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VÃ FILOSOFIA

“Tenham cuidado para que ninguém os escravize a filosofias vãs e enganosas, que se fundamentam nas tradições humanas e nos princípios elementares deste mundo, e não em Cristo” (Colossenses 2:8)

Há algum tempo assisti um professor de filosofia ensinar que os cristãos não eram a favor da filosofia, que a própria Bíblia era contra e ele justificou a sua afirmação usando este texto bíblico. Segundo ele, Paulo considerava a filosofia algo vão, ruim, uma perda de tempo, diante destas premissas, ele resumiu os autores bíblicos a pessoas ignorantes e fechados a todo o conhecimento. Na época eu não consegui entender como um professor conseguia reunir tanto equívoco em uma aula só.

Vou começar falando de Paulo, um homem que nasceu em Tarso, coisa que já nos diz muito. Já que a cidade era uma das principais da época e um grande centro. Sobre o seu conhecimento, é importante ressaltar que ele não frequentou uma escola comum como todo o judeu, pois como podemos perceber em suas cartas, a influência do pensamento grego era grande, ele conhecia muito bem a cultura e a história, lembrando que quando ele foi pregar no Aerópago em Atenas, ele usou de uma história bem conhecida pelos gregos (Atos 17:15-35), mostrando ter muito conhecimento e cultura. Além de ter citado em suas cartas, três poetas e filósofos gregos, sendo eles: Arato (Atos 17:28), Menandro (1Coríntios 15:33), Epimênides (Tito 1:12). Só por estas provas, já poderíamos desconfiar que Paulo não era avesso ao conhecimento e a filosofia. Contudo, se tal pessoa conhecesse a história da igreja já teria certeza que a filosofia e o conhecimento sempre fizeram parte do repertório de um bom cristão.

Os primeiros apologetas defenderam a fé tendo em sua bagagem a filosofia e o conhecimento. Agostinho foi muito influenciado pelo Platonismo. Tomás de Aquino usou o aristotelismo como base para o seu pensamento, isso só para citar dois, pois existem muito mais. Enfim, a filosofia sempre esteve presente e sempre estará presente no pensamento cristão. Com isso, diante desta explanação bem básica, podemos perceber que a vã filosofia, no qual Colossenses trata, não é bem o que o professor falou.

O ser humano é um ser que questiona, pergunta, reflete e indaga. Isso faz parte de nós, é intrínseco a cada um, Deus nos fez assim. No final, somos um pouco filósofos, sempre em busca de respostas e explicações, pelo menos muitos de nós.

No texto em questão, Paulo condena as vãs filosofia, provavelmente o autor da carta condena neste momento o Gnosticismo, que misturava a filosofia com as artes mágicas, que na época já dava os primeiros passos (CHAMPLIN, 2014, p. 152).  O tema central aqui não é o conhecimento, mas o vão conhecimento. O texto nos avisa e diz para tomarmos cuidado com o conhecimento inútil, que nos separa de Deus. E mesmo que Paulo estivesse falando diretamente “contra” a filosofia, no texto em questão o autor critica a “vã filosofia”, e não a toda filosofia. Só aquela ruim, que nos separa de Deus, ou aquele conceito que não tem base e coerência. O texto não se dirige a toda a filosofia e conhecimento, mas ao discurso sem sentido, vazio. Eu gosto como Eugene H. Peterson traduz este texto:

“Cuidado com os que tentam deslumbrar vocês com belos discursos e linguagem pseudointelectual. Eles querem envolver vocês em discussões intermináveis, que não servem para nada” (PERTERSON, 2012, p. 1683)

Resumindo, cuidado com o pseudointelectual, com a pessoa que acha que sabe, mas que no final não percebe o seu discurso vazio, sem conteúdo algum, sem sentido.  Muitos só sabem falar, discursam bem, tentam explicar tudo, mas no final, é só boa oratória, pois o seu conteúdo é vazio e não chega a lugar algum. Eu sempre falo e vou sempre repetir, tem gente que só sabe falar, mas não diz nada com nada.

Eu estudo filosofia e teologia há muito tempo, aprendi ao longo da minha vida como é importante estudar e conhecer, como cristão, isso me dá uma fé mais sólida e embasada. Como cidadão, proporciona a minha vida uma caminhada mais centrada e consciente, mas eu sei que no final, somos limitados.

