Resultados para tag "desenvolvimento-pessoal"

41 Artigos

QUIETOS E TAGARELAS

“Se presumirmos que pessoas quietas e falantes têm quase o mesmo número de boas (e más) ideias, então devemos nos preocupar se as pessoas mais falantes e fortes sempre liderarem” (CAIN, 2012, p. 51).

Cresci em uma escola onde os extrovertidos eram sempre vistos como alunos acima da média, e os introvertidos, como modelos de inaptidão. Eu já fui visto como um aluno limitado pelas professoras, mesmo tendo aprendido a tocar bateria sozinho, com 11 anos de idade. Tudo por conta da minha introversão e na época, grande timidez.

Nunca me senti confortável em uma sala cheia, e isso acabava refletindo em minhas notas, unindo isso com o fato que as professoras pegavam no meu pé por conta do meu silêncio, por isso, o resultado foi um aluno frustrado. Só me desenvolvi depois que aprendi a lidar com esta questão. Muitos acreditam que falar bem e ser desenvoltos é sinal de inteligência, mas nem sempre é.

Falar bem ou ser mais quieto, não define a inteligência de uma pessoa, e sim, define apenas algumas qualidades que alguém tem. O extrovertido, por exemplo, domina a arte da comunicação. Este tipo de pessoa naturalmente fala bem, e consegue interagir de forma muito natural. Já o introvertido, tem a facilidade para se concentrar e estudar um assunto dentro de sua confortável solidão. Lembrando que um introvertido não é uma pessoa tímida, propriamente dita, e sim, alguém que prefere o silêncio, grupos com poucas pessoas, e uma interação mais íntima. Normalmente um introvertido se cansa fácil em um local com muita gente. Ao contrário do extrovertido, que já transita bem em um ambiente lotado, já que para ele, interagir é a ordem do dia, falar é o seu melhor passatempo.

É errado definir uma pessoa pelo seu poder de comunicação, é importante avaliar alguém pelo seu conteúdo, e não pelo modo como fala. Nem sempre quem fala bem, tem conteúdo, as vezes ele consegue apenas falar, contudo, de forma bem superficial, quando não é de forma equivocada.

Por anos a sociedade definiu uma pessoa inteligente, como comunicativa, a questão é que esta definição sempre foi injusta e um tanto quanto equivocada, como vimos. O fato de alguém falar bem, não define a inteligência, quem sabe, define apenas algum tipo de inteligência, uma entre tantas. A lista é grande, como por exemplo: a inteligência musical, a lógico-matemática, corporal a intrapessoal e por aí vai.

É evidente que tanto o extrovertido, quanto o introvertido, precisam aprender a equilibrar as suas partes desequilibradas. O extrovertido precisa estudar, buscar uma rotina onde ele possa mergulhar no conhecimento, para assim ter conteúdo. Já o introvertido, precisa aprender a se comunicar, estudar oratória, buscar ferramentas e técnicas que ajudem a alinhar o seu lado falho, mas, sem dúvida, os dois possuem ótimos dons, apenas são de áreas diferentes.

BIBLIOGRAFIA

CAIN, Susan, O poder dos quietos: Como os tímidos e introvertidos podem mudar um mundo que não para de falar, Editora Agir, Rio de Janeiro, 2012.

10 visualizações

O SER HUMANO COMO ETERNO SOFISTA

Há muito tempo atrás um colega me procurou para falar sobre bateria. Mais especificamente, ele queria fazer uma crítica aos músicos de rock, coisa que eu não via problema algum, por mais que eu goste do estilo, respeito qualquer tipo de crítica, desde que seja fundamentada. O problema com a crítica desta pessoa é que ele acreditava que os músicos de rock não sabiam tocar bateria. É claro que eu discordei, sou músico e conheço inúmeros bateristas ótimos, sendo que eu aproveitei para pontuar, que algumas vertentes do metal eram muito difíceis de tocar. O cidadão não concordou, a parte bizarra era que ele nunca havia tocado bateria ou qualquer outro instrumento e eu sou músico há muitos anos, segui sem entender a sua crítica.

Mentir não é bonito, enganar pessoas em nome de desejos, trapaças ou mesmo para se colocar como melhor do que o outro, não é só desonesto, mas também é a melhor forma de viver uma vida hipócrita e calcada em experiências e vivências que nunca existiram.

