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SOBRE ALGUMAS INJUSTIÇAS

Sou músico a mais ou menos vinte anos, neste meio tempo tive que ralar, ainda mais quando resolvi tocar um estilo musical que exigia bastante de um músico. Tive que gastar tempo, ensaiar, me dedicar muito para conseguir aprender e crescer. Neste meio tempo ainda tive que aprender a tocar guitarra a fim de compor as minhas próprias músicas, já que o baterista depende de outra pessoa para compor e eu não queria ser um destes. Foi depois de uma jornada musical longa, de muitas batalhas e horas gastas que entendi que alguns de nossos elogios são injustos.

A primeira injustiça é olhar para alguém que tem uma habilidade e dizer que ele tem um dom. Isso não é um elogio, principalmente quando este alguém estudou muito ou praticou bastante para possuir certa habilidade. Não que eu acredite que Deus não dá um dom para uma pessoa, e sim que mesmo Deus dando, a prática e o estudo são importante em quase todos os casos, para não dizer em todos.

É uma minoria quase nula de pessoas que começaram fazendo algo naturalmente, por uma facilidade natural, quase todos tiveram que estudar muito para chegar em certos níveis. Gênios existem, mas são poucos, poucos mesmos, a maioria teve que ralar para chegar conseguir certas habilidades.

O denominador que resume toda a questão é o quanto você gosta deste algo, quando gostamos corremos atrás, estudamos, nos aperfeiçoamos e ficamos bons. Penso que não existem gênios, a maioria é apenas alguém que se dedica muito ao que gosta.

A segunda injustiça é definir uma pessoa de sucesso como famosa. Nem todas as pessoas de sucesso são famosas, e ainda eu vou mais longe. Nem todas são ricas, famosas e estão em destaque. Existem inúmeros professores de sucesso que optaram em viver a vida no anonimato, ensinando e fazendo a diferença. Definir sucesso já é um desafio, pois depende de cada um, de onde a pessoa quer chegar. Sendo que o sucesso não é ser famoso, e muito menos conhecido, e sim, é ser alguém que conseguiu chegar onde queria chegar.

Tive banda por muitos anos, gravamos dois CDs e tocamos em inúmeras partes do Brasil. Ficamos conhecidos em uma cena fechada, dentro e fora do país, sendo que nós conseguimos fazer muito para um grupo que veio do anonimato e no qual não tinha condições financeiras alguma. Foi uma vitória gravar os CDs, tocar com bandas famosas, algumas nacionais e outras internacionais e viajar por muitos lugares deste nosso Brasil. Fomos uma banda de sucesso, mas não ficamos famosos.

O tempo tem me ensinado como é injusto algumas de nossas opiniões, como às vezes ofendemos sem querer, achando que estamos elogiando. No âmago de elogiar, ofendemos e diminuímos todo o esforço que aquela pessoa teve para chegar aonde chegou. Por isso, antes de elogiar alguém, conheça a sua história.

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PSEUDOS INTELECTUAIS

Quando eu assistia televisão, gostava de um personagem da Praça é Nossa que se chamava João Plenário. O personagem era um político corrupto, que gostava de enganar os outros em nome de ganhar dinheiro, um retrato claro e preciso da política brasileira. O curioso do personagem é que ele falava de uma forma que ninguém entendia, com trejeitos de um homem inteligente, mas que no fundo não falava nada.

Isso é comum no meio acadêmico, muitos ficam impressionados com professores ou escritores que falam coisas incompreensíveis, como se um sábio fosse alguém que falasse coisas difíceis, o próprio significado da palavra já nos mostra que não. Um erudito, segundo o dicionário é:

“Aquele que tem um excesso de cultura e de conhecimento, geralmente conseguidos através da leitura” (Dicio)

Um erudito não é alguém que fala palavras difíceis, e sim uma pessoa que estuda e tem muito conhecimento e acima de tudo, sabe comunicá-lo.

Eu desconfio de quem fala difícil, quem não tem a capacidade de se adequar a plateia que o assiste. Um sábio transita pelos vários estilos de público e sabe se comunicar de forma adequada. Roger Scruton fala muito destes pseudo intelectuais, que falam difícil a fim de passar uma imagem de sábio, mas que no fundo, não falam nada.

