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A FALÊNCIA DO HOMEM – BRUNO WEDEL

Cazuza foi um dos artistas mais influentes das últimas décadas no cenário nacional. Qualquer pessoa que seja um pouco antenada no mundo, conhece ao menos uma de suas obras. Um de seus hits é a música intitulada “Ideologia”, e ela tem muito a nos ensinar.

Cazuza foi um homem muito bem sucedido aos olhos da sociedade, alcançando tudo o que alguém possa querer. Sucesso, fama e dinheiro fizeram parte de sua vida. Ele foi um exemplo de sucesso para milhões de pessoas. Poucos meses antes de sua morte ele fez um balanço da vida, o que o inspirou a escrever essa música. Ele seguiu à risca o modelo de vida proposto pela sociedade e o resultado ele expressou nessa letra. Quero destacar algumas frases dessa musica: “e as ilusões estão todas perdidas. Os meus sonhos foram todos vendidos…”; Meus heróis morreram de overdose”; “Meus inimigos estão no poder”. Talvez a frase mais marcante seja o refrão: “Ideologia! Eu quero uma pra viver”.

Vemos aqui uma pessoa amargurada para quem a vida deu errado. Teve tudo o que alguém possa querer, mas fracassou. Meses antes de se despedir da vida, reconhece que tudo o que conquistou foi insuficiente para lhe proporcionar a felicidade. Ele precisava de algo a mais, e clamou por uma ideologia para viver. Ele pediu por algo que fizesse sua vida valer a pena de ser vivida. Cazuza chegou à mesma conclusão que o Rei Salomão, quando  afirmou: “Tudo é vaidade”. Cazuza e Salomão não são exceções quando chegam a essa conclusão. O modelo de vida proposto pelo homem construiu o mundo que conhecemos; uma sociedade falida.

Para sairmos desse círculo vicioso temos que aplicar o que Paulo escreveu:

Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Romanos 12,2).

Nossa vida só valerá a pena se não vivermos o que a sociedade nos propõe, e reconfigurarmos nossos princípios de vida conforme a vontade de Deus. Essa renovação da mente é a ideologia que Cazuza tanto buscou. Qualquer fórmula diferente dessa é uma simples ilusão. Pode parecer algo muito “igrejeiro”, mas não deixa de ser verdade. Cazuza apostou suas fichas no homem e perdeu. Resta a pergunta. Onde vou apostar minhas fichas? Onde você vai apostar as tuas?

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O EVANGELHO DO ORGULHO

O título desse texto pode parecer paradoxal. Na realidade realmente é, pois a mensagem de Cristo traz a humildade como uma das características mais marcantes de um cristão, mas infelizmente não é o que vemos na vida de muitas pessoas. Os ensinos de Jesus mostram a miserabilidade da condição humana, e quando um discípulo de Cristo olha para si mesmo, logo reconhece sua condição; nada tem e nada merece. Não consegue resolver seu maior problema, é dependente da ação de Deus em sua vida.

Porém, percebo um número cada vez maior de cristãos, ou pelo menos assim se dizem, orgulhosos e arrogantes. O que é orgulho? É uma atitude, muitas vezes interior, onde o indivíduo se coloca em posição superior aos demais. É o desprezo pelo próximo. Consultando o dicionário, deparei-me com uma definição que chamou minha atenção: orgulho é uma soberba ridícula. Gostei dessa definição; soberba ridícula. Acho que o orgulho realmente é ridículo; é patético! A questão que me incomoda, é tentar entender como pode haver um cristão orgulhoso. Antes de mais nada, quero deixar claro, que estou me referindo à pessoas que são assim, e que cultivam essa atitude, achando que estão certas. Há aquelas que tem essa característica, mas que se submetem ao tratamento divino.

Quando olhamos para a Bíblia, logo vemos que os servos de Deus são humildes. Jesus era muito duro com os soberbos, e um dos exemplos é aquela passagem que relata a oração de um religioso que orava e dava graças a Deus por não ser como o publicano que estava ao seu lado. O que o texto afirma sobre essa atitude? Olhando para a igreja brasileira, começo a me questionar o que está sendo ensinado. Parece que é o evangelho do orgulho, onde a condição de cristão, de filho de Deus, é um status que coloca o fiel acima dos outros. Vemos isso em diversas correntes: no meio pentecostal, aqueles que manifestam alguns determinados dons espirituais, são melhor vistos, são mais “espirituais” e estão em um status superior aos demais. No meio histórico há certo orgulho por se conhecer mais a Palavra; os calvinistas se acham superiores aos demais por serem escolhidos, e os arminianos por saberem escolher o certo. Um detalhe interessante, é que essa característica parece ser mais perceptível em uma ou outra linha teológica. Nesse ponto quero fazer uma pergunta: qual o fruto que tua crença gera na tua vida? Que atitude a linha teológica que você segue te leva a ter?. Se a atitude não for um profundo sentimento de humildade, de amor e misericórdia pelo teu próximo, há algo de errado com tua teologia, ou com a tua vida. 

