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A ESPIRITUAL ARTE DE ESTUDAR

“Se eu tivesse apenas três anos para servir a Deus, gastaria dois deles estudando” (Donald Barnhouse) (STOTT, 2012, 68)

É triste ver cristãos que não levam a sério o estudo. Criou-se em algumas igrejas uma crença que o estudo não é importante. Eu já ouvi cristãos afirmarem que existem os pastores que pregam com a teologia e outros com o Espírito Santo, uma frase que não tem como ser mais equivocada.

O estudo sempre fez parte da vida dos cristãos sérios, dos que são usados por Deus. Se você ler a história dos grandes homens de Deus vai notar que o estudo sempre andou lado a lado com a oração.

Creio que o grande problema é desligar a vida espiritual do estudo, é crer que a pessoa que Deus usa, não precisa estudar. Ler e manejar bem a palavra da verdade é nossa obrigação como a Bíblia nos avisa (2Timóteo 2:15). E saber dar a razão da nossa fé é também igualmente importante (1 Pedro 3:15). Tais passagens evidenciam a importância do estudo, de conhecer a Bíblia, de saber manejar e conhecer bem a Bíblia. Sendo que a teologia existe justamente para conseguirmos entender ainda mais a palavra de Deus.

Quem não se debruça nos livros, nem gasta tempo estudando, não é só preguiçoso, mas também mostra que não tem comprometimento com a Bíblia. Deus usa quem está preparado, que sabe do que fala e busca entender o que o texto bíblico realmente quer dizer. Você não sabe o quão espiritual é estudar e se preparar, você não sabe o quão legal é se dedicar a entender o texto, e saber aplicar a palavra de forma correta.

O problema de alguns é simplificar algo que não se simplifica, é achar que sem ler, vamos conhecer o que o texto bíblico diz, espiritualizando justamente o que não dá para espiritualizar.

O estudo é tão importante quanto a oração e tão espiritual quanto dobrar os joelhos e orar. Estudar a Bíblia é conhecer o que Deus está falando, é saber quais são as suas vontades, é ter base para viver uma vida que agrada Deus.

 BIBLIOGRAFIA

STOTT, John, Crer é também pensar, ABU Editora, São Paulo, 2012

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ÍDOLOS

Enquanto esperava por eles em Atenas, Paulo ficou profundamente indignado ao ver que a cidade estava cheia de ídolos (Referência: Atos 17:16-34)

O texto fala basicamente sobre ídolos, a parte curiosa é que quando falamos em ídolos, logo pensamos em estátuas, altares e cultos pagãos. A questão é que quando usamos as ferramentas da teologia para nos aprofundar no texto, descobrimos que ídolo não é só isso, e sim, tudo o que colocamos no lugar de Deus, ídolo pode ser tudo o que você coloca confiança.

Paulo chegou em Atenas e viu que muita gente confiava em seus próprios pontos de vista. Eles eram inteligentes, tinham muito conhecimento e sabedoria, o que não é nada errado, o problema é que eles confiavam apenas em seus deuses e em suas próprias filosofias.

A história conta que em Atenas existiam deuses para tudo, o local não era só o centro intelectual, mas também um lugar com muitos templos e ídolos.

O que eles tinham esquecido é que a própria história deles já evidenciava como aqueles deuses eram falsos. Paulo era um homem com muito conhecimento e quando ele viu a estátua ao Deus desconhecido, ele lembrou justamente da história que Don Richardson descreve na abertura do livro “O fator Melquisedeque”.

O autor conta que uma praga surgiu em Atenas, com isso, segundo a crença da época, algum deus devia estar irado com eles. Por isso, a fim de apaziguar a ira deste deus, os atenienses começaram a fazer sacrifícios a todos os seus muitos deuses. Com isso, esperava-se agradar ao deus que enviou a praga, coisa que não aconteceu. A praga continuou atrapalhando, nenhum deus quis ajudar. Com isso, procurou-se quem pudesse resolver tal questão, mas este não existia naquela cidade. Com isso, eles precisaram ir atrás do filósofo e poeta Epimênides (RICHARDSON, 2008, p. 09).

