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REINO DE DEUS

Certa vez, tendo sido interrogado pelos fariseus sobre quando viria o Reino de Deus, Jesus respondeu: “O Reino de Deus não vem de modo visível, nem se dirá: ‘Aqui está ele’, ou ‘Lá está’; porque o Reino de Deus está entre vocês” (Lucas 17:20,21)

Em nossos dias temos muitas teorias de como será a vinda de Cristo, onde será o céu, se a terra vai ser restaurada ou não, enfim, são muitas especulações, sendo que na época de Jesus não era diferente. Muitos naquele tempo acreditavam que o Messias viria para libertar o povo judeu das garras do reino de Roma:

“A pergunta dos fariseus alicerçava-se sobre um conceito bem formal do reino divino, que para eles na verdade deve ser equiparado ao “reino messiânico”. Eles imaginavam a vinda do reino de Deus, ou seja, do “reino messiânico”, como um acontecimento histórico súbito, exteriormente grandioso, que poderia ser verificado com precisão como espectador” (RIENECKER, 2005, p. 357)

Seria uma restauração, um novo começo e era justo esta a pergunta que os fariseus faziam para Cristo, só que e o que Jesus lhes respondia era justamente o contrário, este reino não era um reino político:

“Jesus queria dizer que o Reino de Deus já estava presente na pessoa de seu Rei. O Reino já estava ali”.

“Os fariseus não conseguiam ver isso. Tudo o que viam era um carpinteiro da Galiléia, um fanático empoeirado que atacava a posição deles, bem como a eles próprios” (RICHARDS, 2013, p. 798)

Cristo inaugurou um outro reino, que não é terreno, não é calcado nas coisas finitas deste mundo e sim, um reino espiritual, encarnado na pessoa de Jesus e dos seus seguidores.

Eu respeito os irmão que acreditam no reino milenar de Cristo aqui na terra e em todas as interpretações a respeito do milênio. Mas a meu ver a Bíblia é clara, o nosso reino é espiritual, não é terreno. Jesus veio para mudar nosso coração, transformar a nossa vida e não nos dar coisas e regalias aqui neste mundo:

“O ser humano em sua cegueira natural anseia por condições melhores, não, porém pela melhora do coração. Visa uma nova realidade, não, porém um novo pensamento” (RIENECKER, 2005, p. 358)

Cristo veio transformar vidas, dar o exemplo de como é ser cristão, ele não veio para reinar de forma política no mundo e sim em corações. É claro que um dia Ele virá, mas enquanto não vem, o reino d’Ele é em nosso coração e nós seus seguidores fazemos parte deste reino.

BIBLIOGRAFIA

Bíblia Sagrada – Bíblia de Jerusalém; Paulus, São Paulo, 2013

RICHARDS, Lawrence, Comentário Bíblico do Professor, Um Guia Didático Completo Para Ajudar no Ensino das Escrituras Sagradas do Gênesis ao Apocalipse, Editora Vida Acadêmica, São Paulo, 2013

FRITZ, Rienecker, Evangelho de Lucas, Comentário Esperança, Editora Esperança, Curitiba, 2005

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DEUS E AS PEQUENAS COISAS

Foi em dias de dificuldade e dor que aprendi algumas importantes lições para a minha caminhada com Deus, aprendizados que tenho guardado como tesouro para o meu caminho. 

A primeira delas é que é nas pequenas coisas que vemos Deus agir. Não adianta, é comum vermos Deus como um mágico, um super-herói ou coisa parecida, pronto a nos ajudar.

Entenda que Deus tem seus meios, e quando nos ajuda, é da sua forma e não da nossa. Não espere Deus seguir suas receitas, suas dicas ou atender a seus pedidos como um servo, Deus é Deus, e quando nos ajuda usa os seus próprios caminhos, não entendemos porque, mas sabemos que são caminhos bem melhores que os nossos, por isso se entregue aos seus pés e confie.

