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METAMORFOSE

Quando eu era mais novo eu tinha um amigo muito divertido, ele era o alto astral em pessoa. Não conseguia ver ninguém triste sem chegar ao seu lado e levantar os ânimos. Quando saíamos, se o amigo ao lado não tivesse dinheiro ele dava um jeito. E se a pessoa precisasse de ajuda, seja ela qual fosse, ele sempre estava bem disposto a colaborar. Na vizinhança ele era conhecido por seu bom humor, era a sua marca pessoal, até que ele conheceu a Jesus. Dizia a nós que a sua vida havia mudado e que agora ele tinha conhecido a verdadeira alegria, estranhamos na hora, mas respeitamos.

O problema era que aquele amigo aos poucos se distanciou, já não tinha mais tempo para os amigos e pasmem, nem para a família. Ele falava que ir a igreja tomava o seu tempo e a prioridade dele era ir à casa do seu Deus. O mais estranho era que aquele homem que outrora era bem humorado e que não se afastava dos seus, não priorizava mais aquelas pessoas e muito menos tinha mais aquele seu jeito bem humorado e brincalhão, que outrora era parte de sua maneira de ser. Aos poucos o grande e feliz amigo passou a parecer outro, vivia com o semblante sério, e buscava estar longe do “mundo”, sem conviver mais com os amigos pecadores, pois não eram boas companhias, era o que ele dizia.

Passou-se muito tempo até que este amigo conhecesse a Bíblia, e aprendesse a ler e estudá-la de modo sério e coerente, este rapaz descobriu que muitos dogmas da igreja não tinham base Bíblica, e que o futebol de fim de semana que ele tanto gostava não era pecado. Ele leu na Bíblia sobre Jesus e como aquele homem convivia com excluídos, prostitutas e gente desonesta, percebendo assim que um bom cristão é luz e sal para estas pessoas. Este homem aprendeu também que aquela linguagem falada na igreja era totalmente desconhecida e que falar a linguagem das pessoas comuns era imprescindível para uma boa evangelização. Ele aprendeu também que o exemplo pessoal fala muito mais do que ficar tagarelando sobre Deus o tempo todo, e orar, ajudar, caminhar junto com as pessoas é uma evangelização muito mais eficaz.

O problema era que ele já tinha se transformado em outro, a religião fez com que os seus amigos se distanciassem dele e vissem ele como um cara chato e pedante, alguém que ninguém queria conviver.

Esta narrativa não é de uma pessoa apenas, já vi está história se repetir inúmeras vezes. Foram muitos os que eu conheci que depois de conhecer a Jesus, se distanciaram das pessoas.

Não é preciso se separar das pessoas para se viver o evangelho. Ser cristão não é estar em um gueto fechado, ao contrário, é seguir o ide, é estar entre a multidão, é dar o exemplo. E exemplo só é possível dar em meio às pessoas.

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FONTE DA JUVENTUDE

Cresci lendo livros sobre fontes da juventude, sobre vampiros imortais e coisas do tipo. Para uma criança a eternidade é interessante, para elas ter a vida toda para fazer o que quiser é o máximo, até crescerem e perceberem que a questão não é bem assim.

 Quando li Drácula de Bram Stoker percebi que a sua longevidade era um castigo e não um dom, viver sofrendo eternamente era o seu tormento. Mas quando olho para a Bíblia e leio sobre um Deus eterno, sem princípio e nem fim, que não fica entediado além de ser amor, paz, vida, eu fico muito impressionado. Augusto Cury complementa:

“Esse Pai imortal que deveria ter sido asfixiado pelo tédio parece ter vivido uma espantosa tranquilidade em toda a sua história existencial” (CURY, 2006, 47)

É por estas e outras que a meu ver a explicação mais coerente deve se resumir em apenas afirmar que “Ele é Deus”, e isso basta, pois explicar um ser tão intrínseco é impossível. Poderíamos passar a vida toda analisando Deus, se isso fosse possível, e mesmo assim não o entenderíamos. Qualquer conclusão nossa sobre Deus vai ser sempre pequena e simplista, a saída é crer e confiar.

