QUANDO NINGUÉM SE IMPORTA

Ninguém liga para mim, foi o que eu ouvi de uma pessoa, meditei em todas as suas palavras e fiquei com pena. É legal ser lembrado, receber alguma atenção, e por um instante, ver alguém se preocupar conosco.  A vida de quem não tem ninguém para caminhar junto, não é tão legal assim, a solidão não é nada bonita.

Há quem diga que os amigos são os irmãos que escolhemos, são aqueles que param para nos ouvir quando nos perguntam “como estamos”. O problema é que foi inevitável, diante daquela frase, pensar no interlocutor, e tentar entender porque ninguém se importava com ele. Por ser sempre tão bem humorado, ativo na igreja, e com tantos amigos, foi estranho ouvir aquela frase, justo dele.

Eu creio sim que muitas pessoas são colocadas de lado, principalmente em alguns ambientes cristãos, onde existe uma diversidade grande de pessoas, cada um com seu estilo e modos de se relacionar. É fácil ser colocado de lado, e quando o nosso perfil é mais introspectivo, mais reservado, isso pode acontecer com ainda mais facilidade.

Penso que a igreja tem pecado muito neste quesito, os pastores têm visitado menos as pessoas, e cometido a falta de não pastorear, e muito menos se importar com as pessoas ou faltando em caminhar o mínimo com elas. Embora exista o outro lado da questão, afinal, nós também devemos no preocupar com os amigos.

Como você tem vivido a sua vida? Como você tem tratado os seus amigos? Amizade é uma ação recíproca, é um movimento onde a comunhão deve-se fazer presente. E quando falamos de comunhão, falamos inclusive de participar das alegrias de alguns amigos, e para isso, o se doar deve ser uma das nossas atitudes.

Nem sempre é fácil tirar um dia da semana para comemorar com os nossos amigos, ou prestigiar seu trabalho, hobby ou sonhos, mas é justamente isso que é ser um amigo. É estar presente, apoiar e caminhar junto.

Quem não caminha junto, anda sozinho, quem é egoísta ao ponto de não se doar, com certeza ficará mergulhado em sua profunda e egoísta solidão.

Na maioria das vezes (existem muitas exceções é claro), quem anda sozinho é porque não tem a disposição de se doar, de caminhar com alguém, de ter um amigo. O ser humano não foi feito para estar só, por isso vivemos em comunhão, sendo que a amizade é o princípio desta doação.

Esta colega no qual falei, vivia sozinho, não tinha tempo para as pessoas, esperava sempre que as pessoas o procurassem, mas ele nunca procurava alguém. Ele queria que as pessoas se importassem com ele, mas ele mesmo não se importava, pelo menos não demostrava. Amizade se constrói, é um processo contínuo, sendo que sem altruísmo, nada permanece.

Se ninguém se importa com você, se pergunte quem são seus amigos, e o quanto você cultiva as suas amizades. Reveja a sua vida, e pare para analisar e ver como você age como amigo. Talvez você esteja passando por um período de injustiça, onde só você vai atrás dos amigos, e eles nem ligam para você. Mas quem sabe, você seja aquele que não procura ninguém, que não cultiva a amizade, e espera que os outros, façam o que você mesmo não faz.

As vezes as nossas condições são apenas reflexos de como agimos, de como estamos vivendo. A questão não é ter um monte de amigos, e sim, refletir e tentar entender se estamos cultivando parcerias, se na igreja estamos vivendo como corpo, em comunhão e amizade.

Caso não seja este o seu caso, quem sabe a saída seja cultivar amizades verdadeiras, procurar quem realmente quer uma amizade. Não é fácil de encontrar, mas também não é impossível, basta persistir e colocar tudo nas mãos de Deus.

