imunes as intempéries, mas falou também para não ficarmos preocupados, pois Ele tinha vencido o mundo (João 16:33)

Eu poderia enumerar muitas outras coisas que a teologia da prosperidade ensina que não está na palavra, como vender toalhinhas abençoadas, sal de não sei o que, travesseiro milagroso e por ai vai. Eu não acredito nesta prosperidade, o que eu acredito se resume em uma frase de Epicuro:

A verdadeira riqueza não consiste em ter grandes posses, mas em ter poucas necessidades.

 Sonhe, trabalhe, faça projetos, mas acima de tudo faça a vontade de Deus. Quando buscamos a vontade d’ele, realmente prosperamos, mas não uma prosperidade somente financeira e sim uma vida completa e feliz, seja com dinheiro ou sem ele. Sabendo que em qualquer situação, na derrota ou na vitória, na abundância ou na fartura, Deus esta conosco (Filipenses 4:12-13).

Esta é a verdadeira prosperidade, confiar e crer na provisão divina, o resto é distração!

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CRISTIANISMO SEM CRISTO

Lembro que 1986 foi marcado por um evento que chamou muito atenção do mundo inteiro. Não foi tão drástico como as inúmeras vezes em que foi declarado que o mundo iria  acabar, mas lançou os olhares de bilhões de pessoas para o céu.  No mês de fevereiro daquele ano o cometa Halley era facilmente visto a olho nu. Trata-se de um cometa que tem uma órbita elíptica no nosso sistema solar e só passa perto da terra a cada 75 ou 76 anos. A próxima aparição será em 2061. Lembro que nessa ocasião um grupo religioso subiu em uma montanha, todos vestidos de branco, onde esperavam serem levados pelo cometa até um planeta distante onde seria o paraíso.  Quem me conhece sabe que respeito a crença pessoal das pessoas. Posso não concordar com algumas crenças, mas da mesma forma que professo minha fé nos ensinamentos de Cristo, respeito as pessoas que vivem sua espiritualidade de outra forma. Mas mesmo para mim, que respeito a opinião alheia, às vezes é difícil ficar sério diante de algumas crenças como a que relatei.

A mente humana é muito criativa e a cada dia surgem novas idéias e pensamentos, das mais simples opiniões às mais mirabolantes fantasias, que mais parecem enredo de filmes infanto-juvenis. O mais incrível é que muitas delas tem uma grande aceitação mesmo em mentes de pessoas consideradas intelectualizadas. Acredito que isso aconteça pelo fato de serem crenças e, como tal, não são passíveis de comprovações científicas ou práticas; são crenças. A própria vivência da espiritualidade é baseada em crenças. Ninguém pode explicar cientificamente sua fé. Para toda a religião ou crença, parte-se de um pressuposto de algum conceito que deve ser aceito através da fé ou da crença. Mas praticamente todas as religiões e credos têm sua lógica e normas. No Brasil, onde a diversidade cultural proporcionou uma mescla de crenças, muitos conceitos religiosos são deturpados. Pessoas que dizem seguir uma determinada religião também crêem em vários elementos de outra, que nada tem a ver com a fé professada. Esse é o famoso sincretismo religioso. Um ditado popular que tem algo a ver com isso é o que afirma que se ascende uma vela para o santo e outra para o diabo. Geralmente os cristãos protestantes brasileiros criticam de forma veemente os católicos que também participam de ritos da umbanda, candomblé e outras religiões de origem geralmente africana. Mas em que os protestantes, ou evangélicos, realmente crêem? No que eles deveriam crer?

Talvez os protestantes não crêem que um cometa os levará ao paraíso, ou que extra terrestres os abduzirão para levá-los na presença de Deus, mas é muito comum a crença em vários elementos que não fazem parte dos ensinamentos de Cristo. Parece que há algum tipo de necessidade de se pensar em algo que complete o sacrifício de Jesus na cruz; parece que o que ele fez não é suficiente. Muitas igrejas (pastores e líderes) não têm coragem de expressar isso em palavras, pois vai contra os ensinamentos bíblicos, mas acaba embutindo várias regras e crenças como princípios da fé. Isso é algo extremamente perigoso pois afasta as pessoas do verdadeiro evangelho. As cartas bíblicas, principalmente as paulinas, estão recheadas de advertências contra falsos ensinos, falsas crenças e até mesmo faltos profetas. Se isso não fosse uma realidade na igreja, não seria um dos problemas da igreja mais abordados pelo Novo Testamento. Uma das passagens bíblicas que adverte a igreja a essa realidade é 2ª Timóteo 4,3, onde lemos:

“Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos”.

Olhando para a prática de várias igrejas, parece que em poucas épocas isso faz tanto sentido como na atualidade. Se alguns crêem em cometas redentores, fadas ou gnomos, outros acreditam que uma toalha com suor do apóstolo, um copo de água em frente da TV ou do rádio, um cajado ungido, um tapete de sal grosso, ou até uma cusparada ungida do pastor, promovam um olhar mais atencioso de Deus ao fiel. Se for para crer em lendas, sinceramente prefiro a do cometa Halley.

     O apóstolo Paulo escreveu uma carta à igreja de Colossos. Assim como em outras, ali o evangelho também estava sendo contaminado por ensinamentos contrários ao evangelho de Cristo. Eram ensinos gnósticos, judaizantes, animistas, legalistas e talvez outros tipos de heresias. No capítulo 2 versículos 3 e 4, Paulo diz:

“Nele (em Jesus) estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento. Eu lhes digo isso para que ninguém os engane com argumentos que só parecem convincentes”.

