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VIVENDO UM DIA DE CADA VEZ

“Não te inquietes com as coisas futuras; com efeito, se houver necessidade, tu as encararás de posse da mesma razão que agora empregas com os problemas atuais” (AURÉLIO, 2019, p. 80).

Por ter saído de casa cedo, aprendi a ser precavido, eu achava importante ter sempre um plano B, para não ser pego desprevenido, com isso, muitas vezes eu não percebia que em vários momentos eu pensava muito no amanhã, e pouco no hoje.

Não tem como prevermos todos os problemas, muitos obstáculos surgem de lugares que nunca imaginaríamos que iriam vir. A pandemia tem provado isso, estamos em uma situação inimaginável. E por ser impossível prever tudo, é preferível viver o hoje, aproveitar um dia de cada vez, do que gastar nossas energias tentando prever problemas que ainda não aconteceram e nem sabemos se vamos vivenciar.

Quem escreveu a frase do começo do texto foi Marco Aurélio, um governador romano que assumiu o trono em um período muito conturbado em seu tempo. Ele sabia muito bem o que era ter problemas, ter que resolver situações e embates, além de ter que tomar cuidado para não sofrer ataques. Não era fácil ter que promover a paz, em dias onde a calma estava em falta. A questão era que ele também sabia o quão desgastante seria ficar pensando em problemas o tempo todo.

Não estou falando para você não ser precavido, e sim que, não é saudável viver a toda hora tentando prever o caos que ainda nem aconteceu. A Bíblia diz: “Basta o dia o seu próprio mal” (Mateus 6:34), ou seja, viva um dia de cada vez, não antecipe problemas.

A vida é imprevisível, viver é entender que não controlamos nada. E por mais que podemos ser precavidos, cultivarmos o hábito de termos uma reserva de emergência. Ter uma profissão, e estar sempre atualizados, para caso tenhamos a necessidade de nos recolocarmos no mercado de trabalho de forma mais rápida. Precisamos entender a nossa total falta de controle, e a impossibilidade de antevermos possíveis males que podem nos alcançar.

Confiar em Deus não é só uma atitude cristã, mas uma necessidade, é um ato urgente, já que, em hipótese alguma, conseguimos prenunciar as coisas que acontecem conosco.

Não quero te assustar, e nem deixar você desmotivado e sim, incentivar você a viver o seu hoje, curtir o seu tempo com calma, vivendo um dia de cada vez e confiando em Deus, para quando os dias cinzas chegarem, você possa dar um passo mais coerente.

Pense no problema na hora certa, no momento que ele chegar, enquanto ele não existe, desfrute do seu dia da forma como Deus deu a você. Se preocupar com o problema que não existe, é antecipar preocupações e deixar de viver o dia que Deus te deu agora.

BIBLIOGRAFIA

AURÉLIO, Marco, Meditações, Editora Edipro, São Paulo, 2019.

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AUTOCONTROLE

“A visão que você tem de si mesmo, de sua confiança, autoestima, senso de propósito, e a consciência da forma como tende a reagir a situações, oferecem a base do autocontrole, isto é, da capacidade de permanecer flexível e se comportar de modo positivo e eficaz, apropriado à situação em que você se encontra” (WALTON, 2016, p. 63)

Infelizmente existem muitos estudiosos que passam horas estudando e se preparando para o seu trabalho, ou mesmo para a vida, mas que não conhecem a si mesmos.

Não sabem onde estão os seus medos, quais os seus defeitos e qualidades. Muito menos sabem o que os deixam tristes, com raiva ou inseguros, e assim acabam seguindo inflexíveis e autocentrados.

Para que uma mudança possa acontecer, precisamos aceitar nossos defeitos, entender nossas qualidades e saber bem o que nos atinge. Seguir cego, alheio a nós mesmos é seguir rumo a infelicidade.

Eu mudei e tenho buscado mudar ainda mais, por ter aprendido a aceitar os meus defeitos, é só quando reconhecemos nossas falhas que mudamos. Eu também aprendi a viver uma vida um pouco mais leve, quando pontuei bem o que me atinge. Desde então, tenho buscado acertar e entender certas coisas e também a buscar ferramentas para melhorar em outras áreas da minha vida. Em contra partida, aprendi a conhecer minhas qualidades, com o intuito de não desanimar e também para aprender a lidar com tais capacidades de forma assertiva.

O autocontrole vem apenas para quem sabe bem quem é, quem pontua seus defeitos e qualidades. Não tem como controlar algo que não conhecemos. É impossível melhorar sem sabermos quem realmente somos.

Nossas atitudes dependerão muito de como compreendemos quem somos e do quanto buscamos ajuda para crescer e aprender ainda mais.

Não se engane, o homem está fadado a não se perceber, a agir tão no automático, que você vai seguir sem entender quem é, se contradizendo dia após dia.

Por isso pare, aprenda a se ouvir e a confessar de forma humilde todos os seus equívocos e qualidades. Não somos perfeitos, isso sabemos muito bem, a questão é que ao não assumimos nossas imperfeições. Acabaremos por falar de uma forma e agir de outra.

