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MISSÃO URBANA IV: VIDA EM SOCIEDADE

Engana-se quem acha que a cidade é uma invenção nova, ao contrário, é muito antiga, sendo que já naquela época existiam cidades relativamente grandes. Alguns pesquisadores afirmarão que a Babilônia há 2500 a. C, teve cerca de 80 mil pessoas, e a Ur na Mesopotâmia 50 mil pessoas, sendo que um pouco depois surgiu Mênfis e Tebas no Egito, e muitas outras cidades, fazendo parte do que é chamado de civilizações hidráulicas, que eram cidades dependentes dos rios. Nínive, aquela cidade no qual Deus mandou Jonas pregar, é um bom exemplo destas civilizações hidráulicas. A tal cidade era localizada as margens do Rio Tigre na antiga Assíria. A parte interessante é que em Jonas 3:3 o texto bíblico diz que a cidade era tão grande que uma pessoa levava três dias para atravessar.

Com o tempo, surgiu cidades ainda maiores como Atenas com 250 mil pessoas e Roma que chegou a ter mais de 1 milhão de habitantes, permanecendo por séculos como a única cidade a chegar neste tamanho. O interessante é que muitas destas cidades são citadas na Bíblia, conquanto a Bíblia situa a primeira cidade surgida muitos anos antes, vinda do próprio Caim, como vimos.

É importante lembrar que desde que o mundo é mundo, o homem vive em sociedade. Chesterton no livro O homem eterno defende o ponto de vista que desde que o mundo é mundo o homem vive em grupos, pelo menos algum tipo de sociedade, sendo que grandes impérios como o egípcio e o babilônico são prova disso, já que eram muito antigos:

“A aurora da história revela uma humanidade já civilizada. Talvez revele uma civilização já velha. E, entre outras coisas mais importantes, revela a insensatez da maioria das generalizações acerca do período prévio e desconhecido quando a humanidade era realmente jovem” (CHESTERTON, 2010, pg. 59)

Falando em grupos e sociedade, eu lembro que alguns teólogos defenderão a ideia de que ter a imagem e semelhança de Deus é justamente ter a necessidade de viver em comunidade, assim como Deus é uma comunidade, um em três.

Durante a idade média, as pessoas viviam em feudos, era impossível viver fora deles por conta de toda a violência que existia no lado externo. A parte ruim é que era uma sociedade bem restrita, uma vez pertencendo a um feudo, você não mudava mais. Sendo que basicamente um feudo era dividido em clero, nobreza e campesinato.

O clero estava no topo de tudo, sendo que estes tinham grande influência junto aos reis e proprietários de terra, além de deterem o poder da leitura e da escrita, que era um privilégio que poucos tinham. Logo depois vinha a nobreza que possuíam as terras e controlavam os feudos. E depois vinham os camponeses que viviam uma vida bem dura, em um regime de total servidão.

Além destes a sociedade medieval também tinha os escravos, que não eram tantos e em sua maioria faziam os trabalhos domésticos, e os vilões, que eram basicamente camponeses livres que serviam aos senhores por um tempo e depois iam embora para outros lugares, sendo que eles tinham uma vida totalmente livre. Lembrem-se que vilão não é só aquele personagem mal de um filme ou novela, mas também, segundo o dicionário:

“Aquele que não é nobre; desprovido de nobreza; plebeu” (Dicio)

Lembrando que na época onde a igreja tinha muita influência, ir contra a exploração e desigualdade era uma afronta a vontade de Deus, no fim vemos como a igreja colaborava com este regime de exploração.

A transição deste tipo de sociedade feudal para a capitalista veio através da Idade Moderna, que segundo a história é um período entre os séculos XV e XVIII.

Eram os europeus que se denominavam de modernos, e o período marcou como uma espécie de ruptura com a Idade Média. É claro que o feudalismo não acabou de uma hora para outra, foi um processo bem demorado, mas a Idade Moderna marcou o inicio deste processo.

A principal marca deste período foi no âmbito econômico, científico, social e religioso, que deu um certo rumo para o que chamamos de capitalismo e os principais acontecimentos foram: As grandes navegações, o renascimento, as reformas seja a Reforma Protestante (1517), A Reforma Calvinista (1541) ou a Reforma Anglicana (1534), o absolutismo, O iluminismo e a Revolução Francesa, que foi impulsionado pela burguesia, tendo como participantes principais, os pobres, camponeses as grandes massas que viviam na miséria.

