NO PRINCÍPIO

No princípio criou Deus o céu e a terra. (Gn 1:1)

São muitas as teorias de como surgiu o universo, alguns vão falar que tudo surgiu do acaso, uma coincidência cósmica. Outros falarão que Deus criou tudo através de seu grande poder. E muitos vão afirmar que não existe este negócio de Deus, devemos confiar apenas na ciência e que religião é coisa de alienados sem cultura.

O curioso é que nenhum destes provou que Ele não existe. Você pode falar que não acredita em Deus, nem na Bíblia, e só crê em provas palpáveis, mas ninguém pode provar que ele não existe, acho isso profundo.

Mas o que mais me faz pensar são estas primeiras palavras da Bíblia:

 “No princípio”

Procuramos entender tanta coisa, estudamos criamos teorias, o homem já achou curas para tantos males, mas até agora não conseguiu explicar este princípio de tudo.

Este “No principio” revela muita coisa.

A primeira é que não somos nada, pois no princípio, no começo de tudo, não éramos nada. Mas mesmo não sendo nada não poupamos esforços para tentar mostrar como somos superiores uns aos outros.

Há uns anos atrás, um desembargador humilhou um garçom porque ele não teria servido a sua bebida direito. Ele falava: sabe com quem esta falando? Eu sou desembargador me respeite, como se o garçom não merecesse respeito por ser um garçom. O pior é que esta síndrome de arrogância afeta também algumas nações. Países se sentem no direito de consumir mais do que necessitam, de mandar lixo para lugares que eles consideram aterro sanitário, afinal, eles são importantes e os outros que se ferrem.

O homem não perde o costume de se achar o maioral, se mostrar como um gigante único, dono de todo o poder. Mas não somos nada, basta um vento forte, um tremor de terra ou apenas a falta de trabalho, que tudo desmorona. Isso sem contar que vivemos em um minúsculo planeta, em meio a uma galáxia entre duzentos bilhões de galáxias aproximadamente só nós que não percebemos o tamanho da nossa insignificância

Mas este “No princípio” revela outra coisa.

Que Deus era é e sempre foi, e se você não entende como Ele nunca passou a existir, que sempre existiu e é eterno, seja bem-vindo ao mundo da limitação. Bem-vindo ao universo do ser humano, frágil e insignificante. Pois é isto que releva este “no principio”: Deus é grande e é impossível de ser compreendido.

Gosto do livro Confissões de Santo Agostinho e neste livro, o autor tem um capítulo genial para este curioso assunto que é a eternidade, destaco a parte mais relevante:

“Na eternidade, ao contrário, nada passa, tudo é presente, ao passo que o tempo nunca é todo presente. Esse tal verá que o passado é impelido pelo futuro e que todo o futuro está precedido de um passado, e todo o passado e futuro são criados e dinamam d’Aquele que sempre é presente”.

 Deus vive no eterno agora, enquanto nós estamos presos nesta temporalidade, resumidos há anos ou meses, somos pequenos perto de nosso criador que sempre foi e sempre será.

A Bíblia também nos da um exemplo de como somos pequenos e como Deus é grande. Ela fala que Deus descansa os seus pés na terra (Isaías 66:1). Profundo não é?

O livro de Gênesis fala que fomos feitos do pó, somos um nada de tão pequenos. Isso sem contar que somos seres dependentes, mesmo que não confessemos isso. Seja de Deus ou do funcionário que neste momento está trabalhando para que a luz chegue a sua casa. Ou do motorista de ônibus, do frentista do posto de gasolina e por ai vai

Nós somos dependentes uns dos outros, e achar que somos melhores ou maiores que o próximo é no mínimo inocente, é uma pretensão tremenda. Se não fosse aquele garçom servir o desembargador arrogante, aquele homem teria que levantar ir buscar o seu alimento, e isso o cara não pensa

Quando leio Gênesis, não apenas tento entender como tudo se formou, como Deus agiu, ou se alguma teoria científica realmente se encaixa nestes relatos, conforme alguns adeptos ao design inteligente afirmam. No momento que eu leio estas primeiras frases da palavra eu percebo como sou pequeno e dependente do Pai e como é a minha obrigação servir ou no mínimo ser humilde para com o próximo. Já que este Deus, que sempre existiu, veio a este mundo morrer por nós e nos salvar.

Se ele serviu, eu no mínimo tenho que servir, e se ele foi humilde, o mínimo que devo ser é humilde, já que ele é Deus e eu sou um ser dependente, pequeno e insignificante

 

BIBLIOGRAFIA

AGOSTINHO, Santo, Confissões, Editora Nova Cultural, São Paulo, 2004

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