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FALTA DE CONHECIMENTO

Sócrates, um dos maiores filósofos de todos os tempos, sustentava a ideia de que o homem pecava por conta da falta de conhecimento:

“Sócrates sustenta que o que faz um homem pecar é a falta de conhecimento, se soubesse, não pecaria. A causa dominante do mal é, portanto, a ignorância. Assim, para alcançarmos o bem, precisamos possuir conhecimento, logo, o bem é conhecimento” (RUSSELL, 2017,p. 66)

Não creio que o que faz o homem pecar seja a falta de conhecimento, contudo, acho que Sócrates tem sim uma pontinha de verdade, afinal, erramos muito por não conhecermos, por sermos ignorantes, principalmente quando falamos da Bíblia.

Continuamente vemos pessoas seguindo falsos ensinos, falsos pastores, por não conhecerem a palavra. É constante cometermos erros, ou conclusões equivocadas, por não termos conhecimento do assunto. Provérbios 10:14 diz justo isso:

“Os sábios acumulam conhecimento, mas a boca do insensato é um convite à ruína”.

Os sábios se informam, buscam conhecer, tentam falar do que eles conhecem, mas o insensato fala somente do que não sabe e o pior, muitas vezes fala como se soubesse, gosto de uma citação que resume bem estes:

Ensine a tua língua a dizer: “não sei!”, caso contrário serás pego dizendo tolices (BONDER, 2010, p. 174)

Tudo começa com a frase não sei, quem acha que sabe de tudo, não sabe. A falta de humildade e de conhecimento faz o indivíduo se considerar alguém fechado, que não precisa mais do saber. Porém o sábio sabe quem é, ele entende que o conhecimento é infinito, e inesgotável, ele sabe que não sabemos e nem vamos saber de tudo, pois o conhecimento é inesgotável.

Eu tenho medo dos que muito falam, tenho receio dos que emitem opinião sem base e coerência aos seus pontos de vista. Quem realmente sabe opina sobre o que conhece, sobre o que tem certeza, agora a pessoa que não sabe, prefere os enganos que uma mente orgulhosa produz.

Falar é fácil, até papagaio fala, agora emitir uma opinião coerente, baseado em bibliografias e estudos, que é o desafio. Por isso se informe e fale do que você realmente sabe. Existem vários caminhos para o aprendizado, basta pormos em prática e nos aprofundar. Quem não se informa vive no escuro, segue opiniões falsas, peca por conta da falta de conhecimento. Agora já quem se informa está sempre aprendendo, revendo seus conceitos, buscando a verdade.

BIBLIOGRAFIA

RUSSEL, Bertrand, História do Pensamento Ocidental, Editora Nova Fronteira, 21. ed, Rio de Janeiro, 2017

BONDER, Nilton, A cabala da inveja, Editora Rocco, Rio de Janeiro, 2010

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INSATISFAÇÃO

A insatisfação não é de todo um mal, dependendo da forma como a usamos, ela pode ser um termômetro que aponta para a mudança. É normal nos acomodarmos, a estabilidade é boa, mas às vezes nos engessa. Ou o contrário, às vezes nos habituamos a uma vida instável, que só um sentimento de insatisfação nos tirará deste marasmo caótico.

Diante desta realidade, reclamar não é a saída, ao contrário, quem reclama não entende o poder da insatisfação e segue com atitudes ácidas, ações que pioram ainda mais a situação.

Comece olhando para a sua vida, pontuando o que você poderia mudar, evoluir ou fazer diferente. Olhe para as novas oportunidades, aprenda algo novo, ou se aperfeiçoe no que você já é bom para crescer ainda mais. Nunca é tarde para estudar, se aprofundar e aprender.

Passei por esta insatisfação há muito tempo atrás, não queria mais trabalhar na área no qual eu trabalhava, eu não sabia bem o que queria fazer, só tinha a certeza de que aquilo que eu fazia não me deixava mais feliz. Contudo, ao invés de reclamar, ou seguir tendo atitudes negativas, resolvi entender a minha situação e procurar uma saída e em meio a busca, redescobri muitas possibilidades, e hoje sou o que eu havia almejado há muito tempo, embora o plano estivesse adormecido, que é ser professor.