É aqui que o pensamento muda, que a igreja é confrontada, que as teorias surgem e o homem começa a acreditar que consegue solucionar tudo por si só. A ciência era a grande esperança, a razão a única bússola, e o homem o senhor de si.

Este é o pano de fundo para um período muito importante que é a Revolução Industrial. É fundamental entendermos para entender a revolução e toda a mudança que a cidade teve. A Missão Urbana depende que entendamos este momento, para quando olharmos a cidade percebamos como funciona a dinâmica e o que temos que fazer para sermos diferença.

BIBLIOGRAFIA

CHESTERTON, G. K, O homem eterno, Editora Mundo Cristão, São Paulo, 2010

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MISSÃO URBANA III: A PRIMEIRA CIDADE

Não é só a missão que começa na Bíblia, a cidade também tem o seu início lá. Quando falamos em cidade, temos que ir lá em Gênesis 4:17:

“E conheceu Caim a sua mulher, e ela concebeu, e deu à luz a Enoque; e ele edificou uma cidade, e chamou o nome da cidade conforme o nome de seu filho Enoque”

Um assassino desobediente fundou a primeira cidade, com isso, não fica tão difícil entender porque o mundo é um caos, mas não foi só isso que os seus descendentes criaram, muitos outros avanços também vieram deles como a vida nômade (Gênesis 4:20), música (Gênesis 4:21), e metalurgia (Gênesis 4:22), como evidencia o texto, sendo estes elementos importantes de toda a cidade. E ao prosseguirmos com a leitura vemos que a raça humana se perdeu, a maldade aumentou na terra e com isso o dilúvio veio e limpou a terra de todo o caos.

Podemos colocar Caim como um pecador muito mais endurecido do que o próprio Adão, pois matar é muito pior do que comer de um fruto proibido, sem contar com o fato de que nem Deus conseguiu convencer Caim de não pecar (Gênesis 4:6,7) (CARSON, FRANCE, MOTYER, WENHAM, 2012, p. 106)

Graças a Deus que o Senhor aprovava o que Noé fazia (Gênesis 6:8) e com isso salvou ele e a sua família. O problema é que isso não adiantou muito, pois por causa de uma bebedeira, Cam, o filho de Noé, fez fofoca e piada do seu pai aos irmãos e a maldade perpetuou (Gênesis 9:21- 28)

É claro que você pode considerar isso um exagero, para nós hoje o que Cam fez não deveria ser motivo de condenação, mas para época isso era. Mais uma vez vemos a importância de entendermos o contexto antes de concluirmos qualquer coisa, seja ao lermos a Bíblia ou ao analisamos uma outra cultura ou costume. A parte curiosa é que o filho de Noé pecou assim como o filho de Adão, e tudo volta ao que era antes (CARSON, FRANCE, MOTYER, WENHAM, 2012, p. 106).

Onde há pessoas há maldade, quem dirá em uma cidade, o mundo é o que vemos porque é constituído de seres falhos e pequenos, está é uma verdade que fica latente em toda a Bíblia e que temos que entender antes de pregarmos o evangelho.

É interessante também falarmos do povo de Israel para entendermos a dinâmica das cidades. Segundo a Bíblia, eles foram uma grande nação, tinham seus códigos, sua forma de agir e cultura, sendo que é através deles e dos relatos do Velho Testamento que conseguimos saber dos diversos tipos de povos e culturas existentes na antiguidade.  Sem esquecer que todas as leis e costumes vieram do próprio Deus, e se houve algum exagero foi por conta dos limitados seres humanos.

Depois que o povo de Israel foi liberto e entrou na terra prometida, a terra toda foi dividida entre as tribos e o governo depois de um tempo, se deu através dos Juízes. Lembrando que os Juízes foram lideres instituídos por Deus para governar e libertar Israel em períodos de desobediência e declínio, que, diga-se de passagem, foram muitos.

Mas foi no tempo de Samuel, um importante juiz, profeta e sacerdote (Samuel 3:20; 9:12,13) que o povo pediu um rei (1 Samuel 8:4), o motivo era que os filhos de Samuel não seguiam o exemplo do pai e eram desonestos, por isso que o povo queria um rei, para serem iguais aos outros povos. Josué avisou que o rei iria ser desonesto, que iria explorar e roubar o povo, mas não adiantou, eles queriam um rei, e Deus levantou Saul.