Vida eterna sem Deus é sempre pouco, viver para sempre, mas mergulhado no pecado é um sofrimento, uma angústia interminável e apesar de eu não saber como explicar um Deus que é eterno, mas ao mesmo tempo é vida, poder, criatividade, de uma coisa eu tenho certeza, viver seguindo seus passos é sempre ir de encontro à vida. Jó 21:22 diz:

Ora, será possível que alguém possa acrescentar algum conhecimento ao Todo-Poderoso, que julga também os seres celestiais?

Não é possível, seja entender, ensinar ou quantificar o mínimo do que Deus é. Um Deus explicável por qualquer ser humano finito, provavelmente não é Deus, ao contrário, deve ser apenas uma cópia barata do ponto de vista caído do ser humano.

No fim a fonte da juventude vai ser sempre um tormento para quem não tem Deus. Desejar viver eternamente no pecado e longe dele é no mínimo uma loucura. Não há opção mais insana do que viver uma vida eterna no pecado e sem Deus.

Sem Deus caminhamos perdidos, a esmo, sem direção, sem Deus uma eternidade é um tormento, com ele, um minuto é uma vida inteira.

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RELACIONAMENTOS CRISTÃOS

“Pode-se dizer mais sobre um monge a partir da forma pela qual usa a vassoura do que por qualquer coisa que diga” (Thomas Merton) (YANCEY, 2004, p. 64)

Trabalhei em uma empresa, há muitos anos, onde o dono era muito colaborativo, além de muito acessível. Ele cumprimentava a todos, dava atenção a quem quer que fosse, e se fosse preciso ele colocava a mão na massa, coisa que fez inúmeras vezes, sem esquecer que não se tratava de uma empresa pequena. Não era raro vê-lo de terno e gravata, em meio aos muitos funcionários, carregando caixas quando era preciso. Sempre que penso em um líder humilde e acessível, eu me lembro dele.

Tal citação de Thomas Merton não pode estar mais certa, eu só mudaria de monge para cristãos. Pois, afinal, o modo no qual nós nos relacionamos, diz muito de nós.

Em um mundo dividido em méritos, degraus e classes, não tem nada de anormal ver o próximo como estando em posições diferentes das nossas. A questão é que a graça nos obriga a sair deste padrão, a entendermos que no fim estamos na mesma mão, pois fomos alcançados pelo amor de Deus, mesmo sem merecer. A graça nos nivela, nos faz olhar o próximo com o mesmo amor no qual Deus olhou para nós.

Aquele meu antigo chefe, que eu falei no começo do texto, não media esforços para atender a sua empresa. Para que o negócio fosse para frente, ele colocava a mão na massa se precisasse e não pedia tempo desvalorizando um funcionário. Ele sabia a sua importância dentro da empresa.

No reino não é diferente disso, nenhum trabalho é pequeno, nenhuma função é menos importante que a outra. Pois, no fim, todo o trabalho é para a honra e glória de um só Deus e fundamental para que a obra avance e cumpra o seu ide.

Uma vida que se distancia de um cabo de vassoura é certamente uma vida que não entendeu o evangelho. É claro que alguns trabalhos trazem consigo mais responsabilidades, mas não nos faz superiores. Só há um superior, só há um no centro de tudo, o resto é categorização humana.

BIBLIOGRAFIA

YANCEY, Philip, Rumores de outro mundo, A realidade sobrenatural da fé, Editora Vida, São Paulo, 2004.

