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GUETO GOSPEL

No gueto gospel encontramos de tudo, música gospel, roupa gospel, casa gospel e por aí vai, o mercado é lucrativo, empresas de todos os tipos já descobriram o nicho e tem se preocupado em atingir tal público.

Sobre o gueto, nada contra, eu só acho que a desculpa de evangelizar já está ultrapassada e não funciona mais, pois no afã de “não se contaminar”, como eles mesmos dizem, acabam não se misturando e não fazendo diferença.

O sal serve para salgar e para isso, deve estar presente na comida, dando sabor, realçando os aspectos importantes do prato. O cristão é a mesma coisa, quando ele não se mistura umedece dentro do recipiente e estraga, isso quando não vira uma pedra, autocentrada e presa nas quatro paredes, sem servir para muita coisa. Sem falar do fato de que o gueto gospel tem uma linguagem tão diferente, que o mundo não consegue prestar atenção e até ri dela. Não podemos esquecer que são os cristãos que querem ser entendidos, somos nós que temos a missão de passar a mensagem a todos, com isso, a linguagem deve ser acessível e entendível.

A minha crítica ao movimento é que ele não faz diferença, acaba virando produto para cristão consumir, divertimento para crente ou desculpa para crente se reunir e farrear, novamente nada contra, acho que as vezes é até positivo, o erro é achar que as baladas gospels são meios evangelísticos, a minha crítica é esta.

Michael S. Horton resume bem a questão no livro O cristão e a cultura, e apesar da sua reflexão ser dirigida primordialmente aos cristãos americanos, creio que também se encaixa a todos os cristãos, sejam brasileiros, europeus ou cidadãos do mundo em geral:

“Chamados para fora da igreja e para dentro do mundo, os evangélicos foram novamente estimulados, especialmente pelos reavivamentos do último século e meio, a construir um império cristão dentro dos Estados Unidos. Finalmente, chegamos a ponto de possuir nossas próprias estações de rádio e televisão, cinemas, programas de entrevistas, cruzeiros, estrelas de rock, divertimentos e outros apetrechos do hedonismo moderno, sem ter que nos preocupar com deixar o gueto. Chamamos isso de evangelismo, e talvez até intencionássemos que fosse evangelismo, mas acabou criando apenas uma igreja que é do mundo mas não está no mundo, em vez de estar no mundo mas não ser do mundo” (HORTON, 2006, p. 129)

Não adianta disfarçar o discurso, nós estamos no mundo, e fomos chamados para sermos diferença. Ser cristão não é se ausentar do mundo, ao contrário, é sem dúvida estar presente e atuante, o que nos diferencia é que apesar de estarmos, não somos do mundo, pois seguimos imitando outro modelo de vida.

Marcos 16:15 diz para “irmos” por todo o mundo, mas muitos cristãos insistem em esperar nos bancos da igreja, ao invés de sair e fazer a diferença. O chamado é para irmos para fora e não esperarmos dentro das quatro paredes. Lâmpada que fica embaixo da cama não ilumina, não foi isso que Cristo nos ensinou em Mateus 5:15?

Enfim, que possamos sair de nossos guetos e sermos diferença, que aprendamos a realmente estar no mundo e salgá-lo com a palavra da verdade.

Quando aprendermos a andarmos pelas esferas públicas, a respeitarmos os pensamentos contrários e a pregarmos sem sermos legalistas e hipócritas, penso que o evangelho passará de meras narrativas, para ser vida e transformação.

 

BIBLIOGRAFIA

HORTON, Michael, S. O cristãos e a cultura, Editora Cultura Cristã, São Paulo, 2006

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IRA DIVINA

Muitos não conseguem conceber como um Deus de amor pode ser irar. Há quem diga que o Deus do Velho Testamento não é o mesmo que o Deus do Novo. Como se a Bíblia narrasse a história de dois Deuses distintos e totalmente opostos. Penso que a resposta para esta questão é dupla, Deus se ira porque é santo e porque nos ama.

Primeiro, entenda que Deus é santo, e por ser santo, odeia o pecado:

“Talvez nos surpreenda perceber que a Bíblia fala com muita frequência da ira de Deus. Porém, se Deus ama tudo o que é certo e bom, e tudo o que se conforma ao seu caráter moral, então não deve admirar que ele odeie tudo o que se opõe ao seu caráter moral. A ira de Deus diante do pecado está  portanto intimamente associada à santidade e à justiça de Deus” (GRUDEM, 2010, p.151)

Deus é santo, e sua ira é profundamente ligada a sua santidade e justiça, um Deus santo não coaduna com o pecado.

Segundo, Deus se ira porque nos ama. Ninguém fica feliz quando vê um filho ou um amigo se afundar, seja em drogas ou bebida.  Pior ainda, ninguém fica alegre quando este alcoólatra ou drogado afirma que seus vícios não o prejudicam, ainda mais quando você vê sua saúde e dinheiro indo para o ralo. Normalmente nos enfurecemos, e com certeza tentaremos, mesmo que furiosos, fazer quem nós estimamos enxergar seu erro. Com Deus não é diferente:

“O mal enfurece a Deus, porque destrói os seus filhos” (LUCADO, 2007, p. 29)

O mal e o pecado enfurece a Deus porque ele é santo,  e porque o mal e o pecado destrói a sua criação.