Tenho conseguido ver Deus nas pequenas coisas, agindo na maioria das vezes de forma sutil e natural. Seja através de uma boa oportunidade, por meio de um amigo, médico ou coisas tais. Não é que Deus não tenha poder algum, e sim, a meu ver, que ele evita shows pirotécnicos e acaba tomando um caminho natural. Faça uma avaliação de tudo o que já aconteceu na sua vida, reveja todas as suas conquistas e note como Deus tem estado presente em todo o momento o problema é que as vezes não vemos.

A segunda lição é que Deus nos ajuda mais nos dando forças e oportunidades do que agindo em nosso lugar.

Temos mania de tratar Deus como um garçom pronto para nos servir. Se Deus é pai, como bem acreditamos, ele faz de uma forma no qual possamos aprender. Perceba que Deus não é aquele pai que mima e segue fazendo a nossa vontade, ele é mais como um pai que cuida e nos ensina. Deus não faz nada do que é para fazermos, ele não nos isenta de nossa responsabilidade, mas nos dá sabedoria e meios para enfrentarmos as situações e conseguir vencer as dificuldades.

É nas pequenas coisas que vemos Deus, principalmente quando vencemos o hedonismo e passamos a confiar nele de forma realmente plena. É quando olhamos em volta de forma sincera e sem exigências, como dependentes dele que somos, que enxergamos o seu cuidado. Ser cristão não é ser servido, mas servir, se dedicar, é confiar em Deus, independente do caos que nos cerca, é por isso que quando confiamos, aprendemos a ver nas pequenas coisas Deus cuidando de nós a cada segundo.

Confie em Deus e aprenda a ver a sua mão cuidando de você, perceba que a sua força de lutar e procurar uma saída vem dele, sinta Deus caminhando com você e perceba que a saída nunca vem de nós. Deus está sempre presente, sempre cuidando e nos amparando, o problema é que as vezes queremos mais e da nossa maneira, com isso, não enxergamos o seu cuidado em toda a nossa caminhada.

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E O VÉU RASGOU

Depois de ter bradado novamente em alta voz, Jesus entregou o espírito.
Naquele momento, o véu do santuário rasgou-se em duas partes, de alto a baixo. A terra tremeu, e as rochas se partiram. (Referência: Mateus 27:50-54)

Quando eu era novo frequentava uma igreja que carecia muito de ensino da palavra. Eu cresci não entendendo um monte de coisas que fui entender só muito tempo depois, e o véu se rasgando foi uma destas coisas. O que é uma pena, pois é uma passagem importante e realmente fundamental para a fé cristã.

Nesta passagem Cristo havia acabado de morrer, cataclismos naturais e eventos misteriosos sucediam a sua morte, mas o véu se rasgando é muito mais que apenas um acontecimento aleatório, sem significado.

Este véu era o que escondia o santo dos santos, onde somente o sacerdote podia entrar no dia da expiação como explica Levítico 16:1-30. Após a morte de Cristo o lugar ficou a vista. Estava sendo inaugurado um novo tempo, sem sacerdotes ungidos fazendo ponte entre nós e Deus, pois Cristo já morreu por nós de uma vez por todas e sem lugares santos, pois agora podemos buscar a Deus em qualquer lugar.   

“O que se queria expressar nessa hora tão estranha por meio deste evento extraordinário, jamais acontecido na face da terra? A velha aliança estava desfeita. A sombra teve de ceder à realidade. Os paradigmas foram cumpridos. As profecias foram realizadas. Os sacrifícios foram extintos por meio do único sacrifício que prevalece eternamente” (RIENCKER, 2012, p. 443)

Do período do sacrifício de Cristo em diante, o que vale é a sua graça, não mais sacrifícios, nem sacerdotes como mediadores, nem lugares especiais. O acesso a Deus, deste período em diante se dá somente através de Cristo.

Eu fico preocupado quando vejo cristãos ressuscitando práticas da lei que a próprio Bíblia aboliu, costurando novamente o véu que o próprio Deus rasgou. Pois não seguimos mais a lei, muito menos temos um sacerdote ungido por Deus como mediador. O acesso a Deus é através de Cristo, o véu se rasgou inaugurando uma nova era.

