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NOVO TESTAMENTO: FILIPENSES

Ninguém tem uma opinião unânime para explicar como ser alegre. Cada um descreve o seu segredo de alegria de uma forma, sendo que algumas vezes este segredo contradiz a fórmula de alegria do outro. Todo mundo quer ser alegre, mas não sabe como, sendo que muitas vezes durante a busca o que mais estes caçadores de alegria acham é justamente a frustração e a tristeza.

A epístola de Filipenses é considerada como uma carta de alegria, nesta carta não encontramos o apóstolo Paulo resolvendo problemas, corrigindo erros ou aconselhando, o que mais vemos em todo o seu texto é agradecimento e a alegria de quem compartilha uma fé em comum (RICHARDS, 2013, p. 1082)

A cidade de Filipos era considerada na época uma das mais relevantes, localizada em uma província da Macedônia, ela desfrutavava da fama de ser uma colônia romana, uma espécie de pequena Roma (Atos 16:12), a cidade recebeu este nome em homenagem a Felipe da Macedônia, pai de Alexandre o Grande (CARSON, FRANCE, MOTYER, WENHAM, 2012, p. 1746)

Não é por menos que Filipenses é considerado uma carta de alegria, pois Paulo tinha muito a comemorar. Primeiro porque ele havia recebido ofertas de seus amigos (4:16-20). As cartas de Paulo nos deixam claro que o apóstolo não aceitava ajuda financeira das igrejas. Naquele tempo muitos pregadores itinerantes, alguns questionáveis, saiam pregar e pediam ajuda. Paulo, com o propósito de se proteger de comentários acabava por não aceitar, ele preferia trabalhar que pedir (1 Tessalonicenses 2:9). Contudo, Paulo aceitou a oferta daqueles irmãos, não sabemos o motivo, mas o texto tem como uma das ênfases agradecê-los por suas ajudas (BOOR, 2006, p. 265)

Segundo o apóstolo comemorava por que a sua prisão havia dado frutos (1:12-26). Ele também alerta a igreja dos perigos do legalismo judaico (3:1-11). E encoraja-os a sofrerem corajosamente e a serem perseverantes entre outras coisas (1:27-30; 2:12-18; 3:17-21; 4:4-9) (CARSON, FRANCE, MOTYER, WENHAM, 2012, p. 1874).

Certamente temos muitos outros motivos para a epístola ter sido escrita, porém quero ressaltar o ponto alto do texto, a passagem que contém uma das mais profundas declarações a respeito de Cristo no Novo Testamento, que está no capítulo 2:5-11 (RICHARDS, 2013, p. 1082).

“Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus, que, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens…”.

Nesta declaração de fé Jesus é o centro de tudo, o Deus que se doou e o servo humilde que morreu por nós. A passagem é muito maior, eu coloquei apenas um trecho, vale a pena ler e conhecer uma das mais belas passagens de Filipenses.

Eu comecei o texto falando sobre alegria, não foi por menos, pois a carta fala justo disso, e quando você a lê encontra a receita de como ser alegre. Primeiro o texto fala que a fonte de alegria é Jesus, são muitas as passagens         que enfatizam isso (3:1, 4:4, 3:3, 4:10), é só n’Ele que podemos ser alegres e felizes, não tem outra forma. Mas temos uma outra fonte de alegria, que lendo o texto todo veremos de forma clara, é a alegria de estar em comunhão com os irmão e no mesmo propósito (1:25, 2:2, 1:4, 2:2)

Só temos uma fonte de alegria e está fonte é Cristo, contudo estar em comunhão, vivenciando a mesma fé e no mesmo propósito também é uma fonte de alegria. É impossível sermos alegres sozinhos, fechados em nosso individualismo, à vida que vale a pena é sempre em comunhão e é isso que a epístola deixa explícito em todo o texto.

Somos felizes e alegres por conta de Cristo, sermos salvos por Ele ou termos sido alcançados por seu evangelho deve ser uma de nossas grandes alegrias. Mas a vida em comunhão, dando suporte, ajuda, apoio uns aos outros é também uma fonte de alegria é isso que ensina um pouco Filipenses, a carta da alegria.