Um pouco adiante o autor afirma que devemos enraizar e edificar nossa fé em Cristo e que não devemos ser enganados por vãs filosofias que são fundamentadas em tradições humanas e nos princípios desse mundo e não nos ensinamentos do Messias. Essa passagem bíblica é clara que Cristo nos basta. Nele estão todos, todos os tesouros dos quais precisamos. Se vivermos conforme os ensinamentos dele, nada mais é necessário para que herdemos a vida eterna e que vivamos na plenitude do Espírito. Um detalhe que chamou minha atenção, é que Paulo afirma que os falsos ensinamentos podem parecer convincentes. Mas só parecem, pois não passam de pó. Dificilmente os falsos profetas ensinam algo muito diferente do que Cristo nos ensina. Geralmente acrescentam um detalhe aqui, outro acolá e lá vai a igreja se deleitando com heresias que lhe são atrativas. Os falsos profetas pregam e ensinam aquilo que as pessoas querem ouvir. Parece que a maioria dos cristãos prefere Cristo e algo a mais do que “simplesmente” Cristo. Em outra carta, a segunda aos Coríntios, Paulo adverte as pessoas que vivem algo que ultrapasse aquilo que está escrito, mas parece que simplesmente não nos contentamos com o que Deus fez por nós.

     Acredito que um dos motivos que proporciona esse fenômeno, é que muitas vezes se vive mais em função do pastor, ou seja lá de que forma a pessoa se denomine, do que do próprio Deus. É certo que precisamos de referências, de pessoas que nos inspirem e nos orientem mas isso é diferente do que seguir cegamente os ensinamentos dessas pessoas. Devemos tomar muito cuidado com pessoas que lançam os holofotes mais em si mesmo, seus ensinos ou sua teologia do que em Deus. Também cuide com pastores que não toleram ser questionados. Geralmente os falsos profetas se blindam dos questionamentos fazendo ameaças e citando supostas maldições da parte de Deus. Devemos ser cautelosos com argumentações que se baseiam em versículos isolados de seu contexto e daquelas baseadas em tradições e culturas ou experiências pessoais. Uma das características dos falsos ensinos é que geralmente se baseiam em um desses casos. Quando a figura do pastor é demasiadamente valorizada dentro da comunidade é bom que se fique de olhos abertos. O verdadeiro pastor é aquele que aponta para Cristo e seus ensinamentos. A falsa doutrina chega a um ponto tal, que, recentemente ouvi uma pregação transmitida pela rádio, onde o sujeito que diz ser pastor, chegou a afirmar que quem lê muito a Bíblia perde sua fé. Eu simplesmente não quis acreditar no que ouvi. Mas faz sentido, pois se os fiéis dessa igreja começarem a ler a Bíblica buscando Deus, logo verão a verdade e dificilmente permanecerão  nessa igreja.

Um colega do autor desse blog, Guilherme, estava, juntamente com sua igreja, em uma campanha para que Deus revelasse os falsos profetas. Sabiamente o Guilherme sugeriu a forma mais segura e eficaz para se precaver dos falsos profetas e seus ensinos. Basta estudar a Bíblia. Alguns dizem que ela é “a mãe de todas as heresias”, mas com certeza ela também é a morte de todas elas. Há uma característica interessante no homem que, ao que parece, prefere ouvir ensinamentos de outras pessoas do que da própria Bíblia. Ouvir outras pessoas pode nos ajudar, mas também há o risco do ensino vir distorcido ou de não nos aprofundarmos tanto como se nós mesmos estudássemos a Bíblia. A Palavra fala mais do que pessoas. Da mesma forma que nosso aprendizado, por exemplo, em uma faculdade, será proporcional ao tempo e esforço investidos, nosso conhecimento bíblico também vai depender do nosso interesse em saber mais sobre Deus e dos estudo que realizamos na Bíblia. Mas, como falei, é muito mais cômodo construir a fé baseado simplesmente naquilo que o pastor prega do púlpito, mas o risco de sairmos do culto com uma mochila cheia de bugigangas “abençoadoras” ou até com uma cusparada na cara aumenta.

Que tipo de cristão você quer ser: um repetidor de opiniões alheias, ou aquele que tem propriedade no que pensa e que maneja bem a palavra de Deus? Nossa vida é algo muito sério para que a coloquemos nas mãos de pessoas que nem conhecemos direito. Acho que as mãos de Deus são mais seguras. Não há problema algum se uma igreja tenha seus ritos, costumes e tradições, desde que isso não passe de costumes. Precisamos de tradições e marcos na vida para que tenhamos referências. Mas Deus nos deu sua palavra justamente para que possamos construir nossa fé. A vida com Deus pode ser muito sólida e recompensadora. Ele mesmo nos promete isso. Mas se deixarmos que falsas doutrinas nos influenciem, viveremos uma fé frustrada, aquém do que Deus quer para nós e ainda corremos um sério risco de nos perdermos do caminho mesmo sem perceber. Estude tua Bíblia, tenha vida com Deus e ele te mostrará a verdade. Que a paz de Cristo seja o árbitro de teu coração.

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FOGO ESTRANHO – JOHN MACARTHUR

fogo estranho

Fogo estranho foi um dos últimos livros que li, cheguei até ele, por me interessar pelo assunto espírito santo e moveres pentecostais em geral. Apesar de não concordar 100% com o material, considero o livro realmente relevante. Primeiro porque ele dá um bom panorama de como surgiu o movimento pentecostal e quem foram os autores. Segundo porque ele traz muita base bíblica e reflexões sobre este assunto tão controverso, é um livro forte, a sua posição quanto ao movimento pentecostal é clara. E seu ponto de vista quanto a revelações, ao apostolado e muitos outros temas são bem enfáticos, mas não incoerentes.

Vale a pena ler, refletir e tentar entender de uma forma imparcial a idéia do autor. E mesmo que você não concorde com o livro todo, as reflexões por ele apresentado são ótimas.

Lançado pela editora Thomas Nelson, com 333 páginas.