Infelizmente esse é um assunto que não é levado muito a sério e esquecemos que orgulho e arrogância são pecados. Vejo algumas pessoas que se identificam como sendo cristãos, humilhar outros e até mesmo brincando com a questão do orgulho. Interessante que não vejo ninguém falar brincando “é…sou mesmo um adúltero, desonesto, estuprador…”. Mas vejo muitas pessoas brincando com a questão do orgulho. A Bíblia nos traz o relato e o exemplo de muitas pessoas que tinham todos os motivos para serem orgulhosas, e quanto mais elas andavam com Cristo, mais elas enxergavam sua pequenez. Acho que muitos se esquecem de ler, ou nunca leram, passagens como por exemplo, Provérbios 16,18, onde lemos: “A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito precede a queda”. A essência da mensagem de Cristo é amor a Deus, ao próximo e humildade. Quando se tem uma atitude de orgulho, não está se amando o próximo. Talvez pareça algo exagerado, mas o que dizer de passagens que afirmam que Deus resiste aos soberbos e ainda pior: que ele abomina todo o altivo de coração? Será que é exagero? Trata-se de um pecado muito sutil, não levado a sério, mas não podemos esquecer que a sutileza é a maior arma de satanás.

 É impossível que o evangelho de Cristo nos leve a uma atitude de soberba. Se isso acontece, é porque ele ainda não percorreu o caminho da mente até o coração. A partir do momento que a Palavra de Deus pulsar em nosso peito saberemos quem somos, e consequentemente seremos humildes. Acho que todos nós deveríamos fazer a oração que Davi fez, pedindo que Deus sonde nosso coração, revelando o que está escondido. Muitas vezes somos incapazes de ver nossas atitudes. Mas, a partir do momento que Deus nos mostra, muitas vezes através de outras pessoas, que temos atitudes de orgulho e simplesmente ignoramos isso, talvez estejamos próximos da ruína e da queda citada no versículo de Provérbios. Não esqueça que você é quem você vive e não necessariamente quem você diz ser.

 

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ONDE ESTÁ DEUS?

 A humanidade já passou por inúmeras tragédias. São momentos muito difíceis na qual geralmente são feitas muitas perguntas. Em uma das tragédias mais marcantes, o atentado ao WTC em 11 de setembro de 2001, 2753 vidas foram ceifadas, o que causou comoção mundial. Em um talk show, o Early Show, a entrevistadora Jane Clayson perguntou para Anne Graham, filha do evangelista Billy Graham, como Deus permitiu uma tragédia como aquela, e onde ele estava?

Geralmente buscamos responsáveis para algumas situações com as quais não sabemos lidar. Diante de situações que não são compreendidas, muitas vezes o responsável acaba sendo Deus. Interessante que o Deus que habita o imaginário da maioria das pessoas, é um tipo de gênio da lâmpada de Aladim que realiza nossos desejos. Ele é visto como um ser superior, que tem a obrigação de resolver os problemas da humanidade. Esse Deus só é buscado pela maioria das pessoas, quando estas precisam de algo. Ou seja, é um tipo de bombeiro, o qual chamamos para apagar os incêndios da vida.

É esse o relacionamento Deus-homem que é descrito na Bíblia? É essa a vontade de Deus para o homem? A soberania de Deus é inquestionável, mas não creio em um Deus determinista. Não acho que tudo o que acontece no universo seja da vontade de Deus. Acredito que boa parte dos problemas que enfrentamos, e até mesmo muitas tragédias, são consequências dos atos do homem. Não foi Deus que derrubou as torres gêmeas. O homem causa muitas tragédias, e depois se põe a perguntar “onde está Deus?” Chega a ser cômico! Não conseguimos compreender totalmente a Deus e assim também não entendemos sua forma de agir. Considerando sua soberania, sabemos que em várias circunstâncias ele intervém, mas em outras não. Isso é algo para o que realmente não tenho uma resposta.

 A principal questão sobre a qual quero refletir é: onde está Deus? Teologicamente a resposta seria que ele é onipresente, e sendo assim, está em todos os lugares. Mas no âmbito pessoal, no que tange nossos questionamentos, ouso a afirmar que ele está lá onde o colocamos. Não que ele só age na vida das pessoas que o buscam, nem que ter uma vida íntima com Deus é uma garantia de que nada de mal irá nos acontecer. Mas chega ser irônico quando pessoas que nunca dão um passo na direção de Deus cobram sua ação diante de circunstâncias difíceis. Diante dos infortúnios da vida, muito provavelmente, pessoas que conhecem Deus, nunca questionarão onde ele está, pois sabem como a vida é. Por isso, para quem faz essa pergunta, talvez a resposta mais razoável seja: Deus está onde você o coloca.