A visão que temos de nós determina muita coisa, define quem você é e o que você pode ser para seguir em busca da mudança. 

BIBLIOGRAFIA

WALTON, David, Inteligência emocional: um guia prático, L & PM Editores, Porto Alegre, 2016

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LIÇÕES QUE EU APRENDI COM A PANDEMIA

A inteligência humana pode ser medida com o quanto conseguimos aprender com as dificuldades. É inevitável passarmos por problemas, não temos como fugir, mas é possível aprender e crescer ainda mais quando descobrimos como encarar as dificuldades. Eu mesmo, tirei muitas lições, divido com vocês algumas delas, e espero que de alguma maneira elas sejam úteis neste momento tão complicado.

A primeira lição é que no fundo, não controlamos nada. O status, o dinheiro ou as aparências são passageiras, mudam conforme a vida vai seguindo. A coisa mais certa que podemos ter é que a vida é imprevisível, eis toda a certeza.

Por isso, solte este falso controle, ou esta sensação de que está tudo em suas mãos, e aprenda a seguir mais leve, confiando e colocando a sua fé apenas em Deus. Por mais que algumas coisas estejam em nossas mãos, no fundo, o inevitável é o mais certo, com isso, relaxar é mais benéfico, do que seguir como se você controlasse o seu barco.

A segunda é que precisamos aprender a não nos preocuparmos com o que não temos controle. Não adianta esquentar a cabeça pensando nas inúmeras catástrofes que uma pandemia pode trazer, se neste exato momento, você ainda não sofreu algum revés por conta deste caos.

Uma coisa é se preparar, se informar, é ter uma reserva financeira guardada, para caso você sofra algum problema, outra coisa é se desesperar sem motivo algum. Não antecipe problemas, se nada aconteceu, relaxe e confie em Deus.

A terceira lição é aceitar o momento presente, este é o ponto de partida para conseguirmos ir em direção do aprendizado e da mudança. É aceitando o sofrimento, as dificuldades e os problemas, que olhamos em volta, e procuramos o caminho para a solução.

É inevitável passarmos pelo sofrimento, sofrer é coisa da vida, mas é possível cultivar ainda mais problemas ao não aceitarmos certas situações. A negação duplica ainda mais as dificuldades, a aceitação abre uma porta para o novo, para a solução ou para a adaptação.

Em plena pandemia eu percebi que muita coisa ruiu. Algumas por não terem estruturas, outras por opção de alguém que não soube esperar, entender o momento e refletir. Não é fácil passar por problemas, não existe receita, embora que a própria situação possa nos ensinar.

Passei pela pandemia de forma tranquila, tentei ao máximo não me preocupar com o que não estava em meu controle, prezando mais pela minha sanidade.

Nem sempre é possível termos o plano B, as vezes algumas situações nos mostram que o melhor é descansar, e buscar em Deus o refrigério e o consolo.

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LIÇÕES QUE VOCÊ PODE APRENDER EM UMA LIVRARIA

Eu sempre vou em livrarias, seja para matar tempo, quando chego cedo em um compromisso ou para pesquisar boas obras. Entretanto, uma coisa que eu aprendi, depois de frequentar muito estes locais, é que se você entrar com pressa em uma livraria, você não vai enxergar nada.

Ir em uma destas lojas, para quem gosta de ler, é um prazer inexplicável. Eu mesmo gosto muito de comprar livros, por isso, algumas vezes eu passo horas pesquisando livros, autores e obras em livrarias ou sebos, que é como nós chamamos as lojas de livros usados aqui na minha cidade. Uma livraria tem muito a nos ensinar, o próprio ato de frequentar e procurar um autor em um destes locais, já são lições importantes, como vamos ver.

A primeira lição são os detalhes. Pois o excesso de coisas nos impede de vermos os pontos importantes. Quando você vai em uma loja de livros, ao olhar a estante abarrotada de volumes, você vê tudo e ao mesmo tempo nada. São tantos livros, tantos autores, que no final, é preciso muita atenção para conseguir olhar as obras e encontrar os temas que mais gostamos. Por conta da grande quantidade de temas, se não ficarmos atentos, podemos deixar de ver aquele autor fundamental, ou o material que gostamos muito. Olhar com atenção, verificar o nome dos autores e prestar atenção em todos os detalhes é a única forma de encontrar aquele material que vai fazer diferença em nossa vida.

Diante de tantas opções que o mundo nos dá, ou dos muitos estímulos e escolhas que temos. Podemos ficar perdidos e não percebermos as coisas que realmente valem a pena. A vida passa muito rápido, e por causa da correria, algumas vezes não vemos o que é essencial. Para aproveitarmos, precisamos aprender a ver, perceber os detalhes e nuances para assim identificar o que é importante.

O segundo ponto é ter conhecimento. São tantas coisas que o mundo oferece, que quando não conhecemos, podemos nos deixar levar por ensinos errados, que aparentemente podem parecer importantes, mas não são.

