FILOSOFIA DA RELIGIÃO

Desde que o ser humano existe ele cultua,  a história deixa isso bem evidente e a arte com suas inúmeras manifestações artísticas, a religião  e até a música, já foram e ainda são instrumentos para expressar o sagrado.
O sagrado sempre fez parte da vida humana, seja para explicar algo, dar alento ou ter algo no qual depositar a esperança.

O Interessante é que se você olhar para a história, você sem dúvida vai ver o homem e a religião sempre andando juntas. Seja Confúcio e os seus primeiros sistemas de ensino. As escolas judaicas e o seu incrível comprometimento com os estudos. Ou o próprio cristianismo e toda a herança que eles deixaram para a educação, isso só para citar algumas religiões mais conhecidas.

O tema religião é bem delicado, pois é normal neste universo filosófico, associarmos religião com atraso, violência e falta de cultura. Por isso, que antes de qualquer conclusão é importante nos despirmos do preconceito e nos vestirmos com muita informação e estudo. A religião sempre esteve presente na história da humanidade, e ao contrário do que muitos concluem, ela já ajudou muito, coisa que o senso comum nem sempre enxerga, mas que um bom filosofo, estudioso ou religioso deve compreender.

A manifestação do sagrado passa pelas compreensões culturais,  pelas experiências e costumes de cada grupo, é por isso que pesquisar, ler e buscar conhecimento é fundamental para podermos fazer boas críticas. Mas afinal, o que estuda a filosofia da religião? Adriano Antônio Faria pontua que:

 “A filosofia da religião é um ramo da filosofia que investiga as origens e a natureza do fenômeno religioso e estuda a influência da religião no comportamento humano e nas sociedades. A expressão filosofia da religião começou a ser utilizada a partir do século XIX, sob a influência de Hegel, e analisa o conceito de divindade ao longo da história e como Deus é entendido em algumas tradições culturais e religiosas em particular” (2017, p. 30).

Resumindo, ela busca responder o que é religião, qual é a sua influência na sociedade no qual ela está estabelecida e como em geral o homem concebe a ideia de deus. Vale lembrar que não podemos olhar a filosofia da religião com uma visão religiosa, e muito menos com um ponto de vista confessional. O verdadeiro olhar deve ser o crítico, racional e argumentativo (FARIA, 2017, 30).

O termo religião vem do latim religare, que significa religar, atar (CHAMPLIN, 2014, p. 637), sendo que o próprio termo já resume um pouco a busca humana por fé nestes séculos todos, pontuando como o homem é incompleto, precisando se ater a algo para sobreviver.

 Segundo alguns estudiosos existem inúmeras definições do termo religião, o que torna o desafio impraticável. Para Martin Riesebrodt, religiões são: “sistemas de práticas relacionadas com poderes sobre-humanos” (ZABATIERO, 2016, p.20), sendo a adoração o ponto central desta teoria, e tendo o conceito de salvação como o diferencial que separa o homem dos outros modos de pensar (ZABATIERO, 2016, p.20).

Já Dennett define religião como: “sistemas sociais cujos participantes professam crença em um ou mais agentes sobrenaturais cuja aprovação deve ser buscada” (ZABATIERO, 2016, p.20). Separando assim as crenças individuais que podem ser denominadas de espiritualidade.  Lembrando que o monoteísmo não define a religião. A mesma pode ter um ou mais deuses e pode também não estar atrelada a conceitos morais. Sendo que o mito da criação do mundo, igualmente não a define, pois nem todas têm este mito como tema central em seus ensinamentos, embora muitas tenham (RODRIGUES, 2019).

E quando estudamos a religião a luz da filosofia, temos muito mais definições, aumentando ainda mais nossos desafios, mas uma coisa temos certeza, o homem sempre cultuou, isso é inegável.

Outro desafio é definir o conceito de sagrado e profano, pois no fim, os conceitos vão variar conforme cada forma de estudo, no olhar da filosofia da religião podemos definir como “alguém que tem uma experiência com o divino, que normalmente causa uma mudança de comportamento e jeito” (FARIA, 2017, 152). Champlin complementa pontuando que: “Este adjetivo aponta para a qualidade sacra de algo” (CHAMPLIN, 2013, p. 32).

O sagrado pode ser tanto relativo a um deus, um rito, a algo ou alguém que teve certo contato com o divino, um contato que faz com que o homem tenha uma mudança. O sagrado é algo santo, intocável, venerável. Para Eliade (2001), o sagrado é uma experiência e, assim sendo, está no próprio homem.

Respeitar não é aceitar a crença do outro, e sim, considerar a liberdade de crer e cultuar que cada ser humano tem. Eu creio em Deus, tenho a minha fé bem embasada, mas não posso impor, e muito menos convencer, já que quem convence é o Espírito Santo, contudo eu preciso respeitar, e defender a liberdade de cada um.

Por mais que somos cristãos, é fundamental entendermos e respeitarmos todas as religiões. Compreender o direito individual é sem dúvida defender a liberdade de todos, inclusive a nossa, por isso, aprenda a não impor.

BIBLIOGRAFIA

CHAMPLIM, RN. Enciclopédia bíblica de teologia e filosofia. 10° ED. SÃO PAULO, HAGNOS. 2011

FARIA, Adriano Antônio, Filosofia da religião, Editora Intersaberes, Curitiba, 2017

RODRIGUES. Lucas. de Oliveira.  O que é religião. Disponível em: https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/sociologia/o-que-religiao.htm Acesso em: 09 Ago. 2019

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