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VIVENDO UM DIA DE CADA VEZ

“Não te inquietes com as coisas futuras; com efeito, se houver necessidade, tu as encararás de posse da mesma razão que agora empregas com os problemas atuais” (AURÉLIO, 2019, p. 80).

Por ter saído de casa cedo, aprendi a ser precavido, eu achava importante ter sempre um plano B, para não ser pego desprevenido, com isso, muitas vezes eu não percebia que em vários momentos eu pensava muito no amanhã, e pouco no hoje.

Não tem como prevermos todos os problemas, muitos obstáculos surgem de lugares que nunca imaginaríamos que iriam vir. A pandemia tem provado isso, estamos em uma situação inimaginável. E por ser impossível prever tudo, é preferível viver o hoje, aproveitar um dia de cada vez, do que gastar nossas energias tentando prever problemas que ainda não aconteceram e nem sabemos se vamos vivenciar.

Quem escreveu a frase do começo do texto foi Marco Aurélio, um governador romano que assumiu o trono em um período muito conturbado em seu tempo. Ele sabia muito bem o que era ter problemas, ter que resolver situações e embates, além de ter que tomar cuidado para não sofrer ataques. Não era fácil ter que promover a paz, em dias onde a calma estava em falta. A questão era que ele também sabia o quão desgastante seria ficar pensando em problemas o tempo todo.

Não estou falando para você não ser precavido, e sim que, não é saudável viver a toda hora tentando prever o caos que ainda nem aconteceu. A Bíblia diz: “Basta o dia o seu próprio mal” (Mateus 6:34), ou seja, viva um dia de cada vez, não antecipe problemas.

A vida é imprevisível, viver é entender que não controlamos nada. E por mais que podemos ser precavidos, cultivarmos o hábito de termos uma reserva de emergência. Ter uma profissão, e estar sempre atualizados, para caso tenhamos a necessidade de nos recolocarmos no mercado de trabalho de forma mais rápida. Precisamos entender a nossa total falta de controle, e a impossibilidade de antevermos possíveis males que podem nos alcançar.

Confiar em Deus não é só uma atitude cristã, mas uma necessidade, é um ato urgente, já que, em hipótese alguma, conseguimos prenunciar as coisas que acontecem conosco.

Não quero te assustar, e nem deixar você desmotivado e sim, incentivar você a viver o seu hoje, curtir o seu tempo com calma, vivendo um dia de cada vez e confiando em Deus, para quando os dias cinzas chegarem, você possa dar um passo mais coerente.

Pense no problema na hora certa, no momento que ele chegar, enquanto ele não existe, desfrute do seu dia da forma como Deus deu a você. Se preocupar com o problema que não existe, é antecipar preocupações e deixar de viver o dia que Deus te deu agora.

BIBLIOGRAFIA

AURÉLIO, Marco, Meditações, Editora Edipro, São Paulo, 2019.

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AUTOCONTROLE

“A visão que você tem de si mesmo, de sua confiança, autoestima, senso de propósito, e a consciência da forma como tende a reagir a situações, oferecem a base do autocontrole, isto é, da capacidade de permanecer flexível e se comportar de modo positivo e eficaz, apropriado à situação em que você se encontra” (WALTON, 2016, p. 63)

Infelizmente existem muitos estudiosos que passam horas estudando e se preparando para o seu trabalho, ou mesmo para a vida, mas que não conhecem a si mesmos.

Não sabem onde estão os seus medos, quais os seus defeitos e qualidades. Muito menos sabem o que os deixam tristes, com raiva ou inseguros, e assim acabam seguindo inflexíveis e autocentrados.

Para que uma mudança possa acontecer, precisamos aceitar nossos defeitos, entender nossas qualidades e saber bem o que nos atinge. Seguir cego, alheio a nós mesmos é seguir rumo a infelicidade.

Eu mudei e tenho buscado mudar ainda mais, por ter aprendido a aceitar os meus defeitos, é só quando reconhecemos nossas falhas que mudamos. Eu também aprendi a viver uma vida um pouco mais leve, quando pontuei bem o que me atinge. Desde então, tenho buscado acertar e entender certas coisas e também a buscar ferramentas para melhorar em outras áreas da minha vida. Em contra partida, aprendi a conhecer minhas qualidades, com o intuito de não desanimar e também para aprender a lidar com tais capacidades de forma assertiva.

