AS CINCO VIAS DE TOMÁS DE AQUINO

 Gosto muito de Tomás de Aquino, com uma obra com mais de sessenta títulos, ele foi coroado como um dos mais eruditos e influentes pensadores do saber teológico e moral. Em um período onde a igreja acreditava que o pensamento de Aristóteles era perigoso, foi com ele que Tomás fez parceria, mostrando uma forma diferente de se fazer teologia na época.

Entres sua grandiosa obra, provar que não viemos do acaso e que somos frutos de uma causa inteligente foi um dos seus grandes trabalhos, resumidos em cinco vias que provam a existência de Deus.

Fundamentado no argumento tomista, ele não foi o criador destas teorias, apenas ficou conhecido por resumi-la em cinco vias. É importante salientar que Tomás de Aquino pensa em causas que agem de uma forma simultânea, tal qual a engrenagem de uma máquina e não sucessivamente.

1 – A primeira via, se sustenta no fato de que no universo existe movimento. Baseado em Aristóteles, Tomás de Aquino considera que todo o movimento tem uma causa que esta fora do próprio ser em movimento, pois não se pode admitir que esta coisa pode ser o objeto movido e ser o princípio motor ao mesmo tempo. Tudo o que está em movimento é movido por outra coisa. Porém, o próprio motor é movido por outro motor, com isso admitimos: que existe uma série infinita de motores, ou a série é finita e Deus é o causador do movimento, Ele é o primeiro motor.

2 – A segunda via, defende a ideia de uma causa geral. Ou seja, todas as coisas ou são causadas ou são efeitos. Sendo, portanto, impossível conceber a ideia de que algo causa a si mesmo. Se assim fosse, ela seria causa e efeito ao mesmo tempo, sendo posterior e anterior o que seria algo inconcebível, um absurdo. E se toda a causa é causada por algo, podemos admitir a existência da primeira causa não causada, Deus, ou aceitar que isso não tem fim e não explicar a causalidade.

3 – A terceira, fala do conceito de necessidade e possibilidade. Todos os seres vivos estão em constantes transformações, alguns nascendo, outros morrendo. Mas o fato de se existir ou não, não é ter uma existência necessária e sim temporária, já que o que é necessário não precisa de causa para se existir e do nada ninguém vem. Então estes seres precisam de um ser supremo (Deus) ou algo que o façam existir.

4 – A quarta fala nos graus de perfeição. Existem graus na bondade, na verdade, na nobreza e em vários desta ordem a partir de um máximo, que nos faz pressupor que existe uma verdade absoluta, um bem maior: Deus

5 – A quinta tem o seu fundamento na ordem das coisas. Já que existe ordem no mundo, mesmo quando desprovidas de consciência disso, a harmonia com que alcançam o seu fim é a prova de que não se movem por acaso. Existe uma ordem que um ser supremo dá a todas as coisas: Deus

Apesar das tentativas de refutar encontradas na internet, as cinco vias tem muita lógica e coesão, ao contrário da teoria que somos fruto do acaso ou de uma bagunça cósmica. O argumento pode ter as suas falhas, ou pontos difíceis de conceber, mas não é ilógico, muito menos indigno de se considerar coerente.

Fonte de consulta: AQUINO, Tomás, Seleção de Textos, Editora Nova Cultural, São Paulo, 2004

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