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EM TEMPOS DE CAOS DISSEMINE A PAZ

É durante um período de caos que descobrimos como são as pessoas, a pandemia revela o pior do homem e o quanto o egoísmo está incrustado no ser humano, mesmo que ele diga que não.

Eu sou protestante, com isso, não me impressiono com a alienação e nem a depravação humana, como a própria Bíblia ensina e a teologia explica, com isso, eu cito Romanos 3:10 a 12 que diz:

Como está escrito: “Não há nenhum justo, nem um sequer; não há ninguém que entenda, ninguém que busque a Deus. Todos se desviaram, tornaram-se juntamente inúteis; não há ninguém que faça o bem, não há nem um sequer”.

Por isso não nos impressionamos, sabemos quem o ser humano é e do que ele é capaz. Sendo que é neste período difícil que percebemos o quanto a Bíblia tem razão e o quanto muitas teorias humanas se equivocam ao falar do ser humano.

O cidadão vai ao mercado e estoca comida como se não houvesse amanhã, e com isso, os mais pobres acabam passando necessidade. Quem tem condição segue guiado por seu egoísmo, sendo que a palavra vida em sociedade vai sendo esquecida ou perdendo o efeito.

Já os comerciantes aproveitam para subir os preços e ganhar dinheiro em um período de calamidade, mostrando que no final, não há amor, e sim, apenas e impreterivelmente a busca pelo dinheiro. É como o ditado popular diz: “É cada um por si…”, e assim, o homem vai revelando quem é.  

O momento é de calma e mais do que nunca, de olhar para o próximo. Nós que somos cristãos, precisamos dar o exemplo, não divulgar notícias falsas, e cuidar com o extremismo que acaba prejudicando os outros. A pandemia traz confusão, já Cristo nos traz paz e confiança. 2 Tessalonicenses 3:16 diz:

“O próprio Senhor da paz lhes dê a paz em todo o tempo e de todas as formas. O Senhor seja com todos vocês”.

Paulo não vivia dias calmos, ele sempre transitou entre a incerteza e a insegurança. Teve que lidar com momentos de faltas, prisões e necessidades, sendo que era justamente nestes momentos que ele não esquecia nunca de que Deus estava com ele, e onde ele estava, a sua oração era sempre por paz.

Em tempos de caos, devemos ter paz, devemos mais que nunca confiar em Deus e sem dúvidas, prestar toda a atenção no próximo. É um ato de amor sermos conscientes, consumir de forma regrada, e não nos desesperarmos com notícias que semeiam o caos.

É nesta hora que temos que mostrar as pessoas em quem confiamos, e com nossas atitudes, pregar vida e não morte ou o desespero. Cristo não nos prometeu uma vida tranquila, ao contrário, ele nos avisou que teríamos aflições, contudo ele venceu o mundo (João 16:33). E é este Deus que venceu que está conosco, que não nos abandona, que está sempre com a gente.

Ser cristãos é sofrer, mas também saber quem é que nos dá força, é ter certeza que quem venceu o mundo não nos abandonará. Creio que a marca de todo o cristão não é uma vida sem problemas, mas ter paz, apesar deles.

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FALSO JULGAMENTO

Passo sempre em frente a um museu que fica no meio de uma praça. Um local no qual sempre vejo alguns animados mendigos, não sei de onde vem tanto ânimo, mas confesso que a alegria me inspira, talvez seja a saída deles para não morrer de frio em nossas geladas noites de inverno

O curioso em um destes dias foi ver o segurança do museu olhando para os mendigos, eu quase parei para observar com mais cuidado. Ele olhava com cara de desdém, como se não  tratasse de seres humanos, mas algum tipo repulsivo de ser. É curioso ver como constantemente nos colocamos como diferentes de tudo e todos, seja por causa da profissão, status ou credo, como se isso nos tornasse outra coisa que não seres humanos.