Não tem como o homem achar que ele sabe de tudo. Não tem como afirmarmos que um dia a ciência explicará tudo, isso é loucura. A cada avanço científico, temos mais problemas, a cada descoberta, mais o homem descobre que não sabe de nada.

A vã filosofia nos separa de Deus, nos dá a sensação que sem ele podemos tudo, sendo que com isso, caminhamos para a morte. Estude, pesquise e leia, busque o conhecimento, só não deixe ele te separar de Deus.

BIBLIOGRAFIA

Bíblia Sagrada – Nova Tradução na Linguagem de Hoje; Ed. Soc. Bíblica do Brasil, São Paulo, 2005

Bíblia Sagrada – Bíblia de Jerusalém; Paulus, São Paulo, 2013

CARSON. DA. FRANCE , RT, MOTYER, J. A, WENHAM, G. J, Comentário Bíblico Vida Nova, Editora Vida Nova, São Paulo, 2012

CHAMPLIM, RN. O Novo Testamento interpretado Versículo a Versículo, Editora Hagnos, São Paulo, 2014

PETERSON, Eugene H, A Mensagem, Bíblia em linguagem contemporânea, Editora Vida, São Paulo, 2012

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DEUS E A CIÊNCIA

Não foram poucas as vezes que amigos acharam estranho o fato de eu ler e gostar de ciência, ao fazer tal afirmação, fui chamado de “diferente” e contraditório, coisa que eu não entendi muito na ocasião. O que me restou foi mostrar a história da ciência, para que eles vissem o quão sem fundamento eram suas afirmações. Sendo que o propósito deste texto é justo este, mostrar como a ciência começou e continuou sendo feita por muitos cristãos até o dia de hoje.

É um tanto quanto comum no Brasil pessoas acreditarem que cristãos são avessos a ciência. O que é incomum é estas mesmas pessoas não conhecerem a história e não saberem o quanto a igreja esteve envolvida no estudo e pesquisa da natureza a fim de buscar explicações:

“Durante a maior parte de história do ocidente, a ciência foi um empreendimento filosófico e/ou teológico, e seu objetivo era contribuir para nosso entendimento deste mundo” (OLIPHINT, 2018. p. 159)

Fé, estudo e ciência nunca estiveram desconectados, afirmar que o cristão é avesso ao estudo e ao avanço científico é de uma inocência brutal, uma desinformação alarmante.

A título de curiosidade, em tempos antigos, quando era falado em ciência era incluso entre estes os filósofos pré-socráticos, Platão e Aristóteles. Afinal, naquela época a filosofia e a ciência andavam de mãos dadas. Foi apenas algum tempo depois que a filosofia se desligou da ciência e acabou se tornando o que conhecemos hoje. Entre os principais cientistas e pensadores se é que poderíamos chamar estes assim, poderíamos destacar Domenico de Gundisalvo, que dividiu a ciência em humanas e divinas. Hugo de São Vitor que dividiu as inúmeras formas de ciência em teóricas, práticas e mecânicas, ou até o padre Roger Bacon, que acreditava que a Bíblia era o fundamento do conhecimento humano (CHAMPLIN, 2014, p. 644)

Entre todos os cristãos citados e muitos outros que nem ao menos mencionamos, talvez Francis Bacon (1561 – 1691) seja um dos mais importantes. Ele é pai do método científico, sendo que a sua abordagem era a parte da religião, contudo, mesmo não sendo ligado, ele afirmava que as suas afirmações tinham um ponto de partida cristão ao explicar a natureza (OLIPHINT, 2018. p. 159). Outro autor cristão importante foi Robert Boyle (1625 – 1691), um dos pais da química moderna, que afirmava:

“A “ciência” não poderia progredir enquanto fosse praticada com pressupostos ateus. Segundo ele, “o universo não pode ser o ‘resultado do acaso e uma confluência tumultuada de átomos’”” (OLIPHINT, 2018. p. 160)

Enfim, poderíamos citar inúmeros outros cristão que foram cientistas sérios como:

“Louis Pasteur (bacteriologista), Issac Newton (cálculo e dinâmica), Johannes Kepler (mecânica celestial) […] Georges Currier (anatomia comparada), J. Fleming (eletrônica), Maxwell (eletrodinâmica)” (NICODEMUS, 2018, p. 132)

