Resultados para tag "bruno-wedel"

15 Artigos

A FALÊNCIA DO HOMEM – BRUNO WEDEL

Cazuza foi um dos artistas mais influentes das últimas décadas no cenário nacional. Qualquer pessoa que seja um pouco antenada no mundo, conhece ao menos uma de suas obras. Um de seus hits é a música intitulada “Ideologia”, e ela tem muito a nos ensinar.

Cazuza foi um homem muito bem sucedido aos olhos da sociedade, alcançando tudo o que alguém possa querer. Sucesso, fama e dinheiro fizeram parte de sua vida. Ele foi um exemplo de sucesso para milhões de pessoas. Poucos meses antes de sua morte ele fez um balanço da vida, o que o inspirou a escrever essa música. Ele seguiu à risca o modelo de vida proposto pela sociedade e o resultado ele expressou nessa letra. Quero destacar algumas frases dessa musica: “e as ilusões estão todas perdidas. Os meus sonhos foram todos vendidos…”; Meus heróis morreram de overdose”; “Meus inimigos estão no poder”. Talvez a frase mais marcante seja o refrão: “Ideologia! Eu quero uma pra viver”.

Vemos aqui uma pessoa amargurada para quem a vida deu errado. Teve tudo o que alguém possa querer, mas fracassou. Meses antes de se despedir da vida, reconhece que tudo o que conquistou foi insuficiente para lhe proporcionar a felicidade. Ele precisava de algo a mais, e clamou por uma ideologia para viver. Ele pediu por algo que fizesse sua vida valer a pena de ser vivida. Cazuza chegou à mesma conclusão que o Rei Salomão, quando  afirmou: “Tudo é vaidade”. Cazuza e Salomão não são exceções quando chegam a essa conclusão. O modelo de vida proposto pelo homem construiu o mundo que conhecemos; uma sociedade falida.

Para sairmos desse círculo vicioso temos que aplicar o que Paulo escreveu:

Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Romanos 12,2).

Nossa vida só valerá a pena se não vivermos o que a sociedade nos propõe, e reconfigurarmos nossos princípios de vida conforme a vontade de Deus. Essa renovação da mente é a ideologia que Cazuza tanto buscou. Qualquer fórmula diferente dessa é uma simples ilusão. Pode parecer algo muito “igrejeiro”, mas não deixa de ser verdade. Cazuza apostou suas fichas no homem e perdeu. Resta a pergunta. Onde vou apostar minhas fichas? Onde você vai apostar as tuas?

12 visualizações

O EVANGELHO DO ORGULHO

O título desse texto pode parecer paradoxal. Na realidade realmente é, pois a mensagem de Cristo traz a humildade como uma das características mais marcantes de um cristão, mas infelizmente não é o que vemos na vida de muitas pessoas. Os ensinos de Jesus mostram a miserabilidade da condição humana, e quando um discípulo de Cristo olha para si mesmo, logo reconhece sua condição; nada tem e nada merece. Não consegue resolver seu maior problema, é dependente da ação de Deus em sua vida.

Porém, percebo um número cada vez maior de cristãos, ou pelo menos assim se dizem, orgulhosos e arrogantes. O que é orgulho? É uma atitude, muitas vezes interior, onde o indivíduo se coloca em posição superior aos demais. É o desprezo pelo próximo. Consultando o dicionário, deparei-me com uma definição que chamou minha atenção: orgulho é uma soberba ridícula. Gostei dessa definição; soberba ridícula. Acho que o orgulho realmente é ridículo; é patético! A questão que me incomoda, é tentar entender como pode haver um cristão orgulhoso. Antes de mais nada, quero deixar claro, que estou me referindo à pessoas que são assim, e que cultivam essa atitude, achando que estão certas. Há aquelas que tem essa característica, mas que se submetem ao tratamento divino.

