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POR QUE NÃO SOU CALVINISTA

Conheci o calvinismo da pior forma que você pode imaginar, através de discussões de teólogos que não demoravam em humilhar e rebaixar quem pensava diferente. Já vi cenas realmente tristes, que tinham como principal objetivo denegrir e aviltar a posição contrária a sua

Quando eu tive contato com o calvinismo eu discordava, por conta do discurso de ódio extremo que eu via, eu nunca acreditei em um cristianismo assim. Porém com o tempo comecei a estudar e tentar entender estas duas visões (calvinismo e o arminianismo).

Eu não sou calvinista porque não acredito que Cristo tenha morrido por alguns (expiação limitada). Seria incoerente o pecado alcançar toda a raça humana, mas a graça de Deus não. Aliás, nem Calvino acreditava nisto, ele acreditava que Deus tinha morrido por todos, mas o seu sacrifício só fazia feito em alguns, os eleitos. Penso que este ensino fica muito longe do Deus de amor que se revelou na Bíblia. Não é que Deus não possa, ao contrário, Ele faz o que quer, mas certas atitudes não condizem com o que a Bíblia fala d’Ele.

Não consigo crer também, conforme alguns teólogos, que Deus predestinou alguns da raça humana caída e deixou outros de fora (eleição incondicional).  E por mais que você diga que Deus não predestina para a condenação só para a salvação, por exclusão, este Deus deixa muitos de fora, sem dar qualquer chance e oportunidade aos outros. Vamos ser julgados segundo as nossas obras, ou o que tivermos feito (Apocalipse 20:12), isso denota ação e responsabilidade moral, seria até loucura concluir que seremos julgados por erros que não conseguimos parar de praticar, que está fora de nosso controle. Além de deixar transparecer, entre linhas, que não temos responsabilidade em nossos atos, pecados e erros, por não termos controle, não sermos livres. Acredito que somos responsáveis sim, é por isso que seremos julgados. Apesar de também não acreditar que por nós mesmos conseguimos escolher e buscar a Deus. É por isso que acredito na graça preveniente ou capacitadora, que nos dá a capacidade de escolher o evangelho ou não. Tem um texto no blog que explica bem esta teologia segue o link: Graça Preveniente

Mas existe um ponto principal, que me faz não ser calvinista, a divisão que esta teologia causa na igreja, John Wesley em seu livro: O Sermão do Monte tem uma conclusão genial sobre o problema das divisões na igreja:

Satanás, o sutil deus de seu mundo, empenha-se em destruir os filhos de Deus e impedi-los de alcançar a santidade que está diante deles. Ele tenta embaraçar, atrapalhar e atormentar todos que não consegue destruir. Um de seus inúmeros planos é dividir o evangelho e, com parte dele, contradizer e golpear a outra (John Wesley, O Sermão do Monte, PG 51)

Nesta minha caminhada eu já vi muitos abandonarem a igreja, a ter conflitos em sua fé e nunca mais conseguir se recuperar de certas humilhações. Não queira saber o que eu já vi e o quanto muitos sofreram por conta de extremismos.

Eu aconselho você a tentar deixar de lado o calvinismo ou arminianismo, para estudar a palavra de forma mais profunda. Você vai ver como uma visão imparcial da palavra revelará versículos que hora define o calvinismo hora o arminianismo. Isso se dá não porque a Bíblia se contradiz e sim porque certos mistérios são incompreensíveis para o homem.

Deus predestina (Efésios 1:5), mas arranca fora um ramo que estando n’Ele não dá frutos (Mateus 7:19). Deus não faz acepção de pessoas (Tiago 2:1-9), mas escolheu alguns (Romanos 8:29). Enfim, é um mistério a responsabilidade humana, é um mistério como a salvação se dá. A trindade é um mistério (três em um?), Deus é um mistério, por mais que estudemos, nunca, nós seres finitos, entenderemos um Deus infinito.