A lista é enorme, não colocarei todos os nomes aqui, mas acredite, Deus e a ciência, nunca estiveram separados, ter fé não nos impede de pensar e questionar. O ganhador do prêmio Nobel de física chamado Heisenberg tem uma frase que pontua muito bem esta questão:

“O primeiro gole do copo das ciências naturais fará de você um ateu. Mas, no fundo do copo, Deus o aguarda” (NICODEMUS, 2018, p. 132)

Quem já leu um pouquinho sobre ciências sabe o quão complicado são inúmeros fenômenos naturais, mas não é contraditório crer que no fim, um arquiteto criou tudo conforme sua sabedoria. Pois a ciência não explica e nunca explicará tudo, por isso, Deus acaba sendo a explicação mais lógica. Adauto Lourenço, que tem mestrado em física pela Clemson University (EUA), além de ser bacharel em teologia, escreve algo interessante no último capítulo do seu livro Gênesis 1 & 2:

“Como foi visto, a interpretação literal dos capítulos iniciais de Gênesis não apresenta nenhuma dificuldade científica. Obviamente, ela não é compatível com a proposta evolutiva. Mas a proposta evolutiva é apenas uma proposta, colocada em forma de teoria e longe de ser um fato inabalável da Ciência” (LOURENÇO, 2015, p. 209)

A verdade é que eu não creio que o nada produz alguma coisa, eu nunca vi o nada ganhar vida, pensar e arquitetar, é por isso que eu creio em um Deus que pensou e arquitetou toda a criação. Agora como isso se deu, temos inúmeras teorias, não só a teoria da evolução. Por isso pesquise antes de falar bobagens, pois no Brasil só ensinam a teoria da evolução, mas existem inúmeras teorias científicas que explicam o  surgimento do universo. Sendo que entre todas as teorias está o design inteligente, que resumindo, defende a ideia de que causas inteligentes formaram o universo:

“Por meio dos estudos científicos, baseados nas leis da natureza e nos processos naturais, pode-se demonstrar que tanto o universo quanto a vida teriam sido criados. Pois, pelos processos naturais e pelas leis da natureza conhecidos, tanto o universo quanto a vida jamais teriam vindo à existência espontaneamente”

“Isso é um fato científico que pode ser demonstrado em qualquer laboratório por qualquer cientista, sendo ele de posicionamento evolucionista ou criacionista” (LOURENÇO, 2015, p. 209)

Enfim, eu sempre digo para quem acredita na evolução, que é preciso ter muito mais fé para acreditar nesta teoria, do que acreditar que Deus arquitetou tudo. Sendo que eu acho confuso e contraditório alguém afirmar que os cristãos são burros, por acreditarem que Deus formou tudo, visto que o nada não forma nada ainda mais quando falamos do complexo universo, o corpo humano ou as células.

Deus e a ciência sempre caminharam juntos, fé nunca foi desligada do pensar, pois quem crê pensa, duvida e dialoga. Acreditar que a igreja é alheia ao estudo e a investigação é não conhecer a história, é não ver o passado e toda a evolução que a ciência teve de lá pra cá, e não enxergar também o presente e tudo o que cientistas cristãos têm feito até agora.

 

 

BIBLIOGRAFIA

NICODEMUS, Augustus, Cristianismo simplificado, editora Mundo Cristão, São Paulo, 2018

OLIPHINT, K. Scott, Por que você acredita, editora Thomas Nelson, Rio de Janeiro 2018

CHAMPLIM, RN. Enciclopédia bíblica de teologia e filosofia. 10° ED. SÃO PAULO, HAGNOS. 2011

LOURENÇO, Adauto, Gênesis 1 & 2, A mão de Deus na criação, Fiel Editora, São Paulo, 2015

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CONTRA O RELATIVISMO

Tem sido interessante a experiência de fazer uma segunda graduação, ainda mais que o meu curso não tem qualquer relação com teologia. Diante disso, tenho trocado experiências com diversas pessoas, de diversas religiões ou credos, e tenho crescido muito com isso. É sempre bom ouvir o outro lado, é importante sairmos de nossa zona de conforto e conviver com quem não pensa igual a nós. Não que eu não convivia antes, não estou isolado do mundo, tenho amigos não cristãos de diversas religiões e formas de pensar. Mas é em um ambiente acadêmico, onde todos tem uma segunda graduação, experiências profissionais e acadêmicas bem opostas as nossas que aprendemos outros pontos de vista, de quem já viveu, trabalhou e estudou muito. E é justamente nestas conversas que eu mais tenho ouvido sobre o relativismo, um conceito que considero um dos mais contraditórios que existe, quero mais uma vez mostrar a vocês por que.