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HUMILDADE

Naquela ocasião Jesus disse: “Eu te louvo, Pai, Senhor dos céus e da terra, porque escondeste estas coisas dos sábios e cultos, e as revelaste aos pequeninos. (Mateus 11:25)

Tenho receio de pessoas orgulhosas, que se colocam como os melhores, os que sabem de tudo. O orgulho não combina com uma pessoa que está aberta ao aprendizado. A humildade é a marca dos verdadeiros sábios, e principalmente a marca de quem serve a Deus. Eu desconfio de cristãos orgulhosos e prepotentes, tenho um pé atrás quando conheço alguém que se coloca como sabichão, o dono da verdade.

O texto em questão fala das pessoas que se apoiam em sua própria sabedoria, uma sabedoria contaminada pela soberba:

“O que Jesus ensinou em Mateus 11 não é que Deus ocultou a verdade às pessoas inteligentes, mas que, aqueles que se apoiam em sua própria sabedoria, separam-se da verdade. A sabedoria e inteligência deles estão corrompidas pelo orgulho” (MACARTHUR, 2015, p. 147)

O orgulho é um veneno, uma erva daninha que corrompe a mensagem do evangelho. Um cristão orgulhoso se esquece de quem ele é, do quão falho e podre é a sua vida, e do quanto precisa olhar para a cruz para seguir. A humildade é uma das marcas do cristão, é o sinal de quem realmente entendeu a mensagem do evangelho, de quem realmente é maduro na fé. Eu gosto do que Philiph Yancey fala no livro Maravilhosa Graça sobre a fé madura

“Em outras palavras, a prova da maturidade espiritual não é quanto você está “puro”, mas sim, a conscientização da sua impureza. Essa mesma conscientização abre portas para a graça” (YANCEY, 2012, p. 187)

Esta é a fé madura, pois sabemos que quando somos novos convertidos, fazemos muitas besteiras e às vezes beiramos ao legalismo, mas quando estudamos, somos discipulados, oramos e aprendemos isso muda, ou devia mudar, pois infelizmente alguns nunca amadurecem na fé.

Não existe espaço para orgulho no cristianismo, é uma tremenda contradição de quem segue a Deus ser cristão e orgulhoso ao mesmo tempo. Pois a base do cristianismo é o arrependimento, é sabermos quem somos e o quando precisamos de Deus. Um cristão deve ser humilde, ou pelo menos lutar para que a cada dia seja. Afinal, somos salvos pela graça, não por obras, não temos a capacidade de entender as verdades espirituais por nós mesmos, somente através da revelação divina, e somos dependentes de Deus e não de nossa própria força, enfim, tudo aponta para a nossa falta de capacidade.

“Quem pode obter salvação? Aqueles que, como crianças, são dependentes e, não, independentes. Os que são humildes, não orgulhosos. Os que se reconhecem incapazes e vazios. Cônscios de que nada são, os “pequeninos” voltam-se para Jesus em dependência absoluta” (MACARTHUR, 2015, p. 147)

Entre todas as marcas de uma conversão genuína, a humildade é uma delas, e essencial para uma vida cristã coesa. Tudo começa dentro de nós, uma transformação tão profunda que reflete em nossa conduta e jeito de ser. É algo que começa dentro de nós, no interior e reflete no exterior. É impossível sermos tocados, sem termos nossa vida transformada, sendo a humildade um dos frutos, entre os tantos que Gálatas 5:22-23 enumera.

BIBLIOGRAFIA

MACARTHUR, John, O evangelho segundo Jesus, Fiel Editora, São Paulo, 2015

YANCEY,Philiph, Maravilhosa Graça, Editora Vida, 2012

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CONTRACULTURA CRISTÃ

Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus (Romanos 12:2)

Gosto muito de ler sobre Cristo nos evangelhos, não só por conta de suas atitudes, nem só pelos seus ensinos, mas também pelo seu posicionamento que ia totalmente na contramão da sociedade da época. Com isso, quando eu vejo cristãos delimitando o pensamento de Jesus, eu não entendo, por saber que o seu relato é claro, seu posicionamento apartidário foi explícito na Bíblia, basta ler sem muito cuidado, para perceber. Com isso, colocar Jesus como um comunista, socialista ou um homem que acreditava em méritos, é meio que atestar que você não leu sobre ele, por isso, não se anime muito em usar Cristo para validar seus pensamentos, pois ele não valida.

