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VIVENDO DISTRAÍDO

Ler um livro de forma distraída é com certeza empacar em uma página e não sair do lugar. Se você já leu sem se concentrar, você sabe bem do que eu estou falando, é passar os olhos pelas páginas sem reter o conteúdo. É ter que voltar em um dado momento, para assim conseguir entender o texto.

Como muitos sabem, eu gosto muito de ler, gasto muitas horas lendo e escrevendo, a prática já virou um hábito. E uma coisa que eu aprendi lendo e estudando é que não é possível fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Ou você se dedica a leitura ou não vai compreender nada do que está lendo. É preciso se concentrar nos estudos para não gastar as suas horas à toa e não ter o seu foco dividido. Quando você faz duas coisas ao mesmo tempo, divide a sua concentração e acaba comprometendo o processo de aprendizagem ou mesmo a compreensão da leitura.

Na vida é igual, não dá para seguir fazendo tudo de uma vez, sem prestar atenção no momento, sem curtir o processo e crescer com ele. Quando seguimos a vida sendo ativistas, nos concentrando mais no fazer, não vemos ela passar e muito menos percebemos os belos detalhes que a caminhada pode nos mostrar. Viver é muito mais do que só fazer, é entender que os momentos não voltam, por isso é importante curtir a cada segundo.

Viver é prestar atenção, e seguir atento a todos os detalhes. Ser realmente feliz não é ter as coisas, e sim é buscar o equilíbrio, entendendo que coisas têm as suas funções, mas não substituem o próprio ato de viver.

Costumo acordar bem cedo, é interessante perceber o silêncio que reina as 4 ou 5 horas da manhã. Nesta quietude eu penso no dia, em Deus e na vida, e em como o tempo passa rápido. Quando as nossas prioridades são coisas, o excesso de atividades nos coloca alheios ao tempo, que passa sem dó, como em um relógio de areia, que deixa escorrer os dias sem piedade alguma.

A questão não é não fazer, e muito menos viver a vida sem sonhos e planos. É legal sonhar e correr atrás das coisas que gostamos. O que eu quero passar para você é “não deixe a vida passar” e acima de tudo, “não se distraia com as coisas que roubam o seu tempo”.

É preciso parar as vezes, reavaliar nossas escolhas, e ver se não estamos gastando tempo a toa. Dinheiro algum e carreira alguma, valem a vida, os momentos simples, o tempo com quem amamos.

Por isso não viva distraído, aprenda a ver, a perceber e a escolher as coisas com sabedoria. Pois o tempo passa e corre o risco de você perceber isso apenas no final de sua caminhada, quando já for tarde demais.  

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BEBÊS GIGANTES

“O ser humano do futuro é um bebê gigante que envelhece com expectativas gigantescas dirigidas à sociedade. Porém, ele se recusa a assumir a responsabilidade” (GRÜM, 2014, p. 43, 44).

Não é à toa que ultimamente temos visto muitos seres humanos (ou desumanos) humilhando pessoas humildes, como se um desejo, ou uma vida abastada, lhes dessem o direito de rebaixar os outros. São bebês adultos, que continuam com a mesma mentalidade de uma criança. Acreditando que todos devem lhe servir, e o pior, da forma como eles bem entendem.

São muitas vezes estes que reclamam que não conseguiram realizar os seus sonhos por culpa de terceiros. Os culpados são sempre os outros, nunca são eles. Com isso, tais pessoas nunca mudam. Pois afinal, como sempre deixo claro aqui no blog, para mudarmos, precisamos primeiro assumirmos nossos erros.

Quem é maduro e principalmente adulto, entende as consequências dos seus atos. Ele se posiciona, corre atrás do que precisa e assume seus erros, em busca sempre de mudança.

Viver terceirizando a culpa, crendo estar sendo vítima de terceiros, é assumir entre linhas, o quão infantil é sua forma de pensar. É no final, crer que precisa ser servido, que todos lhe devem algo, que o mundo precisa ressarcir uma dívida de injustiça e descaso.

O mundo não é justo, e nem todos nascem em uma realidade privilegiada. Contudo, um ser humano realmente adulto, assume o comando de sua vida e faz o que pode ser feito com as condições que a vida lhe deu. Nem sempre nascemos nas mesmas condições, mas é possível lutar, e conseguir chegar em uma situação um pouco mais privilegiada do que antes. Basta assumir o controle e arregaçar as mangas.

Uma pessoa bem resolvida, sabe jogar com as cartas que a vida lhe deu. Não estou falando de ficar rico, e sim, de buscar ter uma vida melhor do que a vida que você tem hoje.

Ou você faz, ou se desfaz em uma vida marcada pelo lamento, escolha bem seu lado. É preferível lutar do que estagnar, reclamando da vida, como se todos lhe devessem algo.

BIBLIOGRAFIA

GRÜM, Anselm, Ser uma pessoa inteira, Editora Vozes, Petrópolis, 2014.