O autocontrole vem apenas para quem sabe bem quem é, quem pontua seus defeitos e qualidades. Não tem como controlar algo que não conhecemos. É impossível melhorar sem sabermos quem realmente somos.

Nossas atitudes dependerão muito de como compreendemos quem somos e do quanto buscamos ajuda para crescer e aprender ainda mais.

Não se engane, o homem está fadado a não se perceber, a agir tão no automático, que você vai seguir sem entender quem é, se contradizendo dia após dia.

Por isso pare, aprenda a se ouvir e a confessar de forma humilde todos os seus equívocos e qualidades. Não somos perfeitos, isso sabemos muito bem, a questão é que ao não assumimos nossas imperfeições. Acabaremos por falar de uma forma e agir de outra.

A visão que temos de nós determina muita coisa, define quem você é e o que você pode ser para seguir em busca da mudança. 

BIBLIOGRAFIA

WALTON, David, Inteligência emocional: um guia prático, L & PM Editores, Porto Alegre, 2016

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LIÇÕES QUE EU APRENDI COM A PANDEMIA

A inteligência humana pode ser medida com o quanto conseguimos aprender com as dificuldades. É inevitável passarmos por problemas, não temos como fugir, mas é possível aprender e crescer ainda mais quando descobrimos como encarar as dificuldades. Eu mesmo, tirei muitas lições, divido com vocês algumas delas, e espero que de alguma maneira elas sejam úteis neste momento tão complicado.

A primeira lição é que no fundo, não controlamos nada. O status, o dinheiro ou as aparências são passageiras, mudam conforme a vida vai seguindo. A coisa mais certa que podemos ter é que a vida é imprevisível, eis toda a certeza.

Por isso, solte este falso controle, ou esta sensação de que está tudo em suas mãos, e aprenda a seguir mais leve, confiando e colocando a sua fé apenas em Deus. Por mais que algumas coisas estejam em nossas mãos, no fundo, o inevitável é o mais certo, com isso, relaxar é mais benéfico, do que seguir como se você controlasse o seu barco.

A segunda é que precisamos aprender a não nos preocuparmos com o que não temos controle. Não adianta esquentar a cabeça pensando nas inúmeras catástrofes que uma pandemia pode trazer, se neste exato momento, você ainda não sofreu algum revés por conta deste caos.

Uma coisa é se preparar, se informar, é ter uma reserva financeira guardada, para caso você sofra algum problema, outra coisa é se desesperar sem motivo algum. Não antecipe problemas, se nada aconteceu, relaxe e confie em Deus.

A terceira lição é aceitar o momento presente, este é o ponto de partida para conseguirmos ir em direção do aprendizado e da mudança. É aceitando o sofrimento, as dificuldades e os problemas, que olhamos em volta, e procuramos o caminho para a solução.

É inevitável passarmos pelo sofrimento, sofrer é coisa da vida, mas é possível cultivar ainda mais problemas ao não aceitarmos certas situações. A negação duplica ainda mais as dificuldades, a aceitação abre uma porta para o novo, para a solução ou para a adaptação.

Em plena pandemia eu percebi que muita coisa ruiu. Algumas por não terem estruturas, outras por opção de alguém que não soube esperar, entender o momento e refletir. Não é fácil passar por problemas, não existe receita, embora que a própria situação possa nos ensinar.

Passei pela pandemia de forma tranquila, tentei ao máximo não me preocupar com o que não estava em meu controle, prezando mais pela minha sanidade.

Nem sempre é possível termos o plano B, as vezes algumas situações nos mostram que o melhor é descansar, e buscar em Deus o refrigério e o consolo.

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LIÇÕES QUE VOCÊ PODE APRENDER EM UMA LIVRARIA

Eu sempre vou em livrarias, seja para matar tempo, quando chego cedo em um compromisso ou para pesquisar boas obras. Entretanto, uma coisa que eu aprendi, depois de frequentar muito estes locais, é que se você entrar com pressa em uma livraria, você não vai enxergar nada.

Ir em uma destas lojas, para quem gosta de ler, é um prazer inexplicável. Eu mesmo gosto muito de comprar livros, por isso, algumas vezes eu passo horas pesquisando livros, autores e obras em livrarias ou sebos, que é como nós chamamos as lojas de livros usados aqui na minha cidade. Uma livraria tem muito a nos ensinar, o próprio ato de frequentar e procurar um autor em um destes locais, já são lições importantes, como vamos ver.