 

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O ÔNUS DO BÔNUS

 Vivemos em um país de 3º mundo, onde há muita coisa para ser mudada. De uma forma geral ficamos admirados, e até com “inveja”, de como as coisas funcionam bem em países desenvolvidos. Parece que quase tudo funciona como um relógio suíço e gostaríamos de viver uma realidade parecida. Mas há um pequeno detalhe. Geralmente queremos viver uma realidade dessas, mas sem pagar o preço. Admiramos a segurança que existe no trânsito japonês, citando apenas um exemplo, mas não somos capazes de respeitar uma simples placa de sinalização, e quando somos punidos por infringir regras, reclamamos da “indústria das multas”, e nos achamos injustiçados. Ou seja, queremos o bônus sem arcar com o ônus para desenvolver uma sociedade melhor.

 Mas não podemos pensar em vida em sociedade esquecendo de aplicar os princípios em nossa vida pessoal. A vida social é reflexo de como cada cidadão vive como indivíduo. Sou conhecido por ser uma pessoa muito crítica. Está certo que tenho que cuidar com isso, mas acho que em alguns casos devemos ser críticos. Por exemplo: sou mais crítico com quem carrega o nome de Cristo. Não por esperar que seja uma pessoa boazinha ou perfeita; o que espero dela, é que tenha atitudes coerentes com o seu discurso. E nessa questão do ônus e bônus, também se aplica na nossa espiritualidade.

É claro que a salvação não depende de nossos esforços, e a alcançamos pela graça e misericórdia de Deus. Não há nada que possamos fazer, além de uma decisão pessoal, que vá incrementar algo para sermos salvos. Mas é fato que a Bíblia está recheada de conceitos nos quais vemos claramente que devemos esforçar-nos para nos manter firmes. Talvez o exemplo que melhor mostre essa realidade é a vida de devocional dos cristãos. Todo cristão quer conhecer mais Deus, saber sua vontade para sua vida, e também usufruir das bênçãos do criador. Mas pesquisas mostram que o tempo que cada cristão investe na devocional é simplesmente ridículo. Cerca de 70% dos pastores não tem uma vida devocional consistente. É uma questão de lógica; como queremos conhecer Deus se não reservamos pelo menos 20 minutos por dia para ter um momento a sós com ele? Você realmente acha que eu vou desenvolver minha espiritualidade assistindo seriadinho da TV ou batendo papo no facebook? Não que isso seja errado, mas para isso geralmente arranjamos os 20 minutos por dia.

 Acabei de usar o termo “desenvolver a espiritualidade”. Isso me lembrou de uma palavra do apóstolo Paulo aos Filipenses, quando ele os exorta para desenvolverem sua salvação (Fil. 2.12). Esse desenvolvimento cabe ao homem. Fala-se que a meritocracia não se aplica na vida cristã; será? Não se aplica no caso da salvação, mas o que dizer da parábola dos talentos? O que aconteceu com aquele servo que não fez nada com o que recebeu?. O que a palavra fala sobre a pessoa que não trabalha? Isso sem citar o versículo de Hebreus 12, onde lemos que sem santificação ninguém verá a Deus. Ora, o processo da santificação depende de cada um, onde devemos investir esforços para desenvolver um caráter o mais parecido possível com o de Deus.

 Vivemos uma realidade na qual parece que há um senso comum em boa parte das igrejas que Deus faz tudo, e é ele que faz as coisas acontecerem. Ele realmente pode fazer tudo acontecer, mas é muito cômodo ficar sentado, de mãos estendidas esperando que as bênçãos caiam do céu. Será que a vida é assim?  Para aqueles que realmente querem um vida que tenha a plenitude do Espírito Santo, só há um caminho. Arregaçar as mangas e investir em uma vida cada vez mais íntima com Deus; mas isso demanda atitude e geralmente grandes esforços. Afinal, não há bônus sem ônus.

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CAMINHO SEM VOLTA

 Um dos temais mais abordados pela Bíblia, principalmente no Novo Testamento, é a perseverança. Essa palavra aparece pelo menos em 31 ocasiões distintas somente nessa seção da Bíblia, sem considerar outras incontáveis vezes que aparece a ideia da perseverança mas usando outros termos. Quando o assunto é Bíblia e teologia, sabemos que há diversas linhas de pensamento. Há aqueles que entendem que um verdadeiro discípulo de Cristo não perde sua salvação em hipótese alguma, enquanto que outros entendem que a salvação pode ser perdida.