É interessante ler esta passagem, pois ao longo da história do mundo, o que mais vemos é justamente isso, exploração do povo, cargas pesadas nas costas do trabalhador para sustentar um bando de políticos que não fazem nada.

O resumo da história de todos os reis de Israel foi que a maioria deles foram reis opressores, Israel sofreu muito com eles, sendo que até o Sábio Salomão, que dividiu o reino e fez inúmeras bobagens, não ficou de fora e não deixou de fazer besteiras, e entre as principais listamos: Inaugurou um período de escravagismo, construiu um harém a moda pagã, adorou outros deuses e construiu altares para outros deuses (1Reis 11: 4-13). E mesmo Deus aparecendo para ele duas vezes ordenando que não adorasse outros deuses, ele continuou adorando (1Reis 11:9)

Resumindo, o poder corrompe seja você quem for, cuidado com o poder, pois se até Salomão, com toda a sua sabedoria, se corrompeu, quem dirá nós.

Como vimos, as cidades e a vida em sociedade (seja que estilo for) vêm de muito tempo atrás, a Bíblia narra como autor o próprio Caim e seus descendentes, o texto é apenas um resumo, um apanhado geral que temos que entender antes de aprender sobre a importância da missão urbana para a propagação do evangelho neste nosso contexto urbano

BIBLIOGRAFIA

CARSON. DA. FRANCE , RT, MOTYER, J. A, WENHAM, G. J, Comentário Bíblico Vida Nova, Editora Vida Nova, São Paulo, 2012

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MISSÃO URBANA II: A MISSÃO NA BÍBLIA

Segundo o dicionário, missionário é: “Aquele que se dedica à pregação de sua fé; pregador. Aquele que se dedica a propagar uma ideia” (Dicio)

Missionário não é apenas aquele viajante, mas também nós, em nosso trabalho, bairro e entre nossos amigos.

A missão urbana, tal qual a missão, começa lá em Abraão, em um chamado de Deus. Não se esqueça de que é Deus quem nos encontra, é ele que nos chama, e não nós que o achamos. Abraão teve uma missão, o próprio Deus se revelou e disse que dele sairia uma grande nação, e saiu. Foi através desta nação que Deus se revelou, mostrou quem ele era e fez a sua vontade.

A parte interessante deste chamado é que Abraão não foi apenas o primeiro dos patriarcas de Israel (Gênesis 12:2), mas também alguém que se importou muito com as pessoas de Sodoma.

Após Deus revelar a ele que destruiria Sodoma (Gênesis 18:23), Abraão dialogou com Deus e até barganhou, atentando para a possibilidade de Deus estar matando pessoas direitas na cidade (Gênesis18:23). É claro que eu desconfio que Abraão ao falar das pessoas direitas, estava falando de Ló, seu sobrinho, mas de qualquer maneira ele se importou com estas pessoas, pensou haver uma possibilidade delas existirem e clamou por elas, onde no fim, Deus ouviu a sua oração e salvou a Ló (Gênesis19:29).

Já no Novo Testamento temos o Cristo que morreu para nos salvar, um descendente do mesmo povo que Deus formou, cumprindo assim a profecia.

Vale lembrar que Cristo teve como prioridade os excluídos, sem esquecer que naquele contexto, os excluídos não eram só os pobres, mas também os cobradores de impostos, além da prostitutas e os doentes, a lista é grande, abordarei apenas os principais.

As viúvas no período Greco-romano eram obrigadas a casar em dois anos, sendo que a sua herança era toda administrada pelo novo marido. Entre os judeus a mulher também era diminuída, não recebia educação formal, não tinha voz e era quase que uma propriedade do pai e depois do marido.

A parte boa foi que o cristianismo acolheu estas mulheres, deu voz, cuidou e valorizou. Nas cartas Paulinas vemos muitas sendo parceiras de Paulo no ministério, evidenciando e importância que o cristianismo deu a elas.

As crianças para um judeu ocupavam a parte inferior da hierarquia social. Eles eram dependentes e até completarem a idade de observar a lei (12 anos), eles não eram valorizados. Mas Jesus valorizou-as e deu-as uma posição social de suma importância e até mandou que fossemos iguais a elas (Mateus 18:3)

Os cobradores de impostos eram em sua maioria judeus que trabalhavam para Roma. Eles eram vistos como traidores, além de serem em sua maioria desonestos, cobrando valores mais altos, para assim ficarem com uma parte da arrecadação. Jesus acolheu-os e mudou suas vidas por completo. Pois o evangelho veio para restaurar e não para dividir.