“Deus não fica zangado por não havermos feito como ele quis. Ele se ira porque a desobediência sempre resulta em autodestruição” (LUCADO, 2007, p. 30)

  Não fica difícil constatar o caos que o homem faz, basta olhar para o mundo e ver em que pé ele está. É claro que a ira de Deus não é igual a nossa, Ele é santo e perfeito, porém não existe contradição alguma em este Deus santo e perfeito se irar, nada mais comum quando amamos alguém, ainda mais quando este alguém não se cansa de se autodestruir.

Falando em autodestruição eu me lembro de um acontecimento que vivenciei há muitos anos. Conheci um garoto muito desobediente, vivia aprontando e arrumando das suas. Uma vez ele, que era menor de idade, pegou o carro de sua mãe escondido e bateu o carro em alta velocidade. A batida foi tão forte que a perna dele quase se prendeu as ferragens, por sorte não aconteceu nada. Aquela mãe ficou furiosa, afinal, ela o amava e não queria perdê-lo daquela maneira.

João 3:16 diz que Deus amou o mundo tanto, que deu o seu Filho para morrer em nosso lugar, para que não fôssemos consumidos por conta de nosso pecado, basta crermos n’Ele e o seguirmos. Caso contrário já estamos condenados, o que não é tão difícil assim, pois o homem é um ser autodestrutivo, mestre em seguir pelo caminho errado

Deus abomina o pecado por isso se ira, mas também nos ama. Por isso que Ele deseja que nós o sigamos, pois só pode haver vida n’Ele, fora d’Ele só encontramos caos e destruição. É claro que o pecado o enfurece, afinal Ele é santo, porém ao invés de nos destruir, consumir a raça humana com a sua ira, Ele preferiu nos dar uma chance e se doar para nos salvar.

 

BIBLIOGRAFIA

LUCADO, Max, Nas garras da graça, Editora CPAD, Rio de Janeiro, 2007

GRUDEM, Wayne, Teologia Sistemática, Editora Vida Nova, São Paulo, 2010

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CAOS PENTECOSTAL

Passei a minha infância em uma igreja pentecostal, eu vi muita coisa estranha acontecendo, ouvi ensinos dos mais bizarros e afirmações que a Bíblia não faz. Por isso, ao escrever este texto eu falo um pouco de mim, do que eu passei e das coisas que tive que aprender a superar. Não quero denegrir a imagem do pentecostal, conheço inúmeras igrejas e homens sérios, que realmente ensinam o que a palavra diz, o objetivo do texto é expor alguns exageros de alguns pastores que fazem afirmações sem base Bíblica alguma.

Confissão positiva: Isso foi uma das coisas que eu mais ouvi dentro da igreja pentecostal: “A nossa palavra tem poder”. Por isso, para se alcançar algo temos que declarar coisas boas. Se tudo fosse tão fácil assim o mundo já estaria mudado, não acha? Declarar que já estamos curados, que conseguiremos um carro novo, e que desfrutaremos do melhor desta terra não é algo que a Bíblia afirma, não desta forma, lembre-se:

“A alegação de que algum novo ensinamento vem de Deus é absolutamente essencial para o sucesso da agenda de qualquer herege” (MACARTHUR, 2015, p. 56)

Nem sempre pedimos o que é certo, por isso que muitas vezes não recebemos o que pedimos como bem afirma Tiago 4:3. Não se esqueça de que não é a nossa palavra que tem poder e sim o nome de Jesus, nós não temos poder algum. Isso sem contar que o nosso pedido é sempre condicionado a vontade de Deus (1 João 5:14-15). Outra coisa, ser cristão não é “ter”, nem ser rico e sim seguir a Deus tendo a plena consciência de que sem Ele não somos nada. Crer em Deus, colocar aos seus pés nossos problemas e sonhos é uma atitude certa, sem esquecer que tudo vai depender da vontade d’Ele. Ele não é um gênio da lâmpada que nos dá tudo o que pedimos, Ele é um pai que cuida de nós e nos dá o que é melhor, e nem sempre o que nós queremos é o melhor.

Histeria coletiva: Alguns cultos pentecostais são verdadeiras badernas, falações, gente caindo e rodopiando, práticas que não encontramos na Bíblia. Ao contrário, a Bíblia fala que o culto deve ser ordeiro, leia com calma 1 Coríntios 14:26-40, está tudo lá bem explicado. Isso sem contar que o falar em línguas não dever ser com todos ao mesmo tempo e deve haver intérprete caso contrário, todos devem ficar calados, entre tantos outros conselhos que o texto dá (1 Coríntios 14:26-27):

“Como o Novo Testamento deixa claro, ser um cristão “cheio do Espírito” não tem nada a ver com proferir coisas sem sentido, cair no tapete em um transe hipnótico, ou ter qualquer outro encontro místico de suposto poder estático. Pelo contrário, tem tudo a ver com submeter nossos corações e nossas mentes à palavra de Cristo, andar no Espírito e não na carne e, diariamente, crescer em amor e afeição pelo senhor Jesus e no serviço de todo o seu corpo, a igreja” (MACARTHUR, 2015, p. 235)

O centro do culto é Deus, não nossas vontades, desejos e sentimentos. É Deus que deve ser adorado e não o homem. Quando fazemos um culto voltado a nós e nossas vontades, com certeza veremos todo o tipo de bizarrices acontecendo, atitude que demonstra que o culto não está sendo feito com a intenção certa.

