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A MELHOR MOTIVAÇÃO

Um dos temas que eu gosto muito de ler e estudar é o de defesa de fé (apologética). É muito bom perceber como a Bíblia tem fundamento. E como existem inúmeras provas de confiabilidade. É também ótimo saber como há muitos teólogos e filósofos comprometidos com o estudo da palavra, mostrando a muitos como a fé cristã é inteligente. A questão é que, por mais que eu acredite que a apologética seja fundamental para as pessoas, eu também sei que a Bíblia é para ser lida e estudada, e não apenas defendida. Pois Deus não precisa de defensores.

A motivação primária que todo o cristão deveria ter, é estudar e ler a palavra para entende-la e não apenas para defender. Precisamos aprender a levar a palavra de Deus a sério, muito mais como ferramenta para uma vida centrada, do que como desculpa para sermos apenas militantes, defensores e protetores das escrituras. Não adianta defendermos algo que não conhecemos e muito menos usamos ou sabemos como deveríamos usar em nossa vida. Kevin DeYoung complementa o assunto:

“Que Deus nos dê ouvidos, pois todos nós precisamos ouvir a palavra de Deus e leva-la à sério mais do que Deus precisa de qualquer um de nós para defende-la” (2014, p. 26).

A nossa motivação como estudiosos, deve primeiro ser a de entender e aplicar a Bíblia em nossa vida. A defesa da fé é importante, principalmente para mostrar as pessoas que a nossa fé é inteligente. Além de fortalecer a visão que temos da palavra de Deus. Contudo, a palavra tem uma função primária que é alicerçar a nossa vida e nos dar fundamentos. Por isso que antes de tudo, eu devo ter o hábito de ler, estudar e aplicar ela em minha vida. Se não conhecermos a palavra e não buscarmos intimidade com Deus e com o texto bíblico, o resto não vai importar muito, pois não vai surtir efeito.

Aprenda o real sentido da palavra prioridade, e descubra que antes de tudo, devemos conhecer, nos aprofundar e termos intimidade com este sagrado texto. Aprenda a defender a sua fé, mas antes de tudo, tenha intimidade e conhecimento daquilo que você quer defender.

Não adianta defender algo que não é uma prática em sua vida!

BIBLIOGRAFIA

DEYOUNG, Kevin, Levando Deus a sério: Por que a Bíblia é compreensível, necessária e suficiente, e o que isso significa para você, Fiel Editora, São José dos Campos, 2014.

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JORNADA CRISTÃ 15: O PODER DO SILÊNCIO

Um dos grandes problemas desses nossos conectados dias, é a incapacidade do ser humano de se silenciar. São tantos estímulos que acabamos viciados em ver, ouvir e interagir, terminando por não conseguir manter um pouco de paz no coração.

Conheci Anselm Grün ao pesquisar sobre vida monástica, sempre fui um curioso sobre a vida e a filosofia dos pais do deserto. O autor tem uma grande capacidade de trabalhar a espiritualidade, a partir do interior. Ensinando os leitores a cultivar a autoavaliação antes de buscar a Deus. Anselm é mestre em falar de coisas importantes com uma especial e profunda simplicidade. Creio que “clareza” é a palavra que define bem este autor.

Anselm Grün é um monge beneditino alemão, da ordem de São Bento, com isso, se você tiver algum preconceito, nem mergulhe em suas obras. A questão é apenas que, o autor consegue discorrer sobre os inúmeros temas da vida cristã, com um argumento tão bíblico e centrado, que eu creio que você não vai se arrepender de mergulhar em qualquer livro seu. Por ser um escritor profícuo, ele tem muitas obras, entre as minhas preferidas estão “Ser uma pessoa inteira”, “O céu começa em você” e muitos outros livros, mas neste texto discorrerei sobre o livro “O poder do silencio”.

Ficar em silêncio é uma prática bem pessoal, é uma busca que cabe somente a você empreender. Com isso, cabe também a você procurar ferramentas, separar um determinado momento, e cultivar o silêncio, para que a sua vida não caia na frenética e ensandecida rotina do “fazer”. A parte interessante quando você cultiva momentos de silêncio, é que no final, quem convive com você, também vai colher os frutos de alguém que aprendeu a parar e a silenciar tudo a sua volta.

Alguém que sabe ficar em silêncio é também alguém que consegue ter paz, e também ter uma imensa capacidade de ouvir e compreender o mundo. Quem se silencia ouve, percebe coisas que o seu frenético barulho interno ou externo, não permitia que percebesse.

É quando você decide largar o controle e ouvir, que você vai realmente escutar e perceber os detalhes que nos escapam a percepção. Anselm Grün complementa:

“Há qualquer coisa de terno quando o silêncio se torna audível. A audição sempre tem algo de misterioso em si. Por fim, em tudo que ouço, passo a ouvir o inaudível” (2019, p. 15, 16).