Para começar, afirmar que a verdade é relativa é de uma contradição tremenda, pois a afirmação é absoluta, você usa um conceito absoluto para afirmar que a verdade é relativa. Se a verdade é relativa, o relativismo também é, quando você afirma que cada um tem a sua verdade, você faz uma afirmação contraditória que desconstrói o seu próprio argumento.

“Em outras palavras, se alguém defende a teoria de que toda a verdade é limitada ao ponto de vista de um indivíduo – que toda a verdade depende da perspectiva – essa teoria também deve ser limitada ao ponto de vista de quem fala e, portanto, não é relevante ou obrigatória para o resto de nós” (MITTELBERG, 2011, p.32)

A verdade é tão absoluta que até na afirmação: “verdade é relativa”, o absoluto está presente, segundo a lei da não contradição, que esclarece justamente isso, afirmações contraditórias não podem estar certas ao mesmo tempo:

“A lei da não contradição é um princípio fundamental de pensamento autoevidente que diz que afirmações contraditórias não podem ser verdade ao mesmo tempo e no mesmo sentido” (GEISLER, TUREK, 2012, p. 56)

Vivemos o puro absoluto, pontuamos as injustiças, os problemas, nossos gostos e preferências. Usamos o absoluto para amar, afinal o amor é amor em qualquer lugar. Vemos expressões de gratidão, raiva, egoísmo, bondade e cuidado em qualquer parte do mundo e ficamos tocados ou chocados por todas estas atitudes, contudo alguns continuam a insistir que a verdade é relativa, mesmo diante destas inúmeras provas. Verdade segundo o dicionário é:

Exatidão; que está em conformidade com os fatos e/ou com a realidade: a verdade de uma questão; verdade musical (DICIO)

A verdade não é algo que criamos e sim algo que é descoberto. A verdade não muda e é transcultural. Uma opinião é diferente de uma verdade, pois afinal nossas opiniões podem muitas vezes estar equivocadas.

“Em resumo, é possível haver crenças contrárias, mas verdades contrárias é uma coisa impossível de existir. Podemos acreditar que uma coisa é verdade, mas não podemos fazer tudo ser verdade” (GEISLER, TUREK, 2012, p. 38)

A verdade é única, ela existe por si só, pontos de vista não. Opiniões muitas vezes são contraditórias e a verdade nem sempre é fácil de encontrar, mas isso não significa que ela não exista.

Para te auxiliar a entender o conceito de verdade e ponto de vista vou propor um exemplo. Uma galinha vive a sua vida em um ambiente totalmente limitado, ao contrário da águia, que vive em uma esfera muito mais ampla e vê muito mais coisas que a galinha. Assim somos nós, que nem sempre vemos a verdade por nos faltar uma visão mais ampla do todo. Quanto mais se estuda, se lê e se informa, mais temos a possibilidade de enxergar a vida de forma mais ampla, e mesmo assim, nem todos acabam conseguindo este feito, mas isso não significa que a verdade não exista. Leonardo Boff no livro: “A Águia e a Galinha”, fala algo interessante sobre pontos de vista:

“Todo o ponto de vista é a vista de um ponto. Para entender como alguém lê, é necessário saber como são seus olhos e qual é a sua visão de mundo” (BOFF, 2005, pg. 9)

Penso que o grande problema do homem é a informação, é a falta de vontade de entender o todo, ou pelo menos buscar entender. Cada um tem a sua opinião por conta de suas experiências e formas de ver o mundo, mas isso não significa que a verdade não exista. A verdade existe apesar de termos cada um a sua opinião e crença, cabe a nós termos humildade para confessar que é difícil se chegar à verdade. É aí que o relativismo deveria entrar cumprindo um papel essencial, penso que a sua única utilidade é nos dar uma consciência mais humilde (ou pelo menos deveria ser).