Segunda unção: Em muitas igrejas o batismo no Espírito Santo é algo que acontece depois da conversão, e tem como evidência o falar em línguas. Outro ensino complicado, primeiro porque o falar em línguas é um dom e nem todos têm, por ser um dom. Sobre o pentecostes, descrito lá em Atos 2, aquilo não foi uma segunda unção, o dom de línguas foi uma manifestação milagrosa que tinha como propósito a pregação da palavra, pois todos ouviam a mensagem em sua própria língua conforme o texto de Atos 2, ele é bem claro, leia ele inteiro. O pentecostes foi um milagre da pregação, e não uma unção especial.  Dividir a igreja em crentes batizados com o Espírito Santo e crentes não batizados é um erro. Quando aceitamos a Cristo somos batizados, nossa vida é transformada, temos nova vida. O falar em línguas é apenas um dom e um dos menores, e não uma evidência de sermos batizados com o Espírito Santo, como muitas igrejas erroneamente ensinam. A mudança de vida sim é uma evidência, conforme Gálatas 5:22 otimamente nos diz.

Tudo é o demônio: Esta é uma prática comum entre pentecostais, por a culpa dos nossos problemas no demônio. Se eu vou mal financeiramente é culpa do demônio devorador, e não da minha má administração. Se eu estou mal de saúde é culpa do demônio, e não da minha negligência em me cuidar. Se meu casamento está mal, é culpa do capeta e não minha da falta de diálogo com meu conjugue. É fácil culpar o capeta em tudo, é fácil terceirizar a culpa, pois assim nos isentamos de olhar para os nossos erros e mudar. Não estou afirmando que o mal não tenha culpa alguma, algumas vezes ele até tem sim, mas na maioria das vezes estamos com problemas por conta de nossa própria cabeça dura.

Somos o povo da Bíblia, por isso que se não está na Bíblia, não devemos aceitar. Por a prova todo o ensino é básico para que construamos uma fé fundamentada em Cristo e não em falácias.

“Desde o principio, a batalha entre o bem e o mal tem sido uma batalha pela verdade. A serpente, no jardim do Éden, começou a sua tentação questionando a veracidade de instrução anterior de Deus” (MACARTHUR, 2015, p. 244)

Não mudou muito desde o episódio descrito no Gênesis, continuamos com a missão de estudar e entender a palavra, para que assim não caiamos em enganos do inimigo. O problema é que muitas vezes não vemos como instrumentos do diabo estes pastores que ensinam coisas que não estão na Bíblia, e é esta uma das afirmações que o próprio Lutero faz:

“Seja o que for que não tiver sua origem na escrituras é certamente do próprio diabo” (MACARTHUR, 2015, p. 244)

Por isso estude, questione e leia, não só a Bíblia, mas livros e artigos de autores relevantes que estudam a Bíblia já algum tempo.  E atenção, se a comunidade cristã no qual você é membro não permite questionar e estudar desconfie.  Uma igreja séria dialoga, permite questionamentos e o estudo, se este não é o seu caso repense a sua permanência nesta comunidade.

 

BIBLIOGRAFIA

MACARTHUR, John, Fogo Estranho, Um olhar questionador sobre a operação de Espírito Santo no mundo de hoje, Editora Thomas Nelson, Rio de Janeiro,2015

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OS SUICIDAS VÃO PARA O CÉU?

Segundo o ministério da saúde, estima-se que anualmente 800 mil pessoas morrem por suicídio no mundo, e a cada indivíduo que se suicida outros 20 já tentaram. É o mal do século, responsável por 1,4% de todas as mortes no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Mas o problema não acaba por aqui, pois desde novo eu ouço notícias de pastores ou cristãos se matando, fazendo com que eu me pergunte onde está a família ou a igreja nesta hora? Uma vida interrompida é sempre lamentável, ainda mais quando esta pessoa está em nosso convívio, pois nos deixa a sensação que poderíamos ter feito algo, mas não fizemos.

Um tempo atrás me perguntaram se o suicida ia ou não para o céu, a resposta que eu comumente dou a esta pergunta é  “depende”, pois em se tratando de questões sobre uma vida interrompida, a resposta nunca é tão simples assim. Tenho medo de cristãos que insistem em simplificar a questão respondendo a esta pergunta com a resposta pronta: “A Bíblia diz que os suicidas não herdarão o reino dos céus”.

  Lamento informar-lhes amigos, mas este versículo não existe, é uma passagem bíblica inventada, falada como se ela existisse. Aliás, a Bíblia não tem passagem alguma que fala sobre suicídio e para onde estes suicidas vão. E um dos textos, que alguns teólogos e pastores usam é Êxodo 20:13: “não matarás”, passagem que faz parte dos 10 mandamentos. Segundo estes teólogos o suicídio é uma forma de homicídio, além de que a vida é um dom de Deus, por isso temos que zelar por este dom. E sobre o texto com certeza eu acredito nele, porém não creio que todo o suicida vá para o inferno, direi por que.