Ao olhar para a Bíblia vemos meio que do mesmo, de um lado os religiosos da época, tratando os gentios como seres inferiores. Eles eram os que cumpriam a lei à risca e se consideravam especiais. E do outro lado Cristo, que não perdia oportunidade de estar com os excluídos do seu tempo. A Bíblia mostra muitas vezes ele sendo julgado por estes religiosos, sendo colocado de lado por ter misericórdia de quem precisava de ajuda.

É fácil nos considerarmos especiais, principalmente quando temos dinheiro, diploma ou um bom cargo. Nós somos rápidos em nos dividir, mesmo que de forma inconsciente. A grande questão está em conseguir entender o próximo.

Vivi um bom tempo trabalhando na rua e por isso conheci de tudo, desde pessoas especiais, com inúmeros dons, mas que estavam entregues a drogas, bebida ou coisas do tipo. Até artistas de rua, que viviam de sua arte, mesmo que com limitado dinheiro, acreditando que aquela era a forma certa de viver.

Foi durante este tempo que pude entender que é injusto julgar alguém só com um olhar. As pessoas são mais do que aparências, existe muito mais do que a nossa visão capta. Com o tempo, seguimos percebendo como é perigoso o nosso falso julgamento, principalmente quando julgamos sem saber. O mundo padroniza, ele cria um modelo justamente para vender, isso quando não se apropria dos padrões existentes, e por mais que tenhamos o nosso padrão, não podemos aceitar que nós sejamos o ponto de partida de tudo, pois não somos iguais.

Somos mais do que aparentamos ser, por isso que não podemos concluir só com um olhar. É preciso caminhar, entender e continuar lado a lado, até que entendamos o próximo.

Os Fariseus da época de Jesus acreditavam que eram “melhores” que os gentios, sendo que hoje as atitudes não são muito diferentes. O homem costuma se colocar como melhor, e prefere muitas vezes olhar de cima do que estar ao lado.

É fundamental, se queremos ser cristãos relevantes, olhar para o próximo com respeito, entendendo que cada um tem suas dificuldades, a questão é que algumas são mais visíveis. É prioridade máxima, saber olhar para o próximo não com olhar de condenação, mas de graça, tal qual como Cristo olhou, para que assim possamos oferecer o evangelho ao invés de desprezo.

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SÍNDROME DE ADÃO

Acho totalmente contraditório pessoas que se consideram superiores e autossuficientes. Aliás, acho inclusive ser uma atitude totalmente burra, afinal, desde que nascemos, somos dependentes.

A criança, por exemplo, é um dos seres vivos que mais fica com seus pais. Enquanto filhotes alcançam a independência em poucos anos, uma criança demora uns 20 anos, sendo que alguns, só serão completamente independentes depois dos 25 ou 30, isso quando são.

Não somos autossuficientes, o homem sem o dono do mercado, o funcionário que faz sua empresa andar ou os clientes que consomem e seu produto, não são nada. Mas nós não tardamos em tentar ser, ou mostrar que somos independentes, superiores e autossuficientes, desde o Éden fazemos isso. Preferimos dar ouvidos a serpente, que acreditar em Deus. Preferimos comer o fruto proibido e tentar seu igual ao criador ao invés de depender Dele (Gênesis 3):

“Eva mordeu a isca! A tentação de ser como Deus anuviou sua visão, e a simples mordida em um fruto teve sérias implicações no Reino de Deus” (LUCADO, 2005, p.152).

O problema do homem é tentar ser igual a Deus, é pensar que é eterno e infinito. Volta e meia esquecemos quem somos e mergulhamos em uma vida de mentira e autoengano. E eu não estou falando que não devemos tentar fazer o nosso melhor, nos prepararmos, nos dedicarmos para sermos bons no que fazemos. E sim que alguns fazem tudo para serem superiores em uma espécie de culto a exaltação pessoal:

“Mas há um abismo de diferença entre fazer o melhor para glorificar a Deus e fazer tudo para exaltação pessoal. A luta pela excelência é uma prova de maturidade. A busca pelo poder é infantilidade” (LUCADO, 2005, p.152).