Penso que muito mais que divisão nós cristãos temos muitas coisas que nos unem. A própria mensagem da cruz é unânime, e ter equilíbrio é fundamental para que a igreja continue unida, ao invés de divida. Afinal, eu não sou calvinista, pois eu sou cristão, é a Cristo que eu sigo e não a Calvino ou Armínio.

 

BIBLIOGRAFIA

WESLEY, John, O Sermão do Monte, Editora Vida, São Paulo, 2015

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GRAÇA PREVENIENTE

Falar sobre salvação é complicado hoje em dia, pois não temos unanimidade no meio cristão, por conta disso, calvinistas e arminianos travam verdadeiras guerras para definir seus pontos de vista, porém, como vou expor neste texto, a diferença entre os dois não é tão grande assim.

Um calvinista acredita que a graça é irresistível para quem é eleito e acredita também que o homem é depravado demais para conseguir fazer a escolha de seguir a Deus por si só, sendo estes dois, pontos do acróstico chamado TULIP. O calvinista Sam Storms em seu ótimo livro chamado Escolhidos, define bem o conceito de depravação total:

“De acordo com doutrina da depravação total, o homem em sua condição atual, originária da queda, está de tal modo corrompido por uma semente maligna que todos os aspectos do seu ser e personalidade são afetados por ela” (STORMS, 2014, p. 56)

Por si só o homem não consegue se salvar, somos inclinados para o mal, sem a capacidade de fazer escolhas boas por nós mesmos. É bom salientar que nem todos concordam com o acróstico TULIP, calvinistas como Michael Horton afirmam não existir evidências de uso antes do século XX, preferindo usar o termo vocação eficaz, por ser um termo que não sugere coerção. Assim, segundo estes, Deus não coage, as escolhas dos homens são livres, apesar da graça ser irresistível (HORTON, 2014, Pg 142).

Já alguns arminianos ou não calvinistas, apesar de também acreditarem, tal qual os calvinistas, que o homem é corrompido e não consegue fazer escolhas boas pois é inclinado ao mal, acreditam na graça preveniente ou capacitadora, que seria: A graça que nos capacita a aceitar ou não a regeneração, sendo ela resistível. Segundo Armínio, esta graça vem através da ação do Espírito Santo, que ilumina o entendimento do homem depravado e escravo do pecado para que possa escolher livremente o evangelho:

“Mas a teologia arminiana supõe, pelo fato de a Bíblia em sua totalidade supor, que Deus, em razão do amor, se limita de maneira que sua graça iniciadora e capacitadora seja resistível. Ela é poderosa e persuasiva, mas não é compulsiva no sentido determinista. Ela deixa o pecador como uma pessoa e não um objeto” (OLSON, 2013, P. 264)

A Bíblia diz que vamos ser julgados, com isso, logicamente, devemos ser pessoas com escolhas morais livres. Em contrapartida, não conseguimos salvar a nós mesmos, estamos mortos, cegos e não conseguimos escolher o evangelho por conta própria. A graça preveniente é justamente a ação de Deus para que nós possamos fazer nossas escolhas por conta própria. Gosto da citação de Robert E. Picirilli:

“O que Armínio quis dizer com “graça preveniente” é que é aquela graça que precede a real regeneração e que, exceto quando resistida em último estágio, inevitavelmente conduz à regeneração (OLSON, 2013, P. 264)

Não somos nós que nos salvamos, não temos mérito algum, apenas aceitamos ou não sermos regenerados, a graça nos prepara, é a força capacitadora que precede a conversão. O processo é simples e possui quatro aspectos: Chamada, convicção, iluminação e capacitação. E a única coisa que a pessoa deve fazer é não resistir ao Espírito Santo, para assim ser salvo (OLSON, 2013, P. 207)

Aí você me pergunta: É possível resistir ao Espírito Santo? Segundo a Bíblia sim, Atos 7:51 diz:

“Povo rebelde, obstinado de coração e de ouvidos! Vocês são iguais aos seus antepassados: sempre resistem ao Espírito Santo!”