Foi à insatisfação que me fez recomeçar, estudar, buscar aperfeiçoamento e ir ao encontro das oportunidades. É ela que nos tira da zona de conforto, e nos faz seguir para novos ares. Foi ela que me fez ler mais, ter hábitos saudáveis, me aperfeiçoar na escrita.

Tudo começa com a insatisfação, este sentimento é ambíguo, pode te derrubar ou te movimentar, basta você direcionar a força para o sentido certo, ao invés de ficar estagnado reclamando, sem ir a lugar algum.

Caímos no comodismo de forma muito fácil, contudo quando bem usada, a insatisfação é um trampolim para novas oportunidades. É o ensejo de olhar para frente e ir em busca do novo.

Olhando para trás chego a me impressionar com os inúmeros pontos finais que eu dei, nunca achei que iria parar com alguns projetos, mas parei. Em contrapartida, concluo que se eu não tivesse encerrado, não sei se conseguiria me dedicar a algumas empreitadas no qual me dedico hoje. Tudo é questão de olhar para frente, de planejar e buscar crescimento, e alguns pontos finais nos ajudam com isso. É importante sair do lugar, fazer coisas novas ou buscar aperfeiçoamento sempre.

A insatisfação é uma bússola que nos move, nos mostra outras direções e aponta para o novo. Quem se inquieta se movimenta e progride. Quem se acostuma, engessa e não sai do lugar.

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VIVENDO E REFLETINDO

Imagine se você pudesse se observar por um dia. Ver como você trata os outros, principalmente os que estão te servindo, como trata e se relaciona com amigos e colegas de trabalho. Caso isso fosse possível, você ficaria feliz, triste ou envergonhado com o que veria?

Como eu sei que isso não é possível, ao menos que você contrate uma equipe de filmagem, vou mudar a pergunta. Quando você para e se autoavalia, lembra-se de como você age para com as pessoas, suas decisões, e sobre qual é a sua atitude em momentos de pressão, você fica orgulhoso com o que você se lembra ou envergonhado? Ou você nem gasta tempo em pensar em como você é não é visto pelas pessoas

Eu constantemente tento me autoavaliar, paro para pensar em como ajo, como tomo as minhas decisões ou como estou seguindo. Não que eu ligue para as pessoas, e sim porque tenho tentado me aperfeiçoar ao máximo.

Tenho tentado tomar o caminho da relevância, tenho buscado pensar em minhas atitudes entendendo como são e como podem melhorar. Tenho pavor em pensar que estou vivendo no automático, por impulso, sem reflexão. E também em estar vivendo de um modo nocivo, seja para mim, ou para os outros.

Não se trata em tentar ser relevante apenas, e sim, em ser alguém com consciência, que vive de uma forma centrada. Sem comprar brigas inúteis, que não acrescenta nada em minha vida, mas ao mesmo tempo sendo relevante para com o próximo.

Para que o evangelho continue vivo e fazendo diferença, primeiro em nossa vida, depois na vida das outras pessoas, temos que entender em como estamos vivendo. Temos que avaliar nossas atitudes e buscar sempre mudanças.

Por isso aprenda a avaliar o seu dia, escreva um resumo do que fez, e pense se naquele dia você poderia ter agido diferente. Relembre suas ações, reflita sobre as suas decisões e tente perceber se tem vivido por impulso, ou de uma forma racional e coerente.

Viver no automático é perigoso, seguir sem refletir, sem pensar sobre nossas atitudes é nocivo para qualquer um, por isso aprenda a parar e pensar em como você tem sido para com as pessoas e aprenda a mudar.

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FALSA IMAGEM

Eu gosto muito de frases, aforismos e provérbios que sintetizam alguns ensinos. Nem sempre uma boa lição vem através de um livro, em uma edição especial, escrito pelo melhor filósofo do mundo. Creio que comumente o simples nos ensina mais do que as palavras complicadas. No entanto, muitos usam estes mesmos artifícios, para pintar uma imagem de quem não é, construindo fachadas falsas ou as usam para apenas rebaixar o próximo e mostrar a sua superioridade.