O mentiroso é um eterno sofista, a questão é que na maioria das vezes este tipo de pessoa não percebe que a pessoa que ele mais engana, é ele mesmo.

Os sofistas eram aqueles que ganhavam a vida com seus ótimos discursos, convencendo outros e ensinando a arte da persuasão. A verdade, para estes, era relativa, fruto de um convencimento, estabelece a verdade somente quem convence, era assim que eles pensavam.

O ser humano é mestre em mentir para si, em afirmar que entende, sem entender, sem nunca ter vivenciado a situação ou buscado conhecer. Tal qual o fato que eu narrei no começo do texto. Nesta situação, quem perdeu foi ele, quem estava se enganando era ele. Em nome do orgulho, a pessoa optou por não ouvir um músico, e ainda teimar, tendo como ponto de partida, nenhuma base, informação ou verdade. A verdade é fruto da investigação, da pesquisa e do estudo. Ela é a prova daquilo que é, e não de teorias infundadas e sem estruturas.

Existe um grande problema em não ouvir, em achar que sabemos, e teimar, mesmo sem conhecer. E o problema é que esta pessoa nunca vai aprender. Só aprende quem está aberto para isso, quem confessa suas limitações e busca por mudança. Quem acredita que sabe, não aprende, segue a corrente, sem nunca nadar para sair do lugar.

É preciso humildade para admitirmos nossas limitações e pontuarmos o quanto não sabemos. E respeito ao próximo, para pelo menos ouvir, tentando assim concluir se existe coesão na afirmação da pessoa ou não.

17 visualizações

A IMPORTÂNCIA DA PRIORIDADE

Eu gosto muito de ler e estudar, não sou professor a toa, faço o que eu gosto e tenho prazer em me debruçar nos livros. Sendo que uma coisa que comumente ouço, por conta da minha rotina de estudos e leituras é: “Eu queria ter o tempo que você tem para ler”.

O que estes não entendem é que tempo é algo raro, ninguém tem, normalmente estamos ocupados por conta de inúmeros compromissos, trabalhos e prioridades. A grande questão é que quando gostamos de algo, fabricamos o tempo. A arte de se dedicar a algo, está infinitamente ligado ao quanto priorizamos aquela atividade. Nilton Bonder, no livro “Alma & política” resume o assunto pontuando que:

“O tempo não é algo que se encontra, mas que se faz” (BONDER, 2018, p. 88).

A vida em nossos dias é muito corrida, por isso que priorizar é o caminho para quem deseja desenvolver algo.

Comece contabilizando o tempo que você passa nas redes sociais e televisão, que você vai ver como você tem muito tempo. Gastamos muito do nosso tempo à toa e deixamos de lado o que é realmente essencial.

Depois estipule um horário para ler e estudar, e cumpra o cronograma sem falhar. Prepare um local silencioso, adequado para o seu tipo de atividade e corte qualquer tipo de distração. Sejam as redes sociais, ou qualquer outra coisa que tire a sua atenção.

Por fim, aprenda a adiar a recompensa. O ser humano funciona basicamente através de um sistema de recompensas, por conta disso que é muito mais fácil ele chegar em casa e se dedicar a coisas que possuem um prazer imediato, por ser fácil e com uma recompensa quase que instantânea, do que seguir executando atividades que proporcionarão uma recompensa algum tempo depois.

O problema é que nos estudos, a recompensa nem sempre vem no momento. É preciso muito empenho para ler e estudar um livro, para depois ficarmos felizes e nos sentirmos recompensados com o conteúdo aprendido ou com um artigo pronto. Ou mesmo acontece ao fazermos uma graduação, que apenas depois de alguns anos, conseguiremos o tão sonhado diploma e colheremos alguns frutos da nossa dedicação.

Quando se trata de atividades importantes, desde fazer exercícios, estudar ou se dedicar a ocupações que demandam tempo e disciplina, é preciso aprender a postergar a recompensa, para assim alcançar o que é importante, mas que demanda mais tempo e esforço.

Não é preciso abandonar as redes sociais, muito menos a TV ou as séries, e sim, separar um tempo para estas importantes atividades e dar a devida prioridade para aquelas tarefas.