Nem sempre o problema do suicida é espiritual, nem sempre é físico ligado a alterações químicas do cérebro ou psíquicas ligadas a transtornos mentais e psicológicos, nem sempre é por conta de problemas econômicos e nem sempre é sentimentalismo, praticado por pessoas que querem atenção, porém todos os casos existem. Contudo, eu acredito que se o suicida fazia tratamento para uma depressão profunda, que é uma doença, eu não acredito que este doente vá para o inferno. Pois assim como um paciente de uma doença terminal morre. Alguém que tem um problema de saúde como este, está sujeito aos sintomas de sua doença, que seria “a falta de vontade de viver”.

Muitos veem o suicídio como a fuga covarde da vida, porém não entendem que muitas vezes o suicídio para um suicida é justamente a resposta para seus problemas. Para eles, nem sempre é fuga, mas a solução.

O suicídio é algo sério, as estatísticas estão aí para comprovar isso, tratar esta doença de forma leviana não é a saída. Temos que entender que compreensão, companheirismo e acompanhamento médico é importante para que este mal seja evitado. A maioria dos psicólogos afirmam que um suicida dá sinais antes de se matar, cabe a nós decifrarmos os sinais e oferecer ajuda

Não trate o problema de forma simplista, não jogue peso nas costas de familiares falando bobagens que não estão na Bíblia. Pois cada caso é um caso, e em se tratando de salvação, é Deus quem cuida. Nossa missão é ajudar o próximo, principalmente quando este próximo acabou de perder alguém.

Logo a baixo eu deixo o link de um pdf do Ministério da Saúde, com informações de como prevenir e agir em um caso de suicídio. A informação é sempre o melhor remédio, por isso leia e se informe.

 

BIBLIOGRAFIA

http://portalarquivos.saude.gov.br/images/pdf/2017/setembro/21/2017-025-Perfil-epidemiologico-das-tentativas-e-obitos-por-suicidio-no-Brasil-e-a-rede-de-aten–ao-a-sa–de.pdf

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DIVISÕES

Meus irmãos, fui informado por alguns da casa de Cloe de que há divisões entre vocês. (Referência 1 Coríntios 1:10-16)

Quando vemos as infinitas brigas e divisões entre calvinistas, arminianistas ou afins, achamos ser isso algo novo, um problema que veio com a reforma. O que alguns não sabem é que estas divisões já têm pelo menos uns dois mil anos. O homem é mestre em se dividir, em seguir cada um o seu guru sem respeitar uns aos outros.

A igreja de Corinto estava se dividindo, já não se entendiam mais. Cada um seguia o seu mestre, esquecendo que o nosso verdadeiro mestre é Jesus:

“Acaso Cristo está dividido? Foi Paulo crucificado em favor de vocês? Foram vocês batizados em nome de Paulo?” (1Coríntios 1:13)

É evidente que temos que abrir os olhos quanto ao falso ensino, não podemos concordar com ensinamentos que não estão na Bíblia. Porém, nós também não podemos esquecer que nós não seguimos a homens, mas a Deus. Não foi Calvino nem Armínio que morreu por nós na cruz, foi Cristo.

Ou a teologia que seguimos, seja calvinista, arminianista ou sei lá qual mais, nos aproxima de Deus, nos faz orar mais, ser mais humildes, ler mais a Bíblia ou largamos tudo. Austin Fischer tem uma conclusão interessante sobre isso em seu livro:

“O problema com a teologia é que são humanos que a estão fazendo. Criaturas finitas, frágeis e caídas estão tentando entender o Criador. Tal ação, está propensa a resultar em erros e hilaridade” (FISCHER, 2015, p.19)

Eu tenho visto muitos irmãos se dividem por causa de teologia e placas de igreja. Eu já vi alguns cristãos batendo no peito rindo dos que não seguem a sua forma de pensar, já ouvi pastores chamarem arminianos de burros. A igreja não tem crescido com alguns destes ensinos e quem perde com a divisão é a igreja.

Nós somos um só corpo (1 Coríntios 12:14), sendo Cristo o cabeça,  a teologia que temos deve nos fazer crescer e não nos dividirmos. Temos um só Deus, uma só palavra que nos guia que é a Bíblia, será que é tão difícil resolver algumas questões teológicas com um bom debate, sem guerra? Caso contrário morreremos ao nos dividir, pois se somos um só corpo como a Bíblia diz, um membro separado do corpo morre.

 

BIBLIOGRAFIA

FISCHER, Austin, Jovem Incansável Não Mais Reformado, Editora Sal Cultural, Maceió, 2015

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A MISSÃO DE PAULO

Ele caiu por terra e ouviu uma voz que lhe dizia: “Saulo, Saulo, por que você me persegue?” (Referencia: Atos 9:1-6)

Há tempos que eu ouço muitos pastores calvinistas afirmarem que Paulo não teve escolha quando recebeu a missão do próprio Cristo de levar à mensagem as nações pagãs (V15). Penso ser esta uma conclusão deveras equivocada, veremos por que.

