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CABEÇA VAZIA

Cresci ouvindo que “cabeça vazia é oficina do diabo”, passei a minha infância inteira, seja em casa, no colégio ou igreja, ouvindo tal máxima. Quando eu era novo o ócio era visto como um veneno por muitos, inteligente mesmo era quem sempre estava a fazer algo.

Hoje eu discordo muito desta frase, quem escreve, compõe ou quem é um bom profissional sabe o quão importante é o ócio criativo, para quem não conhece o termo o site significados dá uma boa definição:

“Ócio criativo, que foi o título de uma monografia de um cientista italiano chamado Domenico De Masi, que revolucionou o conceito de trabalho, dizendo que as pessoas devem incluir no seu dia-a-dia um momento que tenham atividades para descansar, momentos de lazer, e conciliar isso com o trabalho e a aprendizagem” (Significados).

Temos que parar às vezes, descansar a cabeça, aprender a admirar o belo para nos recompor, a vida não é só trabalho. É claro, não podemos confundir o ócio criativo com preguiça, são duas coisas bem distintas, mas o ócio criativo é importante para não ficarmos loucos nesta sociedade que não para nunca. Porém, existe um tipo de “cabeça vazia” que é sim oficina do diabo, e é a cabeça de quem não estuda a Bíblia.

A história nos mostra o quanto muitos foram feitos massa de manobra por não terem informação, a quantidade de fiéis sem conhecimento que pastores manipulam e roubam em nome de estabelecer suas vontades é enorme. O conhecimento é uma das peças principais de quem quer ser cristão sem ter a cabeça vazia e muito menos ser manipulado:

“O cristianismo põe bastante ênfase na importância do conhecimento, repreende o Anti-intelectualismo por ser uma atitude negativa e paralisante e atribui muitos de nossos problemas à nossa ignorância. Sempre que o coração está cheio e a cabeça vazia, surge um fanatismo perigoso” (STOTT, 2004, p. 69)

O interessante é que o sinônimo de fanatismo, segundo o dicionário dicio, é cegueira, e isso já explica muita coisa. Penso que muita coisa começa com a falta de informação. Conhecer é peça chave da vida cristã, que aliado à busca, ao relacionamento diário com Deus, constitui a essência do cristianismo. Jesus disse, em Mateus 22:29, depois de fugir de duas perguntas perigosas que eram ciladas armadas para pegá-lo:

“Vocês estão enganados porque não conhecem as Escrituras nem o poder de Deus!

É básico conhecer as escrituras, se não a conhecemos com certeza erraremos em muitas coisas e seremos manipulados pelos lobos que espreitam a igreja.

Por isso estude, leia e se informe, conheça a palavra e busque a Deus. Cabeça vazia é oficina do diabo, cabeça sem conhecimento é um ambiente propício para a falta de amor e fanatismo.

Quem estuda a palavra e busca a Deus, tem no mínimo humildade, um cristão ignorante que acusa os outros sem qualquer fundamento, certamente não conhece a Bíblia.

BIBLIOGRAFIA

STOTT, John, Firmados na Fé, Editora Encontro, Curitiba, 2004

https://www.significados.com.br/ocio/

https://www.dicio.com.br/fanatismo/

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CRISTIANISMO SOLITÁRIO

“Deus criou a vida humana de forma que dependêssemos uns dos outros para sermos o que ele quer. Precisamos de ajuda do outro para aprender a amar a Deus. Também precisamos da ajuda do outro para aprender a amar o próximo. O cristianismo do cavaleiro solitário é uma contradição” (FOSTER, 2008, p. 213).

Eu tive a grande alegria de congregar em igrejas no qual fui útil, e também onde eu aprendi, cresci e amadureci como cristão. Sou grato a Deus por todos os pastores que me ajudaram e me ensinaram. Embora que em algumas destas ótimas igrejas, eu também tenha tido muitas decepções. É normal nos decepcionarmos, e geralmente isso acontece, por justamente gostarmos muito do lugar. É quando gostamos do ambiente, da pessoa ou do convívio, que nos ferimos mais. São justamente estas pessoas que nos atingem.

É totalmente compreensível, após uma decepção, querermos nos fechar, pararmos de irmos à igreja, e seguirmos nossa fé em carreira solo. Esta é a primeira atitude de quem se decepciona, normal. Sendo que este fenômeno dos “sem igreja”, tem crescido cada vez mais, justamente por conta das decepções com pastores, igrejas e líderes.