Muitas vezes aquela atividade que deixamos de fazer não é por não termos tempo, e sim, por não darmos a devida atenção. Nem sempre priorizamos o essencial, às vezes funcionamos no automático, sem percebermos quanta coisa importante estamos deixando para depois.

Fabricar tempo é basicamente dar prioridade para o que é relevante, tendo o comedimento e a organização como ponto de partida, este é um dos segredos da disciplina.

BIBLIOGRAFIA

BONDER, Nilton, Alma & política: Um regime para seu partidarismo, Editora Rocco, Rio de janeiro, 2018.

11 visualizações

O CAMINHO DO MEIO

Tento ficar neutro nesta discussão política, não que eu não tenha opinião, é claro que tenho, e sim, porque no fim, temo a motivação deste palavreado todo.

Transitar pelo caminho do meio é primeiramente ter certeza que podemos estar equivocados. E quando eu vejo tais discussões, percebo que a grande maioria parece não abrir espaço para esta possibilidade. Por isso, diante de tal fato, me resta o silêncio. Não posso me prestar a discutir, quando o interlocutor não pensa que existe, mesmo que a mínima possibilidade, de estar errado. Quem tem a plena certeza em estar certo, não dialoga, não conversa e mesmo sem querer, impõe.

Percorrer o caminho equilibrado é também entender que as respostas não são simples. Soluções são em alguns casos complexas e dependem de inúmeras variantes. O ditado popular que diz “que a generalização é burra”, significa que quem generaliza não leva em consideração as inúmeras variantes e simplifica, achando que todas as questões são semelhantes.

O caminho do meio não é o caminho do isentão, como alguns falam, e sim, a estrada de quem sabe que pode estar equivocado, de quem não exclui a possibilidade de estar vendo uma miragem, uma impressão falsa de uma situação.

Temo a certeza de muitos, foi a certeza, durante a inquisição, que condenou muitos inocentes. Foi a certeza que provocou guerras e divisões. Mas calma lá, eu tenho os meus pecados, pois estou certo de que posso estar errado.

Em uma aula, há um tempo atrás, um aluno afirmava que cristãos protestantes não dialogavam, todos eles, segundo este aluno, gostavam de impor seus pontos de vista. Eu concordei com o aluno em partes, falei sim que, muitos protestantes tinham esta mania, mas não acreditava que todos eram assim. Ele discordou de forma veemente, afirmando que eu, um protestante que estava tentando dialogar, estava errado. No fim, o aluno não percebeu que estava agindo igual ao seu alvo de crítica, e seguiu produzindo contradições.

Eu sou um cara desconfiado, desconfio das boas ações postadas na internet, desconfio de quem milita por causas, sejam elas quais forem, e principalmente, de quem crê que está certo o tempo todo, ou de quem não se abre para a possibilidade de estar errado.

Prefiro dialogar com quem não tem certeza e que não se cansa de buscar as melhores perguntas, do que com pessoas que têm opinião formada, e excluem a possibilidade de estar errados, prefiro aqueles que pensam e fazem, ao invés de gastar tempo com quem acha que sabe de alguma coisa.

O caminho do meio é antes de tudo a opção por dialogar, é não impor, é fazer perguntas e duvidar, com um pouco de respeito é claro, mas sem abrir mão da ironia, a vida é muito complexa para sermos austeros.

Gosto de quem ri, principalmente daqueles que riem de si, seus problemas e suas falhas. Sou amigo de quem não dá desculpa, de quem assume a culpa, mesmo sem ter certeza quem é o culpado.

A mente nos prega peças, ela por pura preguiça, sempre opta pelo mais fácil, pelo óbvio, pelo que é simples, e faz parecer tudo complexo, tudo para agradar o nosso ego e fazer-nos crer sermos divinos, seres acima da média.

Já tive muitas certezas quando era novo, até mergulhar nos estudos e perceber que o saber nos mostra apenas o tamanho da nossa ignorância. Não é que não conhecemos a verdade, e sim que, muitos creem saber de tudo, só porque sabem aquele pouco.

A sabedoria é entender quem somos, e o quanto precisamos aprender. Quem sabe disso aprendeu e descobriu o saber.