Não existe igreja santa, sacerdote ungido, cristão especial, depois do sacrifício de Cristo, não há mais mediador, a velha aliança foi desfeita, um novo período se inaugurou. Por isso não costure o véu novamente, não queira instituir leis que o próprio Novo Testamento aboliu. Entenda que a graça é o centro de tudo, e a lei apenas prova que sem Deus e a sua graça estamos condenados.

BIBLIOGRAFIA

RIENCKER, Fritz, Evangelho de Mateus, Comentário Esperança, Editora Esperança, Curitiba, 2012

CHAMPLIM, Rn. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo, Editora Hagnos, SÃO PAULO, 2014

Bíblia Sagrada, Bíblia NTLH, Sociedade Bíblica do Brasil, São Paulo, 1998

Bíblia Sagrada, Bíblia de Jerusalém; Paulus, São Paulo, 2013

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VIDA CRISTÃ

“Deus não nos concebeu sua palavra para que a pudéssemos explicar para outros, mas para que nós mesmos a experimentemos e a vivamos para que os outros vejam o senhor” (WIERSBE, 2011, 114)

A Vida cristã começa na prática, e não no discurso, é claro que temos a missão de ir e pregar, contudo antes de qualquer coisa, precisamos “ser”, para assim transmitir algo verdadeiro, algo que realmente vem de uma vida sincera.

As pessoas notam quem vive no discurso, quem fala uma coisa e faz outra. As pessoas notam palavras vazias, descontextualizadas e sem vivência. Por isso que viver o evangelho é essencial para que a pregação se torne viva, fruto de uma vida que realmente segue o evangelho, e não apenas fala por falar.

O dito popular “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço” pode ser útil para justificar sua falta de comprometimento, mas não serve para quem segue o evangelho. O autor faz mais uma pontuação que resume bem o assunto e que refuta alguns destes pensamentos encurtados:

“O cristianismo não é um credo, uma organização nem um sistema religioso. Ele é a vida de Deus nos seres humanos, tornando-nos mais semelhantes a Jesus Cristo” (WIERSBE, 2011, 114)

Antes da instituição, antes da placa da igreja, antes dos ritos, vem a vida que faz diferença na nossa. A palavra deve encarnar e nos fazer semelhantes a Jesus, que nos deu a vida.

Não estou pregando contra a igreja, nem eu acho que ser cristão é ser um “sem igreja”. Precisamos da comunhão, e uma igreja que prega a palavra, nos ajuda a viver cada vez mais próximo a Cristo.

O que eu quero resumir é que antes de tudo, a palavra deve fazer diferença em nós, antes de pregar, temos que viver, antes de anunciar temos que entender, sermos praticantes e não apenas ouvintes (Tiago 1:22). Caso contrário, seremos contraditórios, olharemos para os outros e nos esqueceremos do comprometimento pessoal que a vida cristã exige.

BIBLIOGRAFIA

WIERSBE, Warren, W. Jesus presente, Experimente a atualidade e o poder das declarações do Filho de Deus em sua vida, Editora Thomas Nelson Brasil, Rio de Janeiro, 2011

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HUMILDADE

“O orgulho é um veneno tão possante que envenena não só as virtudes, mas também os outros vícios” G. K. Chesterton (WIERSBE, 2011, p. 155)

Não gosto de gente que te olha de cima, que se coloca em um pedestal, como se ele fosse superior e os outros lacaios. Normalmente me mantenho longe destes, não é o tipo de pessoa no qual eu gasto minhas horas. A parte que eu acho complicada, contraditória e irreal, é quando eu encontro cristãos assim.