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A MELHOR MOTIVAÇÃO

Um dos temas que eu gosto muito de ler e estudar é o de defesa de fé (apologética). É muito bom perceber como a Bíblia tem fundamento. E como existem inúmeras provas de confiabilidade. É também ótimo saber como há muitos teólogos e filósofos comprometidos com o estudo da palavra, mostrando a muitos como a fé cristã é inteligente. A questão é que, por mais que eu acredite que a apologética seja fundamental para as pessoas, eu também sei que a Bíblia é para ser lida e estudada, e não apenas defendida. Pois Deus não precisa de defensores.

A motivação primária que todo o cristão deveria ter, é estudar e ler a palavra para entende-la e não apenas para defender. Precisamos aprender a levar a palavra de Deus a sério, muito mais como ferramenta para uma vida centrada, do que como desculpa para sermos apenas militantes, defensores e protetores das escrituras. Não adianta defendermos algo que não conhecemos e muito menos usamos ou sabemos como deveríamos usar em nossa vida. Kevin DeYoung complementa o assunto:

“Que Deus nos dê ouvidos, pois todos nós precisamos ouvir a palavra de Deus e leva-la à sério mais do que Deus precisa de qualquer um de nós para defende-la” (2014, p. 26).

A nossa motivação como estudiosos, deve primeiro ser a de entender e aplicar a Bíblia em nossa vida. A defesa da fé é importante, principalmente para mostrar as pessoas que a nossa fé é inteligente. Além de fortalecer a visão que temos da palavra de Deus. Contudo, a palavra tem uma função primária que é alicerçar a nossa vida e nos dar fundamentos. Por isso que antes de tudo, eu devo ter o hábito de ler, estudar e aplicar ela em minha vida. Se não conhecermos a palavra e não buscarmos intimidade com Deus e com o texto bíblico, o resto não vai importar muito, pois não vai surtir efeito.

Aprenda o real sentido da palavra prioridade, e descubra que antes de tudo, devemos conhecer, nos aprofundar e termos intimidade com este sagrado texto. Aprenda a defender a sua fé, mas antes de tudo, tenha intimidade e conhecimento daquilo que você quer defender.

Não adianta defender algo que não é uma prática em sua vida!

BIBLIOGRAFIA

DEYOUNG, Kevin, Levando Deus a sério: Por que a Bíblia é compreensível, necessária e suficiente, e o que isso significa para você, Fiel Editora, São José dos Campos, 2014.

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MENSAGEM DILUÍDA

O perigo que todo mundo corre ao ler e estudar a Bíblia, é justamente fazer isso usando como ponto de partida suas lentes, seus conceitos pessoais.

Vamos deixar uma coisa bem esclarecida, cada um tem as suas lentes, cada um observa o mundo de uma forma. Estas lentes definem nossas opiniões, reflexões e posicionamentos. A questão é que quando lemos a palavra de Deus, precisamos ter em mente, que o que deve falar e nos ensinar é ela, e não nós. É a partir dela que a nossa reflexão e ponto de vista deve acontecer e ser fundamentada.

A Bíblia é aquele livro que para olhos desatentos e sem ferramentas, é capaz de ajudar alguém a concluir os maiores absurdos ou mesmo verdades fundamentais. O que vai definir é o modo como lemos e estudamos este sagrado livro. Por isso que, saber ler e conhecer as ferramentas de interpretação é fundamental para que possamos retirar a verdadeira mensagem e fugir das conclusões absurdas. E principalmente, para não interpretarmos a Bíblia, segundo nossas lentes.

Quando não estudamos, ou o que é pior, quando acreditamos que ninguém precisa estudar a Bíblia, pois é o Espírito Santo que vai revelar a interpretação, cometemos o sério erro de ignorar os avisos da própria palavra, que nos manda estudar e guardar os ensinos (2 Timóteo 2:15, 3:15-17; Atos 17:11; Marcos 12:24)

Ao não nos aprofundarmos na palavra, corremos o sério risco de diluir o seu ensino em nossas opiniões e pontos de vistas. E em alguns casos, esta mensagem diluída é disfarçada com a afirmação de que Deus me revelou. O que na maioria das vezes é errado.