Particularmente acredito na segunda hipótese; não que a salvação seja perdida, que alguém ou algo nos tire das mãos protetoras de Deus, mas que nós, por decisão própria, podemos desistir. Ambas interpretações baseiam-se nas Escrituras e trazem argumentações interessantes. Algo que chama minha atenção, é que, se, uma vez que a pessoa seja salva não há mais risco algum de perder a vida eterna, por que a questão da perseverança é tão enfatizada principalmente no Novo Testamento? Se não há perigo algum, por que Deus nos adverte tanto para perseverarmos até o fim para que sejamos salvos?

 A questão é que a perseverança é um dos pilares do cristianismo. Entendo a caminhada com Cristo como um caminho sem volta. Pode parecer um paradoxo, já que creio que podemos desistir, mas todo aquele que conhece a verdade sabe o que significa pular fora do barco. Sabemos muito bem que teremos uma vida frustrada sabendo que estamos fora daquilo que Deus planejou para nossa vida, isso sem contar o que vem depois. Para uma pessoa que conhece a Cristo, afastar-se dele é sinônimo de infelicidade e derrota anunciada. Pode parecer simples ficar na caminhada com Deus, mas se fosse fácil não haveria tantas exortações à perseverança. Analisando a questão pela perspectiva meramente humana, há inúmeros motivos para não entrarmos em uma “roubada” como o cristianismo. A própria palavra de Deus já nos adverte que estaremos nadando contra a maré, que colheremos inimizades, que o mundo nos odiará, e que aos olhos da sociedade provavelmente seremos fracassados ou otários. Abdicamos de muitas práticas que praticamente são necessárias para termos posições destacadas na sociedade. Ou seja, só um insano iria contra tudo isso.

Mas Deus nos chama à vivermos uma vida “insana”, contra tudo o que a sociedade crê. E para que tenhamos êxito, para que cheguemos até a linha de chegada precisamos de muita perseverança. Diariamente encontramos muitos motivos para desistir, mas olhando para Deus vemos apenas um motivo para perseverarmos; o próprio Deus. E esse motivo tem um peso muito maior do que todos os motivos contrários. Há momentos onde não vemos mais saída, não temos mais forças, não temos mais esperança e parece que chegamos ao fim da linha e que fomos derrotados. Quando estamos em uma situação dessa, só temos uma coisa a fazer. Mesmo sem forças, temos que dar um passo em frente, mesmo achando que não resolva nada, dar outro e outro. Isso é perseverar. Cada passo dado é uma milha andada no caminho sem volta. O que aos olhos do mundo é insanidade, aos olhos de Deus é sabedoria. Podemos ter momentos de frustração, mas quando perseveramos, nossa vida não será de frustrações. Se praticarmos o que lemos em Hebreus 10,39, “Nós, porém, não somos dos que retrocedem para a perdição”, estaremos firmes nesse nosso caminho sem volta. Façamos da perseverança o combustível de cada passo que damos na nossa caminhada com Cristo.

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QUANDO AS CONVICÇÕES CONFRONTAM A PALAVRA

 Em diversas ocasiões citei a relativização dos conceitos que começa a reinar na sociedade. Parece que única norma é que não há norma e assim a sociedade começa a ruir sobre aquilo que ela mesma constrói. Esse discurso é tão sedutor que alcança até mesmo os cristãos. Há um clamor para que a igreja tome novos rumos e para que atenda aos anseios da sociedade.  Mas nesse momento chegamos a um grande paradoxo. Qual é o papel da igreja, ter o discurso pelo qual a sociedade anseia, ou aquele dado por Deus?

 É claro que igreja pode e talvez até deva rever as formas pela qual vem atuando, adequando-se à sociedade, mas nunca deve negociar os princípios divinos. Mas algo que vem chamando minha atenção, é que muitos cristãos fazem de suas convicções o modelo de vida a ser seguido, mesmo que elas firam os princípios que encontramos na Bíblia. Parece que pelo simples fato de não querer admitir uma “visão” errada, ou talvez por comodismo, muitos defendem arduamente princípios que vão totalmente contra os preceitos bíblicos.

 Vejo muitos cristãos, que movidos pelo clamor social, negociam seus princípios. Em nome de movimentos sócio-políticos, levantam bandeiras de ideais claramente contra aquilo que Cristo pregou. É comum encontrarmos cristãos que defendem acirradamente questões como aborto, liberação das drogas, legalização da prostituição, dentre outras idéias, que simplesmente não cabem no modelo de vida deixado por Cristo. E isso não são regras das igrejas, e sim princípios bíblicos. Acho muito simples: caso a pessoa não consiga concordar com os princípios dados por Deus, terá que optar em qual dos modelos deseja viver. Como dizem por aí, “simples assim”.

