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QUANDO O SONHO ACABA

      A muitos anos, durante uma pregação, ouvi uma história. Pelo que foi dito pelo pastor, trata-se de um acontecimento verídico mas caso não seja é uma ótima ilustração. Uma mulher temente a Deus, com uma vida exemplar, tinha um filho pequeno que adoeceu. A situação do menino foi piorando e ela orava para que ele fosse curado. Mas chegou a um ponto em que os médicos lhe informaram que não havia mais o que fazer e em alguns dias o menino morreria. Ela não aceitou, e em uma oração que fez ”pressionou” a Deus, se é que podemos fazê-lo, dizendo que se ele não curasse seu filho ela romperia com Deus, abandonaria sua fé e viveria sua própria vida. Iria desistir de tudo. O menino começou a melhorar e em pouco tempo estava bem. Para os adeptos da teologia do triunfalismo isso é um exemplo como devemos determinar as coisas para Deus. Mas o tempo foi passando e na adolescência o menino começou a ter amizades não muito recomendáveis. Ele se desviou e acabou sendo morto pela polícia em um assalto que estava praticando. Enquanto a mãe chorava sobre o caixão, Deus lhe falou:

“Minha filha, eu já sabia e era disso que eu queria te privar anos atrás, mas você não entendeu”.

Nunca mais esqueci essa história, com a qual aprendi que os caminhos de Deus sempre são melhores que os nossos. Com certeza nem sempre é fácil aceitar alguns eventos imputados pela vida. Não sou determinista e não creio que tudo o que acontece na vida seja da vontade de Deus. Se fosse assim eu teria que aceitar o fato que o pecado e o mal sejam da vontade de Deus. Vivemos num mundo caído onde satanás age intensamente e estamos vulneráveis aos infortúnios inerentes a vida. Mas há situações, como a dessa mulher, quando viu o filho doente, onde parece que chegamos ao fim da linha. Nossas esperanças se esvai, não vemos soluções e o sonho acabou. Não precisamos nos sentir o pior dos seres humanos quando isso acontece. Não somos perfeitos e Deus nem espera que o sejamos. O que ele espera é que confiemos nele. Na Bíblia vemos vários personagens relevantes que passaram por crises dessa natureza. Um dos exemplos foi Pedro. Em pelo menos uma ocasião vemos que seu sonho acabou. Sugiro que leiam os primeiros catorze versículos de João 21. Vemos um relato da aparição do Jesus ressurreto aos discípulos.

Vamos voltar ao tempo e entender tudo o que se passou na cabeça de Pedro, e provavelmente outros discípulos, quando o sonho acabou. Durante séculos o povo judeu aguardava seu libertador, o Messias. Eles ansiavam por isso de forma intensa. Mas eles aguardavam o libertador político, que os livraria do domínio romano. Foi por isso que nem todos reconheceram que Jesus era o prometido messias, pois ele disse que sua missão era outra; seu reino era outro. Pedro foi um daqueles que seguiram os passos de Jesus por aproximadamente três anos. Foi muito mais do que seguir os passos. Os discípulos abandonaram tudo, sua vida, sua profissão, para viver em função do Messias. Foram três anos andando junto, compartilhando a vida e aprendendo uma nova realidade com o próprio filho de Deus. Eles presenciaram inúmeros milagres e maravilhas. Provavelmente muitos mais do que a Bíblia relata. Além disso, ficaram maravilhados com suas palavras de sabedoria e profundos ensinamentos. Jesus sempre afirmou que veio para resgatar o homem, e quem o seguisse teria a vida eterna. Jesus falava e fazia acontecer. Será que conseguimos nos imaginarmos no lugar de Pedro? Tente imaginar; ele fazia parte do grupo que vivia com o Messias o filho de Deus que revolucionava o mundo.  Mas, literalmente, da noite para o dia o Messias, o filho de Deus, o libertador e salvador é morto. O libertador morreu; o sonho acabou. Será que conseguimos imaginar o que se passou na de Pedro e dos demais discípulos? Acho que vieram muitas dúvidas. Será que ele realmente foi o filho de Deus? Se era, como que ele morreu? Como pode o Messias morrer antes de libertar seu povo? O fato é que na narração de João, depois da morte de Jesus os discípulos voltaram a viver sua vidinha de três anos atrás. Voltaram a pescar, pois tudo não passou de um sonho que acabou. Mas nesse momento Jesus, que ressuscitou aparece para eles e o restante da história nós conhecemos muito bem. O sonho não acabou.

Quantas vezes algo similar acontece conosco? Há um ditado, com o qual concordo quase que totalmente, que afirma que nossa decepção é do tamanho da nossa expectativa. Nossa decepção é do tamanho do nosso sonho. Então devemos parar de sonhar para não nos decepcionarmos mais? Não, pois acredito que quem desiste de sonhar está abrindo mão da vida. Deus nos criou com essa característica da mesma forma que ele sonhou com a tua e a minha vida, podemos e devemos sonhar. A questão é que devemos aprender a sonhar. Acredito que o grande desafio, e também segredo, para entendermos o que seja a vida com Deus, e assim ter os sonhos corretos, é ter uma visão concreta do reino de Deus. Só teremos uma idéia sólida sobre o reino se praticarmos o que o apóstolo Paulo recomendou na carta aos Colossenses. “… buscai as coisas do alto…” (capítulo 3 vs 2). Se vivermos a vida na perspectiva humana, colheremos frustrações uma após a outra, pois não fomos criados para viver conforme nossa vontade, mas sim para viver a vontade de Deus. Na maioria dos casos vivemos muito mais voltados ao terreno do que ao celestial, trocando o eterno pelo temporal. Talvez foi isso que aconteceu com a mulher  que citei no relato inicial. Em um momento tão difícil, na iminência de perder seu filho com aquela terrível doença, ela agiu olhando para si, para o finito e esqueceu de pedir que Deus fizesse de acordo com o que ele ache melhor. O reino de Deus não está em um paraíso distante aonde só chegaremos depois da morte. Lá ele se consumará, mas o reino começa aqui e agora. Na própria oração do Pai Nosso, oramos para que o reino de Deus venha a nós. Se Jesus nos ensinou a orar dessa forma, devemos viver o reino, começando na vida terrena. Quando vivemos limitados ao que é terreno, colhemos decepções, pois os sonhos são frutos da nossa vontade e do nosso querer. Muitos deles podem até se realizar, mas mesmo assim nos frustramos, pois percebemos que eles não atendem aos anseios da alma.