“Sua própria incompreensibilidade era uma garantia de sua relevância. Somente alguém que tivesse “compreendido todas as pretensões” poderia escrever assim” (SCRUTON, 2015, 165)

Em seu livro, Scruton cita como exemplo o escritor Louis Althusser e um livro de sua autoria que todos entendiam apenas o título, o exemplo que o autor dá, através de uma citação é hilária, pois realmente o autor não falava nada com nada. É claro que eu não estou falando de autores, principalmente os clássicos, que possuem linguagem rebuscada e de difícil compreensão. Mas de escritores que são tidos como intelectuais, mas que no fundo não são nada. Na internet existe um site chamado gerador de lero lero, que possuí frases sem coerência, vazias e sem sentido, que imitam conteúdos intelectuais, o site serve como um ótimo exemplo do que eu quero dizer.

Penso que na ignorância muitos têm como referência pessoas que não possuem o mínimo de conteúdo, que passam uma falsa imagem de intelectual, mas que no fundo nem eles sabem o que estão falando. É por isso que eu falo muito da importância da leitura, do estudo e do conhecimento, para que não caiamos na armadilha de quem só tem lero lero como fundamento.

Não basta falar difícil, tem que saber comunicar. Não importa muito você conhecer todas as palavras complexas, se você não tem conteúdo e não sabe passar o conteúdo da maneira adequada, ou pior, se não sabe identificar quem está falando bobagens dos que têm fundamentos.  

BIBLIOGRAFIA

SCRUTON, Roger, As vantagens do pessimismo e o perigo da falsa esperança, Editora É Realizações, São Paulo, 2015

https://www.dicio.com.br/erudito/
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PÉS QUE CORREM PARA O MAL- PT5

pés que se apressam para fazer o mal.. (Provérbios 6:18)

 Nunca mais me esqueci de um desenho chamado “Corrida Maluca”. Passei a minha infância assistindo tal animação.

O desenho, como o título já evidencia, se trata de uma corrida de carros, com muitos personagens curiosos e carros malucos, dos mais caricatos. Só que entre os corredores, havia um personagem chamado “Dick Vigarista”, que insistia em trapacear em toda a corrida, porém no fim ele só se dava mal.

Muitos são assim, tal qual este personagem, não hesitam em correr para o mal, cultivam em sua vida apenas maldades. Eu gosto de como Eugene H. Peterson traduz este versículo:

“Pés que correm pela trilha da impiedade”

São estes impiedosos que correm para a maldade, que passam por cima de todos e propagam a injustiça a qualquer custo.

Mais uma vez eu não consigo deixar de citar a política brasileira, com sua corrupção, roubando uma nação inteira, e jogando a conta de todo o roubo no bolso dos desafortunados.

Estes que se mostram cordeiros na hora da eleição e depois de eleitos viram lobos devoradores, são os atletas da impiedade. Que não demoram a correr para o mal, vivendo só no egoísmo, destilando injustiça e impiedade por onde passam. Salmos 34:15,16 diz:

“Os olhos do Senhor voltam-se para os justos e os seus ouvidos estão atentos ao seu grito de socorro;

o rosto do Senhor volta-se contra os que praticam o mal, para apagar da terra a memória deles”

Deus protege os seus, ele cuida e atende seus gritos de socorro, e os injustos e impiedosos, lamento informar-lhes, um dia terão que prestar contas com o Grande Senhor. Aí, diante d’Ele, nenhuma desculpa funcionará muito menos justificativas.

Quem planta o mal, colhe o mal e o pior, prestará conta um dia ao Deus da glória, por isso preste bem atenção em suas prioridades, em qual direção você tem buscado correr, pois esta é uma das coisas no qual Deu abomina.

 

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SOMOS TODOS INCOMPETENTES

Gosto muito de ver alguém que entende do assunto falar, gente que gastou tempo estudando e pesquisando, professores que dedicaram horas lendo e se aprofundando antes de dar uma aula. Gente que realmente sabe alegra o meu coração, me incentiva a estudar e ser ainda melhor no que faço.

A boa notícia é que o conhecimento é inesgotável, se você tem o hábito de estudar e ler, nunca terá uma vida monótona, pois sempre terá a possibilidade de se deparar com o novo, com o aprendizado, com o crescimento pessoal.