 Há também aqueles que optam por seguir determinadas teologias, e fazem delas uma verdade maior que a própria Bíblia. Há teologias para todos os gostos, e algumas não encontram o mínimo respaldo bíblico. Mas mesmo assim muitos insistem, distorcem a Palavra e tentam adequá-la à sua teologia, mesmo que ambas sejam incompatíveis. Nessas horas qualquer argumento, por mais estúpido que seja, é usado para sustentar sua insensatez. Teologias como a da prosperidade, da confissão positiva, do universalismo, entre outras, simplesmente negam e ignoram muitos textos encontrados na Bíblia. É muito perigoso quando edificamos nossa fé sobre pensamentos desenvolvidos por homens. Por isso, não me considero wesleyano, calvinista, arminiano, luterano, ou seja, lá o que for. Sou discípulo de Cristo e não de teologias humanas. É Cristo que transforma nossas vidas e não a teologia. Ela é uma ferramenta importante para o estudo da palavra; mas quando ela passa a ser o foco da nossa busca, é porque os valores se inverteram.

 Por mais bem intencionado que muitos sejam, caem na armadilha das convicções pessoais. Em Romanos 12, 2 lemos: “Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”. Nosso chamado é buscar Deus, conhecer sua vontade e transformar nossa vida pela renovação da mente. E isso só é possível se nosso carro chefe for Cristo. Podemos e até devemos estudar, usar a teologia para chegar a um entendimento mais amplo da Palavra. É altamente positivo envolvermos com as questões sociais, pois não podemos vivenciar nossa fé vivendo em uma ilha. Mas, á partir do momento em que questões sociais, teológicas ou algum outro movimento forem a locomotiva que puxa o trem da nossa fé, estaremos viajando sobre os trilhos errados. Quem carrega o nome de Cristo, deve fazer dele, e não das convicções pessoais, a locomotiva de sua vida, afinal é ele que deve ser a maior de todas as convicções de quem se declara cristão.

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A LETRA VIVIFICA

 A igreja protestante brasileira apresenta vários aspectos peculiares. Um deles é que mais de 70% dos evangélicos são pentecostais ou neopentecostais. Boa parte destes entendem que não é necessário, ou até que não seja indicado dedicar-se aos estudos mais aprofundados da Bíblia. Para justificar tal atitude, descontextualizam um versículo que afirma que a letra mata. Ou seja, no entendimento desse grupo, o estudo racional da palavra de Deus pode esfriar a fé do cristão. Mal sabem eles, talvez por estudarem pouco, que a letra citada nesse versículo é a lei judaica e não os estudos acadêmicos, ou mesmo os estudos informais.

O fato é que, de uma forma geral, os protestantes tupiniquins são um tanto quanto ignorantes quando o assunto é o conhecimento real da palavra de Deus. Sabe-se muitas baboseiras que só fazem sentido na cabeça de alguns que fazem verdadeiros malabarismos com a Bíblia, para adequar seu discurso à ela. É comum os evangélicos não saberem responder a questões básicas da fé cristã; na realidade, nem ao menos sabem defender sua fé, ou talvez nem entendam ao certo naquilo que  creem. Acho isso assustador, pois isso leva a uma vida cristã rasa, fundamentada no que se ouve falar, e não no que a palavra diz.

 Acredito que vários fatores colaboram para essa situação. Um deles com certeza é a situação mencionada, nas quais muitas igrejas entendem que os estudos não são necessários. A cultura brasileira não colabora muito para formar estudiosos ou críticos. Somos levados pela onda do senso comum. Se o pastor disse, está dito e pronto. Ele sabe mais que os demais e está certo e assim não se precisa buscar mais conhecimento bíblico. Não me sinto muito confortável com o outro motivo que percebo: da mesma forma que o governo não dá estudo ao povo para mantê-lo sob seu controle, a igreja também o faz com seus fiéis. É claro que não podemos generalizar, mas há casos nos quais isso acontece. Um “rebanho” pensador e questionador dão muito mais trabalho para ser pastoreado do que meras “vacas de presépio”. Mas o fato é, que cristãos pensadores, conhecedores e firmados na Palavra podem fazer uma diferença muito grande na sociedade. Não é à toa que a sociedade brasileira está cada vez mais sem rumo e sem princípios. Se nós, os cristãos não tomamos iniciativa em relação a nossa fé, o que esperar de quem não está nem aí?

