Resultados para tag "missao"

4 Artigos

INTRODUÇÃO A MISSIOLOGIA: A MISSÃO NO NOVO TESTAMENTO

A missão no Novo Testamento começa em Cristo, o cumprimento do plano de salvação proposto por Deus. E se você ao longo das escrituras concluir que Cristo veio apenas aos judeus por ele também ser um, não se esqueça da grande comissão, escrita lá em Marcos 16:15:

E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura.

O ide é para todos, não só para os apóstolos, o plano de salvação, como temos visto, não é só para os judeus, desde o começo o plano de Deus era salvar a toda a criatura, como a Bíblia deixa bem claro

Vimos que o plano de salvação começa com Deus separando Abraão, e através dele um povo. Já no Novo Testamento vemos que tudo começa com Deus enviando, não a qualquer um, mas a seu próprio filho, ou uma parte de si. Mas não é só isso, no Novo Testamento também encontramos vários padrões missiológicos e é isso que vamos abordar neste texto, tendo como ênfase nesta primeira parte o fato de que a mensagem veio na hora certa. Gálatas 4:4-5 diz:

“Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos”

O texto de Paulo vai nos dizer que a mensagem veio no tempo certo, na plenitude dos tempos, Champlin explica:

“O sentido dessas palavras, por conseguinte, é “o momento exato”. Quando chegou o “momento exato” para ser inaugurada a grande dispensação e a revelação da graça, Deus enviou seu filho. Foi o tempo determinado pelo Pai” (CHAMPLIN, 2014, 616)

Na hora determinada pelo Pai, Cristo veio e inaugurou um novo período, mas não é só isso, esta plenitude, este tempo certo era realmente o momento exato. E temos certeza disso por conta de três fatores que foram fundamentais para que o evangelho fosse proclamado na época de Jesus

 O primeiro fator foi a própria dominação romana e as suas conhecidas bem construídas estradas. Tendo o seu início no século III A. C. as estrada romanas eram conhecidas por percorrer uma grande extensão de terra. Este emaranhado de estradas alcançou a Europa, Grã-Bretanha, norte da África, Grécia, Oriente Médio, Síria e Palestina. Sendo mais de oitenta mil quilômetros de estradas só na Síria e Palestina, sem contar mais alguns incontáveis quilômetros espalhados por toda a região no qual dominava (CHAMPLIN, 2013, pg. 546). Foi este sistema de estradas que colaborou para que o evangelho chegasse a muitos lugares. Se não fosse pela facilidade de viajar por estas estradas, o evangelho estaria comprometido:

“As estradas que conduziram os pendões romanos até à Palestina, estavam destinadas a ser as vias pelas quais o evangelho foi propagado” (CHAMPLIN, 2013, pg. 546)

 Não foi por coincidência que Jesus veio neste período e sim por saber a hora certa e o momento certo para que o evangelho fosse propagado. Deus usa Roma e sua moderna estrada para que o evangelho fosse mais facilmente propagado e chegasse ao maior número de pessoas.

O segundo fator que foi fundamental para a propagação do evangelho foi o idioma grego. O grego foi incorporado por uma boa parte do mundo da época, foi através dele que a mensagem foi transmitida, sendo que o grego conhecido como koiné, era falado na maioria dos grandes centros daquela época (CHAMPLIN, 2013, pg. 77).

Não quero com isso atribuir méritos vazios a estas culturas e sim deixar claro como Cristo veio em uma época certa, seu plano tinha uma data e fatores que colaboraram para que a palavra fosse levada sem tantas barreiras. Sem esquecermos que naquela época já existia o Velho Testamento em grego chamado de Septuaginta (LXX), fazendo com que muitos povos tivessem contato com o pensamento hebreu.

