O cristão vive em sociedade, com isso, ele precisa exercer o seu papel de cidadão. E, devido a isso, não é incomum presenciarmos a igreja se dividindo por conta de opiniões políticas conflitantes. Em ano de eleição, estes embates aumentam significativamente.
A Bíblia mostra muitos servos de Deus que decidiram servir na esfera pública, sendo assim relevantes em seu tempo. Ester e Mardoqueu são dois bons exemplos, uma vez que eles se posicionaram quando descobriram que Hamã queria acabar com os judeus (Ester 3.7-8). José do Egito é outro ótimo exemplo de alguém que era temente a Deus, e foi governador em um complicado período de fome no Egito. Franklin Ferreira explica que:
“O político cristão deve ter capacidade e coragem para criticar a cultura, questionando suas motivações, mensagens e propostas” (2016, p. 45).
Precisamos ser cidadãos atuantes, que se posicionam contra as injustiças e equívocos que a cultura e a sociedade colocam. Não podemos nos calar quando vemos o engano dar direção e impor as suas regras. E a nossa ideologia política não pode nos impedir de nos posicionar e exigir justiça.
O apóstolo Paulo nos ensina que toda e qualquer autoridade provém de Deus, por isso, obedecer é indispensável (Romanos 13.1-7). Um bom governo estabelece um ambiente de paz e justiça, contudo, a passagem se refere a autoridades legítimas e justas, como Franklin Ferreira (2016) coloca. A Bíblia não está nos ensinando a sermos omissos e aceitarmos governos totalitários e autoritários, mas bons governos. Como obedecemos somente a Deus e não a seres humanos injustos e muitas vezes corruptos, gananciosos pelo poder, se posicionar contra e não seguir tais líderes, deve ser a nossa prioridade (Atos 4.19; 5.29). Franklin Ferreira nos ensina que:
“Quando as duas ordens colidem, o cristão tem a liberdade de fazer uma escolha, e esta deve ser feita com rapidez e sem hesitação: ficar do lado de Deus, em vez de obedecer às autoridades, quando estas não estão cumprindo seu chamado” (FERREIRA, 2016, p. 77).
O cristianismo neste período não estava sendo perseguido, como foi alguns anos depois, ao recusar o culto ao imperador e muitos costumes incoerentes da sociedade da época. Com isso, em um contexto de paz, os cristãos precisam cumprir com os seus deveres e obedecer às autoridades. Mas quando são desafiados a seguir um costume cultural que vai de encontro com o evangelho, certamente, é a Deus que os cristãos precisam obedecer.
Diante disso, percebemos como um dos papéis dos cristãos é se posicionar a favor da justiça e da vida, rejeitando governos injustos, autoritários e totalitários. Tudo começa com boas escolhas; por isso, é importante pesquisar bons políticos, escolhendo não a partir de ideologias políticas, mas da verdadeira intenção que estes indivíduos têm. E, caso estes cometam atos injustos, é importante se posicionar contra.
Franklin Ferreira (2016) enfatiza o quão é importante pesquisar o histórico do candidato, buscando assim entender suas realizações, propostas e valores. É essencial acompanhar suas propostas, verificando se são aceitáveis e se correspondem ao que acreditamos.
Que possamos buscar ser referência, cidadãos que não aceitam imposições, seja de qualquer ideologia política que exista, sendo que o respeito precisa ser um dos princípios usados.
O nosso reino não é deste mundo, mas enquanto estivermos no mundo, que possamos optar por bons políticos que buscam construir um ambiente de paz e oportunidades.
Bibliografia
FERREIRA, Franklin. Contra a idolatria do estado: O papel do cristão na política. São Paulo: Vida Nova, 2016.
