Resultados para a categoria "CRÍTICA TEOLÓGICA"

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MENSAGEM DILUÍDA

O perigo que todo mundo corre ao ler e estudar a Bíblia, é justamente fazer isso usando como ponto de partida suas lentes, seus conceitos pessoais.

Vamos deixar uma coisa bem esclarecida, cada um tem as suas lentes, cada um observa o mundo de uma forma. Estas lentes definem nossas opiniões, reflexões e posicionamentos. A questão é que quando lemos a palavra de Deus, precisamos ter em mente, que o que deve falar e nos ensinar é ela, e não nós. É a partir dela que a nossa reflexão e ponto de vista deve acontecer e ser fundamentada.

A Bíblia é aquele livro que para olhos desatentos e sem ferramentas, é capaz de ajudar alguém a concluir os maiores absurdos ou mesmo verdades fundamentais. O que vai definir é o modo como lemos e estudamos este sagrado livro. Por isso que, saber ler e conhecer as ferramentas de interpretação é fundamental para que possamos retirar a verdadeira mensagem e fugir das conclusões absurdas. E principalmente, para não interpretarmos a Bíblia, segundo nossas lentes.

Quando não estudamos, ou o que é pior, quando acreditamos que ninguém precisa estudar a Bíblia, pois é o Espírito Santo que vai revelar a interpretação, cometemos o sério erro de ignorar os avisos da própria palavra, que nos manda estudar e guardar os ensinos (2 Timóteo 2:15, 3:15-17; Atos 17:11; Marcos 12:24)

Ao não nos aprofundarmos na palavra, corremos o sério risco de diluir o seu ensino em nossas opiniões e pontos de vistas. E em alguns casos, esta mensagem diluída é disfarçada com a afirmação de que Deus me revelou. O que na maioria das vezes é errado.

Precisamos estudar e deixar a palavra falar por si. Quando entendemos o que o texto realmente quis dizer, retemos o seu verdadeiro ensino e ensinaremos as pessoas as reais verdades que o texto quer nos passar.

Por isso eu humildemente aconselho, não dilua a mensagem com os seus conceitos, estude, compreenda e descubra as riquezas do texto Bíblico, que só quem se aprofunda na palavra consegue descobrir. Acreditar que você pode entender, sem estudar, é no mínimo contraditório.

Você precisa realmente descobrir o quão legal é se debruçar no texto bíblico e com toda a calma e cuidado, estudar, meditar e procurar entender o texto em sua totalidade. Deus nos fez racionais e nos deu um livro sagrado para que com a nossa mente, pudéssemos compreender, então porque não a usar?

Orar e estudar a Bíblia, são duas práticas totalmente fundamentais e muito espirituais. Com a primeira, você entra em contato com o criador, com a segunda, você medita sobre a sua mensagem. Uma prática não exclui a outra, pense nisso.

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ARGUMENTOS SUBJETIVOS

De tempos em tempos algumas notícias polêmicas vêm à tona, e viram alvos de debates e discussões. Como a internet ampliou a oportunidade do debate, qualquer um pode opinar e dar o seu ponto de vista, o resultado disso são os argumentos mais pobres, simplistas e complicados que podemos ver.

Não que eu seja contra esta oportunidade que a internet nos dá. É bom poder opinar, poder expor nosso ponto de vista e dar a nossa opinião, como estou fazendo agora. E sim que, muitos destes que opinam, não enxergam todas as falhas dos seus argumentos. Por conta disso, pontos de vistas, dos mais subjetivos surgem.

Ao falarmos de aborto, por exemplo, é comum alguns justificarem a sua posição favorável, afirmando que defendem o aborto, porque os pais abandonam os seus filhos. Em uma conclusão totalmente sem coerência e reflexão.

Abandonar o filho é um dos atos mais covardes que um homem pode ter, assim como a alienação parental, de mulheres que não permitem o marido de ver seus filhos, mesmo que ele esteja cumprindo com o seu papel de pai. São dois problemas, o aborto e o abandono de filhos, e um não é argumento para o outro. Isso sem contar que em alguns casos, o argumentador generaliza um problema, como se todo o homem abandonasse o filho, batesse em suas esposas e por aí vai.

Dentro da igreja temos exemplos parecidos, de cristãos que transformam a sua experiência com Deus em regra. Como se aquilo fosse norma para Deus agir. Com isso, ensinos que são opostos a Bíblia surgem, sem qualquer base e fundamentos, tendo como ponto de partida, argumentos subjetivos, que não possuem qualquer coerência.

