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DESESPERADA PAZ

Em meio ao caos, resolvi fazer compras, a quarentena traz consigo muita fome, e por conta disso, levantei bem cedo e fui ao mercado, logo nas primeiras horas de funcionamento. Uma genial ideia, que muitos outros também tiveram, resumindo em um mercado totalmente lotado.

Para contrastar com o excesso de pessoas, me deparei também com o excesso de preocupações, com o desespero que pairava no ar como uma “crônica de um caos anunciado”, que vem no bojo de toda desconhecida pandemia. Isso mostra que não só se popularizou uma palavra tão pouco usada, como “pandemia”, mas também um desespero nada usual. Algo que ninguém, até então, havia sentido.

Nos carrinhos, havia excesso de comida, nos corredores, desespero e um medo que conduzia a vida de muitas pessoas. Era evidente que a falta de paz e segurança, estava ardendo latente no peito daquelas pessoas, mas eu me desesperei com a cena, enquanto pessoas brigavam por alguns pacotes de arroz na estreita avenida da vida.

O cenário é de caos e desespero, as notícias, são as piores, e só traz medo. Segundo especialistas o futuro é tenebroso e incerto, a certeza é que muita coisa vai ruir, se desfazer, sucumbir. Enquanto em meio a tormenta, eu apenas tentava entender um pouco mais a paz que eu estava sentindo. Eram contrastantes o desespero e a minha tranquilidade. 

Aprendi a estar contente (Filipenses 4:11-13), descobri já faz um tempo que confiar nos poupa de muitas rugas e assegura a nossa saúde mental, que se esvai pelo excesso de preocupação. Não dá para tentar controlar o que não tem controle. Não dá para reivindicar qualquer independência, quando neste mundo hostil, só dependemos de Deus, pois no mais, é incerto. Acaba ruindo junto com todas as fracas teorias que sustentam o mundo.

Não podemos mudar o passado, o que aconteceu se foi, não volta mais, mas podemos mudar o futuro, vivendo o presente, entendendo que na frente está o nosso Deus, crendo que ele sem dúvida cuida de nós.

Deus me livre de clichê, mas não tem outra frase, é apenas confiando que passamos pela tempestade, isso se você quiser passar com certa tranquilidade.

É Deus nosso refúgio, é só nele que resistimos e enfrentamos os altos abismos. Se a pandemia te trazer insegurança, lembre-se de que sem Deus não somos nada e que no fim, o nosso medo é não conseguir manter o controle, é não saber como superar os vagalhões em alto mar.

É por isso que quando o medo vier, lembre-se de que no fim, nada controlamos, nossa sabedoria é meio regada a incertezas, lamentos e dores, que só nos mostram que sem Deus, o viver é de angústias.

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O DESESPERO CONTAMINA

O nosso século nunca passou por problemas tão graves, e apesar da crise financeira, não passamos por pandemias, tal como estamos passando. Embora eu confesse que a notícia não me deixou com medo.

Esta pandemia tem me ensinado várias coisas, e tem mostrado a verdadeira face do ser humano, a máscara cai quando não dá mais para representar o papel. É impossível ser ator em dias de caos.

Apesar da minha calma, eu me preocupei quando nos primeiros dias da quarentena eu fui ao mercado, era muito egoísmo para poucos carrinhos de compras. As pessoas compravam como se não mais houvesse amanhã, como se a comida fosse acabar naquele dia. Me senti no filme Mad Max, vendo gente discutir por um punhado de arroz. Eu me desesperei, as cenas nos corredores do mercado eram tristes, nunca mais esqueci.

Nas redes sociais ou na rua, os assuntos eram macabros, inúmeras teorias da conspiração circulavam, a morte e o medo rondavam, pelo menos no imaginário, e o pandemônio aos poucos se instalava, por conta da ignorância.

 Eu não fiquei com medo do caos, sou bem tranquilo e confio em Deus, já passei por coisas piores, para me deixar abalar. Embora eu tenha aprendido que o desespero contamina, e é esta a pior situação que um problema desse pode causar.

Não quero alarmar ninguém, e não ser contraditório disseminando o caos, eu quero apenas alertar que você pode se contaminar com este desespero. O vírus pode ser perigoso, mas o desespero é pior, mexe com o emocional, e afeta a nossa saúde. Afinal, tudo começa na mente, para depois refletir no corpo e na imunidade baixa.