O poder nos distancia de Deus, é uma busca vã e sem sentido, pois esta busca é um tanto quanto cega e irreal. A estrada de quem busca poder é a soberba, o caminho de quem se dedica ao poder é finito. Gosto de como Max Lucado exemplifica a busca por poder:

“Por favor, preste atenção ao que vou dizer. O poder absoluto é inatingível. O mastro que conduz ao topo é escorregadio, e os degraus da escada são feitos de papelão” (LUCADO, 2005, p.153, 154).

Quase no fim do ano de 2017 o furacão Irma devastou inúmeros países por onde passou. A Ilha de Barbuda teve 90% de suas casas destruídas, em outros países, inundações e destruições eram vistos aos montes e o homem não pode fazer nada. O poderoso país americano, que sofreu um bocado com o furacão, também teve que se calar diante de tal furor.

Quando eu vejo estas tristes calamidades, sem demora eu lembro de minha condição, e do quanto preciso de Deus. Confiar n’Ele é básico, entender que a busca por poder é uma busca infantil e pequena, que só nos leva a perdição é importante para não cairmos em velhos buracos. Gosto de como o livro: “O impostor que vive em mim” de Brennan Manning termina, nos traz uma boa luz a esta reflexão:

“Que todas as suas expectativa sejam frustradas, que todos os seus planos sejam atrapalhados, que todos os seus desejos sejam reduzidos a nada, que você possa experimentar a impotência e a pobreza de uma criança, e então cantar e dançar no amor de Deus que é Pai, Filho e Espírito” (MANNING, 2007, p. 13)

Este é um dos segredos para não cair na mesma armadilha que Adão e Eva caíram, esta é uma das formulas para nos mantermos com os pés no chão, não nos entregarmos a venenos tão antigos e seguir olhando para Cristo e sua graça.

Quando aproveitarmos o caos para termos dependência d’Ele. Ou olharmos os problemas e catástrofes e nos lembrarmos do quão fracos somos e o quanto precisamos de Deus, dificilmente nos consideraremos poderosos e assim seguiremos o caminho certo da dependência de Deus

Não adianta amigo buscar poder, pois o poder passa, o nosso tempo é finito, por isso não o desperdice. Tenha como prioridade o que te traz vida, o que é eterno o que a traça não corrói, isso sim vale a pena.

BIBLIOGRAFIA

LUCADO, Max, O aplauso do céu, Editora United Press, São Paulo,2005.

MANNING, Brennan, O Impostor que vive em mim, Editora Mundo Cristão, São Paulo, 2007.

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DÚVIDAS NA CAMINHADA

Considero Tomé como um dos homens mais injustiçados da história. Ainda mais que o seu nome hoje em dia é quase um sinônimo de dúvida. Ele é conhecido por não ter acreditado que Cristo havia ressuscitado e é aí que está a injustiça e a contradição. Pois quando Maria Madalena foi contar aos discípulos que Jesus estava vivo eles também não acreditaram (Marcos 16:11). Tanto que Cristo até repreende os onze apóstolos por não terem crido na notícia de sua ressurreição (Marcos 16:14). Não foi só Tomé que duvidou, todos os outros apóstolos também duvidaram.

A Bíblia nos mostra inúmeras ocasiões no qual os apóstolos duvidaram.  Durante a tempestade, mesmo com o Cristo a bordo do barco, tiveram medo da tormenta e duvidaram que iriam chegar ao fim da travessia (Marcos 4:35-41). Tiveram dúvida de como iriam alimentar uma multidão faminta, no episódio da multiplicação dos pães e peixes (Mateus 6:1-15) e por aí vai, são muitos episódios de dúvidas que encontramos nos evangelhos, de pessoas que andavam com Jesus, viam seus milagres, mas muitas vezes titubearam. Duvidas são constantes, o sentimento de que estamos orando para as paredes, para algo que não existe, é comum. O medo, a dor, as dificuldades nos cegam constantemente e duvidar não é pecado.