Certo dia, enquanto conversava com um colega e contava algumas coisas que me tiravam do sério (são muitas, acredite). Sem ao menos titubear, ouço uma destas frases, proferida por um tipo de pessoa que gosta de deixar claro sua superioridade ante a fraqueza do próximo, a frase é a seguinte: “Se alguém te tira a paz, a paz não era sua”. O curioso foi que a frase veio acompanhada por uma observação muito enfática: “Ninguém tira a minha paz”. Uma declaração que se provou falsa, pois no afã de entendê-lo, acabei por tirar a sua paciência, ele ficou visivelmente alterado. A enorme ironia é que esta pessoa não tem muita paciência, qualquer coisa tira ele do sério, com isso, a frase era mais uma muleta, que uma máxima pessoal.

A vida é uma grande escola, para quem tem o pensamento ampliado, algumas frases, acontecimentos e experiências viram grandes lições, sendo que só é possível aprender, quando o aprendizado vem acompanhado da humildade e da capacidade de entender quem somos e quais são nossos pontos fracos. Caso contrário, ela só servirá para fabricar uma falsa imagem de nós mesmos, servirá de muleta e não como ensino.

Cuidado com quem você acha que é, tenha tento e se preocupe com o orgulho que faz com que nos consideremos mais do que realmente somos. Constantemente nos enganamos, achamos que somos feras e não enxergamos o quão pequeno e equivocado é o nosso modo de ser.

 Priorize sim uma vida de busca constante de crescimento, é legal buscarmos ferramentas para crescer e nos tornarmos melhores, isso é inteligente e necessário, mas não é fácil, pois estamos sempre fadados a autossabotagem, a achar que somos mais que os outros e com isso não crescer ou deixar de aprender. O oposto também é verdadeiro, conheço gente genial, realmente inteligentes e capaz, mas que se consideram sem talento algum, zeros a esquerda. Por isso que se torna fundamental entender quem você é, o que você precisa melhorar e o que você já domina.

Comecei falando de frases e aforismos e o quanto estes recursos podem nos ajudar e também nos autossabotar. Sendo que eu tentei deixar claro que uma frase, por si só, não ajuda, ela apenas nos dá um norte. Toda a teoria deve vir acompanhada da ação, da prática, para que realmente possamos nos desenvolver.

Uma frase sem ação, só serve para nos idealizar, para descrever o que queremos ser ou jogar em nossa cara o que não somos, o que é muito pior.

Mudanças vão muito além de meras frases é preciso também ter atitude, esforço para consertar nossos erros e para nos desenvolver.

Comece pontuando suas qualidades, entenda o que você tem de melhor e busque a partir disso evoluir ainda mais. Depois pontue bem suas dificuldades, seus problemas e falhas pessoais, confesse-os todos sem dó alguma e busque ferramentas para caminhar para a mudança. Pare de usar desculpas para seus erros, assuma-os, confesse seus pontos fracos e mude.

É interessante enfatizar a palavra “ferramentas”, no plural, pois nem sempre o que serve para uma pessoa, serve para outra. Seja inteligente e busque o que mais se encaixa ao seu perfil, este é o segredo.

Todos nós temos falhas graves, entenda isso de uma vez por todas, todos nós somos limitados e muitas, mas muitas vezes percebemos as coisas de forma equivocada, esta é uma verdade que você tem que assumir para se livrar da falsa imagem.

Não seja mais do que você é, não seja mente fechada achando que sabe de tudo ou é melhor do que todos. Sempre tem alguém melhor, mais forte e mais capaz do que nós, basta termos humildade, que vamos enxergar, pois a falta de humildade nos cega, não tenha dúvidas.

Seja humilde, não pense mais do que você é e nem se ache especial, só assim conseguimos aprender, e seguir como eternos alunos na caminhada da vida tendo como principal consequência o crescimento pessoal.  

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AS VANTAGENS DA MUDANÇA

Recentemente eu mudei de endereço e pude perceber na pele várias lições importantes que uma mudança nos traz

A primeira é que nunca é confortável mudar,  sair da zona de conforto de um bairro conhecido e enfrentar novas rotinas e costumes, nunca é fácil. Assim é também na vida. Abandonar nossa rotina, ir em direção a algo novo ou novos desafios  não é fácil, mas é fundamental para que cresçamos.