Eu não entendo cristãos orgulhosos, não consigo conceber como uma pessoa que serve a um Deus que se fez servo (Filipenses 2:7), possa ser orgulhoso. Eu sei que as vezes caímos na armadilha do orgulho, que o dinheiro e fama pode nos corromper e nos colocar em pedestais, conquanto, ao olharmos para a palavra, gastarmos tempo lendo e estudando, teríamos um bom choque de realidade, que faria com que voltássemos a humildade que o evangelho exige, pelo menos deveria ser assim. Conheço gente que tem problema com orgulho, e toma muito cuidado com isso, penso que este é o princípio que todo o cristão deveria ter que é a consciência de suas falhas, para que assim ele possa não cair em suas próprias dificuldades.

Eu antes tinha muita raiva de orgulhosos, não gostava do ar de superioridade e nem de ser tratado com desprezo. Conforme a vida foi passando eu passei a ter pena, direi por quê.

Primeiro porque o orgulhoso é cego, não percebe a sua própria condição. Por olhar os outros de cima, muitas vezes tropeça, por tratar alguns com frieza e superioridade, acaba por ser sozinho, ou cercado por iguais, que prezam mais por aparência do que por intimidade, vivência e amizade.

Entenda que somos totalmente dependentes um dos outros, quando nascemos precisamos dos pais para nos ajudar, prover alimentos, nos ensinar. Quando crescemos isso não muda, sem as pessoas, sem o padeiro, sem o funcionário ou os diversos profissionais, não temos as coisas, não desenvolvemos e nem conseguimos o básico. Somos totalmente dependentes um dos outros, o orgulhoso não entende isso.

Segundo porque sem humildade não aprendemos. A humildade é o princípio de tudo, entender que não sabemos tudo é o ponto de partida para seguirmos aprendendo. Só cresce quem entende as suas limitações, eu só posso evoluir, aprender e me desenvolver, quando sei meus pontos fracos, para daí em diante seguir buscando aprimoramento. Coisa que um orgulhoso ou uma pessoa que se considera o máximo, superior a tudo e todos, não consegue fazer.

A humildade é o cerne do evangelho, Jesus foi humilde e ensinou uma liderança servidora, que funciona de “baixo para cima”. Paulo e os apóstolos, idem. O cerne da mensagem é entender o quão pecador somos e do quanto precisamos de Deus, sendo que com o orgulho isso não é possível. Warren W. Wiersbe neste mesmo livro no qual tirei a citação de Chesterton complementa:

“Humildade é o solo do qual todas as outras virtudes cristãs podem crescer. As pessoas orgulhosas amam a si mesmas, não aos outros, e se prestam alguma atenção nos outros é apenas para os usar a fim de se promover” (WIERSBE, 2011, p. 155)

Não tenha dúvida que o orgulho é o melhor caminho para a ruína, pois além de não sermos melhores uns que outros, sozinhos não somos nada.

Quem é orgulhoso, quem se considera superior e acima dos outros, certamente não entendeu o evangelho, se ama mais do que ama os outros. Estar em comunhão com os irmãos depende do quanto somos humildes para aceitar que cada um tem suas dificuldades e assim conseguir amar e aceitar o próximo com mais humildade.

O orgulhoso não aceita muito este conceito e segue desdenhando, pensando mais do que ele é e alheio a todos. O grande problema é que brasa fora do fogo se apaga. Juntos somos sempre mais fortes e podemos como irmãos nos ajudar, nos suportar, nos apoiar. Sem contar que a solidão de cima dos pedestais deve ser grande, por isso, opto sempre por ser humilde, é uma vida menos solitária.

BIBLIOGRAFIA

WIERSBE, Warren, W. Jesus presente, Experimente a atualidade e o poder das declarações do Filho de Deus em sua vida, Editora Thomas Nelson Brasil, Rio de Janeiro, 2011

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O VERDADEIRO MILAGRE

Entenda que o tempo é sempre de Deus e nunca vamos entender porque às vezes tudo parece demorar. Só ele sabe e faz conforme lhe apraz, o que cabe a nós é seguir e confiar.

Entenda também que na maioria das vezes Deus não força a vida, não modifica o natural, nem abre um caminho “especial”. Nem sempre é com milagres que ele vai nos amparar, quase sempre o “milagre” é por um caminho normal, sem fogos de artifício ou peripécias mágicas.