Quando eu vejo estes exemplos na Bíblia eu olho para a minha vida, não consigo deixar de fazer um link com minhas dúvidas e dificuldades. Quem nunca duvidou? Quem nunca se sentiu sozinho, abandonado em meio ao caos?

A parte curiosa do texto é que Cristo não condena Tomé por duvidar, ao contrário, ele sana as suas dúvidas. E termina tendo o privilégio de tocar em suas feridas, conferir de forma minuciosa que Cristo havia ressuscitado (João 20:26-29). Talvez a dúvida de Tomé tenha sido maior, quem sabe ele foi só mais veemente, mais sincero, não sabemos ao certo, o que sabemos é que muitas vezes duvidamos, não só Tomé. Diante do caos é comum a dúvida, mesmo vindo de pessoas que andam com Jesus.

Ao meu ver a dúvida evidencia o quando somos pequenos e limitados, o quanto deixamos de confiar em Deus. É fácil acreditar em Deus quando tudo está bem, o desafio é crer quando tudo está mal.

O problema amigo nunca foi a dúvida, aliás, já aviso de antemão que ela sempre vai existir. A questão é o que você faz com ela, o que a dúvida leva você a fazer. Pois se ela não te empurrar para a palavra, a oração ou a buscar mais a Deus, aí a coisa complica. Eu tive muitas dúvidas em minha caminhada, porém tenho uma certeza que me dirige: Eu sou muito limitado, pequeno demais para entender.

A dúvida não deve nos paralisar, na dúvida temos que buscar a Deus, clamar e ler a sua palavra. No caos e na incerteza, olhar para a cruz é o segredo caso contrário cairemos, sucumbiremos ante as nossas limitações e fragilidades.

A conversa com Tomé termina de forma perfeita, e entra em minha mente como uma bofetada, me ensinando uma lição que no caos as vezes eu teimo em esquecer:

Felizes são os que não viram, mas assim mesmo creram! (João 20:29)

Na dúvida creia e não desista, no caos acredite e olhe para a cruz, este é o segredo para que não sucumbamos por conta da nossa fragilidade.

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CRISTIANISMO LÍQUIDO

Zigmund Baumann, famoso sociólogo, escritor e professor lançou uma série de livros analisando o comportamento da geração atual e o impacto que ele causa na sociedade.

Em seu livro mais famoso chamado “Amor Líquido” o autor analisa as relações pessoais e mostra quais são as diferenças vistas em cada geração. Baumann chega a uma conclusão muito interessante: “Os relacionamentos de hoje não são sólidos”:

“Assim, não se pode aprender a amar, tal como não se pode aprender a morrer. E não se pode aprender a arte ilusória inexistente, embora ardentemente desejada de evitar suas garras e ficar fora de seu caminho. Chegado o momento, o amor e a morte atacarão, mas não se tem a mínima ideia de quando isso acontecerá” (Bauman,2009,  pg. 17).

Falar de relacionamentos é também falar de cristianismo, a comunhão e os relacionamentos, bem como o amor, que nos leva a nos relacionar, é o cerne do evangelho. Para isso é importante sabermos qual tipo de amor é o nosso. Por isso que a pergunta que eu faço é justamente esta, qual é a sua concepção de amor? É um sentimento ou uma ação,  um se doar diário, ou um eterno esperar por retribuição? São estas linhas de visões que diferem o amor líquido, do amor sólido. O conceito de amor líquido tem este nome porque muitos dos relacionamentos de hoje não são sólidos, são impossíveis de pegar, tal qual a água.

A igreja também não esta muito longe deste fenômeno, o evangelho, que deveria ser palpável e sendo sal e luz, está cada vez mais para um brilho tímido e apagado, ou um temperinho que não mais salga, ao invés de um posicionamento que realmente faça diferença.