Eu mesmo tinha um sonho de cursar teologia, porém, junto com este sonho vinha alguns desafios como: acordar cedo para trabalhar e dormir tarde por causa da faculdade, porém toda a dificuldade valeu a pena. Só crescemos com esforço, ninguém aprende sem suar a camisa e sem abandonar seus maus hábitos.

Outra lição é que mudar é cansativo, demanda tempo para embalar tudo,  planejamento e gestão para que toda a sua mudança caiba em um caminhão e mesmo assim, algumas coisas dão errado. Assim é também na vida, não mudamos de uma hora para outra. Para alcançarmos um objetivo precisamos de tempo e sabedoria para lidar com percalços, mas vale a pena.

Há quem acredita na frase: “Não troque o certo pelo duvidoso”, e eu concordo com ela, em partes, mudanças nem sempre são boas, porém, só conhece o novo quem muda, quem se abre para conhecer novos lugares e novas formas de se fazer o mesmo. Pois afinal, às vezes é fundamental mudar, sair do comodismo, conhecer ares novos e experiências novas. Eu li uma frase estes dias que eu achei interessante, pena que eu não sei ao certo de quem é: “Troque o certo pelo duvidoso sempre que sentir sua vida tediosa”

Às vezes é bom arriscar, mudanças nem sempre são ruins, só conhecemos coisas novas quando optamos pelo caminho diferente e pelo novo.  E mesmo que algumas mudanças deem errado, sempre podemos tirar algumas lições, nem que a lição seja não fazer daquela forma.

Lembre-se, não crescemos com a estagnação, não evoluímos se não aprendemos a ver o novo ou quando não abandonamos o comodismo.

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CAMINHOS ACIDENTADOS

Em um antigo trabalho eu costumava pegar um caminho bem acidentado, hora a estrada era asfaltada hora não, hora o chão era de pedras hora era só barro. O meu desafio diário era chegar limpo ao local de trabalho, afinal, não tinha como trabalhar com a roupa cheia de lama.

Nos primeiros dias foi uma epopeia, precisei gastar algum tempo tentando limpar os sapatos e às vezes até trocar de roupa, por conta da lama que o terreno acidentado deixava em minha indumentária.

Às vezes por necessidade temos que trilhar estes caminhos, em tempos difíceis somos forçados a aceitar trabalhos em locais com ambientes ácidos, patrões grosseiros ou em locais onde as estradas são bem esburacadas. Nem sempre uma boa oportunidade começa em uma rua bem asfaltada ou em um caminho limpo e bem sinalizado.

 O curioso é que de tanto percorrer o caminho difícil aprendi onde eu devia pisar. Descobri alguns caminhos alternativos e algumas calçadas um pouco mais transitáveis. Chegou um tempo em que eu nem levava mais roupa sobressalente, pois em meio a lama, aprendi onde firmar os pés, descobri onde tinha estradas limpas e coesas e onde eu podia passar com tranquilidade e sem percalços.

Nem sempre estaremos no melhor caminho, existem tempos onde teremos que enfrentar percalços, caminhos por onde nunca havíamos transitado e patrões ou pessoas no qual nunca imaginaríamos que teríamos que lidar, nestas situações, saber onde pisar já é um grande avanço em nossa caminhada.

Nem sempre acertaremos, nem sempre estaremos em boas estradas, saber transitar nestes diferentes trajetos é um dos segredos para seguir aprendendo e crescendo conforme avançamos.

Hoje a estrada que eu percorro é mais tranquila, não por ser um caminho menos acidentado, mas por ter aprendido como andar nos diversos tipos de solo.

Lembre-se que, ou você encara seus problemas como desafios e cresce com eles, ou continua vendo como problemas e carrega o peso que um problema tem. Creio que tudo vai depender do quanto você está preparado para aprender, o quanto as dificuldades farão você conseguir pisar no lugares certos e prosseguir. Nem tudo é flores, contudo também nem tudo é caos, basta ajustarmos a nossa forma de ver e aprender a evoluir.

