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MUNDO TAGARELA

Eu não posso negar um fato, eu gosto muito de uma boa conversa, quem me conhece sabe disso, embora, apesar de gostar, preciso confessar que não é todo o assunto que me inspira. Sou de poucas palavras quando o assunto é banal.

Conversar é basicamente trocar ideias com uma pessoa, é uma interação que precisa impreterivelmente, ter retorno. É um falar e ouvir de ambas as partes, caso contrário, não é uma conversa e sim um monólogo.

A minha crítica as conversas atuais é que poucos ouvem e muitos querem somente falar, em uma espécie de hedonismo crônico e egoísta, como se todos precisassem ouvi-lo, e ele não precisasse ouvir ninguém. Isso quando a pessoa não finge que está ouvindo, onde no final, está só esperando a hora de falar. Tornando o diálogo superficial e sem sentido. Ou quando o interlocutor é reativo, respondendo as suas opiniões sem reflexão alguma, julgando sem pensar, ou concluindo ao menor sinal de discordância. Como se todos tivessem que pensar igual, ou no mínimo, parecido com ele.

Eu confesso que tenho uma mania, quando estou conversando com alguém que parece não estar me ouvindo, eu paro o assunto na metade, só para ver a sua reação. Com isso, se a pessoa percebe que o assunto não acabou e verbaliza isso, eu continuo, caso contrário, dou o assunto por encerrado. A tristeza é constatar que muitos são assim. 

Tenho visto as pessoas cada vez mais tagarelas, com uma louca necessidade de falar de si e compartilhar quem são com todos. Talvez por conta de insegurança ou pela necessidade de exposição, fruto da popularidade das redes sociais, ou algo parecido, eu realmente não sei.

Quem gosta de conversar neste mundo tagarela, acaba se cansando, principalmente porque a torrente nem sempre cessa. E o pior, ninguém se interessa em lhe ouvir, como se o seu o seu assunto fosse irrelevante, e o dele fundamental. Anselm Grün pontua que:

“Só podemos calar se renunciarmos ao costume de julgar os outros e de nos compararmos a eles. Nada podemos fazer para impedir que os pensamentos de opinião e comparação pessoal se manifestem, porém devemos sempre e continuamente deixá-los de lado, reduzindo-os, assim, ao silêncio. O calar é, antes de tudo, a renúncia as avaliações e opiniões” (GRÜN, 2019, p. 10).

Se calar, é antes de tudo, nos abster de julgar, é ouvir sem nos comparar, entendendo que eu não sou ele, e que em alguns momentos, a minha opinião não tem sentido.

Você já passou por algum problema que era tão desafiador e complicado que você sentiu a necessidade de falar e desabafar com alguém? E você já desabafou com alguém que a todo o momento parecia fazer seu problema ser tão pequeno e o seu sofrimento muito infantil? Comparações são injustas, visto que não somos iguais e não temos as mesmas dificuldades, nem os mesmos medos.

Quem muito fala, pouco ouve, e com isso, segue acreditando que a sua visão de mundo é a base de tudo. Seus medos são os medos de todos, suas facilidades as facilidades de todos e a sua opinião o norte onde todos devem seguir. A questão é a falta de contextualização, de entender de onde uma pessoa fala, e em que condições ela passou por aquela situação.

Eu gosto muito de ser ouvido e obviamente, tento sempre ouvir. É o mínimo que eu posso fazer por gostar de falar. Ouvir é uma arte eu sei, e eu também sei que nem todos os assuntos nos interessam, mas quando gostamos de alguém, seja amigo, família ou cônjuge, aprender a ouvir é o maior ato de amor que podemos proporcionar a esta pessoa.

Quem ama ouve, conversa como igual, e dá espaço para o outro falar. O verdadeiro amigo se interessa pelo outro, e valoriza a sua liberdade de se expressar, mesmo que o assunto não faça parte dos assuntos de seu interesse.

Falar até papagaio fala, como diz o ditado, o desafio é realmente ouvir, prestar atenção em quem fala. Sendo que o maior sinal de amizade é poder ouvir alguém do mesmo modo como gostaríamos de ser ouvido, que no resto é só tagarelice.

BIBLIOGRAFIA

GRÜN, O poder do silêncio, Editora Vozes Nobilis, Rio de Janeiro, 2019.