E o terceiro fator foi a ideia grega de logos, que tem como significado primário de razão, fala ou princípio. Sendo que na filosofia o logos significa poder modelador. João 1:1 usa o termo logos para falar de Jesus, a palavra criadora e eterna que estava com Deus. Vale lembrar que o logos para filosofia não tinha começo e nem fim, funcionando assim como um ótimo exemplo para explicar quem Jesus realmente era. Por isso que quando alguém falava que Cristo era o logos, muitos dos que ouviam já entendiam muito bem o que Jesus era

Com isso concluímos que Jesus veio na hora certa e na data certa. Não foi algo sem planejamento, ao contrário, tudo foi bem pensado para que assim o evangelho fosse pregado, alcançando a muitos, resistindo até os dias de hoje.

A vinda de Cristo não foi aleatória, impensada, feito na emoção, ao contrário, Jesus veio em um momento propício, onde existiam estradas, idioma e uma cultura que facilitava a propagação da mensagem. Foi tudo muito bem pensado, planejado como só um Deus o faria, para que o homem ouvisse e recebesse a mensagem de salvação.

 

BIBLIOGRAFIA

Bíblia Sagrada – Bíblia de Jerusalém; Paulus, São Paulo, 2013

Bíblia Sagrada – Nova Tradução na Linguagem de Hoje; Ed. Soc. Bíblica do Brasil, São Paulo, 2005

CHAMPLIM, Rn. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo, Editora Hagnos, SÃO PAULO, 2014

124 visualizações

INTRODUÇÃO A MISSIOLOGIA: MISSÃO NO VELHO TESTAMENTO

Ao falarmos em missão é inevitável termos que ir lá em Gênesis e discorrer sobre um Deus que criou o homem a sua imagem e semelhança. Ou nos lembrarmos de que este homem criado desobedeceu e com isso ele se perdeu, e por conta do pecado, tem se destruído e se desviado do seu propósito original, que é a adoração, que é viver para obedecer Deus.

Quando não olhamos para Deus, nós nos destruímos, quando Cristo não é o centro de nossa vida, o centro acaba sendo nós mesmos, nossa vontade destrutiva, nossos desejos contaminados. Lutero tinha uma definição excelente para pecador:

“O homem curvado em si mesmo” (STOTT, 2004, Pg. 94)

E é isso o que somos, seres desobedientes, curvados em nós mesmos, olhando apenas as nossas vontades, nossos umbigos e desejos. Gosto da definição de pecado que John Stott dá:

“O pecado é uma afirmação rebelde de mim mesmo contra o amor e a autoridade de Deus e contra o bem-estar do meu próximo” (STOTT, 2004, Pg. 94)

Um dos pontos principais do pecado é a desobediência, é viver uma vida autocentrada, o evangelho vem para mudar este cenário e ensinar o homem a ser gente da maneira certa. E a missão entra com esta função, pregar a mensagem de um Deus que preferiu dar o seu filho para nos salvar ao invés de nos destruir.

O começo de tudo é com Abraão, quando Deus pede para ele sair de sua terra, da terra dos seus familiares e ir para um lugar que Ele iria mostrar (Gênesis 12:1-2). Pois para haver missão, tem que haver um Deus que se revela, um Deus que busca o homem e traz salvação. Sobre Abraão, é bom fazermos algumas observações. A primeira é que as promessas feitas para Abraão era para toda a humanidade:

“As promessas feitas a Abraão (Gn 12.1-3,18.18 e 22.15-18) envolviam toda a humanidade e foram sendo renovados por meio de seu filho Isaque (26.4) e de seu neto Jacó (28.14) (GUSSO, 2011, pg.32)”

Gênesis 12:2-3 é bem claro quando diz que Abraão seria pai de um grande povo, mas diz também que por ele todas as nações da terra seriam abençoadas. Pois Abraão é o começo de tudo, através dele muitos outros conheceriam o evangelho, e de sua descendência o salvador viria redimir e levar a palavra de vida a todos.

O interessante é que Gálatas 3:6-9 fala justamente disso, da justificação pela fé, sendo que Paulo resgata o acontecido em Gênesis para nos ensinar que desde o começo Deus já iria aceitar os não judeus pela fé.