Talvez o milagre maior seja suprir a nossa vida em meio à falta, nos alentar em meio a tempestade, enquanto naturalmente aguardamos o vendaval passar.

No fim o milagre maior seja aprendermos a seguir a sua vontade, crescermos com os tombos, mudarmos com as dificuldades, enquanto lá fora, de forma mais milagrosa ainda, o caos não nos trará mais medo.

Nem sempre conseguiremos identificar o que é um milagre, do que foi uma coincidência ou algo natural, mas quem conhece a Deus sabe que ele não nos deixa na mão.

Por fim, tudo vai depender da certeza, do quanto buscamos e do quanto se almeja a intimidade com o eterno. Pois quanto mais próximo, mais satisfeitos, quanto mais oramos, lemos e buscamos, por certo, teremos a certeza de que é ele que está a nos guiar, seja da forma que for. Usando meios milagrosos ou naturais, pois no fim tudo é dele e tudo dele vai continuar, nós somos apenas servos e como tais, sujeitos a sua vontade.

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EQUILÍBRIO – JOHN STOTT

“Comprometimento sem reflexão é fanatismo em ação; reflexão sem comprometimento é a paralisia de toda ação” (STOTT, 2012, p. 21, 29)

Talvez um dos maiores desafios do ser humano é ter equilíbrio, uma boa parte de nós, ou até quem sabe a maioria, não consegue se engajar em algo com o pé no chão, nem perceber as contradições e os pontos fracos de sua forma de pensar, religião ou partido político. Somos mestres em entrar em uma empreitada de forma cega, sem reflexão e coerência.

Com isso vemos cristãos alienados, que ouvem seus pastores sem questionar suas contradições. Ou engajados políticos que acreditam que os seus partidos são a solução para o Brasil. E tem até aqueles que acreditam que o seu modo de pensar é o mais coerente, enquanto todos estão errados, são burros e ignorantes.

Eu gosto sempre de frisar que ter equilíbrio não é tarefa fácil, é um desafio dos grandes, não é para qualquer um. Acreditar em algo, ou seguir algo, sem perceber os equívocos deste algo é uma atitude das mais normais. Principalmente quando temos boas experiências, fazemos boas amizades, ou encontramos a solução para o nosso problema neste determinado lugar. O homem é mestre em transformar experiências pessoais em regras, sejam cristãos ou qualquer outro tipo de pessoa.

Ter equilíbrio é como andar em uma corda bamba, é preciso conseguir dar os passos sem cair para qualquer um dos lados. Será totalmente fatal se um equilibrista se atrapalhar e cair, não importa o lado, a queda por si só já será letal, na vida não é muito diferente.

Comprometimento sem reflexão gera fanatismo, entrar em uma causa sem refletir, ponderar e verificar todas as variantes é perigoso e mortal para a fé.  Lembre-se que o fanático é intolerante, ele não gosta de ouvir e muito menos de dialogar. Nós não podemos impor a nossa fé, muito menos fazer o outro engolir nosso ponto de vista a força, quem faz isso é fanático, é intolerante que acredita ser o dono da verdade. Entretanto, o oposto é também verdadeiro, já que estamos falando de equilíbrio.

Não adianta sabermos refletir, termos conhecimento e sabedoria, se não temos ação. Não adianta você ser um cara crítico, que sabe enxergar as contradições em todas as áreas, se você não faz nada, se não tem ação ou movimento.

Ser apático as coisas é estar do lado oposto de quem quer impor. O homem relevante, o cristão sábio, busca ter equilíbrio, tenta estar sempre no meio, se policiando, vendo suas contradições e agindo.

Lembre-se que não existe perfeição, com isso, você vai ter que aprender a conviver com algumas contradições a fim de que não penda para qualquer um dos lados. Quando falamos do ser humano, temos que ter em mente que a imperfeição é um dos pontos principais deste ser.