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SÍNDROME DE ÍCARUS

Gosto muito da história de Ícarus, que era filho de Dédalo, um dos homens mais criativos de Atenas. Foram eles, segundo a mitologia grega, que construíram o labirinto do Minotauro. E um dia, acabaram sendo presos dentro do labirinto a pedido do rei Minos. Sendo que para sair resolvem construir asas com cera de abelhas e penas de gaivotas. O problema é que para que as asas não se desfizessem eles deviam voar um pouco abaixo do sol, para que as penas não derretessem, e um pouco acima do mar, para que as penas não molhassem. Mas Ícaro, por ter se impressionado com o sol, desobedeceu às ordens de seu pai, voou em direção do sol e acabou caindo.

Considero esta história muito verdadeira, afinal, quem nunca deu um passo maior que as pernas, ou se perdeu, tentando conseguir o seu lugar ao sol? Planos, projetos e frustrações parecem caminhar juntos não é? E antes de acertar, muitas vezes erramos bastante.

Penso que um dos grandes motivos é o imediatismo. Queremos o retorno o mais rápido possível das coisas, queremos um diploma, sem estudar, uma boa profissão sem se preparar, queremos solução imediata para os nossos problemas, mas este tipo de solução não existe. Tudo leva tempo, quem já fez uma faculdade sabe disto. É mais fácil “aproveitar a vida” fazer o que gostamos do que passar dias fazendo um trabalho acadêmico ou lendo um monte de livros, mas no fim compensa. O que vai definir o sucesso de nossa empreitada é a nossa maturidade e entender o significado desta palavra já são alguns bons caminhos andados.

A vida é uma escolha e toda a escolha tem perdas e ganhos. Se você escolher estudar, provavelmente vai deixar de sair e gastar dinheiro com outras coisas, ou de ir para casa descansar depois de um dia inteiro de trabalho, isso se você trabalha e estuda. Você sempre vai perder em qualquer tipo de escolha, pois não é possível termos tudo, o que vai definir nosso sucesso são as escolhas que realmente valem a pena.

Eu tive um amigo que era chefe em uma empresa multinacional, ele ganhava muito dinheiro e gastava quase todo ele viajando, conhecendo o país. Nunca quis estudar, comprar uma casa ou guardar um dinheiro para o futuro. Foi a escolha dele agir assim, opção bem imediatista, diga-se de passagem. O problema foi que depois de muitos anos a empresa fechou e ele nunca mais conseguiu o mesmo padrão de trabalho que ele tinha antigamente, pois todos os empregadores que o entrevistavam não entendiam como ele, ganhando o salário que ganhava, não havia feito uma faculdade. Este amigo tinha muita experiência em carteira, porém nenhum estudo. Acabou tendo que se contentar em trabalhar em um cargo mais baixo, com salário mais baixo ainda, por não ter se preparado. A vida é feita de escolhas, escolher bem define toda a nossa vida. O problema é que o bom caminho é quase sempre mais trabalhoso.

A síndrome de Ícarus nos faz querer sempre o imediato, a pegar caminhos mais rápidos para o sucesso, a usar fórmulas mirabolantes para se chegar lá, mas isso não existe. A boa empreitada é trabalhosa, leva tempo, não vem tão fácil assim.

Ter equilíbrio e pensar no caminho certo é o segredo de bons resultados, entender que muitas vezes o certo leva tempo, já é um passo dado para uma empreitada que dá resultados. O amigo que eu citei poderia ter feito tudo, viajado, estudado e se preparado, bastava se planejar um pouco, e equilibrar sua vontade de viajar.

Lembre-se que em todas as nossas escolhas vamos sempre perder e ganhar vence na vida quem aprende a perder menos, ou opta por coisas que traz mais resultados.

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AMBIGUIDADES

Dificilmente você vai me ver militando por uma causa, já vivi o suficiente para perceber que quando falamos de mundo, seres humanos e sistemas, sei bem que  a maioria deles e de suas causas são problemáticas e ambíguas.

Um homem pode ser bom, mas nunca o suficiente, por mais que ele seja honesto e solidário, por ser um humano, falho e pecador, sempre haverá o outro lado, uma maldade escondida, uma atitude fora do padrão.