Site: http://www.thomasnelson.com.br/

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FORTE

Sempre ouvi dizer que a pessoa forte é centrada, não perde o controle e nem age por impulso. O problema é que muitas vezes é impossível ser assim. Principalmente quando tudo dá errado, você é ignorado e esquecido. Mas temos que ser fortes e ainda engolirmos em seco, para não corrermos o risco de desabafar e magoarmos a pessoa errada ou acabar piorando ainda mais a situação. Porém tem uma coisa que me mantém forte e disposto a seguir e passar por todos os problemas; o exemplo de Cristo.

Ele foi o Deus encarnado, o verbo que se esvaziou e se entregou por amor a nós. Este verbo serviu, este Deus se doou e aguentou escárnio, este todo poderoso viveu a vida para fazer a vontade do pai  e isso me da certo conforto. Pois o que eu faço é para a glória D’ele e é somente isso que me mantém tranquilo nestas situações. Paulo em 2Coríntios 12: 10 diz:

Por isso sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco então sou forte

Paulo dispensa apresentações, este homem foi o pensador mais relevante e uma pessoa tremendamente usada por Deus. E neste texto em questão, ele conta que três vezes  pediu uma cura ao senhor, por causa de um espinho na carne, mas Deus não quis curar e ainda falou que aquele espinho era para manter a sua pessoa humilde (2Coríntios 12:7-10)

Ninguém gosta de passar por decepções, muito menos gosta de ser esquecido e jogado de lado. Mas certas situações têm que produzir em nós mudança e amadurecimento. Vivemos em um mundo onde o sofrimento é comum, está inserido em nosso cardápio da vida. Habitamos em um lugar onde ser esquecido é uma rotina. Pois temos os nossos sonhos, temos a nossa falta de tempo e nossos objetivos e muita das vezes o nosso amigo ao lado não esta incluído nestes projetos todos, ou nos esquecemos deles, por pura distração, acontece

Só quem passou por estas dores pode realmente sentir o sofrimento do próximo e entender a sua situação. Só quem foi esquecido ou desvalorizado consegue se colocar no lugar do outro e ajudar. Pois o sofrimento tem que nos causar sensibilidade, deve mover a nossa vida para olhar o próximo e ser humildes. Não é fácil, eu sei, não é mesmo, mas quem disse que tudo na vida seria fácil?

No entanto o sofrimento tem outra função, nos fazer enxergar quem realmente esta ao nosso lado. As vezes não valorizamos certas pessoas, mas acaba sendo elas, mesmo sendo poucas, que nos prestam auxílio e nos acompanham nas piores horas. Mário Sergio Cortella em uma palestra diz algo curioso: O amigo em um período difícil, nem sempre nos consola, mas sempre conforta. Provérbios 17:17 diz:

“Em todo o tempo ama o amigo e para a hora da angústia nasce o irmão”

Gosto deste versículo, porque ele deixa claro que é em nosso período mais difícil que enxergamos quem realmente se preocupa conosco.

Contudo, mesmo com estas palavras sinceras, de quem já passou por maus bocados, se viu esquecido por muitos e decepcionado, você não se convença do sofrimento e de seus períodos difíceis. Nada mais natural, há tempos em nossa vida que nenhuma resposta é resposta e acabamos seguindo na caminhada com mágoas, tristezas e decepções. Só não gosto de pensar que você, que esta passando por um período ruim e está inconsolável, é um perdedor, um Zé ninguém. Penso que na vida tudo colabora para o nosso crescimento e encarar o sofrimento por este prisma, nos faz evoluir mais.

Afinal, uma verdade é certa, não ganhamos sempre, não estamos sempre felizes e nem toda a realização frutifica, mas quando você segue entendendo que tudo nos traz crescimento, até as decepções e derrotas, ai você acaba ficando cada vez mais forte.

Gosto da letra de uma música do Los Hermanos, que descreve bem como deveríamos seguir a vida:

“Olha lá, quem acha que perder
É ser menor na vida
Olha lá, quem sempre quer vitória
E perde a glória de chorar

Eu que já não quero mais ser um vencedor
Levo a vida devagar pra não faltar amor”

Nem sempre venceremos, nem sempre estaremos felizes e seremos lembrados. Mas sempre podemos aprender com os problemas!

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A DINÂMICA DO PECADO

     Um dos maiores problemas do homem é o pecado. Algumas questões referentes ao pecado são extremamente complexas. Ele geralmente é relacionado ao mal e uma das questões de difícil resolução é qual a origem desse mal? Esse é apenas um dos exemplos de temas que podem render uma discussão interminável. Porém, não é esse meu objetivo. Não quero refletir sobre a origem do mal, mas sim seu mecanismo. Por que algo, que sabemos que não nos faz bem, nos influencia tanto? Como, muitas vezes até gostamos de pecar, mesmo sabemos que isso nos trará problemas?

Há diversas definições sobre o que seja o pecado. Há aquela clássica que afirma que o pecado é errar o alvo. Concordo com isso, mas prefiro um pensamento mais amplo, como aquele que entende que pecado é qualquer ação, ou falta dela, que prejudica o relacionamento do homem e Deus.  Em outras palavras, é tudo aquilo que não é da vontade de Deus. Quando tiramos os olhos da vontade de Deus e olhamos para nossa própria vontade é quando começamos a regar a semente do mal. Geralmente quando se fala em diabo imaginamos aquele ser bizarro, meio monstro, avermelhado, com tridente, chifres um rabo, e falando com voz gutural. Mas ele é muito esperto pra se apresentar assim. Da mesma forma, quando pensamos em pecado, logo imaginamos coisas horríveis como assassinato, roubo, vida promíscua, corrupção, bebedeiras, consumo de drogas, mentiras entre outras obras más. Nem sempre o pecado vem dessa forma e é justamente aí que acabamos caindo. Em boa parte das ocasiões, o pecado nos parece ser bom. Se não fosse assim, não o cometeríamos tantas vezes. A Bíblia relata vários exemplos de pessoas que caem e eu gostaria de refletir um pouco sobre o primeiro pecado praticado pelo homem, que foi a queda no jardim do Éden.