Os leprosos viviam em locais separados das pessoas, eles eram os párias da sociedade e tinham que gritar “impuro” toda a vez que viam uma pessoa sã. Um leproso era visto como um amaldiçoado por um judeu e tinha que viver excluído, por isso que quando Cristo curava um leproso ele não só restituía a sua própria saúde, mas dava uma oportunidade de retorno a sociedade, aos familiares e aos amigos.

O preconceito é o grande problema do ser humano, isso aconteceu com os judeus da época de Jesus. Eles se esqueceram do propósito de Deus e viraram assim um povo que se julgava especial, escolhido e superior. E isso ficou evidente em toda a história do povo de Israel e até na época de Jesus, onde os rabinos não tinham amor pelo próximo, pelo doente e pelo excluído e não se importavam em levar à palavra as pessoas.

Contudo hoje não é muito diferente, a igreja não demora em excluir e dividir. A igreja quer impor e não pregar, forçar e não influenciar. É aquela velha questão, você impõe seu ponto de vista ou influencia? Impondo, você nunca vai chegar a lugar algum e periga ainda abrir um pressuposto para o outro também impor. Já influenciando não, pois não é usado a força e sim o exemplo, reflexão e o diálogo.

Se olharmos também para dentro da igreja infelizmente veremos esta mesma realidade. Em algumas igrejas a música, liturgia e todo o resto devem ser feito de uma forma que agrade principalmente os mais velhos, aos líderes da igreja ou aos abastados e não Deus.

A convivência é um desafio, entender o próximo, sua cultura e maneira de ver as coisas, mais ainda, o problema é que não tem outra forma de entenderem, é só com muita humildade, paciência e diálogo que tudo será possível, coisa que ao meu ver os cristãos estão longe de fazer.

A missão começa na Bíblia, o ide também vem de lá, e é em nome deste ide que a Missão Urbana existe para nos dar este norte que precisamos além de abrir os nossos olhos para uma realidade real a nossa volta.

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MISSÃO URBANA I: A DIFERENÇA ENTRE SER E ESTAR

Em minha vida a Missão Urbana entrou de uma forma bem natural, pois desde novo fui músico e quando cresci fui conquistado por um estilo musical que eu ouço até hoje. Este estilo, bem como muitos outros, carrega consigo uma cultura, forma de falar e de vestir. Com o tempo comecei a fazer parte desta tribo, ter bandas e ir a shows e descobri como tudo funciona. Depois de anos, Deus me chamou para evangelizar esta mesma tribo, o que culminou algum tempo depois em fazer parte de uma igreja voltada para tribos urbanas, ou, para a cultura jovem global, que é outro nome para o termo.

É claro que Missão Urbana é muito mais que rock, punk ou coisas do tipo, e quando falamos desta nossa sociedade que muda em uma velocidade impressionante, falamos em estar preparados para muita coisa que está surgindo, para desafios que aparecem tão rápido quanto as soluções, é por isso que está matéria acaba sendo fundamental. Sem entender a cultura, faremos pouca diferença, sendo que o propósito da matéria é justo este, dar ferramentas para o entendimento à leitura e a compreensão da sociedade.

Eu costumo ouvir de cristãos que o mundo está um caos porque as pessoas têm se esquecido de Deus e deixado de frequentar a igreja, seguindo sem qualquer escrúpulo o mundo. Tal reflexão é verdadeira e legítima, no entanto, eu a considero simplista por demais, afinal, existem muitas variáveis quanto ao assunto.

Existem dois fatos quando falamos de pessoas que não mais vão a igreja. O primeiro é: “sim o mundo está um caos”, o homem tem se distanciado cada vez mais de Deus e piorado cada vez mais por conta disso. C. S. Lewis têm uma frase que eu gosto muito e resume bem a questão:

Só existe um único ser bom, e esse é Deus. Tudo o mais é bom quando olha para Ele e mau quando se afasta d’Ele. (LEWIS, 2006, PG 70)

Cada vez que o homem se distancia de Deus, mais ele fica mau, autodestrutivo e o mundo um lugar caótico. Apesar disso, existe ainda uma segunda questão quando falamos do assunto: “a igreja tem parado de pregar o evangelho”.

