A ODISSEIA DA DOR XI: FIDELIDADE OU MORTE

O sofrimento sempre levanta questionamentos, é impossível sofrer sem se perceber injustiçado. Mas talvez o ponto mais complicado é que não aceitamos muito o sofrimento por não vermos nele propósito. E ao mesmo tempo, servirmos a um Deus poderoso, que pode acabar com o sofrimento na mesma hora.

Por mais que possamos ser contra as teologias que fazem parecer Deus um garçom, pronto para nos servir, em muitos momentos, agimos com o pensamento semelhante. É difícil conciliar o sofrimento com o fato que Deus pode acabar com a calamidade quando Ele quiser. E a história de Jó é impressionante justamente porque não fala apenas da fé, mas também de alguém que não abandonou Deus mesmo ante o sofrimento.

É preciso tentar enxergar além de nós, nossas vontades e desejos, e principalmente, acima do que vemos, pois as vezes, acreditamos estar vendo, mas no final, só percebemos o que queremos ver. Com o tempo, conforme busquei respostas para a minha dor, pude perceber que a verdade era que eu estava sendo egoísta, e queria que tudo acontecesse da minha forma, seguindo o meu cronograma.

Muitas vezes períodos de dor, nos faz egoístas, nos mantém olhando apenas para o nosso umbigo, em uma atitude bem autocentrada. O exemplo que Jó nos deixa é muito grande, pois ele não deixou se abater pelas calamidades e apesar de sua situação, continuou a servir a Deus. Contrariando o que satanás disse a Deus (Jó 2:4). Já parou para pensar que, se Jó tivesse desistido de Deus, satanás teria vencido?

A história de Jó é muito infeliz, ele sofreu não só com a perda de dinheiro e da saúde, mas porque seus amigos também estavam ajudando-o a sofrer mais, por conta de seus pontos de vistas. Embora uma coisa tenha ficado clara neste texto, apesar do sofrimento, Jó não abandonou a fé.

A dor, as dúvidas e todo o sofrimento que temos que passar, não pode nos separar de Deus e da sua misericórdia. Deus é a resposta para toda a dor. E por mais que nem sempre entendamos o motivo do caos, confiar é a única certeza que devemos cultivar em meio às dúvidas e problemas.

Ser fiel não está ligado ao que ganhamos, e sim a como cremos. A fidelidade não é uma moeda de troca e sim, um posicionamento, é aprender a confiar, mesmo que a situação peça para você desistir.

Existe uma lógica para agir assim, somos limitados, e nem sempre percebemos a mão de Deus. Nos encontramos no olho do furacão, nos sentimos abandonados por estarmos em meio as dificuldades, sem percebermos Deus cuidado de nós.

Quando entendemos o tamanho do privilégio em servir a Deus, não nos posicionamos como merecedores, e sim, como pessoas gratas, que sabem quem são e entendem o tamanho do privilégio que é servir a Deus.

No final, quem ganhou foi Jó, que conheceu a Deus em meio a dor, um Deus que antes, ele apenas tinha ouvido falar (Jó 42:5). O tesouro de Jó foi justamente este, ter mais intimidade com o Criador, uma intimidade que ele alcançou por conta do sofrimento. Quer maior tesouro que este?

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