Muitos justificam as suas crenças, com frases que carecem de coerência e o mínimo de base. Moldando a Bíblia a seus pontos de vista e a sua opinião. A palavra de Deus nos pontos fundamentais já é clara por si mesma. E ela existe para nos ensinar, e fazer com que a nossa vida esteja totalmente centrada na vontade de Deus. Você não deve ler só o que gosta na Bíblia, e sim estudar ela toda, aceitar seus ensinos e moldar a sua vida, conforme a vontade de Deus e não a sua própria.

Argumentar é apresentar ideias, fatos e provas de algo, e em caso de discordância, ou de falta de fundamento é importante não justificar um ponto de vista com casos isolados, que são exceções ou com problemas, que não fazem parte do assunto.

Ao refletir em um ponto de vista, é importante pensar naquele argumento, e refletir sobre ele. Sem generalizar, sem usar exemplos fora do contexto no qual você defende. E caso você seja uma pessoa relevante, pense em seu ponto de vista com uma atitude verdadeira, sem esconder os pontos fracos e contraditórios, para assim, propor uma reflexão centrada e com alguma base.

O argumento subjetivo serve para justificar algo que não tem justificativa. Ele é uma fábrica de provas, com o intuito de militar e defender algo que possui muita contradição.

Muitos simplificam problemas, alguns possuem o poder de não enxergar as variantes de uma situação e não refletir sobre as consequências da sua opinião.

Os argumentos subjetivos não têm como fundamento a verdade, muito menos a pesquisa. E sim, achismos, impulsos e sentimentos. O bom argumento vem da reflexão e da busca pela verdade, doa a quem doer. Pois amigo, muitas vezes ao irmos em busca da verdade, de forma verdadeira e sincera, descobrimos que estamos errados.

Eu desconfio de quem não desconfia de si, de quem não tem medo de se enganar, e que acredita que o seu ponto de vista é inerrante. Um bom pensador desconfia, e sempre revê as suas opiniões. Ele em nome da relevância, não demora em refletir no que está sendo dito, colocando em xeque sempre a sua opinião.

Precisamos entender a nossa possibilidade em falhar, e aprender a nos posicionar diante deste fato. É importante saber argumentar, e refletir, buscando sempre a coerência, sem o intuito de querer estar apenas certo.

Quem quer estar sempre certo, já errou, por se posicionar como a fonte da verdade. Sendo que estes na maioria das vezes estão errados. Pois, quando vemos apenas o que queremos, nesse caso, o nosso ponto de vista, não percebemos o entorno e possivelmente podemos deixar de perceber a verdade estampada em nossa frente. 

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CONDENANDO O DIFERENTE

“Um dos aspectos da barbárie europeia foi chamar de bárbaro o outro o diferente, em vez de celebrar essa diferença e de ver nela uma ocasião de enriquecimento do conhecimento e da relação entre humanos” (MORIN, 2005, p. 51).

No contexto cristão no qual eu cresci, era comum vermos o diferente ser demonizado. O pior era que em muitos casos, se o pastor fosse um pouco mais sábio e procurasse ouvir e entender o mínimo que fosse, a sua dúvida já seria sanada, e ele veria o seu erro de julgamento, coisa que raramente acontecia.

Nesta época eu vi a música ser condenada, pelo menos alguns estilos musicais, enquanto outros, que curiosamente estava dentro do gosto pessoal do pastor, seguia sento santo, e com o aval do líder. Isso sem contar com as críticas quanto as roupas, estilos de cabelos e tantas outras coisas que o pastor não gostava, ou não entendia, e acabava condenando.

Na Europa, durante a inquisição, o diferente, as coisas que o “santo clero” não entendia, eram condenadas, o preço era a própria vida. Tais atitudes não só revelavam a barbárie, mas também a falta de inteligência e reflexão das pessoas que acabavam condenando qualquer coisa que não entendiam, revelando que o nosso mundo nunca muda.

As vezes o diferente é apenas diferente, é algo que não entendemos. Não dá para condenar práticas e culturas no qual não temos qualquer tipo de informação.

A missão de sermos cristãos relevantes, envolve não sermos precipitado e seguirmos sendo inteligentes o bastante para dialogar, pesquisar e procurar entender antes de falar.

O precipitado não reflete, ele fala sem saber e segue já condenando, ser dar espaço para a conversa ou a pesquisa, ou pior, segue tendo como base informações equivocadas e sem sentido, bem distante da verdade.

