CRISTO OU BARRABÁS?

A crise de ética que estamos vivendo não é nova. Basta uma olhada na história para percebermos como tal crise faz parte da vida humana. Homens desonestos são vistos como salvadores; manipuladores se colocam como vítimas da sociedade e quem vive honestamente é um estulto, aos olhos destes.

A política é algo importante, bons políticos conseguem construir uma sociedade com oportunidades, trabalho e paz, contudo, o oposto é igualmente verdadeiro. Políticos desonestos têm o poder de colocar tudo abaixo e dividir a população em uma polarização política que impede que as pessoas avaliem suas atitudes desonestas. No final, enquanto a sociedade discute política, os governantes, a elite política, fazem o que bem entendem.

A Bíblia também fala da confusa opinião da sociedade, ela nos mostra como o povo preferiu soltar Barrabás ao invés de Jesus, na festa onde o governador tinha por costume soltar um preso (Mateus 27:15-26).

Rienecker (2012) explica que Pilatos tinha a preferência em libertar Jesus Cristo. E como era Pessach, uma festa que celebrava a libertação de Israel do Egito, o governador costumava libertar algum criminoso. Mas entre os dois, Barrabás, um indivíduo que havia assassinado muitas pessoas em uma rebelião que ele liderou, foi o anistiado. E por mais que Jesus Cristo precisasse ser crucificado para que o plano de redenção de Deus acontecesse, este episódio mostra a manipulação proposta por muitos líderes.

Sobre o julgamento de Cristo, é interessante entender que ele acontecia no lado de fora da casa do governador. E Pilatos era a única pessoa com poder suficiente para resolver este embate, contudo, o evento revelou-se influenciado por outras pessoas, onde, por fim, ele abdicou do seu dever em prol dos líderes judeus (CARSON et al., 2009, p. 1416).

Perceba como a manipulação política não é uma técnica nova, ela é uma antiga arma usada por muitos imperadores e líderes desonestos, sendo que no caso de Jesus, foram os líderes religiosos e sacerdotes que manipularam a situação para conseguir influenciar e condenar Cristo (Mateus 27:20). Muitas pessoas já morreram em nome de regimes políticos vistos como salvadores, embora não fossem. O caos tem sido semeado em nome do bem há muito tempo.

Percebemos o mesmo acontecendo quando pensadores ou políticos cristãos se posicionam em nome de pautas genuínas, mas são condenados por influenciadores e jornalistas que manipulam a situação em nome de ideais políticos. Quando a militância ganha o centro da reflexão, a verdade pode ser manipulada. A verdade e o debate honesto precisam ser o princípio de tudo e não a militância política.

É possível perceber hoje como muitas pessoas ficam do lado do bandido, como se eles fossem vítimas da sociedade. E mesmo acreditando na restauração que o evangelho pode fazer, mediante a um crime, a lei precisa ser aplicada.

Quando leio esta passagem, costumo refletir sobre a sociedade e a manipulação que muitos políticos fazem. Em meio ao importante ano de eleição, precisamos ser sábios, fundamentados na palavra de Deus, sem permitir que ideologias políticas manipulem nossa opinião.

Escolha com sabedoria o seu candidato, avalie os seus valores e princípios, sem se deixar ser manipulado por palavras bonitas, mas sem conteúdo.

Bibliografia

CARSON, D. A.; FRANCE, R. T.; MOTYER, J. A.; WENHAM, G. J. Comentário bíblico Vida Nova. 1. ed. São Paulo: Vida Nova, 2009.

RIENECKER, Fritz. Evangelho de Mateus: Comentário Esperança. Curitiba: Editora Esperança, 2012.

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