Depois de toda a negatividade, as notícias tendenciosas e as Fake News, resolvi proteger o meu emocional e deixei de me alimentar por estas notícias equivocadas.  Em nome da sanidade é importante as vezes buscarmos a tranquilidade e confiar que no fim, Deus está sempre conosco.

Cuidado com o desespero, e diante deste caos, se acalme, pior que contrair a doença, é se descontrolar e perder a sua saúde.

Fuja de qualquer notícia falsa, reflita e deixe a vida seguir seu rumo, ou você está em Cristo e confia, ou perde o controle.

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A ARTE DE GANHAR DISCUSSÃO

“É chocante ver com que frequência ter razão e ficar com a razão não são equivalentes; que o vencedor de uma discussão não é o que está do lado certo da verdade e da razão, mas sim o que é mais espirituoso e sabe lutar de maneira mais ágil” (SCHOPENHAUER, 2014, p. 8)

Conheci, ainda muito novo, alguém que realmente sabia debater. Ele entrava nas discussões mais intricadas e saia como vencedor, sempre, impreterivelmente. Não importava o assunto, aquele homem sabia discutir e defender seus pontos de vista. Fui fã daquela pessoa e por conta de todo o seu conhecimento, eu me motivei a estudar mais, pois queria de alguma maneira chegar naquele grau de conhecimento.

Sou grato a esta pessoa, pois foi por conta dele que passei a ler mais, procurar autores relevantes, estudar e me aprofundar em teologia. Terminei também fazendo o bacharel em teologia, tudo para poder conhecer mais e ser relevante na obra de Deus.

A parte surreal, que hoje me faz dar muita rizada, é que quanto mais eu estudava, mais eu começava a perceber que seus argumentos muitas vezes eram fracos e contraditórios. Eu descobri também, que era possível ganhar um debate, apenas tendo ferramentas de oratória. No fim, ele não tinha bons argumentos, e sim, apenas possuía uma ótima “dialética erística”, como diria Arthur Schopenhauer. Sendo que a “dialética erística” é a arte de ganhar uma discussão sem ter razão. Schopenhauer em seu livro, fala de 38 estratégias para vencer uma discussão, sendo que algumas dessas estratégias eu o vi usar muitas vezes.

Hoje com um pouco mais de conhecimento neste tipo de dialética, consigo perceber como muitos vencedores de debates, conseguem vencer, apenas pelo gogó, usando táticas obscuras, deixando a coerência e os fatos de lado, por não servirem para muita coisa.

Eu sempre digo em sala de aula que nem sempre quem fala bem, ou consegue ganhar um debate, tem bons argumentos. É preciso saber identificar, durante um debate, se há coerência e razão por trás de todas as palavras.

Não costumo mais entrar em debates, por ter aprendido que nem sempre o motivo da discussão é encontrar a verdade. Quase sempre o motivo é ganhar, é sair por cima, é mostrar o quanto uma pessoa é melhor que a outra. Poucos debates são realmente honestos.

Aprenda uma coisa, certas pessoas não estão em busca da verdade e muito menos querem aprender. Para que isso aconteça é preciso ter humildade e uma grande capacidade de enxergar seus erros, contradições e falhas. Coisa que no calor da discussão, raramente isso acontece.

É claro que você é livre, mas tenha em mente algo, quando for discutir, esteja preparado não só para perder um debate, caso o oponente fale bem, mas também, se prepare para ter que lidar com um ego inflado.

Não vale a pena discutir com quem não tem humildade suficiente para reconhecer seus erros. Conversar com quem só quer ganhar é tempo perdido e a garantia de sair da discussão com uma bela dor de cabeça.

BIBLIOGRAFIA

SCHOPENHAUER, Arthur, 38 estratégias para vencer qualquer debate: A arte de ter razão. Faro editorial, São Paulo,2014.