A primeira lição são os detalhes. Pois o excesso de coisas nos impede de vermos os pontos importantes. Quando você vai em uma loja de livros, ao olhar a estante abarrotada de volumes, você vê tudo e ao mesmo tempo nada. São tantos livros, tantos autores, que no final, é preciso muita atenção para conseguir olhar as obras e encontrar os temas que mais gostamos. Por conta da grande quantidade de temas, se não ficarmos atentos, podemos deixar de ver aquele autor fundamental, ou o material que gostamos muito. Olhar com atenção, verificar o nome dos autores e prestar atenção em todos os detalhes é a única forma de encontrar aquele material que vai fazer diferença em nossa vida.

Diante de tantas opções que o mundo nos dá, ou dos muitos estímulos e escolhas que temos. Podemos ficar perdidos e não percebermos as coisas que realmente valem a pena. A vida passa muito rápido, e por causa da correria, algumas vezes não vemos o que é essencial. Para aproveitarmos, precisamos aprender a ver, perceber os detalhes e nuances para assim identificar o que é importante.

O segundo ponto é ter conhecimento. São tantas coisas que o mundo oferece, que quando não conhecemos, podemos nos deixar levar por ensinos errados, que aparentemente podem parecer importantes, mas não são.

Assim como na loja de livros, onde precisamos conhecer os bons autores, é também na vida. Quando não conhecemos, deixamos nos levar por tudo e qualquer coisa. Nos impressionamos com qualquer capa, qualquer aparência, e depois quebramos a cara com o conteúdo. Se não prestarmos atenção e em meio a tanta coisa, não nos concentrarmos em todos os detalhes, nos deixaremos ser levados por ensinos e conceitos contraditórios e falhos.

O último ponto são os critérios. É preciso ter critérios para escolher, e critérios são construídos através do conhecimento, da informação e reflexão. Quem não tem critério, escolhe qualquer coisa, e acaba pecando pelo excesso e pela falta de conteúdo. Não adianta termos um monte de coisas que não nos acrescentarão em nada. Quem tem critérios, sabe o que quer, e pensa antes de escolher, buscando sempre a qualidade ao invés da quantidade.

Pior do que não ler, é ler qualquer coisa, é não aprender a refletir, e muito menos a mergulhar no conteúdo e aprender. É possível extrair lições de praticamente tudo, basta saber se posicionar e enxergar durante a leitura a lição escondida.

Gosto de olhar para a minha estante de livros e ver não só bons autores teológicos, filosóficos ou de entretenimento, e sim, de materiais que acrescentam e me auxiliam. Ter por ter, ou ler por ler é viver no automático, sem ter lições para a nossa caminhada.

A vida é muito curta para deixarmos de aprender e perceber verdadeiros universos, que só não são notados, por causa da nossa total falta de conhecimento.

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MONÓLOGOS

“A grande maioria de nós não é capaz de escutar; sentimo-nos obrigados a julgar, pois escutar é muito perigoso” (PETERSON, 2018, p. 256).

Perceba como em uma boa parte das conversas informais, o padrão é sempre o mesmo, não muda, poucos ouvem, apenas fingem ouvir, esperando apenas a sua vez de falar, e muitos falam (e como falam). Com isso, algumas reuniões são verdadeiros caos de sons, vozes e assuntos, enquanto nada está sendo ouvido. O contraditório é que as pessoas querem ser ouvidas, o problema é que elas ouvem pouco.

Quando estou reunido com amigos conversando e sou cortado quando falo, normalmente eu não retomo o assunto, a não ser que a pessoa peça, sendo que em muitas ocasiões, a minha fala fica incompleta e a pessoa nem percebem isso.  Caso estivessem realmente ouvindo, elas iriam perceber e querer ouvir a conclusão, pelo menos por educação, mas a maioria nem se atina, preferem muito mais falar do que ouvir. Este é um dos grandes males do nosso século, queremos ser ouvidos, mas não queremos ouvir.