Se Deus não quisesse que nos empenhássemos em estudar sua palavra, ele não teria providenciado a Bíblia. Ele se revelaria apenas no sobrenatural. Acredito que isso aconteça, mas não podemos basear nossa fé em experiências pessoais. Interessante perceber que as pessoas que agem assim, não tem uma vida estruturada; vivem sua fé conforme os ventos “do espírito”. Já escrevi um texto sobre a importância de desenvolvermos uma fé racional, e a única forma de fazê-lo é estudando a palavra. É claro que nem todos tem condições de fazer um curso de teologia, mas atualmente há inúmeras ferramentas que facilitam muito a pesquisa, na qual se pode aprender muito mais. Interessante que muitas pessoas, ao se depararem com um texto bíblico um pouco mais complexo, dizem que não entendem e simplesmente fecham sua Bíblia, dizendo que ela é muito complicada e que não conseguem entendê-la, não mostrando um mínimo de interesse em dar um passo além do seu limitado conhecimento.

 No evangelho de Marcos 12:30, vemos que devemos amar a Deus de todo o coração alma e entendimento. Será que buscamos amar a Deus através do entendimento? Quanto tempo temos investido para estudar um pouco mais a palavra de Deus? Acho simplesmente vergonhoso em ver que qualquer fiel das Testemunhas de Jeová, de uns 6 meses de vivência em sua fé, simplesmente engole um cristão de 10 anos de banco de igreja quando o assunto é conhecimento Bíblico, deixando-o sem respostas. Acredito que se realmente amamos a Deus, teremos sede de conhecê-lo mais e mais. Teremos sede de ler e entender cada vez mais a Bíblia. Quem realmente conhece Deus, sabe que o conhecimento, que alguns chamam de letra, ao invés de matar, vivifica nosso espírito. Você quer conhecer mais teu Deus? Dedique tempo estudando a Bíblia. Essa é a única forma de ser um cristão relevante.

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INFLUENCIANDO OU SENDO INFLUENCIADOS?

Há um conceito que afirma que somos frutos do meio em que vivemos. Em parte isso é verdade, pois podemos ser influenciados por tudo que está ao nosso redor. Mas o que vemos ou ouvimos não deve necessariamente determinar quem somos. Mas o fato é que somos influenciáveis. Isso não é necessariamente bom ou ruim; só temos que saber quando influenciar e quando ser influenciados.

A Bíblia é nossa referência para isso. Temos que deixar que Deus nos influencie, mas ao mesmo tempo temos a missão de influenciar o mundo. Somos o sal da terra e luz do mundo. Isso é influência. Mas será que nós, a igreja, estamos influenciando a sociedade ou é ela que nos influencia? Infelizmente acho que o mundo exerce influência maior na igreja, do que esta no mundo. Se os cristãos fossem mais influentes levando a vida que Cristo propõe, a sociedade não estaria ruindo da forma que está acontecendo. Basta analisarmos o momento que vivemos em nosso país que isso fica claro. Perdeu-se a noção de tudo. Será que a palavra de Deus não tem força suficiente para transformar a sociedade? Acho que com a atitude atual da igreja, não.

Quando pensamos na questão da igreja ser influenciada pelo mundo, logo nos veem à mente, questões como sexo, bebida, formas de se vestir, músicas que se ouvem na igreja e outras questões comportamentais. Isso realmente podem ser questões que atrapalham a vida da igreja, mas acredito que o que está realmente destruindo a igreja, na maioria das vezes passa despercebido.  O maior perigo não é os cristãos terem algumas atitudes do mundo, mas sim pensarem como ele. Olhando para as igrejas, vejo estacionamentos lotados de carros que, às vezes, ultrapassam a casa da centena de milhares de reais, enquanto que há irmãos passando necessidade. Isso é ser influenciado pelo mundo. Também vejo partidarismo, disputas de poder nas igrejas, e muitos, mas muitos mesmo, fazendo dos cargos que exercem nas igrejas, um palanque para a promoção própria. Falando em palanque, fico envergonhado ao ver que, na famigerada “Marcha para Jesus”, em Curitiba, abre-se espaço para políticos corruptos, como o governador do estado do Paraná. Pastores se alinham ao lado deles para saírem bem nas fotos, e ainda bradam aos quatro cantos do planeta que o governador participou de orações durante a manifestação. Me poupem de tamanha cretinice! Será que o nome de Jesus está sendo engrandecido com isso? Isso é uma marcha para Jesus? Também vejo cristãos de destaque, fazendo negócios desonestos, crentes engravatados com a Bíblia debaixo do braço tramando nos bastidores para obter vantagens nas próprias igrejas, sem que vejam problemas nisso. E tudo isso, em nome do ministério ou até mesmo de Deus. Tudo isso é normal e bem visto.  Não falo isso para denegrir a imagem da igreja, mas para lançar um alerta, para que reflitamos o que realmente é “mundanizar” a igreja. Será que mundanizar a igreja é sentar-se com amigos do trabalho e tomar uma latinha de cerveja?