Quando olhamos para a Bíblia, logo vemos que os servos de Deus são humildes. Jesus era muito duro com os soberbos, e um dos exemplos é aquela passagem que relata a oração de um religioso que orava e dava graças a Deus por não ser como o publicano que estava ao seu lado. O que o texto afirma sobre essa atitude? Olhando para a igreja brasileira, começo a me questionar o que está sendo ensinado. Parece que é o evangelho do orgulho, onde a condição de cristão, de filho de Deus, é um status que coloca o fiel acima dos outros. Vemos isso em diversas correntes: no meio pentecostal, aqueles que manifestam alguns determinados dons espirituais, são melhor vistos, são mais “espirituais” e estão em um status superior aos demais. No meio histórico há certo orgulho por se conhecer mais a Palavra; os calvinistas se acham superiores aos demais por serem escolhidos, e os arminianos por saberem escolher o certo. Um detalhe interessante, é que essa característica parece ser mais perceptível em uma ou outra linha teológica. Nesse ponto quero fazer uma pergunta: qual o fruto que tua crença gera na tua vida? Que atitude a linha teológica que você segue te leva a ter?. Se a atitude não for um profundo sentimento de humildade, de amor e misericórdia pelo teu próximo, há algo de errado com tua teologia, ou com a tua vida. 

Infelizmente esse é um assunto que não é levado muito a sério e esquecemos que orgulho e arrogância são pecados. Vejo algumas pessoas que se identificam como sendo cristãos, humilhar outros e até mesmo brincando com a questão do orgulho. Interessante que não vejo ninguém falar brincando “é…sou mesmo um adúltero, desonesto, estuprador…”. Mas vejo muitas pessoas brincando com a questão do orgulho. A Bíblia nos traz o relato e o exemplo de muitas pessoas que tinham todos os motivos para serem orgulhosas, e quanto mais elas andavam com Cristo, mais elas enxergavam sua pequenez. Acho que muitos se esquecem de ler, ou nunca leram, passagens como por exemplo, Provérbios 16,18, onde lemos: “A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito precede a queda”. A essência da mensagem de Cristo é amor a Deus, ao próximo e humildade. Quando se tem uma atitude de orgulho, não está se amando o próximo. Talvez pareça algo exagerado, mas o que dizer de passagens que afirmam que Deus resiste aos soberbos e ainda pior: que ele abomina todo o altivo de coração? Será que é exagero? Trata-se de um pecado muito sutil, não levado a sério, mas não podemos esquecer que a sutileza é a maior arma de satanás.

 É impossível que o evangelho de Cristo nos leve a uma atitude de soberba. Se isso acontece, é porque ele ainda não percorreu o caminho da mente até o coração. A partir do momento que a Palavra de Deus pulsar em nosso peito saberemos quem somos, e consequentemente seremos humildes. Acho que todos nós deveríamos fazer a oração que Davi fez, pedindo que Deus sonde nosso coração, revelando o que está escondido. Muitas vezes somos incapazes de ver nossas atitudes. Mas, a partir do momento que Deus nos mostra, muitas vezes através de outras pessoas, que temos atitudes de orgulho e simplesmente ignoramos isso, talvez estejamos próximos da ruína e da queda citada no versículo de Provérbios. Não esqueça que você é quem você vive e não necessariamente quem você diz ser.

 

89 visualizações

ONDE ESTÁ DEUS?

 A humanidade já passou por inúmeras tragédias. São momentos muito difíceis na qual geralmente são feitas muitas perguntas. Em uma das tragédias mais marcantes, o atentado ao WTC em 11 de setembro de 2001, 2753 vidas foram ceifadas, o que causou comoção mundial. Em um talk show, o Early Show, a entrevistadora Jane Clayson perguntou para Anne Graham, filha do evangelista Billy Graham, como Deus permitiu uma tragédia como aquela, e onde ele estava?

Geralmente buscamos responsáveis para algumas situações com as quais não sabemos lidar. Diante de situações que não são compreendidas, muitas vezes o responsável acaba sendo Deus. Interessante que o Deus que habita o imaginário da maioria das pessoas, é um tipo de gênio da lâmpada de Aladim que realiza nossos desejos. Ele é visto como um ser superior, que tem a obrigação de resolver os problemas da humanidade. Esse Deus só é buscado pela maioria das pessoas, quando estas precisam de algo. Ou seja, é um tipo de bombeiro, o qual chamamos para apagar os incêndios da vida.

É esse o relacionamento Deus-homem que é descrito na Bíblia? É essa a vontade de Deus para o homem? A soberania de Deus é inquestionável, mas não creio em um Deus determinista. Não acho que tudo o que acontece no universo seja da vontade de Deus. Acredito que boa parte dos problemas que enfrentamos, e até mesmo muitas tragédias, são consequências dos atos do homem. Não foi Deus que derrubou as torres gêmeas. O homem causa muitas tragédias, e depois se põe a perguntar “onde está Deus?” Chega a ser cômico! Não conseguimos compreender totalmente a Deus e assim também não entendemos sua forma de agir. Considerando sua soberania, sabemos que em várias circunstâncias ele intervém, mas em outras não. Isso é algo para o que realmente não tenho uma resposta.