Segundo este filósofo, deveria haver um Deus desconhecido e muito poderoso no qual eles ainda não haviam recorrido, por conta disso, Epimênides propôs deixar algumas ovelhas sem pastar para de manhã, após uma oração a este Deus desconhecido, soltá-las. As ovelhas, mesmo que famintas, que se deitassem no pasto ao invés de pastar, iriam ser oferecidas ao Deus desconhecido, sendo este um sinal que o Deus havia ouvido. E isso aconteceu, pois misteriosamente algumas ovelhas ao invés de pastar, deitaram e naqueles locais foram erguidos altares para sacrifício, sendo que no altar a inscrição agnosto theo (ao Deus desconhecido), havia sido gravado. O resultado foi que a praga cessou, a cidade foi liberta daquela peste, e o Deus desconhecido foi louvado por todos. A questão é que ele rapidamente foi esquecido (RICHARDSON, 2008, p. 10, 11).

Esta foi a história que Paulo lembrou quando viu aquele altar, e foi com base neste acontecimento que o apóstolo aproveitou para pregar que aquele Deus desconhecido era o Deus que ele estava anunciando. Só há um Deus, e Paulo sabia disso, só um único Deus teria o poder de fazer o que foi feito naquela cidade, um Deus que havia respondido, mas que eles haviam esquecido rapidamente.

O homem tem este dom de esquecer, de ser tocado por Deus, de conhecer o seu poder, mas depois ceder as pressões ou tentações que o mundo coloca em nosso caminho. Ou pior, adorar a ídolos conforme a sua própria imagem, ídolos que não são reais, que são rascunhos de nós e nosso ponto de vista falho.

Deus fala da mesma forma que falou com aqueles atenienses, com os inúmeros profetas e também como fala conosco, a questão é que nós temos a tendência de esquecer. A vida boa e as facilidades tem o poder de apagar algumas importantes mensagens.

Ídolo é tudo o que colocamos no lugar de Deus, pode ser a profissão, sua própria força, ou o dinheiro. Tudo o que substitui Deus é um ídolo, e é justamente ele que nos afasta da verdade.

Cuidado com os ídolos, cuidado para não se esquecer de Deus e substituir ele por uma imagem falsa e sem sentido, um rascunho do seu hedonismo mortífero. 

BIBLIOGRAFIA

RICHARDSON, Don, O fator Melquisedeque, O testemunho de Deus nas culturas através do mundo, Editora Vida Nova, São Paulo, 2008

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JORNADA

“Quem consegue se importar com a jornada quando o caminho leva para casa? (James M. Gray) (WIERSBE, 2011, 113)

Não é fácil a caminhada, viver em um mundo caótico, contraditório e pecador, é um desafio, e dependendo do momento no qual estamos vivendo, um desafio dos grandes.

Hoje você pode estar bem, amanhã tendo que lidar um problema de saúde grave. Hoje você pode estar empregado, amanhã passando dificuldades em um período de crise, o que é bem pior. Não é fácil lidar com as agruras da vida, com o contraditório que uma sociedade falível produz, e principalmente com o ser humano e as suas limitações.

A jornada nunca é tranquila, mas pode se tornar mais leve, quando nos lembramos de que no fim, tudo isso será passado, fará parte de um período bem distante que não voltará mais.

Em dias de dor, a saída é sempre olhar para o céu e se lembrar de que no fim tudo compensará. A vida cristã começa aqui, as dificuldades nos moldam e nos fazem crescer. O caos nos ensina, mas também nos machuca e nos derruba. Por isso que a esperança de novos dias deve estar sempre viva em nosso coração. A certeza de que um dia o caos terá fim deve ser nossa bandeira, um ideal no qual podemos nos apegar a fim de nos tranquilizar.

Ainda não estamos em casa, ainda não terminamos a jornada, por isso temos que ter fé e persistência, pois com certeza no fim tudo compensará. Quando temos esperança, tudo fica mais leve, quando olhamos para Cristo e nos lembramos da sua promessa, acabamos por seguir mais esperançosos, gratos por saber que a paz um dia reinará em nossa vida.

BIBLIOGRAFIA

WIERSBE, Warren, W. Jesus presente, Experimente a atualidade e o poder das declarações do Filho de Deus em sua vida, Editora Thomas Nelson Brasil, Rio de Janeiro, 2011

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TAGARELICE

Estamos em dias onde o falar e o opinar é constante, afinal, antigamente apresentávamos nossa opinião em rodas de amigos ou nas mesas de café da manha. Hoje a opinião é dada a qualquer hora, de qualquer lugar e de qualquer maneira, sem medirmos nossas palavras. E isso não é tão ruim, é bom ter voz, o problema que eu vejo nas tagarelices de hoje é a superficialidade, são as conclusões sem raciocínio e sem conteúdo. Isso sem contar quando muitas vezes perdemos tempo ao ficar falando mal dos outros.  Provérbios 21:23 diz:

“Quem é cuidadoso no que fala evita muito sofrimento” (NVI)

Quem sabe guardar a língua se poupa de problemas, quem não perde tempo falando mal dos outros ou opinando em cima do que não conhece, guarda-se de problemas, o que me faz lembrar-se de um importante filósofo.

