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DIÁLOGO

Existe um abismo enorme entre o que falamos e o que uma pessoa entende. O desafio da comunicação é nos fazermos entendidos. Somando a isso o fato de que poucos hoje dialogam, muitos estão sempre prontos a falar, e nem sempre prontos a ouvir, o dialogo acaba sendo complicado.

No mundo cristão, com suas inúmeras teologias, igrejas e formas de pensar, isso se torna ainda mais desafiador. É incrivelmente interessante ver como muitos cristãos hoje são inflexíveis e nem conseguem ouvir um ponto de vista diferente ao seu, sem antes se manifestar de forma veementemente contrária. A questão, como diria a letra da banda Rodox, é que o inflexível quebra fácil.

Eu sempre digo e talvez morra dizendo, que ouvir uma ideia contrária a sua não é aceitar a ideia, é apenas ouvir. O desafio é sempre transitar pelas opiniões que não concordamos, sem nos ofendermos, e o pior, sem ofender quem pensa de forma diferente. Insultar quem pensa diferente não ajuda ao contrário, nos separa e nos separando, não teremos oportunidade de levar a palavra e sermos diferença.

Não podemos aceitar a falta de diálogo, muito menos concordar com quem impõe um ponto de vista e não deixa espaço para o outro opinar. Quando forçamos um pensamento, não só nos tornamos autoritários, mas aceitamos que o diálogo não deve existir. Sendo que a falta de diálogo é a marca registrada de todo o pensamento autoritário.

É preciso entender a pluralidade de pensamentos, religiões e credos, é importante entender que quando não me abro para ouvir o outro, mesmo que sendo um pensamento contrário, acabo por também fechar as portas para ser ouvido. Não podemos impor nossos pontos de vista e nossas crenças, e novamente, quando impomos, abrimos a porta para que façam o mesmo conosco. O mesmo se dá quando falamos de um país cristão, não podemos abrir mão da laicidade do nosso país, não podemos forçar alguém a crer no que cremos, assim como, também não queremos ser forçados a acreditar em algo no qual apenas o outro acredita. Eu sigo o princípio da empatia, quando me coloco no lugar do próximo me desespero ao ser forçado a fazer o que não quero fazer, por conta disso, não milito por um país cristão e sim, por uma nação laica, que dê a todos a liberdade de crer na religião que melhor lhe apraz.

O diálogo é o princípio de tudo, ouvir o outro e respeitar suas crenças é uma atitude básica de quem tem empatia suficiente para se colocar no lugar do outro e entender que cada um tem suas crenças.

Entendo alguém que não dialoga como um ser limitado, pronto para apenas falar, pois não tem conteúdo suficiente para se abrir para ouvir, refletir e discordar com respeito. A pessoa extrema é alguém mal resolvida, que no fundo não tem certeza, e tenta convencer o outro com a força.

O diálogo é composto por duas pessoas, o respeito e a empatia, deve estar presentes para que ninguém passe por cima de ninguém e a conversa vire uma guerra. Ou aprendemos a respeitar, ou abriremos a porta para a violência e a imposição que já manchou a história tempos atrás.

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JUGO DESIGUAL

Cresci ouvindo que o cristão tem que tomar cuidado com o jugo desigual, namorar ou casar com alguém que não professa a mesma fé era um pecado. Diante disso, pastores davam inúmeros possíveis problemas que podiam acontecer com quem se casasse com um não cristão.

O engraçado era que cristãos continuavam a se separar e o mais engraçado ainda é que alguns casais que tinham um dos conjugues que não eram cristãos, continuavam firmes. Contudo, o que o texto Bíblico realmente fala? Este jugo desigual é um casamento entre pessoas que não professam a mesma fé ou não? E aí é ou não é pecado? É o que vamos ver.

Vou primeiro analisar o assunto à luz da Bíblia, para depois dar a minha opinião sobre o assunto, mas já vou adiantando, entender de forma plena este versículo é muito complicado. 2 Coríntios 6:14 diz:

 “Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque, que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas?”