8 visualizações

MEMÓRIAS DE UM ESCRITOR

A minha história como escritor é marcada por alguns obstáculos, o interessante foi que eu consegui vencer estes empecilhos com a ajuda de um filme, em uma época onde não tínhamos as facilidades da internet como temos hoje.

Há muito tempo atrás eu tive o sonho de começar a escrever, na época, eu já gostava muito de ler, e com isso, queria produzir os meus próprios textos e histórias. A questão era que eu estava muito tempo sem estudar, e sentia uma grande dificuldade em formular textos no qual eu me sentia realmente satisfeito. Aos poucos fui desanimando, e comecei a crer que não era capaz, mas não desisti, eu sempre fui persistente (ou teimoso, não sei ao certo).

Escrever é um hábito e também uma técnica, é possível estudar, conhecer métodos e ferramentas para que assim você consiga escrever cada vez mais e melhor. Basta não se entregar, pesquisar e persistir. O meu erro na época, foi não entender que nada nasce pronto. A própria concepção da vida nos mostra isso. Nascemos, seguimos amadurecendo, aprendendo e adquirindo prática, sendo que o aprendizado é constante, vamos aprender até o fim de nossa vida.

Foi no filme “Encontrando Forrester” que eu tive as minhas primeiras dicas de escrita, o filme me motivou a usar aquelas técnicas e a perceber que não era apenas coisa de filme, as dicas realmente funcionavam.

O filme conta a história de um escritor famoso, que depois de um episódio trágico em sua vida, acabou sumindo e vivendo de forma reclusa. Sendo encontrado, muito tempo depois, por um menino pobre no qual ele acaba ajudando. O escritor dá muitas dicas e foram estas dicas as minhas primeiras lições.

Faz muito tempo que eu não assisto mais o filme, ele é de vinte anos atrás, mas a principal dica, que me ajudou muito, eu lembro até hoje, e ela se resume em: “apenas escreva”. Não se preocupe com a concordância verbal, com palavras repetidas e nem com a pontuação, se concentre em tirar a ideia da cabeça e colocá-la no papel.

Quando eu comecei, na minha inexperiência de principiante, eu queria deixar o texto pronto, queria algo perfeito, logo nas primeira palavras, mas este não é o melhor caminho para se produzir um texto, no primeiro momento você precisa apenas escrever, e depois guardar o material para trabalhar mais tarde.

É interessante ler o que você escreveu alguns dias depois, você lê com outros olhos, e consegue perceber os equívocos e o que você precisa mudar no texto. E é nesta hora que você vai lapidar, trabalhar as palavras e ajustar o texto. Assim, sem pressa, pensando no conteúdo e em como você pode melhorar o material, guardando o texto novamente depois das mudanças.

Costumo repetir está operação até ficar satisfeito com o conteúdo, é claro que um texto sempre pode ser ajustado, ainda mais se você é um pouco exigente, mas é importante perceber quando o material está pronto para ser usado. Não adianta ficar trabalhando no texto o resto da sua vida e não usar nunca o material.

Hoje eu tenho anos de prática e escrevo muito, mas ainda sigo estes passos. Começo colocando a ideia no papel, e depois de um tempo vou trabalhando o material. É claro que hoje os meus textos ficam prontos mais rápido, devido a prática diária da escrita, mas quando eu comecei, precisei ter muita persistência. Lembre-se que quanto mais você escreve ou pratica algo, mais você vai adquirindo habilidade e a facilidade em executar aquele trabalho.

A leitura também é importante, é fundamental termos conteúdo, vocabulário e conhecimento, para que os nossos textos tenham mais coesão e consistência, além é claro, de conhecer outras formas de escrita. Só é possível aprender a escrever escrevendo, é praticando que chegamos lá, sempre com muita paciência e perseverança.

Eu nunca imaginei que um filme poderia ajudar um adolescente que sonhava em produzir conteúdo, hoje, mesmo depois de muito estudo e aperfeiçoamento, eu lembro deste filme com muito carinho, pois foi um marco em minha vida, foi o divisor de águas em minha carreira como escritor.