No âmbito religioso, Cristo foi claro, seu discurso foi veemente, ele não deixou qualquer espaço para dúvidas ao combater o legalismo da época. Jesus bateu de frente com a falsidade e a religiosidade hipócrita e meritória e mostrou como o homem por si só muitas vezes se engana e mergulha em uma religiosidade de aparência.

Não se esqueça de que o exemplo bíblico serve também para nós, quando nos consideramos santos, tão santos que não nos misturamos com algumas pessoas e acabamos por circular apenas em nossos guetos, ficando alheios ao ide, e viramos as coisas para a missão de proclamar o evangelho. É fácil cair no legalismo, é fácil achar que se está por cima, sem ver o quão perdido estamos.

A parte mais interessante, que a Bíblia inclusive deixa explícita, escancarada para todos verem é: “como Jesus se dedicava em cuidar dos excluídos do seu tempo”. Todos os que a religião virava as costas, Jesus dava a mão, sejam as prostitutas, os doentes, os mendigos ou pobres, Cristo acolhia a todos com uma humildade que só ele tinha, mesmo sendo Deus e tendo “motivos” para ser arrogante. Vale lembrar que não foram só os pobres que ele acudiu, os cobradores de impostos, que eram ricos, e até alguns religiosos, ele também recebeu, conversou e não deixou de dar atenção. No fim, quem não seguiu Jesus, assim o fez por ter feito uma escolha, não foi por falta de oportunidade.

Outra parte interessante era que por mais que ele curava, ele não obrigava ninguém a segui-lo, sua vida não era pautada pela barganha. Ela fazia, dava atenção e ajudava, o resto era com a pessoa. O Jovem rico não quis segui-lo, para ele o dinheiro era mais importante, mas Cristo não deixou de lhe dar atenção. Os dez leprosos foram curados, mesmo que apenas um tivesse voltado e se arrependido dos seus pecados. A vida cristã não deve ser regida como moeda de troca, mas com a graça de Deus tendo o ponto de partida uma única verdade: “só ele é o caminho”.

Mas Cristo não foi só subversivo com a igreja, com a política ele também foi, afinal a sua atitude revelou que a sociedade precisava de um novo reino, um reino que não era deste mundo, um reino mais perfeito e justo. Jesus sabia que do homem só poderia vir coisas falhas, limitadas e egoístas, é por isso que ele não demorou em apontar um caminho, em estabelecer um novo modo de proceder, em apontar para atitudes que não são moldadas segundo o padrão deste mundo. Paulo falou para não nos amoldarmos ao padrão do mundo, com certeza ele é um ótimo exemplo, mas Jesus personificou de forma muito mais clara e correta este ensino, afinal ele é o padrão.

No fim, o modo como vivemos, como enxergamos tudo, nos define, sendo que alguns preferem se definir como capitalistas, comunistas, socialistas ou sei lá mais qual padrão, enquanto outros seguem o evangelho de forma muito mais prática e consonante com o ensino de Jesus.

Eu não gosto de colocar Cristo em uma categoria, pois ele viveu acima de tudo, mostrou que o evangelho é muito mais do que formulas predeterminadas. Ser cristão é muito mais do que uma frase, é uma forma de viver que deve estar introjetado em nossa vida.  Brennan Manning pontua que:

“A espiritualidade não é um compartimento ou uma esfera da vida. Antes, é um modo de viver – o processo da vida a partir da perspectiva da fé” (MANNING, 2007, p. 54)

Cuidado com o padrão deste mundo abra o olho para as sutilezas que invadem o seu coração pouco a pouco e entenda que é preciso “ser” para fugir dos pontos de vistas humanos. Pois no fim, pode ser que você ache que está seguindo a Cristo, mas está seguindo apenas a si e seus pontos de vista.