Para quem tem consciência e é humilde, o simples fato de que “ninguém sabe de tudo” já serve como um bálsamo, um impulso para que nunca deixemos de aprender e a crescer, pois afinal uma das poucas verdades que devemos nos lembrar é a de que “Somos todos incompetentes”. Não sabemos de tudo, é impossível você ser especialista em todas as áreas, sendo que com certeza, quem diz que sabe de tudo, no fundo, não sabe de nada, ele só não sabe disso

É totalmente inconcebível você saber de tudo, foge da lógica simples, da coerência e da racionalidade, existe muita informação para que você seja a pessoa mais informada. E se no fim, a fim de tentar saber de tudo, você tentar se dedicar em um pouquinho de cada coisa, no final, você não terá profundidade em nada.

Se dedique a algumas áreas, gaste tempo para se especializar cada vez mais, pois é melhor alguém ser ótimo em algumas poucas coisas, do que ser “bom” em um monte de coisas, onde no final, não vai ter profundidade em nada.

Tento cultivar todos os dias um coração humilde, tento ter consciência da minha ignorância, sendo que por cultivar tal atitude já prendi muito e a cada dia aprendo mais. Já recebi ótimos conselhos de quem não tinha o primeiro grau completo, mas aprendeu a duras penas, apanhando da vida. Assim como também de muitos que tinham formação e até estudado no exterior. Já me deparei com ignorantes com mestrado e doutorado, e verdadeiros sábios que mal sabiam escrever, pois, quem está aberto ao conhecimento aprende, enxerga a oportunidade de crescimento e sabe que todos sabem um pouco.

O conhecimento é inesgotável (penso que a burrice também), por isso, não caio na armadilha de achar que eu sei de tudo. Aprendo a me aprofundar e tenho o costume de questionar o que eu sei, pois às vezes podemos estar equivocados e nos fechar para o conhecimento.

Todos são incompetentes em uma área e quem sabe disso é humilde e cresce dia a dia. A grande maravilha de vida é que quanto mais você reparte, mais você aprende. Viver é uma troca, cada um dá um pouco de si e no final todos saem ganhando.

 

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PAIS E FILHOS

O filho pródigo é uma das parábolas mais conhecidas da Bíblia, sendo que Cristo contou para exemplificar o amor de Deus por nós, pecadores e desobedientes, a passagem é uma das mais lindas e profundas.

Não é tão difícil falar sobre esta passagem, com uma boa estudada, conseguiremos pinçar do texto ensinos e lições para aplicar em uma pregação ou devocional. Para quem lê, é legal ver o filho quebrando a cara e depois reconhecendo que errou. É fácil ler, falar e fazer aplicações práticas, afinal, todos já foram filhos, não é impossível se colocar no lugar. O desafio da parábola é se colocar no lugar do pai, pois só um pai sabe como dói ver o filho desobedecer, desrespeitar o seu papel de responsável, ou não dar a mínima atenção para o que ele está dizendo. Filhos sempre acham que sabem de tudo, que estão certos e que são os melhores, principalmente quando estes são adolescentes.

Eu não sou pai, e provavelmente nunca serei, mas é quando ficamos mais velhos que entendemos a importância e a injustiça que a palavra pai guarda. E quando eu falo pai, não estou falando do homem, mas no significado estrito que a palavra tem que segundo o dicionário significa: Aquele que cria e educa os filhos, sendo aplicada também a mãe é evidente.

O desafio da parábola é se colocar no lugar do pai, pois só um pai sabe como dói ver um filho desobedecer e desrespeitar o seu papel. A parábola mostra como o filho sofreu, mas não mostra as preocupações do pai quando este estava perdido no mundo, o quanto se desgastou, deixou de dormir e sofreu por este desobediente. Para piorar, depois que o filho se arrepende, pede perdão e volta ao lar, o pai tem que lidar com um outro filho, que não concorda com a festa de comemoração pela volta de seu irmão. No fim é o pai que novamente tem que mediar o caso e com certeza ter que ouvir coisas que ele não merecia estar ouvindo.

Por fim, concluímos que os dois irmão são parecidos, e este pai é um verdadeiro herói, aliás, este pai existe, pois a parábola é uma metáfora para falar de Deus e nós, os filhos pecadores e desobedientes.

Quando somos novos não percebemos o quanto nossas atitudes e posicionamentos ferem os outros quando colocamos de forma desrespeitosa. Vivemos como bem queremos, sem enxergar as lágrimas e preocupações de quem cuida de nós. Porém quando amadurecemos, paramos para prestar atenção nisso e constatamos o quanto fomos infantis. Na parábola, o pai do filho pródigo é Deus, na vida real os pais são os heróis, que a troco de nada, cuida e se preocupa com os seus filhos, mesmo que estes sejam desobedientes.