8 visualizações

O AVANÇO DO RETROCESSO

A tecnologia surgiu com um ótimo discurso, a sua fala era que um dia, teríamos muito mais tempo, por conta das facilidades tecnológicas, e viveríamos muito mais, por conta da longevidade que a ciência nos proporcionaria. Este sempre foi o mote do avanço científico. O grande impasse é que nunca estivemos tão doentes, com doenças psíquicas das mais diversas, fruto do nosso frenético modo de vida. Tão desinformados, afinal, o excesso de informação nos obriga termos critérios e ferramentas para verificar a veracidade das notícias, coisa que nem todos (se não a maioria) possuem. E tão sem tempo, pois com as facilidades, decidimos ocupar o tempo com mais trabalho, ou mergulhando em um mundo de fantasia e alienação, que são as redes sociais.

Byung-Chul Han, no livro “Sociedade do cansaço”, começa a sua obra pontuando que:

“Cada época possui suas enfermidades fundamentais” (HAN, 2020, P. 7).

Sendo que foi graças aos avanços, costumes e formas de encararmos certas situações, é que mudamos. Estes avanços nos trazem benefícios, mas também nos proporciona alguns ônus, situações precisamos aprender a lidar, para não nos consumirmos.

Hoje temos tudo na palma da mão, literalmente, embora tudo em excesso.  Muita notícia, muito trabalho e um monte de escolhas que fazemos que só nos trazem enfado e cansaço.

Poucos sabem hoje parar, desacelerar para refletir, poucos aprenderam a se desligar, a observar o céu ou a natureza, muito menos a prática contemplativa, que por alguns é vista como coisa do passado, de pessoas ultrapassadas. A questão é que estas eram as rotinas das grandes mentes e dos grandes filósofos, práticas que temos esquecido. O mesmo autor, acrescenta afirmando que:

“Por falta de repouso, nossa civilização caminha para uma nova barbárie. Em nenhuma outra época os ativos, isto é, os inquietos, valeram tanto” (HAN, 2020, P. 37).

Durante a quarentena que a pandemia obrigou o Brasil a fazer, eu me impressionei com o desespero de muitos amigos que não aguentavam mais ficar em casa, por não ter o que fazer. Ocupar a cabeça é uma das nossas ideologias, fazer ou estar em constante estímulo, o modo de viver de muitos.

A solitude, a reflexão, ou a própria prática de ficarmos um pouco em silêncio, desligados de tudo, são práticas inconcebíveis por muitos. Coisa de pessoas loucas que não têm o que fazer. O próprio hábito de verificar o celular e as redes sociais a todo o instante, já tem gerado, cada vez mais mentes inquietas, que não param um segundo sequer.

O avanço do retrocesso tem sido grande, a cada nova tecnologia, novas doenças surgem, por conta de pessoas que não se desligam, não conseguem observar seus próprios passos, nem prestar atenção no caminho, por estarem dirigindo e falando no celular ao mesmo tempo.

O mundo não para, mas a pandemia nos faz parar, e nos dá a chance de observarmos as nossas rotinas, para mudarmos para um estilo de vida um pouco mais saudável.

A questão é que para que isso aconteça, as pessoas precisam prestar menos atenção no mundo virtual, e olhar mais para o mundo real, um hábito que é difícil de acontecer, pois se desconectar está fora de moda.

BIBLIOGRAFIA

HAN, Byung-Chul, Sociedade do cansaço, Editora Vozes, Petrópolis, 2020

11 visualizações

O PERIGO DO AUTOENGANO

“Por mais paradoxal que pareça, achamos que a vida tem sentido só depois de ver que ela não tem propósito, e conhecemos o “mistério do universo” só depois de nos convencermos que não sabemos absolutamente nada sobre ele” (WATTS, 2017, p. 40).

Existe um perigo muito maior que ficar preso em um ciclo de alienação, por pura falta de conhecimento, e é acreditar que sabemos e ficarmos mergulhados em conceitos equivocados. O caminho da coerência é sempre mais difícil, ele não é tão iluminado e quase sempre é de difícil acesso.

O homem é mestre em se enganar, e este é uma das suas grandes sinas, achar que sabe quem é, quando definitivamente, em uma altura da vida, ele vai descobrir que não sabe, isso quando descobre.