 

 

 

 

 

BIBLIOGRAFIA

CARSON. DA. FRANCE , RT, MOTYER, J. A, WENHAM, G. J, Comentário Bíblico Vida Nova, Editora Vida Nova, São Paulo, 2012

RICHARDS, Lawrence, Comentário Bíblico do Professor, Um Guia Didático Completo Para Ajudar no Ensino das Escrituras Sagradas do Gênesis ao Apocalipse, Editora Vida Acadêmica, São Paulo, 2013

BOOR, Eberhard, Hahn, Werner de, Comentário esperança, Carta aos Efésios, Filipenses e Colossenses, Editora Esperança, Curitiba, 2006

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NOVO TESTAMENTO: ROMANOS

Imagine agora se existisse um livro da Bíblia que resumisse toda a teologia cristã, um livro que fosse um norte, onde só com ele você já conseguisse entender e praticar os ensinos de Cristo. Imagine que este livro fosse completo e bem explicado, um verdadeiro manual para você entender a Bíblia e a fé. Então não imagine mais, pois este livro é a Epístola de Romanos. É claro que a Epístola de Romanos não é um manual de teologia sistemática, mas ele resume de forma bem acurada os principais pontos da fé cristã.

Falar de Romanos é discorrer sobre um verdadeiro tratado teológico que explica de forma perfeita sobre a justiça de Deus, como ele quer que sejamos e como ele concede:

“A justiça do tipo “pela fé”, que Paulo explica em Romanos, é radicalmente diferente da justiça que os judeus pensavam que iriam encontrar ao cumprir a lei” (RICHARDS, 2013, p. 924)

É fundamental para a nossa fé compreendermos e assimilarmos seus ensinos. Não podemos esquecer que os Reformadores Lutero e Wesley se converteram enquanto estudavam esta epístola (RICHARDS, 2013, p. 924)

A cidade de Roma foi fundada no ano de 753 a. C. E está localizada entre sete montes a 25 Km do mar mediterrâneo e era o centro legislativo, judiciário, militar e financeiro do império romano. A carta de romanos foi escrita provavelmente em Corinto no final da terceira viagem missionária de Paulo.

Podemos dividir o conteúdo da carta da seguinte forma. Primeiro: Todos precisam de salvação (1:18-3:20). Segundo como Deus salva as pessoas (3:21 –  4:25). Terceiro: A nova vida em união com Cristo (5:1 – 8:39). Quarto: O povo de Israel no plano de Deus (9:1 – 11:36). Quinto: Vida cristã (12:1 – 15:13). E por último: Conclusão 15:14-33 (Bíblia NTLH)

A epístola é um tratado sobre a fé, um verdadeiro manual para a nossa vida, é fundamental lermos e estudarmos para entendermos a dinâmica da salvação, a vida cristã e muitos outros temas. Na carta temos inúmeras respostas e ensinos importantes para serem lidos, estudados e entendidos. A epístola é completa e a carta é base para um cristianismo sadio e coerente

 

BIBLIOGRAFIA

 Bíblia Sagrada – Nova Tradução na Linguagem de Hoje; Ed. Soc. Bíblica do Brasil, São Paulo, 2005

RICHARDS, Lawrence, Comentário Bíblico do Professor, Um Guia Didático Completo Para Ajudar no Ensino das Escrituras Sagradas do Gênesis ao Apocalipse, Editora Vida Acadêmica, São Paulo, 2013

 

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NOVO TESTAMENTO: 1 E 2 CORÍNTIOS

Poderíamos chamar esta primeira epístola de “carta problema”, pois ela foi escrita com a finalidade de tratar uma infinidade de transtornos que aquela igreja passava. Muitos dos incômodos não são nada diferentes dos nossos, por isso que é importante ler e estudá-la, pois ela contém algumas respostas e ensinos fundamentais para quem faz parte de uma comunidade cristã (RICHARDS, 2013, p. 969)

A carta foi provavelmente escrita por volta do ano 49 d. C. sendo que uma das provas disto é o texto de Atos 18:2 que conta como os colaboradores de Paulo, Priscila e Áquila, chegaram a esta cidade por conta da expulsão dos judeus de Roma através de um decreto do Imperador Cláudio. Fato este mencionado por Suetônio em seu escrito Vida do divinizado Cláudio (CHAMPLIN, 2014, p. 4)