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A IMPORTÂNCIA DE OUVIR

“Ouvir é uma arte, um dom, requer disciplina, silêncio, reverência. Ouvir envolve recolhimento, acolhimento e meditação da palavra, seja ela de Deus ou de um amigo” (STEUERNAGEL, BARBOSA, 2017, p. 78)

Eu gosto bastante de conversar e trocar experiências com as pessoas. São em momentos assim que aprendemos, conhecemos mais as pessoas e nos desenvolvemos. A parte curiosa da questão é que hoje as pessoas querem muito mais falar do que ouvir. E quando ouvem, não prestam muito atenção, pois as vezes estão concentrados pensando no que vão dizer depois que o outro terminar a sua fala.

Existe basicamente dois tipos de ouvintes, o primeiro é aquele que ouve para responder. Ele espera você falar para poder dizer que também passou por aquilo, ou que o seu problema é fácil, afinal, ele já enfrentou também tal situação, não fique de frescura.

Normalmente este tipo de pessoa não troca experiências, ele troca comparações. Uma coisa é você falar que já passou pela mesma situação que o seu amigo, outra coisa é diminuir a experiência, por você também já ter passado, e o pior, ter resolvido o caso de modo fácil.

Nós não somos iguais, não encaramos os problemas da mesma forma, cada um tem a sua dificuldade e facilidade, sendo que uma experiência vai ser sempre algo único, cada um tem a sua, não tem como nos comparar.

O segundo ouvinte é aquele que realmente ouve, que quando pergunta é para se aprofundar, entender e compreender a pessoa. Este tipo de ouvinte também fala das suas experiencias, e inclusive menciona quando também passou pela mesma situação. Contudo ela fala de uma maneira empática, entendendo que as experiências são únicas e incomparáveis.

Um bom ouvinte faz diferença aonde está, quem sabe ouvir cura, aconselha de forma assertiva, e acolhe, saber ouvir é um remédio poderoso. E curiosamente, como o próprio autor aponta, nós só falamos porque ouvimos.

Ouvir é uma prática importante, mas nós temos esquecido, talvez quem sabe, por descuido ou por não nos importarmos mais com o outro e nem com as suas aspirações, sonhos e histórias.

O mundo tem andado carente de amigos, está em falta de pessoas que realmente ouvem e se preocupam conosco. Ouvir é uma arte que precisa ser cultivada, para que com ela, consigamos fazer diferença onde estivermos.

BIBLIOGRAFIA

STEUERNAGEL, Valdir, BARBOSA, Ricardo, Nova Liderança: paradigmas de liderança em tempo de crise, Curitiba, 2017

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VALORES TROCADOS

Uma mensagem que uma catástrofe claramente nos traz é que não controlamos muitas coisas, somos, com toda a certeza, muito vulneráveis. E por mais que alguém acredite que a sua vida está totalmente sob controle, basta uma doença incurável, uma catástrofe natural ou um caos econômico para esta pessoa perceber seu grande engano. A sensação é falsa, é um sentimento totalmente enganoso de controle e segurança. O ser humano tem o péssimo costume de construir castelos de cartas e acreditar naquela fortaleza.

É comum ver as pessoas se protegerem por trás de marcas de carro, roupas de grife ou em ambientes onde só a elite frequenta, buscando nisso uma certa segurança. A própria concepção de status é falsa, é um conceito que se descontrói ante ao menor sinal de falência e só serve para separar as pessoas que se consideram superiores, dos supostos inferiores, como se dinheiro fosse sinal de inteligência e superioridade. No final é tudo poder pré-fabricado, que cai por terra ante ao menor vento.

A doença e a catástrofe mostram como somos frágeis, e o quanto nossos valores são irreais, firmados em areia movediça. Por isso é importante alinharmos bem nossas crenças, e entendermos que é muito melhor depositar a confiança no que é Eterno, no que é realmente duradouro, ao invés de confiarmos em coisas frágeis e sem significado concreto. Provérbios 3:5-7 diz:

“Confie no Senhor de todo o seu coração e não se apoie em seu próprio entendimento; reconheça o Senhor em todos os seus caminhos, e ele endireitará as suas veredas. Não seja sábio aos seus próprios olhos; tema ao Senhor e evite o mal”.

É em Deus que devemos depositar a nossa confiança, é no Deus eterno que a nossa vida deve estar alicerçada, e não em nossa falsa sabedoria. Não tem como alicerçarmos nossa vida em nosso entendimento, pois constantemente nos enganamos, concluímos conceitos e pontos de vista de maneira equivocada e desastrosa.