Por conta de pontos de vistas, crenças e valores pessoais, muitos discutem, humilham e ofendem os outros, crendo ser a voz da verdade, o arauto da sabedoria e do conhecimento, o inerrante e mais divino homem que já pisou na terra.

É preciso entender que no final, todos nós somos ignorantes em um ou outro assunto. E caso, nobre leitor, você possua o sentimento de que sabes de tudo, sinto muito em informar-lhe, mas provavelmente você tem esta sensação por não saber de nada. Quem sabe alguma coisa amigo, entende ou tem alguma ideia de sua ignorância, por saber que o conhecimento é inesgotável. Já quem acha que sabe, está apenas na superfície, caminhando no raso, mas se imaginando no fundo, de posse de todo o conhecimento e de toda a verdade.

É preciso entender nossa ignorância, é importante duvidar e muitas vezes rever nossos pontos de vista para que assim possamos crescer. Só aprende quem quer, quem se abre e entende que é possível estarmos errados.

É totalmente normal e até constante não vermos o todo, ou enxergarmos apenas as coisas que queremos ver. O próprio fato de termos uma área de estudo, trabalho ou gostos pessoais, nos faz ignorantes de inúmeras coisas que não nos interessa, mas que pode ser também muito importante saber.

A grande sabedoria é confessar a nossa ignorância e entender que podemos estar errados, é preciso pelo menos colocar isso como possibilidade. E precisamos entender que menosprezar os outros, por acreditarmos saber mais, é pura arrogância, é um puro e profundo sentimento de superioridade, uma superioridade maldita e totalmente falsa, que nos destrói.

É libertador largar o controle e confessar que não sabemos de tudo, é possível ter uma sensação de total alívio quando você se coloca como aprendiz e professor. Entendendo que podemos ensinar sim, afinal, temos os nossos conhecimentos, mas também é possível aprender, sempre e a qualquer hora e com qualquer pessoa.

Quando admitimos as complexidades da vida ou entendemos que existem inúmeras coisas complexas para se saber, e principalmente, que nem tudo conseguimos saber, seguimos mais humildes, entendendo nosso lugar na terra e percebendo que o grande saber é entender que não sabemos. É a partir deste ponto que passamos a aprender.

BIBLIOGRAFIA

WATTS, Alan, A sabedoria da insegurança: como sobreviver na era da ansiedade, Editora Alaúde, São Paulo, 2017.

15 visualizações

NÃO SE GUIE PELA EXCEÇÃO

Aos poucos vamos aprendendo a pontuar nossos equívocos, a tomar atitudes mais assertivas e menos dolorosas. Em minha vida aprendi a transformar os problemas em desafios, a me preocupar com o que eu posso resolver e a tentar esquecer o que não tem solução. É inevitável não nos incomodar, mas é possível alinhar as nossas preocupações para que não sucumbamos ante o caos da vida. O excesso de preocupação nos derruba, mas quando aprendemos a dar prioridade as coisas certas, crescemos, resolvemos os problemas e aprendemos de uma forma mais tranquila e menos pilhada.

Em um belo dia um amigo me convidou para uma reunião, chegando lá fui recebido com música, palmas, um grande número de pessoas gentis e muito bem educadas. O ambiente era confortável e climatizado, a palestra motivadora e revigorante. Cheguei e ficar alegre e bem disposto. O propósito da palestra era vender um produto que fazia com que você recuperasse seu investimento, um bocado alto, em muito pouco tempo.

O curioso era que enquanto o palestrante ia dando as margens de lucro e mostrando como era fácil ganhar dinheiro, ele ia chamando pessoas para testemunhar as suas vitórias. Eu, é claro, não embarquei nessa, tenho um pé atrás com dinheiro fácil.

Uma das coisas que eu tenho tentado eliminar da minha vida é não me guiar pela exceção, uma atitude que tomamos de forma automática e constante. A pergunta talvez surja é: O que seria isso?

Exceção são casos vendidos as pessoas como se fossem regras, conceitos que são vendidos como se funcionasse para todos. Um bom exemplo de exceção que é vendido como regra é a Loteria.

Todo mundo joga na Loteria mesmo que os próprios cálculos matemáticos nos mostrem que é um ou no máximo meia dúzia que vão ganhar o prêmio. Este tipo de negócio não funciona, mas é vendido como se funcionasse, com isso, milhões são arrecadados, enquanto poucos são os que ganham. O pior é que tem gente que fala que quem não joga não ganha, mesmo que ele nunca tenha ganhado na vida, uma frase que resume bem o modo alienado de pensar de alguns.