A segunda é que a distância que Abraão percorreu de Harã até Canaã foi de seiscentos quilômetros, isso em um período onde não existia carro, ônibus e as facilidades da vida moderna, sem esquecer que ele ia com seus servos e rebanhos, com isso podemos concluir que o grupo não era pequeno, e o deslocamento não era fácil por conta dos animais (CHAMPLIN, 2013, pg. 18)

Porém Deus não só se revela, mas também salva, e sobre salvação no Velho Testamento, podemos falar um pouco da vida de Moisés, o homem que Deus usou para libertar o povo de Israel do Egito.

Êxodo 3:1-12 diz que enquanto Moisés apascentava o rebanho do seu sogro, Deus apareceu para ele e deus a missão de libertar o povo de Israel da escravidão do Egito.

O curioso é que a história de Moisés é a sombra da história de Cristo, de um Deus que viria para nos salvar. Pois Mateus 2 diz que José e Maria tiveram que fugir para o Egito com Jesus, para que não o matassem em uma carnificina, e foi de lá que o salvador veio, cumprindo assim uma das profecias que haviam feito sobre o salvador (Oséias 11:1, Mateus 2:15).

Poderíamos colocar também muitos outros profetas como os primeiros missionários, mas vale lembrar que o conceito de céu ou de uma vida após a morte veio apenas depois do período dos profetas. É no Novo Testamento que isso fica mais claro e podemos entender o plano de salvação de uma forma mais ampla. Contudo, apesar de sabermos que o plano de salvação começou com Abraão, e que Moisés teve uma missão, assim como muitos outros profetas, não podemos chamar estes de missionários ou pregadores, como conhecemos hoje, pois apesar de haver convertidos entre os judeus daquela época, apenas o judaísmo posterior é que se tornou um pouco mais missionário. Contudo, temos um livro no Velho Testamento que registra a história do que talvez possamos chamar de um dos primeiros missionários, o livro é o de Jonas.

Jonas é um profeta em Israel (2 Reis 14:25), um profeta bem nacionalista diga-se de passagem, que recebeu a missão de pregar para um povo pagão, mas que fica com raiva quando o povo de Nínive se arrepende e Deus desiste de destruir a cidade (Jonas 4:1). Sendo que o livro termina mostrando Jonas indignado com Deus, por não ter destruído a cidade e Deus mostrando para Jonas como ele é misericordioso. No fim é Jonas que tem que aprender sobre a misericórdia de Deus. Este profeta nacionalista não conhecia direito o Deus no qual ele servia, e discordava da misericórdia daquele Deus, ele não aceitava o fato de Deus não ter destruído um inimigo do povo judeu. Uma história realmente curiosa, que mostra um Deus misericordioso que nunca deixou de olhar para outras nações, e um profeta nacionalista, que preferia morrer do que aceitar a misericórdia deste Deus salvador

Com a história de Jonas chegamos duas ótimas conclusões, a primeira é que apesar de Jonas ter fugido, Deus tratou daquele profeta e deu uma segunda chance, usando uma baleia para salvar um profeta desobediente (Jonas 2).  A segunda lição que tiramos é que, apesar de Deus ter usado Jonas para pregar em outra nação, no fim o livro termina com Deus tratando daquele profeta.

Resumindo, a missão começa com Deus querendo salvar a humanidade, o propósito da missão não é divulgar uma placa de igreja, ou ser apenas um movimento de assistencialismo, a missão deve começar tendo como principal propósito a mensagem de salvação. Quando lemos sobre Abraão vemos que Deus tinha um plano, e neste plano estava incluso também os gentios, não só os judeus. Quando lemos sobre Moisés vemos que Deus atende a súplicas e ao sofrimento de seu povo, vemos também que é Deus que envia. Quando lemos sobre Jonas também vemos um Deus que dá uma segunda chance, seja para Jonas ou para o povo pecador de Nínive sendo que o nosso Deus também trata quem ele chamou para trabalhar.