Mateus 23:37 também é um ótimo versículo, entre tantos que existem para explicar como é possível resistir:

 “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, apedrejas os que a ti são enviados! quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e não o quiseste!”

Possivelmente que diante destes versículos, um reformado afirme que é possível resistir por que um não eleito não tem em seu coração o chamado interior, só o exterior, por não ser predestinado. Em contra partida um arminiano vai afirmar que é possível resistir, por sermos humanos, não máquinas, onde no fim seremos julgados pelas nossas ações e escolhas (Apocalipse 20:12).

É claro que não temos um versículo que explica de forma detalhada sobre a graça preveniente. Assim como também não temos um que explique sobre a Trindade Divina, jejum, graça comum e tantas outras teologias que conhecemos. Mas a Bíblia dá sinais de sua existência e um deles é a resistência do homem quanto à ação do Espírito Santo. Veja bem, a mesma Bíblia que diz que quem convence é o Espírito Santo (João 16:7-11), também fala que muitos resistem a ele (Atos 7:51). O mesmo Jesus que disse que ninguém pode ir até Ele se o pai não trouxer (João 6:44), disse que todo o ramo que estando n’Ele não der frutos, Ele vai arrancar e jogar fora (João 15:2). Estes versículos dão a entender um aceitar humano, em algo que temos que fazer para frutificar. Mais uma vez ressalto, nós não nos salvamos, toda a honra e glória é apenas d’Ele, nós apenas aceitamos ou não

Pra finalizar, quero responder a importante pergunta: Por que arminianos não aceitam a graça irresistível? Roger Olson responde muito bem, usarei sua explicação:

“Por que os arminianos e outros não calvinistas rejeitam a graça irresistível? Porque eles amam o livre-arbítrio e não querem dar toda a glória a Deus, como sugerem alguns calvinistas? De jeito nenhum. Essa é uma calúnia indigna de qualquer um que tenha se dado o trabalho de estudar o assunto. Todo arminiano, de armínio até hoje, sempre deixou claro o verdadeiro motivo por trás da rejeição à doutrina da graça irresistível: A preservação do caráter bondoso e amoroso da Deus” (OLSON, 2013, P. 266)

Deus é amor e por amar o mundo, um dia deu o seu filho por amor a nós (João 3:16). Não é que Deus não possa salvar apenas alguns como bem queira e sim, que isso não condiz com o que Ele se deixou conhecer através da Bíblia.

Esta é a graça preveniente, que através da pregação e da ação do Espírito Santo, abre os olhos dos cegos e mortos em seus delitos e pecado e os capacita a aceitar ou não a Deus. Nós não temos mérito algum neste processo, tudo vem de Deus e sua poderosa mão, cabe ao homem aceitar ou não, se abrir ou não para a ação do Espírito Santo.

BIBLIOGRAFIA

HORTON, Michael, A Favor do Calvinismo, Editora Reflexão, São Paulo, 2014

STORMS, Sam, Escolhidos, Uma exposição da Doutrina da Eleição, Editora Anno Domini, Rio de Janeiro, 2014

 OLSON, Roger, Contra Calvinismo, Editora Reflexão, São Paulo, 2013

OLSON, Roger, Teologia Arminiana, Mitos e Realidades, Editora Reflexão, São Paulo, 2013

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SOBERANIA DIVINA E DETERMINISMO

Deus é soberano e nisto eu acredito, o que eu não acredito é na visão que muitos têm de Deus, mais especificamente no determinismo que prega que Deus por ser soberano, determina tudo o que acontece em nossa vida. Jonathan Edwards afirmava:

“Tudo, sem exceção, é direta e imediatamente causado por Deus, incluindo o mal” (OLSON, 2013. P. 117)

Tudo, segundo Edwards, é uma determinação divina e apesar dele usar muito a palavra permissão divina, o contexto era de determinismo mesmo. Fazendo com que ele tivesse que fazer um malabarismo muito grande para explicar o problema do pecado, do mal e inclusive da queda de Adão e Eva. Mas no fim seu conceito acaba dando a entender que a culpa é toda de Deus e seu propósito divino (OLSON, 2013. P. 117).