Em Romanos capítulo 12, temos uma advertência para que não tomemos a forma do mundo, mas para que passemos por uma transformação através da renovação da  mente. Só conheceremos essa renovação se praticarmos os ensinamentos de Cristo; mas não de uma forma legalista ou farisaica, mas fazendo porque realmente pensamos assim. Será que a minha e a tua vida estão influenciando o mundo, ou somos influenciados por ele? Estamos sendo luz no mundo ou é o mundo que lança sua luz em nossa vida? Quer queiramos ou não, constantemente influenciamos e somos influenciados. Essa influência pode ser positiva ou negativa. Nossa missão é perseverar na Palavra, dobrar nossos joelhos pedindo sabedoria divina para que não caiamos nas armadilhas da vida. Não esqueça que o diabo não brinca de ser diabo; geralmente ele se empenha muito mais em seu trabalho do que nós no nosso. Que a igreja acorde, se levante, antes que seja tarde.

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O TERMÔMETRO DE DEUS

 A diversidade entre as características das pessoas é quase que infinita. São gostos diferentes, percepções distintas e até mesmo uma forma de encarar a vida e o mundo que não é igual para todos. Mas acredito que haja uma busca comum em todo ser humano saudável. Todos nós queremos ser felizes; mas parece que quanto mais a sociedade caminha pelo tempo, mais distante do rumo ela se encontra.

 Antes de mais nada, acho interessante entender que felicidade não é sinônimo de alegria. A definição de felicidade, segundo os dicionários, é: “concurso de circunstâncias que causam ventura (riqueza próspera)”. Já alegria é definida como: “manifestação que causa contentamento”. Em minha opinião, a felicidade é um estado na qual a pessoa vive, ao passo que alegria é uma emoção. Podemos ser felizes passando por situações difíceis que nos causam tristeza, dor e outros sentimentos negativos. Felicidade é um estado duradouro, e não momentâneo como a alegria; mas é claro que ambos os conceitos estão relacionados.

 Quanto mais o homem busca a felicidade, mais longe ele fica dela. Busca-se a felicidade em coisas, tentando provocar sensações de prazer, enquanto que a felicidade é algo muito mais profundo; é estar de bem consigo mesmo e se encontrar-se dentro de si . E isso só é possível quando nos relacionamos com Deus. Cristo disse que ele veio para termos vida, e vida em abundância. Essa é a resposta para nossa busca. Não se trata de religião, mas sim uma vida com o criador. Mas olhamos para os bancos das igrejas e vemos uma cristandade que até pula com as músicas mais animadinhas, que sente arrepios, mas quando sai da porta da igreja volta para seu mundinho dos outros 6 dias da semana onde a realidade é muito diferente. Saí-se do palco para voltar à vidinha. Isso não é felicidade. Felicidade é algo que todo o cristão deve ter. Tenho receio de fazer afirmações que generalizam conceitos, mas ouso dizer que é impossível haver um cristão genuíno que não seja feliz. Pode haver aqueles que vivem uma vida sofrida, que choram, lutam arduamente com enormes dificuldades, mas que em seu íntimo olham para Deus e sentem-se felizes, gratos e alegres por ter conhecido Deus. Deus não é uma válvula de escape o qual buscamos para dar uma descansadinha para depois voltarmos a uma vida desgraçada. Mas, infelizmente, esse tipo de situação é muito mais comum do que podemos imaginar. Não conseguimos ver a alma das pessoas, mas os olhos são a janela da alma, e vejo como falta brilho nos olhos dos cristãos; o brilho da luz de Cristo.

 Uma frase que me marcou muito, foi escrita, se não me engano, por Augusto Cury. “Todos os homens morrem, mas poucos realmente vivem”. Trata-se de uma afirmação chocante, mas verdadeira. Só realmente vive aquele que é feliz. Aquele que olha para sua vida e quer vivê-la com cada vez mais intensidade e que gosta de viver. Em minha opinião, como cristãos não podemos deixar de sermos felizes. Como é possível não ser feliz quando olhamos para Deus, sabendo que ele nos tirou do outro lado, da morte e da perdição, por querer nossa companhia por toda a eternidade? Só não é feliz aquele que não consegue ter pelo menos uma pequena noção do que seja o reino de Deus.

 A felicidade ou a infelicidade são como termômetros que podem mostrar para nós mesmos se estamos ou não no caminho certo. Se você já tem uma boa vivência dentro da igreja mas no fundo não se sente feliz, repense tua vida e avalie teu relacionamento com Deus. A grande notícia, a melhor delas, é que a felicidade está ao alcance de todos e não depende daquilo que fazemos, mas sim daquilo que somos em nosso relacionamento com Deus. Viva e seja feliz!