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A HABILIDADE DE NÃO DESANIMAR

A realidade de quem planeja algo e mergulha em um projeto, nem sempre é iluminada. Existem horas em que o dia parece cinza e tudo parece estar dando errado. E nada mais difícil, para quem empreende algo, do que ter que lidar com a frustração de ver seu projeto fracassar.

Hoje em dia não é tão difícil encontrar aulas e técnicas ensinando você a como ter foco, ser empreendedor e por aí vai. E apesar do discurso ter se banalizado, ele não é ruim. Principalmente porque, para sairmos do nosso comum, precisamos planejar e fazer. Se eu não tivesse planejado e tentado sair do ponto onde eu estava, estudando e me preparando para ser professor, provavelmente eu estaria fazendo a mesma coisa, sem ter aprendido mais, conhecido mais e muito menos saído do lugar. O que não ensinam, junto com estas técnicas, é lidar com a derrota, com o fracasso do projeto, pois o insucesso, mais dia ou menos dia acontece.

É fácil falar que os erros existem para que possamos aprender e tirar uma lição. E este conselho é verdadeiro, pois aprendemos muito com os nossos erros, mas nem sempre é tranquilo lidar com a situação. Principalmente quando gastamos tempo, dinheiro e fazemos escolhas, para que possamos colocar em prática os nossos planos. E escolher é perder, além de ser inevitável lamentarmos nossas escolhas, quando vemos um projeto fracassar.

As opções, o foco e a dedicação que usamos para empreender determinados planos, nos traz o sentimento de “e se eu tivesse escolhido outra coisa?”, “será que eu não perdi o meu tempo?”. Normalmente estas perguntas vem acompanhadas com um sentimento de incompetência.

Eu já fracassei muito, e aprendi que não desanimar é uma das grandes habilidades humanas. Pois o desânimo nos faz estacionarmos, largarmos tudo o que poderia ter dado algum fruto caso tivéssemos tido alguma persistência.

O fracasso normalmente diz respeito a um momento, e pode servir ou como fortificante, dando-nos assim a resiliência. Ou como um ponto de reflexão. Porque as vezes não vemos nossos planos de forma ampla, e nos enganamos, e o fracasso nos traz justamente este momento de reflexão e aprendizado. Desanimar é colocar em risco algo que pode frutificar, e acontecer em um período certo. Ou mesmo, com os ajustes necessários.

A habilidade de desanimar está intrinsecamente ligada a o quanto deixamos nossos erros nos abater, e esta é a questão. Por isso, fique triste, quando você tiver um insucesso, você pode até lamentar, fique tranquilo. Mas não se entregue. Pense em um novo começo e tente enxergar outras possibilidades, ou mesmo melhores ajustes para os seus planos e metas.

As vezes você não percebeu os outros caminhos e possibilidades, você viu apenas uma coisa, e ficou só naquilo. Amplie o seu conhecimento no assunto, e conheça todas as variantes, ao planejar seu empreendimento.

Outra atitude importante é ser honesto consigo mesmo, verifique se o fracasso não veio por conta de possíveis erros. Liste todos os erros e possibilidades de melhoras, procurando aperfeiçoar ainda mais o seu projeto. Muitas vezes o fracasso reflete só os pontos que precisamos alinhar.

A habilidade de não desanimar está intrinsecamente ligada à como lidamos com o fracasso. O erro e as dificuldades são ambivalentes, podem servir tanto como ânimo, quanto como desânimo. Servem como momentos de aprendizado ou de frustração. O que vai definir a questão é como você se posiciona.

Por isso não desista e use o fracasso como um aprendizado para que você consiga recomeçar de forma mais assertiva.

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OLHAR SELETIVO

Nossos olhos muitas vezes nos enganam, nem sempre vemos as coisas como elas realmente são. Mesmo tendo muita inteligência, acabamos por ver os acontecimentos munidos apenas de nossas razões. É inevitável e indissociável, nos separar de nossos pontos de vistas, conhecimentos e motivações, e isso nem sempre é bom.

Olhar o mundo, avaliar os acontecimentos é sempre dúbio, é quase sempre uma via de mão dupla. Nós vamos em alguns momentos depender das nossas percepções e de como enxergamos o mundo. Tudo e qualquer coisa sempre passa pelo nosso crivo e por nossas opiniões. Nem sempre temos um julgamento confiável.

Poderíamos dizer que temos uma infalível percepção distorcida, somos mestres em perceber o que bem queremos, e opinar sem ao menos nos colocarmos no lugar da pessoa. E em alguns casos, sem pesquisar e nos aprofundar no assunto. Cremos saber a todo o momento, e temos orgulho disso, mas somos sabotadores orgulhosos, gostamos de nos enganar, tudo para ser feliz ou para sermos aceitos.

Conheci gênios que se viam como fracassados e atribuíam o seu insucesso ao mundo ou a fatores externos ao seu controle. Buscavam uma oportunidade, mas não conseguiam, pois não se dirigiam a ela. Em contrapartida, durante a minha vida, conheci muitos motivados, que ao assumir o controle, buscavam suas oportunidades, estudavam e praticavam, a fim de chegarem em algum lugar.