Não estou querendo afirmar que pais não erram e que tudo o que eles falam temos que acatar de forma cega, sem reflexão. E sim, quero deixar claro que nem sempre os ouvimos, muitas vezes desobedecemos e não respeitamos o seu papel. A banda Legião Urbana tem uma letra chamada Pais e Filhos que resume bem e de maneira sábia as nossas incongruências como filhos:

Você culpa seus pais por tudo, isso é absurdo

São crianças como você

O que você vai ser

Quando você crescer

Percebi de forma profunda a sabedoria destes últimos versos apenas depois de uma idade. Pois tal qual o filho pródigo segui o meu caminho magoando muitos, sem em  momento algum olhar para traz. Segui culpando a todos, sem assumir o compromisso pelos meus erros. Falei inúmeras vezes da geração ultrapassada dos meus pais, e agora, depois de certa idade, estou nas mesmas condições, pois mais algumas gerações vieram, e o ultrapassado sou eu.

Cuidado com o que você fala, pois o tempo nos lembra das palavras. Tente dia a dia valorizar quem cuida de você e ao discordar, e por favor faça isso, relaxe, não é errado, lembre-se de fazer com respeito.

Valorize quem já viveu um pouco mais do que você, ouça seus conselhos e procure uma coerência. Por mais que nem sempre eles estejam certos, entenda que a preocupação é legítima, respeite e valorize isso.  E o principal, assuma seus erros, não perca tempo culpando os outros, e não desdenhe da geração passada, pois com o tempo, a geração passada será a sua.

 

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IMITADORES

“Sede meus imitadores, como também eu o sou de Cristo” (1Coríntios 11:1)

Muitos admiram Paulo pela ousadia em proferir tais palavras. Para alguns, falar para alguém que nos imite é loucura, por sermos falhos, fracos e pecadores, quem dirá imitar a Cristo. A pergunta que fica no ar é: Se você não imita Cristo, quem você imita?

É comum ficarmos com medo desta premissa, ainda mais quando não temos certeza de nossas convicções.

“O convite de Paulo vai além das convicções e experiências. A fé, para Paulo, não se limita às profundas e sólidas convicções que ele possui, nem repousa nas inúmeras experiências vividas por ele, mas em seu desejo sincero de ser conformado à imagem de Cristo” (BARBOSA, 2014, p. 59)

O que não entendemos muitas vezes é que Paulo não está falando que é perfeito, muito menos afirma ser melhor do que os outros. São muitos os textos onde ele fala que é falho, o pior dos pecadores, Paulo sabia quem era. A conclusão que o apóstolo quer dar com está frase é deixar claro qual seria o seu alvo, qual era o seu referencial.

“Paulo sabia que a vida cristã é dinâmica. Ou andamos em direção a Cristo, ou andaremos na direção oposta a ele. Não temos escolha. Ou imitamos a Cristo ou imitaremos outra coisa, não temos como fugir disso. Ou adoramos a Cristo, ou iremos adorar outros ídolos. O problema é que, Quando digo para não me imitarem, para não olharem para mim, estou também dizendo que a minha vida não reflete a humanidade gloriosa e verdadeira de Cristo, que não é a sua humildade e mansidão que eu mais desejo refletir, que não é ele que eu sigo em obediência e amor” (BARBOSA, 2014, p. 96, 97)

A Pergunta é simples, quem você imita? Qual é o seu referencial? Você ama como Cristo mandou amar? Você perdoa como Ele mandou perdoar? É isso que trata o texto. Não somos perfeitos, temos inúmeros erros e problemas em nossa vida, porém ou caminhamos em direção a Cristo, ou o nosso alvo é outro. Eu gosto de como Eugene H. Peterson parafraseia esta passagem:

“Fico feliz por saber que vocês continuam a se lembrar de mim e a me honrar, guardando as tradições da fé que ensinei. Toda autoridade verdadeira vem de Cristo” (2013, 1627)

Somos imitadores de Cristo, é a Ele que seguimos e devemos ter como alvo, sendo assim, ou imitamos a Ele ou a nossa vida é falsa e contraditória.

