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ORTODOXIA

Muitos torcem o nariz quando ouvem a palavra ortodoxia. E geralmente atribuem este conceito a pessoas chatas, legalistas e que não tardam em acusar os outros, porém, isso é um erro. Ortodoxia significa fé correta, ou exatidão Doutrinária (OLSON, 2004, Pg. 54) e geralmente serve para indicar qual igreja realmente segue os ensinos de Cristo ou não, pois a igreja que segue um ensino ortodoxo, com certeza, segue um ensino firmado na palavra.

Neste cenário de pluralismos religiosos, definir qual igreja realmente é cristã é um desafio. Você encontra todos os tipos de igrejas, com inúmeras interpretações Bíblicas, unções de tudo quanto é tipo, pastores extorquindo dinheiro e tudo quanto é barbárie vindo de pessoas que seguem a máxima: “cada um tem a sua maneira de interpretar a Bíblia”, o que já é uma conclusão complicada. Porém é aí que entra a ortodoxia, definindo quem realmente segue a Bíblia ou quem segue os ensinos de quem mal lê as escrituras.

É claro que muitas igrejas cristãs tem seus próprios manuais de ensino.  Algumas inclusive se dedicam a discipular e ensinar a palavra aos novos convertidos. Deixando assim muito mais remoto as possibilidades destes discípulos falarem heresias. Os luteranos possuem a confissão de Ausburgo, escrito por Lutero e seu assistente Melâncton. Os calvinistas o catecismo de Heidelberg. Os presbiterianos da Grã-Bretanha, o Catecismo Maior e Menor de Westminster (OLSON, 2004, Pg. 53). Sem contar com o Credo Apostólico e o Credo Niceno, escrito há muitos séculos, a fim de identificar os pontos importantes da fé cristã, para não deixar que o cristianismo vire falácias e teorias mirabolantes. Mas sabemos que infelizmente muitas igrejas não investem em ensino, gerando assim cristãos fracos e movidos por conceitos que de maneira alguma se encontram na Bíblia.

A grande verdade é que estas ferramentas mencionadas nem sempre são conhecidas pelo público cristão, sendo vista mais em igrejas históricas, que em igrejas novas. É por isso que ensinos estranhos e moveres não Bíblicos são visto aos montes nas igrejas. É também por isso que eu sempre digo, enfatizo e repito sempre, leia, se informe e busque ferramentas para entender e estudar a Bíblia. Pois ao contrário do que muitos dizem, sem estudo e intimidade com a palavra, não há o que fazer para se aprender com a Bíblia.

Entender a história da igreja, suas ferramentas e o que a tradição histórica da igreja ensina, é a certeza de uma fé um pouco mais madura, e é este o meu desafio a você, leia pesquise e entenda estas ferramentas todas disponíveis a igreja. Sem esquecer a principal máxima, você não precisa concordar com tudo. Mas ler estes materiais e entender, nunca é demais. Ser criterioso é importante e saber que nem tudo se aplica a nós também é fundamental.

Outra dica fundamental é “estar em uma igreja que incentiva o ensino”, afinal, pastores que não ensinam suas ovelhas, certamente as manipula, então fuja destes mercenários e procure algum bom lugar para frequentar.

A terceira dica tirei de uma reflexão do Ed René Kivitz: “Se você descobriu algo novo na Bíblia, certamente é heresia”. Veja bem, quando falamos de tradição e dos Pais da Igreja, falamos de um grupo de sábios que aprenderam os ensinos de Cristo com apóstolos ou discípulos de apóstolos. Eles tiveram mais intimidade, e tiveram muito mais perto da historia do que nós. Se eles, que estavam mais perto, não descobriram algo novo, nós certamente não descobriremos.

Mateus 22:29 diz: errais por não conhecer as escrituras. E esta é uma grande verdade para nossos dias. Portanto, ler e ser relevante, são atitudes que devem ser cultivadas. Não aceite ser manipulado, não fique calado ante aos moveres que não estão na Bíblia, isso é o que um cristão que conhece a doutrina faz.

Tudo o que se afasta da ortodoxia deve ser rejeitado, e tudo o que é coerente com o que a Bíblia ensina, deve ser guardado e seguido.

BIBLIOGRAFIA

OLSON, Roger, História das controvérsias na teologia cristã: 2000 anos de unidade e diversidade, Editora Vida, São Paulo, 2004

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TEOLOGIA E PÓS-MODERNIDADE

Por muito tempo eu trabalhei em indústria, foi por conta dela que eu consegui estudar, fazer uma faculdade e passar para níveis mais administrativos. Sou grato a Deus pelo tempo que eu passei neste setor.

Um trabalhador que atua em níveis mais operacionais normalmente é chamado de um trabalhador de chão de fábrica. Por conta deste rótulo, ou talvez pela posição que tal profissional possui na fábrica, muitas vezes ele é alvo de escárnio e preconceito por quem trabalha em níveis administrativos, como se trabalhar no chão de fábrica fosse pouco, e de pouca importância. Mal sabem estes que se uma empresa não tiver bons produtos, de nada adiantará bons vendedores, ótimos administradores ou bons gerentes, pois o que sustenta uma empresa é justamente o seu produto sendo que quem fabrica é o chão de fábrica. A pergunta que talvez vocês devam estar se fazendo é: Qual é a relação entre indústria e teologia na pós-modernidade?