Eu tenho visto uma igreja que quer ser servida, tenho conhecido cristãos que não se importam mais em estudar e conhecer a Bíblia, e o orar é praticado apenas antes das refeições.

Segundo estes cristão é pecado beber, ter amigos não cristãos, ou usar uma roupa diferente. Mas se fechar em suas quatro paredes, ouvir cegamente o pastor sem ao menos conferir na Bíblia e desprezar algumas pessoas por não serem cristãs, não é errado.

Eu tinha um colega de trabalho cristão que vivia me falando besteiras, e entre algumas delas ele falou: Não sei por que você estuda tanto a Bíblia, acredito que se o nosso pastor tem o cargo de pastor, é porque ele sabe das coisas, eu não preciso duvidar.

A Bíblia é enfática quando diz que devemos examinar as escrituras (João 5:39). Cristo foi duro com os Saduceus quando falou que eles erravam por não conhecerem as escrituras (Marcos 12:24), isso sem contar que ela é nossa lâmpada e a nossa luz para a caminhada (Salmos 119:105) entre tantas coisas. Deixar de estudar a Bíblia é um perigo, é se deixar ser manipulado ou não conhecer a vontade de Deus tão explícita no texto bíblico.

O seu cristianismo é sólido ou líquido? Sua busca por Deus tem como base a palavra de Deus, ou a do pastor? Você só ora na igreja ou pelo menos tem tentado ter uma vida de oração em casa?

Estas são as diferenças dos cristãos líquidos dos que não são. Estudar a Bíblia, e buscar a Deus são ferramentas necessárias para ser um cristão sólido. Para quando o mau tempo chegar, você não evapore com os conceitos do mundo.

O cristianismo sólido edifica, o cristianismo líquido seca, evapora e não mais se vê. O cristianismos sólido faz a diferença, o líquido ocupa espaço e não traz significado algum as pessoas. Resta saber quais das duas categorias você quer estar

BIBLIOGRAFIA

BAUMAN. Zygmunt, Amor líquido, Sobre a fragilidade dos laços humanos, Editora Zahar, Rio de Janeiro, 2004

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LIÇÕES NO CAOS

“Não me deixe rezar por proteção contra os perigos, mas pelo destemor de enfrentá-los (Rabindranath Tagore) (ARANTES, 2019, p. 53)

Ninguém gosta de problemas, duvido que alguém sinta prazer em enfrentar dificuldades, mas uma coisa é inegável, nós crescemos com os problemas.

O caos nos desafia, é através dos problemas que saímos da nossa zona de conforto e navegamos rumo a outros mares. São as dificuldades que nos unem, nos fazem mais humanos, conscientes de nossa falibilidade.

Quando não temos mais um chão, nos movemos e procuramos saídas. Quando perdemos a segurança, caminhamos em busca de novos ares e outras oportunidades.

Foi por conta de uma destas buscas que acabei por encerrar a minha banda. Desanimei por conta de inúmeras questões, e decidi que valia a pena tentar outras coisas, e não me arrependi. Uma das novas coisas foi o blog, que me toma um tempo grande, mas me ajuda a crescer todos os dias, além de inúmeros outros projetos.

A falta de oportunidades me fez seguir para outros rumos, estudar alguns cursos que antes eu não estudaria, e cresci com o que aprendi. As novas perspectivas que eu descobri não têm preço, agradeço a todos os problemas e dificuldades que me fizeram sair da zona de conforto.

  O caos nos movimenta, os problemas nos forçam a seguir por outras rotas, para novos rumos. Por isso, a minha oração têm sido apenas por força e ânimo para passar pelos problemas, ao invés de buscar saídas milagrosas. Eu só quero poder passar por tudo e aprender, ao invés de fugir dos problemas.

O deserto nos ensina, os problemas nos dão força e capacidade de sermos mais resistentes, quando ansiamos por saídas e atalhos, acabamos por perder a lição.