Olhe para a cruz e entenda que o padrão que temos que seguir é outro, o molde é segundo a Bíblia e não segundo o que temos como ponto de vista. Não pince versículos bíblicos, aprenda a estudar e crescer com os ensinamentos que partem da palavra e não apenas do que você acredita.

BIBLIOGRAFIA

MANNING, Brennan, O impostor que vive em mim, Editora Mundo Cristão, São Paulo, 2007

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CARIDADE TÓXICA

O tema caridade é bem complexo, e quando discutido,  quase nunca gera uma opinião unânime. Principalmente quando o tema descamba para a falta ou não de oportunidades. Em um país onde temos que ralar bastante para tentar conseguir alguma coisa,  nem todos aceitam a falta de oportunidades como desculpa para pedir dinheiro.

No polêmico livro do pastor Yago Martins,  ele discute justamente este  tema, aliás, ele vai mais a fundo  e resolve ir para as ruas para entender de perto o tema caridade e o que ela gera na sociedade. No final, após um ano como um mendigo disfarçado,  ele pontua justamente como a mendicância se tornou uma máfia, e como a caridade muitas vezes torna os necessitados dependentes de uma espécie de caridade tóxica.

É importante entender que ao contrário do que diz o ditado popular “Fazer o bem sem olhar a quem”, devemos sim olhar a quem estamos ajudando, para assim amparar aquele que realmente precisa. A caridade feita de qualquer forma pode gerar pessoas dependentes,  que acreditam que os outros devem ajudá-lo por conta de sua condição.

Outro ponto interessante que ele trabalha no livro é como a caridade serve para alguns religiosos se sentirem bem, como uma espécie de massagem no ego ou uma forma de se autoafirmar,  pelo menos de forma indireta. Mostrando como ele é uma pessoa boa, caridosa e prestativa. No final, acaba sendo uma troca, a pessoa ajuda e recebe em troca uma massagem no ego.

O auxílio deve ser sempre bem pontuado, oferecendo alimento, mas também proporcionando suporte espiritual, físico e mental. Dando-lhe oportunidade de sair das ruas e fazer com que caminhe com suas próprias pernas. E acima de tudo, separando quem não quer ajuda dos que realmente querem e têm vontade de olhar para frente e continuar.

Quando criamos pessoas dependentes, incentivamos mesmo sem querer, que alguns não se desenvolvam e fiquem apenas na dependência. É importante a pessoa assumir as rédeas e aprender a caminhar com suas próprias pernas. O autor do livro usou a citação de Lupton, que creio que resume bem o assunto:

“Quando o alívio à dificuldade não serve de transição para o desenvolvimento de forma oportuna, a compaixão torna-se tóxica” (MARTINS, 2019, p. 211)

Há mais ou menos 20 anos atrás trabalhei na rua, por conta disso, não me surpreendi com os relatos do livro do pastor Yago. Na rua todos sabiam quem oferecia janta e almoço de graça. Quais eram os albergues e onde conseguir pizza e salgadinho à noite. Era bem como o autor falou, tínhamos um cardápio, e bem variado, que quase sempre não falhava. Não era uma vida fácil, embora a falta de compromisso fizesse tudo valer a pena.

É claro que não podemos generalizar, muitos dos que estão na rua precisam de ajuda, contudo, existem os que fazem da mendicância uma forma de viver, por isso, é preciso mergulhar mais no assunto, entender mais o ambiente, para que possamos ajudar as pessoas que realmente não tem oportunidade e precisam de ajuda.

A caridade tóxica é feita de qualquer jeito, sem olhar para as pessoas e entender sua situação e as suas necessidades. Algumas vezes é preciso muito mais que dinheiro, é preciso ouvir, caminhar com a pessoa, mostrar a saída.

Ou nos comprometemos ou sairemos às ruas apenas para distribuir coisas, como se coisas realmente fizessem diferença na vida das pessoas.