O problema não é ter ou não ter, pois isso não faz muita diferença e sim, em quem nós confiamos, em quem nossa vida está alicerçada, em nós e nossa própria sabedoria ou em Deus.

É interessante que o versículo 7 diz para “não sermos sábios aos nossos próprios olhos”, penso que aqui está a raiz de tudo. A questão aqui não é apenas ser orgulhoso de sua sabedoria e sim, que precisamos tomar cuidado com a nossa autossuficiência, uma atitude que pode nos levar a não entregar nossa vida, nossas coisas e escolhas a Deus (CARSON, FRANCE, MOTYER, WENHAM, 2012, p. 891).

O caos sempre grita, ele é um alarme que mostra como nossas crenças são frágeis e como não somos autossuficientes. Sem Deus não somos nada, se não entregarmos nossa vida, escolhas e caminhos a Deus, com certeza e sem dúvida alguma pereceremos. O caos aponta para nossos erros e escolhas e nos obriga a olhar para Deus e confiar toda a nossa vida em suas mãos.

Entender que podemos estar enganados e que no fim, a palavra de Deus é que deve ser o nosso Norte, é básico para não esquecermos em quem devemos depositar a nossa confiança.

BIBLIOGRAFIA

CARSON, D.A, FRANCE, R. T, MOTYER, J. A, WENHAM, G. J, Comentário Bíblico Vida Nova, Editora Vida Nova, São Paulo, 2012.

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O SEGREDO DA ORAÇÃO

Por que precisamos orar tanto para termos nossas orações respondidas? Será que Deus não conhece nossas necessidades? Ou melhor, por que orar? Deus já não sabe de tudo?

Estas são algumas das dúvidas que eu tive quando era novo e são questionamentos que volta e meia algumas pessoas me fazem. Nem todos entendem porque devemos orar para um Deus que é onisciente. E é nos dias de caos e insegurança, que devemos entender bem e de forma consciente, a importância da oração.

Para que eu possa responder estas questões eu preciso lembrar a todos de alguns pontos importantes. O primeiro ponto é que até Cristo, o próprio Deus, orou. Mesmo tendo todo o poder, ele não eixava de orar sempre e muito (Marcos 1:35).

Em segundo lugar, precisamos entender que as nossas orações são sempre respondidas no tempo de Deus, ele sabe a melhor hora de te responder, sendo que o tempo de Deus é sempre o melhor.

O terceiro ponto, que é interligado a este, é que tudo vai depender da vontade de Deus (1 João 5:14), pois constantemente pedimos coisas que não é da vontade Dele. Ele sabe o que é melhor para nós, sendo que se servimos a Deus, se realmente somos seus servos, temos que nos sujeitar a sua vontade.

Faça um exercício, pense nas coisas que você pediu a Deus e que ele não respondeu. Veja se entre estas coisas não tem pedidos que hoje, olhando com mais cuidado, você conclui que não era legal. Eu dou graças a Deus pelas inúmeras orações não respondidas, pois nem sempre, na hora que estamos pedindo, percebemos o erro de estar buscando aquela determinada coisa.

Por último, concluindo os apontamentos antes de responder, quero enfatizar que ser cristão não é ser rico, nem ter como ênfase pedir ou ter as coisas. É justamente seguir a um Deus que nos salvou, e estar pronto para fazer a sua vontade. Cristo não nos prometeu uma vida boa, ao contrário, Jesus nos avisou que teríamos aflições (João 16:33). Cristo veio para nos dar vida, e vida eterna (João 3:16) e não coisas que se desfazem com o tempo.

Depois destes apontamentos, a resposta se torna muito simples. No final, a oração muda muito mais quem ora, do que o próprio ambiente ou a própria situação caótica. A oração nos dá conforto e esperança para que possamos seguir confiando que no final tudo vai dar certo, mesmo que pareça que não.

A oração, que Cristo também fazia muito, nos dá intimidade com o nosso criador, e é no momento de busca que a nossa vida vai sendo transformada, que conseguimos força para seguir, e que a nossa vida muda. A oração nos fortifica, sendo que as respostas de oração são apenas consequências de uma vida transformada a cada dia, enquanto buscamos a Deus.