Precisamos estudar e deixar a palavra falar por si. Quando entendemos o que o texto realmente quis dizer, retemos o seu verdadeiro ensino e ensinaremos as pessoas as reais verdades que o texto quer nos passar.

Por isso eu humildemente aconselho, não dilua a mensagem com os seus conceitos, estude, compreenda e descubra as riquezas do texto Bíblico, que só quem se aprofunda na palavra consegue descobrir. Acreditar que você pode entender, sem estudar, é no mínimo contraditório.

Você precisa realmente descobrir o quão legal é se debruçar no texto bíblico e com toda a calma e cuidado, estudar, meditar e procurar entender o texto em sua totalidade. Deus nos fez racionais e nos deu um livro sagrado para que com a nossa mente, pudéssemos compreender, então porque não a usar?

Orar e estudar a Bíblia, são duas práticas totalmente fundamentais e muito espirituais. Com a primeira, você entra em contato com o criador, com a segunda, você medita sobre a sua mensagem. Uma prática não exclui a outra, pense nisso.

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PALAVRAS QUE ANUNCIAM VIDA

Há muito tempo atrás fui a um show da banda Mortification em minha cidade. A banda é lendária no cenário cristão, e na época, o vocalista e líder da banda, Steve Rowe, estava tratando de leucemia. Seu testemunho é realmente impactante, o modo como Deus cuidou e usou a sua vida é realmente fenomenal.

Neste show, o vocalista, por conta da doença, quase não parava em pé, sendo que em meio a apresentação, a direção do show, que estava acontecendo em uma igreja, permitiu que alguns fãs da banda subissem no palco. E um deles, meu amigo por sinal, resolveu abraçar o vocalista, e foi quando ele caiu, por conta do susto e da doença que o deixava fraco. Ainda mais que o vocalista estava com muito medo de ser atacado por satanistas, que naquela época, chegaram a ameaçar o vocalista e o evento.

O show parou e no lugar da música, uma enxurrada de palavrões dos muitos cristãos que estavam assistindo, tomou conta do lugar, em uma cena que eu considero icônica e contraditória, visto que a maioria que assistiam eram cristãos.

Palavras são muito importantes, são sentenças que comunicam uma opinião, um modo de pensar ou mesmo como estamos nos sentindo. Com a língua, podemos bendizer a Deus ou mesmo louvá-lo, e o pior é que com ela também que podemos ofender ou amaldiçoar.

O que esquecemos é que ela traduz o que somos, o modo como falamos, agimos e nos comunicamos, diz muito sobre nós e sobre o que acreditamos. Zacharias Heyes define bem o poder da comunicação quando afirma que:

“Palavras que louvam a Deus são palavras que geram vida, que incentivam a vida do outro, que o encoraja e fortalece. As minhas palavras estão em contato comigo mesmo, elas expressam o que sou? Ou será que eu as digo porque quero defender minha posição?” (HEYES, 2020, p. 63).

É interessante como estamos sempre defendendo os nossos pontos de vistas, ou estamos a qualquer momento prontos a nos posicionar, deixando claro quais são as nossas opiniões. Conceitos estes muitas vezes vazios, frutos de especulações ou mera escuta. As vezes somos rápidos em falar ou mesmo xingar, como no exemplo que eu citei, e tardios em ouvir, ajudar e meditar.

O que você tem anunciado, vida, graça ou mesmo louvores a Deus? Ou impropérios e conceitos deturpados, que vão de encontro a quem você é? Lembre-se que o modo como falamos e agimos, diz muito sobre nós. Nosso comportamento, infelizmente nos define, ainda mais, quando afirmamos que seguimos a Cristo.

Por isso preste bem atenção em suas palavras, priorize mais em anunciar vida, apoio e motivação, do que desânimo, desmotivação ou impropérios. Como nem sempre conhecemos a realidade das pessoas, seja aquele cristão que apoia e incentiva.