A minha oração é um pedido de coragem e força para seguir e enfrentar os dias complicados. Com Deus ao nosso lado, podemos seguir seguros, pois com certeza, não estamos sós nas batalhas.

O caos ensina e nos fortalece, as lutas nos moldam e nos dão outra visão, por isso não peça por atalhos, mas por força para enfrentar e crescer com os problemas.

BIBLIOGRAFIA

ARANTES, Ana, Claudia, Quintana, A morte é um dia que vale a pena viver, Editora Sextante, Rio de Janeiro, 2019

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METAMORFOSE

Quando eu era mais novo eu tinha um amigo muito divertido, ele era o alto astral em pessoa. Não conseguia ver ninguém triste sem chegar ao seu lado e levantar os ânimos. Quando saíamos, se o amigo ao lado não tivesse dinheiro ele dava um jeito. E se a pessoa precisasse de ajuda, seja ela qual fosse, ele sempre estava bem disposto a colaborar. Na vizinhança ele era conhecido por seu bom humor, era a sua marca pessoal, até que ele conheceu a Jesus. Dizia a nós que a sua vida havia mudado e que agora ele tinha conhecido a verdadeira alegria, estranhamos na hora, mas respeitamos.

O problema era que aquele amigo aos poucos se distanciou, já não tinha mais tempo para os amigos e pasmem, nem para a família. Ele falava que ir a igreja tomava o seu tempo e a prioridade dele era ir à casa do seu Deus. O mais estranho era que aquele homem que outrora era bem humorado e que não se afastava dos seus, não priorizava mais aquelas pessoas e muito menos tinha mais aquele seu jeito bem humorado e brincalhão, que outrora era parte de sua maneira de ser. Aos poucos o grande e feliz amigo passou a parecer outro, vivia com o semblante sério, e buscava estar longe do “mundo”, sem conviver mais com os amigos pecadores, pois não eram boas companhias, era o que ele dizia.

Passou-se muito tempo até que este amigo conhecesse a Bíblia, e aprendesse a ler e estudá-la de modo sério e coerente, este rapaz descobriu que muitos dogmas da igreja não tinham base Bíblica, e que o futebol de fim de semana que ele tanto gostava não era pecado. Ele leu na Bíblia sobre Jesus e como aquele homem convivia com excluídos, prostitutas e gente desonesta, percebendo assim que um bom cristão é luz e sal para estas pessoas. Este homem aprendeu também que aquela linguagem falada na igreja era totalmente desconhecida e que falar a linguagem das pessoas comuns era imprescindível para uma boa evangelização. Ele aprendeu também que o exemplo pessoal fala muito mais do que ficar tagarelando sobre Deus o tempo todo, e orar, ajudar, caminhar junto com as pessoas é uma evangelização muito mais eficaz.

O problema era que ele já tinha se transformado em outro, a religião fez com que os seus amigos se distanciassem dele e vissem ele como um cara chato e pedante, alguém que ninguém queria conviver.

Esta narrativa não é de uma pessoa apenas, já vi está história se repetir inúmeras vezes. Foram muitos os que eu conheci que depois de conhecer a Jesus, se distanciaram das pessoas.

Não é preciso se separar das pessoas para se viver o evangelho. Ser cristão não é estar em um gueto fechado, ao contrário, é seguir o ide, é estar entre a multidão, é dar o exemplo. E exemplo só é possível dar em meio às pessoas.

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FONTE DA JUVENTUDE

Cresci lendo livros sobre fontes da juventude, sobre vampiros imortais e coisas do tipo. Para uma criança a eternidade é interessante, para elas ter a vida toda para fazer o que quiser é o máximo, até crescerem e perceberem que a questão não é bem assim.