Vejamos os primeiros seis versículos de Gênesis 3:

Ora, a serpente era o mais astuto de todos os animais selvagens que o Senhor Deus tinha feito. E ela perguntou à mulher: “Foi isto mesmo que Deus disse: ‘Não comam de nenhum fruto das árvores do jardim’? “
Respondeu a mulher à serpente: “Podemos comer do fruto das árvores do jardim, mas Deus disse: ‘Não comam do fruto da árvore que está no meio do jardim, nem toquem nele; do contrário vocês morrerão”.
Disse a serpente à mulher: “Certamente não morrerão!
Deus sabe que, no dia em que dele comerem, seus olhos se abrirão, e vocês serão como Deus, conhecedores do bem e do mal”.
Quando a mulher viu que a árvore parecia agradável ao paladar, era atraente aos olhos e, além disso, desejável para dela se obter discernimento, tomou do seu fruto, comeu-o e o deu a seu marido, que comeu também.


     Nesses poucos versículos está descrita a queda do homem. Foi a maior desgraça que pôde ter acontecido à humanidade e jamais haverá outra maior. Esse acontecimento impactou de forma drástica não só ao homem, mas a toda criação. Até hoje todo o planeta sofre conseqüências da opção que Eva, e depois Adão, fizeram. Para o homem, a maior conseqüência foi a morte, que é a separação de Deus. Adão e Eva viviam uma realidade talvez inimaginável para nós. Mas mesmo assim sucumbiram ao pecado.

Quando se trata de um texto Bíblico, logo vem várias interpretações. Será que se tratava realmente de uma árvore e Adão e Eva comeram um fruto dessa árvore ou foi no sentido literal? Será que a serpente realmente falou com eles ou é somente algo no sentido figurado? Aqui abre-se um leque de possibilidades, mas não é esse o foco da nossa reflexão. A questão curiosa, é que o ser humano pecou quando o mundo ainda era perfeito. Costumamos responsabilizar o diabo por nossos pecados, mas somos nós que tomamos a decisão. Ele nos dá a idéia, oferece a situação e o resto é conosco. Na carta de Tiago 1:14, lemos que cada um de nós é tentado pelos próprios desejos, sendo por eles arrastado e seduzido. Foi isso que aconteceu com Eva e depois com Adão. Como citado anteriormente, o pecado não se apresentou de forma feia ou de maldade. Esse é o triunfo dele.

Já no início do capítulo 3 de Gênesis, há dois aspectos interessantes. A maioria das traduções da Bíblia para o português, optaram pela palavra  serpente. Mas uma tradução mais específica do hebraico é áspide. Áspide é uma determinada espécie de víbora. Sabemos que as víboras são venenosas e a grande maioria são muito bonitas, tendo cores vivas e chamativas. O mesmo versículo também diz que trata-se do animal mais astuto.  Beleza e esperteza é uma combinação perigosa. A serpente tirou os olhos de Eva que estavam em Deus e os atraiu para si, e ela caiu na armadilha. A esperteza da serpente é percebida do transcorrer do diálogo. Ela não desmente a Deus, mas faz uma pergunta induzindo dúvida na mente de Eva. Podemos afirmar que a serpente fez uma pergunta que continha uma meia verdade, se é que seja possível haver meias verdades. Ela aguçou o desejo do ser humano e foi essa a porta de entrada para o pecado no coração do homem. O coração de Eva estava sendo preparado para o pecado como o lavrador prepara a terra para o plantio. A semente só é lançada na terra quando as condições são propícias para a germinação. Depois da semente lançada, se a terra for boa, a natureza se encarregará do resto. Assim também é com o coração do homem. A serpente preparou o terreno com perguntas a respeito do que Deus ordenara, semeando a dúvida. O grande final veio com uma mentira, que Adão e Eva não morreriam ao comer do fruto, a qual a serpente completou aguçando o desejo humano. Pronto; o terreno para o pecado entrar na humanidade estava pronto.

Não é a toa que a Bíblia afirma que a serpente era o animal mais astuto. Ela trabalhou muito bem, usando parte do que Deus havia dito e induzindo Eva à dúvida. Tudo isso fazia parte apenas de sua estratégia. A grande tacada foi aguçar o desejo de Eva. Apresentou a árvore do conhecimento do bem e do mal como algo bom, através da qual viriam a conhecer, assim como Deus, o bem e o mal. E nisso o inimigo tinha razão, pois eles conheciam o bem, mas ainda não o mal. O desejo de Eva em conhecer mais do que já conhecia cresceu, tomou conta de seu coração e enfim ela pecou. Ela foi enganada mas acho que Adão foi pior, pois não há relato que Eva o tenha enganado. Somente ofereceu e ele aceitou. Provavelmente também já pensava à respeito. O desejo do homem é muito intenso. Atente para o fato de o texto destacar que Eva achava a árvore, ou seu fruto, agradável ao paladar, atraente aos olhos e principalmente desejável para dela obter o discernimento. Ela colocou seu desejo, sua vontade acima da vontade de Deus e o resultado foi o pecado.   Isso pode parecer somente uma historia que ocorreu a milhares de anos atrás e que isso seria diferente se ocorresse nos dias atuais, afinal o ser humano evoluiu e é detentor de muito mais conhecimento. Acredito que isso seja o mais inocente dos sonhos, pois a essência do homem é a mesma em todos os lugares e em todos os tempos. Diariamente experimentamos do fruto do conhecimento do bem e do mal quando colocamos nossa vontade acima da vontade de Deus. Teoricamente não havia nada de errado no fato de Adão e Eva serem conhecedores do bem e do mal, já que o próprio Deus o era. Mas era algo ilegítimo para a raça humana. A queda do homem corrompeu-o, e perdemos a plenitude da glória de Deus e agora nossa mente não é mais como a mente dele. Como já citado, dificilmente o pecado se apresenta como sendo algo mal. Muitos pecados são cometidos quando não sabemos administrar situações que até são boas. Por exemplo: uma pessoa que tem um senso de justiça mais aguçado, tem a tendência de julgar. Não sabendo tratar a questão do senso de justiça, que é um dos atributos de Deus, o homem acaba pecando. O próprio amor pode nos levar a paixões desenfreadas, ciúme e sentimento de posse. Compaixão pode se transformar em um sentimento de pena, uma pessoa chamada para pastorear vidas pode achar que é dono delas e transformar-se em um ditador “dono” da igreja. A própria vontade é algo bom, algo que Deus colocou no nosso ser, mas ela pode tornar-se um ardente e incontrolável desejo. Veja que justiça, amor, compaixão, liderança, vontades entre muitas outras virtudes podem levar o homem ao pecado. Essa é a armadilha do nosso ego. Somos uma raça falida que não tem a capacidade de gerenciar a própria vida. Simplesmente não sabemos viver e a maior prova é a situação em que a humanidade se encontra. Quando o homem olha para si está dando o primeiro passo em direção ao pecado.