É claro que eu não vou generalizar, pois existem igrejas cumprindo o ide que Cristo nos deixou, mas em sua maioria as igrejas têm pecado neste quesito, têm se fechado em seus guetos gospels e esquecido das pessoas.

Entendam que sempre que vocês olharem para o mundo, observarem todo o caos e os problemas, é básico compreender também que é sua a responsabilidade de pregar a anunciar o evangelho, é a sua função estar presente e fazer diferença, ou pelo menos tentar.

Michael S. Horton no livro O cristão e a cultura, fala da diferença entre “ser do mundo” e “estar no mundo”. Nós não “somos” do mundo, mas estamos no mundo, para fazermos diferença devemos estar sem ser, e uma citação sua define bem como isso é possível:

“Estar no mundo, mas não ser do mundo requer que conheçamos a fé cristã o bastante para reconhecer quando estamos permitindo que definições, atitudes, percepções e modelos seculares formem a nossa crença e expressão” (HORTON, 2006, p. 172)

Não adianta fugir, nós estamos no mundo, é impossível não estar, conquanto nós não somos do mundo, por isso, temos que conhecer e estudar a palavra para que percebamos quando estamos ou não sendo influenciados.

Quando falamos de missão urbana, falamos da cidade, do evangelho, de pessoas e culturas, tudo dentro da mesma cidade em uma espécie de mundo paralelo, com seus modos, linguagem e jeito de viver. A missão urbana trata desta cidade, destas pessoas perdidas e leva o evangelho e a graça a quem nunca ouviu ou talvez até ouviu, mas de forma equivocada. Arzemiro Hoffmann define missão urbana de uma forma bem interessante, que conclui de forma perfeita o significado e a importância dela para nós cristãos:

“A missão urbana é um protesto contra a ruína da cidade “civilizada” que experimentamos” (HOFMANN, 2008, p.13)

Em um mundo caído, autodestrutivo e perdido, a missão urbana é um protesto, um grito de “basta” que põe fim no caos e na maldade humana. É por isso que precisamos assumir a responsabilidade, arregaçarmos as mangas e trabalharmos a fim de que a mensagem chegue e construa vida onde tudo já está morto.

Pouco adiantará se você não assumir a sua responsabilidade, não entender que levar a palavra as pessoas é a sua missão. Estar no mundo não é ser do mundo, por isso que não é errado você ir de encontro as pessoas para fazer diferença, e acima de tudo, se você não se importa com as pessoas, a missão urbana nem é para você. Pois tudo começa com a empatia, com se importar, em se condoer e se doar, Arzemiro Hoffmann novamente complementa a questão no livro “A cidade na missão de Deus”:

“Se nada na cidade me comove; se nenhuma injustiça me causa indignação; se nenhuma violência me machuca; se nenhuma perversão ma degrada; se nenhuma corrupção agride meu senso de justiça; se nenhuma dor me leva às lágrimas… Então, eu nada tenho a fazer, não tenho chamado de Deus para a missão urbana” (HOFMANN, 2008, p.87)

Que nosso coração possa aprender a se doar pelas pessoas, que nós consigamos nos importar pelos que estão se perdendo, ao invés de criticá-las e exigir que vivam uma vida calcada em valores que eles não conhecem.

Esteja no mundo, se importe com as pessoas, aprenda a sair do seu gueto e ir de encontro aos perdidos. Marque almoços e churrascos, confraternize com seus amigos não cristãos aprenda a ouvi-los e apoiá-los.

Você não é do mundo, mas está no mundo, com isso, é importante estar. Uma cidade construída em cima de um monte é enxergada em todo o lugar, é impossível não vê-la. Ninguém acende uma lanterna e a coloca em baixo da cama, ao contrário, deixamos em um lugar onde possa iluminar o ambiente todo, e para isso, nós precisamos estar no mundo e não apenas ficar trancado em quatro paredes (Mateus 5:13-16)

BIBLIOGRAFIA

LEWIS, C. S, O Grande Abismo, Editora Vida, São Paulo, 2006

HORTON, O cristão e a cultura, Orientação bíblica para o crente, Editora Cultura Cristã, São Paulo, 2006

HOFFMANN, Arzemiro, A cidade na missão de Deus, O desafio que a cidade representa para a Bíblia e a missão de Deus, Editora Encontro, Curitiba, 2007

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