O segredo da oração é a própria busca, é o derramar do coração e buscar a cada dia ter intimidade com o criador. Não devemos orar apenas para ter coisas, e sim para busca-lo, e também para termos forças para enfrentar as situações adversas, que no mais é consequência.

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ÓCULOS

Graças a inúmeras invenções, hoje vivemos bem, e estamos vivendo cada vez mais, coisa que não seria possível em tempos antigos. A falta do mínimo, fazia com que uma pessoa vivesse vidas completamente caóticas.

Os óculos são bons exemplos disso, sem óculos, muitos não conseguiam enxergar o mínimo, quem dirá ler e estudar. É possível viver uma vida horrível sem esta invenção, mesmo tendo dinheiro e conforto, com isso, agradeço a Deus e a ciência por este equipamento.

Uma grande lição que eu aprendi nesta minha caminhada é que todos acabam enxergando o mundo através dos seus óculos. Cada ser humano olha os acontecimentos, fatos e conceitos, com os seus pontos de vista. É impossível conseguirmos fazer qualquer reflexão ou tomar qualquer decisão de forma neutra, sem fazer uso de nossas crenças, credos ou formas de pensar, pois está tudo interligado.

A neutralidade é um mito, é quase impossível olharmos o mundo de forma parcial, e por mais que possamos nos esforçar para isso, e é importante as vezes sermos neutros, é impossível sermos assim a todo o tempo. Augustus Nicodemus complementa que:

“Todos nós enxergamos a vida através dos óculos formados por nossas experiências, nossos preconceitos e pressupostos e, acima de tudo, nossas crenças” (NICODEMUS, 2015, 181).

Sendo que a negação deste fato, já evidencia um tipo de óculos, um ponto de vista sobre o assunto, confirmada com a própria negação.

É claro que mundo é muito mais do que nossas crenças, é importante ouvirmos os outros, entendermos a religião do próximo e de onde vem o seu ponto de vista.

Mesmo sendo difícil ser imparcial, temos que tentar olhar o próximo de forma neutra, entendendo assim, a pessoa e seus conceitos, embora eu saiba que isso é difícil, eu também sei que não é impossível, é importante tentarmos. Eu aprendi muito tentando entender o próximo, e percebi que muitos dos meus conceitos e crenças sobre o outro, muitas vezes era equivocado. 

Em minha pós-graduação em Ciências da Religião, descobri muita coisa sobre religiões e crenças que eu tinha opiniões totalmente distorcidas, e aprendi a respeitar aquelas formas de pensar. Pesquisar, se informar, entender certas religiões e formas de pensar, não é concordar. Você pode pesquisar e entender, sem concordar, apenas para saber mais ou quem sabe entender o modo de crer e pensar de nossos amigos.

O mais importante sobre o assunto é ajustarmos sempre os nossos óculos, é estarmos firmados na palavra, para que as nossas lentes não fiquem embaçadas. Por isso, é importante estudar a Bíblia e entendê-la a cada dia. Com boas lentes, enxergamos melhor e com isso todos ganham.

O evangelho é a nossa principal lente, e os ensinos de Cristo, uma prática que deve estar introjetada em nossa vida. Com boas lentes, compreendemos e respeitamos o próximo. Com os óculos da Cristo, entendemos a importância de amar e servir, entre tantas outras lições que a Bíblia nos traz.

Todos nós temos óculos, por isso, cuide do seu, para que assim você possa enxergar o mundo de uma forma muito mais clara e coerente.

BIBLIOGRAFIA

NICODEMUS, Augustus, Polêmicas na igreja: Doutrinas, práticas e movimentos que enfraquecem o cristianismo, Editora Mundo Cristão, São Paulo, 2015.

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A PÁSCOA EM UMA QUARENTENA

A quarentena nos trouxe muitas mudanças, além de tirar a nossa rotina e nos obrigar a fazer coisas que nem imaginaríamos que um dia iríamos fazer, também nos forçou a ficar em casa, e ainda por cima, ter que conviver com as pessoas que moram nesta casa. Sabemos que a convivência nunca é fácil, contudo, temos nas mãos uma boa oportunidade para nos relacionar, de estar mais com quem amamos e nos dedicar a algo mais intelectual como ler, estudar ou escrever, entre tantas opções. Para um introvertido, a oportunidade é ótima, já não posso dizer o mesmo para uma pessoa extrovertida, mas pense no momento como uma boa oportunidade para realinhar a sua rotina.