 

BIBLIOGRAFIA

Bíblia Sagrada – Bíblia de Jerusalém; Paulus, São Paulo, 2013

Bíblia Sagrada – Nova Tradução na Linguagem de Hoje; Ed. Soc. Bíblica do Brasil, São Paulo, 2005

CHAMPLIM, Rn. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo, Editora Hagnos, SÃO PAULO, 2014

STOTT, John, Por Que Sou Cristão, Editora Ultimato, Minas Gerais, 2004

GUSSO, Antonio, Renato, Os Livros Históricos, Introdução fundamental e auxílios para a interpretação, Editora Ad Santos, Curitiba, 2011

GUSSO, Antonio, Renato, O Pentateuco, Introdução fundamental e auxílios para a interpretação, Editora Ad Santos, Curitiba, 2011

BRÄUMER, Hansjörg, Gênesis, Comentário Esperança, Editora Esperança, Curitiba, 2016

70 visualizações

INTRODUÇÃO A MISSIOLOGIA: DICAS PARA UMA MISSÃO EFICAZ II

Em um texto passado eu comecei dando algumas dicas para que a missão seja realmente eficaz, o texto que segue é a continuação destas dicas. Porém se você não leu o texto passado, segue o link para a leitura: INTRODUÇÃO A MISSIOLOGIA: DICAS PARA UMA MISSÃO EFICAZ

 

  1. Para que a missão seja eficaz devemos entender o contexto do lugar ou da pessoa.

A fim de que a missão seja efetiva, é fundamental juntamente com os dois outros pontos, entendermos o contexto em que vivemos ou onde vamos evangelizar antes de nos empenharmos na tarefa. Entender o contexto é a diferença de um trabalho que vai dar ou não resultado. Acyr de Gerone Junior no livro Missão que Transforma, divide os problemas humanos em quatro principais pontos:

Miséria moral (discriminação por etnia, raça ou religião)

O racismo em pleno século XXI ainda é enorme, muitos ainda sofrem com isso e alguns ainda sofrem preconceito por terem determinada religião, por serem pobres e os mais diversos motivos. A nossa missão é sermos diferença e o desafio é dialogar com as diversas culturas e costumes sem impor e sem sermos intolerantes ou pedantes

Miséria social (violência, desemprego, menores nas ruas, mendigos)

É visível os problemas sociais, a falta de oportunidade, a miséria. Não que eu compactue com o comunismo e ache que o mundo deva ter uma sociedade linear, sem ricos e pobres, contudo eu também não quero uma sociedade miserável. O nosso desafio é justamente buscar o equilíbrio e ajudar a quem não tem ter muito.

Miséria emocional/intelectual (pessoas desiludidas, doenças psicológicas, depressão, suicídio)

Segundo o ministério da saúde, estima-se que anualmente 800 mil pessoas morrem por suicídio no mundo, sendo que para cada suicida outros 20 já tentaram. Isso que não falamos ainda sobre a ansiedade, o medo que algumas religiões incutem nas pessoas, doenças psicológicas e por aí vai.

A cada avanço científico parece-me que muito mais problemas vêm na bagagem. E o evangelho está aí para fazer diferença, por isso que precisamos da informação e do preparo.

Miséria religiosa (cristãos decepcionados com a religião) (GERONE, 2014, 14)

Nós estamos em um período onde temos que evangelizar os próprios cristãos, pois são tantas mensagens deturpadas que estamos ouvindo por aí. São tantos falsos evangelhos, tantos pastores despreparados que seguem machucando pessoas, plantando mágoas ao invés de vida, que não tem como olhar para a igreja sem ficar preocupado.

Estes são alguns desafios de uma sociedade que precisa de Deus e de restauração espiritual e física. Contudo, não podemos esquecer os povos que vivem em tribos, com pouco ou nenhum contato com a sociedade como a conhecemos ou as chamadas tribos urbanas, que têm os seus costumes, ritos e maneiras de se comportar e de se vestir. É de igual importância entender estes, para que a aproximação seja certeira e a mensagem efetiva, sem esquecer que não existe uma cultura melhor que a outra, existem culturas sendo que nem tudo que é diferente é errado

Precisamos antes conhecer, entender a cultura ou os costumes antes de fazer alguma coisa. Pois no afã de querer fazer a vontade de Deus podemos sem querer destruir pontes onde o evangelho poderia passar. E isso não acontece só em tribos indígenas é em tudo, conhecer é essencial para saber onde se pisa e como se fala.