Sócrates tinha três filtros que o protegia dos problemas e burburinhos falsos, que poderíamos resumir como: “O filtro da verdade, bondade e utilidade”.

Ele dizia que quando você fosse contar algo a alguém (ou sobre alguém), você teria que se perguntar: o assunto é verdadeiro? Este é o primeiro filtro, um filtro que nos livra de muitos problemas, ainda mais nestas eras de fake news, onde a mentira é propagada como verdade absoluta.  Você pesquisou sobre o que está falando? Viu se as fontes são confiáveis? Tem certeza se o que você está divulgando é verdadeiro?

O segundo filtro é o da bondade. Sócrates continuava afirmando que ainda que não tivesse certeza, você deveria saber se o que você vai falar é bom. Não vale a pena divulgar coisas ruins com a desculpa de manter as pessoas informadas, ainda mais quando não temos certeza sobre o assunto. O que é ruim chega a nós em uma velocidade extraordinariamente rápida, não precisamos nos informar sobre o caos, pois vivemos no caos. E se é algo sobre alguém, pior ainda. Vale a pena se calar e compartilhar o que é bom, a história de superação, a bondade e a alegria. Em um mundo de caos, a prioridade deveria ser o bem e não os problemas. Não estou incentivando a fecharmos os olhos para os problemas, eles existem e devem ser vistos e discutidos, e sim, priorizarmos o que é bom que nos inspirará ao movimento de mudança e a fazermos diferença.

O terceiro filtro de Sócrates é o da utilidade. O que você vai contar é útil? Tem serventia? Ou é perda de tempo? Com o tempo vamos aprendendo a nos dedicar ao que vale a pena, a falar o que é útil, a compartilhar o que importa.

Em dias onde opinar é fácil, ter uma postura sábia e aprender a se calar é uma atitude importante. Controlar a língua é se livrar de desgraças. Saber a hora de falar ou falar apenas do que conhecemos, é uma passo importante para evitarmos o sofrimento.

Quando o comichão na língua começar, lembre-se deste versículo. Quando a tentação de discorrer sobre algo que você não conhece vier, aprenda a se calar e se livre dos problemas usando o filtro de Sócrates.

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PRELÚDIO DO FIM

De tempos em tempos alguns religiosos preveem o fim do mundo. Como em quase todos os anos sempre tem alguém arriscando um palpite. E enquanto a notícia vira piada, por se provar falsa, o mundo segue sem acabar, pelo menos não em todas as partes.

Pois tem alguns fins que ninguém tem dado bola, afinal, muitos neste planeta azul, encaram condições não tão azuis, perto do fim. Aliás, para muitos o fim seria um belo descanso.

A começar pela perseguição religiosa em alguns países. Notícias de morte, tortura e caos são lidos por toda a internet. Ou a fome, que em pleno século 21, assola países e castigam muitos que vivem perto do fim. Enquanto muitas descobertas científicas são feitas, tudo em nome do viver bem, alguns tentam descobrir como matar a fome.

Ou enquanto alguns estudam uma forma de diminuir o desperdício de comida, outros estudam uma maneira de recomeçar depois de um terremoto, tsunami ou tornado.  Estas catástrofes dizimam vidas, casas e sonhos. Reduzindo pessoas a nada, a pó, em um fim que não se encerra, apenas castiga, humilha e acaba com o pouco que muitos tem.

Alguns dizem que estamos perto do fim, mas eu não posso ter certeza. Mas no fim do amor, da unidade, de sermos um e de sermos uma comunidade, certamente estamos, e eu não estou falando do mundo, e sim de nós cristãos.

Eu vim de um contexto cristão um tanto quanto alienado, onde se previa que o anticristo viria da igreja católica. Que não devíamos nos misturar com pessoas de outras religiões, que o mundo jaz o maligno, então deveríamos viver sem dar bola a este mundo.