Não sabemos como será o mundo depois da quarentena, com certeza economicamente vamos sofrer os resultados, isso sem falar de todo o impacto que a quarentena trará a saúde mental das pessoas. A questão é tentarmos tirar uma lição, e também realinhar nossas prioridades e anseios.

Na Páscoa comemoramos a ressurreição de Cristo, a parte interessante é que pela primeira vez, o dia de Páscoa vai refletir, de forma um pouco mais real, a verdade sobre o nosso salvador, pois caso você não saiba, seus dias aqui na terra não foram fáceis.

A começar pelo fato que ele veio ao mundo em um total caos, teve que fugir (Mateus 2:13), dormiu em uma manjedoura (Lucas 2:7), que ao contrário do que muitos acreditam, não devia ser algo legal. Uma manjedoura é um recipiente onde se colocava comida para o gado, uma espécie de tabuleiro, ou seja, o primeiro berço do nosso Deus foi a vasilha onde os animais comiam.

Segundo evidências dos pais da igreja, o local de nascimento de Jesus pode ter sido em uma caverna onde era guardado o gado, ou mesmo uma espécie de barraca onde se colocava os animais (CHAMPLIN, 2014, p. 37), com isso, o cheiro não deveria ser dos melhores, nosso Deus nasceu entre o caos e o fedor dos animais. E além de ter que se prestar em viver como um homem, também morreu e sofreu em nosso lugar, tudo porque nos amou, justo nós, homens pecadores.

A quarentena não tem sido fácil, seja pela reclusão ou pelo sentimento de insegurança e desamparo que a quarentena nos traz, o medo do resultado desta parada as vezes nos tira o sono, mas traduz um pouco, mesmo que o mínimo, do sofrimento que o nosso Deus teve.

Ele sofreu ao nascer, sofreu ao viver como homem, vulnerável, sentindo dor e faltas e sofreu na cruz por nós. Coisa que o comércio que gira em torno da comemoração, não deixa de forma alguma transparecer, pois parece que sofrimento não vende muito bem.

Coma, comemore e se alegre nesse dia, pois é dia de vitória, dia de ressurreição, só não se esqueça que as vezes o comércio e o chocolate fazem com que esqueçamos o real motivo da comemoração. 

Que nesta Páscoa, mais do que nunca, possamos entender que este dia foi um dia sofrido e penoso, e por mais que possamos comemorar, por nosso Deus ter ressuscitado, temos que entender que um Deus sofreu muito no madeiro por amor a nós.

BIBLIOGRAFIA

CHAMPLIN, R. N, O Novo Testamento interpretado versículo por versículo: volume 2: Lucas e João, Editora Hagnos, São Paulo, 2014

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NO FINAL TUDO FAZ SENTIDO

Eu nunca entendi porque quando eu me formei em teologia, tantas portas se fecharam. Como o curso não era voltado para a minha área de trabalho e eu não possuía pós-graduação para tentar uma vaga de professor, penei muito para conseguir me recolocar em minha área de trabalho.

A fim de não cair na estagnação, e também para ter alguma ocupação para fazer como teólogo, já que eu também não conseguia me encaixar em ministério algum dentro da igreja, montei o blog.

Nem sempre entendemos de primeira o motivo no qual passamos por tantas dificuldades, ou ter que enfrentar certas situações. Eu sabia muito bem que fazer teologia estava dentro da vontade de Deus, mas cheguei a pensar que era besteira, que tinha sido um grande erro, apesar de gostar muito de teologia.

Com o tempo, aprendemos a jogar com o que temos, com isso, segui me dedicando ao blog, que era o que eu tinha no momento. Concomitante a ele, comecei uma pós-graduação em filosofia, e segui estudando. Sempre acreditei que devemos estar preparados para as oportunidades. Não adianta nada você pedir uma oportunidade para Deus, se você não está à altura do que você almeja.

O tempo passou e o blog começou a ter um número considerável de acessos, com isso, mergulhei ainda mais nos textos e estudos, deixando o blog ainda mais diversificado.