Quando falamos dos Desafios da Teologia na Pós-Modernidade falamos muito de chão de fábrica, pois é impossível fazer com que a nossa teologia faça o mínimo de coerência se antes não tivermos uma boa base, um bom chão de fábrica para que assim a teologia tenha um fundamento firme no qual possamos nos sustentar. Tudo começa com o fundamento, com um bom alicerce que estrutura a teologia toda, e é sobre estes alicerces que vou discorrer enquanto eu falo sobre estes desafios.

O primeiro desafio no qual devemos estar preparados é o relativismo. Que defende que não existe verdade absoluta, as opiniões vão depender dos pontos de vista, ganha quem conseguir impor a sua forma de pensar. O problema do relativismo é que ele se auto desconstrói, afinal, se a verdade é relativa, até o relativismo é relativo. Isso sem contar que segundo a lei da não contradição, uma afirmação contraditória não pode ser verdade ao mesmo tempo. Contudo o cerne da questão não é só refutar apenas e sim, como dialogar de uma forma no qual possamos construir pontes ao invés de muros, é um problema quando ganharmos uma discussão e perdermos uma pessoa.

O segundo desafio é a pós-verdade, que nada mais é que um discurso baseado em um apelo a emoções em detrimento dos fatos ou da verdade objetiva, e este tipo de discurso é muito comum em nossos dias. Com isso é quase impossível realizarmos um diálogo, pois o interlocutor não discute tendo como base as provas, o racional ou o lógico e sim tendo como base a emoção e a falta de reflexão. Gosto de uma citação de Heráclito sobre o assunto, que eu li em um livro do Bertrand Russel:

“Os tolos, quando de fato ouvem, são como os surdos; a eles se aplica o ditado de que estão ausentes quando presentes” (RUSSEL, 2017, p. 29)

Dialogar tendo como pressuposto a emoção ao invés da razão é um problema, pois os argumentos nunca serão sólidos, com provas e boas reflexões, sendo que muitas vezes este tipo de pessoa nem ouve, o que traz um desafio ainda maior para quem faz teologia.

O terceiro desafio é dialogar com uma geração que não tem conteúdo, que preza pelo instantâneo e não tem tempo de pesquisar, ler e se aprofundar. A busca pelo conhecimento foi substituída pela opinião que mais se encaixa em nosso modo de ver as coisas. Com isso ninguém cresce, ninguém reflete, todos seguem a correnteza de forma automática e sem reflexão. Uma frase atribuída a Sócrates resume bem este nosso desafio:

“Uma vida sem reflexão não vale a pena ser vivida” (KLEINMAN, 2014, 12)

Sem reflexão seguiremos no automático, aceitando qualquer ponto de vista, seguiremos a correnteza rumo a lugar nenhum.

Diante destes fatos é imprescindível que o nosso alicerce esteja calcado em alguns pontos importantes para que consigamos dialogar e fazer diferença, abordarei os três principais

Conhecimento: Pondé fala muito da importância de termos repertório. Sem repertório é impossível fazermos teologia neste mundo pós-moderno. Repertório nada mais é que um acúmulo de bagagem adquirida principalmente com leitura, viagens e conhecimento. Pondé complementa o tema em seu livro Filosofia para corajosos:

Quem nunca leu nada não tem opinião sólida sobre nada, apenas achismo, uma opinião vazia, como diria Platão, quando fazia a diferença entre ter opinião (doxa) e conhecer algo (episteme). Conhecer demanda trabalho, conversar com outras pessoas e ler alguns livros. Na maioria dos casos, conversar com mortos. Uma opinião vazia, qualquer bêbado tem (PONDÉ, 2016, Pg. 29)”

A busca pelo conhecimento é essencial para que consigamos dialogar neste mundo pós-moderno. Sem repertório não conseguiremos realizar os desafios, sem este fundamento, certamente veremos o edifício todo ruir diante da tempestade pós-moderna.

Humildade: É imprescindível sermos humildes, sem humildade não existe diálogo, não conseguiremos aprender e crescer. O orgulhoso é cego, só vê a si mesmo, não percebe que o conhecimento é infinito e que para adquirirmos precisamos da lente da humildade.

Ação: Toda esta reflexão seria vazia se junto com todos estes pontos, não viesse à ação. A práxis é utilizar uma teoria ou um conhecimento de forma prática. A práxis é uma teoria que se movimenta, que traz frutos e constrói caminhos. Sem a ação ficaremos a sós no discurso, sem construir algo concreto e que faça realmente diferença.

Estes são apenas alguns desafios para quem quer fazer teologia na pós-modernidade, existem muitos outros, sem contar os que virão.