 

  1. Para que a missão seja eficaz precisamos oferecer a melhor tradução Bíblica.

A fim de que a missão possa acontecer, temos que proporcionar a quem ouve a melhor tradução da mensagem. Com isso, entender o contexto de onde você está, como otimamente falamos no ponto três, é fundamental, aliás note como todos os pontos são interligados

É realmente importante conhecermos as diversas traduções bíblicas, a fim de que possamos orientar a quem pregamos a palavra, para que a linguagem seja mais acessível a esta pessoa.

Conheci muitos que não liam a Bíblia por não entenderem o texto, diante desta realidade, incentivei eles a comprarem traduções Bíblicas com uma linguagem mais atual. Todos estes meus amigos que compraram uma Bíblia nova passaram a ler a Bíblia diariamente.

Eu sempre falo da Bíblia NTLH, que é uma Bíblia com uma tradução dinâmica e linguagem acessível e clara, gosto desta tradução, pois qualquer um conseguirá ler e compreender. Cuidado com o costume de defender uma tradução bíblica, pois na hora de indicar uma Bíblia a um novo convertido, você tem que priorizar em um primeiro momento indicar a Bíblia que mais se encaixa em sua compreensão e em seu contexto. É claro que existem inúmeras outras, mas preze sempre em conhecer todas, para que na hora de indicar uma Bíblia você saiba qual indicar, aliás, tenha sempre mais de uma tradução bíblica, para quando você tiver dúvidas, possa ter outros textos para consultar. Lutero tem uma citação que resume bem isso:

“É preciso perguntar a mãe em casa, às crianças na rua, ao popular na feira, ouvindo como falam, e traduzir do mesmo jeito, então vão entender e notarão que se está falando alemão com eles” (GERONE, 2014, 19)

Pois o foco nunca é defender uma tradução, e sim proporcionar a tradução mais coesa, no qual o leitor entenderá de forma clara e plena a mensagem do evangelho. O mesmo é feito quando vão traduzir a Bíblia para uma tribo indígena, o tradutor, sempre que vai fazer este serviço, procura usar coisas conhecidas a fim de contextualizar a mensagem e fazer com que a mesma seja conhecida.

Não podemos esquecer que até Lutero e a reforma, que combateu vários pontos negativos da igreja Católica, a missa era realizada em latim e de costas para a igreja.  A reforma veio para mudar isso, pois proporcionou aos cristãos uma oportunidade de leitura e entendimento da palavra, já que a Bíblia foi traduzida nas diversas línguas na época, além de trazer  a mudança na forma de pregar a palavra, que proporcionou a todos o entendimento da mensagem que estava sendo pregada. Acyr de Gerone Junior complementa:

“A tradução bíblica, certamente, é fundamental para a missão da igreja. Se quisermos que a palavra de Deus se torne acessível a todas as pessoas, devemos entender que Deus precisa falar à linguagem que essas pessoas falam e entendem” (GERONE, 2014, 20)

Eu curso uma segunda graduação em pedagogia, e é comum falarmos muito de Paulo Freire quando falamos em pedagogia. Pois ele criticou bastante as cartilhas de alfabetização que usavam palavras e imagens que a criança não conhecia, como camelo, uva (dependendo da região do país) e por aí vai.

Meu professor de missão nos contou de um exemplo usado há muito tempo atrás que fala justamente deste conceito, na hora traduzir para uma tribo indígena a passagem de João 6:35: onde Jesus diz que é o pão da vida. Os tradutores optaram por mudar a palavra, pois os índios não sabiam o que era pão, mas sabiam o que era mandioca, pois era o seu alimento principal, tal qual o nosso pão. Com isso eles optaram por traduzir que Jesus era a mandioca da vida, o que não mudou a essência da mensagem e fez com que os índios entendessem melhor a palavra.