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GOSTAR E RESPEITAR

“Nem sempre posso controlar o que sinto a respeito de outra pessoa, mas posso controlar como me comporto em relação a outras pessoas” (HUNTER, 2004, p. 77)

Em meu primeiro dia de aula do bacharelado em teologia, ouvi algo no qual nunca mais esqueci. Estávamos reunidos na capela da faculdade para recebermos as boas vindas antes que fossemos todos para as nossas classes, quando o reitor, em sua palavra inicial, pontua algo que nunca mais me fugiu da mente, ele falou: “Aqui você não é obrigado a gostar de ninguém, mas tem a obrigação de respeitar a todos”. A frase me chocou, pois eu nunca havia pensado por este viés.

Aprendemos através das escrituras a amar nossos inimigos (Mateus 5:43-44), só esquecemos que amar não é gostar, e sim, ter uma atitude positiva para com o próximo, mesmo não gostando dele. Sentir é algo natural, vem com o ser humano, não dá para escolher não sentir. Mas agir de forma respeitosa é possível, principalmente quando a nossa atitude não é calcada nos impulsos e emoções.

Alguns dos meus melhores amigos eu não gostei assim de pronto. Houveram alguns que no começo tive uma impressão diferente, não muito positiva, contudo ao ter uma boa atitude, ao respeitar e aceitá-lo, pude conhecer alguém que de primeira não havia conhecido.

Você não domina o que sente, mas consegue controlar o seu comportamento. Não somos obrigados a gostar, mas a respeitar sim, não tenha dúvidas. Por isso aprenda que gostar é uma coisa, e respeitar é outra, muito diferente. Dê uma chance a quem você não gosta e aprenda a não só respeitar, mas também a entender e a conhecer. Às vezes por termos certas conclusões, deixamos de conhecer quem realmente a pessoa é.

Quando conhecemos uma pessoa, passamos a ter um outro ponto de vista, muito mais fundamentado e coerente. Nem todos são como imaginamos, nem todos tiveram as mesmas histórias e experiências, por isso respeite a história de cada um.

Respeitar não é gostar, sendo que, por mais que você não controle o que sente, pode com certeza controlar a sua atitude. Amar é um verbo e verbos são ações, não precisa de sentimentos, apenas o agir de forma positiva.

BIBLIOGRAFIA

HUNTER, James C, O monge e o executivo: Uma história sobre a essência da liderança, Editora Sextante, Rio de Janeiro, 2004.

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BATALHAS SECRETAS

“Por trás do cadáver no reservatório,

Por trás do ressentimento em uma relação,

Por trás da senhora que dança e do homem que bebe de forma insana,

Por trás do olhar de fadiga, da crise de enxaqueca e do suspiro,

Há sempre outra história, há mais do que nos chega aos olhos”

(W. H. Auden) (YANCEY, 2004, p. 29)

Há muito tempo fomos convidados para uma comemoração. O casal queria reunir os amigos para celebrar um momento muito especial em suas vidas, a grande questão era que eles não tinham condições de pagar por uma festa, por conta disso, propuseram uma festa nos moldes “festa por adesão”, mais conhecido como “cada um paga o seu”.

Foi legal ir e participar daquele momento especial e ainda poder rever os amigos. O restaurante era ótimo além de não ser tão caro, e o momento muito especial, por isso, nenhum amigo deixou de ir. O problema era que nem todos podiam pagar a conta, pois em meio a festa, um convidado tomava apenas um refrigerante. Era destoante, totalmente contraditório, mas ninguém via, todos estavam preocupados em comemorar.

O poema de W. H. Auden toca muito o meu coração, ele revela uma mensagem muito importante que eu resumiria como: “cada um tem as suas batalhas, nós não conhecemos a luta do próximo”.

Nem sempre o que vemos é o todo, quase sempre o que enxergamos é apenas uma ponta do que realmente está acontecendo. Existem histórias por trás das pessoas, batalhas que só quem está passando sabe como funciona.

Em meio a comemoração, ou entre nossas realizações e conquistas, existem muitos que enfrentam batalhas que muitas vezes nós não vemos. E quando descobrimos, muitas vezes não entendemos. São muitas variáveis para que consigamos entender o outro de forma plena. Tem o nosso ponto de vista, nossas crenças, tem as coisas que consideramos desafiadoras que muitas vezes usamos como medida para entender o próximo e nossas vivências que influenciam o modo como ouvimos e interpretamos o outro. Por isso que o respeito é importante na hora de ouvir alguém e compreender suas dificuldades.

Este meu amigo estava passando por dificuldades financeiras e estava com vergonha de falar. E como ele queria estar entre amigos, pediu só uma bebida, dando uma desculpa qualquer para não comer, a maioria aceitou a desculpa, o “problema” foi que alguns desconfiaram e resolveram investigar mais. É claro que nós intervimos e de forma sutil ajudamos. Ninguém tinha sobrando, mas foi fácil nos unir para acudir o amigo.