Para Pedro o sonho havia acabado. Ele estava sonhando o sonho de Deus, mas ainda não havia compreendido a dimensão de quem era Cristo. Isso provavelmente teria acontecido com qualquer um de nós se estivéssemos em seu lugar. No momento no qual decidiu voltar a pescar, que era sua profissão, ele tinha certeza que o sonho acabou. Mas não; quando investimos no sonho de Deus, o sonho não acaba. O de Pedro também não acabou e um pouco mais tarde ele entenderia tudo. A vida dos apóstolos não foi nada fácil e a nossa também não é, e nunca será. Investir no sonho de Deus é sinônimo de vida feliz com final feliz, mas não de uma vida tranqüila isenta de dificuldades. Muitas vezes temos até mais dificuldades, pois nadamos contra a maré e, como tal, temos que nos posicionar contra o sistema dominante. Mas o sonho de Deus nunca nos frustra. Assim como Pedro, podemos não entender ou pensar em desistir, mas se levantarmos nossos olhos para o que vem do alto perceberemos que temos que perseverar. Logo entenderemos que a estrada prossegue e o sonho não acabou.

Quando estamos no caminho certo, nossas percepções de frustração e derrotas são frutos de compreensão parcial do reino de Deus. É impossível compreendê-lo integralmente, pois vivemos uma realidade onde estamos limitados pela imperfeição da queda. Para a concepção humana, o final feliz é quando tudo termina da forma que esperamos, mas dificilmente é assim.  A morte é o maior exemplo disso. Nenhuma pessoa com a mente sã quer morrer. Mesmo para a grande maioria dos que crêem em Deus e na vida eterna, a morte não é algo desejável pois parece um fim; o fim de um sonho. Ou seja, a vida terrena dificilmente termina como queremos.

Sendo assim, para que nosso sonho não morra, temos que dar alguns passos: sonhar o sonho que Deus tem para nossa vida, saber que o reino de Deus vai além de onde nossos olhos vêem e ter fé que Deus está no controle da nossa vida e que ele vai nos encaminhar para realizar o seu propósito. Quando conseguimos encarnar essas realidades na nossa vida, nosso sonho nunca morrerá. Até mesmo no momento mais difícil da vida de cada um de nós, na morte, descobriremos que o sonho não acabou, mas que ele está apenas começando. Por isso, viva e sonhe pois ele nunca acaba.

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DESERTO

Quem nunca se sentiu abandonado e sozinho que atire a primeira pedra. Ou quem nunca achou que no instante em que orava parecia estar falando com as paredes, com o imaginário, seja o primeiro a atirar.

Momentos de deserto fazem parte de nossa existência, períodos onde tudo parece conspirar contra nós vêm junto com o tal viver. Mas isso não se limita a nós “meros mortais”, ao lermos a Bíblia veremos inúmeros servos de Deus na mesma situação.

Elias foi um deles, que após se esconder da rainha Jezabel, desejou a morte (1Reis 19:4)

E o que falar de Jó, que desejou morrer após perder tudo o que tinha (Jó 3:1-25). Este livro é uma das provas que homens de Deus também passam por problemas.

Mas a pergunta que temos que fazer quando passamos por estas situações é:

Deus se afastou de mim, ou eu que me afastei dele? Quem abandonou quem?

Costumamos nos sentir sozinhos, desamparados, mas muitas das vezes quem se afasta de Deus somos nós. Esquecemos de verdadeiramente confiar, verdadeiramente acreditar que ele não nos deixa de lado. Jesus disse em Mateus 28:20

“Eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém”

Brennnan Maning em um vídeo no YouTube chamado: você que crê ele te ama?, Da algumas declarações interessantes sobre confiar em Deus, ele acredita que quando chegarmos aos céus o todo-poderoso nos fará apenas uma pergunta:

“Você realmente acreditou que eu te amei?”

E é esta a questão, pois se realmente acreditamos que Ele nos ama, que morreu por nós e que cuida de nós, temos que levar esta certeza no coração, mesmo entre momentos obscuros e solitários ou em períodos de caos. Deus não nos abandona, Ele é o único fiel e esta verdade deve estar marcada em nosso peito.

Sem contar que o sentimento de abandono também serve para que aprendamos a confiar em Deus e creiamos em seu cuidado. Há tempos o homem tem se esquecido da escola do deserto, de como evoluímos diante das dificuldades. Somos filhos de uma geração que não pode sofrer, que se algo dá errado culpamos Deus.

O problema é que falamos que confiamos, mas na verdade não estamos confiando de verdade. Quando nutrimos expectativas, quando esperamos resultados, estamos tomando o controle sem deixar Deus fazer o que realmente quer.

Confiar significa: Se entregar aos cuidados de alguém, sem receio de sofrer ou perder algo. Ou seja, é largar o comando e deixar Deus controlar

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