BIBLIOGRAFIA

MARTINS, Yago, A máfia dos mendigos: Como a caridade aumenta a miséria, Editora Record, Rio de Janeiro, 2019

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A ESPIRITUAL ARTE DE ESTUDAR

“Se eu tivesse apenas três anos para servir a Deus, gastaria dois deles estudando” (Donald Barnhouse) (STOTT, 2012, 68)

É triste ver cristãos que não levam a sério o estudo. Criou-se em algumas igrejas uma crença que o estudo não é importante. Eu já ouvi cristãos afirmarem que existem os pastores que pregam com a teologia e outros com o Espírito Santo, uma frase que não tem como ser mais equivocada.

O estudo sempre fez parte da vida dos cristãos sérios, dos que são usados por Deus. Se você ler a história dos grandes homens de Deus vai notar que o estudo sempre andou lado a lado com a oração.

Creio que o grande problema é desligar a vida espiritual do estudo, é crer que a pessoa que Deus usa, não precisa estudar. Ler e manejar bem a palavra da verdade é nossa obrigação como a Bíblia nos avisa (2Timóteo 2:15). E saber dar a razão da nossa fé é também igualmente importante (1 Pedro 3:15). Tais passagens evidenciam a importância do estudo, de conhecer a Bíblia, de saber manejar e conhecer bem a Bíblia. Sendo que a teologia existe justamente para conseguirmos entender ainda mais a palavra de Deus.

Quem não se debruça nos livros, nem gasta tempo estudando, não é só preguiçoso, mas também mostra que não tem comprometimento com a Bíblia. Deus usa quem está preparado, que sabe do que fala e busca entender o que o texto bíblico realmente quer dizer. Você não sabe o quão espiritual é estudar e se preparar, você não sabe o quão legal é se dedicar a entender o texto, e saber aplicar a palavra de forma correta.

O problema de alguns é simplificar algo que não se simplifica, é achar que sem ler, vamos conhecer o que o texto bíblico diz, espiritualizando justamente o que não dá para espiritualizar.

O estudo é tão importante quanto a oração e tão espiritual quanto dobrar os joelhos e orar. Estudar a Bíblia é conhecer o que Deus está falando, é saber quais são as suas vontades, é ter base para viver uma vida que agrada Deus.

 BIBLIOGRAFIA

STOTT, John, Crer é também pensar, ABU Editora, São Paulo, 2012

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ÍDOLOS

Enquanto esperava por eles em Atenas, Paulo ficou profundamente indignado ao ver que a cidade estava cheia de ídolos (Referência: Atos 17:16-34)

O texto fala basicamente sobre ídolos, a parte curiosa é que quando falamos em ídolos, logo pensamos em estátuas, altares e cultos pagãos. A questão é que quando usamos as ferramentas da teologia para nos aprofundar no texto, descobrimos que ídolo não é só isso, e sim, tudo o que colocamos no lugar de Deus, ídolo pode ser tudo o que você coloca confiança.

Paulo chegou em Atenas e viu que muita gente confiava em seus próprios pontos de vista. Eles eram inteligentes, tinham muito conhecimento e sabedoria, o que não é nada errado, o problema é que eles confiavam apenas em seus deuses e em suas próprias filosofias.

A história conta que em Atenas existiam deuses para tudo, o local não era só o centro intelectual, mas também um lugar com muitos templos e ídolos.

O que eles tinham esquecido é que a própria história deles já evidenciava como aqueles deuses eram falsos. Paulo era um homem com muito conhecimento e quando ele viu a estátua ao Deus desconhecido, ele lembrou justamente da história que Don Richardson descreve na abertura do livro “O fator Melquisedeque”.