 Quando li Drácula de Bram Stoker percebi que a sua longevidade era um castigo e não um dom, viver sofrendo eternamente era o seu tormento. Mas quando olho para a Bíblia e leio sobre um Deus eterno, sem princípio e nem fim, que não fica entediado além de ser amor, paz, vida, eu fico muito impressionado. Augusto Cury complementa:

“Esse Pai imortal que deveria ter sido asfixiado pelo tédio parece ter vivido uma espantosa tranquilidade em toda a sua história existencial” (CURY, 2006, 47)

É por estas e outras que a meu ver a explicação mais coerente deve se resumir em apenas afirmar que “Ele é Deus”, e isso basta, pois explicar um ser tão intrínseco é impossível. Poderíamos passar a vida toda analisando Deus, se isso fosse possível, e mesmo assim não o entenderíamos. Qualquer conclusão nossa sobre Deus vai ser sempre pequena e simplista, a saída é crer e confiar.

Vida eterna sem Deus é sempre pouco, viver para sempre, mas mergulhado no pecado é um sofrimento, uma angústia interminável e apesar de eu não saber como explicar um Deus que é eterno, mas ao mesmo tempo é vida, poder, criatividade, de uma coisa eu tenho certeza, viver seguindo seus passos é sempre ir de encontro à vida. Jó 21:22 diz:

Ora, será possível que alguém possa acrescentar algum conhecimento ao Todo-Poderoso, que julga também os seres celestiais?

Não é possível, seja entender, ensinar ou quantificar o mínimo do que Deus é. Um Deus explicável por qualquer ser humano finito, provavelmente não é Deus, ao contrário, deve ser apenas uma cópia barata do ponto de vista caído do ser humano.

No fim a fonte da juventude vai ser sempre um tormento para quem não tem Deus. Desejar viver eternamente no pecado e longe dele é no mínimo uma loucura. Não há opção mais insana do que viver uma vida eterna no pecado e sem Deus.

Sem Deus caminhamos perdidos, a esmo, sem direção, sem Deus uma eternidade é um tormento, com ele, um minuto é uma vida inteira.

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RELACIONAMENTOS CRISTÃOS

“Pode-se dizer mais sobre um monge a partir da forma pela qual usa a vassoura do que por qualquer coisa que diga” (Thomas Merton) (YANCEY, 2004, p. 64)

Trabalhei em uma empresa, há muitos anos, onde o dono era muito colaborativo, além de muito acessível. Ele cumprimentava a todos, dava atenção a quem quer que fosse, e se fosse preciso ele colocava a mão na massa, coisa que fez inúmeras vezes, sem esquecer que não se tratava de uma empresa pequena. Não era raro vê-lo de terno e gravata, em meio aos muitos funcionários, carregando caixas quando era preciso. Sempre que penso em um líder humilde e acessível, eu me lembro dele.

Tal citação de Thomas Merton não pode estar mais certa, eu só mudaria de monge para cristãos. Pois, afinal, o modo no qual nós nos relacionamos, diz muito de nós.

Em um mundo dividido em méritos, degraus e classes, não tem nada de anormal ver o próximo como estando em posições diferentes das nossas. A questão é que a graça nos obriga a sair deste padrão, a entendermos que no fim estamos na mesma mão, pois fomos alcançados pelo amor de Deus, mesmo sem merecer. A graça nos nivela, nos faz olhar o próximo com o mesmo amor no qual Deus olhou para nós.

Aquele meu antigo chefe, que eu falei no começo do texto, não media esforços para atender a sua empresa. Para que o negócio fosse para frente, ele colocava a mão na massa se precisasse e não pedia tempo desvalorizando um funcionário. Ele sabia a sua importância dentro da empresa.

No reino não é diferente disso, nenhum trabalho é pequeno, nenhuma função é menos importante que a outra. Pois, no fim, todo o trabalho é para a honra e glória de um só Deus e fundamental para que a obra avance e cumpra o seu ide.

Uma vida que se distancia de um cabo de vassoura é certamente uma vida que não entendeu o evangelho. É claro que alguns trabalhos trazem consigo mais responsabilidades, mas não nos faz superiores. Só há um superior, só há um no centro de tudo, o resto é categorização humana.