“Mas o que é “relativismo?” Relativismo é suspeitar que não sabemos ao certo o que seja certo e errado, e, portanto, tenhamos dificuldade em dizer com certeza se estamos “indo na direção certa” (PONDÉ, 2016, p. 50)

Sim a verdade existe, mas sim, podemos estar enganados. Eu acredito em Deus, creio na palavra Dele, a Bíblia, sigo seus ensinos e vivo feliz assim, mas sei que algumas das minhas conclusões podem estar erradas. São tantas formas de pensar, tantos tipos de teologias, que eu não posso me colocar como único e superior.

A verdade é absoluta, ela existe sim, pontos de vistas são relativos, porém é aí que entra a humildade, o ouvir e buscar fundamentos para que assim nos aproximemos mais da verdade.

Afirmar que não existe verdade é de uma incoerência enorme, é se contradizer e não estar aberto a estudar, ouvir outros pontos de vista e confessar que é complicado se chegar a verdade. A verdade existe, o relativismo é um conceito incoerente, tão fraco que precisa da ideia de verdade para sobreviver, apesar de ter uma parcela de utilidade quando bem aplicada.

 

 

BIBLIOGRAFIA

MITTELBERG, Mark, Escolhendo sua fé, Em um mundo de opções espirituais, Editora Esperança, Curitiba, 2011.

GEISLER, Norman, TUREK, Frank, Não tenho fé suficiente para ser ateu, Editora Vida Acadêmica, São Paulo, 2012.

PONDÉ, Luiz, Felipe, Filosofia para corajosos, Pense com a própria cabeça, Editora Planeta, São Paulo, 2016.

BOFF, Leonardo, A águia e a Galinha, Uma metáfora da condição humana, Editora Vozes, Rio de Janeiro, 2005.

https://www.dicio.com.br/verdade

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REFUTANDO CONTRADIÇÕES SOBRE O NASCIMENTO DE CRISTO

Gosto de ler os livros do teólogo ateu Bart D. Ehrman, penso ser legal ouvir opiniões contrárias as nossas para que possamos refletir estudar e ouvir outro ponto de vista. Em um de seus livros chamado: Quem Jesus foi? Quem Jesus não foi? O autor, após apontar várias possíveis contradições, desafiou as pessoas estudarem a Bíblia através do método histórico crítico e verificar por nós mesmos como a Bíblia está cheia de contradições. Como um bom curioso que sou, resolvi seguir o seu conselho e o que se segue é uma conclusão totalmente oposta ao do autor do livro citado.

O método de estudo histórico crítico consiste em colocar lado a lado todas as passagem Bíblicas que falam do mesmo episódio e compará-las, para assim verificar como elas são diferentes ou não. Quem estuda através deste método acredita que cada autor tem seu ponto de vista, com suas mensagens distintas se contradizendo.

Nós cristãos acreditamos que a Bíblia é a palavra de Deus, sendo assim, seu ensino deve ser linear, consoante com o ensino de Cristo, que falou que o Espírito Santo lembraria tudo o que Ele havia dito (João 14:26), e se o Espírito Santo iria lembrar, temos que acreditar que as histórias não se contradiriam

Neste mesmo livro de Bart D. Ehrman, o autor aponta algumas contradições Bíblicas que estariam lá em Mateus e Lucas. Pois Mateus 2:1-12 menciona que magos visitaram Jesus e Lucas 2:8-20 diz que quem visitou foram pastores. Outra contradição é que Mateus 2:13-23 diz que José e sua família fogem para o Egito, e Lucas 2:1-7 José e sua família foram para Belém, cidade onde nasceu, se registrar por conta de uma contagem do Imperador Augusto, isso é só para começar, o autor aponta muito mais, nos deixando a pergunta: A Bíblia está se contradizendo ou não?

É sempre bom lembrar que a Bíblia não é um livro de história, se você tentar seguir os fatos em sequencia e comparar, certamente vai ficar confuso, mas ao analisar estes fatos de uma forma lógica, verás que a Bíblia não está se contradizendo.