O reformador protestante Martim Lutero deixou um legado de pensamentos e frases muito interessantes. Das frases que conheço, uma que é marcante para mim é a seguinte:

 “Você não pode evitar que um passarinho voe por sobre tua cabeça, mas pode evitar que ele faça um ninho nela”.

Passarinhos voam sobre nós, mas se um deles quiser fazer um ninho na nossa cabeça, temos que ter atitude para não permitir isso. Da mesma forma, a idéia do pecado vem à nossa mente, mas cabe a cada um de nós dominar o mal. Eva deu ouvidos à serpente e foi seduzida. Se ela tivesse simplesmente virado as costas e ignorado a voz que a seduzia, não teria cedido ao pecado. A dinâmica do pecado é ver a oportunidade, dar atenção a ela, olhá-la com outros olhos, desejá-la e finalmente tomá-la para si. Acredito que Tiago foi muito feliz ao afirmar que somos tentados pelos próprios desejos. Essa palavra deixa claro que cabe a nós resistir aos impulsos do nosso coração. Talvez nunca venhamos a descobrir a origem do mal, mas a origem do pecado é nosso coração corrompido. Cada vez que eu e você tiramos nossos olhos de Deus e fazemos nossa vontade, estamos pecando. Pode até mesmo parecer exagero, mas mesmo que sejamos ativos em um ministério na igreja sendo que não foi Deus que nos colocou ali, estamos pecando, pois estamos ali por nossa própria iniciativa e não pela vontade divina. O pecado pode e geralmente é muito sutil.

O coração do homem é enganoso e é essencial pedirmos para que Deus sonde esse coração corrompido e nos mostre o que há nele. A partir do momento que nos conhecermos pela perspectiva de Deus, e nos colocarmos sob o seu senhorio teremos uma chance muito maior de acertar. É inocente de nossa parte acreditarmos que nessa vida conseguiremos não pecar, mas cabe a nós sermos cada vez mais parecidos com Cristo e desenvolvermos o seu caráter em nossa vida. E a partir disso teremos sua mente e buscaremos a sua vontade. Esse é o caminho para sermos homens e mulheres que pecam por acidente e não por desleixo, por falta de conhecimento ou até de caráter.

BIBLIOGRAFIA

FRANCISCO, F. Edson, Antigo Testamento Interlinear Hebraico Português, Sociedade Bíblica do Brasil: 2012; Barueri; SP

Bíblia Sagrada – Bíblia de Estudo NVI: nova versão internacional, Editora Vida: 2000; São Paulo; SP

BRUCE, F.F. Comentário Bíblico NVI, Editora Vida:2009; São Paulo; SP

Bíblia Sagrada – Nova Tradução na Linguagem de Hoje; Ed. Soc. Bíblica do Brasil ; 2005 ; São Paulo; SP

Bíblia Sagrada – Bíblia de Jerusalém; Editora Paulus, São Paulo, 2013

CHAMPLIM, RN. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo, Editora Hagnos, SÃO PAULO, 2014

RIENECKER, Fritz, Comentário Esperança, Editora Esperança, 1998

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O DEUS QUE OUVE – W. BINGHAM HUNTER

o Deus que ouve

Como eu já deixei claro em resenhas anteriores, tenho minhas reservas quanto a livros sobre oração. A maioria deles considero fracos, emocionais e nada Bíblicos. São poucos os materiais relevantes sobre este tema e um deles, que está em minha lista dos melhores, é sem dúvida este livro do autor W. Bingham Hunter.

O Deus que ouve, é um material que mescla experiência e conhecimento Bíblico de uma forma magistral, buscando responder algumas dúvidas sobre a oração e o agir de Deus.

A parte interessante do livro é que cada capítulo termina com algumas perguntas reflexivas, levando o leitor a meditação e o entendimento de cada tema abordado, além de ajudar a fixar o conteúdo para melhor aplicação pessoal

Sem dúvida este livro é leitura obrigatória para quem busca uma vida relevante de oração, centrada na palavra e em fazer a vontade de Deus.

Vale a pena comprar!

Lançado pela editora Esperança, com 222páginas.

Site: http://www.editoraesperanca.com.br/

 

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MORTE

Poucos gostam de falar sobre a morte, é um assunto evitado por uma boa parte das pessoas.  O curioso é que a morte é a nossa única certeza.

Apesar de parecer mórbido e sem sentido, fico muito reflexivo diante deste tema. Quando perco um amigo, ou uma pessoa conhecida, a primeira coisa que penso é: A vida que eu estou vivendo vale realmente a pena ser vivida? Tem sentido o que eu estou fazendo? Marcos 8:36 diz:

Pois, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?