A saída é sempre manter os olhos abertos e a cabeça em constante busca por aprendizado. Sem reflexão, conhecimento, humildade e diálogo não chegamos em lugar nenhum, sem uma boa base ruiremos. Por isso, estruture bem o seu edifício e faça diferença com a sua teologia.

 

 

Bibliografia

KLEINMAN, Paul, Tudo o que você precisa saber sobre filosofia, Editora Gente, São Paulo, 2014

RUSSEL, Bertrand, História do Pensamento Ocidental, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 2017

PONDÉ, Luiz Felipe, Filosofia Para Corajosos, Pense com a própria cabeça, Editora Planeta, São Paulo, 2016

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BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO

O tema batismo com o Espírito Santo é um tanto quanto controverso, divide as opiniões de cristãos pentecostais e reformados ou de igrejas mais clássicas. Afinal, o que é ser batizado com o Espírito Santo? Falar em línguas é uma evidência de ser batizado com o Espírito Santo? O batismo ocorre antes ou depois da conversão? São estas questões que vamos ver neste texto.

Primeiro vamos ver como o cristão pentecostal entende esta questão. Um pentecostal entende o batismo com o Espírito Santo como algo posterior a conversão e que traz grandes bênçãos aos cristãos. As ideias básicas, segundo alguns teólogos, vieram de Charles Fox Parham, sendo difundidas consolidadas por Joseph William Seymour (MACGRATH, 2005, p. 162). Diante disso, a divisão de cristão comum e cristão batizado no Espírito Santo é visível em toda a igreja pentecostal. Sua principal base bíblica vem de Atos 2,  e Atos 10:48-48, e do fato dos apóstolos receberem o batismo prometido por Cristo após a sua conversão, depois que Jesus subiu aos céus (Atos 1:4-5). Este é o principal argumento de um pentecostal para o fato do batismo vir depois da conversão, e o batismo com evidência em línguas vem de Marcos 16:17 que diz:

“Estes sinais acompanharão os que crerem: em meu nome expulsarão demônios; falarão novas línguas…”

Quem crê, segundo eles, fala em línguas entre outros dons. E é claro que Atos 2 seria o cumprimento do que Jesus havia dito. Vale lembrar que alguns pentecostais afirmam que a evidência de uma pessoa ser batizada com o Espírito Santo não é o dom de línguas e sim a mudança de vida, o que eu acho muito coerente, afinal, quando o Espírito Santo entra em nossa vida, a mudança, os frutos, devem ser visíveis (Gálatas 5:22), mas como eu disse, são apenas alguns, não a maioria.

Já o cristão reformado ou de igrejas clássicas, entende que o batismo no Espírito Santo vem na hora da conversão:

“Batismo no Espírito Santo”, portanto, deve-se referir à atividade do Espírito Santo no início da vida cristã quando Ele nos dá nova vida espiritual (na regeneração), além de nos purificar e conceder um claro rompimento com o poder do pecado e o amor por Ele (o estágio inicial da santificação) (GRUDEM, 2010, p. 639)

Quando nos convertemos somos batizados, isso não se dá após a conversão e sim no momento da conversão, o versículo base é 1 Coríntios 12:13:

“Pois em um só corpo todos nós fomos batizados em um único Espírito: quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um único Espírito”

O texto é claro e enfatiza que é o batismo que nos faz corpo de Cristo, diante desta verdade a experiência não pode ser após a conversão. 

Aí você me pergunta, então o que seria o dia de pentecostes descrito lá em Atos 2? Grudem explica:

“O dia de pentecostes foi o ponto de transição entre a obra e ministério do Espírito Santo na antiga aliança a obra ministério do Espírito Santo na nova aliança” (GRUDEM, 2010, p. 640)

É claro que o Espírito Santo é visível também no Velho Testamento, mas com muito menos atuação. Uma vez feita esta transição, nunca mais ocorreu ou é preciso ocorrer. As inúmeras manifestações do Espírito Santo que ocorreram nos tempos dos apóstolos foram alguns momentos únicos na história da igreja e nunca mais ocorreu (Atos 2:1-13; 8:14-17; 10:44-48; 11). Além de marcar o início da igreja cristã e ter servido de uma capacitação para os apóstolos. Tal qual Cristo, que Durante o seu batismo também foi capacitado pelo Espírito Santo quando este desceu em forma de pomba (Lucas 3:21-22). Vale lembrar que o principal milagre ocorrido Durante a descida do Espírito Santo em Atos 2 foi que várias pessoas ouviram a mensagem em seu próprio idioma, mais de três mil pessoas foram convertidas nos mostrando que o evangelho é para todos.

Cristo subiu e o Espírito Santo desceu e mora conosco em nosso coração. Todos os que são cristãos são batizados no Espírito Santo. Lembrando que o dom de falar em línguas estranhas não é uma evidência do batismo, pois Paulo fala que é um dom, nem todos têm este dom. (1 Coríntios 12:30), e fala também que em uma igreja  apenas três deve falar e com alguém para interpretar (1 Coríntios 14:27)  se não houver intérpretes que se calem (1 Coríntios 14:28).