O grande problema é que muitos não veem o quanto a igreja está se deteriorando, virando as costas para pessoas. Deixando de amar, cuidar, e ser luz ao próximo. Muitos cristãos não conseguem ter o mínimo de diálogo, e hipocritamente querem ser ouvidos. A igreja está cada vez mais dividida, a disputa de poder cada vez maior e os interesses da minoria sendo deixados de lado.

Seguir uma denominação não é ser Cristão, seguir a Cristo sim.  Acima de qualquer coisa somos cristãos e apesar de eu congregar em uma igreja, a placa que eu tenho que sustentar é Cristo. Mateus 24:12-13 diz:

“Devido ao aumento da maldade, o amor de muitos esfriará

mas aquele que perseverar até o fim será salvo”

A pergunta que eu te faço é: Seu amor por Deus esfriou ou não? E se você ama a Deus, porque não ama o próximo? Está na Bíblia, leia 1João 4:7-8.

Quando pensamos em fim, temos a mania de não nos colocar no pacote. Sempre os outros são os problemas, sempre os outros estão errados, mas nós não. A igreja tem seguido cada vez mais em um caminho hedonista e muitas vezes não estamos vendo isso. Pastores têm se levantado e falando abobrinhas e nós aplaudimos, comprando como se fossem verdades.

Temos que ter em mente que somos nós a igreja de Cristo, e é só através de nossa mudança de atitude que a coisa pode mudar.

Em nossa volta o mundo tem precisado de ajuda e nós, temos nos colocado a disposição? Ou temos rido da cara de todos, como se não fôssemos responsáveis por pregar a salvação? Não cobre atitude cristã de quem não é cristão, cobre de você uma boa atitude.

Não se esqueça que quando vemos alguém perdido, somos nós os responsáveis. Quando enxergamos uma pessoa precisando de ajuda, somos nós que temos que oferece a mão, ou pelo menos tentar, e não rir e ficar de braços cruzados. Afinal, o fim começa na apatia, na falta de amor em nossa falta de atitude, seja o fim do mundo ou o fim de nosso relacionamento sincero com Deus. Este é um prelúdio do fim…

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REINO DE DEUS

Certa vez, tendo sido interrogado pelos fariseus sobre quando viria o Reino de Deus, Jesus respondeu: “O Reino de Deus não vem de modo visível, nem se dirá: ‘Aqui está ele’, ou ‘Lá está’; porque o Reino de Deus está entre vocês” (Lucas 17:20,21)

Em nossos dias temos muitas teorias de como será a vinda de Cristo, onde será o céu, se a terra vai ser restaurada ou não, enfim, são muitas especulações, sendo que na época de Jesus não era diferente. Muitos naquele tempo acreditavam que o Messias viria para libertar o povo judeu das garras do reino de Roma:

“A pergunta dos fariseus alicerçava-se sobre um conceito bem formal do reino divino, que para eles na verdade deve ser equiparado ao “reino messiânico”. Eles imaginavam a vinda do reino de Deus, ou seja, do “reino messiânico”, como um acontecimento histórico súbito, exteriormente grandioso, que poderia ser verificado com precisão como espectador” (RIENECKER, 2005, p. 357)

Seria uma restauração, um novo começo e era justo esta a pergunta que os fariseus faziam para Cristo, só que e o que Jesus lhes respondia era justamente o contrário, este reino não era um reino político:

“Jesus queria dizer que o Reino de Deus já estava presente na pessoa de seu Rei. O Reino já estava ali”.

“Os fariseus não conseguiam ver isso. Tudo o que viam era um carpinteiro da Galiléia, um fanático empoeirado que atacava a posição deles, bem como a eles próprios” (RICHARDS, 2013, p. 798)

Cristo inaugurou um outro reino, que não é terreno, não é calcado nas coisas finitas deste mundo e sim, um reino espiritual, encarnado na pessoa de Jesus e dos seus seguidores.

Eu respeito os irmão que acreditam no reino milenar de Cristo aqui na terra e em todas as interpretações a respeito do milênio. Mas a meu ver a Bíblia é clara, o nosso reino é espiritual, não é terreno. Jesus veio para mudar nosso coração, transformar a nossa vida e não nos dar coisas e regalias aqui neste mundo:

“O ser humano em sua cegueira natural anseia por condições melhores, não, porém pela melhora do coração. Visa uma nova realidade, não, porém um novo pensamento” (RIENECKER, 2005, p. 358)

Cristo veio transformar vidas, dar o exemplo de como é ser cristão, ele não veio para reinar de forma política no mundo e sim em corações. É claro que um dia Ele virá, mas enquanto não vem, o reino d’Ele é em nosso coração e nós seus seguidores fazemos parte deste reino.