O autor conta que uma praga surgiu em Atenas, com isso, segundo a crença da época, algum deus devia estar irado com eles. Por isso, a fim de apaziguar a ira deste deus, os atenienses começaram a fazer sacrifícios a todos os seus muitos deuses. Com isso, esperava-se agradar ao deus que enviou a praga, coisa que não aconteceu. A praga continuou atrapalhando, nenhum deus quis ajudar. Com isso, procurou-se quem pudesse resolver tal questão, mas este não existia naquela cidade. Com isso, eles precisaram ir atrás do filósofo e poeta Epimênides (RICHARDSON, 2008, p. 09).

Segundo este filósofo, deveria haver um Deus desconhecido e muito poderoso no qual eles ainda não haviam recorrido, por conta disso, Epimênides propôs deixar algumas ovelhas sem pastar para de manhã, após uma oração a este Deus desconhecido, soltá-las. As ovelhas, mesmo que famintas, que se deitassem no pasto ao invés de pastar, iriam ser oferecidas ao Deus desconhecido, sendo este um sinal que o Deus havia ouvido. E isso aconteceu, pois misteriosamente algumas ovelhas ao invés de pastar, deitaram e naqueles locais foram erguidos altares para sacrifício, sendo que no altar a inscrição agnosto theo (ao Deus desconhecido), havia sido gravado. O resultado foi que a praga cessou, a cidade foi liberta daquela peste, e o Deus desconhecido foi louvado por todos. A questão é que ele rapidamente foi esquecido (RICHARDSON, 2008, p. 10, 11).

Esta foi a história que Paulo lembrou quando viu aquele altar, e foi com base neste acontecimento que o apóstolo aproveitou para pregar que aquele Deus desconhecido era o Deus que ele estava anunciando. Só há um Deus, e Paulo sabia disso, só um único Deus teria o poder de fazer o que foi feito naquela cidade, um Deus que havia respondido, mas que eles haviam esquecido rapidamente.

O homem tem este dom de esquecer, de ser tocado por Deus, de conhecer o seu poder, mas depois ceder as pressões ou tentações que o mundo coloca em nosso caminho. Ou pior, adorar a ídolos conforme a sua própria imagem, ídolos que não são reais, que são rascunhos de nós e nosso ponto de vista falho.

Deus fala da mesma forma que falou com aqueles atenienses, com os inúmeros profetas e também como fala conosco, a questão é que nós temos a tendência de esquecer. A vida boa e as facilidades tem o poder de apagar algumas importantes mensagens.

Ídolo é tudo o que colocamos no lugar de Deus, pode ser a profissão, sua própria força, ou o dinheiro. Tudo o que substitui Deus é um ídolo, e é justamente ele que nos afasta da verdade.

Cuidado com os ídolos, cuidado para não se esquecer de Deus e substituir ele por uma imagem falsa e sem sentido, um rascunho do seu hedonismo mortífero. 

BIBLIOGRAFIA

RICHARDSON, Don, O fator Melquisedeque, O testemunho de Deus nas culturas através do mundo, Editora Vida Nova, São Paulo, 2008

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JORNADA

“Quem consegue se importar com a jornada quando o caminho leva para casa? (James M. Gray) (WIERSBE, 2011, 113)

Não é fácil a caminhada, viver em um mundo caótico, contraditório e pecador, é um desafio, e dependendo do momento no qual estamos vivendo, um desafio dos grandes.

Hoje você pode estar bem, amanhã tendo que lidar um problema de saúde grave. Hoje você pode estar empregado, amanhã passando dificuldades em um período de crise, o que é bem pior. Não é fácil lidar com as agruras da vida, com o contraditório que uma sociedade falível produz, e principalmente com o ser humano e as suas limitações.

A jornada nunca é tranquila, mas pode se tornar mais leve, quando nos lembramos de que no fim, tudo isso será passado, fará parte de um período bem distante que não voltará mais.