Sproul é outro que afirma que Deus controla tudo e quem assim não acredita ele chama de ateu. Loraine Boettner, defensor desta visão falava:

“Deus muito obviamente predeterminou cada evento que aconteceria… Até mesmo atos pecaminosos de homens estão inclusos neste plano” (OLSON, 2013. P. 125, 126).

E tanto Sproul quando Boettner e muitos outros afirmam que apesar de Deus determinar, o homem age segundo a sua natureza, apesar de fazermos o que Deus quer que nós façamos Deus não peca, mas faz com que outros pequem e mesmo assim, com estas afirmações estes dois não acreditam que nosso Pai tenha qualquer culpa ou responsabilidade quanto ao pecado. Estes mesmos calvinistas defendem este posicionamento por acharem necessário o pecado e o mal, para que a glória de Deus seja mais visível, coisa que eu não acredito. Por crer que Deus é Deus, completo e perfeito e não precisa de nada, nem do pecado, para que assim Ele mostre a sua obra redentora, pois Deus é Deus sem nós, Ele se basta, Jeremy Evans conclui:

“Se Deus precisa da criação para exemplificar estas propriedades (justiça, ira), então os humanos podem corretamente questionar se Deus estava livre em Seu ato de criação” (OLSON, 2013. P. 147).

Quem segue esta teologia tem um problema deveras grande para entender o amor e a moral de Deus, se soberania divina significa que nada o que acontece vem sem a sua determinação, sendo que todo o mal e pecado tem um propósito, temos um problema muito grande para conceituar este Deus. Pois se toda a pobreza, toda a doença, pecado ou caos vem d’Ele. Logo, Ele tem parte no pecado do homem e de alguma maneira o diabo é o seu parceiro. Ou, se o caos vem de Deus Ele é moralmente responsável, diante disso não sei o porquê nós seremos julgados. Habacuque 1:13 diz:

“Teus olhos são tão puros, que não suportam ver o mal; não podes tolerar a maldade”.

E Tiago 1:13 nos dá outro aviso importante:

“Quando alguém for tentado, jamais deverá dizer: “Estou sendo tentado por Deus”. Pois Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta”

Deus a ninguém tenta e Ele não tem parte com o pecado, diante disso e de muitos outros versículos, temos que ter reservas com algumas interpretações calvinistas da soberania de Deus

Porém, temos uma explicação um pouco mais centrada para a afirmação: “Deus é soberano”. Uma explicação que nos poupa saliva, teorias mirabolantes, explicações confusas e não vai de encontro com a santidade de Deus e nem do que a Bíblia fala que Ele é.

 A soberania Divina diz respeito ao fato de que Deus faz o que Quer e ninguém pode o impedir. Isaías 53:13 diz:

“Agindo eu quem impedira?”

Deuteronômio 10:17 diz:

“Pois o Senhor, o seu Deus, é o Deus dos deuses e o Soberano dos soberanos, o grande Deus, poderoso e temível, que não age com parcialidade nem aceita suborno”.

Enfim, Ele é único, o Criador, o Rei dos Reis, porém nem tudo o que acontece foi determinado por Ele. Pode estar de baixo de sua permissão, Ele também tem controle de tudo, porém nem tudo o que acontece transcorre por sua vontade, por conta de sua autolimitação e o livre-arbítrio dado ao homem

Vamos ver como alguns teólogos definem Deus e a sua soberania

“O teólogo reformado do século XX, Karl Barth, definiu Deus como “aquele que ama em liberdade” […]. Para Barth, a magnitude de Deus é mais bem expressa como sua liberdade absoluta. Deus não está preso por nada exceto à própria palavra” (OLSON, 2003, p. 155)

