Tive um amigo que era muito autoconfiante, ele acreditava que conseguia realizar qualquer projeto ou sonho que tinha em mente, julgava ser muito inteligente e habilidoso em tudo. Em contrapartida, conheci alguém bem oposto a ele, uma pessoa que se via como incapaz e inferior e, por causa disso, acabava por não tentar fazer nada, visto que, antes de tentar, a sua mente já insistia em se autossabotar. A partir da visão negativa que tinha de si, ele acreditava que o seu plano não iria dar certo. As suas ideias eram ótimas, mas a sua mente não permitia que ele colocasse seus planos em ação.
A minha maior alegria foi ser um pouco mais racional, nunca acreditei ser um gênio e muito menos alguém ousado, acostumado a riscos, mas também nunca deixei de tentar. Aprendi muito errando e sempre busquei tentar fazer. É como o ditado diz: “o não nós já temos, então não custa tentar”.
Assim sendo, ao longo da minha vida, entendi que o feito é melhor do que o não feito. Buscar tirar os planos do papel e colocar em prática nossos projetos é bem melhor do que seguir somente sonhando, mesmo que no meio do caminho fosse preciso lidar com algum fracasso.
Nem sempre somos o que pensamos ser, algumas das opiniões e visões que temos de nós são apenas definições que podem estar erradas. E se avaliarmos ambos os exemplos de amigos que apresentei, perceberemos como existe um perigo tanto na autoconfiança excessiva, onde podemos cometer erros desnecessários, que poderiam ser evitados, quanto na falta desta autoconfiança, deixando de tentar planejar, aprender e colocar em prática algum projeto. Augusto Cury complementa e nos explica que:
“Tudo o que pensamos a nosso respeito não é a realidade essencial do que somos, mas um sistema de interpretação que tenta nos definir, nos conceituar, nos entender” (2006, p. 35).
A forma como pensamos sobre nós pode nos derrubar ou nos exaltar demais. Pode asfixiar a nossa existência ou nos libertar. Cabe a nós encontrarmos o caminho equilibrado.
Muitos que são intelectualmente capazes, têm muita experiência e capacidade de executar inúmeras coisas, estão estagnados pela visão errada de si. Outros são verdadeiros ignorantes, seguem cheios de certeza, mas constroem o caos pela falta de uma reflexão coesa e centrada.
A dica que dou, em primeiro lugar, a quem se sente inferior, é buscar ajuda. Conheça ferramentas de autoconhecimento, ou livros e profissionais que possam ajudar você a construir uma visão centrada de quem você é. E certamente, entenda que sempre podemos melhorar com muito estudo e o auxílio de especialistas no assunto.
E para você que se acha alguém de alta conta, a dica é semelhante. Tome cuidado com a visão que você tem de si, aprenda com os seus erros, busque ter um pouco de cuidado. A visão exagerada que temos de nós também é perigosa e nos leva a agir com displicência. Entenda que é impossível sermos bons em tudo, na verdade, temos domínio de poucas áreas e assuntos, em vista disso, aprenda a ser cauteloso e dosar a sua autoconfiança. Refletir com cuidado e se autoavaliar é o melhor caminho, ao invés de seguir a sua autoconfiança sem qualquer cuidado.
Você pode ser tanto um sabotador dos seus planos, projetos e de quem você realmente é, quanto idealizador. Os dois caminhos são igualmente complicados, a busca por equilíbrio e entender quem realmente somos é a melhor forma de conseguirmos seguir com um pouco mais de coerência.
Busque o autoconhecimento e, assim, agir com equilíbrio, administrando os pensamentos sabotadores que impedem você de aprender, avançar e colocar em prática seus projetos.
Bibliografia
CURY, Augusto. Os segredos do Pai-Nosso: A solidão de Deus. Rio de Janeiro: Sextante, 2006.