Certo dia encontrei um amigo que há muito tempo não via, ele era cristão, mas há anos que não ia mais à igreja. Ele me falou que não frequentava mais, pois tinha muita coisa errada na igreja. Eu concordei e completei falando que: “onde têm pessoas, têm equívocos, não dá para exigir perfeição de ninguém, pois somos todos imperfeitos”.

Aprenda a ter equilíbrio, entenda a importância de aprender a ser equilibrado e ponderado. Não dá para cair nos extremos, ainda mais se tratando de nós seres humanos.

Entenda o quanto somos limitados, o quando estamos propícios a erros e relaxe um pouco. Por mais que tenhamos a nossa fé, que temos as nossas certezas e verdades, podemos estar errados em muita coisa. Aprenda a dar espaço para a outra pessoa falar e crer entenda que não podemos forçar, temos que aceitar a liberdade que o outro tem de discordar e aprender a conviver com isso.

Não se esqueça também do outro lado, da estagnação, do fato de que saber refletir não é muito quando junto não vem a ação. Precisamos buscar um centro, encontrar um equilíbrio para não pender nem para um lado e nem para outro.

 “Viver é andar na corda bamba, por isso, equilibre-se”

BIBLIOGRAFIA

STOTT, John, Crer é também pensar, Editora ABU, São Paulo, 2012

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CABELOS E LEGALISMOS

Um filho doente nunca é uma boa notícia, ainda mais criança, em seus plenos poderes de sua fragilidade e simplicidade. Um pai nunca fica tranquilo diante dessa situação, coisa que aconteceu com uma amiga.

Sua filha estava muito doente e precisou ficar internada, e se já não bastava a própria doença, que sempre nos tira o controle fazendo com que sejamos reféns de terceiros, ela precisou utilizar um hospital público.

A parte boa de ter dinheiro é justamente ter um pouco de conforto, eu nunca liguei para o status que o dinheiro dá, acredito no dinheiro de forma utilitária, tentando sempre fazer com que ele cumpra a sua função, que é nos dar um pouco de sossego e tranquilidade. Sendo que no caso desta mãe, o dinheiro proporcionaria a ela acesso a um hospital particular, com quartos privativos e um pouco mais de tranquilidade, coisa que ela não teve, infelizmente.

Por fim, lhe restou apenas a falta, por Deus, pelo menos o hospital público lhe era possível, pelo menos a certeza que a doença iria ser tratada era certa, mesmo que sem o conforto de um hospital particular.

Esta mãe era cristã, de uma igreja que tinha alguns usos e costumes, um dos principais era não cortar o cabelo. Por conta disso, esta mulher tinha um cabelo que ficava abaixo da cintura, diante do fato, uma ideia lhe surgiu, vender o cabelo.

O dinheiro oferecido foi grande, um valor que lhe ajudaria a cuidar de sua filha, e ainda ter algum conforto, além de suprir gastos eventuais de remédios e coisas básicas. A solução lhe pareceu óbvia e sem titubear, ela cortou o cabelo. Até aqui a história é uma história um tanto quanto normal, com um ótimo fundo de superação e final feliz, se não fosse pelo pastor de sua igreja.

O pastor não gostou do seu corte de cabelo, acabou por condenar-lhe e de quebra expulsou aquela mãe da igreja, afirmando que a sua atitude foi pecaminosa e mundana.

Infelizmente a história é verídica, não bastou a doença, a mãe teve que lidar com esta situação, coisa que fez bem, pois ela não culpou Deus e seguiu com sua fé em outra igreja. O problema é que os casos são muitos e nem todos têm a garra que esta mãe teve, com isso, acabam por transferir para Deus a culpa, ou seguem a margem da mesma religião que deveria ajudá-la.

O legalismo não produz frutos, o resultado principal é sempre podre a mal formado. Não existe resultado coerente e construtivo em quem vive o evangelho de forma pedante e sem amor.

O legalismo é fruto de mentes hipócritas, de quem vive uma vida de orgulho e soberba. Sabe-se muito de quem não demora em julgar. A conclusão para quem não ama o próximo e demora em ajudá-lo é que “esta pessoa não conhece o evangelho”.