Mas aí você de novo me pergunta: como explicar a manifestação do Espírito Santo nas igrejas pentecostais? Alguns vão afirmar que é emoção, outros que é uma manifestação mais plena do Espírito Santo no meio da igreja, concedendo dons, milagres e maravilhas. Eu acho possível qualquer uma das duas opções, porém não posso afirmar que é emoção, muito menos afirmo que é o Espírito Santo, deixo para você que vive neste contexto julgar. Já vi muita coisa acontecer para afirmar que isso não existe, apesar de muitas vezes ter visto muito mais emocionalismo que o mover de Deus

Somos regenerados pelo Espírito Santo no momento de nossa conversão, não existe o cristão comum e o batizado. Existe o cristão e ponto final. Agora, o Espírito Santo pode até se manifestar de forma especial em algumas igrejas, tal qual acontece em algumas igrejas pentecostais, mas na maioria das vezes, ou em uma boa parte delas é emoção. Coisa que eu já vi muito acontecer na igreja, porém não me arrisco dizer que esta manifestação não existe, por conhecer quem já vivenciou isso e por já ter visto alguma coisa, como já afirmei.

Não acho que eu esteja certo em apontar o dedo para alguém e afirmar que a sua experiência é fruto de sua imaginação, só quem já passou por isso pode confirmar, quem nunca passou acaba tendo que confiar em quem descreve suas experiências. Afinal, a Bíblia não afirma que a capacitação do Espírito Santo nunca mais iria acontecer, como aconteceu naquela época, deixando uma brecha pequena para concluirmos que eles podem ter razão, apesar de eu ter um pé atrás e achar possível concluir que o que aconteceu no tempo dos apóstolos foram só para eles.

 

BIBLIOGRAFIA

GRUDEM, Wayne, Teologia Sistemática Atual e Exaustiva, Editora Vida Nova, São Paulo, 2010

MCGRATH, Alister, Teologia Sistemática, Histórica e Filosófica, Uma introdução a Teologia Cristã, Shedd Publicação, São Paulo, 2014

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SOBRE A IMPORTÂNCIA DA TEOLOGIA

Já ouvi de alguns que a teologia nos afasta de Deus e enfraquece nossa fé, que o bom mesmo é se entregar, sentir ou deixar que Deus nos dê a interpretação da palavra, um conceito um tanto quanto ilógico e incoerente, que abre pressupostos para inúmeras teorias furadas e falsos ensinos

É muito certo que o homem tem um grande medo do desconhecido,  é certo também que a Bíblia é um livro complicado para se entender. Há quem diga que a Bíblia é a mãe de todas as heresias. E isso é uma verdade comprovada, principalmente quando nos lembrarmos das muitas barbáries que líderes cristãos causaram por interpretarem mal a palavra de Deus

Por outro lado quem não estuda, tem os mesmos problemas de quem interpreta mal a palavra. A história nos mostra como o emocionalismo criou ensinos que a Bíblia nem de longe defende ou moveres que a palavra nem de perto ensina. Isso sem contar das inúmeras igrejas que saqueiam as economias de muitos ou que prometem curas em nomes de votos de fé que a Bíblia também não nos ensina fazer e por aí vai, são tantas histórias bizarras e pouco embasamento Bíblico. Diante destas problemáticas a pergunta que surge é: Afinal qual é a importância da teologia para um Cristão?

A teologia nos auxilia a entender melhor a palavra, ela nos ajuda a pontuar melhor o ensino de Cristo para que possamos fazer sua vontade, e como Wayne Grudem já disse em sua teologia sistemática:

“Estudar teologia nos ajuda a vencer nossas ideias erradas” (GRUDEM, 2010, Pg. 7)”

É um erro afirmar que a teologia nos separa de Deus se o papel dela é justamente interpretar a palavra, nos ajudar a entender melhor os textos Bíblicos para que não sigamos ensinando besteiras às pessoas e também para que nós saibamos nos defender dos falsos ensinos. Acho interessante o que Elben M. Lenz César fala na introdução do seu livro:

“A verdadeira espiritualidade precisa tanto de conhecimento quanto de calor […]. A teologia certinha, na ponta da língua, sem emoções, faz pouco. O fogo espiritual que depende só de emoções e não dos fundamentos que deveriam produzi-lo faz mal.” (CÉSAR, 2014, p. 8)

Conhecimento e calor, busca por Deus, oração, mas também leitura e estudo da palavra para que não caiamos em enganos. Equilíbrio é isso que a teologia nos proporciona. Afinal, devemos ter em mente a parte espiritual, o agir misterioso de Deus, mas também temos que ter fundamentos.

“Encontrar o equilíbrio entre crer e sentir parece ser difícil demais para muitos cristãos pós-modernos, e pouca ajuda procede de seus púlpitos e dos sermões” (OLSON, 2004, p. 25)

Equilíbrio, ferramentas para entender a palavra e coesão para a nossa fé. Isso é só uma das poucas coisas que a teologia nos proporciona.