Duas coisas concluo com este versículo:

A primeira é sobre a própria salvação, sobre viver uma vida de santidade a Deus. Não adianta você dedicar a sua vida a coisas que vão te tirar do caminho do Pai. O mundo é sutil e faz você trocar as suas prioridades em um passe de mágica. Induzindo-te a trabalhar demais, ou achar que o sentido da sua vida é sua carreira. E aí, com o tempo você se perde no caminho e se esquece da cruz, quando você menos esperar, pecar ou não pecar não mais tocará o seu coração e você seguirá no modo automático

Mas tem outra coisa implícita neste perder a sua alma, que de uma forma ou de outra se completa com a salvação, seria você perder a sua sensibilidade, o seu amor pelas pessoas. Aí, em um belo dia você passará na rua e um morador de rua não mais tocará o seu coração, ou uma pessoa passando dificuldade não te preocupará mais. E você vai seguindo, esquecendo o seu chamado como cristão aqui na terra, você vai seguindo sem alma e sem amor pelas pessoas.

O chamado de Jesus não é só para nos dar salvação e arrependimento, palavra esta que não é mais tão usada, mas para também termos uma vida plena e santa, para nos salvar de sermos escravos do pecado e dos vícios deste mundo, é por isso que a Bíblia tem algumas proibições. Certa vez, uma amiga me perguntou por que Deus nos proíbe de fazer um monte de coisas?

Muitos têm o pensamento equivocado sobre o pecado, alguns acham que Deus é um cara que leva a vida nos impedindo de fazer um monte de coisas legais, é um Deus que gosta de nos ver passar vontades, mas não é isso.

O pecado pode até ser algo bom, mas por um período de tempo curto e é algo passageiro, que Depois nos faz mal. O pecado é como uma arvore da fruta mais gostosa que você já comeu, mas plantada no meio de um rio de esgoto. Você pode até ir lá e se deliciar com a fruta, mas vai se sujar muito, vai se contaminar com a sujeira e ficar doente.

A Bíblia nos exorta a não nos embriagarmos, ela não diz que beber é uma coisa ruim, ela diz que o excesso que é ruim. Vai fazer você ficar mal, fazer burradas e quem sabe com o tempo desenvolver um alcoolismo ou inúmeros outros problemas

A mesma coisa é com os mandamentos de não matar, não adulterar, não mentir. Estas coisas não são boas, podem dar momentos bons, mas no fim nos escraviza, é este o motivo das proibições, as leis são para nos proteger. Gosto de uma letra da banda Desertor que diz: As leis de Deus são pra me proteger

Uma pessoa sem alma é perigosa, vive a vida para si, esquece-se dos outros e do fato de que cada um tem as suas dificuldades e pontos fracos. Uma pessoa sem alma está morta, no caixão, sem vida, pensando só em si e vendo o mundo somente de sua maneira.

E o interessante é que a passagem de marcos inteira é um chamado de Cristo para negar a si mesmo, e seguir colocando os interesses de Cristo em primeiro lugar (Marcos 8:34-36)

A Bíblia nos chama a vivermos uma vida plena e feliz e nos chama a fazermos diferença, e para que isso aconteça, temos que estar sensíveis às pessoas.

Uma pessoa estendida em um caixão não pode lamentar, voltar atrás e recuperar o tempo que jogou fora com coisas inúteis. Ou lamentar os momentos que deixou de passar com os amigos, os abraços nos seus familiares, ou de servir a Deus e fazer a sua vontade. Mas nós, que estamos vivos, podemos!

Ser salvo não é só ter um lugarzinho reservado no céu e sim fazer diferença na vida das pessoas, é seguir fazendo a vontade de Deus e você não faz isso sem sensibilidade, sem alma.

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A FIGUEIRA SECA

    A família do meu pai mora no interior em uma colônia leiteira. Como não é muito longe de onde moro, cerca de uma hora de viagem, na minha infância visitávamos meus avós regularmente. Eu também passava minhas férias lá. Tenho ótimas lembranças desse tempo. Era muito bom andar a cavalo, tomar banho de rio, ouvir as histórias do meu avô, entre outras coisas. Mas lembro muito bem que eu gostava do pomar, pois havia muitas árvores frutíferas. Eu me deliciava com maçãs, peras e pêssegos. Ver aquelas árvores carregadas de frutas enchia os olhos. Mas em uma propriedade daquele tamanho, sempre havia uma ou outra árvore doente. Quando não havia mais jeito ela era cortada e outra era plantada em seu lugar, pois ela não produzia mais frutos.

Na Bíblia lemos um relato que tem muito a ver com isso. No evangelho de Marcos, no capítulo 11, há um relato no qual Jesus estava saindo de Betânia e ficou com fome. No caminho viu uma figueira cheia de folhas, foi colher figos para come-los, mas não encontrou nenhum. Jesus amaldiçoou aquela árvore que acabou secando completamente. Há alguns detalhes que são interessantes de serem avaliados. Um deles é que esse é o único relato bíblico no qual Jesus destrói algo. Pouco depois ele viria a purificar o templo virando as mesas e cadeiras dos que profanaram aquele lugar, mas destruir a figueira foi único, pois ele destruiu um ser vivo. Outro detalhe é que havia algo muito errado com essa figueira. Na região de Israel, as figueiras começam a brotar folhas nos meses de março ou abril, e não frutificam antes de estarem com sua folhagem plenamente formada, o que ocorre no mês de junho. Era a época da páscoa e a figueira já estava totalmente tomada pelas folhas, mas sem seus frutos. Já que as folhas tinham tomaram conta da árvore, Jesus imaginou que encontraria frutos, mas, procurando pelos figos, não os encontrou. Essa passagem é um simples relato, mas podemos aprender um princípio muito importante nele. Há algumas interpretações distintas para esse episódio, mas quero me ater a uma a qual podemos aplicar à nossa vida.