Ouvir é também largar o controle e dar espaço para a vida. Experimente ir caminhar no campo, e cultive o hábito de não falar para conseguir ouvir todos os sons e músicas que o local tem a nos oferecer. E principalmente, aprenda a cultivar o silêncio interno, é possível estar entre muitos, em meio a muito barulho, mas estar em silêncio, com a mente mais calma. Assim como não é impossível alguém estar em meio ao silêncio, mas com a mente barulhenta, descontrolada.

As vezes nos concentramos tanto em falar, que deixamos de ouvir a voz de Deus. Eu aprendi com este autor o poder de se calar para conseguir realmente ouvir e entender o que Ele quer de mim.

Quem não para nem por um minuto, quem muito fala, acaba controlando uma conversa, sem perceber os detalhes, as importantes lições que Deus e as pessoas querem nos passar. Ou mesmo deixamos de enxergar a aquela lágrima que está escondida entre o sorriso de alguém que está passando por um problema.

O silêncio é poderoso, ele nos ensina a escutar e a ver coisas, que em meio ao barulho não percebemos.

BIBLIOGRAFIA

GRÜN, Anselm, O poder do silêncio, Editora Vozes Nobilis, Petrópolis, 2019.

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O PERIGO DA AUTOSSUFICIÊNCIA

Se pudéssemos resumir o Velho Testamento, poderíamos resumir como um livro que fala sobre relacionamentos. É um relato sobre um Deus que entrou na história para salvar o homem, um ser que não demora em ser autossuficiente e que acredita que sozinho consegue tudo. Sendo que no final, ele nunca se dá bem. Com isso, é inevitável ver a misericórdia de Deus entrar em cena.

Não é tão legal passar por dificuldades, mas existe uma parte boa, o caos nos coloca de joelhos, é diante dos problemas que olhamos para Deus e buscamos por seu socorro. A parte ruim da estabilidade é que algumas vezes esquecemos de Deus. Não é tão incomum, diante dos momentos bons, seguirmos esquecendo de tudo o que ele já fez em nossa vida.

É quando estamos com problemas que buscamos socorro, principalmente quando eles são graves ou nos deixam sem saída. A história dos Hebreus comprova isso. Pois diante da falta de solução, clamar a Deus e pedir pelo socorro, era a única e a melhor saída.

Deus usou Moisés para salvar o povo que tinha sido feito escravo, só que mesmo sendo libertos, eles não demoraram em construir um Bezerro de ouro, enquanto Moisés estava no monte falando com Deus. Foi só Moisés se ausentar por um tempo, para eles construírem um outro Deus e atribuir a salvação a ele. Se o ser humano tem algum “poder”, creio que seria este, o poder de esquecer de quem o ajudou (Êxodo 32:1-8).

A autossuficiência nos faz acreditar que sozinhos estamos melhores, que não precisamos de nada e ninguém. Além de nos fazer esquecer e sermos gratos pela graça divina. Mas a autossuficiência é uma mentira, pois sozinhos não somos nada, a verdadeira vida e a verdadeira liberdade vem de Deus. É dependendo dele, que seguimos uma vida mais equilibrada e coesa.

O perigo que a autossuficiência traz é de nos fazer acreditar que somos algo sem Deus, que sozinhos damos conta. Com isso, tomamos o controle que é somente de Deus.

O homem sem Deus não é nada, a questão é que muitas vezes não percebemos isso. Se não for a graça de Deus nos guiando, terminamos caindo no primeiro precipício que aparecer na frente, como sempre foi e sempre vai ser.

Seguir a vida distante de Deus é sempre loucura!

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FALSOS PONTOS DE VISTA

“Se uma palavra da Bíblia me aborrece, isso revela sempre que, neste caso, tenho um ponto de vista falso de mim e de Deus. O aborrecimento é, no entanto, também um desafio para trabalhar no meu ponto de vista e permitir que as Escrituras me ofereçam uma outra compreensão de mim mesmo” (GRÜN, 2016, p. 108).

Não foi fácil, quando eu comecei a estudar a Bíblia, ter que lidar com alguns ensinos, mensagens e textos que me exortavam e me levava a olhar para a minha vida, minhas atitudes e meus pontos de vista. Alguns textos eram como remédio na feria, doía muito, mas como o bom remédio, ele também me curava.

É normal vermos cristãos passando de largo de algumas passagens bíblicas, ou tentando arranjar justificativas para tais textos. Ler a palavras de Deus pinçando apenas o que nos apraz, é fácil. Agora, ser honesto, e encarar os ensinos da palavra com seriedade, lendo, aceitando a confrontação e depois, buscando em Deus a mudança, já são outros quinhentos.

A palavra de Deus não contém apenas versos de ânimo ou alegria, ela também perscruta a nossa vida, nos mostra quem somos, e nos convida a uma vida de mudança. Deus, como um bom Pai, não só nos acalenta e nos dá forças em meio aos problemas. Mas também nos ensina, e nos mostra como é importante seguir no caminho da verdade.