Quem tem uma boa teologia com certeza tem uma vida centrada, quem tem conhecimento e busca a Deus é certamente um cristão relevante. É impossível seguir a Deus sem conhecer a sua palavra, é impossível viver só de emoções, por isso que buscar e estudar são atitudes básicas de um bom cristão e é por isso que a teologia é importante

 

 

BIBLIOGRAFIA

GRUDEM, Wayne, Teologia Sistemática, Atual e Exaustiva, Editora Vida Nova, São Paulo, 1999

CÉSAR, Elben. M. Lenz, Teologia para o Cotidiano, A Sabedoria Bíblica para a Vida Diária, Editora Ultimato, Viçosa, 2014

OLSON, Roger, História das Controvérsias na Teologia Cristã, 2000 Anos de Unidade e Diversidade, Editora Vida, São Paulo, 2004

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POR QUE NÃO SIGO A LEI?

No texto de hoje quero trabalhar um pouco a questão da lei. Alguns não entendem a lei e tem até quem pratica como se a Bíblia assim aconselhasse, diante disso quero responder algumas questões. Por que não sigo a lei? Por que Deus estabeleceu a lei?

A lei do Antigo Testamento era uma aliança entre Deus e o povo que ele escolheu:

“Nos tempos do Antigo Testamento, alianças eram. Com frequência, outorgadas por um suserano com todos os poderes (o chefe supremo) a um vassalo (servo) mais fraco e dependente” (FEE, STUART, 2016, p. 198)

E foi nos moldes conhecidos da época que Israel seguia a Deus e Ele os protegia e abençoava, além dos sacrifícios apontar para o Messias, que iria redimir de uma vez por todas os pecadores.

Por que não mais seguimos a lei? Simples, por que não seguimos o Antigo Testamento (antiga aliança) e sim o Novo Testamento (nova aliança).  E esta nossa nova aliança manda não mais seguirmos a lei:

“Ou seja, a menos que uma lei do Antigo Testamento seja de alguma forma reformulada ou reforçada no Novo Testamento, já não é diretamente obrigatória para o povo de Deus (cf. Rm 6:14,15)” (FEE, STUART, 2016, p. 199)

Constantemente eu enfatizo aos amigos ou nos textos do blog que devemos olhar para o Velho Testamento sempre com o Novo Testamento a tiracolo. Não extraímos ensinos do velho que não tenha no novo, com  isso vamos ver o que o Novo testamento diz sobre a lei. Gálatas 2:19-20 diz:

“Porque eu, pela lei, estou morto para a lei, para viver para Deus.

Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a pela fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim”.

Adolf Pohl otimamente completa:

“Paulo diz que morreu para a lei, a fim de viver para Deus. Atrás do fim do domínio da lei surge, como sentido da questão, imediatamente uma troca de senhorio. Cristo troca de lugar com a lei” (POHL, 1999, p. 90)

Não estamos mais debaixo da lei e sim, debaixo do senhorio do Cristo. Seguimos Cristo e não a lei. Romanos 10:4 diz:

 “Porque o fim da lei é Cristo, para a justificação de todo o que crê”.

Telos é a palavra grega para fim, e pode ser traduzido como objetivo ou alvo. Ou seja o alvo da lei é Cristo, a lei aponta para o Cristo (CARSON, FRANCE, MOTYER, WENHAM, 2012, p. 1724). Nos mostra nossas incapacidades, nos mostra o quanto precisamos da graça, a lei aponta para Cristo e o seu sacrifício por nós e também pontua o que é pecado. Eu gosto da tradução de Eugene H. Peterson (2012, p. 1603), para este versículo:

“A revelação anterior tinha a intenção de nos deixar preparados para o Messias, apenas isso”.

Acredito ser uma tradução totalmente autoexplicativa, a lei apontava para o Messias, sua expiação e para a nossa incapacidade de cumprir a lei, dependendo de forma plena da graça. Romanos 7:7-8 diz:

“Que diremos então? A Lei é pecado? De maneira nenhuma! De fato, eu não saberia o que é pecado, a não ser por meio da Lei. Pois, na realidade, eu não saberia o que é cobiça, se a Lei não dissesse: “Não cobiçarás”. Mas o pecado, aproveitando a oportunidade dada pelo mandamento, produziu em mim todo tipo de desejo cobiçoso. Pois, sem a Lei, o pecado está morto”.

Romanos 5:20-21 também diz:

“A Lei foi introduzida para que a transgressão fosse ressaltada. Mas onde aumentou o pecado transbordou a graça, a fim de que, assim como o pecado reinou na morte, também a graça reine pela justiça para conceder vida eterna, mediante Jesus Cristo, nosso Senhor”.