Assim como na loja de livros, onde precisamos conhecer os bons autores, é também na vida. Quando não conhecemos, deixamos nos levar por tudo e qualquer coisa. Nos impressionamos com qualquer capa, qualquer aparência, e depois quebramos a cara com o conteúdo. Se não prestarmos atenção e em meio a tanta coisa, não nos concentrarmos em todos os detalhes, nos deixaremos ser levados por ensinos e conceitos contraditórios e falhos.

O último ponto são os critérios. É preciso ter critérios para escolher, e critérios são construídos através do conhecimento, da informação e reflexão. Quem não tem critério, escolhe qualquer coisa, e acaba pecando pelo excesso e pela falta de conteúdo. Não adianta termos um monte de coisas que não nos acrescentarão em nada. Quem tem critérios, sabe o que quer, e pensa antes de escolher, buscando sempre a qualidade ao invés da quantidade.

Pior do que não ler, é ler qualquer coisa, é não aprender a refletir, e muito menos a mergulhar no conteúdo e aprender. É possível extrair lições de praticamente tudo, basta saber se posicionar e enxergar durante a leitura a lição escondida.

Gosto de olhar para a minha estante de livros e ver não só bons autores teológicos, filosóficos ou de entretenimento, e sim, de materiais que acrescentam e me auxiliam. Ter por ter, ou ler por ler é viver no automático, sem ter lições para a nossa caminhada.

A vida é muito curta para deixarmos de aprender e perceber verdadeiros universos, que só não são notados, por causa da nossa total falta de conhecimento.

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MONÓLOGOS

“A grande maioria de nós não é capaz de escutar; sentimo-nos obrigados a julgar, pois escutar é muito perigoso” (PETERSON, 2018, p. 256).

Perceba como em uma boa parte das conversas informais, o padrão é sempre o mesmo, não muda, poucos ouvem, apenas fingem ouvir, esperando apenas a sua vez de falar, e muitos falam (e como falam). Com isso, algumas reuniões são verdadeiros caos de sons, vozes e assuntos, enquanto nada está sendo ouvido. O contraditório é que as pessoas querem ser ouvidas, o problema é que elas ouvem pouco.

Quando estou reunido com amigos conversando e sou cortado quando falo, normalmente eu não retomo o assunto, a não ser que a pessoa peça, sendo que em muitas ocasiões, a minha fala fica incompleta e a pessoa nem percebem isso.  Caso estivessem realmente ouvindo, elas iriam perceber e querer ouvir a conclusão, pelo menos por educação, mas a maioria nem se atina, preferem muito mais falar do que ouvir. Este é um dos grandes males do nosso século, queremos ser ouvidos, mas não queremos ouvir.

Ouvi um psicólogo pseudointelectual falando um tempo atrás que, se ninguém te ouve, é porque o assunto não é interessante. Concordo que ninguém tem a obrigação de nos ouvir, mas em uma conversa, por respeito a pessoa, precisamos ouvir, diálogo é isso, não se trata de assuntos interessantes, e sim, de valorizar um ser humano ou o seu amigo, que fala, pensa, sonha e tem os seus ideais e pontos de vista. A vida não é feita somente do quanto alguém nos é útil, do quanto eu posso ganhar ouvindo alguém. E sim de respeito, diálogo e troca de informação. Ninguém é tão pequeno que não merece ser ouvido, e muito menos é tão grande, que merece prioridade em sua fala.

Outro problema na fala deste cidadão é a palavra interessante. Nem sempre com quem conversamos temos os mesmos interesses, as vezes o que eu falo com uma pessoa, a outra não se interessa e vice-versa. É evidente que alguns não sabem conversar, que não possuem assunto, contudo, cada um tem a sua área de interesse, nem sempre o que uma pessoa gosta, o outro aprecia.

O problema em ouvir o outro é que quando ouvimos, entramos no mundo de alguém, participamos do seu particular. Intimidade só busca quem quer ser amigo e quer se envolver realmente com uma pessoa. É muito mais fácil criticar, pois se envolver é complicado, quem critica, na maioria das vezes está longe, falando de outro ponto de observação, em uma situação bem mais confortável. Agora quem ouve, já se envolve, descobre detalhes, cria intimidade.

Na vida as vezes precisamos enfrentar monólogos, lidar com pessoas que acreditam que conversar é falar, é ouvir pouco, e que o diálogo consiste apenas de coisas que lhe interessam. Faz parte da vida, nem sempre uma pessoa tem a visão do todo, alguns seguem ensimesmados.

A arte do diálogo começa com humildade e respeito, crendo que cada um tem seus anseios e áreas de interesse. Não podemos obrigar alguém a entender o que nós entendemos, mas podemos aprender a ouvir, para pelo menos o outro também tenha voz.

BIBLIOGRAFIA

PETERSON, Jordan. B, 12 regras para a vida: Um antídoto para o caos, Alta Books Editora, Rio de Janeiro, 2018.

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