Ouvi um psicólogo pseudointelectual falando um tempo atrás que, se ninguém te ouve, é porque o assunto não é interessante. Concordo que ninguém tem a obrigação de nos ouvir, mas em uma conversa, por respeito a pessoa, precisamos ouvir, diálogo é isso, não se trata de assuntos interessantes, e sim, de valorizar um ser humano ou o seu amigo, que fala, pensa, sonha e tem os seus ideais e pontos de vista. A vida não é feita somente do quanto alguém nos é útil, do quanto eu posso ganhar ouvindo alguém. E sim de respeito, diálogo e troca de informação. Ninguém é tão pequeno que não merece ser ouvido, e muito menos é tão grande, que merece prioridade em sua fala.

Outro problema na fala deste cidadão é a palavra interessante. Nem sempre com quem conversamos temos os mesmos interesses, as vezes o que eu falo com uma pessoa, a outra não se interessa e vice-versa. É evidente que alguns não sabem conversar, que não possuem assunto, contudo, cada um tem a sua área de interesse, nem sempre o que uma pessoa gosta, o outro aprecia.

O problema em ouvir o outro é que quando ouvimos, entramos no mundo de alguém, participamos do seu particular. Intimidade só busca quem quer ser amigo e quer se envolver realmente com uma pessoa. É muito mais fácil criticar, pois se envolver é complicado, quem critica, na maioria das vezes está longe, falando de outro ponto de observação, em uma situação bem mais confortável. Agora quem ouve, já se envolve, descobre detalhes, cria intimidade.

Na vida as vezes precisamos enfrentar monólogos, lidar com pessoas que acreditam que conversar é falar, é ouvir pouco, e que o diálogo consiste apenas de coisas que lhe interessam. Faz parte da vida, nem sempre uma pessoa tem a visão do todo, alguns seguem ensimesmados.

A arte do diálogo começa com humildade e respeito, crendo que cada um tem seus anseios e áreas de interesse. Não podemos obrigar alguém a entender o que nós entendemos, mas podemos aprender a ouvir, para pelo menos o outro também tenha voz.

BIBLIOGRAFIA

PETERSON, Jordan. B, 12 regras para a vida: Um antídoto para o caos, Alta Books Editora, Rio de Janeiro, 2018.

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REVIGORANTE SOLITUDE

“O amor é essencial; a sociabilidade é opcional” (CAIN, 2012, p. 264).

Sou do tipo reservado, que não troca um bom livro, por um lugar barulhento e cheio de pessoas, muito menos troca um grupo pequeno de amigos, por uma multidão deles. Alguns me chamariam de introvertido, contudo, eu ainda prefiro o rótulo de reservado.

A verdade é que uma multidão geralmente me cansa, se eu precisar ir em algum lugar cheio, com certeza, depois do compromisso vou precisar recarregar as baterias em meu reservado lar.

Em tempos onde ter contato, ser famoso ou ter uma grande rede de contatos é uma opção, eu sempre opto pelo mais calmo. Na música, temos um ditado que diz que “menos é mais”, nem sempre quantidade é qualidade.

O silêncio me recarrega, a solitude me recompõe. Tirar um final de semana para ler e estudar me revigora. Eu me canso fácil com barulhos e multidões.

É preciso amar, é fundamental cultivar amigos, parceiros e relacionamentos, isso faz parte do ser humano, contudo, nem todos se sentem à vontade em uma multidão. Alguns preferem estímulos externos, um número grande de amigos, de badalação, outros preferem o estímulo interno, um bom livro, um momento de paz e solitude ou mesmo um evento com poucos amigos.

Aprenda a entender quem você é, não se venda apenas para agradar terceiros, amar é importante, socializar, ir em festas é legal, principalmente para manter nossas amizades, mas respeitar quem somos é fundamental, e isso seus amigos devem entender. Isso se eles forem mesmo seus amigos!

BIBLIOGRAFIA

CAIN, Susan, O poder dos quietos: como os tímidos e introvertidos podem mudar um mundo que não para de falar, Editora Agir, Rio de Janeiro, 2012

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ARGUMENTOS SUBJETIVOS

De tempos em tempos algumas notícias polêmicas vêm à tona, e viram alvos de debates e discussões. Como a internet ampliou a oportunidade do debate, qualquer um pode opinar e dar o seu ponto de vista, o resultado disso são os argumentos mais pobres, simplistas e complicados que podemos ver.