Cristo pregou a mensagem da graça, sendo a graça não só a prova de que por nós mesmos não pode haver salvação, mas também a prova que somos todos iguais. O homem é pecador, todos os homens precisam de Deus.

O evangelho legalista vem de mentes superiores, de pastores que olham de cima e se sentem os escolhidos, os mais santos, os especiais. Miroslav Volf complementa:

“Para os cristãos, a fé produz efeitos devastadores quando se deteriora e se torna uma mera cultura pessoal ou um recurso cultural de pessoas cuja vida se guia por qualquer outra coisa exceto essa fé” (VOLF, 2018, p. 40)

No fim, o que concluímos é que alguns vivem o “evangelho” dos usos e costumes, se prendem a ensinos que são passados sem qualquer base Bíblica, fazendo com que o legalismo, oriundo de uma vida baseada em obras, seja o que realmente dita o modo de ser cristão.

O evangelho genuíno traz amor, compreensão e paciência pelo erro alheio. Um convertido genuíno entende que cada um tem os seus erros, cabe a nós sermos apoios, e não acusação. Não se trata de compactuar com o erro, e sim ajudar a pessoa chegar na superação de suas dificuldades.

Não somos salvos por obras, roupas ou o que quer que seja, e sim, pela graça. Sendo que não existe um estilo de se vestir, mas uma forma de ser, tendo o evangelho como centro das nossas vidas. O que passa disso geralmente é legalismo, por isso, tome cuidado.

BIBLIOGRAFIA

VOLF, Miroslav, Uma fé pública, Como o cristão pode contribuir para o bem comum, Editora Mundo Cristão, São Paulo, 2018

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A DIFÍCIL ARTE DE OLHAR O PRÓXIMO

Aprendi a olhar os outros, como quem olha para si, para os seus defeitos, dificuldades e qualidades. Eu não sou perfeito, ao contrário, o que mais me sobra são os defeitos e é bem por este motivo que eu tento ver os outros como vejo a mim. Um misto de maldade e bondade, qualidades e falhas.

É interessante quando algumas vezes olharmos para trás e vemos quem éramos e o que somos hoje.  Quando eu me lembro de algumas das minhas histórias, erros e equívocos e como eu lidava com estes acontecimentos, eu rio, rio muito, isso quando não me envergonho. Por isso acho difícil não olhar para os outros e ver um pouquinho de si, principalmente em casos de inconsequências e teimosias, eu fui assim, é impossível não me sentir empático.

As vezes acredito que o cara chato, insistente e tagarela pode ser apenas um carente, ou uma pobre alma tentando ser entendida em meio as suas dificuldades, tal qual eu fui.

E o workaholic talvez seja apenas um cara vazio, que busca em seu trabalho a fuga de uma vida sem sentido. Ou pior, que acredita que o sentido da sua vida é trabalhar. Quem sabe, aquele cara teimoso, que não dá espaço algum de diálogo é apenas alguém que apanhou muito e não soube lidar com as dificuldades.

Entender o próximo e suas maneiras é dar uma chance para si por tabela, tendo em mente que nem sempre somos os descolados que imaginamos ser, nem sempre seremos os mais motivados e estabilizados, e nem sempre perceberemos se estamos trilhando o caminho certo.

O tempo passa não se esqueça disso, hoje você pode ser jovem, mas amanhã não mais será. Hoje você pode estar bem, mas amanhã pode estar lidando com algo inesperado. É a lei da vida, sendo que as vezes depois da meia noite, quase sempre a carruagem vira abóbora e o nosso encanto se vai. O tempo é assim, um conto de fadas mal contado, sendo que é ante o cansaço da vida que vem a solidão e a percepção de que o tempo segue e quase tudo muda.

A arte de olhar o próximo é complicada, pois não existe receita, é na tentativa e erro, mais erro do que boas tentativas, sendo que no afã de acertar muitas vezes erramos. Olhar o próximo como único é quase impossível, pois vemos os outros a partir de nós e nossas experiências, e aí é que está o problema.