Primeiro porque Paulo já servia a Deus, ele era perseguidor dos seguidores de Jesus, que eram vistos pelos judeus como hereges (Atos 8:3). Ele esteve inclusive no martírio de Estevão (Atos 7:58-60). Além de ter sido fariseu (Atos 23:6) e aluno de Gamaliel um dos maiores sábios da época (Atos 22:3). Enfim, Paulo não era pouca coisa mas já servia a Deus, ou achava que servia, quando perseguia a igreja com o aval do Sumo Sacerdote (Atos 9:1), onde depois de ter uma experiência com o Cristo ressurreto, se converteu a Jesus e começou a pregar a sua palavra

“Muitos crimes hediondos têm sido praticados em nome de Deus. Com Paulo, não foi diferente. Ele foi um perseguidor implacável (Gl 1.13). Ele usou sua influência e força para esmagar os discípulos de Cristo. Perseguiu Cristo (At 26.9), a religião de Cristo (At 22.4) e os seguidores de Cristo (At 26.11)” (LOPES, 2015, p. 17)

Lembremos que Cristo foi o Messias que o Velho Testamento profetizou que viria, mas que pela dureza de coração os judeus acabaram rejeitando.

Segundo, Paulo teve uma experiência com Deus e é impossível virar as costas para esta afirmativa quando lemos o texto. Veja bem, ele se levantou e cumpriu com o que Cristo havia dito(V8). Se ele tivesse coração duro e virasse as costas para aquele milagre, tal qual os fariseus fizeram na época de Jesus, ele poderia ter desobedecido. E não só isso, ele orou a Deus tendo após sua oração duas visões de Deus lhe mostrando o que aconteceria (V11-12).

Só uma pessoa convertida, com o seu coração aberto a cumprir a vontade de Deus ora. Ninguém que é coagido ora, ninguém que é obrigado a fazer a vontade de Deus busca a Ele uma resposta, mas Paulo buscou e recebeu a resposta.

Não confundamos Deus ter escolhido alguém, com coação. Afinal, Ele conhece o coração do homem, seus desejos e anseios, sabendo muito bem quem escolher por saber quem responde melhor a sua missão.

Terceiro, é um erro usarmos eventos isolados para fundamentarmos nossas teorias. A Bíblia nos mostra exemplos tanto de pessoas que Deus parece não dar escolha para cumprir o seu chamado, quanto pessoas que Ele parece dar escolha, tal qual Judas, que foi escolhido por Cristo, mas ele decidiu traí-lo e fazer o que melhor lhe aprazia. E é diante disso que temos que ter cuidado ao afirmar que Deus não respeita nossas escolhas na hora de nos dar uma missão.

Paulo teve escolha, escolheu ressignificar a sua missão e de um defensor do judaísmo, o ensino que ele acreditava ser correto, escolheu continuar, porém agora servindo a Cristo o Messias prometido que veio aos seus. Ele não mudou de missão, apenas ressignificou a sua e reconheceu que Jesus era o Cristo esperado por tanto tempo. O nosso salvador e senhor para todo o sempre, amém!

 

BIBLIOGRAFIA

LOPES, Hernandes Dias, Paulo O Maior Líder do Cristianismo, Editora Hagnos, São Paulo, 2015

CHAMPLIM, RN. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo, Editora Hagnos, SÃO PAULO, 2014

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OS HUMILHADOS SERÃO EXALTADOS

 “Eu lhes digo que este homem, e não o outro, foi para casa justificado diante de Deus. Pois quem se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado”  (Lucas 18:14)

É comum vermos a Bíblia sendo mal interpretada, eu já dei inúmeras amostras do quanto alguns fazem interpretações equivocadas e esta por sinal é uma delas, passei a minha infância toda ouvindo. Segundo pastores, quem é “humilhado” pelas pessoas, um dia Deus o “exaltará” diante dos homens. É um mantra repetido em algumas igrejas, dando a entender que um dia sua humilhação será revidada por Deus e você sairá por cima. O problema é que o texto não diz isso!

O texto em questão é uma parábola contada por Jesus, para entendermos temos que ler Lucas 18 do versículo 9 ao 14. E logo no versículo 9 temos o motivo do porquê Cristo contou a parábola:

“A alguns que confiavam em sua própria justiça e desprezavam os outros, Jesus contou esta parábola” (V9)

O texto não fala de pessoas que foram humilhadas, no qual depois Deus os exaltou. A parábola narra a história de dois homens, um o fariseu, que se achava santo, digno, o bonzão e um publicano, que tinha a consciência de quem era e do quanto precisava do perdão de Deus. O publicano se humilhou, ele não foi humilhado aí que está o erro de muitos intérpretes Bíblicos, ele se humilhou diante de Deus, enquanto o outro foi arrogante. Eu gosto da versão de Eugene H. Peterson para este versículo 14, ele é um pouco mais claro:

Jesus comentou: “Quem voltou para a casa justificado diante de Deus foi o cobrador de impostos, não o outro. Se você andar por aí de nariz empinado, vai acabar da cara no chão, mas, se com humildade enxergar quem você é, acabará se tornando uma pessoa melhor”

O texto fala sobre oração, uma humilde de um homem que se considerava o único pecador, mais que todos os outros e outra autossuficiente de um fariseu que se achava o único santo, mais que todos os outros.