Não que eu seja contra esta oportunidade que a internet nos dá. É bom poder opinar, poder expor nosso ponto de vista e dar a nossa opinião, como estou fazendo agora. E sim que, muitos destes que opinam, não enxergam todas as falhas dos seus argumentos. Por conta disso, pontos de vistas, dos mais subjetivos surgem.

Ao falarmos de aborto, por exemplo, é comum alguns justificarem a sua posição favorável, afirmando que defendem o aborto, porque os pais abandonam os seus filhos. Em uma conclusão totalmente sem coerência e reflexão.

Abandonar o filho é um dos atos mais covardes que um homem pode ter, assim como a alienação parental, de mulheres que não permitem o marido de ver seus filhos, mesmo que ele esteja cumprindo com o seu papel de pai. São dois problemas, o aborto e o abandono de filhos, e um não é argumento para o outro. Isso sem contar que em alguns casos, o argumentador generaliza um problema, como se todo o homem abandonasse o filho, batesse em suas esposas e por aí vai.

Dentro da igreja temos exemplos parecidos, de cristãos que transformam a sua experiência com Deus em regra. Como se aquilo fosse norma para Deus agir. Com isso, ensinos que são opostos a Bíblia surgem, sem qualquer base e fundamentos, tendo como ponto de partida, argumentos subjetivos, que não possuem qualquer coerência.

Muitos justificam as suas crenças, com frases que carecem de coerência e o mínimo de base. Moldando a Bíblia a seus pontos de vista e a sua opinião. A palavra de Deus nos pontos fundamentais já é clara por si mesma. E ela existe para nos ensinar, e fazer com que a nossa vida esteja totalmente centrada na vontade de Deus. Você não deve ler só o que gosta na Bíblia, e sim estudar ela toda, aceitar seus ensinos e moldar a sua vida, conforme a vontade de Deus e não a sua própria.

Argumentar é apresentar ideias, fatos e provas de algo, e em caso de discordância, ou de falta de fundamento é importante não justificar um ponto de vista com casos isolados, que são exceções ou com problemas, que não fazem parte do assunto.

Ao refletir em um ponto de vista, é importante pensar naquele argumento, e refletir sobre ele. Sem generalizar, sem usar exemplos fora do contexto no qual você defende. E caso você seja uma pessoa relevante, pense em seu ponto de vista com uma atitude verdadeira, sem esconder os pontos fracos e contraditórios, para assim, propor uma reflexão centrada e com alguma base.

O argumento subjetivo serve para justificar algo que não tem justificativa. Ele é uma fábrica de provas, com o intuito de militar e defender algo que possui muita contradição.

Muitos simplificam problemas, alguns possuem o poder de não enxergar as variantes de uma situação e não refletir sobre as consequências da sua opinião.

Os argumentos subjetivos não têm como fundamento a verdade, muito menos a pesquisa. E sim, achismos, impulsos e sentimentos. O bom argumento vem da reflexão e da busca pela verdade, doa a quem doer. Pois amigo, muitas vezes ao irmos em busca da verdade, de forma verdadeira e sincera, descobrimos que estamos errados.

Eu desconfio de quem não desconfia de si, de quem não tem medo de se enganar, e que acredita que o seu ponto de vista é inerrante. Um bom pensador desconfia, e sempre revê as suas opiniões. Ele em nome da relevância, não demora em refletir no que está sendo dito, colocando em xeque sempre a sua opinião.

Precisamos entender a nossa possibilidade em falhar, e aprender a nos posicionar diante deste fato. É importante saber argumentar, e refletir, buscando sempre a coerência, sem o intuito de querer estar apenas certo.

Quem quer estar sempre certo, já errou, por se posicionar como a fonte da verdade. Sendo que estes na maioria das vezes estão errados. Pois, quando vemos apenas o que queremos, nesse caso, o nosso ponto de vista, não percebemos o entorno e possivelmente podemos deixar de perceber a verdade estampada em nossa frente. 

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A METAMORFOSE DE KAFKA

Imagine se um dia você acordasse e percebesse que estaria virando um inseto. Com braços a mais, antenas e voz estranha. Este é o enredo do livro “A metamorfose” de Kafka, um livro muito mais que surpreendente, não só pela história, mas por todas as lições que o livro propõe.