Em meio as suas comemorações aprenda a olhar em volta, às vezes por conta da alegria e do momento de comemoração, não vemos o outro. Aprenda que cada um tem suas dificuldades, entenda que sempre há uma história por trás de uma pessoa, e esta história deve ser ouvida e compreendida sem nossos pontos de vista. Cada um sabe onde dói o calo, cada um tem seus medos e dificuldades, diminuir a dificuldade alheia por achar uma dificuldade pequena é seguir sem empatia, acreditando que tudo gira em volta de você.

Nem sempre a luta que você vê é a que está sendo travada. Quase sempre existe muito mais história do que o que apenas vemos ou ouvimos. Pois uma luta é única, cada batalha tem um teor e um nível de dificuldade que só quem está enfrentando sabe como é.  

BIBLIOGRAFIA

YANCEY, Philip, Rumores de outro mundo, A realidade sobrenatural da fé, Editora Vida, São Paulo, 2004.

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GUERRA DE GERAÇÕES

Toda geração mais nova acaba em algum momento por olhar a mais velha com ar de desdém. É impossível comparações não surgirem, adjetivos aparecerem a fim de subestimar a “geração ultrapassada”. Eu mesmo já fiz muito isso, até aprender que o tempo passa para todos.

A parte cômica desta situação é que o oposto também é verdadeiro. Não é muito incomum olharmos para a geração mais nova e também os subestimarmos. Acharmos que eles são mais alienados e inferiores. E a nossa geração a melhor a mais educada, inteligente e honesta.

Acredito que todas as épocas tiveram seus equívocos, cada uma em uma área, as vezes até em áreas diferentes, mas tiveram, entretanto, todas elas também tiveram suas qualidades únicas, como em todas as gerações.

Se antigamente a sexualidade não era tão explícita tal qual hoje, em contra partida a mulher era tratada sem direito algum, vista apenas como a empregada da casa. Se antigamente as pessoas não eram viciadas em redes sociais, como muitos são hoje, sabemos que a falta de informação era grande e teorias das mais absurdas rondavam o saber humano.

O estímulo com o tempo muda, mas sempre existiu, hoje é a internet, ontem foi a TV, amanhã já não sabemos, o que podemos ter certeza é que o homem sempre foi um ser fácil em se alienar, por isso temos que sempre tomar cuidado, toda a geração teve suas vergonhas, alienações e depravações, a diferença é que hoje pode até ser mais explícito e mais divulgado, diferente do passado, mas sempre existiu.

Talvez a sua geração tenha sido mais trabalhadora, não tenha usado tantas drogas, quem sabe fosse mais responsáveis e até mais fieis, a pergunta que eu faço é “Será que não foi apenas por falta de oportunidade?”. Será que se não tivéssemos uma educação mais rígida, como tivemos, não seríamos iguais quando novos? Eu mesmo não sei, mas desconfio que sim.

Não é fácil lidar com as diversas gerações, eu mesmo acho muito complicado, ainda mais que sou de uma geração intermediária, não sou nem novo e nem velho, mas eu acho difícil olhar para os adolescentes e não enxergar um pouco de mim.

Eu era teimoso, achava que sabia de tudo, não ouvia ninguém e não percebia que as minhas decisões eram burras e simplistas. Em contra partida, olho para a geração mais velha e não consigo enxergar qualquer empatia com os mais novos.

Creio que se a geração antiga tivesse os mesmos estímulos que as de hoje, cairiam nos mesmos erros, no fim o homem é o mesmo e só enxergará seu caminho equivocado quando o tempo passar por ele um pouquinho.

Todos nós somos alienados, fadados ao erro e a ouvir mais quem não tem razão, mas nós que somos mais velhos, temos a obrigação de pelo menos tentar fazer diferença para aqueles que estão começando.

Não idealize o seu passado, não omita os seus fracassos, seja transparente e comece confessando seus erros, que assim você vai perceber que no fim somos todos parecidos.

É claro que o exemplo tem que partir dos mais velhos, temos a obrigação de sermos responsáveis, com isso, está em nossas mãos sermos a diferença ou não.

Talvez quando aprendermos a falar a linguagem dos mais novos e a confessarmos nossos equívocos sendo assim mais transparentes, teremos uma conversa mais assertiva com aqueles que são mais novos e assim esta guerra de comparações cessará, pelo menos até a outra geração vir, não sabemos.