A lei é o nosso norte, nos mostra quem somos e aponta para Jesus. Mas aí você me fala que Cristo não veio destruir a lei, mas cumpri-la, citando Mateus 5:17. Além de afirmar, como já ouvi de muitos, que Cristo era judeu, praticava a lei, por isso eu também devo praticar. Afinal, o que significa este cumprir e praticar? Simples, Cristo veio cumprir a lei, pois era o único capaz de fazer:

“Jesus não disse que nós ainda estamos sob a lei, uma vez que de modo nenhum passará uma só letra ou um só traço da lei, até que tudo se cumpra. A resposta é: não; ele não disse isso. O que ele disse (ver Lc 16.16,17) era que a lei não pode ser mudada. Jesus veio para estabelecer uma nova aliança (ver Lc 22,20; cf Hb 8-10), e assim fazer com que o propósito da antiga fosse “cumprido”, e o tempo da antiga aliança chegasse ao fim” (FEE, STUART, 2016, p. 201)

Somos filhos da nova aliança, seguimos o único que cumpriu por inteiro a lei. A lei revela quem nós somos e do quanto precisamos de Jesus. A lei pontua o que é o pecado e aponta para a graça de Deus.

Resumindo: E lei era uma aliança entre Deus e Israel, ela também apontava para Cristo e o seu sacrifício. Não mais seguimos a lei, seguimos a Cristo, conforme otimamente pontua a nova aliança (Novo testamento), e a lei serve para mostrar a nossa incapacidade e o quanto precisamos de Jesus, além de pontuar o que é pecado

É por este motivo que eu não sigo a lei, pois o propósito dela findou-se com a vinda do Messias. Agora seguimos a Cristo, em vez da lei e somos alcançados não pela prática da lei, mas pela graça, pelo favor que Deus nos fez 

 

BIBLIOGRAFIA

F, Gordon D. STUART, Douglas, Entendes o que lês? Editora Vida Nova, São Paulo, 2016

POHL, Adolf, Carta aos Gálatas Comentário Esperança, Editora Esprança, Curitiba, 1999

CARSON. DA. FRANCE , RT, MOTYER, J. A, WENHAM, G. J, Comentário Bíblico Vida Nova, Editora Vida Nova, São Paulo, 2012

PETERSON, Eugene, Bíblia a Mensagem, Editora Vida, São Paulo, 2013

 

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GRAÇA E MUDANÇA DE VIDA

Como vimos no texto passado, “Salvos pela graça”, nós fomos salvos pela graça de Deus, mesmo sem merecermos. Não tem ato, promessa ou atitude que compre a nossa salvação, (segue o link do texto se você desejar lê-lo: SALVOS PELA GRAÇA). E neste texto o que quero enfatizar é sobre a graça e a mudança que ela causa em nossa vida.  Gálatas 5:22-23 diz:

Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade,

mansidão e domínio próprio. Contra essas coisas não há lei.

Este texto é interessante, pois uns três versículos antes o autor lista uma série de obras da carne e aqui o autor lista uma série de resultados visíveis na vida de quem segue a Deus. É o resultado de quem foi tocado pelo Espírito Santo. Como sempre, quero postar a tradução de Eugene H. Peterson (2012, p. 1661) para este versículo, ela sempre é muito autoexplicativa:

“Mas vamos falar de vida com Deus. O que acontece quando vivemos no caminho de Deus? Deus faz surgir em nós, como frutas que nascem num pomar: afeição pelos outros, uma vida cheia de exuberância, serenidade, disposição de comemorar a vida, um senso de compaixão no íntimo e a convicção de que há algo sagrado em toda a criação e nas pessoas. Nós nos entregamos de coração a compromissos que importam, sem precisar forçar a barra, e nos tornamos capazes de organizar e direcionar sabiamente nossas habilidades”

Este é o fruto de quem é tocado pelo Espírito Santo, Lawrence Richards completa:

“Da mesma forma como o pecado produz seus frutos na vida de um indivíduo, assim o Espírito Santo também gera seus frutos. Esse fruto, amor, alegria, paz, – todas as coisas pelas quais anelamos – estão em forte contraste com aquele produzido pela natureza pecaminosa. Portanto ele aparece quando andamos no espírito e somos guiados pelo Espírito de Deus” (RICHARDS, 2013. P. 1054, 1055)

Tito 2:11-13 diz:

“Porque a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens

Ela nos ensina a renunciar à impiedade e às paixões mundanas e a viver de maneira sensata, justa e piedosa nesta era presente, enquanto aguardamos a bendita esperança: a gloriosa manifestação de nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo”.