Assim como a figueira, o ser humano também é criação de Deus. Assim como a figueira, nós também temos um papel a desempenhar. Entre os cristãos, e até na própria Bíblia, é comum encontrarmos a idéia de que os filhos de Deus devem frutificar. Da mesma forma que se espera que a figueira produza figos, se espera que um cristão, cuja vida foi transformada por Deus, produza algo. Mas afinal, o que é esse algo?

Acho que podemos dividir os frutos que o cristão deve gerar em duas categorias. A primeira é o que o próprio cristão deve gerar e a segunda é aquilo que o Espírito Santo gera na vida do cristão. Se estudarmos o assunto de forma mais profunda, acabaremos escrevendo um livro; bem… Pelo menos um, mas provavelmente seriam mais. Mas eu gostaria de tecer breves comentários sobre os frutos do cristão. Vamos começar por aquilo que o próprio cristão deve gerar.

Estamos falando de frutos. Quando pensamos em árvores, principalmente as frutíferas, ao refletir sobre o principal papel delas, logo lembramos dos seus frutos. Pensamos naquelas peras, maçãs e pêssegos que podem saciar nossa fome ou simplesmente a vontade de degustar uma fruta gostosa. Mas a principal função dos frutos não é matar nossa fome, mas sim gerar a semente que produzirá uma nova árvore. Assim também, o principal fruto que um cristão deve produzir é um novo cristão. Da mesma forma que as árvores se reproduzem através das sementes, os cristãos devem reproduzir sua fé na vida das pessoas que os rodeiam. Sabemos que não é tão simples assim, mas acredito que haja algo de errado na vida de um cristão que não oferece a semente da palavra para os que o rodeiam. A aceitação da palavra não depende de nós, homens, mas sim do agir de Deus na vida da pessoa e da disposição da pessoa em aceitar a necessidade de uma vida com Deus. Mas a minha e a tua vida devem ser a semente que pode fazer a vida brotar no coração das pessoas. Esse é o principal objetivo do cristão e da própria igreja. Esse é o principal fruto que a vida do cristão deve produzir. Será que temos uma vida tal que as pessoas são influenciadas a ver Deus em nossa vida? Será que a minha e a tua vida são atraentes aos que convivem conosco?

Há porém, aqueles que o Espírito Santo gera na vida dos filhos de Deus. Esses frutos não são opcionais, mas sim uma conseqüência natural do relacionamento do cristão com seu criador. Na carta aos Gálatas encontramos uma lista de itens que compõe o fruto que deve ser visível na vida de todo cristão: “Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé,mansidão, domínio próprio” (Gálatas 5,22). Como já citei, essas características, ou atitudes, são desenvolvidos pelo Espírito Santo e são uma conseqüência natural do nosso relacionamento com Deus. É um fruto que vai se desenvolvendo e amadurecendo a medida que crescemos na intimidade com Deus. Não se trata de um fruto facultativo, mas que deve ser evidente na vida de toda pessoa que professa a fé cristã. Todos nós temos nossas falhas, nossos pontos fracos, mas se tivermos uma vida sadia com nosso Deus, Ele trabalha para que nosso caráter seja aperfeiçoado. Com certeza não chegaremos a perfeição, pelo menos nessa vida, mas devemos desenvolver essas áreas citadas em Gálatas. Aquele que não desenvolve esse fruto deve fazer uma séria avaliação da sua vida.

Da mesma forma que havia algo muito errado com a figueira na qual Jesus esperava encontrar frutos, há algo de errado na vida do cristão que não evidencia os frutos que dele se espera. Mesmo fora de época, a figueira estava cheia de folhas, fato que evidenciava que deveria estar em época de produção. Mas era apenas aparência, pois não produzia nenhum fruto. Infelizmente isso também ocorre com muitas pessoas que sentam nas cadeiras das igrejas. Sua aparência é impecável. Olhando para essas pessoas podemos imaginar que se tratam das pessoas mais fiéis que existem. Estão em todos cultos e demais reuniões, contribuem com generosas ofertas, levantam as mãos quando entoam seus cânticos e até falam o “evangeliquês”. Não fumam, não bebem, não jogam, mas tudo não passa de aparência. É como a figueira: bonita, vistosa, tomada por belas folhas, mas era só isso. Será que esse comportamento descrito é o que Deus quer daqueles que o seguem? Seguidamente vejo os evangélicos criticando a hipocrisia dos fariseus e da religiosidade judaica, mas será que a igreja cristã está longe dessa realidade? O último senso constatou que no Brasil há aproximadamente 42 milhões de evangélicos. Será que se houvesse 42 milhões de pessoas comprometidas com Deus, o país estaria nessa situação? Não estou me referindo à situação econômica, mas a corrupção, desonestidade e falta de princípios permeia toda a sociedade, e infelizmente a própria igreja.

Sou uma pessoa bastante crítica. Acho difícil me conformar com a atual situação da igreja brasileira. Mas não vou responder pelas atitudes da igreja, mas sim pelas minhas próprias atitudes. Será que eu, que critico tanto a igreja, desenvolvo os frutos que Deus espera de mim, ou sou apenas mais um daqueles que tenta enganar a si mesmo? E quanto a você; que vive uma vida de intimidade com Deus e, como conseqüência, apresenta os frutos que se espera de todo cristão, ou é apenas mais um freqüentador de igreja? Comumente confundimos religiosidade com vida com Deus. A religiosidade gera, no máximo, belas folhas na árvore, mas não passa disso. Uma bela aparência que agrada a muitos mas que não traz resultados práticos. Vida com Deus gera frutos que são perceptíveis a todos que convivem conosco. É para isso que Deus nos criou.