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A CIDADE DO CONHECIMENTO

Certo fazendeiro resolveu um dia fazer uma viagem, seu objetivo, encontrar a tão falada cidade do conhecimento que seu pai tanto comentava. Diante de tal missão, juntou ajudantes, reuniu recursos e foi em busca de seu sonho maior.

Ele gastou meses de sua vida procurando, precisou enfrentar intempéries, aventuras e dificuldades até acabar em uma pequena cidade, em um interior muito afastado da capital. Lá, ele encontra uma pequena venda e resolve parar para beber algo gelado.

Durante a parada de descanso, ele desabafa com o dono do estabelecimento, conta todas as suas aventuras e aprendizados, detalhando todos os episódios de sua fracassada busca.

Logo no fim da narrativa, o dono do local, que só ouvia, resolveu falar, e revela que ele já havia achado a tão procurada cidade.

Assustado com tal declaração, ele pergunta onde é, e o dono da venda explica que o conhecimento e a relevância se adquire com a própria caminhada, são as buscas, experiências e fracassos que ele havia vivido durante a viagem, que constituem no conhecimento, na experiência. Não existe um local certo para buscar, mas um estado de espírito, uma vontade, um impulso em querer saber e em crescer.

As vezes saímos em busca do segredo, do livro certo, da fórmula do aprendizado e não percebemos que o trajeto, os fracassos e vitórias nos ensinam, basta abrir a cabeça. Talvez o querer, seja o nosso grande professor.

Ouvi um professor, certa vez, contar como ele conseguiu estudar e entender os grandes e difíceis livros clássicos de filosofia, o segredo dele era que ele apenas quis entender.

Confesso que achei o conselho estranho, mas por considerar o homem inteligente, resolvi por em prática, tentando entender o livro no qual mais achava difícil de e funcionou.

Quem quer aprender aprende, basta um olhar, basta se dedicar, ler e continuar. Só cresce quem é realmente dedicado, comprometido e persistente, já que muita coisa não aprendemos de primeira.

Não existe a universidade perfeita, pouco importa de onde vem o seu diploma, quem foi o seu professor ou qual foi o método de aprendizado, e sim, que tipo de estudante você é.

Hoje eu não me impressiono mais com diplomas, nomes de faculdades ou coisas do tipo e sim como este estudante é, o quão comprometido ele é nos estudos.

Não existe um local sagrado do conhecimento, nem uma cidade mística, mas uma atitude, uma maneira de ser que vai além um lugar ou endereço.

Conheci mestres e doutores ignorantes dos pés a cabeça, que não enxergavam o óbvio, nem percebiam suas contradições. Em contrapartida, conheci gente analfabeta, digna de um título de filósofo. Pois quem quer aprender aprende, ser relevante é um tipo de ser, não se constrói na universidade, é uma força de vontade, tem que querer para ser.

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CALMA ANTE A TEMPESTADE

Imagine que você está em um navio, singrando águas profundas em pleno alto mar. E em a uma altura do dia, o céu escurece e você acaba se encontrando em uma grande tempestade, daquelas de dar medo, com ventos fortes e ondas de tamanhos inacreditáveis.

No desespero, enfrentando fortes ondas que quebram em seu convés, você decide procurar terra firme, é mais seguro do que enfrentar aquela tormenta toda. Todavia, entre tantas coisas para fazer como desviar das ondas, manter o barco em rumo e sem água, você acha que não vai conseguir, é impossível, a tempestade é muito forte, é muita coisa para realizar, com isso você se desespera.

As vezes, diante de problemas, nos sentimos assim, sem saída, sem recursos, sem saber o que fazer. É tanta onda que invade nosso convés que nos vemos sem ação, paralisados sem saída. Eu já passei por tempestades assim, algumas tormentas eram tão fortes que achei que iria afundar.

Em meio a esta tribulação toda, desempregado, sobrevivendo de freelances que mal davam para fechar as contas do mês e tendo que enfrentar despesas inesperadas de saúde e coisas do tipo, percebi que para quem está mal, qualquer fagulha vira incêndio, tirando a nossa paz e atrapalhando nossa caminhada. Com isso, eu precisava achar uma saída, por isso, coloquei a cabeça no lugar e procurei terra firme a fim de escapar do caos.

Existem alguns ladrões da paz, situações que nos jogam cargas e dificultam ainda mais nossa vida. Um dos principais deles é o foco.