Em ambos os fatos a Bíblia está falando de eventos distintos. E se juntarmos todas estas histórias, encontraremos uma leitura linear e uniforme que explica e completa a si mesmo e não uma colagem grotesca sem explicação, como Bart aponta em seu livro. Por coincidência John Macarthur já havia feito isso em seu livro: Uma vida Perfeita, um livro que revela tudo sobre Jesus de Gênesis a Apocalipse, e a sequencia que o autor discorre é perfeita:

O Messias nasce em Belém (Lucas 2:1-7), os pastores prestam homenagem ao senhor Jesus (Lucas 2:8-20), Jesus é apresentado no templo (Lucas 2:21-39). Os magos prestam homenagem ao verdadeiro Rei de Israel (Mateus 2:1-12), a fuga para o Egito e a volta para Nazaré (Mateus 2:13-23, Lucas 2:40). E se você ler com cuidado Mateus, o livro não vai dar detalhes sobre o nascimento de Jesus, apenas diz que ele nasceu (Mateus 1:25), Lucas já diz que Jesus nasceu em Belém durante um censo imposto pelo imperador (Lucas 2:1-7). Não há contradição, o que aconteceu é que cada livro está dando ênfase a um acontecimento.

Tenho estudado a Bíblia com a cabeça aberta tentando enxergar a verdade. Penso que a palavra de Deus defende a si mesmo, basta nos debruçarmos e estudarmos com calma sem ficarmos preocupados.

Quando eu li o argumento de Bart D. Ehrman e resolvi refutar, não o fiz porque eu quero estar certo, mas porque a verdade é clara, basta ler e conferir por si mesmo.

Mais uma vez afirmo que a Bíblia não é um livro de história, ela não tem a intenção de contar os fatos na ordem cronológica e sim deixar explícita a mensagem que um Deus nasceu, morreu e ressuscitou por amor a nós.

Estes são só os primeiros textos onde eu refuto contradições, têm muito mais, mas a mensagem que quero deixar é leiam, sejam relevantes, pois muitas das vezes, alguns destes conceitos lidos por quem não tem conhecimento da palavra, pode abalar e derrubar as estruturas de sua fé

 

 BIBLIOGRAFIA

Bíblia Sagrada – Bíblia de estudo de Genebra, editora cultura cristã, são Paulo,1998

Bíblia Sagrada, Nova Tradução na Linguagem de Hoje; Ed. Soc. Bíblica do Brasil, São Paulo; SP, 2010

Bíblia Sagrada, Bíblia de Jerusalém, Editora Paulus, São Paulo, 2013

CHAMPLIN, R.N. O Novo Testamento Interpretado Versículo a Versículo, Editora Hagnos, São Paulo, 2014

MACARTHUR, John, Uma Vida Perfeita, Tudo o que A Bíblia revela sobre Jesus, de Gêneses a Apocalipse, Editoria Thomas Nelson, Rio de Janeiro, 2014

EHRMAN, Bart D, Quem Jesus Foi? Quem Jesus Não Foi?. Editora Pocket Ouro, Rio de Janeiro, 2010

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DEUS E O MAL

Um tempo atrás, li um livro do Bart D. Ehrman chamado: O problema com Deus. Que trata do tema: porque sofremos, porque Deus permite que soframos.

O Teólogo que é Gnóstico e ph D em teologia, tenta achar contradição no problema: Deus o sofrimento e o mal. E durante todo o livro, faz perguntas cuja as respostas acabam culminando em: ou Deus não existe ou ele é sádico. A maioria de seus livros tem como proposta invalidar a Bíblia e transformar Cristo em uma história inventada por homens.

Pode soar estranho, mas eu gosto dos livros dele e de sua maneira de pensar, livre da religião e dos conceitos que a igreja impõe. Claro não concordo com as suas ideias, não todas, mas não desvalorizo a sua forma de pensar. Afinal, de alguma maneira ele me faz meditar, ler e pesquisar mais

O curioso é que as suas perguntas não são inéditas, alguns ateus ou simpatizantes que tenho conversado já me fizeram as mesmas indagações, que de um modo ou de outro, acabo respondendo com o pensamento de alguns autores que costumo ler e é sobre algumas destas perguntas que quero tratar.

A primeira pergunta me foi feita na hora do almoço em uma empresa que eu trabalhava, ele perguntou: Se Deus existe e é onipotente, porque ele permite o sofrimento?

Sempre que respondo tento lembrar a resposta de C. S Lewis para esta mesma indagação:

“O problema de reconciliar o sofrimento humano com a existência de um Deus que ama só permanecerá insolúvel se atribuirmos um sentido corriqueiro a palavra amor e encararmos as coisas como se o homem fosse o centro delas”

Sempre pensamos que Deus o todo poderoso e sábio, deve agir de nossa maneira e não da sua maneira e quando ele não nos ajuda segundo o nosso ponto de vista, começamos a achar que ele não está nos ouvindo, que ele nos abandonou. Isso sem contar as muitas vezes que estamos bem e nem nos lembramos dele. Muitos lembram apenas quando acontecem catástrofes ou veem pessoas passando dificuldades.

