TRIBUNAL INTERIOR

O ser humano é alguém que julga e também é julgado com uma facilidade muito grande. O julgamento é tão inevitável que interiormente sempre existe uma opinião ou um julgamento guardado, pronto para ser utilizado, contudo, nem sempre é fácil ser cobrado ou julgado, apesar da facilidade que o homem tem em julgar.

Existem, inclusive, aqueles que se abalam muito com as opiniões e cobranças das pessoas. É como se o julgamento atingisse o seu âmago e provocasse feridas emocionais. Ricardo Barbosa de Sousa (2016) explica que o grande ponto sobre julgamentos é que ele, na verdade, é alimentado pela cobrança interior que muitas pessoas possuem. Para alguns indivíduos que afirmam que não gostam de cobranças, na verdade o que eles possuem é uma espécie de dívida interna, é por isso que ser cobrado, para estes, é algo tão complicado. Ricardo Barbosa complementa:

“O problema não está na “cobrança”, seja dos outros ou própria, mas na maneira como a pessoa reage quando sente-se endividada. Provavelmente, essa cobrança desperta na pessoa algum sentimento de dívida” (Sousa, 2016, p. 66).

É certo que a maioria das cobranças internas que muitos sentem são frutos deste sentimento de dívida. No final, o verdadeiro tribunal não é exterior, mas interior, ele está dentro destas pessoas que precisam ser aceitas, compreendidas, perdoadas e amadas (Sousa, 2016).

O modo como reagimos a uma crítica deveria ligar uma luz de alerta em nossa mente, nos levando a refletir sobre o porquê ela nos ofende. É claro que nem sempre é fácil ouvir críticas ou mesmo opiniões contrárias, mas elas não deveriam nos ferir ou nos incomodar. É possível que essas cobranças interiores estejam amplificando o problema, por conta do sentimento de dívida.

Se temos um tribunal interior que nos condena, temos muitos problemas que precisam ser resolvidos, sendo que nem sempre o ser humano percebe, justamente porque ele não se conhece por inteiro. O autoconhecimento é sempre um grande desafio. É por isso que gosto muito do ensinamento sobre graça. Paulo nos ensina que:

“Portanto, você, meu filho, fortifique-se na graça que há em Cristo Jesus” (2 Timóteo 2:1) (NVI).

É a graça divina que nos ajudará a enfrentar estes tribunais. O conceito nos ajuda a entender que mérito humano algum tem o poder de ajudá-lo a se salvar, ninguém tem esta habilidade, visto que somos todos pecadores. É por conta disso que a graça nos faz humildes e combate a nossa arrogância, mas ela também nos dá força para combater as acusações do nosso tribunal interior.

O apóstolo Paulo nos ensina a fortalecer o homem interior, para que este cristão tenha forças suficientes para enfrentar as batalhas externas, cumprindo o seu propósito no mundo (Champlin, 2014). Tudo começa em nós, por isso, precisamos buscar a graça de Cristo e permitir que ela fortaleça a nossa vida.

Tudo o que temos e somos devemos a Deus, por isso a arrogância é contraditória, já que não temos mérito algum e de igual forma é a cobrança interior e o sentimento de dívida, nós devemos tudo somente a Deus, sem ele estaríamos perdidos. E este posicionamento precisa nos levar a descansar na graça do nosso eterno pai. É esta graça divina que nos dará forças e nos preparará para enfrentar as intempéries do mundo.

Enfrente este tribunal interior com a graça divina, com a força que Deus nos dá. busque Nele a cura, entendendo que no final tudo é fruto da graça de Deus, ninguém é merecedor de coisa alguma.

Bibliografia

CHAMPLIN, R. N. O Novo Testamento interpretado versículo por versículo: Volume 5. São Paulo: Hagnos, 2014.

SOUSA, Ricardo Barbosa de. Pensamentos transformados, emoções redimidas. Viçosa: Ultimato, 2016.

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