Ouvi uma teoria há muito tempo sobre foco que eu nunca mais esqueci. Quando você quer comprar um determinado carro, você passa a ver muito este carro por onde  passa. É como se surgisse misteriosamente muitos carros daquele estilo na rua. Mas a questão não é que surgiu mais carros, a explicação é um pouco mais simples. Quando você tem o seu foco voltado para determinadas coisas, você passa a ver somente aquela coisa. Pois a sua mente está voltada para aquilo, por isso você só vê aquele objeto, os problemas são iguais.

 É comum, ante as tempestades da vida, focarmos mais nos problemas, prestarmos mais atenção nas coisas más que nos rodeiam, com isso, seguimos afundando, sem esperanças.

Nestes meus dias difíceis aprendi a agradecer, passei a acordar e pensar em coisas no qual ser grato. Muitas vezes não vemos Deus agir por estarmos com o nosso foco voltado para a tempestade. Quanto mais pensamos nos problemas, mais vamos ver problemas, quanto mais somos negativos e sem esperança, mais seguiremos obscurecidos pelo caos.

O texto não é um convite a vida falsa e hipócrita, não estou pedindo para você fechar os olhos para os problemas e seguir ignorando tudo, não. A proposta é convidar você a focar mais na solução, a procurar sair do óbvio e encontrar a saída.

Algumas vezes, no afã de controlar o barco, fugir das ondas e se manter bem ante o caos todo, não vemos a terra firme. Priorize seus problemas, pense bem no que vale a pena se preocupar e se concentre na solução.

As vezes a terra firme está bem em frente de nós, mas não vemos por conta do medo das ondas, ou de todas as questões inúteis que damos atenção quando estamos passando por uma tempestade.

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O SABE TUDO

Eu tinha um amigo que sabia de tudo, pense como a sua mente era genial. Ele emitia opinião de tudo, sabia de todos os acontecimentos, e já tinha lido todos os livros que eu pensava em ler, o cara era um gênio.

Eram horas debatendo na internet, suas rodas de conversas eram verdadeiras palestras, todos se calavam para ouvi-lo, e quando tentavam argumentar, quebravam a cara, pois o sabe tudo, tudo sabia, e quem tentava argumentar descobria que não sabia nada.

Por fim, decidi ser igual a ele, eu queria ser relevante e queria também saber, por isso terminei meus estudos, me matriculei em uma faculdade, busquei bibliografias e estudei muito para poder saber. Pensei ser este o caminho mais coerente para ser igual ao sabe tudo. Só que com o tempo, pude notar que o efeito que eu buscava, estava tendo um efeito contrário. Algo devia estar errado, não era possível.

A cada hora de estudo, a cada livro lido ou aula assistida, pude perceber o quanto eu não sabia. A cada aprofundamento, um sentimento de finitude se instalava, com o tempo, pude perceber que no fim, eu não sabia nada e que aquele que sabia tudo no fundo não sabia de coisa alguma.

Nestas eras tecnológicas o que mais vemos são repetidores de ideias, gente que não reflete, que mal pensa, quanto mais, estuda. O pior é que muitos destes se consideram “sabe tudo”, o que eles não veem é que as suas ideias são formatadas, fruto de pouca reflexão e coerência, consequências de uma mente soberba e da necessidade de sempre estarem certos. Theodore Dalrymple tem uma frase que resume bem estes:

“O orgulho pode obstruir o caminho da busca da verdade: Preferimos vencer uma discussão com sofismas a chegar à verdade por uma investigação honesta” (DALRYMPLE, 2014, p.85)

Existe diferença de quem é tagarela, de quem só sabe falar, daqueles que realmente sabem. É totalmente diferente uma pessoa orgulhosa, que possui eloquência e quer sempre vencer discussões dos que seguem buscando a verdade, nem que para isso seja preciso confessar seus equívocos. Eu sempre digo em aula, nem sempre quem fala bem, sabe das coisas. Nem sempre o que domina a oratória, tem conhecimento ou está aberto a aprender, dialogar e crescer.

Desconfie de quem quer apenas ganhar a discussão, fique com um pé atrás com quem quer estar sempre certo e não consegue pensar com respeito em uma opinião contrária a sua.

A regra da educação também vale nessas horas, pois o inteligente respeita, quem sabe, por mais que discorde, consegue manter uma relação educada e polida.

Sabe mais quem sabe ouvir, o inteligente é alguém que discorda, mas o faz com respeito, em nome de ensinar e ver o próximo crescer. Cuidado com o orgulho e o desejo de sempre estar certo, pois ele te cega e impede que você chegue a verdade

 

BIBLIOGRAFIA

DALRYMPLE, Theodore, Podres de mimados, As consequências do sentimentalismo tóxico, São Paulo, 2014

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