O grande problema do cristianismo solitário é que ele não existe. Veja bem, não é possível amar, vivendo uma vida solitária. O amor, conforme a Bíblia nos ensina, é fruto do convívio, da comunhão, da convivência. Para que possamos amar e desenvolver o amor ao próximo, eu preciso estar com as pessoas, com os nossos irmãos.

Deus nos criou para sermos um corpo, é o que Paulo fala lá em 1 Coríntios 12, quando ele fala sobre os dons na igreja. A vida cristã é uma vida comunitária, de ajuda mútua e apoio, não existe cristianismo solitário. E acaba sendo contraditório, visto que não é possível exercer o amor sozinho. Mas eu compreendo a dor de quem já passou por este tipo de decepção e não quer mais estar em uma comunidade.

Creio que o grande problema de quem passa por decepções, é justamente generalizar. Por termos nos decepcionado, generalizamos e acreditamos que todas as igrejas, pastores e líderes serão iguais. A generalização é um problema, pois impede você de ver as pessoas. De perceber como há pastores idôneos, e verdadeiros servos. Lidar com a decepção e impedir que ela contamine a sua visão é uma atitude fundamental, para que assim, você não se feche para as pessoas.

Um outro grande problema é acreditarmos que tudo deve ser da nossa maneira, e isso é um erro, dos mais graves. É possível discordarmos das coisas, mas continuarmos servindo a comunidade. Pois acima de tudo, a igreja existe para servir a Deus e não a nós. É claro que é fundamental estarmos em uma comunidade que possui um trabalho no qual você se identifica. E é legal também estarmos onde o nosso dom pode ser útil, mas precisamos tomar cuidado para não acharmos que tudo deve ser no nosso jeito.

A vida cristã é vivida em comunidade, em total apoio mútuo e serviço mútuo. É quando estamos juntos que aprendemos a amar, que crescemos e servimos. Isso é vida cristã. 1 João 3: 11 diz que devemos amar uns aos outros. A questão é que, para que isso seja possível, eu não posso estar isolado.

BIBLIOGRAFIA

FOSTER, Richard, A liberdade da simplicidade: encontrando harmonia num mundo complexo, Editora Vida, São Paulo, 2008.

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GUARDE O SEU CORAÇÃO

Acima de tudo, guarde o seu coração, pois dele depende toda a sua vida (Provérbios 4:23).

O coração é um dos principais órgãos do corpo humano, ele é chamado de órgão muscular, sem ele não conseguimos viver, não tenha dúvidas. Por isso, penso que não foi à toa que o autor do texto usou este órgão como exemplo.

Em dias de tempestade, onde o céu escuro e lúgubre, insiste em tirar a nossa paz, o que é atacado é o nosso coração, é a nossa paz que fica ameaçada e a estabilidade de toda a nossa vida. A pandemia acabou surgindo com este propósito, tirar a nossa estabilidade, e atrapalhar os nossos planos.

 Quando o texto fala em coração, ele quer falar justamente de mente, dos sentimentos, do nosso interior. É a nossa mente que nos guia, é ela que define a paz, ou a falta dela em nossa vida, sendo que o corpo e principalmente o coração, sofre impreterivelmente, um grande impacto. Conforme pensamos, entendemos ou agimos diante dos problemas, colhemos um resultado.

Sua visão de Deus, da vida, sua confiança e o modo como você pensa, define como você vai reagir e de que forma o corpo vai suportar as dificuldades. A mente traduz muita coisa, não foi à toa que o autor do provérbio nos avisou para guardarmos justamente ela.

É através da mente e do modo como pensamos, que confiamos, que buscamos a Deus e seguimos a sua vontade. A vida cristã é racional, é crer, confiar e ler a Bíblia, e com certeza, até para orar, precisamos da mente, do racional, envolve acreditar e pensar. Em contrapartida, é através da mente que sucumbimos, nos desesperamos ou nos entregamos ao medo. A mente pode tanto nos ajudar quanto nos sabotar. Tudo começa pela mente e pelo nosso modo de pensar.

Por isso, aprenda a guardar o seu coração, descubra o poder de estudar a Bíblia e crer na vontade de Deus. Aprenda a olhar para a vida, para os problemas com um pensamento equilibrado e coeso. Ter bons pontos de vista e com pensamentos fundamentados na palavra, com certeza, definirão muita coisa em sua caminhada.

Guarde o seu coração, fundamente a sua vida na palavra e deixe que a mão de Deus te guie.