No livro que eu tirei a citação, foi triste constatar como algumas pessoas sofreram por serem diferentes. Alguns dos povos narrados pelo autor, como os judeus, por exemplo, eram vistos com conceitos totalmente errados, pontos de vista construídos através de escritores, personagens caricatos ou notícias equivocadas. Sendo que eles, e muitos outros, sofreram muito por conta disso. O curioso é que o diferente é sempre o outro, nunca é a pessoa que olha.

É preciso ver além do nosso ponto, é preciso olhar, por traz do que achamos, encontrando as verdadeiras explicações, deixando nossas opções ou pontos de vista de lado.

Não podemos condenar o diferente, precisamos separar o que é errado, do que não é compreendido, as vezes determinadas coisas são só desconhecidas, apenas isso…

BIBLIOGRAFIA

MORIN, Edgar, Cultura e barbárie europeias, Bertrand Brasil, Rio de Janeiro, 2005.

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ANTI-INTELECTUALISMO NA IGREJA

É muito comum o anti-intelectualismo em algumas igrejas cristãs, é totalmente normal ouvirmos que “a letra mata, mas o espírito vivifica”, citado de forma totalmente descontextualizada e com uma interpretação totalmente equivocada de 2 Coríntios 3:3, como se o texto nos avisasse que não precisamos estudar a Bíblia, ou que o conhecimento intelectual mata.

Crer nunca foi desligado do pensar, orar e buscar em Deus a iluminação e a sabedoria não nos isenta de estudar e buscar conhecer a palavra, ou algumas ferramentas de interpretação bíblica.

Entenda que Deus nos fez seres racionais, indivíduos pensantes, ao contrario dos animais, que vivem por instinto:

“Deus fez o homem à própria imagem, e uma das mais nobres características da semelhança divina é a capacidade do homem de pensar” (STOTT, 2012, p. 29)

Fomos criados para pensar, com isso, é totalmente contraditório achar que ser cristão é ser algo oposto ao modo como Deus nos criou.

Paulo usou o seu conhecimento de cultura grega para pregar no aerópago. Jesus usou do seu conhecimento bíblico para rebater as tentações no deserto e a Bíblia toda é recheada de orientações que falam de aprender, conhecer e estudar.

No fim, o que eu acho é que muitos cristãos têm preguiça, e para justificar a sua falta de comprometimento com o estudo, eles acabam por demonizar o estudo e enfatizar apenas a oração.

Jonh Sttot, enfatiza o modo racional de como o evangelho chegou até nós, mostrando a contradição que é achar que o pensar também não faz parte da vida cristã:

“Deus se revelou por meio de palavras direcionadas a mentes. A revelação é uma revelação racional para criaturas racionais (STOTT, 2012, p. 35)

Ser cristão é com certeza orar, buscar a Deus e ter intimidade com ele, mas também é gastar um tempo entendendo a sua palavra e também o mundo ao nosso redor, para que como Paulo, no Aerópago, possamos transmitir a palavra com sabedoria.

Crer e pensar é tão importante quanto ter fé. Só ensina quem sabe, só auxilia o próximo quem tem vida com Deus e conhecimento. Caso contrário, seguiremos ensinando coisas que a Bíblia não ensina, como temos visto.

BIBLIOGRAFIA

STOTT, Jonh, Crer é também pensar, ABU Editora, São Paulo, 2012.

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ESTUDAR OU NÃO ESTUDAR TEOLOGIA, EIS A QUESTÃO.

Depois de um dia de muito estudo e trabalho, fui ver meu e-mail e as minhas mensagens da minha rede social, quando eu me deparo com a seguinte frase: “Seminário ou faculdade teológica não forma pastores ao contrário, já vi desequilibrar muitos”. Por achar a frase interessante e muito verdadeira, resolvi complementar pontuando que “a falta de estudo teológico também desequilibra de igual forma”, o cara não gostou muito e tentou “refutar” o meu comentário de todas as maneiras, que foi mais um complemento do que um comentário. Eu por falta de tempo e ter muita preguiça de discutir, optei por escrever este texto como “resposta”, por acreditar ser mais útil.