Resumindo, uma pessoa que foi tocada pela graça certamente teve sua vida transformada. A graça traz mudança de vida, não tenha dúvidas, caso contrário, certamente o que você está vivendo não é graça

Graça que não afeta o comportamento de uma pessoa não é a graça de Deus […]. O que é o evangelho, afinal de contas, senão um chamado ao arrependimento (At 2.38; 3.19; 17.30;)? Em outras palavras, ele demanda que pecadores façam uma mudança – parem de seguir por um caminho e voltem-se para outro caminho (1Ts 1.9) (MACARTHUR, 2013, p. 40)

Eu tenho uma grande dificuldade de entender um convertido que não mudou de vida. Quando Cristo entra em nossa vida a coisa muda. Nós não somos salvos pelas obras, mas as obras demonstram quem nós somos, as obras são os frutos, o resultado de sermos tocado por Cristo, fruto do real arrependimento:

“A palavra grega para arrependimento é metanoia, […]. Significa, literalmente, “reflexão posterior”, ou “mudança de mente”; todavia, o seu sentido Bíblico não se restringe a isso. Como é usada no Novo Testamento, metanoia fala sempre de mudança de propósito e, especificamente, de abandono do pecado” (MACHARTHUR, 2015, p. 213)

Eu gosto muito de uma outra frase do John Macarthur:

“É impossível supor que alguém possa encontrar o Deus Santo das escrituras, e ser salvo, sem que também venha a reconhecer a hediondez do seu próprio pecado, e, consequentemente, deseje muito abandoná-lo” (MACARTHUR, 2015, p. 79)

Uma nova vida, é isto que Cristo nos traz, é este o chamado para o arrependimento. E eu não quero com isso trazer uma mensagem legalista e sim, que você reveja como esta vivendo sua vida

Eu creio que o evangelho nos traz mudanças, nos faz santos que lutam contra o pecado, pessoas que Deus produz   frutos visíveis por todos. Não somos perfeitos, eu sei, mas se a mudança não é vista ou se a nossa luta contra o pecado não é constante, temos problemas.

Afinal, ou temos uma nova vida, ou não

 

 BIBLIOGRAFIA

MACARTHUR, John, O Evangelho Segundo os Apóstolos, Editora Fiel, São Paulo, 2013

MACARTHUR, John, O Evangelho Segundo Jesus, Editora Fiel, São Paulo, 2015

PETERSON, Eugene, Bíblia a Mensagem, Editora Vida, São Paulo, 2013

RICHARDS, Lawrence, Comentário Bíblico do Professor, Um Guia Didático Completo Para Ajudar no Ensino das Escrituras Sagradas do Gênesis ao Apocalipse, Editora Vida Acadêmica, São Paulo, 2013

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SALVOS PELA GRAÇA

Volta e meia sou indagado sobre a graça, pois muitos não conseguem entender de forma plena o que é a graça de Deus. Não entendem como Deus, sem cobrar absolutamente nada, salva as pessoas. A verdade é que é difícil entendermos, neste nosso mundo materialista a graça divina, porém, fomos alcançados por ela.

Graça significa: “Favor imerecido”, é algo que Deus faz mesmo sem merecermos e para validar este conceito cito Efésios 2:8-9:

“Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie”

Eu gosto da tradução de Eugene H. Peterson (2012, p. 1667):

“A salvação foi ideia e obra dele. Nossa parte em tudo isso é apenas confiar nele o bastante para permitir que ele aja em nossa vida. Se fosse o caso, andaríamos por aí nos vangloriando do que fizemos. Não!”

Norman Geisler acrescenta:

A graça, portanto, é um favor imerecido. Aquilo pelo qual trabalhamos é considerado nossa conquista; mas aquilo pelo qual não trabalhamos, não é considerado nossa conquista. Como a salvação vem até nós sem a necessidade de qualquer tipo de obra da nossa parte, concluímos que não nos cabe qualquer mérito nela: a Salvação é “dom gratuito de Deus” (Rm 6:23). A graça salvífica de Deus é o favor imerecido que ele faz por nós” (GEISLER, 2015, p. 158)

Ou seja, Deus, mesmo sem merecermos nos salvou. Por sermos corrompidos pelo pecado, sem capacidade de nos salvarmos, Deus nos salvou pela graça:

“Para Agostinho de Hipona, a humanidade, se deixada por conta própria e apenas com seus recursos, jamais poderia se relacionar com Deus. Nada do que um homem ou uma mulher fosse capaz de fazer poderia quebrar a opressão do pecado” (MCGRATH, 2014, p. 60)

Uma vez um colega indignado me questionou justo sobre isso, ele perguntou: “Quer dizer então que se um assassino se arrepender será salvo?” Eu disse: “Segundo a Bíblia sim, se o arrependimento for verdadeiro, é claro”.

A questão é mais simples do que imaginamos, não é que o ladrão ou assassino não merece a salvação, a questão é que “ninguém merece”. Todos nós somos pecadores, todos são desobedientes, mas quem se arrepender e seguir a Cristo será salvo. Gosto da citação de Brennan Manning enfatizando a graça de Deus:

Apesar de Deus não tolerar ou sancionar o mal, Ele não retém seu amor por haver maldade em nós (MANNING, 2002, p. 20).

Esta é a graça divina em seu estado mais bruto, graça esta que muitas vezes não entendemos, mas que constantemente vemos Cristo praticar nas escrituras.

Lembrando que, um assassino ou ladrão continua colhendo os frutos dos seus atos. O que estamos falando aqui é sobre salvação.