Temos na maioria das vezes, um olhar seletivo. Percebemos apenas o que queremos ver, prestamos atenção apenas no que nos importa, e deixamos passar despercebido as coisas relevantes, momentos e aprendizados fundamentais para crescermos e nos desenvolvermos. Mas que não vemos, por conta do nosso olhar seletivo. Quem enxerga apenas o que quer ver, não vê tudo e deixa passar muita coisa.

É preciso aprender a ver, refletir a perceber as contradições. Não dá para se contentar apenas com o que queremos. É importante ir além, tentar e buscar o conhecimento e ver muito mais do que o nosso mundo comporta.

No final, o universo que criamos é o que define o nosso olhar, para vermos além, temos que nos posicionar de forma diferente, procurando ver muito mais do que acreditamos, transpondo o mundo que construímos, e que delimita o que pensamos.

A dica é ver, sem julgar, procurar entender, sem delimitar, entendendo que cada ser humano é um universo, com suas crenças, credos e anseios. Não resista as opiniões contrárias à sua. Procure entender, sem se armar, mesmo que aquilo vá de encontro ao que você acredita. Ao conhecer, você adentra em outro mundo, e por mais que você possa não acreditar, o simples conhecer, faz com que o seu olhar seja cada vez mais ampliado.

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O IMPERFEITO PERFECCIONISMO

“O perfeccionismo torna a pessoa cruel e desumana. Porque, por causa dos seus ideais, o perfeccionista não deve tolerar a fraqueza e a imperfeição. Assim, ele procura impor seus ideais com obstinação e brutalidade” (GRÜN, 2016, p. 52).

Conheci um excelente músico que estava se preparando para gravar o seu primeiro álbum. Ele gastava horas e horas em cima das composições e melodias, para que a sua obra saísse próxima da perfeição. Coisa que acabou nunca acontecendo, ele nunca lançou o CD, pois estava esperando as músicas ficarem perfeitas, ou seja, nunca ficariam prontas.

O perfeccionismo é o princípio mais perigoso que alguém pode seguir, seja para a espiritualidade cristã, para o trabalho ou mesmo os hobbies. Pois ser perfeito é impossível, é um padrão inatingível. O perfeccionismo nos paralisa, e acaba sendo o modo mais incoerente de se viver. O perfeccionista segue em direção a uma meta que nunca vai ser alcançada, terminando por estagnar, esperando chegar em um padrão inalcançável.

Quem segue o perfeccionismo é um impositor, que segue padrões absurdos e exige que todos também sigam. Na igreja, ele é aquele que tenta ser o mais santo, o que mais ora, o que mais lê a Bíblia e acaba exigindo que todos também sejam assim.

Em outras áreas, o perfeccionista é aquele que mergulha em algo, e como um tolo, não descansa até que aquela determinada atividade esteja em seu padrão, a questão é que na maioria dos casos, este padrão nunca vai chegar.

Não estou falando daqueles que procuram fazer o seu trabalho bem feito, e muito menos daqueles cristãos que tentam ter uma vida cristã centrada na palavra. Que estão sempre tentando ser melhores, orando mais ou estudando mais a Bíblia. E sim, daqueles que possuem um padrão exagerado, e exigem de si e de todos o máximo para que cheguem neste patamar impossível.

É preciso aprender a conviver com as imperfeições, assumir nossos defeitos e limitações, e depois, propor alvos mais palpáveis, sem exageros e idealizações. Ter o pé no chão é o melhor caminho para avançar, sem cultivar neuroses e doenças psíquicas.

Fui fã de um músico que não era dos melhores, ele tocava bem bateria, mas não era o mais rápido nem o mais técnico, contudo, ela tinha algo que me impressionava, suas linhas de bateria eram bem criativas. Ele me inspirou a ser criativo, enquanto eu buscava vencer minhas limitações técnicas, que eram muitas na época.

Quem foge do perfeccionismo, e cultiva objetivos equilibrados, metas e padrões coerentes, consegue empreender e conseguir, aos poucos, a melhoria e a evolução. É preciso ter os pés no chão e um dado momento aceitar que aquilo é o melhor que você pode fazer. Nem sempre dá para esperar chegarmos em um certo patamar. As vezes é melhor fazer o simples e bem feito, do que esperar para executar as coisas no modo mais perfeito.

Buscar o aperfeiçoamento e entender que a evolução é diária, é o caminho daqueles que são realistas e que estão com os dois pés no chão. É preciso ser honesto e saber ser prático, unindo a capacidade que você tem hoje com um pouquinho de engenhosidade.

Esta é a fórmula de quem faz, com as ferramentas e capacidades que possui no momento.

BIBLIOGRAFIA

GRÜN, Anselm, Ser uma pessoa inteira, Editora Vozes, Petrópolis, 2016.

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