Em dias de dor, a saída é sempre olhar para o céu e se lembrar de que no fim tudo compensará. A vida cristã começa aqui, as dificuldades nos moldam e nos fazem crescer. O caos nos ensina, mas também nos machuca e nos derruba. Por isso que a esperança de novos dias deve estar sempre viva em nosso coração. A certeza de que um dia o caos terá fim deve ser nossa bandeira, um ideal no qual podemos nos apegar a fim de nos tranquilizar.

Ainda não estamos em casa, ainda não terminamos a jornada, por isso temos que ter fé e persistência, pois com certeza no fim tudo compensará. Quando temos esperança, tudo fica mais leve, quando olhamos para Cristo e nos lembramos da sua promessa, acabamos por seguir mais esperançosos, gratos por saber que a paz um dia reinará em nossa vida.

BIBLIOGRAFIA

WIERSBE, Warren, W. Jesus presente, Experimente a atualidade e o poder das declarações do Filho de Deus em sua vida, Editora Thomas Nelson Brasil, Rio de Janeiro, 2011

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TAGARELICE

Estamos em dias onde o falar e o opinar é constante, afinal, antigamente apresentávamos nossa opinião em rodas de amigos ou nas mesas de café da manha. Hoje a opinião é dada a qualquer hora, de qualquer lugar e de qualquer maneira, sem medirmos nossas palavras. E isso não é tão ruim, é bom ter voz, o problema que eu vejo nas tagarelices de hoje é a superficialidade, são as conclusões sem raciocínio e sem conteúdo. Isso sem contar quando muitas vezes perdemos tempo ao ficar falando mal dos outros.  Provérbios 21:23 diz:

“Quem é cuidadoso no que fala evita muito sofrimento” (NVI)

Quem sabe guardar a língua se poupa de problemas, quem não perde tempo falando mal dos outros ou opinando em cima do que não conhece, guarda-se de problemas, o que me faz lembrar-se de um importante filósofo.

Sócrates tinha três filtros que o protegia dos problemas e burburinhos falsos, que poderíamos resumir como: “O filtro da verdade, bondade e utilidade”.

Ele dizia que quando você fosse contar algo a alguém (ou sobre alguém), você teria que se perguntar: o assunto é verdadeiro? Este é o primeiro filtro, um filtro que nos livra de muitos problemas, ainda mais nestas eras de fake news, onde a mentira é propagada como verdade absoluta.  Você pesquisou sobre o que está falando? Viu se as fontes são confiáveis? Tem certeza se o que você está divulgando é verdadeiro?

O segundo filtro é o da bondade. Sócrates continuava afirmando que ainda que não tivesse certeza, você deveria saber se o que você vai falar é bom. Não vale a pena divulgar coisas ruins com a desculpa de manter as pessoas informadas, ainda mais quando não temos certeza sobre o assunto. O que é ruim chega a nós em uma velocidade extraordinariamente rápida, não precisamos nos informar sobre o caos, pois vivemos no caos. E se é algo sobre alguém, pior ainda. Vale a pena se calar e compartilhar o que é bom, a história de superação, a bondade e a alegria. Em um mundo de caos, a prioridade deveria ser o bem e não os problemas. Não estou incentivando a fecharmos os olhos para os problemas, eles existem e devem ser vistos e discutidos, e sim, priorizarmos o que é bom que nos inspirará ao movimento de mudança e a fazermos diferença.

O terceiro filtro de Sócrates é o da utilidade. O que você vai contar é útil? Tem serventia? Ou é perda de tempo? Com o tempo vamos aprendendo a nos dedicar ao que vale a pena, a falar o que é útil, a compartilhar o que importa.

Em dias onde opinar é fácil, ter uma postura sábia e aprender a se calar é uma atitude importante. Controlar a língua é se livrar de desgraças. Saber a hora de falar ou falar apenas do que conhecemos, é uma passo importante para evitarmos o sofrimento.

Quando o comichão na língua começar, lembre-se deste versículo. Quando a tentação de discorrer sobre algo que você não conhece vier, aprenda a se calar e se livre dos problemas usando o filtro de Sócrates.

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