BIBLIOGRAFIA

Bíblia Sagrada – Bíblia de Jerusalém; Paulus, São Paulo, 2013

RICHARDS, Lawrence, Comentário Bíblico do Professor, Um Guia Didático Completo Para Ajudar no Ensino das Escrituras Sagradas do Gênesis ao Apocalipse, Editora Vida Acadêmica, São Paulo, 2013

FRITZ, Rienecker, Evangelho de Lucas, Comentário Esperança, Editora Esperança, Curitiba, 2005

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DEUS E AS PEQUENAS COISAS

Foi em dias de dificuldade e dor que aprendi algumas importantes lições para a minha caminhada com Deus, aprendizados que tenho guardado como tesouro para o meu caminho. 

A primeira delas é que é nas pequenas coisas que vemos Deus agir. Não adianta, é comum vermos Deus como um mágico, um super-herói ou coisa parecida, pronto a nos ajudar.

Entenda que Deus tem seus meios, e quando nos ajuda, é da sua forma e não da nossa. Não espere Deus seguir suas receitas, suas dicas ou atender a seus pedidos como um servo, Deus é Deus, e quando nos ajuda usa os seus próprios caminhos, não entendemos porque, mas sabemos que são caminhos bem melhores que os nossos, por isso se entregue aos seus pés e confie.

Tenho conseguido ver Deus nas pequenas coisas, agindo na maioria das vezes de forma sutil e natural. Seja através de uma boa oportunidade, por meio de um amigo, médico ou coisas tais. Não é que Deus não tenha poder algum, e sim, a meu ver, que ele evita shows pirotécnicos e acaba tomando um caminho natural. Faça uma avaliação de tudo o que já aconteceu na sua vida, reveja todas as suas conquistas e note como Deus tem estado presente em todo o momento o problema é que as vezes não vemos.

A segunda lição é que Deus nos ajuda mais nos dando forças e oportunidades do que agindo em nosso lugar.

Temos mania de tratar Deus como um garçom pronto para nos servir. Se Deus é pai, como bem acreditamos, ele faz de uma forma no qual possamos aprender. Perceba que Deus não é aquele pai que mima e segue fazendo a nossa vontade, ele é mais como um pai que cuida e nos ensina. Deus não faz nada do que é para fazermos, ele não nos isenta de nossa responsabilidade, mas nos dá sabedoria e meios para enfrentarmos as situações e conseguir vencer as dificuldades.

É nas pequenas coisas que vemos Deus, principalmente quando vencemos o hedonismo e passamos a confiar nele de forma realmente plena. É quando olhamos em volta de forma sincera e sem exigências, como dependentes dele que somos, que enxergamos o seu cuidado. Ser cristão não é ser servido, mas servir, se dedicar, é confiar em Deus, independente do caos que nos cerca, é por isso que quando confiamos, aprendemos a ver nas pequenas coisas Deus cuidando de nós a cada segundo.

Confie em Deus e aprenda a ver a sua mão cuidando de você, perceba que a sua força de lutar e procurar uma saída vem dele, sinta Deus caminhando com você e perceba que a saída nunca vem de nós. Deus está sempre presente, sempre cuidando e nos amparando, o problema é que as vezes queremos mais e da nossa maneira, com isso, não enxergamos o seu cuidado em toda a nossa caminhada.

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E O VÉU RASGOU

Depois de ter bradado novamente em alta voz, Jesus entregou o espírito.
Naquele momento, o véu do santuário rasgou-se em duas partes, de alto a baixo. A terra tremeu, e as rochas se partiram. (Referência: Mateus 27:50-54)

Quando eu era novo frequentava uma igreja que carecia muito de ensino da palavra. Eu cresci não entendendo um monte de coisas que fui entender só muito tempo depois, e o véu se rasgando foi uma destas coisas. O que é uma pena, pois é uma passagem importante e realmente fundamental para a fé cristã.

Nesta passagem Cristo havia acabado de morrer, cataclismos naturais e eventos misteriosos sucediam a sua morte, mas o véu se rasgando é muito mais que apenas um acontecimento aleatório, sem significado.