O mesmo eu digo dos sistemas políticos, por mais que surja um modelo perfeito e revolucionário, sempre haverá o outro lado. Quem não olha o mundo desta maneira, está fadado a uma opinião simplista, quando não é uma opinião cega, destituída da reflexão e extrema. Eu tenho medo de certezas justo por conta das ambiguidades e por constatar que uma boa parte dos que têm certezas são extremos, alheios ao diálogo. Não adianta, é difícil ter certeza por ser impossível termos uma opinião destituída de falhas. Edgar Morin e Patrick Viveret, no livro “Como viver em tempos de crise” resumem:

“Para entender o que acontece e o que vai acontecer no mundo, é preciso ser sensível à ambiguidade” (MORIN, VIVERET, p. 9)

O mundo é realmente complexo para o definirmos de forma coerente e sem medo, as pessoas, inclusive eu, são um tanto quanto alienadas, para terem certezas realmente assertivas, olhando o todo, avaliando por todas as direções e nuances.

As vezes achamos que estamos olhando o todo, mas não percebemos que existe um outro lado. Tem dias que deixamos as emoções nos guiarem sem nos atentarmos. Há períodos no qual não percebemos nossas injustiças às vezes até feitas em nome da justiça. O ser humano é ambíguo, um misto de bondade e maldade. Edgar Morin e Patrick Viveret complementam mais um pouco o tema, falando agora do pensador Pascal:

“Pascal tinha o senso da ambiguidade para ele, o ser humano traz em si o melhor e o pior” (MORIN, VIVERET, p. 10)

Somos este misto de melhor e de pior, podemos ser bons, mas por conta do pecado, a nossa bondade vai ser sempre contaminada, meio que misturada com o pecado.

Com isso em mente eu tento avaliar o mundo, tenho sempre um pé atrás com homens que se dizem salvadores e não confio em sistemas infalíveis, pois não existem. Com isso em mente eu também tomo cuidado com os meus impulsos, pois sei que por mais que eu tenha boa intenção, eu posso estar indo no caminho da injustiça. As vezes podemos achar que estamos olhando o todo, avaliando uma questão por todos os ângulos, sem perceber nossas contradições, sem ver que no fim nem estamos vendo a questão direito. Esteja certo de uma coisa, você não pode ter uma plena certeza, é impossível fecharmos uma questão, você não pode se permitir ter pontos de vista fechados, inerrantes.

Depois de muito estudar e ler, depois de dedicar horas aos livros e pesquisas, aprendi o quanto sou limitado, descobri o quão perigoso é a certeza. Não é que não devemos confiar ou que precisamos ser céticos para o resto da vida, e sim, que devemos entender que podemos estar errado, nunca exclua está possibilidade.

Somos seres ambíguos, com o melhor e o pior em nós, com isso, tenha tento, aprenda a ter um pé atrás, pois nunca se sabe qual lado está gritando mais alto.

Se você não crê que pode estar errado, há uma possibilidade de você não estar atento as suas ambiguidades.

BIBLIOGRAFIA

MORIN, Edgar, VIVERET, Patrick, Como viver em tempos de crise? Editora Bertrand Brasil, Rio de janeiro, 2015.

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A FORÇA DA DISCIPLINA

Descobri o poder da disciplina ainda criança, quando eu quis aprender a tocar bateria, mas ninguém quis me ensinar. Quem perderia tempo com uma criança? Ninguém quis perder, entretanto preferi ao invés de lamentar, persistir. Na vida ou você luta ou se entrega, vai do ponto de vista e do preço que cada um prefere pagar.

Na minha inocência de inexperiente, comecei a ver os bateristas tocarem e a imitar o movimento, e com muito empenho aprendi, assim, sem auxílio algum.  É claro que depois vem muita gente ensinar, querendo ganhar os louros por ser professor de um jovem baterista, como eu nunca liguei, me aproveitei da boa vontade, mesmo que pouca, pois na maioria das vezes precisei correr atrás.

A música me ensinou a ter disciplina, a praticar sem desistir. Ninguém segura um amante, e como eu era um apaixonado pela música, consegui aprender, mesmo que pouco motivado.