 

BIBLIOGRAFIA

Bíblia Sagrada – Bíblia de Jerusalém; Paulus, São Paulo, 2013

PETERSON, Eugene H, A Mensagem, Bíblia em linguagem contemporânea, Editora Vida, São Paulo, 2012

BARBOSA, Ricardo, Identidade Pedida, Editora Encontro, Curitiba, 2014

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PLANOS PERVERSOS – PT4

…coração que traça planos perversos…(Provérbios 6:18)

 

Eu não consigo ler esta passagem sem fazer de imediato uma associação com a política brasileira. É tanta corrupção, roubalheira e injustiça, onde no final ninguém é condenado, que é difícil não fazer comparações.

O coração que maquina o mal não é só das pessoas que são usadas pelo inimigo, uma pessoa mal intencionada ou um corrupto. Mas também dos egoístas que só pensam em si, e não demoram em passar por cima de outros para conseguir o que se quer. O que me faz lembrar da história de Absalão (o filho de Davi), escrita lá em 2Samuel 15.

Absalão tentou tomar o trono de seu pai Davi, e para isso, usou de um plano engenhoso para conquistar a graça do povo e fazer com que eles ficassem contra Davi. Foi um plano perverso, que fez Davi sair em fuga, no desespero, mas que porém chegou ao fim, pois Deus estava com Davi.

Há muitos anos atrás trabalhei para uma pessoa, que era inclusive pastor, mas levei calote. E o pior, além de não me pagar, espalhou para a igreja que eu nunca havia trabalhado para ele e além de eu ficar no prejuízo, ainda passei por mentiroso.

Por conta deste calote enfrentei poucas e boas, passei uma dificuldade daquelas, mas no fim, tudo deu certo. Eu nunca mais soube deste homem, o que aconteceu e como vai o seu ministério, mas sempre confiei na justiça de Deus, mesmo parecendo que às vezes os injustos saem ilesos.

Esta é a quarta coisa que Deus detesta, um coração que maquina planos malvados. Que se apressa em fazer o mal ao invés de propagar o bem. O fim para estes é garantido, o juízo de Deus não demora em se fazer presente, tal qual aconteceu com Absalão. Que quis trair o próprio pai, mas se esqueceu que este pai servia um Deus poderoso.

Nós servimos a este Deus que abomina injustiça, por isso que ao invés de buscar vingança, devemos colocar tudo na mão de Deus e deixar que ele cuide de tudo conforme a sua santa justiça.

 

 

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CULPADO

Algumas igrejas insistem em ensinar que a culpa do alcoolismo é de um demônio, que alguns são pobres por que o devorador está acabando com suas riquezas. Que o marido traiu a mulher por causa da pombagira. Eu sei que o inimigo tenta nos derrubar, a Bíblia diz que ele está ao derredor, rugindo como um leão (1 Pedro 5:8). Contudo eu também sei que nem tudo é culpa dele.

É muito mais fácil culpar uma entidade, do que assumir a culpa por seus erros. É bem mais simples arranjar um bode expiatório, do que confessar que você não sabe administrar seu salário, ou que é um gastador compulsivo. Assumir nossos erros não é tão simples assim eu sei, afinal, e a nossa reputação como fica?

Tiago 1:14 diz que somos tentados por nosso próprio pendor para o mal, por nossa própria cobiça. Eugene H. Peterson parafraseia de forma genial esta passagem:

“Ceder à tentação é decisão nossa. Culpar Deus é malandragem! A tentação nasce dos impulsos incontroláveis dentro de nós” (PETERSON, 2012, p. 1727)

Quando você peca é culpa sua amigo, não atribua ao diabo algo que você está fazendo. É importante aprendermos a assumir a nossa culpa, para depois mudarmos. Eu sempre digo e volto a repetir, só mudamos quando assumimos nossos erros.

“A fé traz ao crente um novo sentido de responsabilidade. É comum para o ser humano culpar Deus ou Satanás por seus próprios pecados (“o diabo me conduziu a fazer isso”; para muitos isso vai além de uma mera expressão)” (RICHARDS, 2013,p. 1189)

Ser cristão é assumirmos quem somos e buscar mudança. Ser cristão é olhar para cruz, tendo consciência que sem Cristo, estaríamos consumidos em nossos pecados, e não ficarmos arranjando desculpas para nossos erros. Culpar a outros é fácil, Adão culpou a Eva por um erro que ele cometeu e parece que desde lá, tentamos usar a mesma técnica.

Aprenda a assumir seus erros, entenda as suas falhas e busque mudança. Ninguém é perfeito, isso todo mundo sabe, porém só muda quem confessa suas imperfeições, esse sim caminha em direção da mudança.