Paulo foi o primeiro cristão a pregar em Corinto, na época colônia de Roma, sendo que antes era uma cidade da Grécia. Está cidade grega possuía uma história magnífica, mas havia sido destruída por Múmio em 146 a. C. por conta de um conflito com Roma. Sua reconstrução foi toda feita nos moldes das cidades romanas. A cidade era uma das mais importantes no quesito cultura e comércio, tinha muitas famílias abastadas sendo que a sua população com o tempo ficou maior que a de Atenas (CARSON, FRANCE, MOTYER, WENHAM, 2012, p. 1746). Enfim era uma verdadeira metrópole, com templos, conhecimento, cultura e muitos deuses:

“Era uma cidade de nível cultural elevado e os seus cidadão, como os de Atenas, adoravam muitos deuses. Entre eles, Afrodite é a mais conhecida” (CARSON, FRANCE, MOTYER, WENHAM, 2012, p. 1747).

Este povo tinha tudo, menos Deus, até que o evangelho chegou. Sobre Afrodite Champlin pontua:

“Estrabão (historiador, geógrafo e filósofo grego) revela-nos que havia mil prostitutas religiosas oficiais associadas aos cultos religiosos daquela cidade, que tinham por principais divindades a Mãe Suprema, Melcarte, Serápis, Ísis e Afrodite” (CHAMPLIN, 2013, p.907)

Por conta disso inúmeros turistas visitavam a cidade a fim de “cultuar” com estas prostitutas religiosas.

Não é interessante como o evangelho não só nos aproxima de Deus, mas traz dignidade as pessoas? Volta e meia me perguntam como podemos resumir o que é ser cristão? E eu respondo, é ser gente da maneira certa

Sobre o conteúdo da carta a ênfase maior não é tanto na doutrina e sim na ética cristã. Nesta epístola encontramos inúmeros problemas enfrentados por estes cristão e soluções para estes problemas

Já a segunda carta é um pouco mais diferente do que a primeira. Pois nela temos uma abordagem extremamente pessoal, onde o apóstolo compartilha princípios e sentimentos no qual o autor acredita que a igreja deve estar fundamentada

Como vimos na carta anterior, Paulo trabalhou muitas questões éticas, estas questões trouxeram a tona inúmeras reações. Alguns mudaram seus comportamentos, outros discordaram do ensino desafiando Paulo e a sua autoridade, acusaram-no de orgulho, excesso de confiança e de ser contraditório.

O objetivo principal da Epístola, entre outros ensinos, era tranquilizar aquela igreja e deixar claro que apesar de todas as acusações, ele confiava naquela igreja mesmo sendo imatura (RICHARDS, 2013, p. 1012, 1013). Considero 2 Coríntios 2:1-11 lindo, é um trecho onde Paulo abre o coração, vale a pena ser lido

A igreja de Corinto tinha inúmeros problemas, era imatura, dividida, com várias questões em aberto, mas Paulo se preocupava e não desistia daquela igreja.  Uma lição que os líderes das igrejas de nossos dias devem aprender.

Quando lemos estas duas epístolas vemos problemas semelhantes nas igrejas de hoje, o que evidencia o quanto o ser humano é previsível. O legal é que Paulo já da respostas e saídas para estes problemas. Por isso que é importante lermos e conhecermos, pois ela é mais do que uma ferramenta, é um manual importante para a igreja cristã de nossos dias, dos dias antigos ou para as igrejas de qualquer tempo.

 

 

BIBLIOGRAFIA

 CARSON. DA. FRANCE , RT, MOTYER, J. A, WENHAM, G. J, Comentário Bíblico Vida Nova, Editora Vida Nova, São Paulo, 2012

CHAMPLIM, RN. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo, Editora Hagnos, São Paulo, 2014

CHAMPLIM, RN. Enciclopédia Bíblica de Teologia e Filosofia, Editora Hagnos, São Paulo, 2013

RICHARDS, Lawrence, Comentário Bíblico do Professor, Um Guia Didático Completo Para Ajudar no Ensino das Escrituras Sagradas do Gênesis ao Apocalipse, Editora Vida Acadêmica, São Paulo, 2013

 

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NOVO TESTAMENTO: 1 E 2 TESSALONICENSES

Antes de começar a falar sobre uma das primeiras Epístolas Paulinas quero dar um pano de fundo geral do que seria uma epístola e qual seria a diferença entre epístola e carta.