O caso da palestra em que eu fui é igual, os meus amigos que entraram no negócio só perderam dinheiro, acharam que iam conseguir só porque uma meia dúzia de pessoas conseguiram, no fim, perderam muita grana como a matemática já previa.

O grande problema é que sempre achamos que vamos conseguir, acreditamos em nosso potencial, sorte ou anjo mágico, onde no fim quebramos a cara. É claro que um jogo não nos traz um problema financeiro, no máximo uma decepção, conquanto algumas empreitadas nos prejudicam de verdade, principalmente estas com investimentos altos. A pergunta que fica é como identificar exceções que são vendidas como regras? Já aviso que não é fácil, mas eu tenho duas dicas que podem ajudar.

Primeiro, desconfie de formulas milagrosas, não existe dinheiro fácil, o trabalho e o suor é o caminho mais fácil e seguro para ganhar dinheiro, nunca se esqueça disso. E por mais que alguns tenham conseguido, estes, é claro, são as exceções vendidas como regras, para conquistar gente que acha que a vida é fácil. E o exemplo não serve só para dinheiro, pode servir para estudo, tratamento médico, ou o que quer que seja. Não existe caminho fácil para o êxito.

Segundo, pesquise a fórmula com calma, não tome decisões precipitadas. Preste atenção se não há exceções, casos de fracassos e verifique a proposta com calma. Se muitos já reclamaram, desconfie, ou entre no projeto já preparado.

Neste projeto no qual eu fui convidado, eu tinha que decidir naquele dia, não podia pensar, refletir, nada, era pegar ou largar. Optei por largar, pois tenho uma máxima em minha vida: “Eu não tomo decisões precipitadas”. Se eu não posso pensar com calma antes de decidir, a minha resposta na maioria das vezes é não.

A exceção não é a regra, por isso, antes de entrar em algo, veja se a empreitada não é uma exceção. Entenda o projeto, e veja se existe base firme para a sustentação. Não compre exceção por regra, entenda as variantes, e aprenda a identificar as exceções que são tratadas como regra.

3 visualizações

O PROBLEMA DAS CERTEZAS

“O que nos causa problemas não é o que sabemos. É o que temos certeza que sabemos e que, ao final, não é verdade” (Mark Twain) (PETERSON, 2018, p. 12).

Quando eu era novo, eu gostava muito de fazer trilhas, e em uma das primeiras vezes que eu fui, fomos guiados por alguém que tinha certeza do caminho. Ele já havia feito a trilha muitas vezes, e não tinha dúvida alguma de como fazer para chegar ao final do percurso. A questão foi que nos perdemos. O local havia mudado muito desde a última vez que ele havia ido, com isso, ele não conseguiu identificar o caminho correto e tivemos um grande trabalho para achar a trilha novamente.

Normalmente pegamos alguns caminhos equivocados, justamente por termos certeza. São as certezas que nos movem, e em alguns casos, nos colocam em confusões. Principalmente porque quando temos certeza, ouvimos pouco as pessoas, sendo esta a receita do fracasso, “ouvir pouco e seguir nossos pontos de vista”.

A certeza nos ensurdece, faz com que não prestemos atenção em volta, nos sinais de aviso, nas orientações ou placas de perigo. É claro que é também pela certeza que fazemos muitas coisas boas, embora seja por ela, que nos metemos em grandes confusões.

A questão é que nem sempre estamos certos, nem sempre a nossa certeza é coerente, às vezes ela é fruto de pontos de vistas equivocados, sem comprovações ou estudos.

Aprendi a ouvir as pessoas, a vida nos ensina que não custa nada prestar atenção em dicas, sugestões, ou opiniões, mesmo em áreas que conhecemos.

É sempre possível ouvir um modo novo de fazer as mesmas coisas, aprender outros caminhos que levam na mesma direção, ou até mesmo, descobrir que estamos errados.

Creio que uma das características da pessoa inteligente é a sua capacidade de aprender com tudo e com todos. Sendo que para que isso aconteça, é preciso ter humildade suficiente para ouvir o próximo, para prestar atenção nos detalhes da vida.