 São apenas quatros dicas, contudo são pontos fundamentais para fazer com que a missão seja realmente efetiva e eficaz. Entender que não é só pregar, mas também cuidar do ser humano como um todo ou que a missão é de Deus e não nossa. Aprender a entender o contexto do lugar no qual vamos fazer missão e procurar dar a tradução Bíblica que mais se encaixa na compreensão de quem está ouvindo a palavra é básico para que a missão frutifique.

Não se esqueça de que não estamos lidando com máquinas, quando falamos do ser humano, falamos de um ser complexo, com sua identidade, dificuldades e mazelas. Estar aberto para está realidade já é um passo dado para um trabalho que constrói pontes e não muros, por isso entenda bem estes pontos antes de se prontificar a fazer a missão, seja onde for.

Se não nos prepararmos, além de não sermos ouvidos não teremos o que oferecer a quem queremos alcançar, por não conhecermos quem está do outro lado e por não sabermos falar a sua língua.  

 

BIBLIOGRAFIA

Bíblia Sagrada – Bíblia de Jerusalém; Paulus, São Paulo, 2013

Bíblia Sagrada – Nova Tradução na Linguagem de Hoje; Ed. Soc. Bíblica do Brasil, São Paulo, 2005

Shedd, Russell, Missões Vale a Pena Investir, Shedd Publicações, São Paulo, 2001

GERONE, Acyr de, Missão que transforma, A evangelização integral da Bíblia, Publicações ICD, 2014

https://www.dicio.com.br/missionario/

http://portalarquivos.saude.gov.br/images/pdf/2017/setembro/21/2017-025-Perfil-epidemiologico-das-tentativas-e-obitos-por-suicidio-no-Brasil-e-a-rede-de-aten–ao-a-sa–de.pdf

8 visualizações

INTRODUÇÃO A MISSIOLOGIA: DICAS PARA UMA MISSÃO EFICAZ

Falar de missão é falar da Bíblia como um todo, de Gênesis a Apocalipse, é falar de um Deus que olha para o ser humano e se importa. Falar de missão é falar de um Deus salvador e do homem pecador, é falar da tarefa que nós cristãos temos, o de levar a palavra a todos, John Piper tem uma frase que resume bem o que é:

“Missões existem porque não existe adoração” (SHEDD, 2001, p. 7)

Nós fomos criados por Deus para adorá-lo, contudo por conta do pecado, temos insistido em virar as costas para ele. A missão existe para mostrar ao homem quem ele é, o quão mal e decaído tem sido e o quanto precisa de Deus. Entretanto, antes quero falar do significado de missionário para que tenhamos certeza de que todos nós estamos falando a mesma língua, com isso eu pergunto: O que é um missionário? Segundo o dicionário, missionário é:

“Aquele que se dedica à pregação de sua fé; pregador. Aquele que se dedica a propagar uma ideia” (Dicio)

 Ou seja, missionário não é apenas aquele camarada que viaja para outro país e sim aquele que prega a palavra, que tem uma missão. Eu estou propondo este conceito amplo justamente para termos em mente que todos têm a missão de pregar, no fim todo o cristão é missionário, porém alguns viajam para outros países ou cidades e outros cristãos não. Então você pode ser um missionário no seu trabalho, pode trabalhar com alguma tribo urbana específica que é pouco alcançada, pode ser um missionário em seu bairro ou família e também até ser um missionário em outro país. Não se esqueça de que da porta da igreja para fora já estamos em um campo missionário e onde você estiver estará sendo uma ferramenta nas mãos de Deus. Cristo nos deu uma missão lá em Mateus 16:15: “Ide por todo o mundo…” Sendo que as ênfases no texto são “ir e pregar”, não importando onde. Contudo, temos que antes nos lembrar de algumas coisas importantes quando falamos de missão.

  1. A missão começa com a pregação e com o cuidado

 Quando olhamos para a Bíblia, vamos ver que a missão, o ide, é muito mais que ganhar almas, como normalmente ouvimos, afinal o lado espiritual é só um lado da moeda, de um ser que sofre com problemas sociais, faltas e necessidades:

“Ganhar almas é bom, não tenha dúvidas, mas parece-nos que a Bíblia apresenta uma forma de redenção do ser humano que vai muito além. Deus, através da Bíblia, enxerga no ser humano um ser completo, íntegro, holístico, e não somente a sua alma ou sua vida espiritual” (GERONE, 2014, 9).