O livro já começa com a transformação, como se o autor, economizando suspense, já fosse gastando novidades sobre a história. Contudo, isso não é o principal do texto, a parte central é a história da família e o quanto ela é dependente daquele filho.  

O filho inseto é o que sustenta os seus pais e a irmã. O texto enfatiza bem como o trabalho dele mantém tudo, enquanto a família segue dependente por conta de várias desculpas. A parte surpreendente é ver ele passar de provedor, para um inseto asqueroso sem ao menos saber como tudo aconteceu.

O surreal da transformação de Gregor, que é o metamorfoseado, é a sua preocupação com o trabalho, mesmo estando em um estado lastimável. Mostrando que as vezes temos prioridades totalmente invertidas.

No decorrer da história, conforme o filho seguia piorando cada vez mais, vemos concomitantemente uma família ressuscitando, deixando de lado as desculpas e arregaçando as mangas. O pai arranja um trabalho, os outros começam a correr atrás e a se unirem no propósito de sobreviver, enquanto o filho sucumbia a maldição dia após dia.

É normal o homem se acomodar, se prender a desculpas e seguir dependente, seja de alguém, ou de um emprego que não proporciona qualquer perspectiva. A questão é que quando os problemas chegam, nos obrigam a nos mexer, a correr atrás e buscar novas soluções.

A Metamorfose é a história de duas transformações, a primeira, de um filho com uma espécie de maldição e a segunda, de uma família que diante do caos, precisou se virar.

O livro é uma metáfora do caos, do quanto os problemas nos ajudam, nos tiram do comodismo fazendo com que tenhamos que nos movimentar em busca de soluções. Mas também é uma metáfora sobre o sofrimento, como ele surge sem sabermos e nos deixa paralisados, sem ação.

Nem sempre o caos é ruim, em algumas vezes é somente nos períodos difíceis que vemos como estamos fazendo as escolhas erradas. Contudo, o caos também nos pega de surpresa e muda toda a nossa vida.

O livro mostra justamente a ambiguidade do sofrimento, o quanto ele é ambivalente e imprevisível. Penso que é difícil explicar o livro, assim como é difícil explicar o sofrimento, pois ele vai ser sempre ambíguo e dependente da ação e de um posicionamento do sofredor.

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A IMPORTÂNCIA DO SILÊNCIO EM UM MUNDO BARULHENTO

Em um mundo barulhento, quem busca o silêncio vira um ator de peça de humor, um sonhador distante da realidade, com ideias bem fora do padrão usual, alguém que não é antenado neste nosso mundo conectado.

Ninguém mais fica em silêncio, só gente estranha é que busca a tal da solitude. O nosso século é frenético demais para isso e segue em um desesperado barulho, uma ensandecida busca por atenção em um mundo que se encontra em um eterno vazio. O desafio é calar o infinito falar que abafa a paz do coração.

Na tradição monástica o silêncio é uma ferramenta poderosa. A falta de capacidade em ficar em silêncio é muito ligado a falta de capacidade de ouvir as pessoas ou o seu entorno. Quem não se cala não ouve, quem não sabe ficar em silêncio, não presta muita atenção ao redor e acaba seguindo alheio a muita coisa por conta dos excessos de estímulos e barulhos.

Estar em silêncio é se encontrar em quietude,  atento a tudo,  estar em silêncio é seguir ouvindo, é prestar atenção aos ruídos internos e a tudo o que nos atrapalha, e principalmente, é estar atento a voz de Deus que em todo o momento nos ensina, basta abrirmos nosso olhos e acalmarmos nossa mente. Anselm Grün no livro “O poder do silêncio”, pontua de forma realmente genial o poder do silêncio:

Quando estou totalmente concentrado em ouvir, passo a ouvir, por fim, em todos esses sons, o silêncio. O zunir do vento ou o barulho do riacho não perturbam o silêncio, na verdade, tornam-no acessível” (GRÜN, 2019, p. 15).

Nada como a tranquilidade do campo para nos ensinar a ouvir, para nos fazer ficar em silêncio, percebendo a vida. Mas como nem sempre podemos estar no campo, busco acordar bem cedo todos os dias em prol do cultivo de um pouco de silêncio. É libertador sentar no sofá e se calar, pensando e meditando nos acontecimentos do dia anterior, na Bíblia, ou mesmo para apenas ficar em silêncio, na solitude, é um momento bem inspirador.