Eu sou músico, e em todas as vezes que fui gravar um CD da minha banda, o Hawthorn, eu sempre procurei gravar com um produtor. É claro que eu sabia o que estava fazendo, é claro também que eu conhecia muito bem o estilo musical que eu tocava, mas é sempre importante ouvir outras opiniões. As vezes mergulhamos tanto em uma coisa, que não percebemos mais os detalhes e o quanto determinada coisa pode ser melhorada.

Não é certeza que ouvir uma pessoa vá te ajudar, mas não custa. Aprenda a ouvir, refletir sobre o que é dito, para depois tomar uma decisão. As vezes não percebemos nossas contradições, e ao ouvirmos alguém, podemos perceber algo que estava em nossa frente, mas não víamos, nem sempre nossas contradições são óbvias para nós.

Cuidado com as suas certezas, elas podem estar equivocadas, aprenda a ouvir e meditar no que é dito. E principalmente, aprenda a se conhecer, se reciclar, e rever o que você conhece a cada dia, sempre que for possível. Na pior das hipóteses, você vai aprender mais, ou reafirmar o que você já sabe.

BIBLIOGRAFIA

PETERSON, Jordan. B, 12 regras para a vida: Um antídoto para o caos, Alta Books Editora, Rio de Janeiro, 2018.

9 visualizações

O LIMITE DOS DESAFIOS

“O prazer surge na fronteira entre o tédio e a ansiedade, quando os desafios estão equilibrados com a capacidade da pessoa de agir” (Mihaly Csikszentmihaly) (CAINS, 2012, p. 115).

Desafios são ótimos, pois nos tiram da zona de conforto, nos movimentando e fazendo com que possamos crescer e aprender ainda mais. Faz com que olhemos para o lado, onde antes, no aconchego da nossa estagnação, nunca nos prestaríamos a olhar, e isso nos dá a oportunidade de conhecermos coisas novas e assim aprendermos ainda mais.

Sempre gostei de desafios, já faz algum tempo que vejo os problemas desta forma, o impasse é quando os problemas são grandes demais, quando os desafios são insustentáveis e difíceis de encarar.

Tudo o que é demais faz mal, tudo o que nos leva ao limite, com certeza nos trará consequências desastrosas, por isso, é fundamental entendermos o quanto podemos suportar, e assim, ir em busca de ajuda, apoio e ferramentas para lidar com os problemas. Nunca permita que você chegue no limite, tente sempre agir antes que este limite apareça. E acima de tudo, não siga sozinho, crendo que você vai conseguir resolver por si mesmo um problema, pois esta não é uma saída razoável.

O ideal, pelo menos quando é possível, é aceitarmos apenas desafios possíveis, é aprender a resolver um problema de cada vez, para assim, não seguirmos rumo ao colapso.

É claro que as vezes não podemos escolher, mas caso você possa, entenda estes princípios, e se for preciso, desista antes de quebrar. Muitas vezes desistir não é perder, ao contrário, é saber os seus limites, e priorizar a sua saúde e sanidade, ao invés de seguir de forma inconsequente e ter que lidar com problemas ainda maiores.

É claro que em um desafio, é preciso primeiro entender quem somos, o quanto resistimos, e o quanto sabemos lidar com as diversas situações adversas. A busca de autoconhecimento é imprescindível para estes casos. E depois, é preciso entender se não estamos desistindo na hora errada, ou se não estamos deixando o problema ainda maior. As vezes nos acovardamos por medo no novo, do diferente ou do que não conhecemos.  Contudo não existe fórmula, é na tentativa e erro, buscando sempre amigos verdadeiros, que nestas horas, nos ajudam e nos aconselham.

Precisamos aprender a sermos resilientes, só vencemos o temporal sendo equilibrados e flexíveis. A questão é que até o elástico tem o seu limite, por isso, tome cuidado e entenda quem você é primeiro antes de querer testar até onde você aguenta ir.

BIBLIOGRAFIA

CAIN, Susan, O poder dos quietos: Como os tímidos e introvertidos podem mudar um mundo que não para de falar, Editora Agir, Rio de Janeiro, 2012.

9 visualizações