DESAFIOS DA ESPIRITUALIDADE CRISTÃ X: HÁBITOS FORMADORES

O ser humano é um indivíduo de hábitos e ritos, sendo que, na maioria das vezes, são eles que guiam as pessoas e proporcionam a elas uma vida equilibrada. Embora da mesma forma, são os hábitos ruins que sabotam a vida de todos os seres humanos. Os hábitos estão no cerne da vida de todas as pessoas e podem ser tanto âncoras quanto estradas para o crescimento.

Quando falamos de hábitos, discorremos sobre um sistema que envolve práticas diárias, sendo também uma forma de compreender as pessoas e a nós. São os bons hábitos que nos ajudam. Charles Duhigg nos ensina que:

““Toda a nossa vida, na medida em que tem forma definida, não é nada além de uma massa de hábitos”, escreveu William James em 1892. A maioria das escolhas que fazemos a cada dia pode parecer fruto de decisões tomadas com bastante consideração, porém não é. Elas São hábitos” (DUHIGG, 2012, p. 13–14).

Como cristão, tal ensinamento se torna essencial para avaliarmos a nossa vida e verificarmos quantos hábitos estão nos ajudando a seguir uma vida cristã centrada e quantos estão nos separando de Deus. É fácil transformarmos em hábitos práticas sem qualquer valor, sem percebermos como são venenos para a nossa vida. Desde hábitos alimentares ou a falta daqueles hábitos importantes para a nossa vida espiritual, como orar e ler a Bíblia.

Sem contar que muitos cristãos transformam o culto em uma prática mecânica e vão à igreja por hábito, se esquecendo de que o culto é um momento para adorarmos aquele que nos salvou ou sermos confrontados e ensinados pela palavra de Deus e a comunhão com os irmãos. No final, muitos seguem a Cristo, mas não possuem a vida transformada por não perceberem que transformaram um momento importante em uma mera formalidade.

Cuidado para não transformar em hábito um momento que precisa ser consciente, um culto racional e intencional, um tempo em que a mente e motivação precisam estar envolvidos. James Smith nos ensina que:

“Os hábitos que adquirimos moldam nossa percepção do mundo, o que por sua vez nos dispõe a agir de determinadas formas” (SMITH, 2017, p. 60).

São os nossos hábitos que nos movimentam e calibram a nossa visão de mundo. Por isso, ficar atento aos hábitos ruins e bons é uma ótima forma de ajustarmos a nossa percepção e buscarmos cultivar práticas coerentes e centradas. São estes os hábitos formadores que vão agregar pontos positivos em nossa vida cristã.

James Smith (2017) nos ensina que as boas virtudes são obtidas por meio da imitação e da prática. É como se as pessoas tivessem músculos morais que precisassem ser exercitados. E se o ser humano é o que ama, e o amor é uma espécie de hábito, como o autor coloca em seu livro, por consequência, o verdadeiro discipulado cristão é buscar reformular todos os nossos hábitos e amores.

O hábito é uma ação formadora, que molda quem somos e nos ajuda a transformar em prática ações que são essenciais, basta termos consciência e buscarmos agir intencionalmente.

Aprender a construir hábitos que agregam em nossa vida espiritual, lutando contra a preguiça e as práticas que oferecem prazeres imediatos, mas consequências perigosas, é o primeiro passo para sermos cristãos relevantes.

À vista disso, reavalie a sua vida e os seus hábitos, identifique aquelas práticas que influenciam o seu pensamento e as suas atitudes e busque mudar, partindo do evangelho. Construa hábitos intencionais que ajudem você na sua caminhada cristã.

Bibliografia

SMITH, James K. A. Você é aquilo que ama: O poder espiritual do hábito. São Paulo: Vida Nova, 2017.

DUHIGG, Charles. O poder do hábito: Por que fazemos o que fazemos na vida e nos negócios. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012.

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