 

 

BIBLIOGRAFIA

Bíblia Sagrada – Bíblia de Jerusalém; Paulus, São Paulo, 2013

PETERSON, Eugene H, A Mensagem, Bíblia em linguagem contemporânea, Editora Vida, São Paulo, 2012

RICHARDS, Lawrence, Comentário Bíblico do Professor, Um Guia Didático Completo Para Ajudar no Ensino das Escrituras Sagradas do Gênesis ao Apocalipse, Editora Vida Acadêmica, São Paulo, 2013

 

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O SUTIL ERRO DE PROCRASTINAR

Por anos fui um procrastinador, deixava  para fazer tudo em cima da hora e perdia muitas boas oportunidades por conta deste defeito.

Na faculdade procrastinar é um problema muito sério, pois se deixarmos acumular trabalhos acabamos por não conseguir fazer nenhum ou fazemos de forma apressada e relaxada. Em outras áreas a procrastinação faz com que façamos as  coisas com desleixo e displicência

O problema é que a arte de procrastinar é sutil, muitas vezes surge de uma forma inocente, mas acaba por destruir as oportunidades e responsabilidades. Sendo que o procrastinador é quase sempre conhecido como o relaxado, o mediano ou o cara que acaba nunca terminando as coisas.

Aprendi ao longo da minha vida a não procrastinar, desenvolvi com o tempo algumas práticas para evitar a procrastinação, o que se segue são algumas dicas, de quem sofreu muito com isso, mas que conseguiu vencer tal mal  

A primeira dica é se organize: A organização é o princípio de tudo, quando aprendemos a nos organizar descobrimos que temos mais tempo do que imaginamos, que podemos fazer as coisas melhores e que a tarefa não é tão difícil assim.

Na faculdade, onde eu tinha que ler e escrever muito,  adquiri o hábito de pegar os livros que eram leitura obrigatória já nos primeiros dias de aula. Eu lia todos os livros e fazia os trabalhos já no primeiro mês do semestre.  No primeiro ano da faculdade eu não fui tão bem por não ser assim, mas depois aprendi a lição e nunca mais deixei para fazer os trabalhos e leituras em cima da hora.

A segunda é comece: Pode parecer um pouco óbvio e simplista esta dica, mas não é. Aprender a separar um tempo e fazer as atividades sem depender de vontade, inspiração ou momento certo é o principio para desenvolvermos hábito de estudar e produzir. Eu sei que muitas vezes precisamos estar inspirados para escrever, mas eu também sei que ao começar algo, mesmo sem inspiração ou vontade, acabamos por termos ideias e desenvolvermos a tarefa, que antes achávamos que não estávamos inspirados. Gosto de uma frase de Aristóteles que resume bem isso:

“O hábito, meu amigo, é tão somente uma longa prática. Que por fim faz-se natureza” (Aristóteles, p. 155)

Então separe um tempo e pare nesta hora para realizar a tarefa independente se você está com vontade ou não, começar é tudo, praticar é o caminho do hábito.

A terceira é faça metas. É normal darmos prioridades para coisas mais imediatas, e colocarmos o que consideramos com mais tempo, de lado. Com isso não percebemos que o tempo vai passando e com isso terminamos por atrasarmos nossos compromissos. Por isso que metas, datas, prazos são importantes para que não caiamos na procrastinação. Lembre-se que quanto mais adiantado você fazer seus trabalhos, mais tempo para corrigir, melhorar e aperfeiçoar, você terá, por isso faça metas, tente calcular quanto tempo você vai gastar realizando suas tarefas e faça um cronograma para conseguir terminar seus trabalhos em dia.

Procrastinar é um mal, é dar prioridade para coisas passageiras e com prazeres imediatos. O prazer imediato é sempre o melhor, quem não gosta de se desligar assistindo uma série, conversando com amigos nas redes sociais, ou vendo vídeos? Isso é bom, eu sei, mas buscar o equilíbrio é o segredo para que consigamos nos dedicar as coisas que não dão alegrias imediatas, mas que são necessárias e nos farão bem em um longo prazo. Isso serve para o estudo, dieta e exercício.