Ninguém sabe o quanto o sapato aperta, só calçando para ter certeza. Tem dias que o outro vai devagar por conta do caminho, que para nós é um tanto quanto fácil e tem momentos que somos criticados por algo tão comum no ponto de vista da pessoa, que somos ridicularizados por sermos fracos. O problema dos outros é sempre fácil de resolver, o problema nosso que é o desafio.

Por isso digo que ao olhar o próximo, tente entender a partir dele, de suas quedas e dificuldades, trate a dor dos outros como você queria que a sua fosse tratada, afinal, cada um luta a sua luta, e por isso, cada um sabe o quando a estrada é difícil.

Não menospreze nenhuma caminhada, cada um tem seu ritmo, tem suas pedras e a sua estrada.

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ESTRANHO OU DIFERENTE? – WARREN W. WIERSBE

“Quando você é diferente, atrai as pessoas; quando é estranho, repele-as; quando é uma imitação barata, convida o escárnio a entrar em sua vida” (WIERSBE, 2011, 119)

A citação me faz lembrar de um colega de trabalho, ele era cristão, mas também era a piada pronta dentro da empresa. Todo mundo o achava um ET. Seu modo de falar era muito curioso, sua maneira de se portar, ridícula.

Não se misturava, não conversava de outra coisa que não fosse sobre igreja ou a Bíblia, e usava o conhecido evangeliquês para se comunicar. Ninguém o entendia, e ainda por cima, tiravam sarro dele. Entenda que é importante saber a diferença entre ser diferente, de fazer a diferença onde você está e entre ser estranho, incompreensível, bizarro.  

Primeiro, é bom você ter em mente que ser cristão não é um tipo de linguagem, de roupa ou trejeitos. Ser cristão é um encontro, é um dia onde você foi achado e tocado pelo Espírito Santo. Ser cristão é imitar a Cristo, ter uma vida consciente, é saber quem você é e do quanto você precisa de Deus.

Segundo, para ser diferença no meio das pessoas e para que o evangelho entre, se propague em meio aos seus amigos, família e colegas, você tem que usar de uma linguagem no qual todos entendam. Você deve viver o evangelho, ser um crente genuíno, que mostra quem você foi e quem você é agora, com todas as falhas e dificuldades que todos nós seres humanos temos.

É possível transmitir Deus no modo de agir, mostrando honestidade, ética e profissionalismo, basta ter sinceridade em nossos atos. Quem segue a Deus, faz tudo para honra-lo, faz tudo como para o senhor (Colossenses 3:23), uma vida assim já transmite o evangelho. Entretanto, sabemos que falar também é importante e é possível falar e aconselhar com linguagens acessíveis e de uma forma no qual todos entendam.

Ser cristão é ser genuíno, ser diferença está muito ligado ao fato de não parecermos uma cópia, um rascunho mal feito do que não vivemos. Quando quisermos parecer algo que não somos, certamente, e com toda a certeza, seremos vistos como uma imitação barata, uma cópia pirata, motivo de escárnio e zombaria.

Se fingir de santo não faz de você um santo, agora ouvir, ser sincero e não se achar superior, com certeza te faz. Somos separados, mas não somos perfeitos. Fomos tocados pelo evangelho, mas não somos melhores do que os outros por isso.

Ter a consciência de que Deus nos perdoa, que ele é misericordioso e não demora em nos ajudar, é um principio que deve estar encarnado em nossa vida, para quando você for evangelizar, suas palavras sejam mais de amor, do que de raiva e acusação.

Lembre-se, você deve amar como Deus nos amou (1 João 4:7-8), o evangelho é isso, é agir como Deus age conosco, o resto é ensino pirata e o caminho para o escárnio.

BIBLIOGRAFIA

WIERSBE, Warren, W. Jesus presente, Experimente a atualidade e o poder das declarações do Filho de Deus em sua vida, Editora Thomas Nelson Brasil, Rio de Janeiro, 2011

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