Os publicanos eram cobradores de impostos que o império romano escolhia entre o próprio povo judeu. Geralmente eram mal vistos pelas pessoas, tidos como traidores, além de algumas vezes praticarem cobranças abusivas, como Lucas 19:8 nos informa. Já os fariseus nós conhecemos bem, eram os religiosos da época, que em sua maioria (pelo menos uma parte) eram legalistas e é sobre isso que o texto fala, de quem realmente foi perdoado.

“O veredito de Jesus foi que ele foi para casa justificado, isto é, aceito por Deus, mas o fariseu não. A ênfase gerada pelo contraste este […] e não aquele está correta. A parábola é, assim, mais uma manifestação de preocupação para com os “excluídos”. Deus está sempre pronto para receber os injustos quando estes apelam a ele, mas fecha seus ouvidos àqueles cujo orgulho por suas práticas religiosas e boas obras fazem com que se sintam autossuficientes” (CARSON, 2012, p. 1518)

Cuidado com o orgulho, com a comparação, não somos melhores um dos outros, todos nós somos pecadores e necessitamos da graça de Deus. Eu gosto de como Lawrence Richards resume esta passagem:

“O fariseu (v. 11,12) orou de verdade. E ele veio a presença de Deus. Mas só enxergava a si mesmo. Sua visão estava obscurecida pelas aparências, com as coisas que fazia e deixava de fazer. Convencido e autojustificado, não conseguia ver a Deus de forma clara – nem o próprio coração.

Também estava no Templo um cobrador de impostos envergonhado demais para levantar os olhos ao céu. Humilhando-se diante de Deus, esse homem encontrou o perdão” (RICHARDS, 2013, p. 799)

O texto não fala sobre ser exaltado diante dos homens e sim, sobre o perdão de Deus, quem realmente foi perdoado. Se humilhe diante de Deus, é sobre isso que o texto fala e não se dirige a quem foi humilhado por outra pessoa

Aliás, sinto lhe informar, nem sempre quando formos humilhados pelo mundo seremos exaltados. Leia as histórias dos apóstolos, dos mártires que morreram pregando a palavra. Isso sem contar que Cristo nos mandou amar os inimigos, diante disso, ser exaltado aqui no mundo é a última coisa que vai acontecer conosco

Só há um digno de ser exaltado, Cristo, o resto tem que se humilhar diante d’Ele e confiar em sua bondade

 

BIBLIOGRAFIA

RIENECKER, Fritz, Comentário Esperança De Lucas, Editora Esperança, Curitiba, 2005

CARSON. DA. FRANCE , RT, MOTYER, J. A, WENHAM, G. J, Comentário Bíblico Vida Nova, Editora Vida Nova, São Paulo, 2012

RICHARDS, Lawrence, Comentário Bíblico do Professor, Um Guia Didático Completo Para Ajudar no Ensino das Escrituras Sagradas do Gênesis ao Apocalipse, Editora Vida Acadêmica, São Paulo, 2013

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TUDO ME É PERMITIDO

 “Tudo me é permitido mas nem tudo convém. Tudo me é permitido, mas eu não me deixarei dominar por coisa alguma” (1Coríntios 6:12)

Cresci em uma igreja que nos proibia de fazer quase tudo. Tudo era pecado, tudo nos levava para o inferno e conversar e dialogar não era algo tão comum assim, o lema era seguir as ordens e ponto final. Não foi a toa que quando cresci abandonei o caminho por um tempo, pois o mundo dialoga, ele ensina e responde dúvidas, mas nos leva por estradas cada vez mais distantes de Deus.

O texto começa falando sobre alguns que levavam seus irmãos em tribunais para serem julgados (V1). Provavelmente Paulo esta falando de algo que acontecia naquela igreja. Diante destes acontecimentos ele fala: não se encontra entre vocês alguém sábio para julgar entre irmãos? (V5), depois de exortar os crentes quanto a estas atitudes, ele lista algumas práticas que não nos levam para o céu: Injustiça, depravação, adultérios e por aí vai, sugiro que leia com cuidado o texto todo (V9). Porém ele enfatiza com este versículo citado (V12), que tudo me é lícito…

Diante disso você pode ficar confuso, afinal, a Bíblia lista uma quantidade grande de pecados e termina dizendo que tudo me é lícito, mas nem tudo me convém? Não é estranho?

A princípio soa, mas a Bíblia de Jerusalém nos da uma explicação que desvenda este mistério:

“Esta frase resume toda a moral paulina: já não se trata de saber o que é permitido e o que é proibido, mas de determinar o que favorece ou prejudica o crescimento do homem novo, regenerado em Cristo” (2013, p. 2000)

Afinal, tantas coisas que não são “pecados” mas que nos separa de Deus, não é? Eu conheço gente que troca tudo até a busca por Deus, pelo trabalho, muitos são viciados em coisas que não são drogas ao contrário são coisas inocentes como doces, refrigerantes, etc. E alguns não conseguem desenvolver em sua vida o amor ao próximo, o perdão ou o servir. Nem tudo o que nos separa de Deus tem cara de pecado. Nem tudo o que nos desvia do caminho é pecaminoso, diante disso, cabe a você entender o que te separa de Deus e o faz escravo do pecado

 A pergunta que você deve se fazer sempre é: O que me separa de Deus? O me torna um escravo?