É engraçado por a culpa em Deus por muitos sofrerem ou passarem fome. Sendo que o nosso país joga fora quarenta mil toneladas de alimentos diariamente, segundo a Embrapa. E a culpa é de Deus, só que poucos se mobilizam para mudar esta situação. Isso sem contar a indústria farmacêutica, que ganha milhões à custa das doenças. O dinheiro move o mundo, a grana é o grande norte do homem e a culpa é tudo de Deus, sei

O homem é egoísta e mau, sua natureza só faz pensar em si e ainda por cima consegue achar outro culpado. Norman Geisler e Frank Turek no livro: Não Tenho Fé Suficiente Para Ser Ateu, da uma conclusão interessante para o problema do mal:

“Sempre falamos sobre Deus conter o mal, mas nos esquecemos de que, se ele o fizer, vai precisar nos conter também. Todos nós fazemos alguma coisa de mal”

Deus nos fez livres e por sermos livres, agimos como bem entendemos e é ai que esta a fonte deste mal, o nosso livre-arbítrio. Agostinho disse certa vez:

“Se o bem vem de Deus, o mal se origina da ausência do bem e só pode ser atribuído ao homem, por conduzir erroneamente as próprias vontades”

Esta frase resume bem a condição humana e como o homem usa a sua liberdade de forma errada

Acredito também que por Deus nos amar, ele nos ensina e é através do sofrimento que muitas vezes aprendemos. Quem já passou fome sabe a importância de não se desperdiçar alimentos. Quem já ficou desempregado sabe valorizar o seu trabalho. A vida é assim e o homem muitas das vezes aprende apenas desta maneira.

Mas Bart D. Ehrman faz outra pergunta no livro, um pouco mais difícil de explicar: Porque uma pessoa boa nasce com doenças ou acaba pegando uma doença que a faz sofrer muito?

Eu queria que a resposta fosse fácil, queria poder falar que Deus esta tentando ensinar algo a ela, ou que tem um propósito em tudo isso. Mas certas coisas são difíceis de explicar, quanto mais entender.

Uma criança que nasce com uma doença terminal, ou inúmeras pessoas nascendo em um país onde impera a fome e guerra.

Um pai de família que sofre com um câncer devastador é inexplicável e impossível de entender. É difícil falar que Deus tem um propósito em tudo isso, concordo com Bart D. Ehrman, mas dizer que ele não existe por conta disso, acho sem lógica

Gosto muito do livro de Jó. E fico admirado quando Deus de um redemoinho fala com ele (Jó 38) e o faz entender que ele não sabe de nada, e que Deus tem tudo sob controle. Mas o melhor do texto é quando Deus termina a sua narrativa, sem explicar porque Jó sofreu, ele não deu resposta alguma.

Considero a fé essencial em minha vida e é por essa e outras dúvidas, que desisti de procurar respostas para tudo. Eu sei que muita coisa não tem explicação e não me considero tão importante para exigir estas respostas de Deus.

Mas uma coisa eu sei, apesar de muitas vezes não parecer, Deus esta no comando. Seja em qualquer situação ou dificuldade, seja por doença ou perseguição, ele nunca nos abandona.

O sofrimento nesta terra é passageiro, a vida eterna é perto do Pai. É nesta esperança que eu me sustento é nela que devemos nos apegar

E quanto ao sofrimento: Em vez de reclamar e ficar vendo as pessoas passarem dificuldades, pondo a culpa toda em Deus, aproveite para estender a mão e ajudar alguém

BIBLIOGRAFIA

 

LEWIS, O Problema do Sofrimento, Editora Vida, São Paulo, 2001

GEISLER, Norman, TUREK, Frank, Não Tenho Fé Suficiente Para Ser Ateu, Editora Vida Acadêmica, São Paulo, 2012

EHRMAN, Bart D, O Problema Com Deus, Editora Agir, Rio de Janeiro, 2008

http://epoca.globo.com/vida/noticia/2015/03/de-olho-no-bdesperdiciob-da-lavoura-mesa.html (Revista Época, 2015)

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