Este véu era o que escondia o santo dos santos, onde somente o sacerdote podia entrar no dia da expiação como explica Levítico 16:1-30. Após a morte de Cristo o lugar ficou a vista. Estava sendo inaugurado um novo tempo, sem sacerdotes ungidos fazendo ponte entre nós e Deus, pois Cristo já morreu por nós de uma vez por todas e sem lugares santos, pois agora podemos buscar a Deus em qualquer lugar.   

“O que se queria expressar nessa hora tão estranha por meio deste evento extraordinário, jamais acontecido na face da terra? A velha aliança estava desfeita. A sombra teve de ceder à realidade. Os paradigmas foram cumpridos. As profecias foram realizadas. Os sacrifícios foram extintos por meio do único sacrifício que prevalece eternamente” (RIENCKER, 2012, p. 443)

Do período do sacrifício de Cristo em diante, o que vale é a sua graça, não mais sacrifícios, nem sacerdotes como mediadores, nem lugares especiais. O acesso a Deus, deste período em diante se dá somente através de Cristo.

Eu fico preocupado quando vejo cristãos ressuscitando práticas da lei que a próprio Bíblia aboliu, costurando novamente o véu que o próprio Deus rasgou. Pois não seguimos mais a lei, muito menos temos um sacerdote ungido por Deus como mediador. O acesso a Deus é através de Cristo, o véu se rasgou inaugurando uma nova era.

Não existe igreja santa, sacerdote ungido, cristão especial, depois do sacrifício de Cristo, não há mais mediador, a velha aliança foi desfeita, um novo período se inaugurou. Por isso não costure o véu novamente, não queira instituir leis que o próprio Novo Testamento aboliu. Entenda que a graça é o centro de tudo, e a lei apenas prova que sem Deus e a sua graça estamos condenados.

BIBLIOGRAFIA

RIENCKER, Fritz, Evangelho de Mateus, Comentário Esperança, Editora Esperança, Curitiba, 2012

CHAMPLIM, Rn. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo, Editora Hagnos, SÃO PAULO, 2014

Bíblia Sagrada, Bíblia NTLH, Sociedade Bíblica do Brasil, São Paulo, 1998

Bíblia Sagrada, Bíblia de Jerusalém; Paulus, São Paulo, 2013

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VIDA CRISTÃ

“Deus não nos concebeu sua palavra para que a pudéssemos explicar para outros, mas para que nós mesmos a experimentemos e a vivamos para que os outros vejam o senhor” (WIERSBE, 2011, 114)

A Vida cristã começa na prática, e não no discurso, é claro que temos a missão de ir e pregar, contudo antes de qualquer coisa, precisamos “ser”, para assim transmitir algo verdadeiro, algo que realmente vem de uma vida sincera.

As pessoas notam quem vive no discurso, quem fala uma coisa e faz outra. As pessoas notam palavras vazias, descontextualizadas e sem vivência. Por isso que viver o evangelho é essencial para que a pregação se torne viva, fruto de uma vida que realmente segue o evangelho, e não apenas fala por falar.

O dito popular “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço” pode ser útil para justificar sua falta de comprometimento, mas não serve para quem segue o evangelho. O autor faz mais uma pontuação que resume bem o assunto e que refuta alguns destes pensamentos encurtados:

“O cristianismo não é um credo, uma organização nem um sistema religioso. Ele é a vida de Deus nos seres humanos, tornando-nos mais semelhantes a Jesus Cristo” (WIERSBE, 2011, 114)

Antes da instituição, antes da placa da igreja, antes dos ritos, vem a vida que faz diferença na nossa. A palavra deve encarnar e nos fazer semelhantes a Jesus, que nos deu a vida.

Não estou pregando contra a igreja, nem eu acho que ser cristão é ser um “sem igreja”. Precisamos da comunhão, e uma igreja que prega a palavra, nos ajuda a viver cada vez mais próximo a Cristo.

O que eu quero resumir é que antes de tudo, a palavra deve fazer diferença em nós, antes de pregar, temos que viver, antes de anunciar temos que entender, sermos praticantes e não apenas ouvintes (Tiago 1:22). Caso contrário, seremos contraditórios, olharemos para os outros e nos esqueceremos do comprometimento pessoal que a vida cristã exige.

