O erro é sutil, uma vez que ele entra na rotina das pessoas de um modo imperceptível e segue mudando a vida e os valores dos indivíduos. Sendo que tudo começa com um sonho ou ambição, para se tornar, com o tempo, a corrente do pecado que aprisiona alguém.
Liev Tolstói (2021) escreveu um conto chamado De quanto terra precisa um homem? Onde ele discorre justamente sobre isso. A história começa com a conversa entre duas irmãs, uma que morava no interior e outra na cidade. E a irmã que morava no interior gostava da sua vida simples, longe das preocupações e ansiedades da cidade. Mas a irmã da cidade desdenhava da irmã e do seu estilo de vida.
Todavia, no decorrer da história, o seu marido, Pahom, após vangloriar-se a irmã orgulhosa da cidade por seu estilo de vida simples, é capturado pela ambição e a vida deles muda consideravelmente. Sendo que a sua fala a esta arrogante cunhada da cidade foi:
“Ocupados como somos lavrando a Mãe Terra, nós, camponeses, não temos tempo para pensar em bobagens e futilidades. Nosso único problema é que não temos terra suficiente. Se eu tivesse bastante terra, não teria medo nem do Diabo em pessoa!” (2021, p. 69).
Foi com esta frase um tanto quanto soberba que o inimigo lançou uma semente em seu coração e mudou a vida deste casal do interior. A Bíblia diz que o ser humano é tentado por seu pendor para o mal (Tiago 1:13-14), por sua própria concupiscência. O inimigo toca nos pontos falhos do cristão para o distanciar de Deus. Se ele não tomar cuidado, pode cair em alguma perversa cilada do maligno.
No final, Pahom segue uma desenfreada busca por condições para conseguir comprar um lugar maior, na medida em que este objetivo, além de roubar a sua paz, se torna o centro da sua vida. Este personagem perde a sua vida devido à ganância que o guiou até a perdição. Provérbios diz:
“Não esgote suas forças tentando ficar rico; tenha bom senso!” (Provérbios 23:4) (NVI).
E foi justamente o que este personagem fez, ele esgotou todas as suas forças até morrer em nome do dinheiro, prejudicando a família e a sua vida, que já era boa. Esta história nos ensina como é fácil invertermos as nossas prioridades e estragarmos a bela vida que Deus nos deu. Não precisamos de tudo, sendo que tudo o que toma o lugar de Deus, não compensa, é tempo perdido.
Paulo nos ensina que a fonte de todos os males é o amor ao dinheiro, e ele continua explicando que muitos se desviaram da fé, por justamente amarem este vil metal, sendo que este amor trouxe sofrimentos e inúmeros tormentos na vida deles (1 Timóteo 6:10). A explicação de Paulo é muito semelhante ao conto escrito por Liev Tolstói, nos dando um aviso muito importante: cuidado onde você deposita a sua confiança.
Warren Wiersbe (2006) esclarece que Paulo enfatiza como o desejo por ter dinheiro pode conduzir um cristão ao pecado, uma vez que a felicidade passa a ser medida a partir da condição financeira. E este é um grande erro do amor às riquezas. Warren Wiersbe explica que:
“Mas as riquezas são uma armadilha; conduzem à escravidão, não à liberdade. Em vez de saciar, as riquezas criam outras concupiscências (desejos) a serem satisfeitos” (2006, p. 306).
E não existe problema algum em buscar ter mais condições ou tentar empreender e ter sucesso em um projeto. O ponto complicado é quando as riquezas acabam sendo o principal norte de um indivíduo, escravizando-o a este vil metal.
A história de Liev Tolstói descreve justamente a realidade de alguém que colocou a busca por dinheiro no centro de sua vida. O dinheiro virou um ídolo que o acorrentou à ganância e ceifou a sua vida.
Busque ser um ótimo profissional, cuide da sua carreira e coloque nas mãos de Deus os seus planos de ganhar mais, de empreender e ter mais condições. Só não se perca no processo ao ponto de colocar o seu coração e felicidade nas riquezas.
Deus precisa ser o centro de tudo e o resto são consequências!
Bibliografia
TOLSTÓI, Liev. De quanta terra precisa um homem? e outras histórias. Jandira: Principis, 2021.
WIERSBE, Warren W. Comentário bíblico expositivo: Novo Testamento volume II. Santo André: Geográfica Editora, 2006.