BIBLIOGRAFIA

YANCEY, Philip, Rumores de outro mundo, A realidade sobrenatural da fé, Editora Vida, São Paulo, 2004.

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HUMILDADE

Naquela ocasião Jesus disse: “Eu te louvo, Pai, Senhor dos céus e da terra, porque escondeste estas coisas dos sábios e cultos, e as revelaste aos pequeninos. (Mateus 11:25)

Tenho receio de pessoas orgulhosas, que se colocam como os melhores, os que sabem de tudo. O orgulho não combina com uma pessoa que está aberta ao aprendizado. A humildade é a marca dos verdadeiros sábios, e principalmente a marca de quem serve a Deus. Eu desconfio de cristãos orgulhosos e prepotentes, tenho um pé atrás quando conheço alguém que se coloca como sabichão, o dono da verdade.

O texto em questão fala das pessoas que se apoiam em sua própria sabedoria, uma sabedoria contaminada pela soberba:

“O que Jesus ensinou em Mateus 11 não é que Deus ocultou a verdade às pessoas inteligentes, mas que, aqueles que se apoiam em sua própria sabedoria, separam-se da verdade. A sabedoria e inteligência deles estão corrompidas pelo orgulho” (MACARTHUR, 2015, p. 147)

O orgulho é um veneno, uma erva daninha que corrompe a mensagem do evangelho. Um cristão orgulhoso se esquece de quem ele é, do quão falho e podre é a sua vida, e do quanto precisa olhar para a cruz para seguir. A humildade é uma das marcas do cristão, é o sinal de quem realmente entendeu a mensagem do evangelho, de quem realmente é maduro na fé. Eu gosto do que Philiph Yancey fala no livro Maravilhosa Graça sobre a fé madura

“Em outras palavras, a prova da maturidade espiritual não é quanto você está “puro”, mas sim, a conscientização da sua impureza. Essa mesma conscientização abre portas para a graça” (YANCEY, 2012, p. 187)

Esta é a fé madura, pois sabemos que quando somos novos convertidos, fazemos muitas besteiras e às vezes beiramos ao legalismo, mas quando estudamos, somos discipulados, oramos e aprendemos isso muda, ou devia mudar, pois infelizmente alguns nunca amadurecem na fé.

Não existe espaço para orgulho no cristianismo, é uma tremenda contradição de quem segue a Deus ser cristão e orgulhoso ao mesmo tempo. Pois a base do cristianismo é o arrependimento, é sabermos quem somos e o quando precisamos de Deus. Um cristão deve ser humilde, ou pelo menos lutar para que a cada dia seja. Afinal, somos salvos pela graça, não por obras, não temos a capacidade de entender as verdades espirituais por nós mesmos, somente através da revelação divina, e somos dependentes de Deus e não de nossa própria força, enfim, tudo aponta para a nossa falta de capacidade.

“Quem pode obter salvação? Aqueles que, como crianças, são dependentes e, não, independentes. Os que são humildes, não orgulhosos. Os que se reconhecem incapazes e vazios. Cônscios de que nada são, os “pequeninos” voltam-se para Jesus em dependência absoluta” (MACARTHUR, 2015, p. 147)

Entre todas as marcas de uma conversão genuína, a humildade é uma delas, e essencial para uma vida cristã coesa. Tudo começa dentro de nós, uma transformação tão profunda que reflete em nossa conduta e jeito de ser. É algo que começa dentro de nós, no interior e reflete no exterior. É impossível sermos tocados, sem termos nossa vida transformada, sendo a humildade um dos frutos, entre os tantos que Gálatas 5:22-23 enumera.

BIBLIOGRAFIA

MACARTHUR, John, O evangelho segundo Jesus, Fiel Editora, São Paulo, 2015

YANCEY,Philiph, Maravilhosa Graça, Editora Vida, 2012

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