Deus é soberano, nada o prende, nada impede que Ele cumpra a sua vontade. Alister E. Mcgrath diz:

“Mas a ideia da onipotência divina parece implicar no fato de que Deus deva ser capaz de fazer qualquer coisa que não envolva contradição evidente” (MCGRATH,2005, p. 332)

Deus é soberano, pode fazer tudo que não seja absurdo, como um círculo quadrado ou uma pedra que ninguém, nem mesmo Ele, possa carregar. E nem ir contra as suas características divinas como amor e justiça. Porém é do calvinista Wayne Grudem a definição que eu acho mais centrada:

“A onipotência (poder, soberania) é o atributo de Deus que lhe permite fazer tudo o que for da sua santa vontade” (GRUDEM, 1999, PG 159)

Enfim, Deus é soberano, faz tudo o que lhe apraz (Salmos 135:6), porém nem tudo o que acontece é fruto de sua determinação apesar d’Ele permitir, permissão esta fruto de nossa liberdade. É claro que Deus pode exercer um controle determinista, mas escolheu não fazer, assim como escolheu curar apenas com a presença da fé e por isso acabou não realizando alguns milagres (Marcos 6:5). Termino o texto com uma ótima síntese da soberania e do amor de nosso Pai:

“Quão radicalmente o evangelho está permeado por um sentido de que a falência do mundo caído é a obra do livre-arbítrio racional rebelde, que Deus permite reinar, e também por um sentido de que Cristo vem genuinamente para salvar a criação, conquistar, resgatar, derrotar o poder do mal em todas as coisas” (OLSON, 2003, p. 155)

O mal é fruto de nossa escolha livre, o caos e o pecado não vem de Deus. Deus é santo e puro e não compactua com o mal.

Deus é soberano, pode fazer o que quiser, mas escolheu nos amar e dar o seu Filho por nós, com isso, em meio ao caos e pecado, Ele faz brilhar o seu amor e sua redenção é visível, por causa de suas características divinas.

 

 BIBLIOGRAFIA

OLSON, Roger, História das Controvérsias da Teologia Cristã, 2000 Anos de Unidade e Diversidade, Editora Vida, São Paulo, 2003

OLSON, Roger, Contra Calvinismo, Editora Reflexão, São Paulo, 2013

GRUDEM, Wayne, Teologia Sistemática, Atual e Exaustiva, Editora Vida nova

MCGRATH, Alister, Teologia Sistemática, Histórica e Filosófica, Uma introdução a Teologia Cristã, Shedd Publicação, São Paulo, 2014

 

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CALVINO E A EXPIAÇÃO LIMITADA

Quando eu digo que Calvino não era calvinista, muitos não entendem, porém com uma lida básica em seus escritos você vai perceber que ele divergia muito da teologia calvinista atual. Muito do que conhecemos hoje evoluiu com o tempo, distanciando-se bastante dos seus ensinos originais, sendo que um dos conceitos que Calvino não apoiava era a expiação limitada

A expiação limitada é um dos pontos que os calvinistas chamam de TULIP, que é um acróstico contendo suas principais visões teológicas. E prega que a morte de Cristo na cruz não foi por todos e sim, apenas pelos eleitos (MCGRATH, 2014, p. 534) e um dos versículos mais usados para justificar esta teoria é Romanos 5:15:

 “Entretanto, não há comparação entre a dádiva e a transgressão. Pois se muitos morreram por causa da transgressão de um só, muito mais a graça de Deus, isto é, a dádiva pela graça de um só homem, Jesus Cristo, transbordou para muitos!” (NVI)

Segundo estes, Cristo não morreu por todos mas por muitos, e existe também muitos outros versículos, que o texto usa a palavra “muitos” em grego “polus” (Mateus 20:28, 26:28, Hebreus 9:28)

Ou seja, a graça de Deus transbordou a “muitos” e não todos, logo, segundo estes, Cristo morreu por alguns e estes versículos justificaria a expiação limitada

O grande problema de se comprar estas ideias, é que o texto também usa muitos para falar da transgressão de Adão, como fica claro no começo do texto:

“Pois se muitos morreram por causa da transgressão de um só”

Se muitos são alguns, então nem todos caíram no pecado, pois a mesma palavra (polus), é usada para explicar que muitos morreram e depois que muitos foram tocados pela graça de Cristo.