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ALICERÇANDO A VIDA

 Vivemos tempos muito conturbados em nosso país nesses últimos anos. Esse turbilhão não está agitando somente o cenário econômico ou político. Em minha opinião, a vida social é o que mais está sendo abalado nos últimos tempos, sendo essa minha maior preocupação.

 Nosso povo não demonstra a mínima unidade e parece que rumamos para uma degradação total. Um dos grandes responsáveis é o pensamento do “politicamente correto”. Uma ideia que parece ser muito simpática está trazendo grandes danos à sociedade. Uma espécie de ditadura está sendo implantada, na qual devemos aceitar simplesmente tudo o que nos é apresentado, e nem temos o direito de opinar sobre a questão. Qualquer crítica em relação a algo do que se discorde, e há acusações de que se está sendo fundamentalista. Como cristão, não podemos simplesmente aceitar tudo. De uma forma geral, a igreja realmente tem se mostrado intolerante em alguns casos, assim como um visível despreparo para lidar com várias questões que fazem parte do cotidiano da sociedade pós moderna. O amor e respeito são as primeiras atitudes, e talvez as mais importantes, que o cristão deve ter para seu próximo. Se esse próximo vive fora dos padrões que o cristianismo prega, ele é merecedor do mesmo amor e respeito, e é exatamente isso o que a igreja não tem feito muito.

  Mas há o outro lado da moeda. Se muitos cristãos são fundamentalistas não respeitando seu próximo, o pensamento que permeia a sociedade, o politicamente correto, tenta obrigar que todos aceitem tudo. Posso respeitar uma pessoa que tenha pensamento contrário a meu, mas basta que eu discorde, que sou acusado de fundamentalista e sei lá mais o que. Essa atitude não deixa de ser um fundamentalismo. O grande problema é que isso tem se infiltrado na igreja. Vejo cristãos defendendo abertamente a legalização do aborto, alegando tratar-se de uma questão de saúde pública. Também lutam para a legalização para o consumo das drogas, sem ao mínimo refletir sobre o que a fé cristã pensa a respeito disso, e por aí vai. Tudo em nome do politicamente correto. Percebe-se uma total inversão de valores na sociedade. A igreja é acusada de desrespeitar os direitos das minorias, algo que em alguns casos até ocorre, mas representantes de alguns grupos dessas minorias se vêem no direito de se masturbarem publicamente em frente das igrejas, com crucifixos. (fato que infelizmente ocorreu). Pessoas públicas cospem em outras pessoas, só por terem convicções políticas contrárias. Um conhecido meu, que se diz cristão, defendeu essa atitude, afirmando que gostaria estar lá para fazer o mesmo. É esse o amor pregado por Cristo?  A busca do direito a fazer simplesmente tudo o que vem à cabeça chega a um ponto tal, que uma professora de uma escola pública do ensino primário, resolveu protestar, defecando em plena Avenida Paulista no centro de São Paulo, em cima da fotografia de um político com o qual não concordava. É essa ditadura que tem sido instituída em nossa sociedade, e corremos o risco dessa professora educar o meu e o teu filho. E como se não bastasse, esse padrão de comportamento está sendo aceita por muitos que se autodenominam “intelectuais”. Um ativismo sociopolítico passa a ditar todas as regras da vida de milhões de pessoas e os conceitos pessoais são construídos sobre essa ideologia. O que tudo isso tem a ver com um blog que trata de questões teológicas?

 Como citei, há muitos cristãos, em sua maioria jovens, aderindo a esse ativismo, sem ao menos olhar para o que a Bíblia fala a respeito. Não estou afirmando que um cristão deva ser adepto do pensamento da direita ou da esquerda. Ele deve colocar sua vida sob o senhorio de Deus, e deixar que Ele o oriente em todas as questões da vida, inclusive na que se refere a política. O que ocorre, é que infelizmente muitos cristãos começam a fundamentar sua vida em ativismos que nada tem a ver com o cristianismo. Comovidos pela injustiça social, ou simplesmente movidos por impulsos reacionários, buscam mudar o mundo com ativismo sócio político. Quando olhamos para o que Apóstolo Paulo diz em 1ª Coríntios 3,11, fica fácil entender o choque entre a vontade de Deus e o que estamos vendo no dia a dia. “Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que foi posto, o qual é Jesus Cristo”. Todo aquele que se diz cristão, deve fundamentar-se em Cristo, e não ter movimentos sociais, políticos ou qualquer outro elemento como base para sua vida. Não estou afirmando que os cristãos não devem envolver-se nessas questões, mas não devem basear sua conduta nelas. Cristo é o único fundamento sobre o qual o cristão deve construir seus princípios. Todo aquele que professa a fé cristã, mas que vivem outros princípios, deve rever seus conceitos, ou deixar de usar o nome de Deus em vão.

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