Em meus piores dias aprendi a ficar em silêncio, troquei as muitas vozes e barulhos que o sofrimento traz, pela solitude e pela calma. É reconfortante aprender a parar e ao mesmo tempo nos colocar como servos que somos, confiando que em meio ao caos, Deus está conosco.

A vida de hoje produz muito barulho, são muitas opções que nos mantém com a nossa mente ligada. O problema é que quanto mais nos distraímos, mais deixamos as inúmeras vozes e ruídos nos guiar e tirar a nossa paz.

O silêncio é libertador, nos coloca no lugar, e nos mostra o quão perigoso é viver uma vida de estímulos constantes e barulhos permanentes.

Aprenda a ficar um pouco em silêncio, acorde mais cedo e tire alguns minutos para silenciar a mente e acalmar o coração antes de falar com Deus.

Quando aprendemos a nos calar, passamos a ouvir mais e a perceber detalhes do mundo a nossa volta, nuances que ficavam abafadas pelos inúmeros barulhos que a tecnologia nos proporciona nos dias de hoje.

BIBLIOGRAFIA

GRÜN, Anselm, O poder do silêncio, Editora Vozes, Petrópolis, 2019.

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CUIDADO COM OS ORGULHOSOS

Cada um tem o seu ponto fraco, o seu calcanhar de Aquiles, aquilo no qual temos certa dificuldade em dominar, normal, somos seres humanos. Contudo, o que também é muito normal é encontrarmos alguns que não entendem isso, e seguem acreditando que sabem de tudo.

Aprendi a entender e a aceitar meus pontos fracos, percebi como é libertador confessar que não sabemos de tudo, que o conhecimento é infinito, que sempre podemos aprender. O problema é quando nem todos entendem este tipo de atitude, este tipo de pessoa pode nos causar um grande problema.

Existe uma enorme diferença entre confessarmos que não sabemos de tudo, que não dominamos determinada área, e afirmar que de fato não sabemos nada. Sendo que um orgulhoso desavisado, pode interpretar suas palavras como: “Eu não sei de nada” e com isso, tentar te diminuir.

Cada um tem o seu ponto forte e o seu ponto fraco, confessar isso é ser inteligente e realmente sábio, faz com que possamos seguir mais leves e sempre aprendendo. A questão é quem nem todos entendem esta premissa.

Há muito tempo atrás passei por algo parecido, fui procurado, por ser teólogo, por uma pessoa que precisava desesperadamente de uma resposta. A questão era bem complicada, sendo que sutilmente, a pergunta tinha ares de validação. No fim, ela não queria respostas, mas permissão para fazer algo e depois colocar a culpa em alguém, isso é normal em muitos ambientes, não só em locais cristãos. Por ter percebido a armadilha, com todo o amor e temor, falei que o assunto no qual ela queria respostas era complicado, e a solução não era tão fácil de se determinar, o que era uma grande verdade. Porém, diante da minha resposta ouvi de forma bem grosseira a frase: “Eu pensei que você fosse teólogo, que soubesse das coisas”.

Nem todos entendem que é apenas uma pessoa que estuda e sabe um pouco de algo, que confessa suas limitações. Quem acha que sabe, não entende que o conhecimento é infinito e impossível de se assimilar. Com isso, aprendi a não ser humilde com uma pessoa arrogante. Eu li há muito tempo uma frase, que lamentavelmente não sei o autor, que resume justamente isso:

“Não seja orgulhoso com uma pessoa humilde e nem humilde com uma pessoa orgulhosa”.

Não é que devemos ser orgulhosos com pessoas orgulhosas, fuja do ditado pseudointelectual que diz que “A minha educação depende da sua”. Se você depende de outro para ser educado, na verdade, você não é. Mas sim, podemos ser firmes com pessoas arrogantes, ter um posicionamento mais assertivo, para que ele não passe por cima de nós.

 Nem todos entendem os seus pontos de vista, por isso, cuide com os orgulhosos, pois no final, quem perde são eles. Não se esqueça que só aprende algo novo apenas aquele que se abre para isso, quem sabe muito bem que o saber é inesgotável.

É libertador confessar nossos pontos fracos, a questão é não confessar para quem não entende nossas atitudes, pois no final, você pode ganhar uma grande dor de cabeça sendo diminuído por gente ignorante.  

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