Para que a missão seja eficaz, temos que nos lembrar de uma mensagem de salvação, não podemos deixar de pontuar o quanto o ser humano é pecador e do quanto ele precisa de Deus, mas sem esquecer que este tem as suas mazelas, dificuldades e sofrimentos, que uma sociedade formada por inúmeros seres pecadores e falhos têm. Holístico significa totalidade, é considerar o todo do ser humano (GERONE, 2014, 9). A salvação é um movimento completo, que traz esperança ao homem por completo e restaura a sua vida física, emocional e material.

Quando lemos sobre Cristo nos evangelhos nós vemos justamente isso, um Deus que se preocupava com o presente e o futuro. Com as doenças que afligia quem o buscava, mas também com a salvação deste doente. 

Jesus nos contou a parábola do bom samaritano (Lucas 10:33), o texto não diz que quando o samaritano viu o homem moribundo, ele lhe deu um folhetinho dizendo Jesus te ama, foi muito mais que isso, o samaritano cuidou do homem. Na multiplicação dos pães vemos Cristo se preocupando com quem estava lá ouvindo a mensagem (Marcos 6:34), e ele não deixou de alimentar aquela multidão, mesmo que os seus discípulos insistissem em querer mandar estes embora para que se alimentassem em casa. Enfim, são muitos os exemplos que vemos de Jesus pregando, curando, matando a fome e restaurando o homem por completo:

“A obra de evangelização não pode ser reduzida a uma simples proclamação verbal (comunicação oral) sobre Jesus, mas compreende uma ação integral: proclamação e atuação, pregação e prática, denúncia e ação transformadora. O evangelho alcança o ser humano não só pelo que se diz, mas também pelo que se faz” (GERONE, 2014, p. 36)

Estas são as pessoas que precisam ser alcançadas por inteiro, a salvação deve ser completa e não pela metade, e a missão deve vir com este viés, mas ainda não é só isso, existe um segundo ponto que está interligado com este.

  1. A missão não é nossa e sim de Deus.

É Deus quem quer salvar, é Deus que ama e doa o seu filho. A “Missio Dei”, ou seja, a Missão de Deus no Mundo deve começar Nele, pois é dele e nós somos apenas cooperadores:

“A Missio Dei se caracteriza, então, pelo fato de ser uma missão que começa e termina em Deus e por Deus. A missão para a igreja está baseada na cooperação com o que Deus está realizando, por sua graça, neste mundo. Assim sendo, a igreja que está em missão, não poderá realiza-la sem perceber o mundo com todas as suas necessidades, se não for com os olhos de Deus” (GERONE, 2014, 13)

A missão se inicia com Deus doando o seu filho, em nome de salvar a humanidade, nós somos apenas participantes deste movimento, sendo que para sermos boas ferramentas nas mãos D’ele, temos que conhecer a sua palavra para poder enxergar o mundo com seus olhos

Cuidar e evangelizar, dar esperança para uma vida melhor aqui na terra e também para uma vida futura. Olhar o homem como um todo e não somente como alguém que precisa do evangelho, este é um dos desafios da missão. Afinal, o pecado tem destruído o homem por completo, físico e espiritual, com isso a restauração deve ser completa. Sem esquecer-nos do principal, a missão é de Deus, é a partir dele que tudo deve começar, é com os olhos dele que devemos fazer a sua vontade.

 

 

BIBLIOGRAFIA

Bíblia Sagrada – Bíblia de Jerusalém; Paulus, São Paulo, 2013

Bíblia Sagrada – Nova Tradução na Linguagem de Hoje; Ed. Soc. Bíblica do Brasil, São Paulo, 2005

Shedd, Russell, Missões Vale a Pena Investir, Shedd Publicações, São Paulo, 2001

GERONE, Acyr de, Missão que transforma, A evangelização integral da Bíblia, Publicações ICD, 2014

https://www.dicio.com.br/missionario

7 visualizações