Sempre gostei de escrever, mas depois do blog e do compromisso de postar regularmente os textos para o manter atualizado, acabei por escrever mais ainda. Hoje escrevo praticamente todos os dias, e adquiri uma facilidade enorme em discorrer sobre o tema que for. Por que estou contando isso? Não estou buscando elogios, só quero deixar claro que as vezes passamos por períodos, que só vai fazer sentido depois.

Hoje eu trabalho como professor universitário, sendo que a prática de escrever foi fundamental para a minha função. Olhando para trás, o blog e todas as lutas no qual passei, fazem muito sentido. Sem todo o processo que eu tive que trilhar, eu não estaria hoje onde estou, não tenha dúvidas. O que surgiu como um hobby de um teólogo que não se encaixava em lugar algum, além de ter dado certo, pois o blog vai muito bem, me preparou para a minha profissão.

Nem todas as lutas, nós entendemos na hora, existem coisas que só fazem sentido depois, por isso aprenda a avaliar o momento, se preparar para as oportunidades e seguir sem desistir, acreditando no chamado que Deus colocou em seu coração.

Entenda que para tudo há o seu tempo, e enquanto o dia não chegar, se prepare e faça o que você consegue fazer, que no resto é com Deus.

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EM TEMPOS DE CAOS DISSEMINE A PAZ

É durante um período de caos que descobrimos como são as pessoas, a pandemia revela o pior do homem e o quanto o egoísmo está incrustado no ser humano, mesmo que ele diga que não.

Eu sou protestante, com isso, não me impressiono com a alienação e nem a depravação humana, como a própria Bíblia ensina e a teologia explica, com isso, eu cito Romanos 3:10 a 12 que diz:

Como está escrito: “Não há nenhum justo, nem um sequer; não há ninguém que entenda, ninguém que busque a Deus. Todos se desviaram, tornaram-se juntamente inúteis; não há ninguém que faça o bem, não há nem um sequer”.

Por isso não nos impressionamos, sabemos quem o ser humano é e do que ele é capaz. Sendo que é neste período difícil que percebemos o quanto a Bíblia tem razão e o quanto muitas teorias humanas se equivocam ao falar do ser humano.

O cidadão vai ao mercado e estoca comida como se não houvesse amanhã, e com isso, os mais pobres acabam passando necessidade. Quem tem condição segue guiado por seu egoísmo, sendo que a palavra vida em sociedade vai sendo esquecida ou perdendo o efeito.

Já os comerciantes aproveitam para subir os preços e ganhar dinheiro em um período de calamidade, mostrando que no final, não há amor, e sim, apenas e impreterivelmente a busca pelo dinheiro. É como o ditado popular diz: “É cada um por si…”, e assim, o homem vai revelando quem é.  

O momento é de calma e mais do que nunca, de olhar para o próximo. Nós que somos cristãos, precisamos dar o exemplo, não divulgar notícias falsas, e cuidar com o extremismo que acaba prejudicando os outros. A pandemia traz confusão, já Cristo nos traz paz e confiança. 2 Tessalonicenses 3:16 diz:

“O próprio Senhor da paz lhes dê a paz em todo o tempo e de todas as formas. O Senhor seja com todos vocês”.

Paulo não vivia dias calmos, ele sempre transitou entre a incerteza e a insegurança. Teve que lidar com momentos de faltas, prisões e necessidades, sendo que era justamente nestes momentos que ele não esquecia nunca de que Deus estava com ele, e onde ele estava, a sua oração era sempre por paz.

Em tempos de caos, devemos ter paz, devemos mais que nunca confiar em Deus e sem dúvidas, prestar toda a atenção no próximo. É um ato de amor sermos conscientes, consumir de forma regrada, e não nos desesperarmos com notícias que semeiam o caos.

É nesta hora que temos que mostrar as pessoas em quem confiamos, e com nossas atitudes, pregar vida e não morte ou o desespero. Cristo não nos prometeu uma vida tranquila, ao contrário, ele nos avisou que teríamos aflições, contudo ele venceu o mundo (João 16:33). E é este Deus que venceu que está conosco, que não nos abandona, que está sempre com a gente.

Ser cristãos é sofrer, mas também saber quem é que nos dá força, é ter certeza que quem venceu o mundo não nos abandonará. Creio que a marca de todo o cristão não é uma vida sem problemas, mas ter paz, apesar deles.

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