Tudo vai de você achar o que mais gosta e sem demora traçar um plano, toda a disciplina começa com dedicação e muito tempo de empenho. Ou você aprende a se dedicar e a praticar muito ou você desiste ante o menor obstáculo, o hábito surge assim, com persistência e força. Aristóteles define o hábito usando uma citação do poeta e filósofo Eveno:

“O hábito, meu amigo, é tão somente uma longa prática. Que por fim faz-se natureza” (2001, p. 155)

Persista, jogue de lado o prazer de mergulhar na preguiça e inutilidade e mergulhe na prática, que aos poucos aquilo passa a fazer parte de você. A preguiça, o descaso, a falta de vontade é inerente ao ser humano, nós já temos de forma natural, não precisamos cultivar. Agora o estudo, a leitura, a prática isso temos que cultivar, ir contra nossos impulsos para que fique introjetado em nossa vida e é a única forma de sair do lugar.

Precisei também aprender a lidar com críticas, pois ninguém quis me ensinar a tocar, mas todos quiseram colocar algum defeito na forma que eu estava tocando. Foi importante ser inteligente e reter da crítica o que era bom, afinal, como eu disse, na maioria das vezes eu estive aprendendo sozinho, não tive ajuda, por isso, precisei das críticas, até das falas maldosas e invejosas, para assim tirar alguma lição. Ou você usa a cabeça ou segue batendo em tudo quanto é canto. Quando não temos um professor, precisamos usar os críticos, e eu usava, perguntava e tentava ouvir, nem sempre conseguia, pois alguns eram pedantes demais, mas quando conseguia eu aprendia.

Por fim, o mais óbvio que eu fazia era separar um tempo. Se você não aprende a parar para se dedicar, você não desenvolve. Ou paramos, nos concentramos, estudamos, ou seguimos sem nos desenvolver.

É um passo de cada vez, passos curtos, realistas, não é o tempo que conta, mas a qualidade do tempo separado. Não adianta você separar horas, mas não se concentrar no assunto, pouco tempo bem aproveitado é muito, que no mais, você automaticamente vai aumentando.

Estas lições que aprendi com a música, levei também para a vida acadêmica, o principio é o mesmo, o caminho do estudo é igual e com percalços parecidos. Quem trabalha e estuda sabe bem disso. Depois de um dia de trabalho você não quer ir estudar, o corpo prefere descansar e se jogar no vazio da inutilidade, se não persistimos nos entregamos.

A disciplina é uma força que precisa ser cultivada, principalmente se você quer ser relevante. Uma pessoa disciplinada consegue chegar lá, sejam quais forem as tribulações, por isso, não perca tempo e aprenda a ser disciplinado.

BIBLIOGRAFIA

Aristóteles, Ética a Nicômaco, Editora Martin Claret, São Paulo, 2001.

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OS TRÊS PILATES DA BOA DISCUSSÃO

Já ouvi de professores que debates são importantes, faz com que revisitemos a nossa opinião, que troquemos experiências e aprendamos mais. Mas o ponto principal do debate, segundo estes professores, é que é através do debate que conseguimos verificar se a nossa argumentação é boa ou se estamos errados.

Existem inúmeros problemas com esta forma de pensar, o principal deles é que nem sempre quem fala bem, tem bons argumentos, por isso podemos estar debatendo com pessoas que só sabem falar bem e tem como principal objetivo ganhar o debate. Este tipo de pessoa não acrescenta, não nos faz refletir em cima de nossa opinião, com isso, fico em dúvida se vale a pena entrar em uma empreitada destas ou não. Quem sabe se conhecermos a pessoa sim, caso contrário, é impossível termos certeza se tal momento é bom ou ruim, mas este ainda não é o principal motivo no qual ou não gosto muito de debates, meu motivo está em cima da falta do que eu chamo de “os três pilares do bom debate”. Geralmente eu só entro em discussão quando tenho certeza que estes pilares existem.

O primeiro pilar é a argumentação embasada. Está é a parte importante da conversa é a base do meu ponto de vista. Um bom acadêmico ou profissional forma sua opinião baseado em fatos, estudos, bibliografias, análises amplas, ele verifica os fatos de todos os ângulos e opiniões sólidas. Ele estuda, aprende e reflete sobre tudo, sendo que o resultado vai ser a boa opinião. Dependendo do assunto em uma conversa ou debate eu cito até alguns livros para embasar o meu pensamento. Gosto de ensinar e incentivar as pessoas a ler, com isso eu não consigo deixar de citar bons autores.