Nem todos os nossos planos dão retorno no momento, mas eu sei que tudo o que vale a pena, não nos traz alegrias imediatas. Fazer uma faculdade, estudar, ou investir em nosso futuro não traz prazer imediato, leva tempo e dedicação. Mas com certeza traz uma alegria em um futuro próximo, pode ter certeza, sendo quase sempre peça indispensável para construirmos nossos sonhos ou vermos nossos projetos ganhando a luz do dia.

 

 

BIBLIOGRAFIA

ARISTÓTELES, Ética a Nicômaco, Editora Martin Claret, São Paulo, 2000

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POLÍTICA OU POLITICAGEM

Em tempos de eleição é sempre a mesma coisa, políticos aparecem, promessas vêm à tona e a velha ladainha é entoada. O que me angustia é que não há nada de novo debaixo do céu, qualquer pesquisada mequetrefe é o bastante para vermos que o tom da política nunca mudou, pois os velhos golpes ainda surtem efeitos, e o povo continua sendo feito de idiota como sempre.

Eu nunca sei se me envergonho ou se sinto raiva, pois os mesmos continuam chegando ao poder, a falta de profundidade continua sendo os erros desta nossa sociedade, sendo que em pleno século XXI as fake news prosseguem fazendo muitos de trouxa.

A política é uma de nossas grandes conquistas, ter a oportunidade de participar do processo de escolher os nossos governantes é uma oportunidade sem igual, um privilégio que temos e que devemos valorizar. Entretanto, sem reflexão, acabaremos por eleger os poucos que usam da emoção para conquistar o poder.

Penso que o desafio é conseguir distinguir o político que quer fazer um trabalho sério (eu tenho esperança que ainda exista algum), daqueles oportunistas, que acreditam que a política é o melhor caminho para o seu bem estar. Acredito que o segredo é tentar enxergar quem pensa no coletivo, dos que pensam apenas em si. De quem olha para todos e não para uma classe de pessoas apenas. Nilton Bonder, no livro: Alma & Política, pontua justamente esta questão:

“O perigo da política e do poder é que se transformem num forte instrumento para que o ser humano pense de forma estreita, ou seja, para que se restrinja em seu pensamento” (BONDER, 2018, p. 76)

O segredo é procurar o político que olha para fora, que tenta dar voz a muitos e propor soluções no qual a maioria seja beneficiada e para isso, fórmulas simplistas, parcialidade e apelos populistas devem ser abandonados:

 “O que ocorre com a má política é que sua parcialidade a transforma num empecilho para que o fim seja alcançado” (BONDER, 2018, p. 76)

Por um lado eu concordo que cada um deve escolher seu modelo político, por outro eu creio que está em falta neste nosso cenário à humildade, um diálogo inteligente e a troca de informações, e não insultos. O grande medo é que a solução para resolver estes embates parece distante, pois a população tem teimado em não dialogar.

Tenho ficado preocupado com o fato dos políticos corruptos estarem sendo ovacionados, como se os mesmos não tivessem culpa de serem pilantras. Eu também fico receoso quando ouço pessoas falarem que vão votar no político ladrão, por conta de que ele rouba, mas faz, este tipo de papo é muito antigo, mas tem passado de geração para geração como se fosse algo inteligente.  

No final das contas o nosso problema é de valores, de ética e coerência, e de cultivar um pensamento ampliado. A estreiteza da nossa forma de dialogar tem feito com que o nosso país siga para a bancarrota, pois enquanto brigamos por políticos, os mesmos saqueiam a nossa nação sem dó.

Temos que aprender a ver as propostas políticas em primeiro lugar, a analisar a índole de quem quer um cargo público e a não aceitar políticos corruptos ou que se calam ante a corrupção, o que eu considero uma atitude ainda pior.

A mudança nunca virá se nós não nos posicionarmos, o Brasil continuará o mesmo se não aprendermos a sermos cidadãos e a tratar a política como um movimento sério e não da forma como temos tratado nestes anos todos.

Não vote em um herói, muito menos em quem rouba, mas faz, mas procure em seu candidato a coerência e a seriedade. Verifique o seu passado político, veja o quanto ele faz, e analise também sua vida particular, como ele viveu e como tem vivido. O nosso jeito de ser diz muito do que nós somos, aprenda também que o que dizemos e como agimos reflete muito quem somos e como vamos agir após eleitos, por isso abra o olho e preste atenção nestes detalhes.

 

BIBLIOGRAFIA

BONDER, Nilton, Alma & Política, Um regime para seu partidarismo, editora Rocco, Rio de Janeiro,2018

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