A verdade é a seguinte, sim, seminário ou faculdade não forma pastores, o pastoreio é um dom e está aquém do estudo teológico, embora fazer uma faculdade seja fundamental para que o pastor tenha uma boa bagagem a fim de exercer o seu ministério. Veja bem, em uma faculdade teológica séria, o pastor terá ao seu dispor aulas e mentorias com mestres e professores que estudaram muito, sendo que uma boa parte deles, quando não todos, são pastores ou homens envolvidos no ministério. Imagine que rico para um pastor iniciante poder dialogar com gente que tem experiência com o ministério, isso é muito bom para quem está começando, ou para quem até exerce o pastoreio, mas ainda não teve oportunidade de fazer uma faculdade teológica.

Eu tive oportunidade de ter aulas com missionários e pastores que tinham muitos anos de estrada, além de terem mestrado e doutorado. As aulas me ajudaram muito, me deram a oportunidade de ampliar a minha visão, além de poder ter ferramentas ótimas para o pastoreio, de quem sabe muito bem do que está falando ou que possuem uma ideia muito mais ampla que a minha.

É claro que estudo teológico não define uma boa teologia, pois afinal, vai depender de muitos fatores para que isso fique claro, mas sabemos o quanto a falta de estudo teológico facilita para que muitas heresias surjam. É por conta de uma interpretação errada das escrituras que ensinos, dos mais escabrosos, têm surgido. Mas sim, estudo não é infalível, só estudar, não faz uma pessoa ser pastor e muito menos ser um bom cristão.

O liberalismo surgiu através de cristãos que estudavam e acabaram por pegar um caminho totalmente equivocado, conquanto a falta de estudo também tem feito isso. Por isso digo, não existe fórmula quando se trata de seres humanos pecadores, mas embora sabendo que não existe fórmula, eu ainda acredito que quando alguém estuda em uma faculdade séria, preocupada com o que ensina, ela vai ter frutos bem mais saudáveis do que aqueles que não estudam.

A parte interessante sobre este acontecimento foi quando ele tentou justificar o seu ponto de vista falando que os pais da igreja, que defenderam a fé cristã nos primeiros séculos como Agostinho, citado por ele, eram cristãos comuns, sem muito estudo. Uma afirmação que carece um pouco de estudo e fundamentação teológica, pois afinal, os pais da igreja e também os primeiros apologistas eram pessoas versadas em filosofia, retórica e história.

Na verdade, eles eram muito mais filósofos, do que teólogos propriamente dito. Por mais que as universidades tenham surgido muitos anos depois, pelo menos nos moldes que conhecemos hoje, as academias sempre existiram. Lembrando que a Academia de Platão foi fundada em Estagira por volta de 384 a. C. E o Liceu fundado por Aristóteles foi fundado por volta de 334 a. C. Isso só para citar estes dois nomes famosos.

É importante lembrar que o apóstolo Paulo era um homem de muito conhecimento, estava longe de ser um homem comum, sem muito estudo. Mas falando os primeiros apologistas. Justino Martir (100 – 165) foi um dos primeiros, ele era versado em retórica, história e poesia. Ireneu de Lion (130 – 200) foi um bispo e escritor com muito conhecimento. O mesmo podemos dizer de Orígenes (185 – 254) e Tertuliano (160 – 225) e muitos outros que vieram depois deles como Agostinho (354 – 430) e por aí vai (MCGRATH, 2005, p. 44,45,46)

O conhecimento nunca esteve desligado da igreja, estudar e ter uma vida santificada, nunca esteve separado. Mais sim, muitas heresias que foram combatidas pelos apologistas vieram de pessoas que também estudavam. O estudo nunca foi um caminho infalível para se ter uma vida cristã coerente, mas como a história nos mostra, quem defendeu a fé cristã também foi gente que estudava.

Resumindo, estudar é muito importante, e se você tem um chamado pastoral, o caminho mais coerente para esta importante etapa é estudar. É claro que não depende só disso, mas é um importante passo.

Você não sabe quantos frutos podem dar quando você ora, busca e também estuda. O estudo faz parte da vida de um homem espiritual e apesar de não ser infalível e sim, acabar desequilibrando muitos, a falta de estudo, aliado ao cargo de pastor, que dá muito status em alguns casos, também desequilibra, embora eu ainda acredite que o estudo é muito mais benéfico que maléfico.

BIBLIOGRAFIA

FLUCK, Marlon. Ronald. Teologia dos pais da igreja, Editora Cia dos Escritores, Curitiba, 2012.

MCGRATH, Alister, Teologia sistemática, histórica e filosófica, Uma introdução à teologia cristã, Shedd Publicações, São Paulo, 2005

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