Epístola no grego significa carta, despacho ou algum tipo de documento escrito. É importante fazer uma distinção entre carta e epístola, entendendo que a epístola é um pouco mais literária, com um conteúdo mais importante e formal. Mesmo que a raiz da palavra no grego seja epistello que também pode significar enviar, ou enviar uma carta. Entendemos que uma epístola tem uma natureza mais formal, com tratados, ordens, tratados filosóficos e coisas do tipo, e a carta não, pois ela fala mais do cotidiano, da vida diária (CHAMPLIN, 2013, p.406). Champlin acrescenta:

“Uma epístola é uma obra de arte; uma carta é um pedaço da vida diária. A primeira é como uma pintura feita com arte. A segunda assemelha-se a uma fotografia feita apressadamente, sem qualquer cuidado” (CHAMPLIN, 2013, p.406)

Entretanto não me limitarei a defender ferrenhamente um lado desta questão, visto que o objeto do nosso estudo é o  texto sagrado a Bíblia. Penso que a característica e o que a palavra já é por si só já valida à importância da epístola (ou carta).

Vale lembrar que quase ninguém sabia ler e escrever nos dias de Paulo, sendo que os que sabiam ler muitas vezes não sabiam escrever. Escrever era função apenas de alguns, feita por homens especializados. É importante lembrar também que o papel era muito caro por isso nem todos escreviam, sendo que a maioria (ou todas) as cartas paulinas foram ditadas, Romanos 16:22 é uma boa prova disso.

As cartas aos Tessalonicenses são consideradas por muitos estudiosos como as primeiras a serem escritas, apesar do pouco tempo que o apóstolo esteve entre eles segundo o texto de Atos 17, por conta de distúrbios que forçaram os missionários a saírem do local. Sendo que Paulo tentou voltar algumas vezes, mas foi impedido como deixa claro o texto de 1 Tessalonicenses 2:17-18 (RICHARDS, 2013, p. 1102)

 Sobre a cidade de Tessalônica sabemos que foi fundada pelo rei macedônio Cassandro e era uma cidade portuária e comercial bem desenvolvida, por estar localizada em um lugar estratégico junto ao mar e por ser rota da estrada imperial romana chamada Via Egnatia. No local também havia uma comunidade judaica muito influente, que dispunha até de uma sinagoga para seus cultos. É desta comunidade judaica que vem Aristarco um dos colaboradores de Paulo (Atos 19:29; 20:4; 27:2) (BÜRKI, 2007,p. 19)

A carta pode ser considerada uma espécie de carta manutenção, escrita pouco tempo depois dos membros daquela comunidade cristã ouvirem o evangelho. Trata-se portanto de uma igreja nova, que dava os seus primeiros passos e que não poderia estar sendo instruída por conta do episódio que forçou Paulo a ir embora (CARSON, FRANCE, MOTYER, WENHAM, 2012, p. 1920)

A segunda carta tem o mesmo contexto da primeira no qual já vimos. Foi escrita por volta de quatro meses depois com o intuito de esclarecer muitas dúvidas a respeito do futuro que causava confusão naquela igreja. (RICHARDS, 2013, p. 1110). Um dos pontos principais da carta é justo este, novamente Paulo trabalha a questão da vinda do senhor, pois eles acreditavam que o dia tinha chegado, pois o dia para eles era uma extensão de tempo que terminaria com a vinda do senhor. E a perseguição que a igreja sofria era um dos últimos estágios deste dia. A resposta que Paulo dá é que Cristo não poderia voltar sem antes acontecer muitos outros eventos.

Estas epístolas são muito importantes, pois demonstra de forma bem clara como é fundamental termos líderes que conhecem o evangelho, que estão prontos a ensinar e tirar as dúvidas da igreja. A epístola mostra também como teorias equivocadas dividem e atrapalham o cristão e o quanto a presença de um líder sábio e instruído é fundamental para que a igreja não caia em ensinos equivocados

 

BIBLIOGRAFIA

 CHAMPLIM, RN. Enciclopédia Bíblica de Teologia e Filosofia, Editora Hagnos, São Paulo, 2013

CARSON. DA. FRANCE , RT, MOTYER, J. A, WENHAM, G. J, Comentário Bíblico Vida Nova, Editora Vida Nova, São Paulo, 2012

RICHARDS, Lawrence, Comentário Bíblico do Professor, Um Guia Didático Completo Para Ajudar no Ensino das Escrituras Sagradas do Gênesis ao Apocalipse, Editora Vida Acadêmica, São Paulo, 2013

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