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O CAMINHO ESPIRITUAL DO AUTOCONHECIMENTO

“No monaquismo, a vereda espiritual sempre foi também um caminho de amadurecimento humano. Conhecimento próprio e conhecimento de Deus estavam estreitamente relacionados” (GRÜN, 2006, p. 12).

A tradição monástica deixou para os cristãos muitas lições e ferramentas úteis para aqueles que pretendem desenvolver uma fé coerente e sadia. A própria contemplação, a solitude e muitas outras práticas, são ótimas ferramentas, que alguns cristãos protestantes infelizmente abandonaram. Com a reforma protestante, muitas práticas foram colocadas de lado e algumas até demonizadas, como se tudo não fosse cristão e muito menos útil. E quem perdeu com isso foi a igreja, que deixou de desenvolver uma fé madura e coerente, tudo por pura falta de pesquisa e informação.

Para alguns monges, o autoconhecimento é fundamental para a espiritualidade. Saber quais são os nossos erros e paixões da alma, como eles mesmo falam, é fundamental para os cristãos que anseiam por uma intimidade com o criador. É impossível olhar para Deus, sem antes sabermos quem somos. A própria busca e necessidade, começa com o reconhecimento de nossa finitude.

Não é possível empreender a busca por conhecer a Deus, sem antes não nos conhecermos. Saber quem realmente somos é imprescindível para uma vida genuinamente calcada na palavra.

Muitas vezes nossas práticas devocionais, a falta de oração e leitura bíblica, se dão justamente por não sabermos quem somos e como deveríamos agir, para que consigamos introjetar em nossa vida estes fundamentais hábitos.

Quando pontuamos quem somos, nossos defeitos e qualidades, descobrimos o que fazer para desenvolver as disciplinas espirituais. Práticas que todos os cristãos deveriam estar fazendo.

Quem sabe quem é, entende a necessidade de buscar a Deus para ter uma vida coerente e busca dia a dia, sem desistir, ter uma vida fundamentada nestes hábitos.

Aquele que não se conhece, desconhece quem é e como lutar contra seus males.

BIBLIOGRAFIA

GRÜN, Anselm, Ser uma pessoa inteira. Editora Vozes, Rio de Janeiro, 2006.

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MAIS UM NATAL?

Com o passar dos dias, vamos percebendo que viver é priorizar as preocupações, escolhendo sempre aquelas que valem a pena, entendendo que o verdadeiro ouro, a nossa maior riqueza é o tempo que as vezes não temos. Desfrutar de um momento, do hoje, em uma época no qual vivemos sempre conectados, é o verdadeiro maná celestial. Aprender a desfrutar da vida é realmente viver.

O título não está errado, o intuito do texto é realmente lhe fazer uma pergunta: “Mais um natal?” É isso mesmo que você quer para a sua vida, viver como se fosse apenas mais um dia, no automático, sem realmente ver, desfrutar ou enxergar a vida e todos os seus detalhes?

O que a pandemia nos mostrou é que a vida é incerta. Uma verdade que não é nova, mas que sempre esquecemos. E ao esquecer, deixamos de realmente ver, desfrutar, e viver todos os segundos da nossa curta existência (pelo menos aqui nesta vida).

Mais um ano se encerra, mais um Natal se inicia, a diferença é que, mais do que nunca, você pode, daqui pra frente, ressignificar a sua vida e tentar viver seus dias de forma especial.

Não deixe que os seus minutos sejam apenas mais uns, descubra a beleza de transformar sua vida, seus segundos, em momentos realmente relevantes com quem você ama. Pois na vida, o que fica são as lembranças.

Eu perdi o meu avô bem novo, um homem que foi avô e também pai. E um dia antes dele falecer, eu tive a oportunidade de estar com ele o dia inteiro. Eu nunca mais vou esquecer daquele dia, ficou na memória. Foram horas simples, mas divertidas e muito especiais.

São os momentos que ficam, e não o carro novo, o presente caro, a festa luxuosa. Por isso, neste incerto natal, transforme o dia em uma data memorável, que deixará uma marca em você, e nas pessoas que você ama.

Sem se esquecer do principal, é claro, o Natal é um dia onde um Deus nasceu, veio aqui na terra para morrer por nós e nos dar vida, e vida com muita abundância (João 10:10). Por isso, mais uma vez, aprenda a viver, caso contrário, a vida abundante vai se tornar um castigo.

Se você tem Deus como centro da sua vida, e o equilíbrio como meta principal, já vai ser um ótimo começo. Por isso, comece o seu ano com este propósito. 

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