A figueira, que deveria alimentar Jesus, era inútil e perdeu sua vida. Da mesma forma, se não apresentarmos os frutos que Deus espera de cada um de nós, não alcançaremos a vida eterna. Não como castigo, mas sim como conseqüência das nossas escolhas. A pessoa que não gera frutos evidencia que está longe de Deus. Ele está muito interessado em mim e em você; provavelmente mais interessado em nós, do que nós nele. Deveria ser exatamente o contrário, mas esse interesse de Deus por todos os homens mostra seu amor. Nossa vida é muito valiosa para produzir somente belas folhas. Como está tua figueira? Desenvolva tua vida com Deus, lance tuas raízes nele e gere todos os frutos que tua vida pode gerar.

 

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GUERRA SANTA

Segundo uma boa parte dos cristãos o anticristo virá da igreja católica. E este papa anticristo, influenciará e desviará uma boa parte das pessoas do caminho de Deus, pelo menos é isso que eu ouço de alguns

Durante a minha caminhada cristã, tenho visto as mais diversas teorias que protestantes inventam sobre a igreja católica. É uma guerra santa, onde farpas voam dos dois lados, tudo com o propósito de mostrar qual é a igreja mais certa.

O curioso é que nenhum destes protestantes conspiracionistas consideram a possibilidade do anticristo vir da própria igreja cristã, isso se ele for um homem. Pois como eu já falei em publicações anteriores, a igreja está um caos, perdida e sem rumo. A igreja tem construído teologias das mais bizarras e nenhuma delas é considerada a porta de entrada para o mal, o anticristo ou quem quer que seja.

Algumas igrejas pregam o evangelho da emoção com “moveres” que vão desde se jogar ao chão, comer capim, uivar, até fazer ofertas de fé. E estas teologias demoníacas nem sempre são julgadas e muitas das vezes são aplaudidas de pé, tudo em nome do prazer pessoal. É feito tudo em nome de experiências, mas pouco se faz com base Bíblica e estudo da palavra.

John MacArthur faz uma análise interessante destes “moveres espirituais”, em seu livro Fogo estranho, ele diz:

“Como resultado, é quase impossível definir o movimento carismático doutrinariamente, exceto por seus erros. Ele resiste a categorização teológica porque tem uma ampla e crescente gama de pontos de vista, cada um deles sujeito à intuição pessoal ou à imaginação”

A instituição se preocupa cada vez mais com crescimento numérico e cada vez menos em se relacionar, fazer diferença em seu bairro, ajudar o próximo. Afinal, uma igreja de “sucesso” é uma igreja grande.

Isso sem contar que os cristãos estão cada vez menos se informando e buscando conhecimento para serem pessoas críticas e relevantes. E cada vez mais se preocupando em cumprir o protocolo, ir ao culto, como a regra manda, se alimentar da palavra de púlpito, como se esta palavra provesse força para a uma caminhada com Deus

Isso sem contar que somos um povo desunido, não parece que adoramos um só Deus, de tão divididos que somos. E pelo menos isso a igreja católica não tem, ela é mais unida e centrada em um propósito, coisa que a igreja protestante já se perdeu há tempos. Ouvi do meu professor uma experiência curiosa sobre isso. Em um jantar de pastores, o governador da cidade que estava presente falou algo interessante:

“Para falar com o responsável da igreja católica, eu chamo o arcebispo, da umbanda eu chamo o babalorixá ou yalorixá, mas para falar com o representante da igreja cristã, eu tenho que organizar um jantar. Pois além de não existir um representante geral, vocês não concordam com a idéia uns dos outros, são muito desunidos”

Enquanto muitos estão procurando o anticristo na igreja católica, a igreja cristã vai se afundando e cada vez mais pastores mercenários ganham destaque, procurando cada um valorizar seus propósitos.

Quando Cristo fala de lobos em pele de ovelha (Mateus 7:15), ele não está falando de alguma igreja específica. E sim de falsos mestres, que invadem a igreja e deturpam a palavra, e isso tem em muitas igrejas, ninguém está imune a estes ataques.

Lobos em pele de ovelhas são pessoas que aparentam algo que não são, e estão dentro do corpo de Cristo para apenas tirar vantagens. É por isso que a Bíblia constantemente nos adverte a estarmos preparados, 1Timóteo 2:15 diz:

 “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade”.

Este texto resume como devemos ser e qual a cultura que temos que cultivar. Procura apresentar-te aprovado, no grego é spoudadzo, que significa apressar-se, ser zeloso, ser urgente. (Champlin, 2014, Pg 492). E apesar de ainda não existir o novo testamento naquela época, o texto se refere aos ensinos dos apóstolos.

Muito se fala do anticristo, muitas são as teorias, mas pouco se fala no grande papel negativo de algumas denominações. Claro, não podemos generalizar, nem todas estão perdidas ou focadas a enganar os outros, mas uma coisa é verdadeira, temos nos calado diante destas falsas teologias. Mas o que fazer para combater este mal? Como proceder para nos proteger destes falsos ensinos?

O Segredo é estudar e orar, esta é a junção perfeita para todo o cristão. Buscar Deus, mas buscar o conhecimento também. Quando você assim procede, você deixa de ir por conversas, medita mais e procura na palavra de Deus a base do que lhe é ensinado.

Faz parte do Cristão não engolir tudo goela abaixo, faz parte da vida com Deus viver uma fé alicerçada em Cristo e em sua palavra, para assim, em nenhum momento, seguirmos vivendo uma vida medíocre e sem sentido.

 

BIBLIOGRAFIA

CHAMPLIM, Rn. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo, Editora Hagnos, SÃO PAULO, 2014

MACARTHUR, John, Fogo Estranho, Um Olhar Questionador Sobre a Operação do Espírito Santo no Mundo de Hoje, Editora Thomas Nelson, Rio de Janeiro, 2015

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