Se eu não entendo do assunto eu me calo, posso até dar as minhas percepções, mas não insisto em discutir e opto por ouvir. Se eu não sei, eu não sei, é perca de tempo falar do que não sabemos e se a pessoa sabe, o inteligente é ouvir e aprender, sendo que na dúvida, pesquiso depois.

O segundo pilar é o ouvinte. E esta é a parte que me faz entrar ou não em debates, sendo que este pilar tem várias variantes. Se você está conversando com alguém que não te ouve, você só estará jogando conversa fora, e se ele tiver a intenção de apenas ganhar o debate pior ainda, você vai só perder tempo, pois o ouvinte vai fazer de tudo para estar certo, até apelar no debate, sendo que estas são as primeiras variantes.

A segunda variante do ouvinte é o fato dele não dominar o assunto, aí você vai ter um problemão, pois vai ter que explicar de forma detalhada o assunto para ele te entender, isso se entender. A terceira variante é se ele acha que entende do assunto, aí o caos está armado, pois você vai estar falando com alguém que tem como base apenas o que ele acha e não no que ele se informou, com isso, ele poderá pegar o seu ponto de vista embasado e distorcer, o que é um problema.  

Veja bem, ensinar é uma troca, sendo que quem aprende deve estar aberto a aprender, refletir e chegar a um denominador comum, em um debate, dificilmente existe este espírito. Geralmente quando eu emito a minha opinião eu espero para ver a reação da pessoa, dependendo de como ela recebe a opinião, eu não perco mais tempo.

Eu gosto de ouvir, acho lindo pessoas que sabem do que estão falando, tento sempre respeitar a opinião alheia, mesmo que diferente da minha e convivo com o diferente numa boa. Nem todos com que eu debato ou troco opiniões, concordam comigo ou eu com ele, mas na maioria das vezes nós não apelamos e sabemos como lidar com a opinião oposta, este é o segredo, estes são os que valem a pena debater e conversar, pois existe base a respeito em suas argumentações.

O terceiro pilar é a intenção. Se o motivo do debate é apenas medir ego, estar certo ou ganhar, o debate já está perdido. Sendo que uma boa parte das discussões tem como base este motivo, por isso, ao menor sinal de ego, eu fujo, não perco o meu tempo mesmo. Não gosto de medir ego, gosto de pensar, trocar informações, entender o porquê a pessoa pensa da maneira que pensa e refletir. Ganhar uma discussão é sempre pouco.

Eu já me calei ante assuntos em que eu entendia tudo porque o argumentador não gostava de ouvir. Mas eu também já tive boas conversas, onde o respeito pela pessoa só aumentou.

O oposto é também muito verdadeiro, se a nossa intenção for só ganhar, mostrar que sabemos, é melhor nos calarmos. É um tempo perdido querer nos mostrar só para rebaixar alguém ou mostrar que somos superiores. Cada um tem suas limitações, ninguém sabe de tudo, com isso o respeito é importante a fim de sermos relevantes.

Um dia eu estava falando de um assunto da minha área de estudo com um amigo. A minha opinião era totalmente contrária a dele, mas ao final da minha argumentação ele falou, cara  eu discordo de você, mas também não vou conseguir te responder. Eu já li muito, mas não consigo argumentar, na mesma hora eu me calei e respeitei aquela opinião sincera. Ele prometeu pensar no assunto, e estudar mais ainda para um dia conversar comigo, e eu assenti calado respeitando a limitação que todos nós temos.

Respeito, é esta a base de toda a conversa, quando ele não existe, esqueça de debater. Lembre-se que é uma atitude totalmente infantil querer impor ideias, mesmo que estas sejam ótimas, revolucionárias. O caminho é sempre expor, aprender a dialogar e conviver com a opinião contrária. Por isso, antes de entrar em um debate verifique se existem os três pilares da boa discussão, para que assim você não se incomode e perca o seu tempo com quem quer apenas impor suas ideias a qualquer custo.

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