SETEMBRO AMARELO: A GUERRA SILENCIOSA

Há alguns anos atrás, um amigo pulou do sétimo andar de um prédio comercial. Ele sofria de depressão e acabou perdendo a batalha para a doença. É inevitável me lembrar deste caso neste importante mês de luta contra o suicídio, pois eu o conheci já em um período difícil de sua vida, sendo que ele se aproximou de nós justamente por se sentir sozinho nesta batalha.

O sentimento é algo muito pessoal, não dá para traduzir o que alguém está sentido. Muito menos mensurar ou compreender uma dor, decepção ou mesmo a depressão que alguém está enfrentando.

É justamente por conta disso, que não é raro encontrarmos aqueles que julgam as pessoas que passam por estas situações, atribuindo sua situação a frescura, falta do que fazer e por aí vai. Duplicando ainda mais o problema genuíno de alguém

A depressão não é bonita, mas talvez seja um dos problemas mais complexos, justamente por ser difícil de compreender. Ninguém sente o que o próximo sente e se falamos que imaginamos, nunca é por completo, por ser uma situação única, impossível de se mensurar, a dor do outro é sempre inacessível.

Passei a entender um pouco a depressão, quando passei por alguns episódios. Senti o peso de me sentir sozinho em um momento onde a solidão era tudo o que eu mais queria me livrar. Porém, ao invés de me abrir ou de procurar amigos para me apoiar e desabafar, a solidão me pareceu o melhor confidente, já que o problema no qual eu passei, há muitos anos atrás, não era tão compreendido, pelo menos não naquela época.

Eu agradeço a Deus por iniciativas como o Setembro Amarelo, afinal, o melhor remédio contra a depressão e o suicídio é a informação. Alguns diminuem a iniciativa afirmando que não adianta falar sobre o assunto só uma vez por ano. A questão é que adianta sim. Ter um mês especialmente separado para falar sobre a causa é ótimo, refletirá em conscientização que vai durar o ano todo. E quem não apoia e continua acreditando que depressão é frescura, infelizmente não vai mudar. Ou só mudará quando alguém de sua família passar por algo parecido. Zack Eswine em seu livro “A depressão de Spurgeon”, complementa:

“De acordo com Charles, ditados desgastados e soluções rápidas não funcionam. A maior parte dos sofredores não pode simplesmente “ser dispensada somente com uma palavra ou uma dose de remédio, mas requer um tempo prolongado em que compartilharão suas lamúrias e no qual receberão conforto” (ESWINE, 2015, p.84).

É preciso tentar compreender, aprender que nem tudo o que imaginamos é o correto. Precisamos aprender a nos informar e largar a opinião do senso comum. Pois uma coisa que muitos não entendem é que a depressão pode ser causada por disfunções hormonais, traumas, conflitos conjugais, ansiedade e por inúmeros outros fatores. Nem sempre o depressivo quer estar naquela situação, as vezes a causa foge ao seu controle.

Eu aprendi a lidar com a minha melancolia e uso estes momentos para produzir, escrever e criar. Mas nem sempre alguém consegue encontrar a saída. As vezes o suicídio é a única saída que alguém vê para a sua dor. Se você não se colocar como apoio, e mostrar que há outra saída, certamente, tal pessoa não enxergará outra opção.

Por isso que antes de julgar, entenda que uma opinião, para ser relevante, precisa de informações fidedignas. Se informe antes de olhar para um depressivo e emitir alguma crítica.

A depressão é uma guerra silenciosa que nem todos entendem, é estar sozinho, vendo o mundo cinza. É por conta disso que é fundamental entender que podemos ser o apoio, a outra opção que um depressivo não consegue ver ou mesmo uma carga, que aumentará ainda mais o seu problema. Faça a sua escolha.

BIBLIOGRAFIA

ESWINE, Zack, A depressão de Spurgeon: esperança realista em meio à angústia, Editora Fiel, São José dos Campos, 2016.

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