Jugo é uma canga que era colocada em animais para atrela-los a fim de que pudessem puxar algo. Imagine você dois animais de tamanhos bem diferentes, atrelados um ao lado do outro, tentando puxar uma carroça ou arado, seria um caos. Diante disso, muitos interpretam como se este versículo estivesse falando de casamento.  Muitos comentários Bíblicos, pastores e teólogos tem a mesma conclusão, contudo o termo jugo raramente é usado em assuntos sobre casamento:

“Tradicionalmente, esse texto tem sido interpretado como uma proibição do casamento entre um cristão e um não cristão. No entanto, a metáfora de um jugo é raramente empregada na antiguidade para referir-se ao casamento, e não há absolutamente nada no contexto que, da forma mais remota, indique que o casamento esteja em foco aqui” (FEE, STUART, 2016, p. 94)

Ao contrário, ao lermos com cuidado vemos que o contexto do texto fala sobre adoração pagã:

“Paulo faz uma digressão para exortar os seus leitores a que nada tenham que ver com a adoração pagã, mas a que levem uma vida santa de reverência a Deus. O apelo não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos significa aqui não participar na adoração pagã com os incrédulos” (CARSON, FRANCE, MOTYER, WENHAM, 2012, p. 1801)

E isso fica claro por conta de algumas perguntas retóricas que se seguem nos versículos 14 ao 16, vejamos: Que comunhão tem a justiça e a maldade?  luz com trevas? Que acordo entre Cristo e Belial? O fiel e o incrédulo? O templo de Deus e os ídolos? E a afirmação do versículo 17 também dá a entender que era um ambiente impuro, pagão. 

O contexto todo dá a entender que ele fala de adoração pagã, principalmente a parte de Cristo e belial e templo de Deus e ídolos. Em uma cidade como Corinto, onde a adoração pagã era comum, o texto aconselha a não se misturarem a estas práticas pagãs, ouvindo e dando oportunidade para estes falsos mestres falar. Mas como falei no começo do texto, esta passagem é de difícil interpretação, a opinião não é unânime entre teólogos e pastores, porém acho complicado aplicar isso no quesito casamento, pois o texto não menciona nada nem da a entender que o texto fale sobre casamentos.

Contudo vamos ser sinceros, é possível fazer uma aplicação prática falando do casamento. Afinal, a pergunta principal é: Que comunhão… em grego koinónia (e significa comunhão, comunhão espiritual, partilha, comunhão no espírito), pode haver entre coisas tão apostas como: Luz e trevas (V14). O que há em comum entre o crente e o descrente? E por aí vai. A convivência entre duas coisas tão apostas assim é impossível, diante disso, um casamento entre duas pessoas tão diferentes assim se torna complicado, talvez em alguns momentos impraticável. Afinal, mais dia ou menos dia você terá alguns sérios problemas como: Em que religião criar um filho? E muitos outros exemplos que surgem durante o tempo. Porém eu nunca diria que o casamento com conjugues não convertidos seria um pecado, acho uma afirmação sem base.

Como eu disse no começo do texto, conheço inúmeros casais de cristãos com não cristãos que vivem bem, alguns deles por sinal, levam e buscam suas mulheres nas igrejas sem problemas. Em contra partida conheço alguns casais cristãos que vivem um verdadeiro inferno.

Aos casados com conjugues nãos cristãos Paulo dá um conselho, não se separarem (1Coríntios 7:13). E ainda acrescenta que o marido descrente é santificado pela mulher (1Coríntios 7:14). E não significa que ele será salvo por osmose e sim, que aquele espaço será um local que pertence a Deus, um ambiente de santidade cercado das bênçãos de Deus. (BOOR, 2004, p. 124). Mas lembre-se o conselho é aos casados, não a quem vai casar.

Contudo expresso agora a minha opinião.

Não é o ser ou o não ser cristão que determinará o sucesso do seu casamento. Afinal, conheço cristãos que batem em suas esposas, traem e vivem seu casamento de maneira autoritária e egoísta. E conheço não cristãos que vivem otimamente bem, com um relacionamento harmonioso e em parceria. O que vai definir é a forma com que você conduz o seu casamento e quem você coloca como centro do seu casamento, se é seu ego ou Deus.

Porém não esqueça amigo que viver com um não cristão tem os seus pontos complicados. Você pode se sentir solitário, por não ter quem te acompanhar na igreja e nos ministérios. Quem sabe também que com o tempo ele possa implicar com o fato de você ir muito à igreja e muitos outros problemas que poderíamos listar, ou quem sabe você não terá problema algum, é impossível saber só o tempo de casado dirá.

É claro que casar com um cristão não é a certeza de viver uma vida de flores, mas pode ser a certeza de ter alguém que te entenda e que pode caminhar com você como um companheiro de caminhada e em oração.