 

BIBLIOGRAFIA

GEISLER, Norman, Teologia Sistemática, Editora CPAD, Rio de Janeiro, 2015

MCGRATH, Alister, Teologia Sistemática, Histórica e Filosófica, Uma introdução a Teologia Cristã, Shedd Publicação, São Paulo, 2014

MANNING, Brennan, O Impostor que Vive em Mim, Editora Mundo Cristão, São Paulo, 2002

PETERSON, Eugene, Bíblia a Mensagem, Editora Vida, São Paulo, 2013

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O DEUS QUE SE REVELA

Faz algum tempo que quero escrever e pontuar de maneira mais didática em que acredito. Creio que se você já leu meu blog, vai perceber que obviamente eu escrevo tudo segundo minha ótica, a minha teologia, porém as vezes tenho o pressentimento de que por mais que o texto passe o que eu penso, é necessário pontuar de forma mais clara em que acredito. E é esta a finalidade deste tópico no site (teologia). Explicar, dar base Bíblica e teológica do que eu creio

“O Deus que se revela” é um dos pontos principais da minha teologia. Eu não acredito que o homem tenha capacidade de “achar” a Deus. Seria até cômico imaginar uma criatura finita e pecadora, achar um Deus, infinito e poderoso. Soa como se tropeçássemos em algo e achássemos uma coisa muito valiosa, não foi assim, a Bíblia narra algo totalmente oposto.

O livro de Gênesis, logo nos primeiros capítulos, fala que Deus criou tudo e depois fala que o homem desobedeceu e virou as costas para Deus. Com isso o homem perdeu controle e começou a praticar o mal. Só que no versículo 12:1-2, depois do dilúvio e muitos outros acontecimentos, Deus se revela a Abraão:

Ora, o SENHOR disse a Abrão: Sai-te da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei.

E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei e engrandecerei o teu nome; e tu serás uma bênção.

Não sabemos muito sobre Abraão, só sabemos que através dele Deus se deixa ser conhecido. Hansjörg Bräumer acrescenta:

“Ao mesmo tempo, a história dos patriarcas esclarece o mundo religioso em que viviam os antepassados de Israel. O único Deus, o Deus do céu e da terra, revelou-se a Abraão. Ele chamou Abraão para fora de seu ambiente pagão. Abraão seguiu o chamado de Deus e passou a adorá-lo. O Deus que se revelou a Abraão mais tarde é chamado pelo povo de Israel de “o Deus de Abraão”. (BRÄUMER, 2016, p. 194)

Apesar de termos Noé, um homem que também Deus se revelou e lhe deu uma missão (Gn 6:5,12). E que após anunciar a justiça e não ser ouvido (2Pedro 2:5), ser o único salvo, juntamente com sua família.  Também termos outros homens que andaram com Deus. Entretanto foi a Abraão que Deus se revelou, dando a ênfase que através dele viria um povo e que era deste povo que o Messias Redentor viria. Norman Geisler acrescenta algo importante falando dos dois tipos de revelação:

“Outro pressuposto fundamental da Teologia evangélica é a revelação. Se Deus não se mostrou, como poderia ser conhecido por nós? Mas Deus escolheu se apresentar-se a nós, e a este ato de descobrir-se a si mesmo chamamos de revelação. De acordo com a Teologia evangélica, Deus revelou-se a si mesmo de duas formas: a revelação geral (na natureza) e a revelação especial (nas Sagradas Escrituras) (GEISLER, 2015, p. 59)

E sobre a revelação geral Romanos 1:20 nos dá uma ótima base:

Pois desde a criação do mundo os atributos invisíveis de Deus, seu eterno poder e sua natureza divina, têm sido vistos claramente, sendo compreendidos por meio das coisas criadas, de forma que tais homens são indesculpáveis;

Não teremos desculpas, é possível conhecer a Deus através de sua criação, do impressionante e complexo corpo humano, das estrelas e dos animais. Tudo aponta para um Deus, um arquiteto responsável por criar tudo. E a Bíblia é claro, que também enfatiza isso, narra a história de um Deus que se revelou, teve compaixão de nós seres humanos pecadores e desobedientes, mandando seu Filho para morrer por nós, 2 Timóteo 3:16-17 diz:

Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça,

 para que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda boa obra.

Em fim, Deus escolheu se revelar e salvar nós pecadores. Não o seguimos a Deus por termos achado um Deus interessante e sim, por Ele ter se revelado e escolhido morrer por nós.

Este é um dos pontos principais da minha teologia, eu estudo a Bíblia e busco a um Deus que se revelou, que se mostrou ao homem por tê-lo amado e ter tido misericórdia. Ninguém pode pegar para si este mérito, e ninguém conseguirá, por ser um ser finito, estudar e achar um Deus que é infinito e poderoso. Se Ele não se revelasse, permaneceríamos na ignorância, tateando no escuro, nos consumindo em nosso próprio pecado.

 

BIBLIOGRAFIA

GEISLER, Norman, Teologia Sistemática, Editora Cpad, Rio de Janeiro, 2015

BRÄUMER, Hansjörg, Comentário Esperança, Antigo Testamento, Editora Esperança, Curitiba, 2016

 

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