Fui membro de uma igreja onde a hipergraça era o ponto de partida da vida cristã, todos eram livres para fazer qualquer coisa, éramos salvos pela graça e não vivíamos de baixo de jugos, ou de condenações de pastores que nos proibiam tudo, tal qual o meu antigo pastor. Porém esta graça havia virado uma desgraça e o que era permitido havia virado pedra de tropeço para as pessoas. Com o tempo você via irmãos caindo de bêbado nos bares, fazendo festas regadas a muitas bebidas e porres. Víamos exageros dos mais extremos e víamos pessoas praticando coisas que envergonhavam o nome de Deus. E era algo parecido que estava acontecendo na igreja de Corinto:

“Alguns daqueles membros da igreja de Corinto haviam defendido a sua lassidão de costumes abusando da doutrina paulina da “liberdade cristã”, o que contribuiu tão somente para aumentar a gravidade de seus pecados” (CHAMPLIN, 2014, p. 110)

Em nome da graça, tal qual Corinto, aquela igreja estava se perdendo e em nome da liberdade cristã, a libertinagem havia tomado conta de suas vidas. Mas o texto nos avisa, tudo me é permitido, mas eu não me deixarei dominar por coisa alguma (V12), esta é a frase que você deve tatuar em seu peito e é sobre isso que o texto fala:

“Um cristão pode fazer coisas que pessoalmente não o beneficiem, nem tampouco beneficiam a outros, mas um crente sábio escolherá o que convém” (RICHARDS, 2013,p. 981)

Você é livre para fazer tudo, porém deve se abster das coisas que te afastam de Deus. Não é uma licença para você praticar qualquer tipo de ato, afinal, o próprio texto lista muitas práticas que são pecaminosas, mas sim é uma advertência para termos consciência de que muitas coisas nos afastam de Deus, sejam as coisas legítimas, quanto às ilegítimas.

Este texto suscita uma grande verdade, o nosso relacionamento com Deus está acima de tudo. Ter sabedoria e força de vontade para nos afastar do que desagrada a Ele deve ser a nossa prioridade, afinal tudo me é lícito, mas será que tudo me convém?

 

BIBLIOGRAFIA

RICHARDS, Lawrence, Comentário Bíblico do Professor, Um Guia Didático Completo Para Ajudar no Ensino das Escrituras Sagradas do Gênesis ao Apocalipse, Editora Vida Acadêmica, São Paulo, 2013

Bíblia Sagrada – Bíblia de Jerusalém; Paulus, São Paulo, 2013

CHAMPLIM, Rn. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo, Editora Hagnos, SÃO PAULO, 2014

 

 

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ESCRAVOS

“Não sabeis vós que a quem vos apresentardes por servos para lhe obedecer, sois servos daquele a quem obedeceis, ou do pecado para a morte, ou da obediência para a justiça?

Mas graças a Deus que, tendo sido servos do pecado, obedecestes de coração à forma de doutrina a que fostes entregues.

E, libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça” (Rm 6:16-18)

Existe um problema com este texto. A palavra em grego doulos que significa escravo, tem sido substituído ao longo do tempo por servo em algumas Bíblias

Podemos concordar que os dois significados são bem diferentes, e diante disso também podemos concordar que a profundidade da mensagem se perdeu um pouco. Talvez por conta das barbáries da escravidão a palavra aos poucos foi sendo mudada para chocar menos,  porém com isso perdemos uma importante lição

Um escravo no período romano era visto como posse, como um bem material, este escravo vivia para fazer as vontades de seu senhor sem opinar ou gritar por direito algum

Porém se este escravo tivesse um bom senhor ele vivia bem,  não se preocupava com comida, moradia ou roupa, e até como era costume na época, afim  de incentivar os escravos a trabalharem melhor, os donos dos escravos prometiam alforria  a fim de que todos trabalhassem em busca de um único propósito a liberdade, John Macarthur acrescenta:

“Ser um escravo não significava apenas pertencer a alguém, mas também estar sempre disponível para obedecer, em tudo, àquela pessoa. O único dever do escravo era cumprir os desejos do mestre; e o escravo fiel era desejoso de assim o fazer, sem hesitação ou queixas” (MACARTHUR, 2014, p. 53)

Estou bem longe de afirmar que a escravidão tinha algo de bom ao contrário, foi um dos atos mais repugnantes e injustos que o homem já praticou. Porém a Bíblia afirma que somos escravos do pecado, somos presos a ele e só temos ele como senhor

Diante disso, convido-lhe a olhar em volta e ver como o mundo está,  como as pessoas tem tido comportamentos destrutivos e repugnantes. E diante de todos estes fatos a explicação é simples. Somos escravos do pecado, com isso o que obviamente vamos ver nos homens são atitudes autodestrutivas e pecaminosas reflexo do nosso senhor o pecado

Só que o texto nos convida a mudar de senhor,  a termos um outro que é Cristo. Quando somos escravos dele; o resultado disso é ou devia ser ter atitudes boas já que o nosso senhor é bom:

“Fomos “libertos do pecado e das trevas”, pois Jesus “nos libertou quando cativos”. Embora estivéssemos mortos em nossos pecados, Deus nos deu vida, de forma que “começamos, de fato viver, quando (somos) livres do pecado e da escravidão”” (MACHARTHUR, 2014, p. 120)

Somos escravos de Cristo, somos servos de um senhor bom com isso, além de termos que segui-lo sem questionar, nós podemos ter certeza que o nosso senhor vai cuidar de nós.