Anuncie a vida, discorra sobre a esperança e o Deus que nos transforma, espalhe a palavra da verdade, que o mais, Deus fará.

BIBLIOGRAFIA

HEYES, Zacharias, Rituais para o encontro consigo mesmo, Editora Vozes, Petrópolis, 2020.

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JORNADA CRISTÃ 15: O PODER DO SILÊNCIO

Um dos grandes problemas desses nossos conectados dias, é a incapacidade do ser humano de se silenciar. São tantos estímulos que acabamos viciados em ver, ouvir e interagir, terminando por não conseguir manter um pouco de paz no coração.

Conheci Anselm Grün ao pesquisar sobre vida monástica, sempre fui um curioso sobre a vida e a filosofia dos pais do deserto. O autor tem uma grande capacidade de trabalhar a espiritualidade, a partir do interior. Ensinando os leitores a cultivar a autoavaliação antes de buscar a Deus. Anselm é mestre em falar de coisas importantes com uma especial e profunda simplicidade. Creio que “clareza” é a palavra que define bem este autor.

Anselm Grün é um monge beneditino alemão, da ordem de São Bento, com isso, se você tiver algum preconceito, nem mergulhe em suas obras. A questão é apenas que, o autor consegue discorrer sobre os inúmeros temas da vida cristã, com um argumento tão bíblico e centrado, que eu creio que você não vai se arrepender de mergulhar em qualquer livro seu. Por ser um escritor profícuo, ele tem muitas obras, entre as minhas preferidas estão “Ser uma pessoa inteira”, “O céu começa em você” e muitos outros livros, mas neste texto discorrerei sobre o livro “O poder do silencio”.

Ficar em silêncio é uma prática bem pessoal, é uma busca que cabe somente a você empreender. Com isso, cabe também a você procurar ferramentas, separar um determinado momento, e cultivar o silêncio, para que a sua vida não caia na frenética e ensandecida rotina do “fazer”. A parte interessante quando você cultiva momentos de silêncio, é que no final, quem convive com você, também vai colher os frutos de alguém que aprendeu a parar e a silenciar tudo a sua volta.

Alguém que sabe ficar em silêncio é também alguém que consegue ter paz, e também ter uma imensa capacidade de ouvir e compreender o mundo. Quem se silencia ouve, percebe coisas que o seu frenético barulho interno ou externo, não permitia que percebesse.

É quando você decide largar o controle e ouvir, que você vai realmente escutar e perceber os detalhes que nos escapam a percepção. Anselm Grün complementa:

“Há qualquer coisa de terno quando o silêncio se torna audível. A audição sempre tem algo de misterioso em si. Por fim, em tudo que ouço, passo a ouvir o inaudível” (2019, p. 15, 16).

Ouvir é também largar o controle e dar espaço para a vida. Experimente ir caminhar no campo, e cultive o hábito de não falar para conseguir ouvir todos os sons e músicas que o local tem a nos oferecer. E principalmente, aprenda a cultivar o silêncio interno, é possível estar entre muitos, em meio a muito barulho, mas estar em silêncio, com a mente mais calma. Assim como não é impossível alguém estar em meio ao silêncio, mas com a mente barulhenta, descontrolada.

As vezes nos concentramos tanto em falar, que deixamos de ouvir a voz de Deus. Eu aprendi com este autor o poder de se calar para conseguir realmente ouvir e entender o que Ele quer de mim.

Quem não para nem por um minuto, quem muito fala, acaba controlando uma conversa, sem perceber os detalhes, as importantes lições que Deus e as pessoas querem nos passar. Ou mesmo deixamos de enxergar a aquela lágrima que está escondida entre o sorriso de alguém que está passando por um problema.

O silêncio é poderoso, ele nos ensina a escutar e a ver coisas, que em meio ao barulho não percebemos.

BIBLIOGRAFIA

GRÜN, Anselm, O poder do silêncio, Editora Vozes Nobilis, Petrópolis, 2019.

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