BIBLIOGRAFIA

WIERSBE, Warren, W. Jesus presente, Experimente a atualidade e o poder das declarações do Filho de Deus em sua vida, Editora Thomas Nelson Brasil, Rio de Janeiro, 2011

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HUMILDADE

“O orgulho é um veneno tão possante que envenena não só as virtudes, mas também os outros vícios” G. K. Chesterton (WIERSBE, 2011, p. 155)

Não gosto de gente que te olha de cima, que se coloca em um pedestal, como se ele fosse superior e os outros lacaios. Normalmente me mantenho longe destes, não é o tipo de pessoa no qual eu gasto minhas horas. A parte que eu acho complicada, contraditória e irreal, é quando eu encontro cristãos assim.

Eu não entendo cristãos orgulhosos, não consigo conceber como uma pessoa que serve a um Deus que se fez servo (Filipenses 2:7), possa ser orgulhoso. Eu sei que as vezes caímos na armadilha do orgulho, que o dinheiro e fama pode nos corromper e nos colocar em pedestais, conquanto, ao olharmos para a palavra, gastarmos tempo lendo e estudando, teríamos um bom choque de realidade, que faria com que voltássemos a humildade que o evangelho exige, pelo menos deveria ser assim. Conheço gente que tem problema com orgulho, e toma muito cuidado com isso, penso que este é o princípio que todo o cristão deveria ter que é a consciência de suas falhas, para que assim ele possa não cair em suas próprias dificuldades.

Eu antes tinha muita raiva de orgulhosos, não gostava do ar de superioridade e nem de ser tratado com desprezo. Conforme a vida foi passando eu passei a ter pena, direi por quê.

Primeiro porque o orgulhoso é cego, não percebe a sua própria condição. Por olhar os outros de cima, muitas vezes tropeça, por tratar alguns com frieza e superioridade, acaba por ser sozinho, ou cercado por iguais, que prezam mais por aparência do que por intimidade, vivência e amizade.

Entenda que somos totalmente dependentes um dos outros, quando nascemos precisamos dos pais para nos ajudar, prover alimentos, nos ensinar. Quando crescemos isso não muda, sem as pessoas, sem o padeiro, sem o funcionário ou os diversos profissionais, não temos as coisas, não desenvolvemos e nem conseguimos o básico. Somos totalmente dependentes um dos outros, o orgulhoso não entende isso.

Segundo porque sem humildade não aprendemos. A humildade é o princípio de tudo, entender que não sabemos tudo é o ponto de partida para seguirmos aprendendo. Só cresce quem entende as suas limitações, eu só posso evoluir, aprender e me desenvolver, quando sei meus pontos fracos, para daí em diante seguir buscando aprimoramento. Coisa que um orgulhoso ou uma pessoa que se considera o máximo, superior a tudo e todos, não consegue fazer.

A humildade é o cerne do evangelho, Jesus foi humilde e ensinou uma liderança servidora, que funciona de “baixo para cima”. Paulo e os apóstolos, idem. O cerne da mensagem é entender o quão pecador somos e do quanto precisamos de Deus, sendo que com o orgulho isso não é possível. Warren W. Wiersbe neste mesmo livro no qual tirei a citação de Chesterton complementa:

“Humildade é o solo do qual todas as outras virtudes cristãs podem crescer. As pessoas orgulhosas amam a si mesmas, não aos outros, e se prestam alguma atenção nos outros é apenas para os usar a fim de se promover” (WIERSBE, 2011, p. 155)

Não tenha dúvida que o orgulho é o melhor caminho para a ruína, pois além de não sermos melhores uns que outros, sozinhos não somos nada.

Quem é orgulhoso, quem se considera superior e acima dos outros, certamente não entendeu o evangelho, se ama mais do que ama os outros. Estar em comunhão com os irmãos depende do quanto somos humildes para aceitar que cada um tem suas dificuldades e assim conseguir amar e aceitar o próximo com mais humildade.

O orgulhoso não aceita muito este conceito e segue desdenhando, pensando mais do que ele é e alheio a todos. O grande problema é que brasa fora do fogo se apaga. Juntos somos sempre mais fortes e podemos como irmãos nos ajudar, nos suportar, nos apoiar. Sem contar que a solidão de cima dos pedestais deve ser grande, por isso, opto sempre por ser humilde, é uma vida menos solitária.

BIBLIOGRAFIA

WIERSBE, Warren, W. Jesus presente, Experimente a atualidade e o poder das declarações do Filho de Deus em sua vida, Editora Thomas Nelson Brasil, Rio de Janeiro, 2011

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