 A principal questão sobre a qual quero refletir é: onde está Deus? Teologicamente a resposta seria que ele é onipresente, e sendo assim, está em todos os lugares. Mas no âmbito pessoal, no que tange nossos questionamentos, ouso a afirmar que ele está lá onde o colocamos. Não que ele só age na vida das pessoas que o buscam, nem que ter uma vida íntima com Deus é uma garantia de que nada de mal irá nos acontecer. Mas chega ser irônico quando pessoas que nunca dão um passo na direção de Deus cobram sua ação diante de circunstâncias difíceis. Diante dos infortúnios da vida, muito provavelmente, pessoas que conhecem Deus, nunca questionarão onde ele está, pois sabem como a vida é. Por isso, para quem faz essa pergunta, talvez a resposta mais razoável seja: Deus está onde você o coloca.

 

20 visualizações

O ÔNUS DO BÔNUS

 Vivemos em um país de 3º mundo, onde há muita coisa para ser mudada. De uma forma geral ficamos admirados, e até com “inveja”, de como as coisas funcionam bem em países desenvolvidos. Parece que quase tudo funciona como um relógio suíço e gostaríamos de viver uma realidade parecida. Mas há um pequeno detalhe. Geralmente queremos viver uma realidade dessas, mas sem pagar o preço. Admiramos a segurança que existe no trânsito japonês, citando apenas um exemplo, mas não somos capazes de respeitar uma simples placa de sinalização, e quando somos punidos por infringir regras, reclamamos da “indústria das multas”, e nos achamos injustiçados. Ou seja, queremos o bônus sem arcar com o ônus para desenvolver uma sociedade melhor.

 Mas não podemos pensar em vida em sociedade esquecendo de aplicar os princípios em nossa vida pessoal. A vida social é reflexo de como cada cidadão vive como indivíduo. Sou conhecido por ser uma pessoa muito crítica. Está certo que tenho que cuidar com isso, mas acho que em alguns casos devemos ser críticos. Por exemplo: sou mais crítico com quem carrega o nome de Cristo. Não por esperar que seja uma pessoa boazinha ou perfeita; o que espero dela, é que tenha atitudes coerentes com o seu discurso. E nessa questão do ônus e bônus, também se aplica na nossa espiritualidade.

É claro que a salvação não depende de nossos esforços, e a alcançamos pela graça e misericórdia de Deus. Não há nada que possamos fazer, além de uma decisão pessoal, que vá incrementar algo para sermos salvos. Mas é fato que a Bíblia está recheada de conceitos nos quais vemos claramente que devemos esforçar-nos para nos manter firmes. Talvez o exemplo que melhor mostre essa realidade é a vida de devocional dos cristãos. Todo cristão quer conhecer mais Deus, saber sua vontade para sua vida, e também usufruir das bênçãos do criador. Mas pesquisas mostram que o tempo que cada cristão investe na devocional é simplesmente ridículo. Cerca de 70% dos pastores não tem uma vida devocional consistente. É uma questão de lógica; como queremos conhecer Deus se não reservamos pelo menos 20 minutos por dia para ter um momento a sós com ele? Você realmente acha que eu vou desenvolver minha espiritualidade assistindo seriadinho da TV ou batendo papo no facebook? Não que isso seja errado, mas para isso geralmente arranjamos os 20 minutos por dia.

 Acabei de usar o termo “desenvolver a espiritualidade”. Isso me lembrou de uma palavra do apóstolo Paulo aos Filipenses, quando ele os exorta para desenvolverem sua salvação (Fil. 2.12). Esse desenvolvimento cabe ao homem. Fala-se que a meritocracia não se aplica na vida cristã; será? Não se aplica no caso da salvação, mas o que dizer da parábola dos talentos? O que aconteceu com aquele servo que não fez nada com o que recebeu?. O que a palavra fala sobre a pessoa que não trabalha? Isso sem citar o versículo de Hebreus 12, onde lemos que sem santificação ninguém verá a Deus. Ora, o processo da santificação depende de cada um, onde devemos investir esforços para desenvolver um caráter o mais parecido possível com o de Deus.