Este texto não justifica a expiação limitada, na verdade é um erro usar este texto, como fica bem claro quando olhamos para ele como um todo. Calvino explica muito bem está passagem  em seu comentário de Romanos:

“É evidente que os “muitos” […] incluem aqueles conectados com os dois partidos os muitos descendentes de Adão e os muitos crentes em Cristo. […] Não pode haver dúvida de que toda a raça humana está implícita nem caso; e há alguma razão por que toda a raça humana não deve ser incluída na segunda? (CALVINO, 2014, pg. 224)

O texto é claro, muitos (todos) morreram por causa de Adão, e através de Cristo a graça transbordou a muitos (todos). Alguns teólogos vão acusar Calvino de universalista. Porém resumindo, o que ele quis afirmar é que Cristo morreu por todos, mas somente os eleitos serão salvos. A eleição é um fator importante para entender a expiação limitada, no ponto de vista dele. Logo Calvino não acreditava na expiação limitada, porém a base da doutrina da expiação vinha dele. Já que Jesus havia morrido por todos, mas só os predestinados seriam salvos. A extensão da salvação era universal, mas o alcance não, segundo Calvino é claro.

Penso ser complicado sustentar a visão da expiação limitada, pois os textos são claros. Cristo morreu por todos, e Calvino acreditava nisto, ele sabia que Cristo havia morrido por todos. A expiação limitada para Calvino não era coerente, porem ele acreditava na predestinação, que de uma maneira ou de outra limitava a expiação divina.

Calvino não explicou muita coisa que calvinistas explicam. Não teve a audácia de explicar nem mesmo a predestinação, usando-a apenas para explicar porque alguns se convertiam com a pregação e outros não:

“Em certo ponto, ao escrever sobre a predestinação, Calvino parece referir-se a ela como um horrível decreto” (MCGRATH, 2014, PG. 533)

Acredito que Calvino tenha razão, certas coisas são mistérios divinos, e entender plenamente alguns conceitos é impossível

Eu acredito tal qual Calvino, Deus morreu por todos, mas apenas aquele que crê é que será salvo. O alcance de sua morte foi universal, mas só faz efeito naquele que crê.

 

BIBLIOGRAFIA

MCGRATH, Alister, Teologia Sistemática, Histórica e Filosófica, Uma introdução a Teologia Cristã, Shedd Publicação, São Paulo, 2014

CALVINO, João, Romanos, Fiel Editora, São Paulo, 2014

http://mackenzie.br/calvino_expiacaolimitada.html

 

 

 

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CRISTO MORREU POR ALGUNS OU TODOS?

 “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna (João 3:16)”

Talvez este texto de João seja um dos mais conhecidos e usados. Além de ser um registro do fato que um dia, um Deus misericordioso morreu por um povo pecador, e ignorante, salvando- os da morte e da condenação. O problema é que de um texto tão claro e direto, tem surgido dúvidas e questionamentos nesta conhecida passagem. Alguns calvinistas, afim de justificarem os seus pontos de vista concernente a predestinação, afirmam que Cristo morreu por alguns,  quando o texto de João diz mundo, ele esta se referindo aos predestinados segundo estes calvinistas. Mas será que é isso mesmo? Atentemos para alguns fatos antes de afirmarmos qualquer coisa

Este texto narra uma conversa entre Jesus e Nicodemos, que a fim de entender os ensinos de Cristo, faz algumas perguntas a ele a respeito da salvação, e Jesus lhe explica (ou tenta). O curioso é que lemos apenas João 3:16, ninguém lê a explicação de forma completa, que começa no versículo 14:

“E, como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado;
Para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. (
João 3:14-16)”

Mundo, no grego kosmos, ou seja, todos e tudo e não alguns, a palavra aqui não diz sobre predestinados ou o que quer que seja, diz todos os que creem. Alguns vão afirmar que estes todos são os predestinados, outros vão falar que se Deus morreu por todos, então todos devem ser salvos, mas não é o que o texto afirma, João deixa claro um ensino importante: A salvação só vem por intermédio de Cristo, só crendo n’Ele. Quem crer e for batizado será salvo, quem não crer, já esta condenado. O teólogo Champlin acrescenta algo interessante sobre isso:

“Aqui é descrita a fé em sua grandeza, porquanto é por intermédio do homem Jesus que vem a experiência da regeneração

É só através de Cristo que somos salvos, mediante crermos nele ou não, como fica claro no versículo 18:

 Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus”

Carson faz um comentário interessante, Sobre esta passagem:

“A declaração do versículo 16 exprime de forma concisa três verdades: o caráter universal do amor de Deus, sua natureza sacrificial e seu propósito eterno. Não é de admirar que tenha sido descrito como “o evangelho numa casca de noz”, ou seja, o evangelho contido em poucas palavras (CARSON, 2009, pg 1552)”

Como vemos o texto esta claro, só que muitos tem dificuldade de aceitar, por ter a proposição crer n’Ele, que da a entender uma escolha. Mas além do texto dar a entender que temos que dar um passo, ele diz que Cristo morreu por todos, e em outro versículo fica comprovado isso, quando o autor cita algo parecido com esta passagem, para a pergunta, quem nós devemos amar, esta lá em 1joão 4:7 ao 21. Onde o autor começa falando que devemos amar a todos, pois quem diz que ama a Deus, e não ama o seu irmãos é mentiroso (1João 4:7), quem ama é nascido de Deus. Ai o autor da epístola diz, que Deus provou o seu amor, morrendo por todos (1joão 4:9-11)

“Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: que Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo, para que por ele vivamos”

 

Novamente, o texto aqui diz mundo, kosmos, e a Bíblia deixa clara que além de amar a todos, nós devemos crer (Versículo 16). É interessante ler também Mateus 23:37, que mostra Cristo lamentando por Jerusalém não querer ouvi-lo. 2Coríntios 5:14-19, é outro versículo que diz que ele morreu por todos, porém é claro apesar da morte possibilitar a salvação de todos, não salvou a todos (GEISLER, 2015, Pg. 264, 265, 266, 269). Agora, como está salvação se deu ou como funciona ser predestinado, ou será que tomamos a decisão ou não, não é a questão agora, e sim se a sua morte foi por todos ou por alguns apenas, e o texto é claro, foi por todos.

Eu sempre digo que é bom seguir alguma destas teologias se for para crescer como cristão, tendo base e fonte de estudo para a caminhada. Mas quando viramos militantes destes pensamentos, seja de Calvino ou Armininio, em vez de seguirmos procurando a verdade, ou estudarmos em busca da melhor conclusão, lamentavelmente, vamos estudar para proteger alguns destes pontos de vista. É por isso que não adoto estas visões, pois busco em minha vida a verdade. Eu posso estudar, entender, ou crescer com alguns de seus ensinos, mas não tomo partido de suas formas de pensar. O meu lado é a verdade, seja ela qual for, quero estar mais perto do que Deus quer para mim. E não defender estas teologias humanas.

 

BIBLIOGRAFIA

 CARSON. DA. Comentário bíblico vida nova. SÃO PAULO – SP, EDITORA VIDA NOVA, 2012

CHAMPLIM, RN. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo, Editora Hagnos, SÃO PAULO, 2014

Bíblia Sagrada – Nova Tradução na Linguagem de Hoje; Ed. Soc. Bíblica do Brasil ; 2005 ; São Paulo; SP

GEISLER, Norman, Teologia Sistemática, Editora Cpad, Rio de Janeiro, 2015

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