Ser escravo do pecado é ter uma vida autodestrutiva, ser escravo de Cristo é ter uma vida que exala esperança. Quem é servo do filho vive de verdade, constrói pontes entre pessoas e a sua vida reflete a do seu senhor.

 

BIBLIOGRAFIA

MACARTHUR, John, Escravo, A Verdade Escondida Sobre Nossa Identidade Em Cristo, Editora Fiel, São Paulo, 2014

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VERDADE ABSOLUTA

 É comum vermos teólogos e pastores declararem guerra ao relativismo. E como eles mesmo afirmam: “Se a verdade é relativa, até o conceito de que a verdade é relativa, é relativo”. Logo, podemos concluir que existem sim verdades absolutas, usando a própria afirmação de que a verdade é relativa. Esta afirmação contradiz a si mesma, porém, temos outro problema. Se existe uma verdade absoluta e nós cristãos acreditamos nisto, por que então discordamos tanto um do outro? Por que nós não somos unânimes nas questões Bíblicas e teológicas? Não há religião com tantos pontos convergentes que o cristianismo, afinal, são tantas divisões, tantas formas de pensar como: Calvinismo, arminianismo, pentecostalismo e se até entre eles há subdivisões e discordâncias, quem dirá entre quem pensa diferente.

Com isso uma questão fica no ar: Mas a verdade é absoluta ou não? Não existe apenas uma verdade? Será que os pensadores relativistas não tem alguma razão em afirmar que a verdade é relativa? Esta foi uma das questões que me incomodou, principalmente depois de ver um vídeo do Ed René Kivitz, onde o mesmo falava do relativismo e usava alguns de seus argumentos para levantar justo esta questão. No momento em que eu me preparava para discordar dele, me vieram estas questões. O que se segue são as minhas conclusões sobre o assunto.

Jesus Cristo disse lá em João 14:6:

“Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim”.

Tomé estava com  dúvidas, queria saber para onde iria e qual era o caminho quando Cristo proferiu estas palavras. Verdade em grego é alétheia e significa: Conteúdo daquilo que é verdadeiro e, assim, de acordo com o que de fato aconteceu; verdade, revelação de Deus. (LOW, NIDA, 2013, p. 599). Enfim, Jesus é a verdade, a revelação de Deus, o cumprimento do Velho Testamento, só temos salvação através dele. E por mais que tenhamos pontos divergentes esta verdade não muda, ao contrário, só demonstra o quanto somos limitados, o quanto demoramos para entender a verdade que está em Cristo

Talvez os filósofos relativistas tenham alguma razão em afirmar que: “cada ser humano tem a sua verdade”. Porém isso não nos traz a conclusão que a verdade não exista, e sim demonstra o quanto somos falhos ao não percebê-la. O quanto demoramos em entender, e o quanto precisamos estudar, ler, orar para chegar a verdade real que está em Cristo. Eu sempre digo que a teologia serve para que tenhamos ferramentas, para que entendamos cada vez mais a mensagem que Cristo queria nos passar. Contudo, mesmo que estudemos, temos que ter a humildade de reconhecer que muitas vezes estaremos errados.

“Não é necessário saber o local ou ver o mapa das estrelas para identificar a localização da casa do nosso Pai. Basta conhecer a Jesus. Ele “é o caminho, a verdade e a vida”.

Esta é, portanto, nossa primeira instrução: conhecer e confiar em Jesus é o bastante” (RICHARDS, 2013,p. 857)

Existe uma verdade, Cristo é a verdade, cabe a nós estudarmos e tentarmos ser cada dia mais relevantes para que cheguemos a esta verdade absoluta. A verdade realmente existe, mesmo com todas nossas opiniões divergentes. O nosso problema é que somos seres finitos, sujeitos a falhas e erros, por isso que o amor e a humildade deve ser feito presente. Para que assim, através da comunhão e o compartilhar, cheguemos a um ponto coeso do que Cristo queria nos ensinar através de sua palavra.

 

BIBLIOGRAFIA

RICHARDS, Lawrence, Comentário Bíblico do Professor, Um Guia Didático Completo Para Ajudar no Ensino das Escrituras Sagradas do Gênesis ao Apocalipse, Editora Vida Acadêmica, São Paulo, 2013

LOUW, Johannes, NIDA, Eugene, Léxico Grego-português do Novo Testamento, Sociedade Bíblica do Brasil, São Paulo, 2013

http://biblehub.com/whdc/john/14.htm

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