Não é raro encontrarmos cristãos e igrejas insistindo em viver em suas bolhas, alheios a tudo e a todos. A parte contraditória destes cristãos é que a vida cristã egoísta, que não olha e muito menos ajuda o outro, é discordante com o ensino bíblico, já que a palavra de Deus nos ensina algumas importantes características do amor (1 Coríntios 13:4-5).
No livro Instrução no amor cristão, Martin Bucer (2023) ensina justamente sobre os princípios bíblicos da verdadeira conversão, enfatizando como a verdadeira fé traz resultados práticos na vida do próximo (João 13:5-15, 15:1-14). E Bucer complementa, explicando que:
“Tudo isso deixa claro que ninguém deve viver para si mesmo, pois Deus criou todas as coisas para poderem contribuir não para seu próprio bem, mas sim, o bem de outros, e para poderem ser instrumentos e evidência da bondade divina, que todas as coisas devem expressar e espalhar” (BUCER, 2023, p. 51).
O serviço cristão, a ação de ajudarmos no bem-estar do próximo, revela, através das nossas atitudes, a bondade divina. E servir é um exemplo que a Bíblia e Cristo nos dão lá no lava-pés (João 13:1-17). Paulo complementa nos ensinando que:
“Ninguém deve buscar o seu próprio bem, mas sim o dos outros” (1 Coríntios 10:24) (NVI).
O evangelho solitário é contraditório, ser cristão é estar em comunidade, servindo e ajudando uns aos outros. Bruce Winter explica que, em Corinto, as práticas beneficentes e toda a organização de patronagem não existiam para auxiliar o próximo. Na verdade, serviam apenas como uma promoção pessoal, sendo que fazer o bem aos outros eram ações que ficavam em segundo plano. Entretanto, a ética cristã entende que ajudar o próximo e fazer o bem precisa estar em primeiro plano e não a promoção pessoal (CARSON et al., 2012). Estava em falta em Corinto e também em nossos dias, a mentalidade cristã de serviço, o hedonismo imperava e é por isso que o apóstolo Paulo enfatiza a importância de auxiliar uns aos outros. Uma lição que é muito atual.
Amar o próximo e buscar o bem dele deve ser uma prioridade para a vida cristã. O egoísmo ou o evangelho autocentrado não é bíblico. A mensagem pode ser pregada por meio de nossas ações e atitudes, visto que a verdadeira fé nos leva a olhar o nosso semelhante com os olhos de serviço e ajuda.
O livro caminha nesta direção e dá uma relevante base bíblica para a vida de amor e serviço. E Martin Bucer (2023) conclui nos relembrando da ordem divina de servirmos uns aos outros. Precisamos viver para servir o próximo de todo o coração. Sendo que a maior praga que infesta os corações das pessoas, hoje em dia, é justamente a busca incessante pela felicidade a qualquer custo. Novamente, Martin Bucer complementa:
“Uma vez que a fé verdadeira certamente produz o amor verdadeiro que nos faz transbordar em boas obras ao nosso próximo e viver não para nós mesmos, mas para a glória eterna de Deus” (BUCER, 2023, p. 94).
A verdadeira fé nos desafia a olharmos além de nós e servirmos às pessoas, como Jesus serviu. O egoísmo e o hedonismo são contraditórios e entram em conflito com o exemplo que Cristo deu a nós, sendo que o mesmo amor que nos alcançou nos leva a amarmos e servirmos aos outros.
A fé, o amor e o serviço estão intrinsecamente interligados, por isso o cristianismo solitário é contraditório, sendo ele uma marca da nossa geração hedonista. A verdadeira fé nos une e nos leva a transbordar na vida do próximo o cuidado e o apoio.
Bibliografia
BUCER, Martin. Instrução no amor Cristão. São Paulo: Vida Nova, 2023.
CARSON, D. A.; FRANCE, R. T.; MOTYER, J. A.; WENHAM, G. J. Comentário bíblico Vida Nova. 1. ed. São Paulo: Vida Nova, 2012.
WINTER, Bruce. In: CARSON, D. A.; FRANCE, R. T.; MOTYER, J. A.; WENHAM, G. J. Comentário bíblico Vida Nova. 1. ed. São Paulo: Vida Nova, 2012.