Se eu pudesse te aconselhar eu diria não case com um não cristão ou pense bem e tente colocar tudo na balança antes de qualquer decisão. Pense também se você não está sendo um pouco apressado, ou se lá no fundo algo lhe diz que você não deveria nem casar ou nem namorar, quem sabe isso seja um sinal para não continuar. Porém eu nunca diria que a sua decisão seria um pecado, talvez uma decisão complicada, mas não pecaminosa. No mais, que Deus te ilumine.

 

BIBLIOGRAFIA

Bíblia Sagrada – Bíblia de Jerusalém; Paulus, São Paulo, 2013

CARSON. DA. FRANCE , RT, MOTYER, J. A, WENHAM, G. J, Comentário Bíblico Vida Nova, Editora Vida Nova, São Paulo, 2012

FEE, Gordon D, STUART, Douglas, Entendes o que lês?, Editora Vida Nova, São Paulo, 2016

BOOR, Werner de, Carta aos Coríntios Comentário Esperança, Curitiba, 2004

http://biblehub.com/greek/2842.htm

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SEJA A PESSOA CERTA

É normal ouvirmos solteiros falarem: Eu ainda não casei porque não achei a pessoa certa. Diante desta premissa Josh Mcdowell faz uma pergunta interessante para um jovem que estava à procura de uma esposa que tivesse certas qualidades:

“Perguntei-lhe se as qualidades que procuravam numa esposa eram encontradas em sua própria vida” (MCDOWELL, 2001, p. 20)

Mais importante que encontrarmos a pessoa certa é sermos a pessoa certa. Seria hipocrisia demais exigirmos de uma pessoa algo que não somos, não acha?

Tenho lido alguns livros sobre casamento desde que eu estava na eminência de casar. Eu sei que conviver com uma outra pessoa, com costumes diferentes, vivencias e criação diferente não é fácil, por isso procurar ajuda de quem já está casado há um bom tempo é importante.

Mas nesta minha nova missão o que tenho tentado viver é justo o que este autor aconselhou: ser a pessoa certa. Aquele que cumpre com a sua palavra e que trata a esposa com o carinho que eu queria ser tratado, sem exigir um retorno, sem querer que ela faça o mesmo, fazendo isso em nome do amor e do que sinto por ela. Afinal a reciprocidade deve ser algo natural, resultado de um amor sincero, nascido através de uma doação, de uma entrega.

Mas Josh Mcdowell faz uma outra pergunta que acho interessante:

“Como é possível tornar-se a pessoa certa? Primeiro, é importante reconhecermos que nossa vida amorosa será sempre um reflexo de nossa probidade (integridade) de caráter” (MCDOWELL, 2001, p. 20)

O que você é e como age, determina como será o seu casamento. Se sabe lidar bem com problemas, se é bem resolvido emocionalmente, se encara a vida com leveza e tenta ser sempre compreensivo com o próximo, já tem um bom caminho andado para o casamento feliz.

Há pouco tempo antes de casar, uma amiga, que já havia passado por dois casamentos e era frustrada com relacionamentos me disse: Tudo isso que você diz é bonito, mas muda rápido, logo você cansa e se separa

Eu nem soube responder, quem sou eu para falar de algo que eu comecei a viver faz pouco tempo, porém uma coisa eu posso dizer. Qualquer relacionamento, seja amizade, família ou casamento, que tem como foco o próprio umbigo é fadado ao fracasso.

“O casamento é um compromisso de dar e receber: Você precisa estar disposto a dar exatamente o que deseja receber” (MCDOWELL, 2001, p. 21)

Vida a dois, como a frase bem diz, deve ser vivida como uma parceria, com compreensão e amizade. Casar para ser feliz é o sucesso do fracasso, agora, casar pra fazer o próximo feliz, já é uma boa receita

Você procura uma pessoa “certa” para casar? Então seja esta pessoa, seja o compreensivo, seja o paciente e o bom amante, não espere do próximo, faça você primeiro

Jogar expectativa no cônjuge é fácil, agora olhar para nossas próprias atitudes, tentando sempre ser o melhor que é o desafio e penso eu ser este um dos segredos

 

BIBLIOGRAFIA

MCDOWELL, Josh, Aprendendo a Amar, Sexo Não é o Bastante, Editora Candeia, São Paulo, 2001

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