 Vivemos uma realidade na qual parece que há um senso comum em boa parte das igrejas que Deus faz tudo, e é ele que faz as coisas acontecerem. Ele realmente pode fazer tudo acontecer, mas é muito cômodo ficar sentado, de mãos estendidas esperando que as bênçãos caiam do céu. Será que a vida é assim?  Para aqueles que realmente querem um vida que tenha a plenitude do Espírito Santo, só há um caminho. Arregaçar as mangas e investir em uma vida cada vez mais íntima com Deus; mas isso demanda atitude e geralmente grandes esforços. Afinal, não há bônus sem ônus.

67 visualizações

CAMINHO SEM VOLTA

 Um dos temais mais abordados pela Bíblia, principalmente no Novo Testamento, é a perseverança. Essa palavra aparece pelo menos em 31 ocasiões distintas somente nessa seção da Bíblia, sem considerar outras incontáveis vezes que aparece a ideia da perseverança mas usando outros termos. Quando o assunto é Bíblia e teologia, sabemos que há diversas linhas de pensamento. Há aqueles que entendem que um verdadeiro discípulo de Cristo não perde sua salvação em hipótese alguma, enquanto que outros entendem que a salvação pode ser perdida.

Particularmente acredito na segunda hipótese; não que a salvação seja perdida, que alguém ou algo nos tire das mãos protetoras de Deus, mas que nós, por decisão própria, podemos desistir. Ambas interpretações baseiam-se nas Escrituras e trazem argumentações interessantes. Algo que chama minha atenção, é que, se, uma vez que a pessoa seja salva não há mais risco algum de perder a vida eterna, por que a questão da perseverança é tão enfatizada principalmente no Novo Testamento? Se não há perigo algum, por que Deus nos adverte tanto para perseverarmos até o fim para que sejamos salvos?

 A questão é que a perseverança é um dos pilares do cristianismo. Entendo a caminhada com Cristo como um caminho sem volta. Pode parecer um paradoxo, já que creio que podemos desistir, mas todo aquele que conhece a verdade sabe o que significa pular fora do barco. Sabemos muito bem que teremos uma vida frustrada sabendo que estamos fora daquilo que Deus planejou para nossa vida, isso sem contar o que vem depois. Para uma pessoa que conhece a Cristo, afastar-se dele é sinônimo de infelicidade e derrota anunciada. Pode parecer simples ficar na caminhada com Deus, mas se fosse fácil não haveria tantas exortações à perseverança. Analisando a questão pela perspectiva meramente humana, há inúmeros motivos para não entrarmos em uma “roubada” como o cristianismo. A própria palavra de Deus já nos adverte que estaremos nadando contra a maré, que colheremos inimizades, que o mundo nos odiará, e que aos olhos da sociedade provavelmente seremos fracassados ou otários. Abdicamos de muitas práticas que praticamente são necessárias para termos posições destacadas na sociedade. Ou seja, só um insano iria contra tudo isso.

Mas Deus nos chama à vivermos uma vida “insana”, contra tudo o que a sociedade crê. E para que tenhamos êxito, para que cheguemos até a linha de chegada precisamos de muita perseverança. Diariamente encontramos muitos motivos para desistir, mas olhando para Deus vemos apenas um motivo para perseverarmos; o próprio Deus. E esse motivo tem um peso muito maior do que todos os motivos contrários. Há momentos onde não vemos mais saída, não temos mais forças, não temos mais esperança e parece que chegamos ao fim da linha e que fomos derrotados. Quando estamos em uma situação dessa, só temos uma coisa a fazer. Mesmo sem forças, temos que dar um passo em frente, mesmo achando que não resolva nada, dar outro e outro. Isso é perseverar. Cada passo dado é uma milha andada no caminho sem volta. O que aos olhos do mundo é insanidade, aos olhos de Deus é sabedoria. Podemos ter momentos de frustração, mas quando perseveramos, nossa vida não será de frustrações. Se praticarmos o que lemos em Hebreus 10,39, “Nós, porém, não somos dos que retrocedem para a perdição”, estaremos firmes nesse nosso caminho sem volta. Façamos da perseverança o combustível de cada passo que damos na nossa caminhada com Cristo.

166 visualizações