Quando a Bíblia te aborrecer, aprenda a olhar para a sua vida. Reflita e pense se você não tem algo errado. Quando algo nos incomoda, é possível por trás de todo o incômodo, vermos um problema que precisa ser tratado. Logo, o aborrecimento é uma ferramenta, é aquela dor que sinaliza que tem algo errado em nosso corpo, no obrigando a buscar a cura.

Não é incomum termos pontos de vistas equivocados sobre nós, esqueletos que escondemos e procuramos nunca mencionar. A questão é que a mudança só acontece quando encaramos de frente, e buscamos transformação, tendo como suporte Deus e o seu soberano poder.

As escrituras são as palavras de um Deus que oferece a todos uma vida equilibrada. É um desafio seguir o evangelho, mas é gratificante estar no centro da sua palavra, mesmo que em alguns momentos tenhamos que lidar com coisas desagradáveis em nossa vida. O que nos incomoda, nos força a mudar, e nos obriga a entendermos quem somos, para depois, seguirmos assim a vontade de Deus. Não fuja dos textos que te aborrecem, mergulhe no ensino e tente entendê-lo por completo. Se algo o incomoda, é porque precisa ser pensado e tratado.

A Bíblia não é como uma caixinha de promessas, onde você só encontra textos sistematicamente selecionados, para afagar o seu ego. Ao contrário, ela é muitas vezes um remédio amargo, que arde e em alguns casos, acaba trazendo dor, mas que no final vai curar e restaurar a sua vida por completo. Por isso, não perca a chance de mudar mesmo sendo difícil.

Leia e medite na palavra, e se permita ser tratado por Deus.

BIBLIOGRAFIA

GRÜN, Anselm, Ser uma pessoa inteira, Editora Vozes, Rio de Janeiro, 2016.

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DESPROPÓSITOS

É muito interessante como é desafiador definir alguns conceitos. Coisas aparentemente simples, se transformam em epopeias, quando nos prestamos a refletir sobre. Como por exemplo, a própria vida.

Para alguns viver é um fardo, pois o mundo é mau, só têm pessoas más, por conta disso, estes estão sempre desejando o fim. Para outros o mundo é ter, é ajuntar, é comprar uma casa nova e estudar, ou mesmo empreender até ter um bom salário. Ser feliz é aproveitar, gastar e se empanturrar com os prazeres que o dinheiro pode dar. Enfim, são muitos pontos de vistas e em todos eles, é possível descobrir contradições quando refletimos com cuidado.

A vida é um ponto de vista, uma conclusão difícil de definir. Por isso, ela acaba se tornando o que concluímos dela ou o que nos prestamos a fazer e a realizar. Shakespeare em Macbeth fala algo curioso sobre a vida:

“A vida é um conto narrado por um idiota, cheia de som e fúria sem nenhum significado”.

Creio que esta curiosa frase traduz como o homem, que segue seus ideais, segue a vida. A vida realmente não tem sentido, porque nós seres humanos não temos sentido. Optamos por seguir ideais vazios e realmente contraditórios. Militamos causas perdidas e argumentamos sem perceber nossas contradições.

É fundamental para o ser humano, ter propósitos na vida, isso o move, o leva a fazer, a se dedicar e a ser algo. O problema é que em inúmeros momentos, ele não percebe que alguns alvos, são incoerentes. Não é à toa que Provérbios 9:10 diz que

“O temor do Senhor é o princípio da sabedoria, e o conhecimento do Santo a prudência”.


Pois afinal, só é possível realmente vermos, quando olhamos para Deus, para além de nós e nossas vontades. Crer que vemos, sem antes fundamentar a nossa vida em Deus, é acreditar no vazio da nossa condição.

No final Shakespeare pode até ter razão, a vida não tem sentido algum, o mundo é contraditório e viver é seguir uma existência sem qualquer significado. Precisamos de Deus e dos seus ensinamentos, para termos qualquer sentido e coerência, sem Deus seguimos no vazio da existência como bem pontuou Shakespeare.

O evangelho nos traz propósito e sentido, olhar para Deus é justamente isso. É entender quem somos, o quão pecadores somos, e encontrar nele um propósito. Pois a verdade é que todo e qualquer objetivo, distante da vontade de Deus é um despropósito. É uma busca por algo que se torna um nada algum tempo depois. Um intuito que se mostra falho e que se enferruja e apodrece com o passar dos dias.

Temer a Deus é o princípio de tudo, é quando entendemos quem somos e o quão vulnerável somos sem Ele, que tudo faz sentido. A vida é um ponto de vista, como pontuei no começo do vídeo. Pois viver é seguir por nossos próprios conceitos e crenças, mas quando fundamentamos a nossa vida em Deus e na sua palavra, tudo acaba tendo lógica.

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